Os Verões Roubados de Nós/ CAPÍTULO28

Um conto erótico de D. Marks
Categoria: Homossexual
Contém 2131 palavras
Data: 12/10/2018 22:17:16

Os Verões Roubados de Nós

Capítulo 28

Narrado por Gabriel

Acordo bem cedo hoje, pois tenho uma viagem de negócios agendada ao interior e quero sair antes que o trânsito fique caótico. Tomou banho e vou preparar o café. Eu madruguei e nem percebo Eno parado a porta da cozinha.

― Bom dia, amor. – digo e rio porque ele está com cara de sono e o cabelo todo bagunçado.

― Você sabe que horas são? – ele se aproxima e me beija – volta para a ama e não reclama porque estou com bafo. – e me beija de novo – bom dia, amor.

― Eu vou pegar a estrada, amor. – digo – Lembra-se do fornecedor sem noção? Pois é, eu vou até lá resolver pessoalmente. E quanto mais cedo eu for mais cedo volto para você.

Vejo seu olhar apreensivo sobre mim.

― Eu sei, amor. – ele diz – Por que você não manda o Chatítalo (apelido do Ítalo)?

― O quê?! – solto uma gargalhada – Enooo...

Ele dá de ombros.

― Não gosto dele e você sabe disso!

― Não vou falar nada. – sirvo o café – Toma café comigo?

Ele nega.

― Não, mas sento no seu colo para fazer companhia. – ele sorri.

Tomo meu café da manhã com ele no colo trocando carinhos. Olho a hora.

― Eno... Está na hora de ir. – informo a ele.

― Vida... Não vai hoje. – ele diz me olhando – Eu peço folga para o Roberto e vou com você.

Sinto-me tentado com seu pedido, mas não posso adiar mais.

― Sinto muito, amor, mas é necessário. – digo a ele – Desculpe. Mas eu prometo te buscar para jantarmos juntos, ok? – tento anima-lo.

Mas ele apenas concorda.

― Ok. – ele suspira – Só vou sossegar quando estivermos aqui juntinhos hoje a noite.

Concordo e vou pegar meus documentos e a pasta, coloco meu casaco e vejo sentado na poltrona.

― Gabe... – ele pede – Não vai... Por favor.

Eu me aproximo e o puxo para um abraço.

― É mais rápido se eu for agora. – meu celular toca e é uma mensagem de Ítalo.

#Bom dia, chefe. Já saiu?#

#Saindo agora. Aviso quando chegar lá. Bom dia.#

#Ok. Boa viagem.#

― Quem é? – Eno pergunta franzindo a testa.

― Ítalo.

― O que ele quer? – sua expressão está séria e mau humorada.

― Saber se eu já saí. – respondo.

― Como eu disse... Chatítalo! – ele revira os olhos.

Dou uma risada e o beijo.

― Assim que eu sair de lá eu te aviso, meu ciumentinho lindo! – caminho para a porta.

― Gabe... – ele me chama – Eu amo você... Para toda a eternidade.

Sorrio.

― E eu te amo para sempre. – o beijo e saio.

O dia está clareando quando saio de casa e sigo para o meu destino.

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Narrado por Enzo.

Após brigarmos por ciúmes fizemos amor de forma intensa e gostosa. Pedi ao Gabe para me masturbar e gostei da experiência e vou explicar o porquê.

Eu sou extremamente sensível ao toque tanto que gozo sem precisar me masturbar então, essa experiência foi nova, intensa e prazerosa. Sei que ele também ficou por conta do meu pedido e me masturbou no ritmo com que me penetrava. Por fim gozei com jatos grossos.

Acordo sem ele na cama e olho a hora. São 4:45h da manhã. Ouço um barulho vindo da cozinha e sigo para lá onde ele prepara um café rápido, pois vai para o interior resolver problemas com fornecedor.

Estou incomodado com alguma coisa, mas não consigo definir o que é. Minha intuição está aguçada ao máximo. Observo-o preparar seu café e meu coração se aperta. Não quero que ele vá ou se for quero ir junto. Ele se vira e me nota e começamos a conversar. Tento convence-lo a não ir, mas não adianta e cerca de 1h depois ele parte prometendo me ligar e voltar para mim.

Vou para o quarto me arrumar e abro a janela para olhar o tempo. Está fechado e escuro como meu humor.

― Definitivamente hoje não será um bom dia. – suspiro e vou me aprontar.

Envio uma mensagem para Gabe apenas para verificar se está tudo bem e entro para assistir minhas aulas. Ao término do período leio as mensagens que chegaram.

Gabe: #Está tudo bem, vida. Estou finalizando tudo aqui e quando sair te aviso. Amo você.#

Tati: #Gatão, bom dia. Quero marcar um jantar ou um almoço para apresentar Diego à família. O que você acha? Bj.#

Sorrio. A empata foda realmente está amando e agora é oficial. Respondo:

#Um almoço será perfeito para ele conhecer a loucura da família toda! Kkkk. Bj.#

A resposta vem em seguida.

#Engraçadinho! A noite passo no apartamento e combinamos tudo. Preciso de ajuda. Obrigada. Bj.#

#Ok. Até lá, gata! Bj.#

Quero almoçar no restaurante, mas só de pensar em encontrar p Chatítalo fico mais mau humorado ainda. Sabe quando alguém não desce? Juro, o cara não me fez nada, mas quando olho para ele sinto um nojo tão grande que me assusta. Para mim ele é dissimulado e cobra pronto para dar o bote e isso me lembra uma conversa que tive com Leila.

*******************************

Flashback on

― Não gosto dele... – resmungo enquanto o observo todo sorrisos para Gabe.

― Eu também não! – Leila fala.

Tomo um susto porque não a vi se aproximando.

― Oi?

― Também não gosto dele. – ela repete calma.

― Por que, Leiloca? – pergunto curioso.

― Eu o acho falso e dissimulado. – ela responde – E quando Gabriel não está aqui ele nos trata mal.

Meu semblante fecha.

― Já contou ao Gabe?! – estou furioso – Sabia... Ele é um falso mesmo!

― Eu não contei porque ele é um ótimo gerente e se Gabe manda-lo embora pode ter problemas. – ela suspira – Eu não quero prejudicar ninguém, Enzo.

― Leiloca, me chama de Eno. – pisco para ela – Você eu deixo! – e penso um pouco – Posso te pedir um favor?

― Claro!

― Observe-o – peço – só que de maneira discreta e se vir algo fora do normal à rotina do restaurante avise ao Gabe... Mmm... Melhor não Leila, avise para mim, ok?

― ‘Xá’ comigo, Eno! – rimos juntos.

Flashback off

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Mesmo Gabe dizendo par eu ir ao restaurante quando e a hora em que eu quisesse hoje eu resolvi não ir para não ter que olhar na cara do babaca. Resolvo almoçar num restaurante próximo a empresa e ao entrar vejo alguns funcionários por lá e os cumprimento. Mais afastado vejo Fernando e uma moça grávida conversando e ele parece nervoso e ela sorrindo de uma orelha a outra.

Sirvo-me e sento numa mesa próxima a eles tentando ouvir a conversa. Não consigo ouvir a voz de Fernando, porém a mulher fala alto e claro:

― Você vai se casar comigo sim! E sabe por quê?! Porque esse bebê que eu espero é seu e...

Primeiro registro: o Fernando é bissexual.

Segundo registro: ele será pai? É sério?

― E se você não quiser que seu caso com o Vítor caia na boca da sua família e o prejudique é melhor você fazer o que eu quero! – ela continua.

Terceiro registro: ele está sendo chantageado?

“E quem é Vitor?” penso curioso. Será o rapaz que vi com ele no apartamento?

― Como você pode?! – agora ouço sua voz – Não faça nada com ele! – e há fúria nela.

A moça ri.

― Então faça o que deve ser feito e aja como homem e assuma seu filho... – e ela sorri docemente – ou filha.

Um silêncio toma conta da mesa deles e após alguns minutos, Fernando responde:

― Tudo bem... – sua voz está embargada – Apenas o deixe em paz, por favor.

Vejo a segurar sua mão por sobre a mesa.

― Pode deixar. – ela diz sorrindo – Você não vai se arrepender.

Ele puxa a mão e se levanta.

― Eu já me arrependo. – e sai deixando-a só.

Observo-a cuidadosamente e não gosto do que vejo. Tudo nela é falso: o cabelo, a maquiagem carregada e os gestos, fora que ela parece ser má. Sinto um arrepio quando ela me olha e sorri. Não devolvo o sorriso e nisso meu telefone toca e daí sim abro um sorriso.

― Oi, meu amor... – cumprimento.

― Oi, vida. Está tudo bem? – Gabe pergunta.

― Sim e com você? – pergunto – Resolveu as coisas? Como foi? Já almoçou?

Ouço sua risada do outro lado.

―Sim. Sim. Sim. – ele responde – Estou voltando para casa daqui a pouco, pois está chovendo aqui.

Fico mais aliviado, mas a sensação inquietante não me deixa.

― Amor? – ele chama – Ainda está aí?

― Sim. – respondo – Gabe... Estou com uma sensação estranha...

Silêncio.

― Vida... – ele diz – Nada vai acontecer, ok? Relaxa, por favor.

Não respondo.

― Eno... Eu estou voltando para você, amor! – ele fala – Daqui a pouco estarei em casa e vamos jantar fora, lembra?

Sinto vontade de chorar, mas me controlo.

― Ok... – e peço – Por favor, volta logo para mim.

Ouço sua risada e fecho meus olhos. Que delícia!

― Já estou voltando, amor!

Olho a hora.

― Vida, tenho que ir para o trabalho. – suspiro – Eu te amo, Gabe... Para sempre.

― E eu te amo para toda eternidade, Eno! – nos despedimos e desligo.

Noto que a loira oxigenada já partiu e faço o mesmo. Chego à empresa e sigo direto para junto de Suzana. Hoje temos muito trabalho e quero me concentrar e tentar esquecer essa sensação ruim de aperto no peito.

Ficamos concentrados em nossos afazeres até que Su chama:

― Enzo, quer ir buscar um café para nós? – pede charmosa batendo os cílios.

― Claro! – respondo – Já volto.

Em menos de 15 minutos volto com nossos cafés e quando vou entregar a ela sinto um aperto no peito e um calafrio percorre meu corpo. Minhas pernas amolecem e não sustentam meu corpo. O tempo para. Suzana grita por ajuda. E antes de desmaiar sussurro:

― Gabe...

E tudo se apaga.

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Narrado por Gabriel

Espero pacientemente a chuva cessar para pegar a estrada rumo a São Paulo. Estou num hotel fazenda que possui um restaurante e almocei aqui. Aproveito e pego alguns panfletos para levar para Eno ver e quem sabe voltamos aqui num feriado próximo. Ligo para ele durante o almoço e o que ele me diz sobre a sensação estranha me deixa inquieto então, decido voltar para casa tomando todo cuidado possível.

Olho a hora e como a chuva parou sigo para casa dirigindo com cuidado, pois a estrada aqui neste trecho é de terra e a chuva forte deixou lisa parecendo sabão.

O mais incrível nesta viagem é que consegui resolver tudo rapidamente e foi mais fácil do que imaginei. Fizemos os ajustes necessários no contrato de modo que ficasse bom para ambas as partes. “Então, para que tanta frescura do fornecedor?” penso intrigado.

― Aaafff... – resmungo.

De repente sinto o carro dar uma patinada e tomo um susto.

― Droga!

Diminuo mais a velocidade. A região é rodeada por sítios, morros, mas o pior de tudo é a estrada ser de terra.

― Preciso sair logo daqui! – falo quando o carro patina mais uma vez.

Noto uma caminhonete pelo retrovisor, mas ela está muito longe para pedir ajudar e resolvo não parar. A estrada é estreita e fico com medo do veículo querer me cortar. Pelos meus cálculos a rodovia não está longe e então relaxo um pouco.

Novamente o carro patina e perco o controle do volante, que está totalmente solto e não me obedece. Piso no freio e nada.

― Vamos... Por favor... – sinto meu coração disparar.

Tento novamente controlar meu carro e nada acontece. Estou numa descida e isso não é bom. Olho a ribanceira do meu lado e o barranco do lado do carona. A velocidade aumenta e tento puxar o freio de mão.

― Que porra! – está emperrado – Meu Deus!

Num gesto rápido jogo o carro contra o barranco achando que o mesmo irá parar, mas isso não acontece. O carro bate com força e ao invés de parar ele simplesmente começa a capotar para o lado oposto.

―SOCORRO! – grito em desespero.

O pior acontece e o carro cai na ribanceira capotando diversas vezes até bater numa árvore. Com a capotagem, meu corpo sacoleja dentro do automóvel e bato a cabeça algumas vezes no teto e na janela. Gosto de sangue surge em minha boca, meu braço dói e minha visão turva.

― Meu Deus... – minha voz é apenas um sussurro e o cheiro de combustível atinge meu nariz – Socorro... Eno...

E tudo fica escuro.

*VALTERSÓ* - Calma, homem... Enzo não inverteu nada. Mas confesso que Fernando será interessante para a história. Você verá. Abraços.

*arrow* - Obrigado pelo elogio. abraços, querido!

*Grilo falante* - você não imagina minha surpresa por receber notificações por seus comentários. 1) Quero agradecer pela leitura; 2) pela sugestão do spoiler (kkkkk) e 3) por entender o cuidado de Enzo para com a prima. Pegou o espírito da coisa. Como eu já comentei, nenhuma lacuna ficará no conto. tudo tem uma explicação. Você é empolgado nos comenários e por isso dedico este capítulo a você. Abraços

P.S. - a postagem anterior foi feita pelo meu namorado super prático que juntou os dois. Mereço! KKKKKKK

Boa leitura a todos.

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Comentários

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Meu Deus! Só acho que o Italo é um espião e trabalha pra Vera.

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Meu Deus! Só acho que o Italo é um espião e trabalha pra Vera.

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D.Marks obrigado pela referência a mim... Fiquei muito feliz e envaidecido !!!! Afinal chamar a atenção de um grande autor como você me deixa empolgado!!!! Você não precisa me agradecer por ler seu conto porque isso para mim é prazeroso... Realmente sou empolgado nos meus comentários quando gosto do conto (neste caso gosto muitão... kkk). A questão do spoiler é que você e alguns outros criam uma trama que me envolve de tal forma, que minha cabeça pira e eu fico imaginando vários desfechos para as situações e acabo colocando em meus comentários... Ainda bem que servem, de alguma maneira... kkkkk Tenho certeza que tudo será esclarecido e nenhuma ponta ficará solta, mas a minha ansiedade as vezes é tanta, que acabo me corroendo para saber o desfecho... kkkk E obrigado, mas muito obrigado mesmo por dedicar este capítulo a mim... Fiquei lisonjeado a máxima potência!!!!!

Quanto ao capítulo (lá vou eu... kkkkk) como será quando Gabe e Eno encontrarem com Diego e o reconhecerem???? Qual será o primeiro impacto e como será a reação de Diego????? Será que Tati já sabe que ele é detetive??? E esse acidente de Gabe agora???? Será que a caminhonete que ele avistou vai socorrê-lo???? Será que ele se machucou gravemente???? Meu Deus que loucura!!!!!! A intuição de Eno pelo visto não falha e a ligação deles dois fez com que ele sentisse que algo sério aconteceu ao Gabe... Como será daqui para a frente???? E esse Italo, tô pegando ranço dele, mesmo sem querer porque ainda não sei a sua história ... O capítulo pegou fogo e eu amei!!!!!! Beijo grande!!!!!!

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Ítalo é um agente infiltrado a mando de Vera. Se aproxima o desvendar de muita coisa a partir do momento que Tati apresentar o namorado à família. A narrativa começa a amarrar melhor seus nós.

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