Casa dos Contos Eróticos

Abrigo de Chuvas

- Sabrina, por acaso você viu o prendedor do meu guarda-chuva?

Abri os olhos e percebi minha colega de outro curso parada ao meu lado. No mesmo quarto do alojamento onde estávamos, o amigo dela, um lourinho franzinho e vermelho de sol, parou do lado dela e aguardou uma resposta.

- Eu não vi, Glauco! Você disse que não queria trazer um milhão de bolsas pra não ter que fazer confusão, mas já perdeu esse troço, né?

- Foi sem querer!

Eu forcei as mãos novamente sobre os olhos e respirei fundo antes de abrir a boca. Estava me sentindo mais cansado ultimamente, tanto pela reta final da graduação quanto pelos ajustes finais na comissão da chopada de formatura, além das mudanças na atlética de educação física e mais uma infinidade de outras responsabilidades com as quais me comprometi no calor do momento. Mas consegui retomar mentalmente o caminho das últimas horas antes de cairmos na estrada. Relembrei do momento exato em que bati o olho naquele garoto e percebi que ele fez o mesmo comigo. Naquele instante, concluí que o final de semana seria longo e que ele seria um empatador natural de foda. E o guarda-chuva na mão dele estalou quase que automaticamente, zunindo a fivela longe e abrindo bem espaçoso como se fosse um ser animado, um intruso enorme no espaço entre nós. Amarelo, ainda por cima, o suficiente pra chamar atenção.

- Tá na hora, Marcos! Levanta! Olha que dia lindo!

Ouvi a voz dela e comecei a retornar ao presente outra vez. Sabrina estava falando e fez questão de abrir as longas cortinas em tom girassol do quarto do alojamento, mas a luz do sol simplesmente não entrou. Lá fora, o céu carregado de nuvens cinzentas e bem acumuladas.

- Tô vendo.. - completei.

O dia estava cinza, assim como a monotonia na minha vida. Se o mundo ao redor tinha cores, era algo que eu sequer reparava, de tão no automático estava. Fui até o pequeno banheiro comum a pelo menos cinco pessoas que dormiam perto de nós, me olhei no espelho e constatei o quão diferente estava pela correria recente de tanta agitação e falta de tempo pra mim mesmo. Um pouco mais magro de rosto, o cabelo sem corte, a pele talvez precisando de tomar um sol, a barba por fazer, mas o mesmo feitio de homem disposto a qualquer parada, só que cansado.

- Se arruma e não demora, ein!

- Tá bom, tá bom.. Já ouvi, fica tranquila!

Deixei Sabrina e o amiguinho dela pra trás, fechei a porta e tirei a roupa, virando todo o corpo em direção ao reflexo no espelho. Formando do curso de educação física, mesmo recentemente desleixado, o corpo tava em dia, devidamente dividido onde precisava e os pelos aparados na medida, quase um contraste com o rosto. Fui despertando e tomando banho, escovei os dentes e pensei em como precisava de realmente aproveitar as oportunidades. Já havia 2 anos que tinha terminado um relacionamento de 3, desde então me atirei de cara nos estudos e trabalho, estava praticamente abandonado e sozinho, carente no meio de um monte de cinza incolor. Era sexta de manhã, primeiro dia dos jogos universitários na Região Serrana, para os quais eu e mais uns amigos de curso e de faculdade viajamos em excursão. Sabrina era de letras, o resto da rapaziada de educação física e, pra completar, ainda tinha o Glauco, uma espécie de grude dela pra cima e pra baixo, que eu nem sabia de qual curso era. Pra ser sincero, isso me deixou até um pouco enciumado.

O primeiro dia dos jogos universitários foi duradouro, bem extenso. Saí pela manhã só de bermuda e chinelo, disposto a captar qualquer luz que fosse do sol, que sequer dera as caras no céu. Apesar do tempo meio fechado da Região Serrana, o sítio era enorme, bem aproveitado numa parte plana da serra. Mesmo sem calor, não estava tanto frio e o pessoal ao redor ficou bem à vontade na hora que a festa finalmente começou. Tinha tudo quanto era tipo de pessoa, pra tudo quanto era gosto e também fazendo de tudo. Em poucos minutos na porta do alojamento, antes de finalmente começar a andar pro meio do povão, observei homens e mulheres nos mais variados tons de pele, altura, formato de corpo e comportamento. A única coisa em comum foram as cores no cenário: o cinza do céu parecia tomar conta, como se o brilho de tudo não fosse o mesmo.

- Vem, Marquinho!

Um pouco mais à frente, Sabrina me chamou. Só com a parte de cima do biquíni, a canga amarrada na cintura e o mesmo Glauco de chaveirinho do lado, agora de mãos dadas e andando juntos. Que tipo de cara leva um guarda-chuva amarelão pra uma chopada de curso? Só o amiguinho loiro da Sabrina.

- Vem logo!

- Calma, porra!

Eu confesso que fiquei um pouco enciumado, afinal de contas, meus planos eram de passar o resto do dia com ela e quem sabe da noite, já que éramos bons ficantes até poucos meses atrás. Nunca transamos, mas a oportunidade talvez pudesse surgir no meio de tanta afobação jovem e festividade hormonal aos quais estávamos submetidos ali. Um monte de jovem bebendo, zoando, curtindo.. por que acabar a noite solitários?

- A gente já tá no pique, Marquinho!

E veio dançando pra mim, tentando me animar. Ela então me deu um copo enorme de alguma coisa alcoólica pra beber, parecia um suco amarelo abacaxi.

- E lembramos de você, viu?

- Na verdade, eu que lembrei! - Glauco a interrompeu.

- Ah, para de graça, garoto! Você só não perde a cabeça, porque é colada no corpo. Aí, cadê o elástico dessa porra?

Referiu-se ao guarda-chuva, que só não tava aberto porque ele o segurava na mão. Fiquei tão vendo que o resto do dia seria assim, que virei o copo todo da bebida. Pra ser tão paciente, era melhor estar bêbado.

- Vai com calma, Marcos! Acabou de chegar!

Terminei de beber e não deixei nada.

- Ah, que vacilo!! Tá me devendo um combo, pilantra!

O efeito imediato da porrada de álcool veio, mas ainda não era suficiente pra anestesiar o corpo e relaxar a mente. Estava um pouco mais ativo do que o normal, prestando atenção nos volumosos seios da Sabrina balançando enquanto ela dançava o funk tocando alto. Socados no biquíni de estampa de bananas, eles acompanharam o ritmo do sacolejo dela, pra cá e pra lá com os quadris cobertos pela canga cinzenta. Por alguns segundos, pensei em flertar, mas a presença do Glauco só me fez hesitar. Aí ela foi saindo devagar pra pegar mais bebida e nos deixou a sós. Nesse momento, o cara fez questão de secar a parte traseira do corpo da Sabrina, meio que sem se importar por estar na minha frente.

- "Só pode ser brincadeira!" - pensei quase que alto.

Fui tomado por uma vontade inesperada de perguntar qual era a dele, mas desisti. Não demorou muito, Sabrina voltou com três canecas enormes e cheias de cerveja bem amarelinha. Me deu o mais cheio.

- Esse é pro morto de sede!

Deixou o médio pro louro.

- Valeu!

- Um brinde a nós!!

Ela levantou o copo e, mesmo desgostoso, acompanhei no encontro entre os três. E aí viramos as bebidas. Declarados oficialmente abertos os jogos universitários da Região Serrana.

Apesar de eu querer muito pegar a Sabrina, nossas interações não foram muito duradouras, apenas um pouco significantes. Um pouco além do comum, por assim dizer. Dançando funk, diversas vezes ela pôs as mãos nos joelhos e ficou rebolando a bunda em mim, encostando de propósito mesmo, a ponto de me deixar bastante excitado. Tanto tempo sem uma atenção de outra pessoa, o cacete endureceu sem medo na bermuda, mesmo que existisse o risco de marcar e alguém ver. Na chuva, você se molha. Até que começou o reggaeton, aí pronto. O Glauco sobrou mesmo, a Sabrina colou o quadril no meu e ficamos juntinhos dançando, no maior clima gostosinho. Eu percebi o desapontamento na cara dele, mas não perdi a oportunidade. Ela na minha frente, de costas pra mim, eu com total acesso ao pescoço e com a cintura na dela, balançando de um lado pro outro num ritmo lento, sarrando deliciosamente um no outro. Num momento em específico, me senti tão perdido que não reparei Glauco nos observando. Quando o fiz, acabou que, inesperadamente, aquela se transformou numa situação de três pessoas, porque não consegui mais dançar sem deixar de notá-lo nos olhando. Ao nosso redor, o calor tomou conta do corpo e as pessoas pareceram mais coloridas, brilhantes, menos monocromáticas. O ambiente ficou mais acolhedor, quente, como se todos estivessem mais próximos uns dos outros, mais perto e vibrantes em tons quentes. Eu passei a barba pelo ombro da Sabrina, mas olhando pro amigo dela nos vendo. A delícia da ereção contra seu corpo foi deslizando à medida que os segundos destravaram, escorrendo líquido por entre nós três e se desenrolando numa intervalo único de sedução, quase que em câmera lenta. E aí, pra completar, o DJ da festa trocou bruscamente de música, tirando todo mundo à força daquele transe induzido acusticamente.

- AAAAAAAH!

O coro foi unânime, mas muita gente ainda aplaudiu, inclusive Sabrina, que parou de sarrar comigo e foi pegar mais bebida. Outra vez, ficamos só eu e o chaveirinho dela, que insistia em segurar aquele guarda-chuva amarelo na mão, sendo que não tinha caído uma gota do céu até então. Eu de pau durão, ele meio bêbado na dele, mas não esqueci das olhadas no meio de toda a sarração. Ficamos sem falar nada durante bastante tempo, até que ele tomou a iniciativa.

- Acho que ela se perdeu, Marquinho..

Eu lembro bem que essa foi a primeira vez que ele me chamou pelo apelido, se bobear foi a primeira vez até que ele me chamou diretamente na vida. Enrolei, porque nem soube o que dizer.

- Será?

- Vou ver, peraí!

Meio rabiscando no passo, ele foi andando. Blusa social na cor violeta, short vermelho e justo no corpo, chinelos de dedo e o jeito único de se mover, meio certeiro, porém não tão firme. Talvez fossem os pés leves. Esperei sozinho durante alguns minutos, até que ele retornou com mais cerveja pra gente. Nada de Sabrina.

- Ué, ela não voltou? - perguntou.

- Não! Achei que você tivesse ido procurar..

Ele ficou sem jeito e deu um sorriso meio amarelado de bobo. Talvez fosse minha implicância começando a agir em relação ao moleque, com aquela mistura de ciúme pela ficante e leve desconfiança das olhadas dele pra mim durante a dança. Continuei ali mais alguns minutos, mas não tive qualquer assunto pra puxar. Avistei alguns amigos da atlética enrolando um baseado de longe e me despedi do Glauco educadamente, um pouco na dúvida sobre deixá-lo sozinho, mas não querendo permanecer ali sem fazer nada. Passei o resto da tarde enchendo a cara com eles, fumando baseado e piranhando com as calouras do curso, que tavam ali pra conhecer os famosos leões da atlética de educação física. Nem sei como terminei jogado no alojamento, mas foi assim. Sozinho, porém.

Acordei já era mais de meio dia de sábado, então não sei por quanto tempo dormi. No mesmo estilo da sexta, quando chegamos de viagem, acordei e esfreguei os olhos, mas já estava sozinho no quarto. Nenhum raio solar entrando pelas frestas das cortinas em tom de gema de ovo.

- "Outro dia mais ou menos" - pensei.

O processo de despertar e levantar foi automático como sempre. Em menos de dez minutos, saí pela porta do alojamento e constatei os efeitos do dia anterior: metade da galera não tava de pé, preferiu estender uma canga e pegar mais leve. Ao contrário do que imaginei, quase não havia sujeira pelo chão, só bastante gente sentada, deitada e tal. Bolsas, mochilas, isopores, caixas de som, muitos grupos juntas numa só reunião tribal, ainda que dentro de um mesmo derivado. Observei as curvas no biquíni em estampa de bananas e não tive dúvidas.

- Ou! Vem aqui, ó!

Sabrina levantou o braço. Ao lado dela, aquele chumaço de cabelo amarelo claro. O mesmo moleque tirado a playboyzinho de sempre, com o mesmo guarda-chuva de sempre na mão. Só podia ser um teste de paciência comigo.

- E aí?

- Porra, tu sumiu! - ela quem falou.

- Eu!? Cê foi pegar bebida e desapareceu depois da dança!

Ainda dei um risinho pra ver se ela lembraria, mas a safada riu sem me olhar, o que me deixou ainda mais instigado, afinal de contas, ela estava rindo. Sentei ao lado dela, ficando parcialmente virado pro Glauco, mas sem dar muita atenção, apenas cumprimentando e falando o básico com ele. Começamos a beber e ficamos um tempo assim, só jogando conversa fora, curtindo o som e aproveitando o tempo fresco e nublado da Região Serrana. Com o passar do tempo, eu e Sabrina estávamos mais entrosados novamente, como no dia anterior. Brinquei de cheirar o pescoço dela e a safada ficou bastante arrepiada, me deixando excitado e outra vez com o caralho marcando na bermuda, sendo que não me importei com quem fosse olhar, nem mesmo o chaveiro que era o amigo dela. Nos poucos momentos em que a gente não tava se envolvendo, era porque alguém saíra pra pegar bebida, comida, algo do tipo. Até que, numa dessas vezes, a Sabrina foi e não voltou mais, de forma parecida com o que fez antes, quando dançávamos na festa. Eu percebi essa demora, fiquei meio bolado, mas só esperei sentado mesmo.

- Ela sumiu de novo, né?

Glauco perguntou.

- Sim.. Não é mole! - ri.

Coloquei a mão no bolso e senti alguma coisa. Só quando vi o baseado que lembrei do fim da noite anterior, entendendo como aquilo parou ali. Olhei pros lados e percebi que, pra fumá-lo, teria que sair para a parte menos movimentada, que era mais cercada de árvores e envolvia um caminho para uma trilha que levava mais adentro da natureza nas serras. Como não queria continuar ali, mas também não tinha nada melhor a fazer, levantei e decidi que ia dar uma volta pra queimar um e viajar.

- Vou ali fumar esse verme.

E me preparei para virar. Só que, sem qualquer expectativa, o Glauco também levantou e se arrumou.

- Eu vou contigo! Não quero ficar aqui sozinho.

Eu sorri por fora, porque por dentro só fiquei emputecido. Não fiquei mais emburrado porque estava indo fumar, mas um pouco frustrado por não fazê-lo sozinho, pra não falar de mais um bolo por parte da Sabrina. Fui caminhando mais à frente dele, com passadas pesadas no chão de grama do sítio, rumo à trilha de árvores mais ao fundo. Um dia cinzento e sem graça como os outros, mesmo nos tais jogos universitários. Nada de diferente, não fosse pela porra do guarda-chuva amarelo do Glauco.

Mesmo se tratando de um sítio enorme e cheio de adjacências, tivemos que andar por mais de cinco minutos até ter a certeza de que estávamos sozinhos. Praticamente selva a dentro, um pouco além das trilhas, mas ainda no encalço do retorno por entre vários tipos diferentes de árvores, observei uma espécie de clareira situada bem entre um vão das grandes copas esverdeadas, por onde pouquíssima luz do sol podia entrar, já que o tempo nublado continuava firme e forte. Atrás de mim, Glauco e sua desnecessária ferramenta na mão. Quando tive total certeza de que estávamos sozinhos, levei o baseado à boca, puxei o isqueiro e acendi. Dei a primeira tragada e absorvi a fumaça densa da maconha. Segurei, soltei e respirei fundo, sentindo o corpo ser preenchido lentamente pelo THC, que é a substância que dá onda. Repeti esse movimento umas três vezes e, por educação, ofereci o baseado ao moleque.

- Vai?

Ele fez uma cara de dúvida, mas não hesitou.

- Opa! Vamo ver qual é da boa!

Na primeira puxada, começou a tossir em total inexperiência sobre o que fazer, coincidindo com o primeiro relâmpago nas nuvens acima de nós, agora mais escuras do que o normal. Talvez tenha tentado engolir a fumaça, o que causou aquele efeito sequencial de tosse e garganta pegando fogo.

- Eita!

Um pouco chapado, confesso que achei engraçado e comecei a rir. Ele fez a mesma coisa, embora o motivo fosse ele mesmo e sua falta de prática.

- Acho que.. por enquanto, é melhor eu só ver mesmo!

Tossiu mais entre as palavras, ainda acompanhado pelas fracas trovoadas e brilhos no céu pré-chuvoso. Pela primeira vez em dias, parece que toda aquela reunião de coisas aleatórias conseguiu me extrair um riso ou outro. Eu, com o possível ficante da minha ficante, fumando maconha num sítio numa serra, debaixo do céu fechado e pronto pra cair.

- Nada melhor do que a prática! - respondi.

Dei mais duas tragadas e outra vez passei o baseado. Agora o moleque conseguiu fumar sem reagir bruscamente, mas ainda assim não quis se alongar por muito tempo com o cigarro na mão, tossiu e as bochechas enrosaram em tons claros de cereja. A gente ficou nessa passação de beck alguns minutos, mais ou menos até à metade. Brisados, risonhos e desfrutando da proximidade fornecida ou emprestada pela onda da maconha. Olhei pro Glauco, vi seu guarda-chuva na mão e aí me senti à vontade pra perguntar o que sempre quis.

- Por que tu tá sempre com isso?

Ele ouviu e fez cara de curioso, como se nunca tivesse esperado por uma interação desse tipo da minha parte, como se não bastasse estarmos ali fumando maconha juntos no meio do mato. Meu pensamento foi interrompido pelo primeiro estrondo do choque de massas de ar, evidenciado pelas incontáveis camadas espessas de infinitas nuvens acumuladas sobre nossas cabeças, acima das copas das árvores. Não fora um simples relâmpago ou flash, algum raio caiu em cheio dentro de vários quilômetros, produzindo aquele barulho crescente que passa pela selva.

- Bom.. - ele começou a responder.

E como se estivesse num momento ideal e mais do que oportuno pra dar aquela resposta não verbal, finalmente se permitiu abrir o objeto, que se armou num amarelo glorioso em sua mão e logo fora posicionado de forma a nos proteger, acima de nós, grande o suficiente para sobrar espaço. Então, como se fosse conduzida num gigantesco ensaio da natureza mediante um maestro experiente, ela desabou por completa. Atrás do corpo do louro, assim como ao redor, tudo tornou-se dificilmente visível por conta da parede de chuva que cobriu o ambiente, mais até do que as nuvens já o faziam normalmente. Contrastando com o clima, Glauco sorriu tímido, totalmente casado no timing entre abrir o chapéu e a chuva começar, bem dentro do tempo de resposta.

- Respondido?

Achei graça naquilo e ri, me percebendo um pouco envolvido por demais no papo descontraído com o peguete da Sabrina, com quem eu implicava até então. Não que agora fosse deixar de fazê-lo, só que existia o contato, a ponte de ligação, o diálogo e interação entre nós dois.

- Sim!

Ele se manteve rindo e ficou meio sem graça depois de alguns segundos. Eu também, porque estávamos cara a cara, abrigados da chuva e ficando cada vez mais ilhados pela quantidade colossal de água ao redor. Quando senti que o tórax exposto estava tocando seu corpo, fiquei meio trêmulo de nervoso pelo que o cara poderia dizer, mas ele mesmo não reagiu, então fiquei mais tranquilo, porém não menos atento. No fim das contas, tomei a iniciativa e ensaiei um abraço entre nós, do contrário cairia sem equilíbrio pra trás, ou então isso aconteceria com ele, tão colado estávamos, sitiados debaixo de uma copa de árvore.

- É melhor a gente tentar achar abrigo!

- Você acha?

- Não temos muita escolha!

Devagar e em passadas firmes e falsamente seguras, fomos andando por entre alguns troncos altas, que ajudaram a desviar um pouco da chuva pesada que caía sobre nós naquele momento. Caminhamos um pouco mais à frente, até avistar um poste de luz bem no meio da selva, embora apagado.

- Deve ter alguma casa por aqui..

Adiante, eu e Glauco chegamos numa espécie de depósito abandonado, feito de cimento e com um portão aberto, construído num tipo de garagem, sendo um cômodo único. A parte de dentro era propositalmente suspensa, talvez na intenção de funcionar como um autêntico abrigo de chuvas, capaz de suportar níveis maiores de água e proteger possíveis aventureiros que passassem pelo local. Ao menos fora o que serviu para nós. Poucos caixotes pra fazer de banco, uma mesa improvisada no cimento e um transformador destruído, pendurado no pequeno poste de madeira fina, situado na parte da laje da construção.

- Não falei?

- Mandou muito, Marquinhos!

Mesmo no ambiente cinzento, o riso do Glauco se manteve em tons claros de amarelo. De repente ele era fumante e eu não sabia, mas com a péssima experiência fumando maconha, com certeza não era o caso. Eu fiquei sentado num dos cantos do abrigo, enquanto o moleque não parou de andar de um lado pro outro, enquanto seu guarda-chuva amarelo fora deixado de lado e se encontrava aberto, no fundo da garagem.

- Será que demora a passar? - perguntei.

- Acho que umas meia hora. Aquelas chuvas ali estão carregadas, tá vendo? São nuvens propícias mesmo, ainda mais nessa época..

De repente me vi sendo ensinado sobre nuvens, temperatura e clima pelo peguete da Sabrina. Só então lembrei do contexto no qual estávamos inseridos, considerando os jogos universitários.

- Tu é de que curso? - perguntei.

- Eu faço Meteorologia, Marquinhos. Esqueceu?

- Caralho, podes crer!

Por isso o moleque sabia do que tava falando. E talvez por isso andasse pra cima e pra baixo com aquele guarda-chuva amarelão, chamando atenção tanto pelo comportamento inusitado, quanto pelo objeto excêntrico em tamanho, formato e cor.

- Agora entendi esse guarda-chuva! - brinquei.

Ele demorou, mas começou a rir meio despreocupado, ciente de que estava sendo sincero. Eu e Glauco ficamos assim entretidos ao falar da chuvarada, exceto que não parei mais de contar o tempo, como numa regressão esperançosa pelo término do fenômeno. Pra ser sincero, fiquei tão anestesiado quanto ilhado, uma vez que não tive outra opção senão estar ali, exceto por um detalhe crucial: gostei pra caralho. Não somente por pensar que poderia ser pior, mas sim pela descoberta de quem era Glauco em si, tão diferente e envolvente, falando sobre precipitações, chuvas torrenciais e tudo mais que tinha a ver com água. De repente era um efeito da onda da maconha que fumamos, não sei dizer se ele também estava se sentindo animado, mas acho que toda aquela vontade de falar já era um sinal disso. Parado diante de mim, ele não conseguiu não gesticular, apontando pro céu, sorrindo e explicando tudo com uma graça única, que eu poderia jurar já ter visto ou presenciado antes. Estatura baixa, blusa lilás com capuz e mangas cobrindo os braços, cabelo curto e meio loiro, parecia um molecote educado e atencioso nas aulas.

Em 29 minutos de conversa, nem me dei conta de quando a contagem bateu exatamente nos 30 que ele disse que duraria a chuva. Fiquei tanto tempo observando seu jeito elegante de falar sobre temporais, dias nublados e príncipes das nuvens, que me peguei perdido no tempo entre duas situações: primeiro a de observar Glauco, todo didático e seguro, com os lábios firmes nas afirmações que fazia. Comecei a desconfiar que, de repente, inteligência era afrodisíaca pra mim, porque confesso que não parei mais de detalhar sua boca, rosto e traços masculinos. Até com sede fiquei, de tão afim de vê-lo mais de perto que fiquei. Não sei se o cara percebeu minhas olhadas excessivas, talvez tenha confundido isso com o efeito da erva. E por falar em percepção, a segunda situação foi não ter reparado que, de um segundo ao outro, a chuva caindo do céu simplesmente cessou, quase num passe de mágica. Quase não acreditei no sol fajuto que ainda ousou atravessar um raio ou outro de luz por entre as nuvens, fiquei até meio hipnotizado pela cena das serras escurecidas pela sombra do poente. Pra não falar do cheiro forte de terra mais do que molhada.

- Não te falei?

Do meu lado, Glauco esticou o braço para o exterior do abrigo de chuvas e certificou-se de que poderia sair. O guarda-chuva devidamente fechado na outra mão, um sorrisinho confortável no rosto e os olhos mirando o céu temporariamente aberto, mas prestes a fechar outra vez.

- É, você tinha razão..

Me olhou e riu. Daquele jeito elegante, Glauco não perdeu tempo, foi saindo e rumando em direção à trilha de onde viemos. Sem olhar pra trás, falou comigo.

- A gente se esbarra por aí, Marquinhos!

E deu um tchauzinho com as costas da mão, sumindo por entre as árvores. Finalmente sozinho, esperei um pouco até fazer a mesma coisa, apenas sentindo e ressentindo de maneira deliciosa tudo que vivenciei nos últimos minutos, dentro do abrigo de chuvas com o peguete da Sabrina. Jamais imaginei que teria uma aula de meteorologia naquele dia, muito menos que seria por ele. Isso me causou um efeito completamente diferente de tudo que senti até então. A graça amarelada no sorriso do moleque acabou minando um tipo de carisma dentro de mim, cativando de verdade minha simpatia. A partir desse momento, mesmo não me declarando ou entendendo ainda, nunca mais fui o mesmo Marcos. Perdido em todos esses pensamentos e novas sensações, retornei ao dormitório pouco antes do fim da tarde, depois de ainda beber com a galera da república e do curso, ainda fumamos mais erva. Quando cheguei no alojamento, tava tudo completamente apagado. Entrei em silêncio e acendi a luz, aí peguei Sabrina no sofazinho com um outro cara do meu curso, calouro, em cima dela. Os dois de roupa, mas várias mãos retornando ao normal sorrateiramente, evidenciando que com certeza estavam se divertindo.

- Foi mal, Marquinhos! Não sabia que-

- Relaxa, cara! - tranquilizei. - Fica tranquila!

Ela me olhou de olhos bem abertos, incrédula naquela reação inédita da minha parte, enquanto gesticulei para acalmá-los. Normalmente eu era o cara que resolvia tudo na conversa, sendo que agora nem havia porquê de falar algo ali. Fora que Sabrina jamais me deveria explicações.

- Podem continuar, só vou dormir!

E tentei dar um sorriso, confirmando ainda mais meu posicionamento. Ainda assim, ela fez questão de levantar e se dirigir a uma outra parte do alojamento, de mãos dadas com o novo ficante. Fiquei olhando pro sofá onde eles estavam e reparei numa pulseira elástica que ela acabou deixando sem querer, meio dourada e com uma fivela brilhante, que nem prendedor de cabelo, mas mais bonito e ornamentado. Talvez por causa da pegação e do agarra-agarra, acabou deixando a pulseira ali e nem percebeu. Pensei em devolver, mas não quis interrompê-los outra vez, então me limitei a guardar o objeto no bolso da bermuda e mantive meu percurso até o quarto. Tomei um banho morno delicioso, parece até que descobri uma maneira nova de interpretar ou sentir a água, totalmente envolvido na mecânica do fluído e de como ele acarinhou todo meu corpo, passando livre pelo peitoral e deslizando ao redor dos mamilos. Os pelos do corpo se ouriçaram pelo toque novo e úmido, cada canto do meu corpo estava sendo visitado pela corrente descendente de água morna. Foram tantos estímulos que logo fiquei de pau durão, e aí foi muito difícil resistir à punheta. Botei o corpo debaixo da corrente do chuveiro e nem precisei cuspir, só bater lentinho, com a mão espalmada na cabeça da caceta. Tentei de todos os jeitos pensar na Sabrina com o namoradinho e também na gente dançando e sarrando gostosinho, mas, talvez por conta do fato de estar no banho, a mente escorregou e deslizou para o dia em que fizemos tudo isso, porém observados pelo Glauco, todo atento na nossa putaria implícita. Me masturbei com a ajuda da mão passeando pelo corpo, excitando cada parte da pele que estava ao meu alcance. Bolas, glande, prepúcio, pélvis, mamilos. A coisa ficou difícil, grossa, aí esporrei feito leiteiro no boxe da banheiro do dormitório.

- Sssss!

Vários impulsos físicos, espasmos que liberaram muitos jatos de esperma quente na parede de azulejos meio beges. O alívio tomou conta do corpo mais até que a própria maconha o fazia, então não me demorei muito, finalizei o banho rapidamente, esfreguei o sabonete pelos cabelos espalhados pelo físico de futuro ginasta e fui deitar pra dormir. Por qualquer razão, adormeci sentindo o cheiro do cabelo da Sabrina no prendedor dela, também acompanhado pelo barulho do chuvisco caindo lá fora, entorpecendo o quarto gelado pelo ar condicionado de cheiro de terra úmida. Devia ser ótimo morar na Região Serrana, exceto pelo tempo majoritariamente encoberto, nublado e com possibilidade de chuvas a todo momento. Dormi feito moleque que brincou o dia todo.

Acordei leve no domingo, totalmente anestesiado pela boa energia do dia anterior. Mesmo antes de tomar a consciência do que deveria fazer ao longo do último dia de jogos universitários, o primeiro e único pensamento que me veio à mente foi parecido com um barquinho de papel tentando escapar do redemoinho formado na pia que se esvazia, fracassando na missão de vencer a força do empuxo da água. Glauco. Eu não precisava de premeditar o que faria pela manhã, tarde ou noite, só tinha a certeza de que encontraria o moleque loirinho outra vez, mesmo sem a possibilidade de chuvas. Meio zonzo, levantei e fui até à janela do dormitório, puxei as cortinas amarelas e olhei pro céu: nublado. Cinza, pesado e carregado de água sublimada, esperando o momento ideal de precipitar. Quem estava do lado de fora com certeza já sentia a umidade na pele, mas essa visão e sensação só me deram ainda mais disposição pra sair e trocar uma ideia com o cara. Tomei um banho, vesti a bermuda, uma camiseta e boné na cabeça, chinelos no pé. Peguei os documentos, dinheiro e saí. Fiquei muitos minutos perambulando até topar com um dos malucos do meu curso, aí decidi tomar um tempo até dar outro rolé. Bebi cerveja, observei o ambiente, olhei pro céu cinza, mas nada de chuvas e nem de Glauco. Quando achei que já estava tempo demais ali, dei uma desculpa e saí, tornando a andar pela multidão. Em minutos, esbarrei com Sabrina e o mesmo ficante do dia anterior, ambos de mãos dadas e meio que abraçados.

- Marquinhos, você viu o Glauco por aí?

- Eu também ia te perguntar por ele.

- Achei que vocês tavam andando juntos.

- Estávamos, mas isso foi ontem. Não sei dele.

- Que estranho!

Eu queria ter respondido que a probabilidade dela saber do paradeiro do amigo era maior que eu, considerando que viviam colados e, pela primeira vez nos jogos universitários, agora estavam separados. Mas fiquei na minha e só fui enrolando pra sair logo dali, que foi o que fiz sem me importar muito com o que ambos pensariam. Além do mais, acho até que eles queriam que eu ralasse também, pra voltarem a se pegar, então não teve outra. Parei de procurar pelo Glauco na hora do almoço, aí encontrei com a galera da minha turma pela tarde e permanecemos jogando sinuca, enchendo a cara e batendo pelada.

- Cê tá bem, Marquinhos?

- Tô tranquilo, mano!

Um colega perguntou, percebendo minha possível inquietação por não saber onde estava o moleque loirinho. E quanto mais eu bebi, mais atento fiquei. Tão disperso da realidade, que sequer me liguei na hora em que, debaixo de um céu negro de tempestade, o som do DJ numa tenda próxima cessou e fora substituído por uma espécie de alarme de emergência geral. De repente, todos começaram a se mover de forma agitada.

- Que isso!?

- É o alarme de risco de chuva. Tá vindo uma das grandes por aí!

"BOOOOM!". Acima de nós, as massas de ar se chocando e produzindo os primeiros trovões carregados de energia, preparados pra descerem contra o firme solo da Região Serrana.

- Bora, Marquinhos!

Eu não soube bem o que fazer e nem fiquei tão agitado quanto o resto da galera, talvez pelo efeito da bebida e por ainda querer encontrar o Glauco. Só que entrei num modo automático e fui seguindo junto com meus colegas de curso, aprendendo um pouco da rotina de quem morava por ali.

- Quando tem tempestade, a gente vai pro ginásio da faculdade. Lá é plano, não tem tanto risco de desabamento ou desmoronamento.

- Entendi.

Só então o coração começou a se agitar, como se estivesse ignorando algo muito importante, mas que o cérebro ainda não conseguiu recordar a ponto de me mover, me motivar a retomar o controle do corpo no automático alcoólico.

- Não é porque é uma serra que não tem rios, e eles acabam enchendo com essas chuvas. Algumas partes acabam alagando.

- Muito inteligente construir na área plana da serra.

- Não é? Dá pra transformar tranquilamente o ginásio num abrigo de chuvas.

"BOOOOOOM!". A cabeça deu aquele giro louco, implodindo num único ponto visível, audível e alcançável. Sem eu ter concluído ainda o pensamento completo, o corpo deu aquele impulso por si só, sabendo do onde precisava estar. O peito apertou com o trovão e o começo da tempestade caindo no chão, fazendo aquele barulho que quase não permitia ouvir o resto. Mas pra mim, no meio de um milhão de árvores, zilhões de gotas d'água e palmos de lama nos pés, havia um brilho amarelado esperando por alguma coisa. Alguma pessoa. Eu estava mais do que cativado.

- Preciso ir!

- O que? Tá louco?

- É sério! Eu esqueci de uma coisa!

- Lá fora! AGORA!? Uma hora dessa já foi levada pela chuva, seja lá o que tu esqueceu, Marquinhos!

- Eu duvido muito!

Dei meia volta e aumentei o passo, com a imagem do Glauco na mente e o trajeto exato do nosso abrigo de chuvas em pensamento. Passadas largas, firmes, certeiras e cronometradas, como se precisasse de correr contra o tempo. De onde veio essa necessidade repentina de ver o moleque? Abri a porta do ginásio e foi difícil enxergar um palmo à frente, de tanta água descendo. Vesti apenas uma capa dessas que cobre o corpo todo e esperei o trovão explodir ao longo. "BOOOOM!". A pele arrepiou, mas o coração bateu firme, distribuindo o sangue necessário para oxigenar e irrigar de coragem todo o físico de graduando. Os raios dourados ecoando feito gritos de guerra no céu, com direito a um show de brilhos e cores preenchendo o cinza do ambiente. Antes de dar o primeiro passo, duas pessoas dobraram a quina do ginásio por fora e vieram correndo em minha direção. A primeira tirou o capuz e era Sabrina, o que me deixou eufórico sobre quem era sua companhia.

- Glauco?

Ela me olhou e fez cara de dúvida. Aí a segunda figura se revelou, sendo o mesmo peguete dela.

- Achei que cê já tinha encontrado.

- Ainda não.

Não vê-lo ali só me deixou ainda mais determinado. Enfiei o pé na frente e não parei mais, sentindo toda a pressão e peso da água sobre o corpo, tornando meus movimentos completamente lentos, mesmo sem submersão. Mesmo sabendo que só pioraria a situação, comecei a correr pra não me sentir perdendo tempo, rumo em direção à trilha que fizemos no dia anterior. Quando cheguei na parte mais lamacenta do terreno, quase caí por afundar os pés inadvertidamente, ainda tendo que lidar com o limo cobrindo algumas pedras por sobre o trajeto. Levei uns cinco minutos até alcançar o chão da copa das árvores que nos protegeram anteriormente, aí parei e tomei mais um fôlego, porém ainda assim a tempestade não cessou. Certifiquei o corpo quase que todo molhado, embora a bermuda de tecido grosso ainda resistisse por sob a manta impermeável.

- "Falta pouco!" - pensei comigo.

Voltei a andar, agora um pouco mais hesitante pra não pisar em falso e escorregar nas raízes arbóreas pelo solo. Os pingos grossos pareceram tiro em cima da cabeça, olhei pra cima e quase fiquei cego pelo teco que levei no olho. Todo lacrimejante de nervoso, observei a nuvem que estava exatamente sobre minha cabeça e a safada pareceu rir da minha cara, com os dentões iluminados pelos flashes das trovoadas. Os estrondos eram as gargalhadas, pude jurar. Toda escura e pesada, parecida com a que o Glauco me mostrou no dia anterior. Lembrei do moleque franzino gesticulando, olhando pra mim com aqueles olhos brilhando em dourado por falar de algo que amava, a meteorologia. Comecei a rir, mesmo cercado de improbabilidade e falta de segurança causada pela tempestade. Atravessei alguns arbustos e, lá de cima da troposfera, o corpo de água sublimada, que eu jurei ter rido da minha cara, iniciou o choque com a nuvem colossal vizinha. Duas bordas em perfeita colisão, liberando energia pura e catastrófica sobre tudo que estivesse debaixo. Avistei a cabaninha do abrigo de chuvas e vi a sombra de alguém lá, mas a meteorologia já havia iniciado os trabalhos: o choque entre massas de ar trovejou ao longe e veio riscando do céu ao chão. À cada galhada das veias elétricas fraturando o ar do ambiente, uma espasmo do meu corpo, como se o tempo tivesse entrado em câmera lenta pra mim, mas não pro restante do perigo.

- GLAUCO! - gritei.

Ele veio à ponta do abrigo, com aquele sorriso amarelado de sempre no rosto, totalmente seguro e inadvertido do que viria. Sem mais nem menos, tirou o guarda-chuva amarelo de trás do corpo e, devagar, o abriu por cima da cabeça, na hora exata em que o trovão atingiu o velho transformador que havia no poste próximo ao abrigo de chuvas. "BOOOOOM!!". Um milhão de faíscas pra tudo quanto foi lado, eu mesmo acabei caindo no chão e fiquei muito tonto, sentindo como se os ouvidos tivessem explodidos. A cabeça zonza, a visão meio torta, só consegui abaixar por completo no terreno cheio de lama e sujei os joelhos e pés totalmente. Fiquei até com a impressão de ter visto a enorme fratura aberta no céu durante vários momentos, mas com certeza foi a confusão mental produzida pelo raio. Todas as faíscas começaram a cair por cima de onde o Glauco estava, e mais uma vez percebi que aquele moleque entendia de muito mais coisa do que pensei, totalmente preparado e com o sorrisinho feliz, debaixo do guarda-chuva amarelo que o protegera totalmente dos fiascos brilhantes que foram caindo. A minha visão foi tomada por isso. Uma chuva dourada por sobre o corpo do moleque, combinando com todas as outras paletas amareladas que presenciei desde que cheguei na Região Serrana, passando pelo loiro de seus cabelos e finalizando naquela cor de ouro vivo, o auge do brilho amarelo do Glauco.

- Moleque, você.. - comecei.

Levantei tonto, tendo forças apenas pra caminhar até ele e apertá-lo pelos ombros, olhando nos olhos brilhantes.

- Você cruzou toda essa água..

- Claro! Eu tava preocupado contigo, seu moleque! Sumiu o dia todo, mas eu sabia que ia te encontrar aqui!

Ele sorriu e fez cara de incrédulo.

- Sabia?

- Mas é claro!

Ainda afligido pelo choque auditivo do trovão, senti que o corpo ia cair e ele me ajudou a sentar encostado na parede, se posicionando abaixado na minha frente e cuidando de mim. Pra isso, teve que deixar o guarda-chuva amarelo de lado, usando as duas mãos. Onde estávamos, uma goteira no teto fez pingar em seus cabelos loiros, aí lembrei de que estava de boné.

- Toma!

Removi e pus sobre ele, numa intenção de protegê-lo da mesma maneira que estava tentando cuidar de mim ali naquela situação. Ele fez aquela cara de bobo e me olhou, vestindo minha peça com aquela elegância de menino sabido e homem inteligente. O silêncio entre nós, somente a chuva descendo e nossos olhares se encontrando sempre, até o ponto de não mais desviarem. Eu tava afim do Glauco, talvez estivesse até me descobrindo gay ou bi, mas isso era mero detalhe, um rótulo frente a tudo que gritava dentro do meu peito e nas nuvens no céu. Meti a mão no bolso um pouco úmido e, como sempre, tirei um baseado que restou do dia anterior. Tava meio molhado, mas ainda fumável. Ele riu.

- Já aprendeu? - perguntei.

- Não sei, vamos ver..

Junto com o cigarro de maconha, sem querer caiu a pulseira que encontrei da Sabrina, o que chamou a atenção do moleque.

- Que isso?

- Ah, eu esqueci de devol-

- CARACA, MUITO OBRIGADO, MARQUINHOS!

O sorriso expondo os dentes, a cara completamente tomada de alegria e um brilho único no olhar. Ele me abraçou forte pelo pescoço e quase senti o coração batendo forte no peito dele, de tão contente.

- O qu-

- Esse é o meu prendedor! Eu tava atrás dele desde que cheguei aqui, lembra?

Só então entendi o porquê da reação extrovertida.

- Isso é seu?

- Sim! Olha!

Chegou mais pra perto e me mostrou o medalhão costurado na medalhinha do elástico dourado. Em letras maiúsculas, a pequena inscrição detalhada.

- "C H U V A S".

- Chu..vas? - perguntei.

- Sim. Meu sobrenome. Sou muito grato por você tê-lo encontrado! Não queria ir embora sem ele!

E levantou, indo em direção ao guarda-chuva amarelo no chão da garagem. Pegou o instrumento e voltou onde estava, na minha frente, conectando a presilha novamente em seu lugar.

- Glauco.. Chuvas?

Então me olhou diretamente outra vez, agora com a peça completa como sempre deveria ter sido, sorrindo sem medo. A distância entre nós dois nunca pareceu tão menor. A respiração abafada do moleque não esperou pela minha investida, sentindo como se a boca fosse secar caso não fizesse o que era pra ter feito no dia anterior. Usei a mão pra segurar a lateral do rosto dele e, com toda a calma, segurança e tempo do mundo, iniciei um beijo intenso e gostoso, preenchido por muita vontade de tê-lo há um tempo. O moleque esperou, mas talvez não tenha esperado que eu fosse fazê-lo, já que ficou de olhos abertos no começo e se entregou conforme minha língua convidou a sua a unir-se, abrindo-se ao meu toque. Aí ele afastou meu rosto e analisou minha cara com o par de olhos brilhantes, totalmente iluminados. Sorriu e veio com tudo pro beijo, conduzindo o ritmo de um lado ao outro, começando a explorar meu corpo com as mãos tímidas. Nesse ponto eu o ajudei, tendo mais pressa nas ações e chegando à parte das costas dele, por onde passei os dedos firmemente, só pra sentir que era como a minha, humana, rígidas, porém com sua sensibilidade e calor. Nesse ritmo, o moleque tirou minha blusa e beijou meus mamilos, lambendo o peitoral e acariciando ao mesmo tempo com as mãos, ora revezando mais beijos e carinhos na boca. Foi aí que tive a mesma iniciativa e, com todo o cuidado, comecei a remover sua blusa.

Esse momento fora o mais delicado, ainda que seguro entre nós. Os minutos que correram entre eu ver seu corpo franzino nu e reparar nas duas marcas sob os seios foram os mais importantes. Eu sabia quais cicatrizes eram aquelas, minha reação foi olhá-lo nos olhos imediatamente, me deparando com o semblante de quem aguarda por algo a ser dito. Mas pra mim não existia distância ou necessidade de explicações, a não ser que fosse pra gente se amar ali mesmo. O moleque abaixou um pouco a cabeça e ficou em choque quando toquei a cicatriz da mastectomia realizada em seu corpo. Aquela era a marca que ele levaria como orgulho de ter superado a disforia de corpo e mente, por um dia já ter se sentido incomodado consigo. Eu senti a pele sedosa e marcada e pude perceber o calor gostoso da energia em seu corpo. Em seguida, repeti o que ele fez comigo, beijando seus mamilos e causando o prazer que eu queria que sentisse. A natureza da chuva caindo lá fora foi virando uma reação natural de um vulcão do lado de dentro, na medida em que nossa química cresceu e o beijo passou a ser de necessidade, possessão. O Glauco sentou no meu colo, bem em cima do meu membro excitado, e abriu as pernas pra mim, pra ficar bem encaixado no meu corpo. Voltamos a brigar com a boca, se apertando e amassando contra o outro, quase como se quiséssemos mesmo entrar fisicamente. Com a mão curiosa e doida pra amar, desci dentro da bermuda do loirinho e senti o espetar de pentelhos aparados. Devagar, senti o começo de um clitóris, totalmente saciado pela maravilhosa intimidade do Glauco, completamente disposto a mim e ao meu toque, minha vontade. Continuei e senti as paredes apertadinhas da bocetinha dele, aí fiz um pouquinho de pressão pro dedo entrar e cumprimentá-la.

- Ssss!

Seus mamilos saltaram e as mãos no meu pescoço ficaram mais firmes, junto com as mordidas no beiço. Lambi a ponta do dedo e senti o gostinho de boceta deliciosa, junto com o cheiro e quentura da pele íntima. Tornei a dedá-lo e ele foi se abrindo ainda mais no meu colo, chupando meu ombro e arranhando as costas.

- Se abre pra mim, moleque! Isso!

Ele contorceu o quadril conforme ganhei espaço na pepeca. Até se inclinar pra trás, não resistir e me fazer cair de língua por entre as beiças finas e tortinhas, praticamente intocadas. Brinquei de puxar mordiscando, apertei o botão do clitóris como se fosse uma peluciazinha, ao mesmo tempo em que continuei massageando-lhe os mamilos, o safado sentando na minha vara dura e se mexendo de propósito às vezes. Enfiei a língua bem no fundo, preenchendo a bocetinha quase que toda, e aí fiquei linguando insistentemente, roçando propositalmente no grelo dele. O puto agarrou meus cabelos e investiu o quadril contra a minha boca, aflito para que eu continuasse o serviço, que nem cogitei em parar.

- Hmmmmmm!

A umidade aumentou e a pele dele arrepiou toda, entregue à minha vontade. Mas ele mesmo não quis continuar, me parou e foi desfazendo o nó da minha bermuda. Sorriu mordendo a boca e nem me deixou falar nada, só deu mais beijos e desceu, agasalhando minha vara de uma só vez. Sua boca era quente, apertada e carinhosa, assim como todo ele. O céu da boca trovejou na cabeça e eu gemi, indo à flor da pele de tesão.

- SssSSS! Calma!

Ele começou a mamar me olhando, só pra mostrar o que sabia e como também poderia ser piranho, mesmo todo elegante e meio recatadinho. Vez ou outra fez uma graça, indo até à garganta e me deixando doido pra gozar, com a porra chegando à subir pela uretra grossa da caceta. Estávamos em puro contato íntimo, um dentro do outro, bem acompanhados pela umidade lubrificante da água, como sempre. Encostei no muro e ele tirou minhas mãos, querendo total controle da mamada, que eu obviamente concedi. Estiquei as pernas e o observei fazendo aquilo com tanto empenho, mas não consegui não olhar pro céu e depois fechar os olhos. Os dedos dos pés torceram, as mãos agarraram o chão molhado, mas ainda não poderia gozar. O puto me olhou e deu aquele risinho.

- Vem cá!

Puxei-lhe pela mão e ele entendeu o recado, posicionando-se diante da minha vara de pé. Abaixou lento, pincelou a cabeça na entrada da bocetinha e deslizou só um pouco, não passando por ela completamente.

- SSSSSSS!

Fiquei muito nervoso por senti-lo na pele, mal consegui conter o espasmos das coxas e a vontade de me mexer aflito, ele também teve que parar e ficar completamente estático onde estava. Em poucos segundos, foi voltando a enterrar, me fazendo suar que nem sei lá o que, de tanto tesão afluindo pelo corpo.

- Caralho, tu não tá sentindo isso?

- Olha pra mim!

A testa do Glauco era só água escorrendo, os mamilos super duros e o ventre aberto pra me receber inteiro. E foi descendo mais um pouco, dando aquele atrito indescritível do choque entre massas.. de pele rígida.

- Devagarzinho, vai..

- Assim?

Mordeu o lábio e continuou.

- Isssssuu!

Falei entre a boca. Antes mesmo de penetrar, não aguentei e me mexi pra completar o movimento, já tomando mais impulso para recuar e voltar a meter de leve. O comprimento da caceta arrastando todo o grelo, meus dedos massageando seus mamilos e ele exposto sobre mim, rebolando com o quadril enquanto quicava em rola. Ajudei impulsionando os pés pra mexer ainda mais, tendo a certeza de que estava completamente dentro do Glauco, todo molhadinho.

- Vem cá!

Voltamos a nos beijar safadamente, com direito a tapinhas na cara e mordidas na boca. Atravessei seus cabelos loiros com os dedos e o puxei pra mim, o puto sentou com vontade e me arranhou, me mordeu com força, pra deixar marcas. Foder na pele era bom pra caralho, ainda mais depois de tanto tempo batendo punheta. Virei ele numa parte pouco gramada do abrigo de chuvas sem sair de dentro, coloquei meio de quatro e voltei a possuí-lo enquanto massageava-lhe os seios com cuidado e vontade. Ele tentou virar pra me abraçar e acabei usando seu braço como um apoio pra meter com mais vontade, comer com mais força. Foi nesse momento que percebi o rabão empinado e de quatro pra mim. A mão agarrada em uma de suas ancas foi deslizando e, mesmo não querendo, passei o dedo por cima do cuzinho tímido me namorando desde o começo da meteção. Foi aí que ele olhou pra trás e sorriu com aquela cara de piranho totalmente desenhada. Quem o conhecia jamais desconfiaria.

- Tá rindo pra mim? - perguntei.

- Eu sei o que você quer, seu safado!

- Você que ri e eu quem sou o safado?

Ele empinou o rabo e eu tirei a vara. Bati a cabeça na portinha do cu, dei aquela cuspida e brinquei de enterrar somente ela, sentindo as pregas me apertarem muito mais que a pepeca. As nádegas arreganhadas pelas minhas mãos, o quadril doido pra começar a investir, mas a paciência foi chave, tanto quanto o desejo anal. Aquele diâmetro pulsante passou pela glande e eu fui às nuvens.

- SSSSSSSSSS!

Glauco mesmo chegou o corpo pra frente e vibrou todo comigo dentro, apertando ainda mais na pele. Eu não tinha como continuar por muito tempo, essa era a verdade. Então tirei e revezei do cuzinho pra boceta, da boceta pro cuzinho, e aí arranquei gemidos de verdade do viado.

- PORRA, MARQUINHO! SSSSS

- Porra é o que eu vou te dar, seu puto! Esse tempo todo!! FFFF

Vi suas mãos agarrando e puxando a grama como se fosse sair engatinhando a qualquer momento. Quando realizava a troca de um pro outro, ficávamos tão arrepiados que todos os dedos contorciam e ele se arqueava todo, pareceu até cãibra em conjunto. Mas foi no cu que a coisa tava louca, de tão apertado. Era uma estocada e alternava, até que, na vontade da sodomia, comecei a arriscar duas, três. Pronto, o gozo virou questão de tempo. Alcancei a boceta com os dedos e massageei o grelo entre dois, três, de todas as formas possíveis. Dobrei-me sobre Glauco e o puxei pelo cabelo com a mão livre, agora socando fundo só no cu do puto. Ele vermelho de suado, morto de cansado, aguentou todas as estocadas como guerreiro. Quase subi o corpo pra despejar a porra.

- SSSSSSSS! CARALHO!

- FFFFFFF!

Tirei do cuzinho pela última vez, taquei dentro da boceta e relaxei, enchendo tudo de muita porra que despejei.

- Hmmmmmm!

Pareceu que tava minando fonte ali, de tão molhadinho o Glauco ficou, quase como as nuvens no céu. As ondas de calor do corpo foram espalhando e cessando, enquanto a caceta deu os espasmos necessários para deixar quantidade grande de leite dentro da pepeca do safado. Aquele era um homem, uma vez que era assim que se identificava. Órgão genital não definiria ninguém.

- Safado!

- É você, Marquinhos!

A gente ainda se alisou muito antes deu escapar pra fora. Deitamos nus na pouca grama do abrigo de chuvas e ficamos olhando pro céu, nos recuperando da tempestade entre nossos corpos se amando. Acarinhei-lhe os cabelos, beijei-lhe a boca e ficamos nesse chamego gostosinho, um cuidando do outro.

- Glauco Chuvas.. - repeti.

- Isso.

Outro beijo de vontade. Ele deitado no meu bíceps, eu com a perna pra cima da coxa dele, o puto ainda brincando de alisar meus pentelhos. Peguei no sono depois de tê-lo feito dormir em meus braços e colo, talvez o melhor cochilo de todos que já tive depois de ter transado com alguém. Ou talvez feito amor, quem sabe. O que senti antes e depois de dormir não fora nada que senti antes, nem sequer perto.

Acordei sozinho, desse jeito, nu e cru. Faltou no ar no peito pra gritar pelo Glauco, mas lembrei dele dizendo que precisava do prendedor do guarda-chuva amarelo pra poder ir embora. Não sei que horas eram e nem quanto tempo fiquei ali cochilando, com ou sem o moleque, só sei que olhar pro céu foi a primeira coisa que fiz. E, pela primeira vez em muito tempo, o raio amarelo de sol atravessou meu corpo e me fez carinho.. como se fosse.. aquele mesmo afago caloroso e em tons amarelados, dourados. Ao redor, nem sinal de nada, só eu pelado e banhado por luz. Eu poderia ficar triste, mas não me permiti, mesmo sozinho, afinal de contas, aquela fora uma experiência única por ter mudado de ideia em relação a um cara. Além disso, eu me descobri capaz de me envolver com outro cara. Um autêntico homem como eu. Dois rapazes se amando sob a chuva torrencial, que agora havia ido embora como se nunca tivesse estado ali. Simplesmente não combinou com o visual da serra, mas isso só até eu levantar e ver tudo que, até então, era coberto por nuvens, neblina e névoa.

- Uau!

Um milhão de árvores verdes, cujas copas eram atravessadas por muita luz e água de orvalho misturada à que caiu do céu horas atrás. Uma natureza enorme de vida, respirando sob os pés e adiante dos olhos. Um céu vazio, limpo, o sol brilhando firme, muito imponente no céu. Lembrei de que havia mais jogos universitários no próximo semestre e o peito encheu de alegria, junto com o ar de terra molhada. Devia ser ótimo morar na Região Serrana, exceto pelo tempo majoritariamente encoberto. Com exceção de que agora estava ensolarado, sem a possibilidade de Chuvas.

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Em CEREJA, eu falo sobre todas as manifestações da masculinidade e da tensão sexual proveniente entre os homens. E se é pra falar de masculino, isso OBRIGATORIAMENTE inclui TODOS os homens. Sejam bem vindos ao meu Abrigo de Chuvas, onde a água TRANSforma, TRANSmuta e TRANSgride. Espero que gostem, foi feito de coração e em tempo para o ano novo.

PS: ainda não revisado, perdoem os erros.

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Comentários

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05/07/2018 22:57:05
Eu achei maravilhoso
07/02/2018 19:01:36
♥️
07/01/2018 03:57:22
Eu também amo essa CEREJA <3
02/01/2018 19:42:10
PERFEITO
01/01/2018 16:38:16
Muito maravilhoso!!!
01/01/2018 10:53:33
Fantástico! Adorei o conto e o modo como vc desenvolveu a história é a temática...