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Meu Devasso: Parte Um: Declaração - Capitulo XX

Um conto erótico de Otávio
Categoria: Homossexual
Data: 09/08/2018 09:34:12
Última revisão: 09/08/2018 22:36:08
Nota 10.00
Assuntos: ciúme, Sexo, Gay, Homossexual

Capitulo XX

OTÁVIO

Ouvi o barulho distante da chuva e senti ondas de calor reverberando em minhas costas.

Abri os olhos e levei apenas um segundo para me situar. Tudo era branco em volta.

A tenda.

Virei a cabeça e o vi.

Meu Deus, como ele podia ser tão lindo?

Os olhos estavam fechados, e os cílios claros faziam sombras em suas bochechas. Seu braço enlaçava minha cintura, e a mão estava no meu peito direito.

Gostoso da porra... Devasso até dormindo!

O problema, aliás, era justamente esse. Marcos era lindo, gostoso, inteligente, engraçado, fofo (às vezes), tinha um pau maravilhoso, sabia usar maravilhosamente bem aquela pica devassa, tocava em uma banda, jogava em um time de futebol, nadava feito a porra de um nadador profissional... O desgraçado era perfeito. Mas era a porra de um devasso.

A devassidão de Marcos seria um bônus, se eu tivesse sido esperto o bastante para entender que o que tínhamos era apenas sexo casual. Mas eu tinha que ter feito a pior coisa que um homem poderia fazer na minha situação. Tinha que me apaixonar pelo devasso!

O que era para ser uma foda épica, mas não repetível, se transformou em uma sequência de trepadas fantásticas, e eu tinha sido burrl o suficiente para me deixar levar pelas habilidades sexuais de Marcos e transformar tesão em amor.

Amor?

Eu amava Marcos?

Talvez fosse só uma paixonite...

Isso! Talvez eu não tivesse transformado, mas apenas confundido tesão com amor. Essas coisas acontecem frequentemente, não acontecem?

Meu Deus, eu esperava que fosse apenas paixão. Porque sabia que precisava, o quanto antes, me afastar dele. Sabia que nunca ficaríamos juntos.

Primeiro, porque Marcos jamais me pediria em namoro. Segundo, porque eu jamais aceitaria, mesmo se, em um mundo paralelo, ele pedisse.

Nunca daria certo. A minha vida já era uma merda sem Marcos como namorado. Viraria um inferno se, porventura, começássemos a namorar (é claro que estou só devaneando aqui. Por causa do sono. Esse tipo de conjetura é rídicula, eu sei. Mas estou só pensando merdas enquanto ele não acorda. Só isso).

Eu precisaria colocar um chip nele, teria que contratar um detetive particular para segui-lo e, é claro, um assassino de aluguel, para matar todos os putos que ousassem se aproximar dele. Ou olhar para ele.

Ou seja, eu me transformaria num lunático obsessivo. Naquele tipo doentio de homem possesso, absurdamente ciumento. E, provavelmente, acabaria na cadeia. Por culpa do devasso.

Caralho, eu viraria um Carlos!

Deus, seria a ironia das ironias!

Será que eu teria coragem de destruir o carro de

Marcos?

Sinceramente, não acho que meu ciúme chegaria a esse nível tão patológico. Carlos é louco de pedra. Eu sou uma pessoa sã, é claro.

Você viu, Marcos disse que prestaria queixa, que ia reaver cada centavo de prejuízo se uma porra dessas acontecesse a ele.

Eu teria que me prostituir até os noventa e cinco anos para dar conta de pagar por aquela maravilhinha que ele chama de carro.

Seria foda dar umas voltas naquela belezinha. Será que ele deixaria se eu pedisse?

Estava fitando o teto branco de lençol, pensando essas bobagens, quando senti seus dedos acariciando meu peito.

— Você fica lindo com essa carinha pensativa, senhor Otávio. Está pensando em quê? — ele perguntou, a voz meio enrouquecida.

Imagina se eu digo que estava pensando se havia ou não a possibilidade de eu, sendo seu namorado, destruir seu carro por ciúme!

Em quantos segundos Marcos Zimmer pularia da cama?

— Não posso te contar — falei, rindo.

— Você pode me contar qualquer coisa, primo. Qualquer coisa — enfatizou, beijando meu ombro.

Senti um arrepio por causa do beijo, mas meus ombros ficaram tensos no instante seguinte.

Porra. A história de ser médico. Aquilo eu não poderia contar. Ou poderia? E se eu simplesmente dissesse logo de uma vez?

— Qualquer coisa? — investiguei.

— Qualquer coisa — ele confirmou, transferindo os lábios para meu braço.

— Mas, se eu te contar uma coisa, você promete que não vai rir? Nem me achar ridículo?

— Eu jamais poderia te achar ridículo, senhor Otávio. Mas não posso prometer que não vou rir. E se for algo hilário?

— Não é algo hilário. É só extremamente embaraçoso — expliquei.

— Algo extremamente embaraçoso é algo extremamente hilário, primo. — Ele riu, espalhando vários beijos pelo meu braço.

— Então não vou te contar, porra — anunciei.

— Tudo bem. Mas, quando quiser contar, vou estar aqui, pronto para rir pra caralho da sua cara. — Ele pegou minha mão e a entrecruzou na dele, dando um beijo na minha pele.

— Você é um cretino, Marcos — falei, puxando o braço.

— Você ama esse cretino. — Ele sorriu e me abraçou, afundando o rosto no meu pescoço.

Senti sua ereção na minha bunda e, imediatamente, minha resistência foi para o espaço.

— Nos seus sonhos, querido — respondi, fingindo que a proximidade entre nossos corpos não estava me afetando.

— Confessa, senhor Otávio, você está apaixonado por mim — ele disse, beijando a região abaixo da minha orelha.

Dei uma risada, embora quisesse estapear aquele babaca presunçoso!

— Confesso se você confessar primeiro, primo — provoquei.

— Eu confesso — ele falou, dando um beijo em meu pescoço.

Meu coração parou entre um gemido e outro.

— Confesso que estou apaixonado pelo seu cu — ele completou, descendo o braço esquerdo e levando os dedos para o meio da minha bunda. — E é recíproco — disse, mordiscando o lóbulo da minha orelha.

— Meu cu está apaixonado pelo seu pau, Marcos. Não por você — esclareci.

— Tanto faz. — Ele mudou de posição, colocando-me de bruços sobre os lençóis macios.

Então se sentou em minhas coxas, massageando meus ombros. Suas pernas musculosas flexionadas imobilizavam as minhas.

O pau se posicionava entre as duas metades da minha bunda, e aquilo estava me matando.

Comecei a suspirar e gemer, sentindo o toque ligeiramente áspero e quente de suas mãos, que percorriam minha pele enquanto ele se inclinava para espalhar beijos deliciosos na linha da minha lombar, até o final.

Eu podia sentir seu saco colado na minha bunda.

De repente, ele segurou o pau e o esfregou na minha abertura, deixando um gemido alto escapar.

— Eles estão apaixonados, primo... Eu acho que deveriam ter um encontro digno, sabe... Sem barreiras — falou, esfregando mais um pouco e gemendo junto comigo.

Deus, aquilo era tão bom... Tão bom...

Uma vozinha cochichou no meu ouvido que ia dar merda. Eu quis mandá-la ir se foder, mas acabei me agarrando à razão.

— Para com essa porra, filho da puta — falei, sem convicção alguma.

— Só mais um pouco... — Ele posicionou a cabeça na entrada.

— Ai, meu Deus... — gemi.

Puta merda, como eu queria que ele metesse! Mas precisava impedi-lo! E só tinha um jeito.

— Você quer ter alguma coisa, porra? — perguntei.

— Você quer me broxar, caralho? — Ele parou imediatamente, esticando o corpo para alcançar a gaveta do criado-mudo. — Você sabe como cortar meu barato, hein, primk? — disse, voltando à posição e rasgando a embalagem.

— Alguém tem que usar a porra da cabeça, já que você está usando só a de baixo!

— Otávio, você já viu o tamanho do meu pau? É preciso muito sangue para manter o mastro de pé. Não sobra nada para a cabeça de cima.

Prendi os lábios para não rir e falei, fingindo desdém:

— Só não é maior que o seu ego, cretino.

— É, tem razão. Porra, nem o meu super pau ganha do meu super ego. — Ele fez uma pausa curta. — Primo, meu super pau e eu vamos tentar te comer sem camisinha o tempo inteiro. Se você deixar, a culpa vai ser toda sua, não nossa.

— Cala a boca, Marcos — falei, rindo. — Você fala demais. Não é à toa que Sofia... — comecei.

— Estou colocando a porra da camisinha! — ele me interrompeu. — Acha que é fácil desenrolar o látex por essa extensão toda?

Não aguentei. Tive uma crise de riso.

— Para de rir, porra, isso aqui é uma transa. — Ele apertou minha bunda, afastando as bandas.

— Não está havendo transa nenhuma... — Dei uma risada. — Oh, Deus... — Soltei um gemido quando ele entrou repentinamente.

— E agora, senhor Otávio? Vai continuar rindo? — Marcos sussurrou em meu ouvido, depois de se deitar sobre as minhas costas, apoiando as mãos no colchão.

— Desgraçado... — balbuciei, sentindo-o sair e entrar devagar enquanto beijava meu pescoço, afastando meu cabelo com uma das mãos.

Ele voltou a se apoiar totalmente na cama, e eu entrelacei meus dedos nos dele, unindo-os.

Sua cabeça estava próxima da minha. Podia ouvir sua respiração acelerada a centímetros do meu ouvido enquanto ele aumentava a intensidade das metidas, começando a estocar.

Eu gemia alto pra caralho com aquelas estocadas gostosas, competindo com o som da chuva lá fora e com o barulho de sua pélvis chocando-se contra a minha bunda.

— Você vai acordar a Sofia, porra — ele disse, diminuindo o ritmo e beijando meus ombros, deixando sua língua degustar minha pele enquanto seu pau entrava e saía vagarosamente, me levando à loucura.

Então, ele deu mais algumas estocadas e se retirou de dentro de mim, arrastando os lábios pelas minhas costas até chegar à bunda, agarrando-a com as duas mãos e erguendo-a para lambê-la.

Eu rebolava em sua boca, gemendo e chamando seu nome enquanto ele afundava os dedos em minha pele, apertando minha carne com força.

Marcos subiu os lábios, traçando com a língua quente e úmida um caminho central até o início das minhas costas, alternando entre lambidas e beijos, enquanto suas mãos serpenteavam pelas laterais do meu corpo.

Sua boca estacionou em minha nuca, e eu uni nossas mãos, sentindo o corpo inteiro tremer.

Ficamos assim por alguns segundos, até que ele se ergueu e, flexionando as coxas sobre a minha bunda e espalmando as mãos no início da minha coluna, voltou a entrar em mim, metendo com força.

Então, ele levou uma mão ao meu ombro e agarrou uma banda da minha bunda com a outra, sem parar de estocar.

Gemíamos alto e juntos, completamente arfantes.

Marcos diminuiu o ritmo novamente, alternando entre metidas suaves e intensas.

A sensação de submissão estava me enlouquecendo. Quando ele começou a estocar novamente, passei a gemer ainda mais alto, ciente de que o orgasmo se aproximava:

— Oh, Marcos... Oh, Deus... Ai, seu puto... Eu vou gozar, porra...

— Goza, gostoso! — Ele deu um tapa na minha bunda e, meu Deus, gozei descontroladamente.

Marcos apalpou a região dolorida com força e estocou mais duas vezes, gozando alto na última metida.

Instantes depois, curvou o corpo e deu um beijo no meio das minhas costas, retirando-se de dentro de mim.

Continuei na mesma posição, incapaz de mover um músculo. Ele tirou a camisinha e se deitou ao meu lado. Inclinou a cabeça e começou a beijar minha pele, acariciando minha bunda ardida.

— Adoro esse som que você faz — disse, quando soltei um suspiro de satisfação, aconchegando-me nos travesseiros.

— Já conhece meus sons? — perguntei, deitandome de costas para fitá-lo.

Marcos estava apoiado em um dos cotovelos e sorria para mim.

Ai, Deus, não era um sorriso presunçoso! Era um sorriso diferente, doce, puro, que alcançava seus olhos.

— Conheço seus sons e a expressão que você faz quando está gozando, senhor Otávio — ele falou, afastando uma mecha do meu cabelo para acariciar o meu rosto.

— E como é a minha expressão? — perguntei, fazendo círculos com o indicador em seu peito.

— Linda — ele respondeu, passando o polegar em meus lábios.

Marcos me olhava de um jeito que fazia meu coração dar piruetas.

Parei de acariciar seu tórax e subi a mão para seu maxilar, deixando meus dedos brincarem com a aspereza de sua barba loira e curta.

Toquei seus lábios e fechei os olhos, estudando o formato perfeito de sua boca. Ele segurou meus dedos e beijou cada um. Então se inclinou e entreabriu meus lábios com os dele.

Minha pele arrepiava-se com o deslocamento suave de sua mão, que subia da minha barriga para o meu tórax.

Nossas línguas embaralhavam-se preguiçosamente, e estalidos delicados misturavam-se ao som de nossos gemidos e arquejos breves.

Marcos mordiscou meu lábio inferior e perguntou, interrompendo o beijo:

— Toma banho comigo, primo?

— Ai, meu Deus! Hoje é segunda, porra! — gritei, já me sentando. — Marcos, você tá atrasado!

— Não vou para o escritório hoje. — Ele se sentou também e me abraçou por trás, afundando a cabeça em meu pescoço.

— É seu dia de folga? — perguntei.

— Se eu quiser que seja, é — respondeu, beijando minha bochecha. — Podemos passar o dia inteiro juntos, o que acha?

— Tá falando sério? — indaguei, sem acreditar no que estava ouvindo.

— Não quero fazer nada além disso. — Ele preencheu as mãos com meus peitos.

Encostei a cabeça em seu ombro, entregando-me às sensações provocadas por seu toque.

— E Sofia? — perguntei.

— Puta que pariu! — Ele se afastou e pegou o celular para checar as horas. — Precisamos deixá-la na escola em meia hora. Vem, vamos tomar banho. — Marcos segurou minha mão me guiou até o banheiro.

Era enorme e chique pra caralho. Quando fui trocar a roupa, na noite anterior, fiquei um tempão babando naquela banheira imensa de hidromassagem.

Marcos ligou o chuveiro e agarrou minha cintura, unindo nossos corpos e lábios.

Passamos mais tempo nos beijando e trocando carícias debaixo do fluxo intenso de água morna que efetivamente tomando banho.

Coloquei minha roupa, embora não estivesse completamente seca, e voltamos para o quarto.

Marcos entrou no closet, e eu fiquei observando-o se vestir.

— Cinza é, definitivamente, a sua cor, primo — falei, contemplando-o em uma boxer cinza-clara.

O volume poderoso preenchia a cueca, e o tecido ajustava-se à perfeição àquelas coxas musculosas.

O devasso era uma obra diabolicamente planejada. Tudo naquele homem dava água na boca. O desgraçado era um gostoso da porra... Tanto fazia a porra da cor, e o cretino devia saber que ficaria gostoso até usando uma cueca fluorescente com bolinhas alaranjadas.

Ele abriu aquele sorriso torto e se virou, pegando uma calça jeans da arara.

Admirei aquela bunda maravilhosa. Meu Deus, que bunda... E as costas? Jesus... Os braços... Ai, Senhor...

Ele vestiu a calça jeans, e eu não aguentei. Puta que pariu...

Como lidar com aquilo?

— Tá querendo me matar, cretino? — perguntei, aproximando-me para tocar aquele abdome deliciosamente sarado.

Marcos me puxou pela bunda e começou a me beijar ferozmente, deixando-se cair na poltrona que ficava no canto, levando-me para cima dele.

Ele beijava minha boca, meu queixo e meu pescoço, com as mãos espalmadas na minha bunda.

Caralho, Sofia chegaria atrasada se não parássemos com aquilo!

Interrompi o beijo e saí de seu colo.

— Tá louco, porra? Sua sobrinha vai se atrasar! — exclamei, pegando uma camiseta azul e atirando em seu peito. — Veste!

— Não sou a porra do seu fantoche, senhor Otávio! — Ele deu uma risada, levantando-se.

Então, trocou a camiseta que eu escolhi por uma preta, vestindo-a em seguida.

Aquelas camisetas todas eram a perfeita definição de "tanto faz". O desgraçado ficava lindo usando todas as cores, e eu jamais conseguiria definir com qual delas ele ficava mais gostoso.

Mas, particularmente, eu preferia a versão birthday suit.

Quando chegamos ao quarto de Sofia, levamos um susto. Ela não estava na cama.

Marcos já estava desesperado quando ouvimos risadinhas infantis vindo do andar de baixo.

Seguimos o som e acabamos na cozinha, onde uma Sofia enfiada em uma saia pregueada e uma camiseta azul-clara se empanturrava de cereal.

— Olha, veja só, Sofia, príncipe Phillipe e o príncipe Henry finalmente saíram do Palácio! —Thomas exclamou, caindo na risada. — Bom dia, casal!

— Casal é seu cu, Tito. Acho bom você não encher a porra do meu saco porque a porra da cena de ontem ainda está gravada na porra da minha cabeça, filho da puta — Marcos despejou, aproximando-se de Sofia. — Bom dia, meu anjo. — Ele abrandou o tom, curvando-se e dando um beijo em seu cabelo.

— Oi, Souf. Bom dia! — cumprimentei, beijando sua bochecha. — Bom dia, Thomas. — Aproximeime dele e dei um beijo em sua bochecha também.

— Bom dia, Tavinho. — Ele me beijou de volta, apoiando-se em minha cintura.

— Que porra é essa, Otávio? — Max rosnou. — Não quero você perto desse filho da puta, porra! — Ele me puxou, afastando-me do abraço de Thomas.

Eu queria ficar puto com a folga do devasso, mas, meu Deus, ele ficava ainda mais gostoso possessivo daquele jeito.

— E você, desgraçado, da próxima vez que encostar no meu garoto, eu vou arrancar o caralho do seu braço e enfiar na porra do seu rabo — ameaçou.

Ele tinha dito "meu garoto"? Ai, meu Deus! Eu estava tendo um miniataque cardíaco! E já tinha começado a construir castelinhos cor-de-rosa, como a porra de uma garota pateticamente apaixonada.

Thomas riu tanto que precisou se apoiar nos joelhos.

— "meu garoto?" Meu Deus... É o fim do mundo como nós conhecemos! Fujam para as colinas! — exclamou, rindo.

— Isso foi a porra de um modo de dizer, cacete! — Marcos pisoteou nos meus castelinhos.

Caralho, quando eu tinha me tornado tão ridículo? Precisava me recompor! Estava careca de saber que Marcos e eu não tínhamos a mínima chance juntos. Então, por que alimentar a vã esperança de que ele sentia algo por mim?

Patético.

Marcos Zimmer era só um babaca arrogante, acostumado a ter todas as vontades atendidas. E aquela possessividade toda era só seu egoísmo se manifestando.

— Tio Marcos tá nervoso. — Sofia deu uma risadinha. — O tio Tito disse que você vai pedir pra namorar com o Otávio, tio Marcos! — Os olhinhos de Sofia brilharam.

— O tio Tito é um pau-no-cu, minha linda. — Marcos afagou o cabelo de Sofia enquanto fuzilava Thomas.

— O que é um pau-no-cu, tio Marcos? — ela perguntou, enfiando uma colher de cereal na boca.

— Se você procurar a definição no dicionário, meu anjo, vai encontrar “Thomas Theloni” e uma foto do seu tio — Marcos respondeu.

— Vou bater pra Plínio o que você anda ensinando pra Sofia — Thomas falou, fingindo seriedade.

— Conta, sua rapariga. — Marcos mostrou os dois dedos do meio para Thomas, posicionando-se estrategicamente atrás da menina, para que ela não visse o gesto obsceno.

Meu ex-colega caiu na risada.

— Souf, termina rapidinho, meu anjo, porque estamos atrasados — pediu o devasso.

— Tá bom, tio Marcos. — Ela se concentrou na tigela, comendo mais apressadamente.

— Bom, puto, eu levaria Sofia à escola, pra facilitar pro seu lado, mas estou sem carro e você não deixa ninguém dirigir o...

Marcos tirou a chave do bolso e a atirou para Thomas.

— Aproveita. Vai ser a primeira e última vez. Prenda Sofia direito na cadeirinha e dirija devagar — falou, abraçando minhas costas. — O que você quer de café da manhã, primo? — perguntou, beijando minha bochecha.

— O que você quiser, primo — respondi, virando a cabeça para depositar um beijo em seus lábios.

Era tão bom sentir o calor de seu corpo, o aperto daquele abraço, o gosto daquela boca... Ai...

— Preciso de uma testemunha ou vou achar que estou enlouquecendo. — Thomas nos fitava, boquiaberto, com a chave do carro na mão. — Caralho, eu não acredito que o que Plínio me contou ontem era mesmo verdade, porra! Achei que era zoeira! Então você...

— Sofia, vá escovar os dentes — Marcos o interrompeu, incinerando-o com um olhar fulminante.

— Já terminei! Tô indo, tio Marcos! — Souf se levantou e saiu correndo.

— E você, filho da puta, vá tirar a porra do carro da garagem.

— Vou falar pro diabo ir preparando o tridente! — Thomas explodiu em uma gargalhada.

— Para de falar merda e suma da minha frente, caralho, antes que eu perca a porra da paciência! — Marcos bradou.

Thomas continuou rindo, mas encaminhou-se para a saída.

— Não quero você dando beijo no rosto de macho, Otávio. Muito menos no de Tito — ele disse, assim que Thomas saiu.

— É mesmo? — perguntei.

— É — ele respondeu.

— Foda-se — cantarolei, equilibrando-me nas pontas dos pés para beijá-lo.

Marcos segurou minha cintura e riu, puxando meu lábio inferior.

— Já falei que adoro essa boquinha suja? — perguntou, tocando meus lábios com os seus e enredando sua língua na minha.

O beijo se intensificou rapidamente, e ele me ergueu, sem deixar de me beijar, sentando-me no balcão e colocando-se entre minhas pernas.

Nossas línguas engalfinhavam-se, e minhas unhas pressionavam aquelas costas esculpidas.

Suas mãos afundavam em meu pescoço jogado para trás, e sua boca sorvia a minha com determinação.

Suspiros intensos fugiam de nossas gargantas e refugiavam-se na junção de nossos lábios.

Cedo demais, ouvimos os pulinhos de Sofia nas escadas e nos afastamos. Desci rapidamente da bancada, passando a mão na boca e ajeitando a roupa.

— Tchau, Otávio! Tchau, tio Marcos! — Sofia entrou na cozinha, com a mochila nas costas.

— Boa aula, meu anjo. — Marcos se abaixou e beijou sua testa.

— Tchau, Souf. — Dei um beijo em sua bochecha.

— Primo, vou levar Sofia até o carro. O puto do Tito não vai saber afivelar a cadeirinha direito. Espera sentadinho aí — pediu, pegando a mão de Sofia.

Assenti, e ele foi.

Pouco depois que Marcos se afastou, comecei a ouvir uma conhecida voz ao longe.

Today I don't feel like doing anything

I just wanna lay in my bed

Don't feel like picking up my phone

Eu tinha deixado meu celular no quarto. E o som ia aumentando exponencialmente:

So leave a message at the tone

'Cause today I swear I'm not doing anything

Nothing at all

Não era Marcos, então não era ninguém importante.

Mas minha curiosidade não me deixaria em paz. Saí da cozinha correndo e subi as escadas voando, seguindo aquela mesma lógica: "e se fosse outra herança?".

Atendi sem checar o visor, com medo de que parasse de tocar:

— Alô?

— Tavinho? — Um cara de voz desconhecida perguntou.

— Isso. Quem está falando? — indaguei.

Puta que pariu, era outra herança!

— Beto, amigo de Marcos. Personal trainer, lembra?

Droga, não era.

— Ah, oi, Beto! Desculpa, atendi sem conferir o número.

— Sem problemas, gato. Então, fiz questão de ligar pessoalmente pra dizer que consegui um horário para a sua avaliação. Uma pessoa desmarcou, e consegui te encaixar. Pode ser hoje às 18h?

Ai, caralho... E agora?

— Tavinho? — Beto chamou, e eu percebi que tinha ficado muda.

— Pode — falei no impulso. — Estarei lá.

— Ótimo. É só chegar e dizer seu nome na recepção.

— Combinado.

— Então até mais tarde, lindo.

— Até mais tarde — desliguei.

Eu estava de costas quando levei um susto com a voz de Marcos e deixei o telefone cair.

— Estava marcando encontro com quem, porra? — ele rosnou.

— Que susto, caralho! — exclamei, abaixando-me para pegar o telefone.

— Assustou por quê? — perguntou, soando nitidamente desconfiado.

— Porque você apareceu do nada, né, Marcos! Droga, não estou achando a tampa! — Fiquei de quatro no tapete e olhei debaixo da cama.

— Gostei da visão. Já pode ficar assim pra sempre, primo — ele disse, e pude visualizar seu sorriso devasso.

Avistei a tampa do celular e me deitei no chão para pegá-la.

Estiquei o braço e tateei às escuras.

Senti uma coisa úmida na ponta dos dedos e recuei a mão, soltando um berro.

— Um sapo! — gritei, levantando-me em segundos e me atirando em Marcos.

— Um sapo, primo? Debaixo da cama? — O desgraçado caiu na risada.

— Tem um sapo lá, Marcos! — insisti, subindo na poltrona, esperneando e soltando grunhidos de medo.

Marcos meneou a cabeça, rindo do meu chilique, e se abaixou para olhar debaixo da cama.

— Não estou vendo nada. Só a sua tampa — ele enfiou o braço e a puxou, colocando-a sobre o tapete — e uma coisa — falou, voltando a mergulhar o braço debaixo da cama —, que não sei o que é...

Então, ele puxou a coisa e me encarou, lívido.

Comentários

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14/08/2018 16:20:56
Excelente.
09/08/2018 22:30:39
Uma pergunta...pq as vezes parece que o protagonista é uma mulher. Por exemplo na cena inicial da cozinha ele diz" desci rapidamente do balcão, limpando a boca e descendo o vestido" isso já aconteceu em outros capítulos...
09/08/2018 15:52:43
ISSO NÃO FOI NEM DE LONGE UMA DECLARAÇÃO E SIM AS MESMAS TREPADAS. . MAS VEREMOS. OTÁVIO TEM QUE SE DECIDIR SE QUER OU NÃO MARCOS DE UMA VEZ POR TODAS. AGORA TEM BETO ENTRANDO NA PARADA. THOMAS ACHO QUE JÁ SE CONSCIENTIZOU QUE NÃO TEM CHANCES. TAVINHO TEM QUE PARAR COM ESSE LANCE DE SE MENOSPREZAR, SE REBAIXAR TANTO. SE FOSSE TÃO RUIM ASSIM MARCOS NÃO ESTARIA TOTALMENTE APAIXONADO POR ELE. COMO DIRIA RITA LEE: "...GATA BORRALHEIRA, VOCÊ É PRINCESA. DONDOCA É UMA ESPÉCIE EM EXTINÇÃO."
09/08/2018 12:54:15
Marcos muito ciumento, coitado do Tito mas gosta de provocar o Marcos o tempo todo.....
09/08/2018 12:19:13
Os dois são ciumentos. Devasos e selvagens sexualmente falando. No coração são medrosos. Pior que a souf.
09/08/2018 12:17:17
Eles se amam .
09/08/2018 11:49:47
Marcos e Otavio parecem cão e gato. Se declarem logo um pro outro, deixem de birra.