Texto corrigido.
Bom, vou me apresentar a vocês, caros leitores deste conto.
Prazer, meu nome é Hennry. Sou e vivo na linda cidade de BH, em Minas Gerais, sozinho desde a morte dos meus pais. Sou formado em enfermagem, com especialização em gestão hospitalar, e estou a caminho de um mestrado. Tenho 25 anos e amo viver a vida, mesmo que às vezes eu me atrapalhe um pouco. Tenho 1,78 m e peso 79 kg; meu peso é muito bem distribuído — não tenho o famoso tanquinho, mas também não tenho do que reclamar. Sou branco, com cabelos um pouquinho ruivos, além de ter pequenas manchinhas nas bochechas. Meus olhos são verdes como esmeraldas. Mas vamos ao que mais interessa.
Já era tarde quando saí de casa para o meu primeiro dia de trabalho como enfermeiro em um hospital de referência da minha cidade. Justo hoje, consegui fazer a proeza de derramar café com leite na minha roupa que, por eu ser enfermeiro e estar indo trabalhar, era inteiramente branca, sujando minha camisa, calça, tênis e até meu jaleco. Depois que finalmente troquei de roupa e de tênis, saí de casa apressado para poder pegar o ônibus que saía exatamente às 15h do ponto final, e eu morava a dois pontos do final da linha.
Depois de uma pequena viagem de 30 minutos, finalmente eu estava no hospital. Assim que bati o ponto, com três minutos de atraso, meu colega chegou para passar o plantão e me deixar a par de tudo o que tinha acontecido durante o expediente dele. Assim que ele deixou tudo esclarecido, o pobre coitado finalmente foi para casa, deixando um monte de batatas quentes em minhas mãos. Depois do plantão passado para a minha pessoa, corri para reunir a equipe, me apresentar e deixar claras as minhas metas em relação ao cuidado do paciente. Durante a reunião, apresentei-me à equipe:
— Prazer, me chamo Hennry e hoje é meu primeiro dia neste hospital. Espero que vocês me ajudem, assim como estarei sempre disponível caso haja qualquer coisa em que eu possa ajudar. É só avisar.
Assim que acabei de falar, perguntei se alguém tinha alguma coisa a dizer; eles disseram que não e agradeceram as palavras. Comecei distribuindo as funções de cada um de acordo com os relatórios que li, para se ter uma melhor eficiência e uma melhor qualidade de atendimento. Pelas faces de alguns, notei que não gostaram das novas funções, enquanto outros amaram a minha estratégia de dividir o trabalho de maneira equitativa. Passadas as funções, liberei todos e fui fazer a minha ronda para ver como a equipe estava lidando com os pacientes e seus familiares.
Às 18h, fui para a minha salinha fazer os relatórios e prontuários dos meus pacientes, para deixar tudo organizado e não acumular trabalho para depois do meu expediente. Assim que fechei a porta da salinha, um doutor bonitão a invadiu, gritando comigo como se eu fosse um inseto ou alguém ignorante. Não posso deixar de relatar a sua beleza quase divina: com 1,96 m de altura, deveria pesar uns 100 kg distribuídos em muitos músculos — muitos mesmo —, além de ter um pacote tremendamente recheado. Gente, que cor era aquela? A verdadeira cor do pecado! Enquanto eu encarava aquele "doutor chocolate", só conseguia ver a perfeição em pessoa. Essa minha viagem só durou alguns milésimos de segundo, até que caí na real e disse:
— Pois não, doutor?
— Por que você trocou a minha assistente, seu incompetente?
— O senhor poderia me dizer o nome dela, por favor?
— Alice.
— Deixe-me ver um segundinho só, Doutor Leonardo.
Ele olhou para mim como se eu fosse um lixo, enquanto eu tremia na base. Porque, mesmo que a minha profissão não estivesse submetida à dele, era de conhecimento público que o Doutor Leonardo era neto do fundador do hospital, além de ser um dos melhores cirurgiões do país e fazer parte do conselho do hospital. Ou seja, ele era o chefe do chefe do chefe do meu chefe.
Depois de ver o quadro que eu mesmo havia feito, e depois de constatar que a Alice fazia muitas horas no bloco e poucas horas na emergência e na enfermaria, reuni uma coragem absurdamente grande e disse:
— Doutor Leonardo, a técnica Alice tem o triplo de horas no bloco e, mesmo quando alguém falta nas enfermarias, ela não ajuda, mesmo que não haja cirurgia marcada ou paciente. Então, para evitar o desgaste da equipe, eu a designei para trabalhar na enfermaria, pois estamos com poucos técnicos e muitos pacientes.
Aquele "Deus do Chocolate" olhou para mim por alguns instantes e disse:
— Não me interessa o que você acha. Estou mandando pôr ela no bloco AGORA.
— Isso é uma ordem ou um pedido, Doutor Leonardo?
— Uma ordem.
— Ok, espere um minutinho só.
Comecei a digitar no computador o mais rápido que pude e mandei imprimir a seguinte página:
> O Doutor Leonardo deseja que a técnica Alice, sem nenhuma especialidade no bloco cirúrgico e com muito mais horas no bloco cirúrgico do que suas colegas, trabalhe exclusivamente como assistente dele no bloco cirúrgico, mesmo sabendo que falta pessoal nas enfermarias e na emergência.
>
Assim que a impressora acabou, retirei a folha e a dei para ele assinar. Aquele gostosão arrogante leu, apenas riu assinando como se não fosse nada, devolveu-a com uma cara de deboche e disse em voz baixa:
— Que viadinho mais abusado.
— Obrigada, doutor. Irei mandá-la imediatamente para o senhor.
Com aquele olhar de deboche, ele saiu da minha salinha batendo a porta e pisando forte, como para reafirmar a sua autoridade sobre este hospital.