ALÉM DO TEMPO - UMA HISTÓRIA SOBRE A FORÇA DA LASCÍVIA

Um conto erótico de DUQUE DE SAXE
Categoria: Homossexual
Contém 1385 palavras
Data: 03/08/2017 12:04:08

Monte Verde, interior de Minas Gerais, julho de 1984

Ele me imprensava rudemente por trás, forçando meu corpo franzino e delgado contra a parede. Eu sentia a aspereza daquela parede decrépida: era fria, úmida e dura, tão dura quanto o membro rígido que era forçado contra meu bumbum. Meus olhos lacrimejavam e eu gemia baixinho, não de dor, mas de vergonha e humilhação...

Suas mãos, calejadas, grossas, envelhecidas, mas firmes e fortes seguravam meu quadril e ditavam o ritmo de nossa transa. Às vezes suas arremetidas eram tão fortes que minha cabeça se chocava contra a parede e eu imediatamente sentia uma fisgada de dor.

À medida que sua excitação crescia, suas mãos passavam a me apalpar com fervor: subiam e desciam por todo o meu tronco até se deterem em meus mamilos, os quais eram apertados de um modo quase furioso.

Sentia uma ardência crescente em meu ânus, decorrente das metidas fortes, incessantes e violentas daquele velho. Seu hálito quente fazia minha orelha e meu pescoço queimar. Suas mãos permaneciam apertando meus peitinhos de menino gorducho como se quisessem ordenhá-los. Sua boca murcha e sedenta encontrou meu pescoço e começou a sorvê-lo e mordiscá-lo.

O cimento velho da parede parecia mais duro, mais frio... Minha cabeça doía com mais intensidade também... Tentava pensar em coisas boas, em algum fato ou em alguma coisa que me levassem para outra dimensão e permitissem me distanciar daquele realidade horrenda.

Sua baba melava meu pescoço e os dentes que lhe restavam cortavam minha pele como garras afiadas. Eu sentia nojo. Eu sentia vergonha. Eu tinha que ser forte. Logo aquilo tudo acabaria.

Suas mãos voltaram para o meu quadril. Seguraram-no com firmeza. Veio uma arremetida mais forte. Outra mais suave, porém profunda. Seu mastro estava todinho enterrado em mim.

Minha cara beijava a parede. A mesma parede. A parede que sempre testemunhava meu suplício e minha desonra. A testemunha de todos os meus piores infortúnios...

Comecei a queimar por dentro. Sentia aquela gosma ultrajante deslizar pelo meu reto e descer pelas minhas coxas. Ele soltou um suspiro profundo. O vácuo produziu um som estranho quando seu pênis, já meio murcho, saiu de dentro de mim. Ele me soltou.

Eu me virei e encostei as costas na parede. Meu rosto estava sujo de lágrimas, saliva e um pequeno filete de sangue. Mas, eu o olhei. Olhei no fundo dos seus olhos como eu sempre fazia. Vi o remorso brilhar lá dentro. Depois do alívio do gozo ele sempre tinha consciência do seu erro. Mais uma vez ele sucumbiu à fraqueza da carne. Eu percebia seus olhos me percorrerem todo. Ele me viu ali: frágil, indefeso, com várias marcas de chupão no pescoço, os peitinhos de adolescente avermelhados e inchados depois de tantos amassos... Ele viu sua porra descer pelas minhas pernas e pingar no chão. E ele viu, é claro, seu filho. E toda a tristeza que a realidade é capaz de oferecer depois um ato cruel como esse o atingiu com força. Ele se virou e caminhou para a cozinha. Sabia o que ele iria fazer. Pegaria novamente a garrafa de cachaça e beberia até a última gota... tentaria esquecer... mas, suas lascívia sempre triunfaria e ele viria me procurar de novo... me levaria ali... para o puxadinho no quintal, uma obra velha e inacabada, protegida por algumas bananeiras...

Eu escorreguei pela parede e sentei no chão. Chorei. Chorei muito. Fui até uma pia velha e comecei a me limpar. Estava peladinho e usava a água fria para apagar as lembranças terríveis de mais um coito...

Ouvi seus passos antes de poder vê-lo. Virei-me no exato instante que ele erguia o braço e vi seu punho acertar meu olho. Doeu muito! Tudo ficou rubro e meio escuro também. Gritei. Ele tapou minha boca e me encostou na parede. Acho que minha sina era ser imprensado pelos outros...

- Sua putinha! Eu tenho nojo de você!

- Calma, Paulinho... - eu disse chorando – não me bate...

- Eu sempre fui teu amigo! Sempre! E agora isso! Descubro que você é um viado nojento! Um viado nojento que transa com o próprio pai! – suas palavras eram mais dolorosas que o seu soco – Eu tenho nojo de você – ele repetiu – nojo! – ele enfatizou.

- Eu posso explicar...

- Não, não pode! O que você fez não tem explicação! – Ele começou a apertar meu pescoço – Você é sujo! É podre! Eu tenho raiva de você!

- Eu não tive culpa!

- Teve culpa sim! O de tanto de vezes que te chamei para jogar bola, correr, nadar... para ver se você ganhava corpo e perdia essas – ele apertou meus peitinhos com muita força – tetinhas de menina moça e essa bunda de rapariga – realmente meu bumbum era muito avantajado – e você nunca ia. Agora entendo tudo! Você gosta de ser assim! Você gosta de ser menina!

- Não, eu não gosto... – meu choro não me deixava concluir – eu fui forçado, você não viu...

-Não seja ridículo! Seu pai fez o que qualquer homem faria quando uma raparigazinha fica se insinuando para ele – ele começou a desafivelar seu cinto e eu tive um calafrio assustador – Ele fez o que eu também vou fazer...

Eu tentei argumentar, mas outro soco me atingiu. Encolhi-me todo e cai no chão. Um chute bem dado nas minhas costelas me tirou todo o ar dos pulmões. Abri a boca tentando respirar e, subitamente, ela foi preenchida com seu membro seboso e extretamente duro. Sem opções eu chupei. Engasguei. Tive ânsia de vômito. Mas, chupei. Olhei para meu amigo de infância e vi desprezo e raiva em sua fisionomia.

Ele me botou de quatro no chão e enfiou de uma vez só. Parecia ter certa experiência. Meteu pouco. Umas cinco ou seis vezes apenas. Logo gozou. Levei mais um chute. Ele ajeitou a própria roupa e, antes de sair, disse as palavras que determinaram meu destino dali para frente:

- Eu vou te usar sempre de agora em diante. Sempre.

A minha vida que já era um inferno piorou muito... Agora eu tinha dois homens rudes e violentos para saciar: meu pai, um senhor já sexagenário; e meu melhor amigo, um jovem da minha idade, que cresceu junto comigo e se mostrou tão cruel quanto qualquer vilão.

Belo Horizonte, fevereiro de 2015

O inicio do ano letivo era sempre confuso. Henrique, meu filho, chorava, fazia manha e se negava a ir para a escola. Eu ralhava com ele. Ponderava. Perdia a paciência. Dava-lhe uma palmada às vezes. E ele, por fim, obedecia. Ia para a escola emburrado, mas ia.

O ano letivo sempre começava com uma reunião de pais e professores. Era um tédio. Bastante enfadanho. Mas, eu era pai... A mãe de Henrique morreu há dois anos num acidente de trânsito... Portanto, era eu que tinha que ir.

Os temas eram os mesmo de todos os anos anteriores: disciplina, participação da família nas atividades escolares... aff! Como eu queria ir embora.

Finalmente, a reunião acabou. Fui encontrar meu filho no pátio. Fiquei aliviado ao vê-lo com uma carinha risonha e contente. Brincava com um novo coleguinha.

- Pai, esse aqui é o Mateus! Nós somos super-amigos agora! – eu não pude deixar de ir da inocência dele.

Antes, porém, que eu tivesse tempo de falar qualquer coisa que fosse, ouvi passos se aproximando e uma voz dizendo:

- Filho, desculpas, não pude vir para a reunião, mas consegui vir te buscar...

Meu coração quase saiu pela boca. Comecei a suar frio. Não era possível... Virei-me lentamente e, fiquei mais assustado ainda. Nossos olhos se encontraram. Ele também ficou estático. Nenhum de nós dois soube o que dizer. Ele tinha barba e um peitoral bem desenvolvido. Era forte, viril e tinha uma aparência elegante. Eu, também mudei muito. Estava magro, visivelmente próspero, com um cavanhaque. Erámos muito diferentes há trinta e poucos anos... mas, nossos olhares se reconheceram. Sua voz era quase a mesma.

- Paulo – eu disse.

- Pedro – ele me puxou para um abraço – Quanto tempo, cara! Porra, que mundo pequeno! – Agora eu estava ali, abraçado, com um homem que eu não via há mais de vinte anos e que, junto com meu pai, tinha sido o responsável por destruir meus sonhos e minha vida. Eu senti seu grande peitoral me esmagar e sua barba roçar meu rosto. Eu senti raiva. Muita raiva. Uma raiva tão intensa que, estranhamente, eu tive uma ereção...

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Comentários

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Adorei! Se eu puder te perguntar: tu é o mesmo autor de "VIADINHO MALVADO" do autor também chamado Duque de Saxe? Se sim, por favor faça uma continuação/2 temporada, quero muito saber que rumo levaram os outros personagens.

Bjs

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Conto excelente! bem escrito, bem distribuído, perfeito1 nem parece que foi o mesmo autor que escreveu contos tão ruins anteriormente, pena que não deu uma continuação á este.

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Muito bem escrito. Parabéns. Espero que continue

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Cretino este Pedro.Deve sofrer muito por Paulo.Muito bom.

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Que mundo pequeno, bizarro e vil. Como assim ele abraçou o amigo como se nada tivesse acontecido?

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