O Vestido

Um conto erótico de Alado Sonhador
Categoria: Heterossexual
Data: 08/05/2018 13:12:41
Nota -

O vestido

Um dia de outono, céu claro, poucas nuvens, começando a mudar de temperatura, dias mais curtos, anoitecendo antes das dezoito horas. Acordo embriagada de sono, despertada pelo alarme do celular são 06h30min da manhã. Olho na janela do quarto, um olhar distante, com que perdido num vazio, criando coragem para se levantar, pensando em tudo que tenho para fazer.

Olho para o lado e vejo o marido deitado, jogado na cama com um ar de satisfeito pela noite que ele teve comigo, mas eu não tive com ele. Isso mesmo. Ele me procura, vem com suas carícias que eu já conheço todas as etapas e quase dito para ele o que sempre faz, sempre, sempre, sempre da mesma forma. No entanto, eu... Posso dizer que simplesmente me chamo Clara.

Ele nunca foi muito empenhado em me presentear com o prazer que eu sei que posso ter. Quando chega com seu amigo pronto para me possuir eu sinto que está prestes a ejacular, pois pulsa de forma a quase explodir, dá-me um desanimo porque sei que a festa é o tempo de apenas uma música e não um repertório todo.

Somos casados há quinze anos. Ele um bom marido, bonito, 1,78m bem distribuído, não deixando nada a desejar, eu costumo definir como visivelmente completo. No inicio era muito bom, durava um pouco mais nossos momentos íntimos, a ponto de às vezes ousarmos um pouco mais. Por isso eu tive que me adaptar, preparando emocionalmente e sexualmente para contrair o prazer num tempo menor. Mas o tempo foi me mostrando que minha alimentação sexual era desprovida de mais nutrientes e, com isso, eu sofria aquilo que defino como uma anemia “ferro-priva” (rss).

Sou morena clara, 63kg, cabelos castanho claro abaixo do ombro, bumbum bem definido por atividades físicas frequentes, mas também favorecida pela genética, coxas mais grossinhas, seios médios, olhos castanhos. Amo me vestir e andar bem cheirosa.

Essa situação tem me deixado inquieta. Para ter uma ideia costumo levantar depois que ele dorme e me acariciar continuando o que ele interrompeu de forma egoísta. Tenho sonhado fazendo amor de verdade, ser totalmente explorada com um olhar de homem de verdade que me cobice ardentemente até a profundidade da alma. Quero ser descoberta em cada detalhe tendo o meu corpo percorrido pelo desejo de um homem que procure a fêmea que há em mim, como quem procura um tesouro valioso escondido, onde as pistas do mapa sejam meus suspiros e gemidos em cada ponto de minha sensibilidade libidinosa.

Nesta manhã de outono me levantei e fui como sempre ao banheiro para um bom banho. Naquela manhã havia uma inspiração no ar, sonhei que recebia um beijo intenso de um homem que eu não via seu rosto. Ele me abraçava, era mais alto do que eu e me acolhia em seus braços me fazendo se sentir protegida com um beijo estarrecedor, me sugando por completa somente com o beijo e ao mesmo tempo aflorando ainda mais a fêmea adormecida dentro de mim.

Acordei sem folego com a sensação de que o beijo era de verdade, por isso olhei para meu marido e pensei que algum milagre havia acontecido (rsss). Mas era sonho mesmo e não milagre.

Tomei meu banho sentindo uma lubrificação extra em meu sexo, mas não quis prosseguir no prazer. Escolhi um conjunto de lingerie branca, tanguinha bem cavada, sutiã bojo branco com pequenas rendas detalhando o bojo, calça jeans bem colada e uma blusa simples preta. Não queria evidenciar meu fogo naquela manhã.

Na hora do almoço fui ao shopping perto do meu trabalho e me encantei com alguns vestidos. Escolhi alguns e fui ao provador. Era uma loja maior onde os provadores são num grande corredor sendo separados homens e mulheres apenas pela direção, eles para um lado e nós para o outro.

Fui surpreendida por um homem alto, moreno, olhar forte, com mãos muito bonitas, voz máscula, cheiro gostoso que marcava sua presença. Ele já me observava desde o momento que entrei na loja, estava com sua esposa ajudando ela a escolher algumas roupas. Como eu estava aflorada pelo sonho, aqueles olhares me instigavam, ainda mais depois daquele sonho.

Ele me olhava discretamente, mas dava para perceber que havia fome dele por mim e, eu, consequentemente, me sentia apta para saciar aquela fome e, ao mesmo tempo, completar o que faltava dentro de mim.

Adentrei ao vestiário e pensando na loucura que pairava em meu ser. Um misto de loucura e razão, pois eu nunca havia sequer ventilado qualquer possibilidade de uma situação assim devido à educação e formação recebida de meus pais, principalmente minha mãe. Mas mesmo assim, vi o olhar dele mais ávido e dei um leve sorriso, demonstrando minha correspondência à situação.

Para minha surpresa, ao vestir um vestido leve de seda, preto, alcinhas, havia retirado o sutiã para me deixar mais familiarizada com a roupa, vejo a cortina sendo aberta bruscamente e aquele homem ocupando o pequeno espaço do provador junto comigo. Antes de qualquer reação sonora de minha parte ele já me calou com um beijo ardente, semelhante ao beijo do sonho, parecia não ter fim, ambos ofegantes pelo perigo, ele me disse: Não diga palavra alguma, simplesmente nos entreguemos a esse sentimento indescritível à primeira vista. Você me fez me sentir homem de novo! Aquilo era tudo o que eu precisava ouvir. Cada palavra veio carregada de uma corrente elétrica que invadiu meu ser gerando um curto em minha razão que, dali por diante, deixei meu corpo falar.

Ele soltou as alças do vestido que eu experimentava e ele caiu como uma folha devido a leveza, meus mamilos ouriçados sentiam o deslizar da seda que milimetricamente percorreu como uma eternidade. Os olhos daquele homem me contemplavam e ao mesmo tempo me devorava por inteira, ficando somente minha tanguinha branca, de cós baixinho que mal tapava minha vulva, que naquele momento parecia um vulcão em erupção, já encharcada pelo desejo ardente.

Ele desceu beijando meu corpo carinhosamente, arrancando todos os suspiros e gemidos possíveis, porém num volume quase imperceptível devido ao perigo. Quando ele chegou nela, passou seus lábios levemente por cima e inspirou meu cheiro que me fez voar como uma águia em liberdade.

Afastou delicadamente a calcinha e colocou sua boca que tinha o tamanho certo e exatidão do prazer, me fazendo em poucos instantes começar a ter espasmos e contrações em meu ventre, proporcionando uma sucessão de orgasmos incontidos até ele sentir meu mel em seus lábios.

Subiu em direção a minha boca, abriu seu zíper e colocou seu instrumento para fora. Mal deu para eu ver, pois imediatamente ele foi conduzido ao meu interior, me preenchendo totalmente, tendo o impulso de erguer uma de minhas pernas e me esvair ao êxtase. Em poucos minutos veio o triunfo dele e meu terceiro, retribui o beijo para silenciar nosso gemido o máximo que pude.

O abracei como se fosse um porto seguro, como se estivesse ali me sentindo plenamente realizada e protegida por um homem e macho que soube me reger como uma orquestra sinfônica.

Beijamos-nos mais uma vez e ele discretamente saiu do provador. O cheiro de nossos perfumes acrescido do amor vivenciado ficou como um efeito alucinógeno no ar. Me recompus e não experimentei mais nenhum vestido, pois aquele me marcou profundamente.

Saí do provador com um sorriso que procedia da alma e a vendedora discretamente pergunta se algo aconteceu, eu respondi calmamente que estava tudo bem, ou melhor, estava tudo MUITO bem – Quero este vestido!

Olhei na loja para ver se o encontrava ali ainda, mas já havia saído.

Ao chegar em minha casa no final do expediente, abri o vestido sobre a cama e fiquei extasiada olhando aquela roupa, sentindo cada detalhe daquele momento novamente e pensando comigo mesma: Eu sou louca.

Amei o vestido!

by Alado Sonhador

Comentários

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09/05/2018 09:58:07
Uau!um conto em estilo clássico,com narrativa precisa e expressando apenas o essencial num ritmo preciso. Acertou em cheio