Vivi Jamanta e a Feiticeira. Parte 1: A Terapia

Um conto erótico de Astrogildo Kabeça
Categoria: Heterossexual
Contém 1578 palavras
Data: 06/09/2018 12:30:56

Doutor Eraldo chegou no início da tarde ao edifício empresarial onde instalou, com muito esforço, seu consultório de psicólogo. Depois de trabalhar durante anos em um centro de atendimento psicossocial da prefeitura, ele agora passaria a atender também particular. Aos 32 anos, estava orgulhoso de si mesmo. Havia lançado recentemente em livro sua tese de doutorado.

Meia hora depois, estava em sua sala quando a secretária anunciou a chegada da nova paciente. Entrou uma jovem, 27 anos, longos cabelos com luzes, pele bem bronzeada, e corpo escultural, uma obra prima! Pernas torneadas, coxas grossas, cintura fina, quadris relativamente grandes, e seios visivelmente siliconados. Tinha algumas tatuagens: um escorpião no pescoço, um king kong no braço direito, uma sereia da virilha até o tornozelo, e as costas toda tomada pela letra V, com um caminhão em cima. Estava com um vestido com fendas enormes nas pernas e sandálias de salto. Parecia que ia pro lançamento de algum empreendimento, e não pra primeira sessão de terapia. Qualquer um que avistasse aquela mulher diria “essa é garota de programa! E das caras!”

- Sente-se senhora...Viviane Conceição.

Eraldo emitiu o sobrenome da mulher em tom irônico, já que não combinava em nada com ela. Estava mais pra Viviane Scarlett, ou algo do tipo.

- Obrigada, doutor... Nossa, estou muito aflita. Não sei se vou ficar sentada o tempo todo, estou muito ansiosa.

- O que a aflige?

- Bem... Eu queria relatar desde o inicio pro senhor entender como cheguei até essa situação em que me encontro.

- Fique a vontade então

- Devo informar que a história envolve sexo e falo palavrões de maneira muito espontânea. Portanto, vou falar termos chulos. Isso é bem natural pra mim, falo sem sentir.

- Senhora, meu dever é ouvir. Isso aqui é um bate papo, não estamos em uma aula de um curso de Letras.

- Kkkkkkk... Ok, doutor... Bem, isso teve inicio em 2012. Eu estava com meus 21 anos e trabalhava em uma rede de lanchonetes bem famosa, aquela em que os funcionários usam um boné vermelho. Fritava hamburgers o dia inteiro, um trabalho bem metódico. Fui percebendo com o passar dos dias a presença de um rapaz bem apessoado, com seus 25, 26 anos, que sentava bem em frente a janelinha onde eu deixava as bandejas para os clientes serem servidos. Sorria toda vez que me via. Minhas colegas haviam chamado minha atenção sobre ele. Um dia, ele foi até a cozinha e disse que queria falar comigo após o expediente. Se apresentou.

“Olá... Meu nome é Michel e não via outra possibilidade de te conhecer se não fosse invadir o seu local de trabalho”.

Ele me convidou para irmos a algum lugar conversarmos. Eu estava sem graça, podre de gordura e constrangida de ir pra um encontro assim.

“Não tem problema algum. Não iremos pra nenhum lugar chique. Confie em mim, vamos”.

Ele me levou pro ponto de ônibus e ficamos comendo churrasquinho e bebendo cerveja no isopor. Era bastante divertido e bonito também. Seus pais são juízes, mas ele não quis seguir a carreira. Estava prestes a abrir uma academia.

A partir desse dia, os encontros se intensificaram e passei a ficar feliz com isso. Nessa época, minha vida tava uma merda. Morava num cubículo tão pequeno que o mesmo lugar onde eu cagava era o mesmo onde eu comia. Dois meses depois, tivemos nossa primeira relação sexual. E tive uma surpresa: ele tinha pegada! Caprichava nas preliminares, e me chupava toda, até o cuzinho, coisa que adoro e fiquei viciada. Ele não tinha ‘nojinho’ de nada. Me pegava de quatro e socava com vigor. Um excelente amante! Quando a academia foi inaugurada, ele me colocou como recepcionista. Me mudei pra um kitnet maior e ele bancava 50% do aluguel. Passei a malhar muito.

Só conheci os pais dele com seis meses de namoro formado em uma churrascaria. Conversei pouco com eles, achei-os bem reservados, minha sogra então quase não falava. Estranhava o fato de Michel não me levar até sua casa. Ele dizia que não se sentia a vontade pra isso e com o tempo me explicaria o porquê.

Com um ano de namoro eu já era gerente da academia. Ele já havia inaugurado outra e aluguei um apartamento grande. Ele só complementava o valor. Minha vida deu um up. Eu sou do interior e era muito pobre. Trepo desde os 12 anos e passatempo de pobre é beber e foder. Com 15 anos, minha mãe apresentou dificuldade em falar e se locomover. Um médico disse que ela estava com uma doença degenerativa. Eu passei então a foder com a cidade inteira pra esquecer e não acompanhar o sofrimento dela, que a cada dia vegetava. Quando ela faleceu, meu pai casou com outra e formou outra família e meus irmãos caíram no mundo, cada um pra um lado. Tenho poucas noticias deles. Vim pra cidade e fui cobradora de perua clandestina, garçonete de boteco e funcionária da lanchonete.

Com um ano e meio de relacionamento, minha sogra apareceu lá em casa. Fiquei surpresa dela saber onde eu morava, se eu tinha a visto mais de três vezes nesse tempo todo foi muito. Ela pegou o celular e me mostrou umas fotos. Era Michel comendo uma mulata alta e peituda em várias posições. Fiquei chocada, não com a suposta traição dele, mas com o fato dela me mostrar aquilo. Que tipo de mãe tem acesso a vida sexual do filho daquela maneira? Ela observou que não fiz drama algum e falou.

“Só vim aqui pra lhe mostrar que você não é a única na vida dele. O Michelzinho conhece muitas garotas. Não crie expectativas quanto a algo sério”.

Queria passar uma descompostura nela, que ela não tinha nada a ver com nosso namoro, mas continuei a ficar impassível. Ela então mudou o rumo da prosa.

“Andei lhe investigando. Você é bem caseira, só sai daqui pro trabalho, administra bem a academia e só recebe as visitas dele. Meu filho gosta de você, sinto isso. Não vou mais lhe importunar, o que fiz foi instinto de proteção. Me desculpe.”

E foi embora. Quando me encontrei com Michel, contei-lhe tudo. Ele deu um murro na parede, chamou a mãe de “intrometida” e largou o verbo.

“Aquela mulher das fotos é a fisioterapeuta do meu pai. Ele sofreu um acidente e precisa de sessões constantes pra poder continuar andando. Descobri o caso entre eles e fiquei em dúvidas se contava a minha mãe. Foi então que ela me seduziu e passei a transar com ela também. Minha mãe descobriu tudo, mas não fez nada. Ela e meu pai queriam ser desembargadores e era melhor que continuassem juntos. Agora imagina como fiquei quando descobri que minha mãe passou a trepar com ela também?!A Fisioterapeuta passou a fazer ménages com meus pais. Por isso que não levei você lá pra casa. Minha família sempre foi distante e a fisioterapeuta passou a ser o elo entre nós três. Eu não tenho orgulho disso e por isso não queria que você estranhasse uma família tão impessoal”.

Acalmei ele e disse que não ligava pra isso, eu gostava dele, de verdade. Casamos em 2015. Fomos morar em um anexo da mansão imensa de seus pais. Fiquei chocada como funcionários públicos tinham uma vida nababesca daquela. Fruto dos super salários do judiciário, dos auxilio isso e aquilo, penduricalhos, bonificações e outras regalias. Fora venda de sentenças e outros conchavos com poderosos. Ele disse que seria temporário nossa estada lá. Passaríamos os primeiros anos do casamento curtindo e viajando e só mudaríamos pra uma casa só nossa quando tivéssemos filhos.

Dito e feito. Nunca fui tão feliz. Só vivíamos em baladas, camarotes VIP, viagens pra diversos lugares. Conheci a fisioterapeuta, bonitona. Michel propôs algumas brincadeiras com ela. Eu não tinha como negar. Tudo fluía bem, os negócios prosperavam. Jamais tinha ficado com uma mulher, mas com tanta festa e curtição, não ficou difícil interagir. Ela passou a dormir de vez em quando com a gente. Dormia uma noite conosco e outra com os pais dele. Foi nessa época que coloquei silicone nos seios e um pouquinho só na bunda e ganhei o apelido que tenho hoje: Vivi Jamanta. O codinome tem a ver com a carga pesada que eu carrego.

“e que carga!!”- pensou Eraldo.

- Outra diversão nossa passou a ser frequentar salas de bate papo. Michel dizia que era meu agente e eu uma GP. Ele tirou diversas fotos minha e mostrava pros caras. Eles enlouqueciam e marcávamos com eles em frente a um estacionamento que ficava defronte ao escritório dos meus sogros. Do escritório, ligávamos para os caras, eles atendiam, e eu ficava falando que ia se atrasar um pouco. Nisso, Michel me comia enquanto observávamos o trouxa andando de um lado pro outro, ahahahahah... Nossa, era muito divertido!!!

Nas salas, conversava também com mulheres e ficávamos num papo de grandeza, e contando vantagens uma pra outra, disputando quem era a mais fodiona. Um dia, estou lá na sala quando entra uma mulher com o nick “Feiticeira”. Dei um oi e um tempo depois ela respondeu. Já estava preparada para mais um duelo de putarias, mas não foi nada disso que aconteceu. E minha vida, que era uma viagem de trem confortável, passou a descarrilar e sair dos trilhos.

Nisso, o telefone da mesa de Eraldo tocou. Era um aviso de sua secretária.

- Doutor Eraldo, o senhor extrapolou o horário da consulta. O senhor tem outro paciente daqui a cinco minutos.

(continua...)

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Comentários

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Primeiro obrigada por comentar na minha história. E esta história está muito gostosa. @luabranca.lb

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Excelente início. Parabéns pelo primeiro capítulo. A forma como escreve me fascinou. Tenho aventurado em escrever. E você ve serve como inspiração.

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É verdade, Astro. Antes eu perdia muito tempo até chegar ao clímax. Muitas vezes quem me lia saturava do lengalenga. Como este site é erótico, não tem estranhado a forma brusca como passo ao mais importante.

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Não há doutorado que dê conta da LIDA. Interessante epopéia, gostei da narrativa. Abraço,

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