AMOR DE PESO - 2X03 - PARINTINS, A TERRA DA MAGIA

Um conto erótico de Escrevo Amor
Categoria: Homossexual
Data: 25/03/2018 00:16:44
Nota 10.00

Pai e mãe,

Dormir em rede é uma relação de amor e ódio. Ainda bem que no rio faz bastante vento. Vocês adorariam passear pelos rios da Amazônia.

Acordei ainda na madrugada e fui ao banheiro fazer xixi. Nossa, tive que desviar de todas as redes, não queria acordar ninguém. Fiz o meu serviço, e voltei para a minha cama, ou melhor, rede. Acordei com um toque no meu rosto, era o Zedu. Ele havia acordado cedo, e me chamou quando o café da manhã saiu. Fiquei deitado alguns minutos, e acabei criando coragem.

Ramona: - Bom dia.

Yuri: (levantando da rede) – Bom dia.

Ramona: - Nossa, não dormiu bem?

Yuri: - Não. Ainda não me acostumei.

Giovanna: (aparecendo com o cabelo todo bagunçado)

Zedu: - O que aconteceu?

Giovanna: - Aparentemente, a água do Rio Negro não curte o meu cabelo. Vou fazer chapinha.

Richard era loiro, olhos verdes e com maças do rosto rosadas, meu irmão era um garoto muito bonito e faria sucesso quando crescesse, mas seu comportamento era completamente diferente. Ele levou um sermão de duas horas, eu disse, duas horas da tia Olívia. Ela estava cuidando do Richard com olhos de água. A gente até cogitou amarrar o meu irmão na cadeira. Por sorte, Carlos não deixou, odeio pessoas sensatas. Meu irmãozinho ficava muito impaciente quando era proibido de fazer alguma coisa.

Richard: - Vai demorar muito?

Carlos: - Um pouco. Você mudou a rota do barco.

Richard: - Será que a Serafina tá bem?

Carlos: - Onde você arrumou aquela cobra?

Richard: (rindo) – Você tem medo de cobra, né?

Carlos: - Garoto. Você é estranho. Já terminou o teu café?

Richard: - Sim. (saindo da cadeira e indo até a rede) – Tia.

Olivia: - (olhando alguns papéis) – Oi?

Richard: - Podemos adotar um boi?

Olivia: - Como é?

Richard: - Vi que a festa de Parintins é simbolizada por dois bois. Eu quero um.

Olivia: - Claro que não. Vai brincar. Ah, e sem acolher animais peçonhentos, mudar nossa rota ou colocar fogo no barco.

Richard: (saindo)

Giovanna: - Essa cidade não chega mais? Meu repelente está acabando e…

Yuri: - Para de reclamar. A tia já está estressada.

Giovanna: - Não tenho culpa. Não queria estar aqui. Sou tão vitima quanto ela. Deixa eu dar um jeito nesse cabelo. (saindo)

Zedu: - A rainha do drama atacou de novo?

Yuri: - Sempre.

Zedu: - O pessoal está falando que vamos chegar em duas horas.

Yuri: - Graças a Deus. Adorei viajar de barco, mas dois dias são demais.

Juarez: - Bom dia, crianças.

(ninguém dando bola para Juarez que ficou vermelho de raiva)

Juarez: - Bom dia!

Yuri: - Ah, bom dia.

Zedu: - Bom dia cara.

Ramona, Brutus e Letícia: - Bom dia.

Juarez: - Que alegria, hein?

Letícia: - Ficar tanto tempo em um barco não é de Deus.

Juarez: - Pensei que vocês fossem acostumados?

Ramona: - Como assim?

Juarez: - Vocês não são acostumados a pegar carona em barcos? (saindo sem dar tchau)

Brutus: - Não gostei dele.

Ramona: - Hum. Eu nem ligo, depois dessa viagem a gente nunca mais vai ver a face dele.

Letícia: - Face?

Decidi deitar na rede e ouvir música, o Zedu chegou um tempo depois e deitou comigo, nos olhamos e rimos, sem motivo aparente. Era aquilo que eu amava nele, a gente se entendia, até por demais. Fiquei fazendo carinho no cabelo dele. Ele pegou o lado esquerdo do fone e colocou no ouvido. A música que estava tocando era uma das minhas favoritas “Don't Look Back In Anger', do Oasis.

Zedu: - Você já ouviu essa música quantas vezes?

Yuri: - É um clássico do rock, Zedu. Precisa ser ouvido quantas vezes for necessário. Não se pode medir uma música dessa...

Zedu: - Só tenho uma dúvida?

Yuri: - Qual?

Zedu: - Quem é essa tal de Sally. (rindo)

Yuri: (beijando Zedu)

Então Sally pode esperar

Ela sabe que é tarde demais

Enquanto ela está caminhando por aí

A minha alma desliza

Mas não olhe para trás com rancor!

Não olhe para trás com rancor!

Ouvi você dizer”, Oasis

Finalmente, o barco chegou em Parintins, fiquei surpreso com a movimentação em frente a cidade. Saltaram até fogos de artifício quando o barco chegou. A Giovanna se sentiu uma celebridade, isso foi o que ela disse depois. A minha tia avisou a todos que ventiladores seriam instalados no barco, afinal, a gente dormiria lá. Um guarda também faria a segurança, e só quem tivesse a pulseira poderia entrar. O porto era uma bagunça, gente para todos os lados. Vários barcos ficaram na mesma situação que a nossa, eu realmente gostaria de ir para um hotel, mas a titia queria mostrar apoio ao grupo de dança.

Olivia: - Então, essas são as regras. Meninos da dança, acho que vocês vão ficar aqui também.

Juarez: - Eu vou dormir na casa de uns parentes. Vejo vocês depois. (saindo)

Ramona: - Não consigo engolir esse menino.

Letícia: - Deixa ele. Vamos explorar a cidade.

Mundico: - Vocês querem que eu seja o guia de vocês?

Yuri: - Claro. Pode sim.

Mundico: - Vou só calçar meu tênis. (saindo)

Yuri: - Tia Olívia. Nós vamos explorar a cidade.

Olivia: - Tomem cuidado. E lembrem do caminho do Porto. Ah, e levem seus irmãos.

Yuri: - Tia, mas…

Olivia: - Nada demais. Leve eles.

Zedu: (rindo da situação)

Yuri: - Não ri.

Brutus: - Estou pronto. Vamos?

Yuri: - Estamos esperando o Mundico. Ele conhece a cidade.

Zedu: - Tudo é o Mundico. (resmungando)

Brutus: - Tá com ciúmes? (rindo de Zedu)

Zedu: - Ciúmes? Eu? Jamais.

Mundico: (chegando sem avisar) - Vamos?

Mundico realmente conhecia a cidade. Registrei todo o passeio, nunca tirei tantas fotos bonitas, a cidade era pequena, mas tinha um grande charme. Decidimos almoçar no Centro da cidade, nem preciso dizer que a comida estava deliciosa. Entramos numa rua, onde tudo era azul. O Mundico explicou que a cidade era dívida entre Garantido, o boi vermelho, e Caprichoso, o boi azul.

Yuri: - Então, essa parte da cidade é toda azul?

Giovanna: - Eu não moraria aqui. O azul não me cai bem.

Zedu: - Estamos perto da Escolinha do Caprichoso, né?

Richard: - O Boi tem uma escola?

Mundico: - Escolinha do Caprichoso é um lugar onde a diretoria do Caprichoso ensina arte para as crianças.

Yuri: - Entendi.

Ramona: - Será que podemos ir lá?

Mundico: - Bem, eu já dancei no Caprichoso, conheço uma das instrutoras da escola. Vocês querem ir lá?

Letícia: - Eu gostaria.

Brutus: - Eu tô dentro.

Escola de Arte Irmão Miguel de Pascale, esse era o nome oficial da Escolhinha do Caprichoso. A gente chegou e foi bem recebido, o Mundico fazia parte do corpo de dança do Boi Caprichoso. Ficamos encantados com o espaço, e chegamos na hora em que os itens mirins iam fazer uma apresentação.

Giovanna: - Acho que já podemos ir, né? Não quero ver…

A apresentação começou, e a minha irmã ficou completamente apaixonada, principalmente pela sinhazinha mirim. Era uma menina da idade dela que dançava. Era realmente muito bonito ver aquelas crianças se apresentando. Uma moça veio falar conosco, e perguntou se a gente queria fazer parte da apresentação.

Hélida: - Mundico. Tudo bem? São seus amigos.

Mundico: - Sim. Eles são de Manaus.

Hélida: - Hum. Estão gostando da cidade?

Todos: - Sim!

Hélida: - Que ótimo. Gente, eu vi vocês e queria fazer uma proposta….

Zedu: - Qual?

Hélida: - Estamos precisando de pessoas para compor uma das alegorias. Será que vocês gostariam de participar?

Ramona: - Claro.

Brutus: - Nem precisa perguntar duas vezes.

Letícia: - Sim.

Zedu: - Eu quero.

Giovanna: - Sim. Vou brilhar!

Yuri: - Eu não sei… acho que não.

(Todos olham para o Yuri)

Yuri: - Mas se vocês quiserem não tem problema. Eu só não gosto. (rindo sem graça)

Hélida: (entregando um crachá para todos) – Bem. Esse crachá dá acesso ao bumbódromo. Vocês precisam estar lá, amanhã, às 18h em ponto. (entregando um cartão para Zedu) – Me mandem um whatsapp.

Zedu: (olhando o cartão) – Obrigado.

Hélida: - Eu que agradeço. Com licença. (saindo)

A gente. Saindo em uma alegoria do Festival de Parintins? Meu Deus. E agora? O que vou fazer? O Zedu notou a minha preocupação, enquanto voltávamos para o barco, ele pegou no meu ombro, e disse algo que quase faz eu me derreter.

Zedu: - Você está bem, bebê?

Yuri: (ficando vermelho e soltando um riso sem graça) – Eu tô.

Zedu: - Não parece. Tem algo te preocupando?

Yuri: - Não. Está tudo bem. De verdade.

Zedu: - Eu não vou cansar de dizer como tú é lindo, você mudou tanto a minha vida, e pra melhor, claro. Não deveria se preocupar com a opinião dos outros. Você deve se divertir.

Yuri: - Obrigado. (abraçando Zedu)

Naquela noite não parava de pensar no convite de Hélida. Até a minha tia achou bacana a ideia e deu permissão para os meus amigos. Que droga, hein. A gente não podia só assistir ao festival? No dia seguinte, acordei com os gritos de algumas dançarinas, levantei assustado e todos corriam dentro do barco. As malas espalhadas pela embarcação me deixou assustado, comecei a andar e esbarrei com uma dançarina, ela parecia ter sido atacada por algum tipo de animal.

Yuri: (segurando uma garota) – O que aconteceu?

Garota: - O diabo. Ele tá solto no barco. (desmaiando)

Yuri: - Deus. Que diabo. (deixando a menina no chão)

Encontrei minhas amigas em cima das mesas do barco, e o Brutus e Zedu, correndo atrás de alguns bichos. Eles estavam tendo dificuldades, a cena era engraçada e confusa ao mesmo tempo. O animal era feio, parecia um rato careca e muito grande, meu coração disparou na hora. Zedu conseguiu chutar um que caiu fora do barco na água. Brutus não teve muita sorte, o animal, subiu nele e no desespero, o meu amigo, pegou o animal pela cauda e o jogou longe.

Ramona: - Yuri. Cuidado. Eles estão soltos.

Yuri: - Quem?

Mucura: (passa entre as pernas de Yuri)

Yuri: - Ahhh!

Giovanna: (passa correndo com uma mucura na cabeça) – O cabelo não, o cabelo não! (caindo do barco, dentro d'água)

Yuri: - Giovanna. (correndo e pulando na água)

A água estava quente, uma mucura passou nadando do meu lado, eu gelei na hora, imaginei os outros animais que podiam estar ali. A Giovanna se segurava em uma boia do barco. Ajudei a minha irmã, e subi novamente no barco. A minha tia chegou e não entendeu a movimentação. Todo mundo começou a falar junto, e quase ficou impossível de entender o que realmente havia acontecido no barco.

Olivia: - Calma. Um por vez.

Ramona: - O grupo de dança saiu cedo para o ensaio, tipo, muito cedo. E depois algumas meninas voltaram para tomar banho, e abriram a porta do banheiro… e...e.. várias mucuras saíram correndo e começaram a nos atacar.

Olivia: - E você não ouviu nada? (olhando para Yuri)

Giovanna: (enxugando os cabelos) – Esse aí não houve nem um terremoto quando está dormindo.

Yuri: - Te salvei, sua má agradecida.

Zedu: - Achei melhor não acordá-lo. Ele odeia qualquer tipo de animal.

Giovanna: - Ah, claro. Enquanto eu sou atacada. Olha, titia… (fingindo um choro que nem ela mesmo acreditou) – Meu cabelinho. Tá acabado.

(todos riem discretamente)

Richard: (tentando sair da área, e Olivia, o pega pela orelha)

Olivia: - Venha cá. Onde você estava de manhã cedo?

Richard: - Dormindo. Eu juro. (fazendo uma careta engraçada)

Olivia: - Richard. Não faz eu ficar zangada.

Richard: - Elas estavam perdidas titia. Eu precisava ajudá-las.

Olivia: - Meu amor, as mucuras são perigosas. Elas podem passar doenças.

Richard: - Elas são fofinhas titia. (tirando uma mucura pequena do bolso)

Olivia: (se espanta com o animal)

Mucura: (olha para Giovanna e a ataca)

Giovanna: (sai correndo de um lado para o outro) – No cabelo não!!!!!

Aquele inicio de manhã foi agitado. Demos mais uma volta pela cidade, o lugar estava completamente lotado. Eram pessoas de todas as nacionalidades. Ouvi pessoas falando em português, espanhol, inglês, e até japonês. Fomos assistir ao ensaio do grupo de dança, eles levavam a sério, graças a Deus, que o enjoado do Juarez parecia muito ocupado para jogar alguma indireta.

Ramona: - Quer dizer que você dançava assim, era? (pegando no ombro de Zedu)

Brutus: - Com direito a sunguinha e penugem?

Zedu: - Não enche. (rindo)

Euclides: - José Eduardo? Não acredito.

Zedu: - Seu Euclides. (levantando e abraçando o homem) – Quanto tempo.

Euclides: - Eu que o diga. Você sumiu rapaz. Tinha um futuro tão promissor.

Zedu: - Muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Tive que fazer escolhas.

Euclides: - Sei bem como. (olhando em volta) – São seus amigos?

Zedu: - Sim. (apontando) – Esses são Brutus, Letícia, Ramona e Yuri.

Todos: (acenando)

Euclides: - Saibam que o amigo de vocês foi um grande dançarino de boi.

Yuri: - Olha só. Um dançarino reconhecido.

Zedu: - Não é para tanto.

Euclides: - Eu soube o que aconteceu com você. O jacaré comeu seu pé. (rindo)

Zedu: - Sim. Eu me perdi na floresta. Mas tudo acabou bem. Fiquei apenas com um arranhão no pé.

Euclides: - Fico feliz.

Verdade. A recuperação do Zedu foi muito rápida, e os médicos fizeram um ótimo trabalho. Quase não dá para ver a cicatriz, ficou parecendo um arranhão. Euclides falava com muita empolgação do Zedu dançarino, chegava até a ser engraçado. Ele pegou o celular e começou a mostrar várias fotos do meu namorado. O meu namorado, de sunguinha e cocar na cabeça, uau. Olhei para ele que ficou vermelho de tanta vergonha. Imagina quantas pessoas não desejavam estar no meu lugar?

Yuri: - Você tá lindo nessa foto.

Zedu: - Para.

Brutus: - Ah, é assim que você fica de sunguinha e penugem. (rindo)

Letícia: - Zedu. Parabéns. (batendo palmas lentamente) – Que corpo meu amigo.

Ramona: - Não ri muito, Brutus. Você vai ficar assim no dia do festival.

Brutus: - Mas eu sou mais bonito que o Zedu, então… estarei à vontade. (passando a mão na cabeça)

Euclides: - Beleza não é tudo. É preciso ter talento. E o José Eduardo é mais bonito que você.

Yuri: - Nisso eu tenho que concordar.

Brutus: - O que é isso? É o Clube do Zedu? Até onde sei, não me inscrevi para nada. (parecendo emburrado)

O Richard estava de castigo absoluto. A minha tia o deixou deitado em uma rede, ele só poderia sair dali se fosse uma emergência. O meu irmão ficou olhando para o teto, bufando. Ele começa a ouvir umas crianças brincando no barco ao lado. Richard levantou e observou a brincadeira durante alguns minutos. Uma das crianças, a pequena Alana tinha uma personalidade parecida com a do meu irmão. Eles se deram bem logo de cara.

Alana: - Ei, garoto. Vem brincar. (olhando para o Richard)

Richard: - Não posso.

Alana: - Porque?

Richard: - Enchi o barco de Mucura. Estou de castigo.

Alana: - Puxa. Tudo bem. (pulando na água e nadando)

Richard: - Droga.

Eu e Zedu conseguimos escapar dos nossos amigos e seguimos para um restaurante. A gente pediu a comida e ficamos imitando alguns personagens que gostamos. Estar com o Zedu era maravilhoso, ele me entendia, sabia todos os meus gostos. Apesar de fingir, eu queria realmente que ele me pedisse em namoro.

Zedu: - Você está distante.

Yuri: - Eu? Desculpa. Ainda tô pensando nas mucuras. Aqueles bichos são horrorosos.

Zedu: - O teu irmão é uma figura. Quase mijei de rir. Ele sempre foi assim?

Yuri: - Sempre. Ele tem uma imaginação muito fértil. O que me deixa preocupado muitas vezes.

Zedu: - Ele é inteligente, apesar da hiperatividade. (pegando na mão de Yuri) – Engraçado, né?

Yuri: - O quê? (apertando a mão de Zedu)

Zedu: - A vida. Como as coisas funcionam. Você vindo para o Norte, se mudando para o meu bairro, praticamente ao lado da minha casa, invadindo a minha vida e mudando meus conceitos.

Yuri: - Você mudou muitas coisas em mim também.

Zedu: - Não esqueço o dia que transamos. Eu fiquei muito nervoso, o meu coração… nossa… explodiu. Quase não senti a dor na perna.

Yuri: - Foi o momento mais feliz da minha vida, José Eduardo.

Zedu: - Tenho medo de fazer alguma besteira e perder você.

Yuri: - Você não vai. É mais fácil você me deixar.

Zedu: - Porque diz isso?

Yuri: - Você é bonito, simpático e amigo de todos. Qualquer pessoa ficaria feliz em namorar você.

Zedu: - Seu nome agora é qualquer pessoa?

Yuri: (rindo) – Seu bobo.

Zedu: (tirando uma caixinha do bolso) – Eu sei que não é nada muito caro, mas comprei um presente para você. (abrindo a caixa e tirando uma pulseira)

Yuri: - Que lindo.

Zedu: - (Colocando a pulseira em Yuri)

Yuri: - (rindo)

Zedu: - Qual é a graça?

Yuri: (tirando uma caixinha do bolso) – Estamos muito previsíveis. (tirando uma pulseira e colocando em Zedu) – Zedu. Você quer namorar comigo?

Zedu: - Quero. (sorrindo e derretendo o coração de Yuri) – Você foi a melhor coisa que me aconteceu este ano.

A gente não se beijou no restaurante por motivos de 'não somos loucos', mas a vontade foi grande. Estava feliz, leve (sem trocadilhos) e namorando. Nada poderia me deixar para baixo, quer dizer, pelo menos é o que eu achava.

Mundico estava empenhado, ele começou a ensaiar uma sequência de músicas que fariam parte das apresentações. Ele caiu algumas vezes, e ficou surpreso quando Juarez entrou na sala de ensaio. Apesar de ficar sem graça, Mundico continuou o treino e caiu.

Juarez: (se preparando) – Tá errado.

Mundico: - O quê?

Juarez: - A posição da tua perna. (se aproximando de Mundico) – Eu posso?

Mundico: - Pode.

Juarez: (levantando uma das pernas de Mundico) – Você não precisa forçar essa perna.

Mundico: (ficando excitado) – Entendi.

Juarez: - Só precisa lembrar disso. (segurando Mundico numa posição desconfortável)

Mundico: - Entendi. Er… você… você pode me soltar?

Juarez: (ficando sem graça) – Claro. (soltando Mundico) – Faça isso. Espero que consiga, mas sabe, né? Sou melhor que você. (Saindo)

Mundico: (batendo no pênis) – Ele não vai te fazer feliz. Esse babaca.

A minha tia nos acompanhou nos ensaios, como eu suspeitava, a parte dos meus amigos envolvia poucas peças de roupas, eles seriam ribeirinhos.

Olivia: - Tem certeza que você não quer participar?

Yuri: - Hum rum. Tia. Eu não sou um bom ator. Lembra quando eu tive que atuar na peça da escola?

Olivia: - Nem me lembra. Você vomitou em todas as pessoas da primeira fileira. Graças a Deus que eu cheguei atrasada.

Yuri: - Obrigado. (rindo)

Richard: (tentando sair de perto da minha tia)

Olivia: (segurando orelha de Richard) – Fique aqui.

Richard: - Credo tia.

Depois do ensaio, o nosso grupo decidiu comer pizza. A minha tia e Carlos foram convidados para um jantar na casa do prefeito de Parintins, infelizmente, não recebemos o convite. Queria comer na casa de alguém rico, sempre é bom, né? Voltamos para o barco e encontramos Mundico, ele conversava com alguns amigos.

Mundico: - Ei, galera. Como foi o ensaio.

Ramona: - Ótimo. Só precisei fingir que lavava roupa.

Brutus: - Isso não lava roupa nem em casa, imagina em Parintins.

Ramona: (beliscando Brutus)

Zedu: - Verdades doem. (rindo)

Letícia: - Vou tomar um banho. Até depois. (soltando vários beijinhos)

Brutus: - Vamos tomar banho? (abraçando Ramona)

Ramona: - Sim. Você está precisando. Com licença. (entrando com Brutus no barco)

Yuri: (olhando para os irmãos) – Vocês dois... banhos também. E o senhor. (olhando para Richard) – Cuidado. Vão.

Giovanna: - Não precisa me mandar tomar banho, com licença.

Richard: - Eu não quero.

(Richard e Giovanna entrando no barco)

Ficamos conversando até tarde. Subimos e fomos jantar, nem preciso dizer que a comida estava deliciosa. Dei um jeito de tomar banho com o Zedu. Apesar do espaço pequeno a gente deu um jeito, e que jeito. Ficamos nos olhando por alguns minutos, e eu o beijei.

Zedu: - E meu namorado está preparado para o Festival? (ele disse passando sabonete nas minhas costas)

Yuri: - Sim. Sempre vi pela televisão, agora vou poder sentir. Realmente, Parintins é a terra da magia.

Zedu: - Já, vira de frente e levanta os braços.

Yuri: - Você me faz sentir uma criança. (levantando os braços)

Zedu: - Você é minha criança. (passando sabão nas axilas de Yuri)

Yuri: (rindo)

Zedu: - Que foi?

Yuri: - Nunca imaginaria, nem em um milhão de anos, que em Manaus eu teria um namorado que me daria banho. (rindo)

Zedu: (rindo)

Depois de um banho gostosinho, a gente subiu para encontrar os meninos que conversavam na parte de cima do barco. A empresa da titia trouxe uns ventiladores industriais para ajudar no calor da Amazônia. Começamos a falar sobre várias coisas, principalmente, sobre o retorno das aulas. O Mundico disse que mudaria de escola depois de se meter em problemas.

Letícia: - Vai dar tudo certo, Mundico.

Yuri: - Verdade. (sentido frio) - Nossa. Até que não tá tão quente.

Mundico: - Vocês tiveram sorte. Tem dias que está horrível.

Zedu: - Vamos brincar de alguma coisa?

Brutus: - Que tal verdade e desafio? (piscando para Ramona que riu)

Letícia: - Credo, isso é tão sétima série. Vamos brincar de abecedário!

Passamos a noite brincando e acabamos dormindo na parte externa da embarcação. Pela manhã, senti um braço pesando no meu rosto, era o do meu príncipe. Levantei e cocei a cabeça. Arrumei o Zedu e o deixei dormindo com os meus amigos. Desci e minha tia estava conversando com alguém no telefone, e Carlos ajudava a tia do barco a servir o café.

Carlos: - Bom dia.

Yuri: - Bom dia. Tá tudo bem?

Carlos: - Sim. O Richard tá tomando banho, então nada de ruim aconteceu.

Yuri: - (rindo) – Verdade. Acho que vou tomar o meu também.

No outro dia, Mundico e seus amigos tiveram uma surpresa. Os dançarinos disputariam para conseguir uma dança solo na primeira noite do festival. Juarez foi o primeiro e impressionou a todos. Mundico dançou algum tempo depois, e dizem que ele conseguiu realizar uma grande performance.

Hélida: - Gente. Vocês fizeram um trabalho maravilhoso. Mas infelizmente apenas um vai conseguir o solo. A gente demorou para escolher o dançarino, mas a pessoa é…

(Expectativa)

Hélida: - Raimundo… ou melhor… Mundico. (aplaudindo)

Juarez: (levantando e saindo) – Como assim? Isso é ridículo. Eu sou o melhor dançarino desse lugar. Maldito. (jogando uma garrafa contra a parede)

Mundico: (quase chorando) – Eu consegui. Eu consegui.

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Comentários

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25/03/2018 03:40:14
NOSSA ESSE IDIOTA DO JUAREZ ESTÁ MERECENDO E PRECISANDO DE UMA LIÇÃO DE HUMILDADE. E URGENTE. ALGUÉM TEM QUE FAZER ESSE FAVOR PRA ELE.