Escrito em Azul - Capítulo 29

Um conto erótico de Gatinha 007
Categoria: Homossexual
Data: 10/04/2018 23:56:02
Nota -

Capitulo 29

(O crime do colarinho branco)

Anna-Lú entrou na Agência disposta a conversar com Carolina e resolver aquela situação, “uma noite, uma única noite” pensava, e já estava a morrer de saudades. Estava louca para vê-la. Sentir seu perfume que a embriagava e lhe tornava uma presa fácil de seus desejos, qualquer que fossem eles. Ao entrar em sua sala decepcionou-se, Carolina não se encontrava mais ali, também pudera já que chegara tarde, não que tivesse horário a cumprir, mas acostumou-se a acompanhar Carolina que sempre madrugava, na opinião de Anna-Lú. Deixou seu corpo cair sobre sua cadeira, sentia-se novamente triste, ficou ali por longos minutos encarando o lugar, agora vazio e que era por direito de Carolina. Suspirava tentando entender a si mesmo e todo esse bolo que se formava em seu estômago todas as vezes que a simples lembrança da frase dita por Henning, no dia anterior, surgia em sua mente.

Anna-Lú não suportava sentir-se vulnerável e era exatamente assim que se sentia “Marina tem razão” pensava, “apaixonar-se não era pra ser ruim”, mas tudo o que conseguia sentir-se era exatamente assim, ruim. “Tão fraca, quanto tola”, a segunda vez que se deixava apaixonar e estava ali se lamentando e sem saber lidar com tudo o que estava sentindo. Sua única certeza era de que toda aquela agonia que tomava conta de cada célula de seu corpo somente se extinguiria quando tivesse Carolina em seus braços novamente, tinha plena consciência disso, e não poderia mais fugir de seus sentimentos, era tarde demais. E isso é o que mais a amedrontava, se Carolina decidisse romper seria um golpe e tanto em seu coração. Ainda pensou sobre isso por um tempo e a manhã já ia à meio, resolveu então trabalhar, sempre fora a melhor forma de preencher seus pensamentos.

Naquela manhã não houve oportunidade de estar com Carolina e isso estava angustiando Anna-Lú, porém na parte da tarde não haveria escapatória. Carolina teria que comparecer a reunião de pré-produção com a equipe que trabalhava nos comerciais de televisão. Era um grande contrato e o cliente exigira algo diferente de uma praia, além disto, estavam entre as exigências que Anna-Lú ou Carolina acompanhassem pessoalmente as gravações. A equipe de criação já havia proposto um excelente conceito para os produtos que eram de uma importante grife de moda praia, o qual Anna-Lú e Carolina haviam aprovado de forma unânime, o conceito ia direto ao ponto, mas estrategicamente precisava ser produzido com excelência para passar a ideia de maneira convincente e encontrar boa repercussão diante do publico alvo de seu cliente. Isso significava também decidir as locações para a gravação do comercial.

Ao chegar a tarde Anna-Lú podia notar o quanto estava ansiosa, foi a primeira a chegar à sala de reuniões, caminhou até a vidraça e se pôs a mirar a vista, alguns minutos mais tarde ouviu o ruído da porta ao abrir-se, não fora preciso virar-se para saber quem havia adentrado, pois o perfume que se propagou era inconfundível, fechou os olhos inspirando profundamente e sentindo o coração retumbar em alegria. Virou-se e com um enorme sorriso pode comtemplar a dona de seus pensamentos. Carolina entrou e não pôde evitar que seu coração desleal tamborilasse de forma frenética ao notar a presença de Anna-Lú, seus sentimentos traíram-na de forma vergonhosa ao perceber o sorriso encantador que Anna-Lú lhe presenteava. Por alguns segundos teve uma comichão a arrepiar o corpo e sentiu uma enorme vontade de retribuir o sorriso, mas logo este anseio foi expulso pela imagem da mulher no apartamento de Anna-Lú fazendo com que Carolina sentisse raiva daquela cena e principalmente de Anna-Lú, por tê-la trocado tão rapidamente.

O sorriso que teimava querer preencher seus lábios morreu antes mesmo de aparecer, desviou do olhar que parecia lhe invadir a alma e sentou-se em um lugar diferente do que lhe era costumeiro, pois temia a reação de seu corpo estando perto de Anna-Lú. E isso não era bom, ao menos pensando racionalmente. Sentiu que era acompanhada pelo olhar da outra, porém não ousou encará-la novamente. Anna-Lú sentiu uma leve pontada em seu peito quando viu que Carolina a ignorou, mas não desistiria tão fácil, decidiu aproximar-se e tentar algum diálogo.

— Oi Carolina, boa tarde! — Disse com calma.

— Boa tarde! — Respondeu seca.

— Acho que precisamos conversar — Anna-Lú tentou com receio. Carol inspirou profundamente antes de responder.

— Não acho que seja o melhor momento para isso Garcia! — respondeu sem nem olhar. Anna-Lú preparava-se para responder, mas foi interrompida pelo restante da equipe que acabava de chegar para a reunião. Então apenas assentiu com um acenar de cabeça. Sentia uma fisgada no peito pela forma tão dura e seca com qual Carol se referiu a ela e caminhou até seu assento no topo da mesa de reuniões, mesmo triste com as atitudes de Carolina decidiu que o melhor era focar na reunião, pois tinha plena consciência de que, para se impetrar sucesso em propaganda era necessário um bom planejamento e este era o objetivo daquela reunião. Carolina pôde vislumbrar de relance a tristeza que se apoderou dos olhos castanhos, mas nem isso a fez esquecer a suposta traição de Anna-Lú, seu ciúmes falava muito mais alto.

A reunião começou e o melhor produtor de TV da Agência, Roberto Luppe um grande amigo de Anna-Lú, foi o escolhido para este trabalho. O que Anna-Lú mais admirava no amigo é que ele jamais a decepcionara em termos profissionais e desta vez não foi diferente. Desde que haviam se falado por telefone, não houve necessidade de outros encontros, Anna-Lú apenas reuniu todo o conceito já criado e aprovado para os anúncios impressos mais a secundagem e as principais informações dos produtos, bem como as exigências feitas pelo cliente e os enviou para ele. Roberto tomou a palavra e explicou com detalhes todo o storyboard criado junto com o roteirista, que poderia ser adaptado para qualquer cenário. Todos os presentes concordaram com o storyboard retratado e aplaudiram a apresentação, no entanto, o tipo de comercial exigia um espaço muito amplo para as cenas, neste caso o set de filmagem seria a melhor opção, todavia não daria tanto realismo, então poderiam optar por uma locação, mas aí entrariam o aumento nos custos, logo estavam diante de um impasse até que Caio teve uma brilhante ideia.

— Se me permitem tenho uma sugestão. — Anna-Lú assentiu e Caio prosseguiu — O nosso Produtor de Locação falou sobre um hotel fazenda, certo? Então, eu imagino que seria menos dispendioso se usássemos a Fazenda Valdez! Acredito que o Dr. Eduardo não irá impedir. — Disse calmamente e todos pareceram receber bem a ideia.

Carolina ponderou a ideia ao lado do Produtor de Locação, olhavam algumas planilhas enquanto os outros tratavam entre si sobre esta possibilidade. De onde estava Anna-Lú tinha a mais perfeita visão que poderia ter. Era incrível admitir. Mas, era muito mais impossível não notar o quanto Carolina ficava linda, toda concentrada. Furtivamente a analisava com certa adoração, o coração batia de forma descompassada, enquanto Carol gesticulava de forma delicada erguendo a caneta a fim de fazer algum apontamento nos papeis a sua frente. Os lábios mexiam-se deliciosamente na percepção de Anna-Lú. Que saudade dessa boca, pensava salivando de desejo por aquela mulher. A roupa, totalmente social transmitia sensualidade, elegância e classe. Na verdade absurdamente sexy na percepção de Anna-Lú, o que distinguia as belas formas de Carol. E o decote leve formado pela abertura de alguns botões da camisa social com toda certeza valoriza os seios bem formados. Os cabelos, geralmente presos em um coque, hoje caiam em ondas emoldurando perfeitamente a face de expressão decidida e forte, e o olhar. Ah! O olhar que tirava Anna-Lú de órbita, o azul mais intenso e belo que já vira em toda a sua vida. Tão linda, suspirou ela.

— Limpa a baba e tenta ao menos disfarçar a cara de boboca apaixonada oras — debochou Caio sussurrando no ouvido de Anna-Lú, que se conteve para não revirar os olhos.

— Que engraçado — Anna-Lú sussurrou de volta com um sorrisinho falso.

— Ué! Só estou tentando ajudar. Como sempre não é meu amor? — Caio rebateu dando uma piscadela. Anna-Lú preparava-se para responder, mas foi interrompida por Carolina que chamava pela atenção de todos.

Carolina tomou a palavra explicando que após a análise feita por ela e pelo Produtor de Locação chegaram à conclusão que ao escolher a fazenda eles teriam um melhor custo-benefício para a produção do comercial. Anna-Lú então assentiu e continuou a reunião repartindo tarefas para a Direção de Arte e a Direção de Fotografia. Terminaram a reunião decidindo o casting / elenco da propaganda, e o figurino a ser usado. Após o término Roberto e Anna-Lú ainda ficaram mais alguns minutos conversando, não houve oportunidade de falar com Carolina novamente, Anna-Lú apenas a observou de soslaio quando esta se retirava.

Carolina soltou uma grande lufada de ar ao entrar na sala da presidência, sem rodear depositou seus pertences sobre a mesa, prendeu os cabelos em um coque mal feito e, alargou a gola de sua camisa como se aquilo a estivesse sufocando. Apoiou-se com as duas mãos espalmadas no tampo espelhado. Era tão difícil estar perto de Anna-Lú e não poder sequer encará-la, pois se o fizesse fraquejaria, suas mãos ainda suavam como consequência das sensações que seu corpo experimentava somente ao ouvir a voz rouca e sedutora de sua namorada. Minha namorada, suspirou e riu-se de seu pensamento. Estava tão presa em suas divagações que não percebeu quando a porta fora aberta, sobressaltou-se quando dois braços cercaram sua cintura e arrepiou-se inteira quando os lábios já tão conhecidos mergulharam na curva de seu pescoço.

Após terminar sua conversa com Roberto Anna-Lú chamou Caio, que conversava em um canto com Miguel, e disse que iria ter uma conversa com Carolina na sala da presidência e pediu-lhe que ninguém a interrompesse. Respirou fundo antes de abrir a porta vagarosamente, não queria que Carol a ignorasse. Ao entrar viu Carolina de costas apoiada na mesa, sorriu inspirando o cheiro do perfume que tanto gostava e mordiscou o lábio inferior, a saudade que sentia do corpo de Carol era absurda e sem pensar não resistiu, caminhou até ela e sem aviso enlaçou sua cintura a abraçando por trás colando o corpo no dela e já afundando seus lábios na curva entre o ombro e o pescoço. Carolina não a impediu e Anna-Lú não parou, continuou sua exploração por toda a extensão do pescoço de Carol mordiscando a pele prazerosamente. A carícia tão delicada e ao mesmo tempo tão quente fez o corpo de Carolina estremecer soltando um pequeno gemido. Anna-Lú sentiu sua calcinha molhar ao ouvir Carol. Suas mãos subiram até alcançar a pele exposta, as mãos desceram novamente acompanhando o contorno do pequeno decote, e encontraram os botões da camisa social que ainda impediam um maior contato, abriu-os um após o outro sem parar com os beijos. Virou-a para si e se encararam ficando frente a frente, os olhos duelaram por alguns segundos antes de Anna-Lú segurá-la pela nuca e Carol entregar-se arqueando as costas e expondo-se ainda mais a Anna-Lú. Não havia necessidade de palavras, pois os corpos conversavam entre si.

— Carolina — murmurou, dando uma leve mordida no lóbulo de sua orelha. — Senti sua falta — sussurrou com voz entrecortada pela respiração ofegante.

Também senti a sua, Carol pensou em dizer, mas ao se aproximar para beijar o pescoço de Anna-Lú encontrou uma mancha de batom vermelho em seu colarinho, então a consciência retornou imediatamente libertando Carol daquele êxtase que a submergia todas as vezes que estava nos braços de Anna-Lú, sentiu a raiva subir-lhe as entranhas logo que as lembranças da mulher no apartamento de Anna-Lú voltaram a sua mente. Foi impossível não ligar uma coisa à outra, desvencilhou-se empurrando Anna-Lú para longe, começou a abotoar a camisa enquanto Anna-Lú a olhava sem entender nada.

— O que houve Carolina? — perguntou atordoada.

— Mas é muita cara de pau mesmo! Ainda pergunta o que foi! — respondeu indignada.

— Cara de pau? Como assim? Do que estás falando Carolina? — perguntava abrindo os braços enquanto observava Carol ajeitar suas roupas.

— Estou falando da sua cara de pau, sua cafajeste — xingou.

— O quê?! O que eu fiz? Nós estávamos nos entendendo tão bem minha gostosa — tentou se reaproximar com um sorriso sedutor, o que deixou Carol ainda mais furiosa a afastando novamente.

—Achas mesmo que todos os nossos problemas se resolveriam com uma transa? — era uma pergunta retórica — Você é tão cafajeste Garcia que nem ao menos deixou nossa cama esfriar e já enfiou um rabo de saia nela. E não tente negar, eu vi aquela mulher quase...quase nua no teu apartamento e como se não bastasse você nem sequer se dá ao trabalho de tentar disfarçar, olha essa mancha de batom na tua camisa. Da próxima vez toma mais cuidado — Carol falou com sarcasmo.

— O quê?! — Anna-Lú correu até a vidraça e pôde contemplar a pequena mancha em sua gola e voltou-se para Carol — Eu juro que não é nada do que parece Carolina! — tentava se explicar, mas escolheu as piores palavras que poderiam ser ditas e foi cortada por Carol.

— Sínica! — gritou. — Nem se dê o trabalho de tentar explicar, eu já entendi tudo — falou passando as mãos pelos cabelos nervosamente.

— Mas, meu amor não aconteceu nada — falou segurando nos ombros de Carol que a repeliu imediatamente.

— Não me toque — falou dura. — Eu não quero ouvir mais nada e não me siga — concluiu pegando a bolsa e partiu.

Continua....

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