Estações - 3º Capítulo (

Um conto erótico de EduardoU19
Categoria: Homossexual
Contém 1831 palavras
Data: 19/10/2018 22:05:12
Última revisão: 21/10/2018 11:46:22

[Desculpa pela demora, mas eu fiqeui confuso sobre o que iria acontecer com o resto do conto, mas já planejei e espero que vocês continuem porque vai ter muita coisa ainda, não desistam de mim, grato]

O Autor

(Outono)

28 de Março de 2018

Na manhã de quarta-feira, eu finalmente consegui acordar antes de todo mundo, inclusive Ulisses. Sai do meu quarto de pijama e fui perambulando pela casa. A porta do quarto dos meus pais estavam fachadas, do meu irmão também, mas a do Sr. Estressado estava entreaberta. Faltava 1 hora ainda pra sairmos mas eu sabia muito bem que ele ia gostar de acordar naquela hora. Abri a porta lentamente pra não acordá-lo e, óbvio, estava tudo escuro. Com a luz do celular fui chegando até a cama dele e o chacoalhei. Pra que?! O filho da mãe disse que não queria ir à escola naquele dia.

- Eu te odeio! - disse eu indignado de novo.

- Odeia nada, cê me ama. - respondeu ele me puxando pra cama.

- Sai, eu to com raiva de você!

- OH meu deus!

- Eu acordei cedo só pra você ver que eu consigo.

- Que mentira, Eduardo! - disse ele tirando sarro. - Você deve ter acordado sem querer, isso sim!

- Pode ser, mas olha eu aqui não é mesmo?! - respondi

Desisti de insistir e saí do quarto.

- Hey! - disse ele antes de eu sair do quarto, eu virei pra ele com cara de desprezo. - Love you. - revirei os olhos e fui me arrumar.

Todas as quartas na nossa escola, temos aula de educação física (algo que o Ulisses não pode fazer) e, geralmente vamos correr na praia, jogar vôlei ou, por sorte da natureza, nadar. Mas essa última opção não é muito frequente porque os professores sentem que todos os quarenta alunos vão se afogar simultaneamente. Bizarro, mas não é difícil de imaginar adolescentes idiotas sendo levados pela correnteza enquanto seus amigos gritam da beira da praia “Socorro! Socorro!”. Pois é.

O dia era praticamente vazio sem o Ulisses me perturbando mas tudo bem, não tenho só ele de amigo, é claro. Paulo (lembram dele? O receptivo.), estava sempre ali perto fazendo suas peculiaridades. Mas vou dizer-lhes uma coisa, a namorada dele é chata demais. Não demonstro respeito nenhum, nem empatia alguma. A menina não pode ver o garoto conversando com ninguém que acha que é traição. Chapadona. E por falar no diabo, olha ela aí…

- Oi meninos! O que você quer com meu namorado? - perguntou a desgraçada

- Tudo, menos você! - respondi e ela abriu a boca de vaca dela.

- Amor! Olha que absurdo! - mungiu a vaca.

- Absurdo é ouvir você mungindo todo dia na minha frente, depois a gente se fala Paulo – disse eu quando sai de perto dele.

Me juntei com o resto da turma, e sinceramente, o pessoal não falava muito não. Todos pareciam estar focados na corrida pela praia, mas só parecia mesmo, porque estavam todos mortos de vontade para cai fora dali logo e voltar pra sala o melhor, para casa. Meus pensamentos ficaram correndo junto comigo, tentando entender o que se passava na minha mente. Como que eu acabei me apaixonando pelo meu melhor amigo? Ou será que foi apena uma sensação? Digo iso porque na verdade, nunca senti isso antes e, eu e o Sr. Estressado nunca ficamos numa aproximação tão ‘grude’, sabe?

Quando ele ficou me olhando, em cima de mim, em meus olhos, não era o olhar de sempre. Ele olhou nos meus olhos como se esperasse alguma ação minha, algum tipo de reação. Eu pensei em realmente beijá-lo, não porque eu queria há muito tempo, mas como se fosse apropriado naquela noite. Os lábios rosa dele estavam em destaque, sua mãos pressionavam as minhas contra a cama e os seus olhos estavam dilatados como de um gato.

Enquanto pensava em Ulisses, pude sentir a leveza do ar sobre meu rosto, o som do mar se encaixava perfeitamente naquele dia. O barulho dos sapatos correndo na orla da praia mal pôde me incomodar e o sol estava entrando em minha alma. Foi, de fato, a aula de educação física mais útil em toda a minha vida, com certeza foi. Quem diria que as aulas de E.F faziam bem para o intelecto humano, não é mesmo?

Virando finalmente na rua da escola para se trocar, encontrei Júlia que se aproximou.

- Oi – disse ela dando um toquinho de mão.

- Eae – respondi igualmente.

- Desculpa por ontem, só estava na TPM – disse ela.

- E você acha que eu não sei como você é na TPM – respondi. - Você é demais Ju, relaxa.

- Mas então, acha mesmo que eu que terminei com o Ulisses? - indagou ela.

- Não terminou?

- Mas é claro que não, ele te contou isso?

- Não, eu que fiz essa suposição por causa da desculpa idiota que ele sempre dá

- Dos filhos né?

- Exato – quando respondi ela deu risada.

Fomos andando até o colégio juntos, imaginando o que, de fato rolava com Ulisses. Foi então que ela indagou:

- Posso te perguntar uma coisa bem estranha?

- O que quiseres Sr. Quase Estressada Mas Que Foi Barrada Pelo Sr. Estressado Por Causa Dos Filhos Hemofílicos! - respondi.

- Você...já...aff… você já ficou com o Ulisses

Eu me engasguei com minha própria saliva e tossi que nem um cavalo. Pera, cavalo tosse? Ai tanto faz gente, cês já sabem como eu escrevo, não me julguem.

- O QUE?! - perguntei pasmo.

- Ah, nada ué, só quero saber… - disse ela. - Eu só acho fofo vocês dois juntinhos, às vezes cês ficam muito próximos fisicamente que é quase impossível não imaginar alguma coisa.

- Você é uma doida, isso sim!

- Eduardo, pelo amor, admite que às vezes parece que tem algo simplesmente – provocou.

- Tabom, admito, mas nunca fiquei com Ulisses – respondi

- Uhum…

- Você quer insinuar que eu fiz você e ele terminarem?

- Que isso, claro que não, só tô te provocando seu doido! - confessou

Depois dessa conversa a gente se separou, pois somos de salas distintas e não a vi mais pelo resto do dia. Nos vestiários, enquanto tomava banho, ouvi alguns idiotas dando risada sobre a confissão mentirosa que fizeram contra mim à minha vó, mas como são trouxas, nunca saberão que ela é minha vó e fiz questão de ativar meu desprezo nível avançado. Entrei no vestiário e saí pleníssimo, sempre.

Fui pra casa andando rapidamente, parecia uma zebra fugindo do leão. Desculpa de novo por escrever estranho hahaha. Nunca quis chegar tanto em casa como naquela quarta-feira. Era outono, tedioso, cheio de folhas no chão e pá. Quando passei a chave na porta de casa senti um imenso vazio no coração. Estava tudo silencioso. Minha mãe não estava em casa, meu irmão tava na escola e meu pai trabalhando. Bem, não teremos a comunhão de terça, como ontem.

Mas ouvi um barulho de chuveiro vindo da suíte do meu quarto. Provavelmente era o Sr. Estressado. Deixei ele em paz e fui me trocando enquanto ele tomava banho. Quando tirei a camisa, ouvi alguém gritando:

- Edu, é você que tá aí?! - perguntou ele.

- Soy Yo mi amigo! - gritei mais alto ainda

- Pega uma toalha pra mim, por favor! - pediu

- É pra já! - respondi

Fucei o guarda-roupa e achei uma toalha branca no fundo da portinha. Fui andando até o banheiro e fechei os olhos, pois não queria ser indelicado. Ele ficou dando risada e pegou a toalha da minha mão e saí do banheiro morrendo de vergonha.

- Você age como se nunca tivesse visto – disse ele.

- Eu sei, mas não quero ser invasor de privacidade – respondi

- E desde quando eu tenho privacidade com você, Eduardo – respondeu e eu fui deitando na cama, mexendo no celular.

Quando menos esperei, Ulisses saiu de toalha e eu fiquei todo em graça, sei que parece estranho, mas eu nunca fiquei o vendo tão exposto.

- Preciso de uma cueca – disse ele.

- Que isso Ulisses?! - perguntei – Não se empresta essas coisas!

- Então me dá um samba-canção, ou cê quer eu balangando por aí? - dei muita risada quando ele falou isso

- Eu vou arranjar uma cueca pra você migo, eu tô brincando – respondi.

- Valeu!

Ele sentou na cama e ficou conversando com pai dele por um tempo enquanto eu fiquei caçando uma cueca nova pela casa, que, eu sabia que tinha na verdade, mas não sabia onde estava. Entrei no quarto do meu irmão e fiquei caçando essa bendita peça de roupa. Meu irmão tem um grande talento pra perder coisas, desorganizá-las e piorar a posição dos objetos. Foi aí que eu desisti de procurar no quarto dele e migrei para o quarto dos meus pais, porém, tive muito medo de encontrar coisas de casal e blablablá. Mas dane-se, eu fiquei fuçando até achar cuecas Lupo novinhas no fundo do guarda-roupas do meu pai.

Voltei pro quarto e Ulisses estava, de novo, convencendo o pai dele que não estava “hemorragiando” e passou o telefone pra mim.

- Enche o saco dele! - falou sussurrando e eu olhei bem feio pra ele mas peguei o celular ao mesmo tempo que eu joguei a cueca na cara dele.

- Oi tio! Eu juro que está tudo bem...sim...sim...fiz o que o Senhor me ensi...sim...aham

Enquanto eu tentava conversar, Ulisses tirou a toalha na minha frente e começou dançar. Eu arregalei os olho e virei de costas e ele veio se engraçar do meu lado.

- …Aham tio...eu tô de olho no que ele tá fazendo...é, ele é bem agitado às vezes…

Ele começou a rir muito e se vestiu depois disso.

- Okay, eu não vou deixar ele se cortar… - depois de viver aquela derrota eu desliguei o telefone. - Que merda foi essa Ulisses?!

- Eu tirando sarro com você, agora vem e deita aqui comigo – disse ele todo jogado na cama.

- Deitar?

- É uai, tá com frescura por que?

- Sei lá, eu nem tomei banho ainda…

- Okay então – respondeu ele com a maior tranquilidade do mundo e se virou pra dormir, em plena 15 horas da tarde.

Fui tomar banho e fiquei refletindo sobre o que estava acontecendo com o Ulisses. Estava muito assanhado comigo, de uma forma meio que anormal. Não que eu e ele não fôssemos agarrados, a gente é muito grudado mesmo, porém estava sentindo um clima diferente nesses últimos dias.

Após o banho, me troquei e fui pro meu quarto e Ulisses estava de pé, na frente da cama e eu o observei por alguns instantes e ele deu um sorriso.

- Do que cê tá rindo bobocão? - perguntei.

Ele se aproximou, lentamente e pegou minhas mãos e entrelaçou os dedos dele nos meus e me olhou. Sim, daquele mesmo jeito de antes, comecei a queimar por dentro.

- O que foi agora Ulisses? - perguntei enquanto ele aproximou o rosto dele do meu e disse:

- Por que você é tão chato assim? - respondeu ele suavemente.

Inesperadamente os lábios rosados de Ulisses encostaram no meus e eu fui perdidamente capturado naquele momento. Segurou meu rosto com suas mãos macias e me beijou sem medo. Sem reação, tive que guardar os próximos acontecimentos no próximo capítulo.

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Comentários

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E finalmente Ulisses tomou a iniciativa e beijou Eduardo.... Qual será a reação de Eduardo? E se esse romance for a frente como Julia receberá a notícia?

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