Dono do Meu Desejo, Cap. 01

Um conto erótico de Contador
Categoria: Homossexual
Data: 12/03/2019 14:33:28
Nota 10.00

Eu tomava um gole do meu puro uísque escocês de 12 anos, escutando o que um dos diretores falava sobre a matéria de capa de uma das revistas que eu era dono, para ser lançada na semana seguinte.

O pub era numa cobertura em Beverly Hills, contando com alguns conhecidos naquela noite, como colegas de trabalho, amigos, empregados e bajuladores. Como na maioria das vezes, eram pessoas chatas, de quem eu logo me cansava. Algumas eu até cortava das próximas reuniões.

Aquela, especialmente, poderia ser um fracasso. Os homens e mulheres ali pareciam querer lamber meus pés, me agradarem de todas as formas possíveis. O que o poder e o dinheiro não faziam com as pessoas. Eram simpáticos em demasia, divertidos e sorridentes.

Falsos. Seria melhor descrevê-los assim.

Enquanto Cássio Beauchamp continuava a falar animadamente sobre a matéria e um casal perto de nós escutava atentamente, eu passei o olhar pelo enorme terraço do pub.

Um pequeno buffet servia bebidas da mais alta qualidade e petiscos caros e saborosos aos convidados, que ao total deviam ser de umas quarenta pessoas, a maioria mulheres. Com exceção de Lucy Davis, uma de minhas produtoras, que era feia e tinha mais que quarenta anos, todas as outras eram jovens e lindíssimas.

Eu sorri suavemente. Mulheres ambiciosas, que dariam um membro para estarem ali fazendo contato, mostrando-se, oferecendo-se às pessoas certas e influentes, esforçando-se para se tornarem uma das capas da minha revista MACHO ou uma amante especial, com direito a presentes e prestígios. Todas iguais. Lindas e vazias. Bonecas para serem usadas à vontade.

Elas sempre salvavam aquelas reuniões chatas. Eu me divertia observando seus esforços para chamar atenção, as disputas entre elas, o desejo de se destacarem das demais e as coisas que eram capazes de fazer para aparecer.

Eu, que era dono de um conglomerado de revistas, um empresário de sucesso, um homem rico e poderoso, sempre na mídia, poderia fazer tudo o que eu quisesse com elas. E fazia. Naquele momento mesmo, se apenas pedisse que ficassem nuas e deitassem no chão para que eu, meus amigos e empregados transássemos com elas, com certeza obedeceriam. No ato.

Ter esse poder me agradava. E excitava. Bonecas, com seus corpos perfeitos, sempre prontas a realizar meus desejos. Esforçando-se para agradar. E algumas até conseguiam. Essas eu usava até cansar. As que tinham potencial conseguiam sair nuas na revista MACHO.

E poucas, muito poucas, conseguiam um comercial na tevê ou uma ponta em novela. Umas duas ou três, mais espertas, faziam sucesso. Todas passavam por minha cama.

Eu sentia os olhares cobiçosos sobre mim e retribuía os sorrisos ansiosos. Elas ficavam por perto, rondando, tentando mostrar suas qualidades e atributos. Algumas, mais diretas se aproximavam sem convite, com olhares sedutores e palavras cheias de conotação sexual.

Como aquela garota que conheci na semana anterior, na casa de um empresário amigo meu. Ramon Siffredi tinha 54 anos e só gostava de garotas entre 18 e 24 anos. Ele tinha bom gosto e costumava indicar umas beldades para minha revista, após usá-las. As mais fogosas e que satisfaziam todas as suas vontades eram as preferidas de Alberto.

Aquela morena que tinha ficado pendurada no meu velho amigo tarado naquela festa, era especialmente bonita e liberal. Não tinha ficado nem um pouco envergonhada quando ele descrevera para mim o quanto ela era gostosa e realizava seus caprichos. E nem tinha disfarçado seu desejo por mim, o que fez com que Alberto me convidasse a compartilhá-la.

Dividir mulheres com outros homens não era exatamente minha fantasia sexual favorita, mas eu gostava tanto de sexo que de vez em quando participava de algumas orgias.

Naquela noite, aceitei o convite e transamos com ela. Chamava-se Paola e deu conta de nós dois muito bem. Eu a penetrei em todos os orifícios e a garota ainda pediu mais. Era naturalmente puta. E me agradou com sua beleza, jovialidade e entrega total. Transei com ela mais duas vezes depois disso, todas muito agradáveis. Ela não se assustava fácil e aceitou tudo que sugeri. No entanto, já começava a me cansar dela. Era sempre assim após conhecer uma mulher na cama e explorá-la ao máximo.

Terminei meu uísque e vi que Paola se aproximava de mim, sensual em uma roupa colada, vindo com uma amiga ao lado dela.

“Querido, a reunião está ótima!” Parou ao meu lado e segurou meu braço, enquanto eu entregava meu copo vazio a um garçom que passava.

“Essa é Selena, minha melhor amiga.” Explicou Paola, ainda encostada em meu braço, seus seios firmes me roçando provocadoramente. – Somos inseparáveis!

Eu ergui uma das sobrancelhas com cinismo e, em meio à reunião tediosa, olhei para as duas garotas com um novo interesse. Sozinha Paola estava deixando de ter graça, mas com a amiga, ambas se tornavam mais interessantes.

Devia ter uns vinte anos e era quase tão bonita quanto Paola. Pequena, delicada, pele branca, cabelos longos e castanhos claros como seu olhos. Seu ar inocente e angelical era desmentido pelo modo como me olhou, ardente e sensual.

Como as vozes das pessoas ao nosso redor foram abafadas pelo som de Cássio introduzindo a performance burlesca. Eu parei de prestar atenção na conversa das garotas para ver o show, afinal, havia gastado muito dinheiro naquela performance.

As batidas de ‘Art Déco’ encheram o bar, e foi como a adrenalina líquida sendo injetada diretamente na minha corrente sanguínea — não tão forte a ponto de me assustar, mas apenas o suficiente para me fazer vibrar e começar a mexer meu corpo.

Eu poderia dizer pela expressão de espanto no rosto das pessoas que não era só eu que realmente não sabia o que sentir sobre a apresentação! Em vez de uma mulher, a dançarina burlesca era na verdade um dançarino. A batida era sensual, o ritmo, elementar e sozinho no palco, ele respondia à música. Por um momento, fiquei sem fala. Fiquei agradavelmente surpreso com a sua beleza. Eu apenas olhei para ele, chocado. Era... luxuriante. Eu estava imobilizada por tanta beleza e feliz por ter concordado em contratá-lo.

Ele tinha a aparência de um aristocrata arrogante de outra época, mas ao mesmo tempo era um homem moderno, vestido para aumentar seus atrativos físicos de uma maneira elegante. Naquela cobertura lotada, o homem não parecia pertencer a esse lugar. Era como se ele tivesse caído de paraquedas em Milão, Paris ou em algum outro lugar da moda que nenhum de nós já visitara.

Ele era fisicamente parrudo como eu me lembrava, havia músculos sob as roupas dele, mas não o tipo volumoso que os homens conseguem com anos de levantamento de peso. Seus ombros fortes sob o tecido do terno trespassado perfeitamente branco, a camisa embaixo era branca. As calças apertadas que ele usava enfatizavam suas pernas grossas e marcavam suavemente as curvas de seus quadris e nádegas como se fossem feitas especialmente para ele.

Seu cabelo estava muito bem arrumado, tinha uma mistura de óleo para dar uma forma ondulada longa, mas perceptível aos fios enferrujados. Por trás, ele poderia estar em qualquer lugar no final da adolescência até os trinta anos, mas quando ele virou o rosto, era um menino. Seu rosto se destacaria entre milhares, pelas características delicadas e o contorno bem feito. Suas sobrancelhas eram impossivelmente retas, seus olhos feitos de mogno rico. Olhos que contavam muitos segredos, mas os mantinha presos em um cofre tão bonito que você não ousaria abrir com medo do que pudesse encontrar dentro dele. A característica mais marcante era o cabelo facial: um bigode handlebar e uma barbicha grossa. De alguma forma o fazia parecer mais tentador do que sua aura já sugerida.

Eu assisti com os olhos atentos enquanto ele dançava; eu assisti enquanto ele deixava a música assumir seu corpo enquanto se movia sensualmente, graciosamente, fechando os olhos, entregando-se à música. Não sei por que, mas desejei que estivéssemos sozinhos, para que eu pudesse tê-lo em meus braços.

Então ele começou a fazer um strip-tease, cada peça de roupa que ele tirava era um pequeno gemido de prazer que brotava dos meus lábios. As curvas bem definidas na pele dourada. Meus batimentos cardíacos aceleravam com a visão de pernas grossas e musculosas. Eu olhei para seu peito largo, coberto por uma fina camada de cabelo cobreados. Infelizmente, adesivos com franjas curtas cobriam seus mamilos enquanto sua genital era coberto por um fio-dental com lantejoulas.

Eu olhei para cima e para baixo tentando gravar cada parte do seu corpo em minha mente. Imagens dele de quatro, com as mãos amarradas e a boca tampada sendo agradavelmente chicoteada por mim, vieram à minha mente. Não que eu seja um sádico e que todos que eu vejo na rua, eu tivesse esse tipo de pensamento. Não! Mas ele tinha um ar tão juvenil. Tão doce, um ar tão... submisso. Era impossível não pensar nisso.

Eu subi o olhar um pouco mais e nossos olhos se encontram. Seus olhos de mogno cobriram os meus e puxaram meus pés para ele. Não foi nada que ele fez precisamente, apenas parecia que ele tinha um segredo, eu gostaria de ouvir sobre.

Quando a música estava terminando, ele se virou e me pegou assistindo; ele piscou e sorriu sedutoramente, aquele tipo de meio sorriso que se agita de um lado, fazendo-me respirar profundamente. Era aquele sorriso que os meninos usam quando têm algo mal planejado.

Eu senti um baque dentro com esse olhar. Atribuí o fato ao desejo e sua beleza excepcional. Uma onda de puro desejo viajou pelo meu corpo, por incrível que pareça, instantaneamente meu pau estava ficando cada vez mais duro, como se litros de sangue estivessem sendo bombeados para dentro.

Quando ele sorriu, deixando claro que seus dentes perfeitamente alinhados estavam se mostrando era para mim, eu mordi meu lábio, cobiçando-o descaradamente. Não que eu achasse que ele fosse a pessoa certa, mas certamente ele valeria uma noite inteira acordado. Era inegável: eu o queria em minha cama, ou melhor, em uma cama de motel. Tudo o que eu precisava fazer para conquistar meu objetivo era abordar e no momento oportuno para tomar a iniciativa.

Eu assisti ele recitar os últimos versos para mim, ‘A little party never hurt no one, not you and me. A little party never hurt no one, we were born to be free.’

Eu acordei do transe hipnótico pelo som alto que o público fazia enquanto batiam ritmicamente ao mesmo tempo as palmas das mãos deles. Ele foi ovacionado. Não foi só eu que tive uma ótima opinião sobre ele. A cobertura inteira tinha.

“O nome dele é Kylie West e ele é amigo do Ramon", Lucy Davis me disse, sussurrando em meu ouvido, usando uma mão para abafar sua voz. “Solteiro. Isso é tudo o que eu tenho.”

Era tudo que eu precisava saber.

Oh sim! Embora muitas vezes fossem as mulheres que se aproximavam de mim, iniciando uma conversa que logo evoluiria para flerte, até que resultasse em rejeição ou sexo, também dava o primeiro passo quando interessado.

Por que não? Basta parar para pensar em quantas oportunidades deixamos passar apenas pela falta de coragem e iniciativa. Eu não fazia parte da equipe daqueles que eram intimidados e silenciaram seus desejos secretos, eu pertenço à equipe daqueles que fizeram todos os esforços para eliminar da lista ‘o que fazer antes de morrer’, qualquer oportunidade não poderia ser desperdiçada.

“Obrigado, Lucy!”

Se ele era amigo de Siffredi, Kylie West era uma boa pessoa, porque a natureza do velho pervertido não permitia que ninguém menos que confiável em seu círculo de amizade.

Quando olhei de novo, não o vi. Ele se foi. Olhei com os olhos para ele por toda parte, como se procurasse uma velha joia da família perdida em uma noite de bailes e que achamos que poderíamos encontrar de novo pelo seu brilho.

Eu só parei de procurá-lo quando nossos olhos se encontraram novamente. O telhado ficou lotado com seu show, agora muita gente bebia e falava em pé em pequenos grupos. Eu dei um passo para frente tentando alcançá-lo e o vi fazendo o mesmo. Eu não sei se ele ia me conhecer, mas eu certamente estava. De repente, uma mulher se aproximou dele todo sorridente. Parei para observá-los a distância, com medo de que fosse uma namorada. Se ele a beijasse, poderia tirar minha dúvida e eu bateria em retirada. De outra forma teria que descobrir se minha chance havia escorrido pelo ralo. Mas nada aconteceu, conversavam apenas, mantendo uma postura de quem não tinha intimidade para chegar tão perto e nem de se tocarem durante o diálogo.

Talvez ela teve a mesma ideia que eu...

Minha determinação não havia ido embora. Eu estive o tempo todo esperando pelo momento certo de me aproximar, não desistiria tão fácil só porque outra mulher parecia interessada.

No amor e na guerra vale tudo. Então aqui estou, um soldado pronto para abater o inimigo e resgatar o refém! Eu deveria me envergonhar por pensar daquele jeito. Mas nunca me senti assim antes, querendo tanto a atenção de um homem a ponto de enfrentar uma possível rival. E não era uma questão de maturidade ou ser ou não ser possessivo, nem competitivo.

Tratava-se de um interesse fora do comum, nem mesmo eu conseguia entender tamanha obstinação em relação a tê-lo para mim. Portanto, não poderia permanecer na dúvida se existia ou não uma atração mútua pairando no ar.

Deixando meus devaneios de lado, continuei rumo ao homem que me atraiu à primeira vista.

Parando diante deles, aguardei que notassem minha presença e quando ambos olharam em minha direção, tomei uma atitude movida pelo impulso e improviso.

“Boa noite, com licença,” pedi com educação, deixando a moça de lado por alguns instantes. Toquei o ombro de Kylie levemente, apenas para incentivá-lo a se levantar um pouco, visto que era mais baixo do que eu. Chegando bem perto do seu ouvido, falei para que somente ele me ouvisse, “Ela é sua namorada?”

Ele me encarou com a testa franzida, o que eu achei um charme. Ficou evidentemente surpreso com minha pergunta, mas eu não me acanhei.

Tinha que saber se existia um empecilho no meu propósito de conhecê-lo. Se Kylie estivesse em um relacionamento, eu pularia fora e vida que segue. Mas depois de nossa troca de olhares, tinha quase certeza que ele estava me correspondendo e aquela garota apenas nos atrasava.

“Não, ela não é,” sussurrou ao pé do meu ouvido, afastando-se em seguida para me encarar, sorrindo. Sua voz era calorosa e amigável. Era uma voz educada. Correta.

Fitei a mulher que nos observava impaciente, com cara de poucos amigos. Estava mais do que claro que ela não gostou da minha interrupção. Mas quem disse que eu me importava?

Querida, eu vi primeiro e pelo andar da carruagem, tenho mais chance que você. Claro que eu não disse aquilo em voz alta, não era tão babaca assim. Talvez eu fosse, só um pouquinho.

“Desculpe por ter interrompido a conversa,” disse a ela, com voz controlada. “Mas, Kylie e eu temos um compromisso agora, então terei que roubá-lo de você.”

A garota poderia ser um camaleão fêmea, pois mudou de cor tão rapidamente que fiquei impressionada. Vermelha, fosse de vergonha ou de raiva, ela nos deixou sem se despedir. Mal-educada, eu pelo menos pedi licença.

Confesso: talvez eu estivesse um pouco alterado pela bebida. Mas nada muito grave. Só precisava me manter confiante como sempre fui. Não estava acostumado a paquerar em bares, e eram as homens que geralmente tomavam a iniciativa, mas ali estava eu, fazendo a frente. Não podia vacilar, visto que já tinha dado o primeiro passo.

Kylie era ainda mais bonito de perto, e muito, muito cheiroso. E me observava com demasiada atenção, talvez esperando que eu justificasse minha atitude.

Droga, devo ter passado uma péssima impressão!

“E então, poderia me lembrar qual é o nosso compromisso? A propósito, como sabe meu nome?” Sorriu, parecendo sem jeito.

“Pedi uma assistente minha amiga que perguntasse ao Ramon.” Dei de ombros. “E quanto ao nosso compromisso, vai depender se aceitar meu convite.”

“Deixe-me te pagar uma cerveja.”

“Eu estava com a intenção de te oferecer a mesma coisa.”

“Isso é um bom sinal. Eu pago a primeira rodada e você a segunda. Que tal?”

“E a terceira?” Arqueou a sobrancelha, mantendo seu sorriso sedutor.

“A gente tira no palitinho.”

Acompanhei-o até a mesa reservada para ele em um canto pouco iluminado, o que achei perfeito. Cavalheiro, puxei uma cadeira para que ele se sentasse e somente então me acomodou de frente para ele.

“O que vai beber?” perguntei, acenando para um garçom. “Guinness Draught preta. Minha favorita.”

“A minha também.”

Certo, eu estava me sentindo um garotão, mas poxa! O homem era uma coisa linda, cheiroso, gostoso e ainda gostava da mesma cerveja que eu. Tudo bem que eu não estava em busca da alma gêmea, mas aquela alma à minha frente, era muito, muito semelhante.

Assim que o garçom nos deixou a sós após trazer nosso pedido, Kylie e eu fizemos um brinde e bebemos o primeiro gole em sincronia, sem desviar o olhar um do outro.

“E o seu nome. Vai me dizer?”

“Oh, sim” pestanejei. “Indra Gavaskar, ao seu dispor.”

“Muito prazer em conhecê-lo, Indra.”

Ele estendeu sua mão para cumprimentar-me, aceitei sua mão, mas ao invés de apertá-la como de costume, eu a beijei com delicadeza. Umedeceu seus lábios rosados com a língua e segurou um sorriso.

“O prazer é todo nosso.” Não houve insinuação sexual em meu tom de voz, mas a forma como ele me olhava deixou meu pau babando.

“Deixou suas amigas sozinhas para vir falar comigo?”

“Elas não são nada minhas.”

“Bacana!” Parecia sincero. “Fazia algum tempo que eu não performava a um público assim, mas surgiu uma brecha na agenda e o Cassius me convidou para vir. Eu não tinha um repertório muito longo para esta noite, mas acho que me saí bem.”

“Você é maravilhoso,” elogiei espontaneamente, percebendo depois que a frase poderia ter duplo sentido. “Quero dizer, sua dança. Você dança muito bem.”

“Obrigado. Fico feliz em saber disso, estava tentando te impressionar desde que o vi.”

Bebi um gole da minha cerveja, absorvendo aquele tiro certeiro que acabara de levar. Se existia alguma dúvida que o homem correspondia minhas intenções, ela se desvaneceu naquele instante.

“Eu queria que me notasse.” Optei pela franqueza.

“Um homão como você é impossível passar despercebido, Indra. Você é tão viril e grande, que chega a ser agressivo.”

Era verdade. Aos 40 anos, era impossível não me notar. Sou muito alto, talvez cerca de um metro e noventa e três. Ombros largos, estrutura grande, mas musculosa. Minha etnia indiana estava presente no meu tom de pele escura, nos cabelos negros e nos penetrantes olhos negros cobertos por grossos cílios e sobrancelhas. Meus lábios eram muito cheios, extremamente sensuais. Meu rosto anguloso tinha uma mandíbula quadrada, um queixo arrogante e uma barba cheia cobrindo tudo. Alguns turistas me confundem com o ator bollywoodiano Salman Khan.

E então, o silêncio que precedia a tensão sexual. O que determinava aonde a noite poderia terminar. O momento em que um pensava em qual proposta fazer e o outro em qual resposta dar.

“Quer ir comigo pra outro lugar?” perguntou.

“Quer sair daqui?” perguntei.

Nós dois falamos juntos novamente. Nós estávamos irremediavelmente atraídos. Eu queria segurar a mão dele, mas não queria fazer nenhum movimento que pudesse atrair atenção para nós. Como se já não tivéssemos chamado a atenção só por estarmos juntos.

Nossa cerveja acabou e antes da segunda rodada já havíamos exposto nossas intenções.

“A primeira rodada foi por sua conta, então a segunda rodada será no meu apartamento.” Ele esticou a perna por baixo da mesa, tocando-me com as solas do pé em toda a extensão do meu pau. “Está tudo bem para você?” Ele disse, com um cínico seu rosto.

Uau! Nunca fui para a casa ou apartamento de um homem com quem me envolvi. Nem no primeiro encontro, nem no último. Sempre fugi de tal intimidade, estar no território de alguém era estranho para mim. Eu preferia uma zona neutra. Motéis eram zonas neutras. Não havia porta-retratos de família, nem de momentos especiais. Não dava para saber qual era sua cor favorita, nem se ele era alérgico a tapetes peludos ou se tinha algum animal de estimação. Pelo mesmo motivo eu não levava ninguém ao meu território, pois meu lar dizia muito a meu respeito e eu nunca me senti pronta para compartilhá-lo.

“Por mim tudo bem.”

Era a primeira vez que eu sentia vontade de estar no território de alguém.

Kylie revelou-me que não possuía carro e sim uma moto. Porém, como saiu com a intenção de beber, usou o serviço de táxi. Por eu ter bebido além do que esperava, não me senti apto a dirigir e, de comum acordo, ele ligou para o motorista que o havia transportado ao pub.

No trajeto até seu apartamento, Kylie e eu alternávamos entre conversar sobre amenidades ou permanecermos em silêncio. O tempo todo, sua mão esteve entrelaçada na minha, apoiada em minha perna. Em determinado momento, nós nos olhamos fixamente e sorrimos um para o outro.

A playlist do taxista era de muito bom gosto e acabou contribuindo para a atmosfera erótica que se formou naquele espaço fechado. Dancing Like We Are Making Love, da Ciara, era praticamente um convite a se perder na luxúria.

Ah, eu queria mesmo era fuder o Kylie.

Eu olhei para o cabelo dele, uma espécie de bronze metálico, estilizado em um topete. Imaginei segurá-los enquanto o fodi com força como rédeas. Eu senti o desejo subir, lento e denso, forte. Meu olhar seguiu para sua bunda grande dentro de suas calças. Suas pernas seriam perfeitas ao meu redor. Era estranho me sentir assim sobre um homem, eu não estava acostumado a fazer sexo com homens, diretamente. Mas aqui estava eu, quebrando minhas próprias regras uma após a outra e me sentindo completamente em paz.

“Nosso primeiro beijo não vai acontecer dentro de um táxi,” sussurrou em meu ouvido, antes de mordiscar o lóbulo da minha orelha.

Sua voz rouca e quase inaudível provocou arrepios em todo o meu corpo, deixando-me com a respiração descompassada. Umedeci meus lábios com a língua e me aproximei para também lhe fazer uma revelação importante: “Tudo bem, mas saiba que eu não me importo de transar no primeiro encontro. Não vou pensar mal de você, nem duvidar da sua boa reputação.”

Kylie começou a gargalhar e eu aproveitei para memorizar aquele instante, pois a forma como ele ria, tão espontâneo e despreocupado, era uma visão que valia a pena eternizar. Eu fotografaria se tivesse lembrado que meu celular tinha câmera.

“Você existe ou é fruto da minha imaginação?” perguntou, ainda rindo. “Rapaz, você é incrível!”

Pisquei para ele, mas não disse nada. O táxi logo parou e eu abriu a carteira, tirando algumas notas para pagar a corrida. Antes de guardá-la de volta no bolso do jeans, retirei uma embalagem preta e sai do carro, estendendo a mão para me ajuda-lo a sair. O táxi se foi e continuamos ali na calçada, de frente um para o outro, os olhares expectantes.

Comentários

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04/04/2019 22:46:45
prefeito!!!!
12/03/2019 21:09:52
APESAR DE EXCELENTE, ACHEI UM POUCO LONGO. ESTÁ MUITO BEM ESCRITO UMA OU OUTRA PALAVRA ESCRITA ERRADA. MAS O CONTEÚDO VALEU A PENA LER. GOSTARIA IMENSAMENTE QUE O AUTOR NOS PRÓXIMOS CAPÍTULOS DESSE UM FEEDBACK AOS LEITORES. ISSO NOS INCENTIVA TAMBÉM A CONTINUAR LENDO E EFETUANDO CRÍTICAS. PARABÉNS...
12/03/2019 15:40:30
Faz tempo que não fico tão ansioso pra ler o próximo capítulo de uma história aqui na CDC. Não demore muito com o próximo hein hahaha