AMOR DE PESO - 02X11 - O SEGREDO DE RAMONA

Um conto erótico de Escrevo Amor
Categoria: Homossexual
Data: 20/05/2018 01:42:17
Nota 10.00

Pai e Mãe,

Vamos lá. Mais uma semana se passou. O Zedu continua quieto, eu não falo nada, pois, reagi muito pior que ele, quando perdi vocês. Espero que o seu Ulisses esteja com vocês.

O sol invadiu meu quarto, não queria abrir os olhos, mas o despertador ficou me lembrando da obrigação de levantar. Sentei na cama, ainda sonolento e espreguicei. A minha tia entrou no quarto para me apressar, sim, a titia havia acordando antes de mim. A minha preocupação com o Zedu me tirava o sono. Depois de um banho, uma bela xícara de café e uns três pães de queijo, desci para encontrar meus amigos na parada de ônibus.

Ramona: - Gente, adivinha quem vai viajar?

Todos: - Você?

Ramona: - Não. Meu pai. Achei que a gente poderia, sei lá, fazer uma festinha do pijama.

Letícia: - Eu topo, não aguento mais o Leonardo em casa. Aquele garoto é uó.

Yuri: (pegando no ombro de Zedu) – O que acha?

Zedu: - Por mim tudo bem, tudo para relaxar.

Brutus: - Se você não quiser a gente entende. Você precisa do seu tempo.

Zedu: - Estou bem gente. E vai ser divertido participar de uma festa.

Ramona: - Ninguém falou em festa. É uma reunião saudável.

Letícia: - Se você quiser nomear assim, eu entendo.

Sim. Zedu queria seguir, como eu havia dito para ele, a dor passaria, mas continuaria ali. Na escola, a gente se preparava para a feira de Ciências, eu e o Zedu, faríamos uma análise sobre a qualidade da água que cercam a cidade, parece difícil, mas é muito simples. E eu já havia feito algo parecido no Rio de Janeiro. Os meus amigos ainda não faziam ideia do tema que escolheriam.

Juarez: - Ei, isso é meu. (tomando uma caneta das mãos de Mundico e rindo)

Mundico: - Bobo. A gente precisa decidir agora o que vamos fazer.

Juarez: - Podemos fazer algo voltado para a dança, que tal? (fazendo uma anotação no carderno)

Mundico: - Será? (abraçando Juarez)

Ramona: (falando baixo) – E esses dois?

Letícia: - Não sei. Será?

Ramona: - Pelo menos o Juarez ficou menos chato. (rindo)

Letícia: (rindo baixo) – Verdade. Você e o Brutus já decidiram o que vão fazer?

Ramona: - Já. Um vulcão.

Letícia: - O Luan vai se virar. O Arthur está para me deixar louca com esse filme de Zumbi.

Ramona: - Tadinho.

Letícia: - Tadinha de mim. Vou bancar o projeto sozinha, ele tem mais que trabalhar.

Professor: - Lucas… está faltando o nome da sua dupla.

(Todos prestam atenção)

Lucas: - Eu… eu estou só, professor.

Professor: - Se junte com algum grupo. (levantando) – Vou até a diretoria. (olhando para Lucas) – Quando eu voltar quero saber de qual grupo fará parte. (saindo)

Letícia: (indo até Luan) – Não quero ele na nossa equipe.

Luan: - Relaxa. Ele é maior queimado.

Brutus: (olhando para Ramona e rindo sem graça)

Ramona: (fazendo negativo com a cabeça)

Zedu: (olhando para Yuri) – Cê que sabe. A decisão é sua.

Lucas: (todo sem graça, olhando para os amigos, mas sendo evitado)

Yuri: - (com o coração batendo forte e pensando) – Não seja burro, não seja burro…

Mundico: (falando baixo) – Por que ninguém tá se oferecendo?

Juarez: - Não soube? O Lucas foi um dos alunos que fez o bullying com o Yuri. Ele não foi expulso por sorte. Eu teria expulsado ele.

Mundico: - Credo… você nunca errou?

Juarez: (se engasgando com o chiclete e tossindo)

Mundico: - Cê tá bem? (ajudando Juarez)

(Todos cochichando)

Professor: (voltando) – Silêncio cabeçudos. Então, qual grupo você está Lucas?

Lucas: (olhando para baixo) – Nenhum.

Professor: - Você sabe quais são as regras… vai ter que fazer a PF.

Mundico e Juarez: - PF?

Ramona: (falando baixo) – Sim, a prova final. São os conteúdos de três semestres…. Todo mundo que fez, ficou de recuperação.

Yuri: (levantando a mão)

Professor: - Pois não, Yuri?

(Todos olhando para Yuri)

Yuri: - Eu… eu… (olhando para Zedu)

Zedu: - Vai em frente.

Yuri: - Ele faz com a gente, professor…

Professor: (tirando os óculos) – Tem certeza? Acho que a PF está de bom tamanho para ele.

Yuri: - Eu tenho. Ele faz com a gente. (respirando fundo)

Lucas: (olhando para o chão)

(Todos começam a cochichar)

Professor: - Silêncio. Então, a feira de ciências vai ser em três semanas, quero ver o protótipo do projeto de vocês na semana que vem. Vocês vão ter um bom trabalho. Eu adoro isso. (tirando um vaso da mochila e colocando na mesa)

No vaso estava escrito: “Lágrimas do 1º ano C”. O professor sorriu e mandou a gente estudar a página 125 do livro de ciência. Depois da aula, decidimos almoçar no Centro da cidade. Existem vários locais onde a comida é barata, ah, e deliciosa. Os meninos não acreditavam na minha decisão, confesso, que o Zedu me deixou seguro e livre para decidir. A minha rotina estava voltando ao normal, ainda tinha que fazer o estágio com o George, e a cada dia que passava eu gostava mais de fotografia.

Yuri: (tirando fotos de alguns modelos) – Isso meninos. Ficou maravilhoso.

George: (entrando no estúdio) – Olha só. Até parece um profissional.

Yuri: - Aprendi com o melhor, né?

Lucas: - Yuri?

Yuri: - Lucas? O que você está fazendo aqui?

George: - Vocês se conhecem?

Yuri: - Sim. O Lucas estudo comigo e…

George: - Mentira? Que legal. Meu funcionário e sobrinho estudam juntos.

Yuri: - Sobrinho? (quase deixando a câmera cair)

George: - Eita. Cuidado, Yuri. (pegando a câmera) – Deixa que eu continuo por aqui. Eu trouxe lanche, está na sala de descanso.

Yuri: (saindo)

Sim. Enquanto o destino brincava comigo, a minha amiga Letícia fazia um programa mais adulto. Ela adorava beijar Arthur, mas ele só tinha olhos para o tão sonhado curta-metragem. O namorado da minha amiga tinha muitas qualidades, mas era totalmente apaixonado por cinema e suas vertentes. Eles foram com Zedu até um grande terreno que ficava próximo ao rio. O local seria o cenário do filme 'Zumbis em Manaus'. Eles vasculharam toda a área até chegarem na casa.

Letícia: - Nossa. Você nunca contou que tinha um terreno tão grande.

Zedu: - Era do meu pai, agora que ele se foi, bem, a minha mãe vai vender. (abrindo a porta)

Arthur: - É realmente irado. Aqui vai ser onde os sobreviventes vão se esconder. E a fábrica do outro lado vai servir para o climax do filme. (indo na frente de Zedu e Letícia)

Letícia: - Tadinho do meu namorado. Totalmente zureta. (pegando no ombro de Zedu) – Ei, está tudo bem? Eu sei que essa casa te traz muitas lembranças.

Zedu: (respirando fundo) – Bem, a gente não vinha aqui há muito tempo, mas era o lugar preferido do papai. Lembro que vinhamos para cá todo fim de semana.

Letícia: - Se você quiser… a gente pode gravar em outro lugar e….

Arthur: (Gritando da parte de cima) – Meu Deus!

Zedu e Letícia: (correm para verificar o que havia acontecido)

Letícia: - Você está bem?

Zedu: - O que houve?

Arthur: (filmando o pôr do sol) – Olha só isso. Que visão maravilhosa.

Realmente. O terreno da família de Zedu era grande. A área contava com uma grande fábrica, um matadouro de bois e vacas, mais um dos milhares negócios que o pai dele havia tentando, haviam também carros quebrados por todo o lado, a casa e uma piscina totalmente suja. Arthur havia recapitulado todo o filme naqueles lugares. A mãe de Zedu concordou em deixar o curta-metragem ser gravado lá, afinal, em algumas semanas o local seria vendido.

Eu já falei que odeio usar roupas sociais? Acho que todo gordinho não gosta, tá, não vou generalizar, mas eu realmente não suporto. A titia queria causar uma boa impressão na família de Carlos, então, nos deixou com cara de bons meninos, ela até convenceu a minha irmã a fazer babyliss no cabelo. Na verdade, a Giovanna parecia uma pastorinha holandesa. Eu consegui comprar um suspensório e gravata borboleta, adorei o estilo. Melhor que usar um terno apertado. Antes de sair, a tia Olívia, nos fez ficar em um tipo de linha indiana e fez um grande sermão sobre responsabilidade e Jesus, ou algo do tipo, confesso que não prestei muita atenção.

Olívia: (apontando para Richard) – Você… sem animais, mudar a festa de direção, subir no palco, fazer bullying e morder ninguém.

Richard: - Credo, tia. Até parece que eu apronto assim.

Olívia: (apontando para Giovanna) – Você, eu não quero ouvir a tua voz. Lembra do acordo que a gente fez? Queijo e leite de bufala durante todo o ano. Sem comentários maldosos ou impertinentes.

Giovanna: - A minha boca é um túmulo.

Richard: - Verdade. Quem manda não escovar os dentes?

Olívia: (apontando para Yuri) – E você… seja você. (pegando no ombro do sobrinho, piscando e saindo) – Estou indo para o carro. (saindo)

Giovanna: - Ah, claro. Santo, Yuri. (olhando no espelho) – Meu Deus. O que eu não faço para manter a minha qualidade de vida.

Yuri: - Vamos? Pastorinha, Lúcifer?

Richard: - Quem é Lúcifer?

Giovanna: - Nem queira saber. (saindo)

Yuri: - Vamos. (pegando a chave)

Chegamos cedo no local da colação de grau, encontramos Carlos tirando fotos para o álbum de formatura. A Giovanna quase se mordeu para não fazer comentários, o Richard se misturou com algumas crianças que estavam no local. Eu peguei um suco de melancia e fiquei acompanhando a movimentação. Pensei muito na minha situação com o Zedu. Ele não havia mudado comigo, mas eu me sentia pisando em cascas de ovos, tinha medo de fazer alguma besteira e ele cair em pedaços. Enquanto isso, a titia conhecia a sogra.

Marlene: - Quando o Carlinhos decidiu fazer outra faculdade.., nossa…. Eu quase morro.

Olívia: (sorrindo) – Agora ele vai ser advogado. E o melhor da cidade.

Carlos: - Meninas, parem. Assim eu acredito.

Marlene: - Eu preciso te mostrar as fotos dele filhote.

Carlos: - Mãe. Não precisa tanto, por favor.

Olívia: - Eu vou adorar ver.

A cerimônia aconteceu sem muitos acidentes. Mas confesso que demorou, a colação de grau do curso de direito é eterna. O tédio era tanto que o Richard dormiu, e sobrou para mim a missão de carregar o monstrinho. Seguimos para um restaurante, o Coqueiro Verde, eles tem a melhor maionese da cidade. A família de Carlos era numerosa conheci uma porção de primos e tias. No jantar, o pai dele fez um brinde e agradeceu a presença de todos.

Richard: - Yuri. O Carlos vai poder me tirar da prisão?

Yuri: - Espero que isso não aconteça.

Giovanna: - O pessoal daqui come como selvagens.

Yuri: - O que a titia falou sobre ficar calada.

Giovanna: - Só falei verdades. (jogando os cachos na minha cara)

Yuri: - Crianças.

Julian: - É o que eu digo.

Yuri: - Oi?

Julian: - Me chamo Julian, sou sobrinho do Carlos. (cumprimentado Yuri)

Yuri: - Ah, me chamo Diego, sou sobrinho da Olívia.

Julian era um rapaz muito atraente, as meninas eram todas afins dele, toda hora alguma garota vinha falar com ele. Eu não vi nada demais, afinal, tenho o exemplar mais lindo no meu coração. A gente conversou bastante naquela noite. Ele estudava em um colégio disputado e caro da cidade, não sabia que Carlos tinha irmãos, aprendi muito sobre ele naquele dia. A minha tia se deu bem com a sogra dela, as duas eram bem parecidas, inclusive na decisão de Carlos continuar na empresa.

Marlene: Só acho que você precisa ficar pelo menos um ano na empresa.

Carlos: - Gente, eu não quero, okay? Podemos curtir a noite?

Olívia: - Claro, meu advogado. (ela disse beijando o namorado) – Vamos aproveitar muito bem a noite.

Carlos: - Opa. Assim que se fala.

Marlene: - E quando vocês vão me dar netos?

Richard: - Legal. (levantando e dançando) – Vou ter primos, vou ter primos.

Olívia: (ficando vermelha)

Cheguei em casa, liguei o computador e coloquei a música “xxxxx”, do xxxx. Deitei na cama, peguei meu celular e fiquei vendo fotos. Nossa, nesses últimos meses passei por cada situação, mas estava muito feliz.. Fiquei pensando nos meus pais, e em como as coisas seriam se eles estivessem vivos. Eu seria feliz? O Zedu estaria comigo? Os meus irmãos teriam as mesmas personalidades? Adormeci e acordei no dia seguinte com dores na costela, havia dormido em cima do meu carregador.

A escola continuava a mesma coisa, só que o diferencial era a minha convivência com o Lucas. A feira de ciências era um dos principais eventos do meu colégio, tanto que era aberto ao público. Naquela tarde, eu, o Zedu e Lucas, fomos para a Feira da Manaus Moderna, o lugar era uma confusão. Pessoas, carros e animais, compartilhando o mesmo lugar. Ficou com pena de como aquela área é mal tratada, o lixo ficava perto do rio.

Zedu: - Esse lugar está cada dia pior.

Yuri: (tirando os óculos) – E pode ficar pior que isso? Gente do céu.

Lucas: - A gente vai colher a amostra de água só daqui?

Yuri: - A ideia é pegar de algumas áreas importantes, como a Ponta Negra ou algum flutuante.

Lucas: - Entendi. Vamos cruzar as informações?

Yuri: - Isso. Dessa forma podemos traçar um plano…

Lucas: - Plano de ação e verificar quais as áreas mais afetadas pela poluição. Você é um gênio.

Zedu: - Pelo menos outra pessoa entende as coisas que o Yuri fala.

Yuri: - Para, bobão. (entregando os frascos para Zedu e Lucas)

Zedu: - Eu sabia que ia sobrar para a gente. (descendo uma grande escadaria)

Yuri: - Lucas, tenta pegar a água ali de onde os barcos saem. Deve ter muito óleo e gasolina. Pelo menos três frascos.

Até que a tarde foi agradável, o Lucas tinha um lado doce e engraçado, acho que o João que influenciou ele negativamente. Depois de passar o dia juntando água dos mais diversos lugares da cidade, a gente decidiu tomar um sorvete na Glacial. O chato que era do lado da escola, então era obrigado a lembrar que no dia seguinte teríamos aula. Nos despedimos de Lucas e seguimos para minha casa.

Zedu: (beijando Yuri)

Yuri: (beijando Zedu)

Zedu: - Você tem medo do futuro?

Yuri: - Como assim?

Zedu: - Não sei, você pensa no futuro?

Yuri: - Engraçado você perguntar… ontem, antes de dormir, fiquei pensando em como seria a minha vida se os meus pais fossem vivos.

Zedu: - Provavelmente eu não estaria nela… ou Manaus. (acariciando o rosto de Yuri) – Talvez eu ainda fosse “hetéro”. (fazendo aspas com o dedo)

Yuri: - Talvez. Seria legal poder ver os nossos caminhos, tipo, se eu pegar a direita, quais seriam as consequências? E depois ter a mesma oportunidade de saber o que aconteceria se eu fosse para a esquerda, entende?

Zedu: - Entendi. Se você tivesse oportunidade… para… salvar seus pais… mesmo que isso significasse me perder… o que você faria?

Yuri: - Eu… eu…. (abraçando Yuri) – Não sei.

Zedu: - Tudo bem, eu entenderia se quisesse ter sua família de volta.

Yuri: - Te amo. (beijando o namorado)

Juarez deixou Mundico em casa, apesar de não ter carteira, ele dirigia uma moto para todos os lados da cidade. Ele entrou na casa do amigo, e foram para o quarto. Mundico se certificou que o pai não estaria em casa naquele dia. Eles abriram uma garrafa de vodka e começaram a beber.

Juarez: - Dane-se se amanhã tem aula, podemos faltar, né? (brindando com Mundico)

Mundico: - Verdade. Acontece tanta coisa, né? (bebendo)

Juarez: - (Deixando o copo no chão) – Eu só queria provar mais uma coisa. (beijando Mundico)

Mundico: (beijando Juarez e tirando a roupa dele) – Eu quero você, aqui e agora.

Juarez: - Tem certeza? Eu trouxe camisinha.

Mundico: - Safado. Eu tenho lubrificante. Quer fazer o que?

Juarez: - Tudo o que eu puder com o seu corpo. (beijando Mundico)

Mais uma vez, Brutus e Ramoma, tentavam transar. A história já estava se tornando muito complicada, a minha amiga temia que Brutus conhecesse seu grande segredo. Já o meu amigo, beijava a namorada com muita vontade, ele acariciou seus seios, e apertava sua nuca. Ramona gemia de prazer, Brutus pegou a calcinha de Ramona e começou a baixar devagar.

Ramona: - Não… espera…

Brutus: (tirando a calcinha de Ramona)

Ramona: - Me solta!!! Me solta!!!

Brutus: (abrindo as pernas de Ramona) – O que é isso? Sua anormal.

Ramona: - Não… (tentando sair desesperadamente daquela posição) – Me ajudem…

Brutus: - Cala boca. (dando um tapa em Ramona)

Ramona: - Aí… você tá me machucando. (chorando copiosamente) – Eu quero sair...

Brutus: (com violência) – Deixa eu te fuder, sua anormal. Anormal! (se masturbando em cima de Ramona) – Era isso que você queria? Pau… (esfregando o pênis no rosto dela)

Ramona: - Não… socorro…

Brutus: (dando um tapa na cara de Ramona) – Agora você vai ter o que tanto mereceu… (penetrando Ramona)

Ramona: (gritando de dor)

Ramona acordou gritando, tudo não passava de um pesadelo. Ela se levantou, as pernas trêmulas não escondiam o nervosismo. A minha amiga ficou se olhando no espelho e começou a chorar. Enquanto isso, Brutus, tentava ligar para ela, sem sucesso. Ramona viu o celular brilhando, mas não queria atender. Ela se fechou em seu próprio mundo. Qual seria o segredo dela?

No dia seguinte, Mundico acordou com uma dor de cabeça desgraçada. Ele levantou, muito zonzo e desceu para tomar água. Encontrou a irmã na cozinha, ela disse que alguém de Parintins havia ligado para ele. Mundico retornou a ligação, e era a Hélida. Ela avisou que a polícia havia encontrado vestígios de que o acidente na verdade foi proposital. Hélida mandou fotos do possível culpado pelo acidente, e o mundo de Mundico desabou.

Mundico: - Não pode ser… não… ele não faria isso comigo. (segurando a foto que mostra Juarez quebrando o guindaste que levantaria Mundico) – O Juarez não fez isso.

Encontrei a Ramona um pouco abatida, ela estava pensativa em uma área isolada da escola. Sentei ao seu lado, sem falar nada. Pensei um pouco e puxei assunto.

Yuri: - Você me lembra alguém… sentada assim, sabe… você me lembra alguém.

Ramona: - Eu não sei o que fazer, Yuri.

Yuri: (pegando na mão de Ramona) – Você pode começar confiando em mim. Eu nunca faria nada para te machucar.

Ramona: - Eu sei, mas….

Yuri: - Eu te senti tristinha, principalmente depois que voltamos de Parintins.

Ramona: (chorando)

Yuri: - Ei. (sentando ao lado da amiga e fazendo carinho) – Qual é… eu já passei por tanta merda nessa vida, acho que posso de ajudar de alguma forma.

Ramona: - Eu sei, confio em você, mas…

Yuri: - Foi o Brutus? Ele fez alguma coisa? Se ele…

Ramona: - Não… sou eu…

Não muito longe dali, Brutus, procurava por Ramona. Ele ainda tinha dúvidas sobre o projeto de ciências. O meu amigo procuro em todos os lugares, e estranhou não encontrar a namorada. Brutus viu Kellen observando alguma coisa e se aproximou.

Brutus: - Oi…

Kellen: (calando a boca de Brutus e falando baixo) – Estão falando de você. Vem. (ouvindo a conversa)

Ramona: - Yuri… eu…. Eu sou mulher…

Yuri: (Estranhando) – É. Eu sei…

Ramona: - Eu sou hermafrodita.

Yuri: (não escondendo a surpresa) – Uau… bem… ok… eu… er… tudo bem. (pegando na mão de Ramona) – E…

Ramona: - Bem, basicamente, nasci com uma má formação. Tenho os dois órgãos genitais, lá em baixo, sabe, é uma verdadeira bagunça. Não tem como esconder isso do Brutus.

Yuri: - O teu pai sabe?

Ramona: - Sabe. A gente já foi em vários especialistas, mas a cirurgia é muito delicada, então, preciso esperar completar os meus 18 anos.

Yuri: - Entendi. Você tá com medo de falar para o Brutus?

Ramona: - Yuri, você sabe que ele não recebe essas notícias muito bem, ainda mais quando ele não entende do assunto. Esqueceu do semestre passado?

Yuri: - Verdade que o Brutus não é o poço da delicadeza, mas você é namorada dele e… (ficando vermelho quando olha para frente) – Oh, Deus. (ficando de pé)

Ramona: - O que foi? (virando e ficando com os olhos vermelhos)

Brutus: (boquiaberto) – Eu… eu…

Kellen: (com um sorriso malicioso) – Quem diria Ramona. Toda trabalhada no segredo.

Yuri: - Kellen. Vamos deixá-los sozinhos. (saindo)

Kellen: (saindo contra a vontade)

Ramona: - Você escutou tudo?

Brutus: - Sim, escutei.

Ramonas: - Então….

Brutus: - Então… você é deformada? Você possui um pênis? Por isso… por isso, nunca deixou eu te tocar….

Ramona: - Sim, mas… (tentando pegar em Brutus)

Brutus: (esquivando) – Eu… preciso… preciso pensar…. (saindo)

Ramona: - Brutus! Brutus! (chorando)

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Nós faremos tudo isto sozinhos

Nós não precisamos de nada ou de ninguém

Se eu deitasse aqui, se eu apenas deitasse aqui

Você deitaria comigo

E esqueceria do mundo?

Eu não sei bem como dizer como me sinto

Aquelas três palavras são ditas demais

Elas não são o suficiente

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Cheguei na casa de Zedu, e ele estava chorando. Meu namorado resolveu assistir alguns vídeos do pai dele. Zedu lembrou de tudo o que mais amava em Ulisses. Essas lembranças são poderosas.

Zedu: - Eu não consigo ser forte. (chorando)

Yuri: (deitando ao lado do namorado e o abraçando) - Você não precisa ser.

Zedu: (Se sentindo abraçado e chorando)

Yuri: - Te amo, te amo demais. E você não precisa ser forte sempre, eu estou aqui para você.

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Vamos perder o tempo perseguindo carros

Em volta de nossas cabeças

Eu preciso de sua graça

Para me lembrar, para encontrar a minha própria

Se eu deitasse aqui, se eu apenas deitasse aqui

Você deitaria comigo

E apenas esqueceria do mundo?

Esqueça o que nos foi dito

Antes de nos tornarmos muito velhos

Mostre-me um jardim

Que esteja ganhando vida

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Ramona: (discando o número de Brutus) - Atende, por favor. Atende.

Wilson: - Filhinha. O que aconteceu. (Abraçando Ramona)

Ramona: - Ele descobriu papai. Ele descobriu que eu sou uma aberração.

Wilson: (pegando no rosto da filha) - Você não é uma aberração meu amor. Você é perfeita.

Ramona: - Ele me odeia, pai. Ele me odeia. (chorando)

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Tudo que eu sou, tudo o que eu sempre fui

Está aqui em seus olhos perfeitos

Eles são tudo o que eu vejo, eu não sei aonde

Confuso sobre como também

Apenas sei que essas coisas nunca irão

Mudar para nós de jeito nenhum

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Juarez: (dormindo)

Mundico: (chorando e olhando para a cama)

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Se eu deitasse aqui, se eu apenas deitasse aqui

Você deitaria comigo

E apenas esqueceria do mundo?

Comentários

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20/05/2018 15:22:47
UAU. QUE SEGREDO ESSE DE RAMONA! CONFESSO QUE TAMBÉM FIQUEI CHOCADO. NÃO PELO HERMAFRODITISMO, MAS EM SABER QUE RAMONA ERA HERMAFRODITA. REALMENTE NÃO É DE SE ESTRANHAR QUE BRUTUS REAJA MAL. SEMPRE FOI ASSIM. TODO METIDO A MACHÃO E MACHISTA. OUTRA COISA QUE FIQUEI PENSATIVO É SOBRE A REAÇÃO DE MUNDICO AO SABER SOBRE JUAREZ. ISSO NÃO VAI ACABAR BEM PRA NENHUM DOS DOIS. COMPLICADO ISSO. PRIMEIRO PORQUE JUAREZ NÃO DEVERIA TER FEITO O QUE FEZ. DEPOIS POR ESCONDER ISSO DE MUNDICO E DEPOIS POR SEDUZIR MUNDICO. E FINALMENTE NÃO SEI QUAIS AS INTENÇÕES DE JUAREZ COM TUDO ISSO. ZEDU ESTÁ NO TEMPO CERTO. ESTÁ DE LUTO. NORMAL. MAS NÃO PODE ESQUECER QUE O MUNDO CONTINUA. EXISTE UMA VIDA PRA ELE E ELE PRECISA VIVER.