Quando Me vejo em teus olhos ㅡ Cap 12

Um conto erótico de LuCley.
Categoria: Homossexual
Data: 13/05/2018 01:01:34
Nota 10.00

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Me levantei devagar, me desvencilhando do Matteo para que ele não acordasse. Queria ele descansado para me distrair durante a viajem.

Liguei na recepção do motel e pedi o melhor café da manhã. Eu estava faminto e sabia que o Matteo também deveria estar.

Fiz minha higiene, tomei uma ducha rápida e enquanto me vestia, lembrei da conversa que tivemos sobre termos filhos.

Fiquei pensativo, tentando absorver o fato que ele também queria. Eu não poderia estar mais feliz.

Uma breve lembrança de minha mãe me veio na memória. Era inverno, meses antes dela falecer, meu pai não estava em casa e minha mãe cozinhava no forno à lenha ㅡ acho que era pinhão. Ela estava sentada em uma poltrona antiguíssima, em couro, na cor preta e que para ela, parecia uma cama, de tão pequena que minha mãe era. Seu corpo se acomodava de tal forma, que ainda sobrava espaço; ela sempre foi esbelta e não media mais que 1,53.

Nesse dia ela me chamou e eu corri até seu colo me jogando em seus braços. Ela reclamou e me bateu nas cochas.

ㅡ você está bem grandinho pra pular assim em mim.

ㅡ rsrs, desculpa. A senhora me chamou?

ㅡ chamei. O que aconteceu com seu namorado? Ele não veio mais aqui...

ㅡ terminei com ele.

ㅡ que bom! Ele não te fazia bem. Você sabe disso, não sabe?

ㅡ sei. Mãe, me acha muito bobo?

ㅡ por amar demais? Não! Você não é culpado. São eles. Algumas pessoas, mesmo enchergando, não são capazes de ver o quanto você é especial. Já outras, mesmo não vendo, enchergam além de um simples sorriso.

ㅡ se a senhora diz...

ㅡ rsrs, eu nunca erro. Você se lembrará disso daqui alguns anos. Está com fome?

ㅡ um pouco, mas vou esperar o pinhão cozinhar.

ㅡ as vezes é bom saber esperar, Vini.

ㅡ rsrs, a senhora é muito misteriosa...fala cada coisa.

ㅡ as mães sabem de tudo. E nunca se esqueça, eu sempre estarei com vocês. Não importa como.

Três meses depois, ela faleceu.

Me lembrar dessa conversa foi estranho e só me fez perceber como esse mundo é confuso e incerto.

Olhei em direção a cama e o Matteo procurava por mim. Cheguei mais perto e disse que eu estava ali. Ele me deu bom dia e disse estar com fome. Me sentei ao seu lado e lhe dei um beijo na testa. Ele encostou a cabeça em meu ombro e sorri fazendo um carinho em sua nuca.

ㅡ já pedi o melhor café da manhã do mundo pra gente. Comemos e pegamos estrada novamente.

ㅡ obrigado. Me leva no banheiro, amor?

ㅡ claro. Segura minha mão...você dormiu bem?

ㅡ tão bem quanto você. Mal colocou a cabeça no meu peito e já estava roncando.

ㅡ rsrs, eu estava cansado. Pronto...chegamos...xixi primeiro?

ㅡ sim, minha bexiga está estourando.

Ouvi baterem e deixei o Matteo no banheiro. Era o café. Pedi que deixasse em um canto e a moça se foi me agradecendo a gorjeta. O Matteo tomava banho e fui ver se ele precisava de ajuda. Entrei no banheiro e perguntei se ele queria alguma coisa e me pediu sabonete.

Tirei minha roupa e não resistindo áquele homem, entrei no box com ele. Lhe dei banho, lavei seu cabelo e estava mais cumprido e enrolando nas pontas. Ele reclamou do cumprimento e pedi que não cortasse.

ㅡ está bonito assim. ㅡ disse e ele tirou a espuma do shampoo do rosto.

ㅡ se crescer mais, vai ficar cacheado...

ㅡ não gosta?

ㅡ gosto, mas da trabalho pra cuidar de cabelo cacheado.

ㅡ então deixa no tamanho que está. Você fica bem garotão kkkk.

ㅡ kkkkk, se me deixa mais jovem...então eu deixo. Estou com fome.

ㅡ ah, chegou nosso banquete.

ㅡ opa! delicia...bora comer?

ㅡ bora lá!

Tomamos café e nos arrumamos o mais rápido possível. Sempre fiquei perplexo com a rapidez que o Matteo se arruma e acabava rindo sozinho pela minha lerdeza extrema. Se eu falasse: se arruma que em dez minutos estou chegando. Ele fazia até a barba nesse tempo e ainda separava minha roupa. Enfim, eu precisava mais da ajuda dele, do que ele da minha.

Pegamos a estrada novamente e durante o trajeto o Matteo estava quieto demais. Perguntei se ele estava bem e se queria que eu parasse o carro, mas disse que só estava pensativo por causa do Roberto. Eu sabia que ele tinha medo do irmão fazer um escândo, mas eu estava preparado. Na verdade, eu nunca estive tão pronto para uma briga. E quando digo briga, não é de socos e pontapés, é de argumentos e verdades concretas e, sério, eu estava só esperando o momento certo.

Ainda faltava três horas de viagem e fiz uma parada para irmos ao banheiro. Entrei com ele na lanchonete de um posto de gasolina na rodovia e uma senhora perguntou se precisávamos de ajuda. Perguntei se tinha um banheiro e ela nos indicou o banheiro dos funcionários por ser mais limpo e arrumado.

Gentil da parte dela, mas o Matteo começou a rir e lhe cutuquei pergutando qual era a graça.

ㅡ se eu te contar uma coisa, mão vai me achar infantil? ㅡ ele disse rindo e eu fiquei esperando a palhaçada.

ㅡ depende...

ㅡ porra, amor...diz que não vai.

ㅡ não vou, fala!

ㅡ tem um cara lá na prefeitura que quando passa por mim, pega no meu braço e me leva pra minha sala. Só que todas as vezes, eu falo que não preciso de ajuda e mesmo assim, ele me segura e me "ajuda".

Aí esses dias, como eu já estava irritado, ofereci um pouco de café pra ele e quando ele foi servir, eu me enfiei na frente da cafeteira e disse que serveria pra ele. Aí ele me disse que pegaria e que não precisava da minha ajuda. Olhei bem pra cara dele e disse que era o quê eu sempre dizia todas as vezes que ele me pegava pelo braço pra me ajudar. E que se eu precisasse de ajuda, eu pediria...acredita que ele ficou bravo e me chamou de ingrato? Brigou comigo e tudo...

ㅡ acredito, mas qual a graça disso?

ㅡ eu fiz café depois e coloquei sal na garrafa. Aí ele perguntou quem tinha feito e eu disse que não sabia.

ㅡ cara, isso foi muito imaturo...

ㅡ você prometeu...

ㅡ kkkkk, porra...queria que eu batesse palmas? Tudo bem que o cara é um chato, mas...tá certo, eu teria feito pior!

ㅡ kkkkkk, sabia! Você não sabe o quanto eu torci pra ele ser o primeiro a pegar o café. Depois que ele bebeu e viu que tinha sal, joguei fora e fiz outro.

ㅡ mas gente...não tem mais idade pra fazer arte, senhor Matteo.

ㅡ kkkkk, me processe! Agora me leva no banheiro que preciso arrumar minha cueca.

ㅡ foi pra isso que pediu pra eu parar?

ㅡ sim, mas eu também estou com sede.

ㅡ senhor...não abusa!

ㅡ se ficar bravinho, já sabe né? Vou ficar excitadão!

ㅡ juro que não mereço...vai logo e cuida pra não prender o ziper no pau de novo kkkkk.

ㅡ cala boca!

Fiquei esperando ele usar o banheiro e quando saiu, veio sem os óculos. Perguntei onde estava e me olhou puto da vida dizendo que tinha caído no chão e ele pisou em cima. Comecei a rir e a moça da lanchonete disse que tinha óculos escuros na loja de conveniência.

Agradeci a oferta do banheiro, e fomos até a lojinha procurar outro bendito óculos.

Tentei achar outro que fosse parecido com o antigo e ele já estava ficando impaciente.

ㅡ minha vida, só tem óculos feio aqui, misericórdia. Quando a gente chegar, compro um bem bacana pra você.

ㅡ vai me dar de presente?

ㅡ vou!

ㅡ então vamos logo.

Quando entramos no carro, ele se ajeitou no banco, colocou o cinto e entreguei a garrafa de água pra ele beber. Ele deu um gole e depois que fechou a garrafa, me perguntou como foi tão natural pra mim, o fato dele ser cego.

ㅡ está perguntando isso porquê?

ㅡ sei lá, me veio à cabeça agora.

ㅡ alguma de suas namoradas tinham problemas por isso?

ㅡ no começo eu acho que não. Sabe quando você quer uma coisa porquê acha interessante, diferente e depois que compra não dá mais bola? Acho que com elas era tipo isso.

ㅡ acontece que você não é uma coisa. Eu vi umas fotos suas de quando era mais novo e continua o mesmo. Você é um homem muito bonito, charmoso, simpático, querido e eu me apaixonei por tudo isso. Quando eu me vejo em teus olhos, é algo tão maravilhoso porque sei que está me vendo. Por isso gosto de você assim, sem óculos. Gosto de me ver em seus olhos, de saber que estou refletindo neles e que você me vê de uma forma tão sincera e pura. Você é a prova de que as pessoas pode se apaixonar pelas outras, apenas conhecendo seu coração. É assim com a gente. Você nunca me viu, mas me ama por eu ser tudo aquilo que você julga ser bom e correto. Isso basta pra você, não basta?

ㅡ basta! O sexo veio como bônus. Um bônus gostoso, mas um bônus. Eu ficaria tranquilamente sem transar contigo, mas não ficaria um minuto se quer sem você. Quando foi fazer aquele curso e ficou uma semana fora, eu senti tanta a sua falta que achei que você não ia mais voltar pra mim. Eu não te disse nada na época, porque você tem uma fixação em acreditar que a Laura é a reencarnação da sua mãe, que fiquei com medo, mas eu sonhei com ela. Sonhei com sua mãe e ela me disse que eu estava me preocupando á toa e que você iria voltar. Perguntei como ela sabia e acordei chorando...porque ela me disse que eu era a única pessoa que não te via, mas que conseguia te enchergar só com um sorriso seu. Por isso você me amava tanto. ㅡ fiquei quieto, somente ouvindo e tentando absorver tudo com a maior naturalidade possível. Minha mãe sabia que de algum modo, eu encontraria o Matteo nessa vida e sabe-se lá em quantas outras.

ㅡ ela sempre está certa, Matteo. Nunca erra.

ㅡ você está bem?

ㅡ nunca estive melhor. Acho que está na hora da gente pegar estrada de novo. Está cansado?

ㅡ não. Desculpa ter feito você se lembrar da sua mãe.

ㅡ imagina, ela era uma pessoa maravilhosa. Lembrar dela é sempre bom. Coloca o cinto, bora enfrentar a fera.

ㅡ mete o pé, se eu ver algum bicho na estrada, te aviso kkkk.

ㅡ kkkkk, você é muito besta.

Enquanto eu dirigia, ele tentava conectar o fio do fone de ouvido no celular, mas com os buracos no asfalto, o carro balançava toda hora e ele xingou meio mundo por isso. Comecei a rir e enfim, ele conseguiu.

ㅡ sabe porquê eu te amo, Vini?

ㅡ porque sou gostoso pra caralho?

ㅡ kkkkk, também. Mas é porque você não sente pena de mim quando não consigo conectar a porra dos fones no celular.

ㅡ não sinto pena de você, porque sei que você é capaz de muitas coisas. E se não coseguir fazer alguma coisa, eu estarei aqui pra te ajudar.

ㅡ eu sei...amor, demora muito ainda?

ㅡ não, já estamos na entrada da cidade. Me passa seu celular e deixa a mulher do gps falar o caminho pra gente.

Parei o carro no acostamento e digitei o endereço do hospital. Se não fosse pelo Matteo reclamando da voz chata da mulher, o resto do caminho teria sido bem tranquilo.

Chegamos no hospital e vi o Roberto na entrada. Certamente ele não estava nos esperando. Deixei o carro no estacionamento atrás do hospital e quando ele nos viu, fechou a cara. Por sorte a Mellinda veio em seguida e vendo que estávamos alí, nos convidou a entrar.

A cumprimentei e ofereci minha ajuda. Sua face estava cansada e aquela mulher parecia não dormir há dias. Perguntei quem mais estava ali e me mostrou o Claúdio sentado no sofá, na sala de espera. Ele nos viu e veio em nossa direção nos cumprimentar.

Conversamos um pouco, soubemos que o menino estava estável, mas continuava na UTI.

Me sentei e o Matteo estava conversando com a cunhada dele um pouco afastados. Vi o Roberto entrando e ele foi em direção a um corredor. Fui até o Matteo e pedi pra ele me esperar, pois meu celular estava sem bateria e pediria a alguém onde eu poderia carregar.

ㅡ o quê você está apontando, Vini?

ㅡ aprontando? ㅡ tentei disfarçar o máximo possível e ele insistia.

ㅡ desde quando você se importa com bateria de celular? Eu vivo brigando contigo pra carregar suas coisas e você nem me dá ouvidos. Ah, sua voz está muito estranha...

ㅡ eu não estou aprontando nada. Só quero sair um pouco daqui, mas já venho.

ㅡ certeza?

ㅡ sim, amor.

ㅡ olha lá heim... ㅡ lhe dei um beijo no rosto o fazendo sorrir e fui em direção ao corredor.

Fui caminhando até que cheguei em uma porta que quando abri, dava acesso à capela. Tudo que eu menos queria era ter uma discusão com o Roberto dentro da casa do Pai.

Ele estava ajoelhado no segundo banco e rezava em voz baixa a Ave Maria.

Fechei a porta devagar e caminhei até o banco atrás dele. Sem se virar, para trás, ele parou de rezar e dirigiu a palavra a mim.

ㅡ o quê está fazendo aqui?

ㅡ a gente precisa conversar...

ㅡ conversar? Acha que tenho alguma coisa pra conversar contigo nesse momento? Por mim, vocês nem estariam aqui.

ㅡ eu sei e nem espero que seja gentil comigo, mas pelo menos trate seu irmão com mínimo de respeito que ele merece. ㅡ ele ainda continuava de costas pra mim.

ㅡ eu não sei o quê aconteceu com o Matteo, mas essa palhaçada de vocês não me interessa. ㅡ bufei e ele não me olhava de jeito nenhum.

ㅡ Roberto, eu não preciso da tua amizade e nem pretendo ser teu amigo, mas cara...o Matteo é teu irmão, sangue do teu sangue e ele estando casado comigo ou não, não vai mudar em nada na tua vida. Ele te ama e porra, está sofrendo porque você o ignora. Não precisa olhar na minha cara, mas não se afaste dele. ㅡ fui me levantar pra ficar com o Matteo e ele me tirou do sério.

ㅡ eu não sei o que você fez pra ele cair na tua conversa. Meu irmão não era assim. Agora saí daqui seu viado, antes que eu chame os seguranças.

Meu sangue ferveu e a vontade que eu tinha, era de dar um soco na cara dele, mas eu não podia dar vexame dentro de um hospital.

Ele se levantou e tentou me intimidar, mas eu o encarei e só eu sei o quanto eu não queria fazer aquilo, mas não consegui.

ㅡ rsrs, me chama de viado e pensa que está me ofendendo? Sou viado, bicha, gay...e sou um homem que ama um igual, assim como você. ㅡ ele deu um passo para trás e estava nervoso.

ㅡ você é idiota, ou o quê? Eu não sou da sua laia! ㅡ ele disse puto da vida.

ㅡ você diz que não é da minha laia, mas passa suas horas livres em Eldorado com um rapaz mais novo que você. E nem vou julgar o fato dele ser mais novo, porque eu sou doze anos mais novo que teu irmão. Isso não é problema. A questão, é sua hipocriasia e o fato de tratar mal o Matteo por algo que você também faz. Eu te vi em Eldorado com um rapaz e não queria acreditar que era você, ali, com outro homem e saber que você estava humilhando seu irmão por ele estar comigo, era muito injusto. O que te faz pensar que você é melhor que ele? ㅡ ele se sentou e de certo modo estava surpreso com o que eu dissera.

ㅡ não sei do quê você está falando...

ㅡ você sabe, Roberto. ㅡ baixei meu tom de voz e ele me olhou de um jeito que me sentei ao seu lado.

ㅡ e você veio até aqui pra quê? Vai contar pra minha esposa que sou um mal caráter? Olha a situação em que eu estou...e se não bastasse, ainda carrego comigo a culpa de estar ao telefone com ELE quando meu filho sofreu o acidente. Pra piorar, a Mellinda está desconfiada que eu tenho uma amante... ㅡ ele estava desarmado e não tinha mais aquela raiva quando olhava pra mim. Aproveitei o momento pra conversar abertamente com ele.

ㅡ você não me conhece, nem se quer me deu essa chance. Eu não queria estar aqui agora te falando o quê eu sei sobre você, ainda mais com seu filho numa UTI, mas você precisa parar de agir como um moleque mimado. Me desculpa, mas não tem nenhum sentido tratar o Matteo dessa maneira. E outra coisa: eu nunca, jamais, contaria a sua esposa nada do que eu vi. Não sou esse tipo de pessoa e olha que você me fez passar muita raiva, mas é um problema seu, dela e não meu. Só que sua vida e atitudes estão respingando no cara que eu amo e vê-lo magoado por você, me afeta e muito. ㅡ ele ficou um tempo em silêncio e eu ia me levantar, mas me pediu pra ficar.

ㅡ espera! Eu amo minha esposa, mas não do jeito que ela merece. Tenho dois filhos com a Mellina e isso foi a parte boa do meu casamento. Ela é maravilhosa, sempre foi, mas nem de longe é a pessoa que sonhei pra mim. Senti raiva pelo Matteo estar vivendo uma vida que poderia ter sido minha. Meu relacionamento com o Patrick se arrasta há mais de cinco anos e sei que ele é paciente, mas até quando? Amo o cara, mas minha vida virou de cabeça pra baixo...talvez seja uma forma de Deus me punir pelos meus erros.

ㅡ Deus não é assim. Ele não puniria seu filho por sua causa. Foi um acidente, uma fatalidade e Roberto, não se culpe, não faça isso contigo.

ㅡ eu só quero que meu filho volte a andar de novo.

ㅡ ele vai...eu não sei porquê estou te falando isso, mas eu sinto que ele vai.

ㅡ obrigado! ㅡ ele me agradeceu e foi a deixa para mudarmos o rumo da conversa.

ㅡ isso é uma coisa que eu não estava esperando, rsrs.

ㅡ rsrs, nem eu, mas valeu. Agora me fala uma coisa, como que o Matteo se sentiu quando descobriu que gostava de você?

ㅡ bom, primeiro o fiz saber que gostava dele, ficamos amigos e quando ele se sentiu confuso, esfregou uma namorada na minha cara, a gente discutiu, me declarei, mandei a real pra ele e desliguei na cara dele. Aí ficamos uns três meses sem nos falar, ele viu que eu era o homem da vida dele, me mandou uma mensagem dizendo que foi um idiota e que também me amava...e eu corri até ele, sem hesitar, eu só fui e quando cheguei, me joguei em seus braços e foi a melhor decisão da minha vida. O resto você já sabe.

ㅡ caramba! Nem acreditei que ele estava contigo. Fiquei doido e ri muito quando me lembrei do meu pai. Por Deus, dois de seus quatro filhos gostam de rola. Ai senhor...me perdoa por dizer isso em sua casa. ㅡ ele disse olhando para Jesus pregado em uma cruz bem na nossa frente.

ㅡrsrs, acho que ele não ficaria muito feliz.

ㅡ meu pai foi o principal motivo de eu nunca ter coragem de assumir quem eu sou. Sei que não posso colocar toda a culpa nele, mas ele nunca foi um pai muito aberto a conversas sobre homossexualidade. Enfim, eu só quero que esse pesadelo acabe pra eu poder dar um rumo a minha vida. A Mellina merece alguém que a ame de verdade e eu mereço ser eu...

ㅡ tudo vai se acertar, você vai ver. Bom, eu vou ver o Matteo. Ele deve ter sacado que eu vim falar contigo e deve estar desesperado.

ㅡ Vinícius?

ㅡ diga.

ㅡ ele te olha com aqueles olhos de piedade e te faz fazer tudo pra ele?

ㅡ kkkkk, olha!

ㅡ filho da mãe...ele sempre fazia isso com a gente. Eu te pediria pra cuidar bem dele, mas ele não precisa dos cuidados de ninguém.

ㅡ não mesmo. Ele se vira muito bem e eu é quem precisa mais dele. Pode apostar. Vamos lá?

ㅡ vamos...

Voltamos para a sala de espera e vi o Claudio falando pro Matteo que o Roberto e eu estávamos chegando. Ele se levantou e quando cheguei perto dele, pedi que se sentasse. Segurei sua mão a beijando e escorei minha cabeça em seu ombro. Ele me perguntou se estava tudo bem e nessa hora o médico chegou dizendo que o filho do Roberto tinha acordado e que estava bem, mas que ainda não haviam feito nenhum teste pra saber como estavam seus movimemtos.

Chamei o Matteo para irmos a lanchonete do hospital e quando chegamos, puxei uma cadeira pra ele se sentar e com toda a curiosidade do mundo, me perguntou o quê eu fazia na capela com o irmão dele.

ㅡ resolvendo nossas tretas.

ㅡ rsrs, sério?

ㅡ séríssimo. Acho que está tudo bem agora.

ㅡ você não comentou aquele assunto com ele, comentou?

ㅡ comentei, mas só porque ele quis me ofender...

ㅡ porra, Vini...

ㅡ relaxa...nós discutimos, conversamos e rimos. Ele me agradeceu e tudo acabou bem...pelo menos entre a gente.

ㅡ ele não veio falar comigo...

ㅡ calma amor, o médico chegou bem na hora e eles foram ver o menino...da um tempo pra ele.

ㅡ tudo bem...está cansado? Eu estou. O Claudio disse que tem um hotel aqui perto. Ele nos ofereceu ficar em sua casa, mas quero estar sozinho contigo...

ㅡ vamos esperar seu irmão sair da UTI com a Mellina e vamos procurar um lugar pra você descansar esse seu corpo cansado.

ㅡ eu não gosto de hospitais, foi a ultima coisa que eu vi, antes de operar ㅡ paredes em tons pasteis e a equipe médica me pondo pra dormir.

ㅡ ei, não quero te ver pra baixo. Já ligou na prefeitura pra dizer o motivo de ter faltado?

ㅡ liguei. E você?

ㅡ ainda não. Vou aproveitar que a escola ainda não fechou e dizer que também não vou amanhã. Assim podemos chegar em casa e descansar.

ㅡ fiz o mesmo. Está pensando em pegar a estrada hoje a noite?

ㅡ não. Não vou aguentar. Ficamos no hotel e dependendo do que os médicos disserem, saímos amanhã bem cedo.

ㅡ você é quem manda, bonitão.

Vi o Roberto vindo e disse ao Matteo que os deixariam sozinhos para que se entendessem. Ele perguntou onde eu ia e disse que ficaria com o Claudio e a Mellina.

ㅡ tem muito enfermeiro por aí, fica por perto. ㅡ ele disse e começei a rir.

ㅡ ei, o ciumento aqui sou eu. E não se preocupe, te amo demais. Só tenho olhos pra você.

ㅡ eu sei, mas fica por perto amor.

ㅡ kkkkk, okay...vou ficar.

*

*

*

Nunca fui o tipo de cara ciumento. Esse papel eu deixo para o Vini e, sem sombra de dúvidas, ele faz isso isso bem. Só que não custa nada deixar ele saber que do meu jeito, eu estou de olho.

Ele se foi e ouvi passos firmes vindo em minha direção. A cadeira em minha frente se arrastou e de repente aquela voz rouca se dirigiu a mim.

ㅡ eu preciso que você me perdoe. ㅡ disse meu irmão realmente se sentindo culpado.

ㅡ eu não tenho o quê te perdoar, só quero que você saiba e entenda que estou do seu lado independente da decisão que tomar na sua vida daqui em diante. Só por favor, volte a ser o mesmo Roberto de sempre?

ㅡ rsrs, prometo. Eu te devo desculpas, Matteo. Fui um estúpido contigo e com seu marido. De certa forma, tive inveja da vida que sempre sonhei pra mim. Sei que estou sendo um grandessíssimo filho da puta com a Mellina, ela não merece isso, mas pretendo resolver minha situação com ela o mais rápido possível. Sei que não vai ser fácil para ambos, mas preciso ser honesto com ela.

ㅡ Beto, não tenho nada haver com a sua vida, mas faça o que seu coração mandar e se precisar de alguma coisa, eu estarei contigo. Não vai ser fácil pra Mellina te perdoar se decidir contar toda a verdade, sabe disso, não sabe?

ㅡ sei sim, talvez ela nunca mais olhe na minha cara, mas eu preciso me libertar dessa vida que nunca foi minha.

ㅡ eu fico feliz que esteja aqui, se abrindo comigo.

ㅡ seu marido é um cara insistente e de excelentes argumentos. Não tive escolha...

ㅡ rsrs, ele é osso duro de roer.

ㅡ e muito gato. Você tem ideia do quanto ele é bonito?

ㅡ kkkkk, tenho. Ele é bonito, carinhoso, sensível e ciumento. Pensa em um cara que te revira de cabeça pra baixo pra saber se você chegou do mesmo jeito que saiu? Esse cara é ele.

ㅡ kkkkk, engraçado te ouvir falando assim. Olha, eu não posso apagar as coisas que te falei, sei que fui um idiota contigo e com o Vini, mas quero deixar isso para trás e recomeçar.

ㅡ você me magoou demais e me disse coisas horríveis, mas nunca deixou de ser o irmão que eu amo. Depois que o Vini me contou que te viu em Eldorado, comecei a entender o porquê dessa sua raiva. No comesso fiquei com raiva dessa sua hipocrisia, mas lá no fundo...eu sabia que você nunca me odiou.

ㅡ eu nunca te odiei. Tenho vergonha de dizer que tinha inveja de vocês. Eu queria tua vida pra mim, Matteo e fiquei com raiva por eu estar preso nessa montanha russa que é minha vida. Eu te culpei por ser feliz com o cara que você ama e acabei despejando minha falta de coragem em nunca ter me assumido, em você. ㅡ ele segurou minha mão e aquela raiva que eu sentia, não existia mais.

Nos desculpamos e ele me pediu um abraço. Nunca vi meu irmão tão desarmado.

Voltamos para a sala de espera e o André tinha acabado de chegar. Perguntei onde o Vini estava e o Claudio disse que ele pediu pra me avisar que já voltava e que eu ficasse tranquilo, pois não estava com nenhum enfermeiro gato por aí.

Quase morri de vergonha e uns quinze minutos depois ele chegou. Perguntou se eu estava bem e para ser sincero, eu estava bem cansado e disse a ele que queria muito dar uma relaxada, nem se fosse em um banco de praça.

ㅡ eu disse a sua cunhada pra me ligar, quando o médico avaliar seu sobrinho e acho que a gente pode dar essa relaxada que você quer.

ㅡ jura? Aonde você foi?

ㅡ pagar um quarto de hotel bem confortável pra gente descansar. Já deixei tudo pronto pra gente e você vai gostar. Vamos?

ㅡ vamos. Obrigado.

ㅡ lá você me paga... ㅡ ele segurou minha mão e me levou até o hotel que ficava em frente ao hospital.

Quando chegamos ouvi barulho de água e era a cascata de uma piscina. Eu não sabia com ele iria pagar tudo aquilo, mas eu estava tão cansado que me joguei na cama de bruços só esperando ele tirar a minha roupa. Ele não demorou e senti suas mãos massageando meus ombros, costas, pernas e por último, minha bunda.

Fechei meus olhos e curti aquele momento que ele dedicava inteiramente a mim.

Foram minutos prazerosos e excitantes, que me entreguei de corpo e alma ao homem que me fazia cair aos seus pés, apenas por existir.

Ele me levou até a piscina e fui dele por não sei quanto tempo. Me deixei ser amado e penetrado por ele com a mesma intensidade e foi maravilhoso.

Ele me deitou na cama depois do nosso fazer amor e se jogou nos meus braços me envolvendo nos seus. Dormimos por horas e só acordei com o celular do Vini tocando e quando perguntei quem era, ele disse que não era para ninguém se preocupar, pois meu sobrinho ficaria bem.

ㅡ atende...quem é? Do que você esá falando?

ㅡ é a sua cunhada me ligando pra avisar que deu tudo certo na cirurgia e que o menino vai voltar a andar.

ㅡ cara, você está me assustando. Atende esse celular.

ㅡ se arruma e vamos pra lá.

ㅡ você sonhou com a sua mãe? ㅡ ele parecia meio distante, mas tinha certeza em suas palavras.

ㅡ sonhei! Ela quem me disse...caramba...minha cabeça está doendo.

ㅡ já estou pronto, vamos?

ㅡ vamos.

Eu estava confuso, com medo e feliz ao mesmo tempo. Ele sempre teve uma ligação muito forte com a mãe e jura de pés juntos que a Laura é a mãe dele reencarnada.

Ele se vestiu e fomos para o hospital. Assim que chegamos, ele disse que meus irmãos estavam reunidos e que minha cunhada conversava com o médico. Eu pedi aos céus por uma notícia boa e ouvi todos eles vindo em nossa direção.

*

*

*

Continua...

Disse que postaria a noite, mas não disse que horas...então...não me julguem! 😂 Obrigado pela leitura e paciência. Grande abraço! 😉✌

Comentários

Comente!

  • Desejo receber um e-mail quando um novo comentario for feito neste conto.
02/08/2018 12:34:43
Muito bom
31/05/2018 15:46:44
Desculpe a demora, vou postar amanhã a noite. 😉
31/05/2018 13:52:28
31/05/2018 13:52:27
Amei
29/05/2018 09:34:06
Saudades por favor volte.
28/05/2018 14:31:33
Volta logo síndrome de abstinência de ler esse maravilhoso conto.
13/05/2018 14:14:52
O Amoré tão forte e puro que nem o tempo é capaz de aplacar,as sensações extracorporais muitas vezes assustam,contudo que tem ciência delas pode fazer o bem.Adorando o conto,somente o perdão é capaz de fazer um coração bem.
13/05/2018 02:00:10
ACHO QUE VINI É MÉDIUM IGUAL FOI SUA MÃE. MARAVILHA DE CAPÍTULO. NA CATEGORIA VINI COLOCOU ROBERTO NO DEVIDO LUGAR. EU JÁ TERIA ESTOURADO E FEITO A MAIOR BAIXARIA DENTRO DA IGREJA MESMO OU DO HOSPITAL. RSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS DIRIA A TODOS O QUANTO ROBERTO É HIPÓCRITA, ALÉM DE GAY.
13/05/2018 01:42:31
Muito bom.