Thithi et moi, amis à jamais! Capítulo 136 e 137

Um conto erótico de Antoine G
Categoria: Homossexual
Contém 7842 palavras
Data: 29/03/2016 22:15:20

Enfim, o dia do meu aniversário havia chegado. Nós estávamos nos arrumando em casa, Dudu, Pi, Bruno, Sophie e eu. Dudu passava mais tempo em casa do que na casa dele. Eu precisava conversar com ele e o Pi, nós adorávamos tê-los em casa, mas era muito homem para a cabecinha da Sophie. Ela já iria crescer com dois pais, se ela tivesse mais dois homens em casa, que eram um casal também, isso poderia fazer uma mistura danada na cabecinha dela. Então, Bruno e eu já tínhamos decidido que iriamos falar com os meninos.

- Amor, prende essa capa aqui pra mim, por favor. – Bruno disse

Nós íamos de espartanos, nossa fantasia estava um máximo, mas melhor que a nossa estava a da Sophie. Eu estava com vontade de morder minha própria filha de tão gostosa que ela estava.

- Nós estamos gatos, não estamos? – Bruno disse se olhando no espelho

- Modesto, né amor?

- Muito! – Ele disse rindo – Teremos uma noite maravilhosa, hoje, né?!

- Se Deus quiser!

- Já estás pronto?

- Já? Só estava te esperando!

- E a tua capa?

- Eu coloco quando chegar lá.

- Já podemos ir?

- Acho que sim, tem que ver se o Pi e o Dudu já estão prontos.

- Eles vão conosco?

- Vão!

- Temos que rever isso, hein?

- Eu sei! Fazemos isso após a festa.

- OK! Vamos, então!

Nós passamos pelo quarto dos meninos e eles já não estavam mais lá. Descemos as escadas e eles estavam nos esperando na sala.

- Olha, se vocês não fossem meus irmãos, eu pegava vocês! – Dudu disse

- Eu digo a mesma coisa!

- Olha quem fala, não? Como se vocês fossem os mais feios do mundo! Mas, mesmo que meu amor fosse feinho, eu não o trocava por vocês!

- Duvido! – Dudu disse

- Pode ter certeza!

- Vamos pra festa? – Bruno disse

- Vamos! – Pi logo falou

- Te amo! – Bruno disse baixinho me dando um cheirinho e um beijo

Nós fomos para a garagem de casa, eu coloquei a Sophie na cadeirinha dela e todos nos acomodamos no carro para o Bruno dar a partida. Após 20min nós chegamos na casa de eventos onde aconteceria meu aniversário.

- Amor, prende minha capa? – Eu pedi para o Bruno antes de entrarmos

Todos os meus amigos já estavam lá. Jean e Christine resolveram se arrumar na casa da Jujuba, assim o Jean já dava carona para a Jujuba já que no nosso carro não tinha mais vaga. Eu estava doido para ver a fantasia do Jean.

Eu terminei de me arrumar e nós entramos. Eu ia com a Sophie no colo e os meninos vinham ao meu lado. Quando eu entrei na festa já havia bastante convidados. A Jujuba, o Jean, a Chris e os meus outros amigos de Guyane já estavam lá. O Alan, junto com toda a minha família, também já estava. Eu cheguei e fui cumprimentando todo mundo. Todos me desejavam os melhores votos possíveis e ainda tiravam uma casquinha da minha filha linda.

- AIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII, VIAAAAAAAAAAADOOOOOOOOOOOOOOOOO, TU TÁ MUITO GOSTOSO! EU TE COMO DAQUI PARA MAIS TARDE! – Jujuba disse toda eufórica próximo à a área destinada a tirar as fotos com os convidados

- Cruz credo! Não, obrigado!

- Quer roubar meu marido, Jujuba? – Bruno perguntou sério

- Não, eu quero te comer também! – Essa não tinha jeito mesmo – Gente, vocês estão muito gostosos nessas roupitchas.

- Ju, tu não ficas atrás com essa roupa de mulher maravilha. Tá gata!

- Oi? TÁ gata? Eu SOU gata, meu amor!

- Amigo, eu concordo com a Jujuba, vocês estão muito bonitos!

- Tu estás ainda mais, Chris! – Bruno disse

- Beleza, deixa eu ir embora senão eu ataco teu marido também! – Chris falou para mim

- Eu ataco os dois! – Jujuba disse indo junto com Chris

- Então quer dizer que essa é a tua fantasia, seu Jean?!

- Sim!

Ele estava lindo vestido de Peter Pan. Lindo mesmo!

- Ta bonito, hein?

- Tu achas?

- Com certeza!

- Será que consigo alguém por aqui?

- Consegue, sim!

- Será que eu consigo a Jujuba? – Ele disse rindo

- Se fores com jeitinho, consegue. Ela está solteira! Vai fundo!

- Tu dizes?

- Unrum! Vai devagar, ela te acha bonito, já é meio caminho andado.

- Vou lá, então!

- Ta bonito, hein? – Bruno disse me imitando depois que Jean já havia partido

- Ciúmes, mozão?

- Tá bonito, hein? – Ele repetiu e eu só fiz rir

- Cadê a princesa da Mamie? – Maman disse pegando a Sophie do meu colo que foi toda sorridente

Maman simplesmente pegou a Sophie e foi embora.

- Oi, para a senhora também! – Eu disse depois que ela já estava um pouquinho afastada

A neta fazia ela esquecer qualquer um... Bruno foi junto com a Maman, ele tinha que ficar um pouquinho com o Alan. Eu fiquei recepcionando os convidados que ainda chegavam. Após algum tempo, ele veio falar comigo.

- Mas olha quem tirou um tempinho para vir na minha festa... eu pensava que tu não virias.

- E tu achas que eu iria perder essa festa? De jeito nenhum! – Thi disse me abraçando – Ta bonitão, hein? – Ele falou no meu ouvido

- Tu não ficas atrás!

Ele estava de caveira, mas era uma caveira bem moderna, bem estiloso. Ele estava lindo. Muito lindo mesmo!

- E então, vamos dançar? – Ele disse me soltando do abraço

Ele foi um dos últimos convidados a chegar, eu recebi quase todos. Quando ele me chamou para dançar, eu fui com ele para a pista de dança que já estava bem animada. O DJ estava sabendo animar muito bem a festa, todos estavam se divertindo. Nós começamos a dançar e quando meus amigos mais próximos nos viram, eles começaram a se aproximar e a dançar conosco. Foi uma festa só.

Os barmans faziam diversos drinks, e eu aproveitei para me esbaldar. Nesse dia, eu não me preocupei muito com a Sophie, pois a Maman disse que cuidaria dela para mim. Bruno, que estava com o Alan, veio se juntar a nós e trouxe o irmão junto.

- ESPEREM, ESPEREM, ESPEREM! – Eu gritava para que eles pudessem me ouvir

- O QUE FOI? – Dudu perguntou

- TEM ALQUÉM QUE PRECISA PAGAR UMA DIVIDA COMIGO! – Eu disse olhando para o Pi

- NÃO, NÃO, NÃO E NÃO! – Ele me olhava rindo, já estava vermelho de vergonha

- QUEM É QUE VAI BALANÇAR A BUNDINHA PARA TODO MUNDO? ESPEREM AQUI! – Eu disse para a galera – PIERRE, PODE VIR COMIGO!

Ele sabia que não poderia fugir de mim. Nós fomos até o palco e eu pedi para o Dj parar a música por um instante. Eu peguei o microfone e disse.

- Boa noite, pessoal! Estão se divertindo?

- SIIIIIIIIIIIIIIIIIIM! – Todos gritaram

- Então, para nos divertirmos ainda mais, meu primo, Pierre Guimet, vai fazer uma pequena apresentação para nós. – Eu falava primeiro em português e depois falava em francês.

- Eu vou te matar! – ele falou para mim

- Divida é divida, primo! Vai lá!

Eu pedi para o DJ colocar uma música bem agitada. Ele começou a dançar meio tímido, mas como ele já havia bebido, ele logo se soltou e se jogou na dança.

- Mexe esse bumbum, primo!

Ele virou para mim e me mostrou um cotoco.

- Que coisa feia! Só por isso vai dançar mais uma música! Muda aí DJ, põe um axé antigo!

O DJ colocou a música que eu pedi, dessa vez, o Pi me puxou e nós dois dançamos. Era hilário vê-lo dançar um ritmo essencialmente brasileiro. Eu mais ria dele do que dançava. Após um tempo, todos estavam nos acompanhando.

- Tu vais me pagar! – Ele disse no meu ouvido – Espera aí!

Ele foi até o DJ e não sei como ele conseguiu se comunicar, deve ter utilizado todo o português horrível que ele falava. Quando ele voltou de lá, eu ouvi a música “Couper Décaler”. Quando eu ouvi aquela música eu logo comecei a dançar e eu ouvi a Chris de longe gritando. Eu desci do palco e em menos de segundos nós estávamos dançando que nem dois doidos. Era impossível ficar quieto com aquela música. Quem não conhecia a música, se acabava de tanto rir da forma como dançávamos, mas meus amigos de Guyane começaram a dançar comigo e foi super divertido, até o Bruno e o Thi entraram na roda. Nós empinávamos a bunda e dançávamos por todo o salão. Chris e eu erámos os mais animados. Em um momento, até a Maman e o Papa entraram na roda, o que chocou muita gente. Eles dançaram super bem! Se o Pi queria vingança, ele não conseguiu! A partir daí tocaram várias músicas de Guyane e nós dançamos TODAS, Chris e eu principalmente.

- De onde tu tiraste essa música? – Chris perguntou no meu ouvido

- Não fui eu! Foi o Pi que mandou tocar.

- Amo teu primo! Essa música é foda! Lembra como a gente ia nas festas lá em Guyane?

- Oooooo se lembro!

Não tinha como ouvir aquelas músicas e não dançar. Nós dançamos várias músicas só paramos quando já estávamos super cansados, aí nós fomos até o bar e bebemos bastante diversos drinks.

- Eu já tô vendo um arco-íris na minha frente! – Chris disse – Já bebi tantas cores que já nem sei mais o que eu tô bebendo.

- Eu também! – Eu disse

- Vem comigo! – Bruno me puxou, ele já havia bebido bastante também

Nós voltamos para a pista de dança e dançamos a música agitada que estava tocando, mas logo o DJ mudou a música e colocou uma música mais calminha para que as pessoas pudessem descansar um pouquinho. Nós começamos a dançar juntinhos.

- Parabéns, amor! – Ele disse no meu ouvido – Tu falaste que tu não querias nada, então, eu não te trouxe nada. A única coisa que eu te dou, hoje e sempre, é meu amor. Eu te desejo toda a felicidade do mundo, por que tu mereces, amor. Que tu continues sempre sendo essa pessoa maravilhosa que tu és, esse ser humano exemplar. Se a nossa filha herdar um pouquinho que seja de tudo o que tu és, ela será a pessoa mais feliz do mundo. Quero que tu nunca esqueças que o que eu sinto por ti é infinito, que pode acontecer o que for com a gente que eu sempre vou te amar. Meu coração está ligado ao teu! Feliz aniversário!

Eu estava com o rosto no pescoço dele.

- Ei, não é para chorar, hoje! – Ele disse acariciando minhas costas

- Obrigado por estar na minha vida e por me fazer feliz todos os dias.

- Eu te amo! – Nós nos beijamos

Não costumávamos ficar nos beijando na frente de tantas pessoas, mas naquele momento, nós não estávamos nos importando com nada. Nós dançamos toda a música calma. Após a música, Maman e Papa subiram no palco e o DJ cortou a música. Eles estavam com microfones nas mãos.

- Boa noite, pessoal! – Papa disse – Nós estamos muito felizes em tê-los conosco festejando mais um ano de vida do nosso bebê mais velho.

- Nós temos algo para falar ao nosso filho, prometo que será bem rapidinho.

Eu me perguntava o que aqueles dois estavam aprontando.

- Ontem, – Papa retomou a fala – meu cunhado me perguntou, enquanto nos falávamos por telefone, se eu não tinha vergonha de ter um filho como o Antoine. Confesso que num primeiro momento eu não entendi a pergunta, mas logo ele fez questão de se fazer entender. Ele me perguntou se não tinha vergonha de ter um filho homossexual. Eu fiquei logo chateado, odeio essa pergunta, todos aqui já sabem disso! Minha resposta foi rápida e certeira. NÃO, NÃO TENHO NENHUMA VERGONHA DO MEU FILHO! Eu fui grosseiro mesmo. Eu disse a ele, que seria impossível ter vergonha de um homem que lutou duas vezes contra um câncer, que venceu as duas guerras. Seria impossível ter vergonha de um homem que está sempre disposto a ajudar todos que ele ama, que se preocupa mais com quem ele ama do que consigo mesmo. Seria humanamente impossível eu ter vergonha de uma parte do meu ser. Se ele é o que é hoje, fomos nós dois que o criamos e o instruímos. Eu não poderia ter vergonha dos princípios que eu passei a ele. NÃO, NÃO TENHO VERGONHA DO HOMEM QUE ELE SE TORNOU! Não tenho vergonha! Marido exemplar, pai e filho maravilhoso. Eu tenho orgulho! Orgulho de tê-lo como filho. Orgulho de poder, hoje, aprender com ele. Aprender a ser melhor a cada dia. Aprender que a vida é leve e que precisa ser vivida da forma mais bela possível, sem se importar com o que pessoas negativas falam sobre nós. Parabéns, bebê!

Eu já me debulhava em lágrimas.

- Para mim – Maman começou a falar – meu neném nunca vai deixar de ser neném. O Carlos sempre o chama de bebê, é verdade. E ele de fato é nosso bebê e sempre será. Chéri, tu és o filho que todos os pais desejariam ter. Somos muito mais que mãe e filho, somos amigos e confidentes. Acho que muitos devem pensar, como a Ange consegue ser amiga do filho? Simples, nós conversamos sempre sobre tudo. Mon amour, eu poderia falar diversas coisas maravilhosas, mas teu Papa roubou minhas falas e fez todos os elogios.

- A gente nunca ensaiou, querida! Não tive culpa! – Todos nós rimos

- Tais-toi, Carlos! – Ela disse rindo – Antoine, eu só tenho que te agradecer por ter aumentado nossa família. Agradecer por termos um genro maravilhoso que cuida de ti e de toda a nossa família. Agradecer por ter me dado a neta mais linda desse mundo. Meu amor, eu te desejo toda a felicidade do mundo, por que tu és merecedor.

Eu subi no palco e abracei meus pais.

- PARABÉNS PRA VOCÊ, NESSA DATA QUERIDA... – Maman começou a cantar e o Dudu e o Thi trouxeram a mesa com o bolo e todos a acompanharam nos parabéns.

Nós cantamos os parabéns e ainda cantaram o com quem será, o que foi muito previsível. Eu cortei o bolo e ainda me fizeram dar o primeiro pedaço, o que eu não suporto por que sempre fica alguém melindrado por não ter ganhado.

- Pra quem vai o primeiro pedaço do bolo, hein? – Dudu perguntou cheio de esperanças

- Vocês sabem que eu não gosto disso! Mas, já que perguntaram, o meu primeiro pedaço vai para a minha Mamie por que sem ela, minha Maman não existiria e eu também não.

Todos achavam que eu iria dar para o Bruno ou para o Dudu ou para o Thi ou para a Jujuba, mas se enganaram feio.

- Oooo, meu filho, obrigado! Feliz aniversário! – Ela me abraçou

- Obrigado, Mamie!

Todo mundo começou a me abraçar e a me desejar parabéns, mas os mais especiais foram os parabéns dos meus irmãos e marido, é claro.

- Viaaaaaaaaaaaaaadoooooooooooooo!!! Tu estás mais velho! – A doida se jogou em cima de mim

- Aiiiiiiiiiii!!! – Ela pisou no meu pé e nem ligou

- Amigo, parabéééééééééeéééééééééééééééeééééééeéééééééééééeéééééééééééééééééééns! – Ela me chacoalhava enquanto gritava parabéns – Te desejo toda a felicidade desse mundo, não te desejo os melhores bofes por que tu já tens o teu deus maravilhoso. Mas, eu te desejo muita felicidade ao lado dele, ao lado da pequena família que tu estás construindo.

- Sai pra lá, macumbeira!

- Ai, viado sinistro!

- Vocês não vão brigar agora, né?

- Não, eu vou deixar esse viado mega monstro sinistro te abraçar também.

- Valeu, titia! – Ele a chamava assim agora, pois ele dizia que ela ficaria para titia

- Seu filho de uma... – Eu coloquei a mão na boca dela

- Hoje, não! – Ela me olhou e se acalmou

- Mano! – Dudu me deu o famoso abraço urso

- Ai, eu ainda preciso respirar, Dudu.

- Parabéns, parabéns, parabéns! – Ele afrouxou um pouco o abraço – Eu te desejo tudo o que há de bom nesse mundo, que toda a felicidade que tu proporcionas pra gente se multiplique e volte pra ti e para a nossa família (ele se referia ao Bruno e a Sophie). Que nada de ruim possa estragar a tua felicidade e se um dia alguma coisa acontecer, eu estarei sempre aqui para te ajudar. Feliz aniversário, mano!

- Obrigado, mano! – Eu nem pude falar direito, pois o Gui já veio se jogando pra cima de mim, ele estava fantasiado de Mickey, ele escolheu a fantasia para fazer par com a Sophie. Eles ficaram lindos juntinhos.

- Parabéns, manooooo!!!

- Obrigado, Gui!

- Parabéns, maninho! – Anne veio me abraçar também – Mano, obrigado por estar sempre ao meu lado, obrigado por sempre me orientar e ter paciência comigo. Obrigado por ser um ótimo irmão. Feliz aniversário! – Ela me deu um beijo no rosto e já deu vez para outra pessoa me parabenizar.

Pi veio e me abraçou forte.

- Eu não sei o que te falar... – Ele disse baixinho no meu ouvido – Eu tenho tanto a te agradecer, tenho tanto a te falar... Mas, obrigado por ter me dado esperança, por ter me mostrado que é possível a gente ser feliz. Obrigado por ter me devolvido o prazer de estar em família, de ter amigos. Eu sou muito grato por te ter na minha vida, primo. Feliz aniversário! – Ele chorou

- Não precisa chorar, primo! – Eu o abracei novamente – Obrigado por estar aqui!

Depois do Pi, Chris, Jean e todos meus amigos de Guyane vieram falar comigo. Bruno foi o último.

- Eu acho que tu já desejaste “feliz aniversário” para mim! – Eu disse o abraçando

- Já? Então, eu desejo de novo! Amor, tudo aquilo que o teu pai falou é a mais pura verdade. Eu partilho do orgulho dele, eu me orgulho demais em te ter como esposo. Tu me mostras a cada dia como a felicidade é simples, como nós não precisamos de muita coisa para sermos felizes. Eu agradeço todos os dias o dia que tu apareceste no meu consultório pela primeira vez, agradeço a Deus por ter permitido eu encontrar e dividir a minha vida com alguém tão especial. Muito obrigado por me lembrar todos os dias que o amor existe e que ele independe do corpo físico da pessoa. Obrigado por ter me escolhido, por ter aceitado passar o resto dos nossos dias juntos. Obrigado por ter me dado uma filha linda, por que sem a tua vontade nós não teríamos nossa Sophie conosco. Obrigado por ter me dado uma família linda, por ter partilhado comigo o amor, o carinho e a proteção que eles te dão. Que nosso amor continue a crescer a cada dia, que Deus sempre nos ilumine e guie nossos corações. Feliz aniversário, amor! – Ele me beijou, eu já estava chorando.

- Onde eu arranjo um Bruno, gente? – eu ouvi a Jujuba falar longe

- Eu que te agradeço por fazer parte da minha vida, por ter me dado um cantinho no teu coração.

- Um cantinho? Eu te dei ele inteiro! – Ele disse rindo

- Bobo!

O DJ voltou a tocar, os barmans voltaram a fazer os drinks e os garçons a distribui-los. As pessoas continuavam a me felicitar.

- Será que posso abraçar meu sobrinho também?

- Claro que pode, Tata!

- Feliz aniversário, meu amor! – Ela disse me abraçando

- Obrigado, Tata!

- Desculpa por tudo! Eu sei que não agi de forma correta na tua casa, eu sei que eu vinha te culpando pelo fato de o Pi ter resolvido vir pra cá. Mas, hoje, eu vi o quanto ele está feliz aqui. Eu nunca vi meu filho desse jeito lá na França, Antoine. Eu nunca vi meu filho com tantos amigos, dançando, rindo, brincando. Ele sempre foi bastante tímido. Talvez, o lugar dele seja aqui mesmo, com vocês. Talvez, eu tenha realmente falhado com ele.

- Tata, a senhora não falhou com ele. O Pi é um cara do bem, especial. E ele deve isso a senhora, afinal foi a senhora quem o criou. Tá certo que a senhora vem pisando na bola nos últimos meses, mas isso é fácil de ajeitar. A única coisa que ele quer é um abraço da mãe, ele só quer que a senhora o aceite como ele é. Não adianta a senhora querer que ele seja parecido com a família do Tonton por que ele nunca será. A senhora deveria se orgulhar por ele ter puxado o seu lado da família, deveria se orgulhar por ele ser alguém de bem e possuidor de um coração enorme. O fato dele gostar de meninos não altera em nada o que ele é.

- Eu sei! Eu queria muito poder falar com ele! Queria me desculpar...

- Se a senhora quer se desculpar, se a senhora aceita ele do jeitinho que ele é, vá lá falar com ele. Eu tenho certeza que ele vai lhe ouvir.

- Tu achas?

- Tenho certeza!

- Obrigado, meu filho! Feliz aniversário! – Ela me abraçou apertado mais uma vez e foi procurar o Pi

Ainda bem que ela já não estava mais surtada. Acho que ela realmente precisava ver o Pi, ver como ele estava feliz, como ele estava diferente do que ele era na França para poder compreendê-lo.

- O que ela queria? – Maman apareceu do meu lado

- Se desculpar...

- Ai, que bom! Que bom que ela voltou a razão.

- Cadê a Sophie, Maman?

- Tá com a Maman!

- Deixa eu ir lá com ela um pouquinho.

Eu fui até a mesa onde a Mamie estava e peguei minha filha um pouquinho. Já se passava da meia noite e a moleca estava num fogo só. Ela veio para o meu colo fazendo festa. Eu sai com ela pelo salão e fui dançando com ela. Ela se jogava, pulava, fazia a festa. Ela estava que ninguém aguentava ficar com ela durante muito tempo no colo, só Bruno, Maman e eu.

Começou a tocar um zouk e eu dancei com a Sophie, Bruno vendo eu dançar com ela, logo veio dançar com a gente. O fotógrafo que tínhamos contratado registrava tudo, e ele tirou uma foto linda de nós três dançando. Basta eu olhar para essa foto que eu lembro daquele dia.

A moleca estava ligada à uma tomada de 220v, pois ela não parava quieta. Ela se empinava toda e “dançava” no meu colo. Em um momento ela se empinou tanto que ela quase cai. Todos ficavam impressionados em como ela era esperta, pois já era madrugada e a danada ainda não queria saber de dormir. Nós fomos para perto dos meus amigos e o Dudu pegou a Sophie do meu colo, Bruno não queria deixar ela ir com nosso amigo, pois se ela quase caiu do meu colo, imagine do dele. Mas, mesmo assim ela foi com o Dudu.

Já era bem tarde e ninguém tinha ido embora ainda, o salão ainda estava cheio. Eu via todo mundo bebendo, dançando e se divertindo, isso me deixava feliz. O DJ não parava, ele tocava várias músicas que as pessoas iam pedindo para ele.

No meio da madrugada, a Sohie enfim cedeu ao sono e dormiu. Nós tínhamos preparado uma salinha para ela e as outras crianças dormirem, eu a levei para a salinha e a deitei em um “berço” improvisado que fizemos para ela. Maman se responsabilizou em repará-la. Eu voltei para o salão e já fui dançando, minhas pernas já estavam começando a doer, eu ainda não tinha me sentando por muito tempo. Eu ia passando de mesa em mesa, conversando, dançando, tirando fotos com todos os convidados.

- Bora cunhado, levanta daí! Vem dançar! – Eu disse puxando o Alan que estava sentado

- Ah, não, não, não! Eu não sei dançar!

- Tá vendo aquilo ali? – Eu apontei para o Bruno que estava dançando com a Jujuba

- Quê que tem?

- Ele é teu irmão, não sabia dançar nadinha. Na primeira vez que dançamos juntos, foi um forró, eu sai com meus pés esmagados. Hoje, ele dança bem.

- E o que que tem? – Ele perguntou rindo

- Tem que tu vais aprender a dançar AGORA! Vem comigo! – Eu sai puxando ele da cadeira de uma vez

- Antoine, não! Eu vou passar vergonha na frente de todo mundo!

- BRUNOOOOOOOO!!! – Ele olhou para mim

- O QUE FOI?

- VAMOS ENSINAR O ALAN A DANÇAR?

- O QUE?

- VAMOS ENSINAR O ALAN A DANÇAR!

- EU AJUDO! – A Jujuba gritou também

O Alan estava vermelho de vergonha, eu tinha exagerado um pouquinho na empolgação e acabei gritando o que, claro, todos que estavam próximo a mim ouviram.

Eu comecei a dançar com o Alan e ele realmente não tinha nenhum jeito para a dança. Ele era todo duro e não sabia como movimentar o corpo, o que era bem engraçado. Todos nós nos divertimos tentando lhe ensinar a dançar. Ele acabou perdendo a vergonha e acabou entrando na brincadeira, o que fez ficar tudo muito mais divertido. Bruno ficava todo bobo ao ver o irmão se integrando com todos os nossos amigos.

Eu tinha programado um Upgrade na festa, pois eu sabia que no meio todo mundo ficaria cansado. Eu percebi o pessoal da empresa da dona Iolanda se mobilizando. Do nada, uma fumaça branca começou a surgir por todo o salão, ela tinha um cheirinho muito agradável. A iluminação de todo o salão mudou, luzes mais coloridas surgiram, o DJ também foi mudando a música. Uma música eletrônica bem mais agitada começou. Todo mundo sentiu a mudança de imediato, e os corpos de todos nós reagiram a ela. Todos começamos a dançar ainda mais, o salão fervia com as pessoas dançando. O que era mais engraçado era ver as pessoas de mais idade se divertindo e caindo na pista.

- Bebê, essa festa tá o bicho! – Papa disse todo animadão

- O bicho, é? – Eu disse rindo, ele estava todo molecão.

- PARABÉNS, FILHOTEEEEEEEEEE!!!!! – Ele me agarrou e me levantou.

O Dudu, o Thi, o Bruno, o Pi, o Gui nos abraçaram todos juntos e começamos a pular no meio do salão. Foi super divertido! Nós paramos de pular e voltamos a dançar, na verdade, começamos a rir do Papa dançando, ele já estava bem, bem, bem alegre devido a todo o álcool ingerido. Eu já estava meio tonto também.

Como o Bruno havia dito mais cedo, aquela noite estava sendo maravilhosa. Ele me puxou discretamente e me afastou do salão.

- O que foi, amor?

- Tu ainda não comeste nada! Vamos comer!

- Não estou com fome!

- Mas tem que comer! Tu já bebeste bastante e ainda não comeu.

Ele foi me puxando e me levando para a área onde tinha salgadinhos, docinhos e o buffet.

- Eu vou fazer um prato pra ti!

- Deixa que eu faço!

- Não, senhor! Senão tu colocas uma coisinha de nada.

Ele me colocou sentado em um dos pufs espalhados naquela área e foi fazer um prato para mim.

- Ah, tu estás aí! A gente estava te procurando! – Chris e Jean apareceram

- O Bruno me trouxe pra cá!

- A gente vai dançar aquela musica, tu vens?

- Claro! – Eu disse me levantando

- Opa! Nem pensar! Não antes de comer isso aqui! – Ele disse me passando um prato

- Aí, que lindo! – Chris disse – Mas, ele te trata como criança, tu sabe disso, né?

- É, eu sei!

- Não é como criança, não! Simplesmente o bonitão ainda não comeu nada.

- Que vacilo, hein Antoine! – Jean disse – Vai, come que a gente te espera.

Eu sentei novamente e comi com três vigias me olhando.

- Pronto, posso ir agora? – Eu falei olhando para o Bruno

- Agora, sim! – Ele me deu um beijo – Vai, lá! Eu vou dar uma olhadinha na Sophie!

- Tá bem!

Meus amigos e eu voltamos para a pista de dança. Quando eu cheguei lá, minhas amigas e alguns parentes guianenses estavam vestidas com as fantasias do Touloulou (Touloulou é o carnaval da Guiana, e para ele nós temos fantasias típicas, vejam esse site que tem algumas fantasias: http://amelieacayenne.blogspot.com.br/carnaval.html a fantasia que as meninas estavam usando era das máscaras, são fantasias bem elaboradas e bem bonitas), eu nem tinha notado que elas tinham sumido por um tempo enquanto estávamos dançando mais cedo. A Chris se afastou um pouquinho e logo voltou com sua fantasia de Touloulou.

Minha festa se tornou um “Bal Touloulou”, um típico baile de carnaval guianense. Meus pais e meus avós e mais uma pequena parte da minha família, que tinha vindo de Guyane para o meu aniversário, entraram na dança também. Todos dançamos o Touloulou (é mais ou menos uma música como essa https://www.youtube.com/watch?v=UKyt3nglQNM). Naquela festa o que não faltava eram tipos variadíssimos de estilos musicais, talvez por isso que as pessoas não iam embora, tivemos o cuidado para tentar agradar a todos.

Chris dançou comigo, eu demorei a pegar o jeitinho da dança, fazia muito tempo que não dançava o Touloulou, mas depois que peguei o jeito, dançamos bastante. Era tão bonitinho ver meus avós dançando, eles sempre gostaram de uma festa, acho que isso estava no sangue dos Guimet.

Quando Bruno apareceu, eu o vi todo perdido sem saber o que era aquilo. Eu dei um sinal para ele e continuei a dançar com a Chris. Tocaram umas duas músicas tradicionais e então finalizamos o Bal Touloulou. O DJ pediu um tempinho para nós e deixou uma música mais tranquila tocando enquanto ele comia e bebia alguma coisa.

- O que foi isso? – Bruno perguntou quando eu me aproximei dele após a dança

- Um Bal Touloulou, amor! Como vocês organizaram isso, Chris?

- Ué, a gente trouxe a música e passou para o DJ, as fantasias de Touloulou trouxemos de Guyane, é claro.

- Amor, o que é um Bal Touloulou?

- É o baile de carnaval da Guiana, amor. Na verdade, é o carnaval de lá.

- E vocês dançam daquele jeito?

- É!

- Nossa, prefiro o carnaval brasileiro! – Nós estávamos falando em português, então não corríamos o risco da Chris entender e se magoar com o que o Bruno falou

- É legal o carnaval de lá! Pode parecer estranho, aqui, mas lá é super divertido.

- Se tu dizes...

- Antoine, vou tirar essa fantasia, já volto.

- Tá, Chris! Como tá nossa filha?

- Dormindo como um anjinho.

- Que bom!

- Eu vou sentar um pouquinho ali, tá? Estou morto!

- Eu vou contigo, também estou morto.

Nós nos sentamos junto a nossa família. Bruno sentou na cadeira e eu na perna dele.

- Que festa, hein gente? – Ele disse

- Dona Iolanda é sempre impecável! – Maman disse

- É mesmo! Será que ela organiza festa de crianças?

- Tu já estás pensando no aniversário da Sophie, né Bruno?

- Já! – Ele sorriu bobo

- Temos que fazer uma mega festa!

- Temos mesmo! – Bruno concordou

- Festa é com essa família mesmo! – Eu disse

- Temos que fazer uma festa “inoubliable”, não é todo dia que minha neta faz um aninho!

- Minha filha já vai fazer um ano... como o tempo passa rápido!

- Eu te disse, meu filho, daqui a pouco vocês estarão arrancando os cabelos com ela encontrando os namoradinhos.

- Não quero nem pensar nisso, ainda.

- A festa foi ótima, não foi? – Ele disse tudo enrolado

- Foi, sim, Papa! Olha só, tá todo mundo aqui ainda. Geralmente, as pessoas vão embora logo cedo.

- Isso é verdade!

- Mas tá todo mundo dançando e se divertindo ainda.

- Vem dançar! – Chris e Jujuba apareceram

- Meninas, eu estou morto!

- Não quero nem saber, tu vens dançar e ponto final! Eu estou de salto alto, meu bem, e não estou morta! Pode trazer esse bumbum lindo para rebolar lá no salão! – Chris disse

- Vai lá, amor! – Ele deu um tapinha na minha bunda

Eu me levantei e fui dançar com elas, eu tinha prometido que dançaríamos a noite toda e elas estavam cobrando isso. Nós voltamos e o DJ começou a colocar músicas antigas para dançarmos, tinha brega (quem é do norte sabe que tipo de música é essa, eu particularmente não gosto, mas eu estava na chuva e tinha que me molhar), axé, forró, Flash Black, aquelas sofrências horríveis, mas que em uma festa faz a alegria da galera. Nós dançamos de tudo.

- Posso dançar também? – Dudu me puxou

- Onde tu estavas? Tu sumiste! Cadê o Pi?

- Conversando com a jararaca da mãe dele.

- Ai, meu Deus!

- Não, mas tá tudo bem! Ela até pediu para me conhecer.

Nós dançávamos uma sofrência da vida.

- Sério? Ela veio falar comigo, ela estava arrependida... que bom que o Pi aceitou conversar com ela.

- Parece estranho a gente dançando juntos? – Dudu perguntou

- Não! Somos amigos, somos gays, e não devemos nada para ninguém. Qual o problema de dois homens dançarem juntos? Quantas e quantas vezes já vimos duas mulheres dançando?

- É! Fodam-se todos, então!

A música mudou e começou a tocar um forró. Nós dançamos pra valer.

- NOSSA, VOCÊS DANÇAM MELHOR QUE A GENTE! – Jujuba gritou

Eu joguei um beijo pra ela.

- Como a gente conseguiu criar essa bolha gay feliz?

- Isso não é uma bolha, Dudu. Nós só temos bons amigos, pessoas livres de preconceitos. Isso é nossa vida. Não é porque somos gays que temos que viver escondidos, com medo da sociedade. Como tu mesmo falas, fodam-se todos.

- Posso? – Thi apareceu no salão

- Claro! – Dudu disse se afastando

- Há quanto tempo a gente não dança juntos?

- Há muuuuuuuuuuiiiiiitooooo tempo! – Eu disse

- Tenho que te falar uma coisa...

- O quê?

- Tem um cara...

- Opaaaa...

- Ele trabalha comigo.

- Aí já complica um pouco a situação... nunca é legal ficar com colega de trabalho, só se valer muito a pena.

- Ele é um gato!

- Estamos melhorando, então... Já saíram?

- Não, estamos naquela fase de conquista.

- A melhor fase!

- Pois é, mas eu não sei, não.

- Não sabe o quê, Thi?

- Eu não tô afim, sabe?

- Thi, tu não vais ficar afim da noite para o dia. Tu tens que sair com o cara pra poder sentir algo, tens que conhecer o cara.

- Mas eu não to muito afim...

- Se tu não estás afim, não sai então, ué...

- Mas é que eu também estou cansado de ficar sozinho.

- Ai tu complicas mais ainda a situação, né Thi? Tu não queres ficar sozinho, mas não queres sair com o cara... é no mínimo esquisito!

- Eu só não quero sair com esse cara especificamente.

- Não sai, então! Espera que vai aparecer alguém ou então procura alguém, simples assim.

- Tu és tão esclarecedor! – Ele disse com uma raivinha

- Não, eu só falo aquilo que tu não queres ouvir!

Nós continuamos a dançar.

- Posso te perguntar algo? – Eu falei depois de um tempo

- Claro! Mesmo se eu não aceitasse tu irias perguntar do mesmo jeito... – Ele riu

- Thi, tu ainda me amas? – Eu fui direto

Eu senti ele contrair os músculos depois da minha pergunta.

- Acredito que a resposta é positiva, não é?

Ele só balançou a cabeça positivamente

- Thi...

- Não precisas falar nada, eu já sei!

- Eu só me preocupo contigo, só isso! Não quero que tu percas a tua vida esperando por algo...

- Antoine, eu não estou esperando por nada. Sério! Eu só não esqueci o que sinto, ok? E eu não quero que o Bruno e nem ninguém saiba disso.

- Eu não falarei nada! Eu só quero que tu encontres alguém... só isso!

- Antoine, eu não sei se isso é possível. Eu sempre me ferro em todos os relacionamentos, até o melhor de todos eles eu estraguei...

- Eu sei que tu vais encontrar alguém!

- Já não me iludo mais.

- Eu fico preocupado por pensares assim.

- Mas não fica, tá tudo bem! E não pensa que eu só estou falando contigo e com o Bruno porque eu tenho um plano mirabolante para te reconquistar. Eu estou feliz em te ver feliz, de verdade. Eu não quero estragar isso, também estou feliz em ter me tornado amigo do Bruno, ele é o cara certo pra ti. Ele te faz feliz como eu nunca fiz. Para mim, o Bruno é um exemplo, sabias? Se um dia eu encontrar alguém, eu espero ser como ele. Eu vejo como ele cuida de ti e te protege, e eu acho isso muito bonito.

- Eu fico muito feliz ao ouvir isso. Isso me mostra como tu cresceste, como amadureceste. Hoje, tu és o oposto daquele moleque de algum tempo atrás.

Nós ficamos em silêncio por um tempo.

- Thi...

- Oi?

- Tu não sumiste por sentir isso não, né?

- Não, mané! – Ele me deu um peteleco na cabeça – Eu já te expliquei mil vezes isso! Estou cheio de trabalho, só isso.

- Eu sei que pode parecer egoísmo meu, e talvez seja mesmo... mas, eu não quero que tu saias da minha vida.

- E quem te disse que eu irei sair?

- Eu acho é bom!

A música acabou.

- Investe no cara, vê no que pode dar. – Eu disse quando nos separamos

- Vou tentar!

A música mudou para um axé e todo mundo entrou na pista. Nós pulávamos como se estivéssemos em uma micareta em Salvador. Todo mundo estava cansado, mas todos se recusavam a parar de se divertir. Os mais velhos formaram um trenzinho e saíram rodando o salão e puxando todos que estavam sentados para dançar. Não sei o que aquele povo tinha, mas eles não paravam. Jujuba e Chris se misturaram ao trenzinho e nos puxaram. Acabou que todo mundo entrou no tal trem, foram poucas pessoas que não entraram.

Eu sai discretamente, eu tinha que me sentar um pouquinho, eu já tinha passado muito tempo em pé e/ou dançando. O salão tinha uma área que possuía várias plantas e flores, havia uma pequena fonte lá também, e foi lá, em um banco, que eu resolvi descansar um pouquinho.

- Cansou? – Bruno apareceu

- Cansei!

- Também, tu ainda não paraste um minutinho. – Ele sentou atrás de mim e me abraçou

- Eu tinha que dar atenção a todos, amor.

- Eu sei disso, vida. – Ele cheirou meu pescoço

- Desculpa não te dar tanta atenção, hoje.

- Imagina, hoje a noite é toda tua!

Nós ficamos lá, ele me abraçando... eu me sentia em paz. Como uma pessoa pode ter o poder de te deixar em paz com o mundo e consigo mesmo?

Eu respirei fundo e senti o cheirinho gostoso da noite e das flores que haviam por ali.

- O que foi? – Ele me perguntou

- Nada!

- Tu respiraste fundo...

- A gente faz isso quando está bem, em paz.

- Tu estás assim?

- Estou!

- A festa fez tudo isso?

- Não! Tu fazes tudo isso! – Eu virei o rosto e nós nos beijamos

Nós ficamos lá por algum tempo, até o enxerido do Dudu aparecer e sair puxando o Bruno. Eles foram sei lá para onde e eu voltei para onde meus amigos estavam. Todo mundo estava sentado, na verdade “sentado” não é bem a palavra, eles estavam jogados mesmo na área do puffs.

- O que foi que aconteceu com vocês?

- Nada, a gente só está descansando!

- Parece que vocês sofreram um acidente!

- Vem sentar aqui e para de falar! – Jujuba falou

Eu fui até ela e me sentei ao lado dela. A Chris deitou no chão e colocou a cabeça nas minhas pernas.

- Nunca dancei tanto na minha vida! – Ela disse

- Eu também não! – eu concordei

- Essa festa foi o caralho! – Jujuba falou – É impressão minha ou ninguém quer ir embora?

- Não, ninguém quer ir embora mesmo!

- Viado, tu sabes organizar uma festa, viu?

- Eu, não! Que organizou tudo foi a dona Iolanda!

- E quem é que ficava perseguindo a mulher “dona Iolanda mude isso”, “dona Iolanda faça aquilo”, “dona Iolanda a fumaça fica melhor”, “dona Iolanda tem que ter balão dessa cor”, “dona Iolanda eu sou o ser mais chato que existe” – Jujuba dizia tentando me imitar

- Eu não falo assim! – Eu a belisquei na barriga

- Auuuuuu!!! Doeu!

- Bem feito!

- Olha só, parece que o pessoal ta começando a ir embora. – Chris disse

- Espera aí, então! Deixa eu ir lá! – Eu disse pedindo para ela se levantar

Eu fui até as pessoas que já estavam indo embora e me despedi. Todos agradeceram pela maravilhosa festa e me felicitaram mais uma vez. Bastou um ir embora para que os outros começassem a ir também, mas também já eram quase cinco horas da manhã. Às 5h30 já estávamos somente minha família, meus amigos mais próximos e eu no salão.

- Eu to com fome! – Eu disse

Nós estávamos todos sentados na área dos puffs.

- Eu também estou! – Jujuba disse – Será que o povo deixou alguma coisa para comer? Geralmente, sobra bastante comida dos aniversários.

- Do jeito que o povo demorou a ir embora, acho que não sobrou muita coisa, não. – Dudu disse

Ele e Bruno tinham reaparecido enquanto eu me despedia dos meus convidados.

- Sobrou, sim! Tinha muita comida, gente. – Bruno disse

- Eu vou comer, o que tiver lá é meu! – Eu disse

- Vai sonhando, viado! Eu vou contigo!

- Nós todos vamos! – Dudu disse

- Mano, cadê o Pi? Ele sumiu!

- Ele está com a mãe dele.

- Ainda?

- Ainda!

- Onde eles estão?

- Não sei!

- E como tu sabes que ele está com a minha tia?

- Mensagem por celular, querido!

- Huuuum...

Nós fomos para a mesa de salgadinhos e ainda tinha muita coisa mesmo. Nós nos acabamos, eu vi o DJ arrumando o material dele e eu separei um prato bem farto e levei para ele. O coitado passou a noite tocando e quase não comeu.

- Oi! Olha só, trouxe para você. Obrigado por ter animado a festa, viu?

- Opa, obrigado! E que festa, hein? Fazia um bom tempo que eu não tocava para uma galera tão animada.

- Dançamos tanto que está todo mundo morto ali na outra sala.

- Fico feliz por isso! – Ele sorriu

- Olha, se tu quiseres mais alguma coisa tem ali na mesa, é só pegar, ok?

- Ok! Obrigado!

- Eu é que agradeço!

Eu voltei para a sala dos puffs e todo mundo estava comendo.

- Vamos ver teus presentes? – Jujuba disse

- Agora não, Ju! Eu quero é descansar um pouco!

- Fresco!

- Enxerida! Deixa eu ver a minha filha, já volto aqui.

Eu fui até a salinha que tínhamos preparado para ela e para as crianças dormirem e ela estava acordada e tentando acordar o Gui que dormia ao lado dela. A Anne também estava dormindo lá. Eu peguei minha filha sem fazer barulho para não acordar meus irmãos.

- Tu já estás acordada, moleca?

Eu a levei para a sala dos puffs.

- Olha quem já estava acordada?

- Essa é das minhas! – Jujuba disse – Ela é mais resistente que a Anne. – Ela disse gozando da minha irmã – Imagina isso maiorzinha.

- Ela é uma verdadeira Guimet, né meu amor? Amor, tu pegas a bolsa dela? Daqui a pouco ela tem que comer.

- Mas ela não vai comer tão cedo assim...

- Vai por mim, ela vai comer sim. Daqui a pouco ela começa a chorar com fome.

- Toma, Sophie! – Dudu ia entregando um doce para ela

- Tá doido, Dudu? Não dá isso pra ela, não!

- Qual o problema?

- Ela é só um bebê, inteligente!

- E qual o problema?

- Tu realmente achas que eu vou deixar tu dares docinho para a minha filha de 9 meses?

- Não sei qual é o problema.

- Quando tu tiveres teus filhos tu vais descobrir, pode ter certeza!

- Mas é muito burro mesmo, viu?

- Olha... que bom que ela falou. Ela já te contou, Antoine?

- Não, o quê?

- Seu viado sinistro bombado calado!

- Ela estava no maior amaço com o Jean.

- Sério?

- Eu ia te contar depois, só pra ti. Não precisava espalhar para todo mundo, sinistro! – Ela voou em cima do Dudu.

Como ele não esperava os dois caíram no chão, ela caiu por cima dele. Ela o estapeava e ele só tentava se defender inutilmente.

- Isso é pra tu aprenderes a não ser fofoqueiro!

- Me solta macumbeira de estrada!

- Macumbeira, eu vou te mostrar o que faz uma macumbeira! – Ela tacou mais porrada no Dudu

- Me ajuda! – Ele falava

- Eu? Quem mandou mexer com ela?!

- Meu Deus, ela vai machuca-lo! – Pi apareceu na hora

- Tu ainda não te acostumaste com eles? Se tu fores te meter, vai sobrar pra ti.

- Por que ela tá batendo nele?

- Por que ele contou pra todo mundo que ela estava se amaçando com o Jean.

- Foi por isso mesmo?

- Foi, sim!

- Bate mais forte, Jujuba, pra ele aprender a não fazer fofoca!

- Me ajuda, Pi!

- Amor, quem mandou tu mexeres com ela? Agora aguenta como homem!

- Viado, nem teu namorado vai te defender! – Ela saiu de cima dele e começou a rir feito uma louca – Que moral baixa, hein?

- Vai encher o saco de outro, titia!

A noite tinha que terminar daquele jeito, é claro. Eles não poderiam deixar passar uma noite sequer sem que eles tentassem se matar. Dudu levantou do chão e foi para o lado do Pi, que por sua vez foi cuidar do namorado.

A Sophie começou a reclamar.

- Amor, cadê a bolsa?

- Ah, eu não fui pegar.

- Vai lá, então, por favor. Ela já começou a reclamar.

- Como tu conheces ela, hein?

- É questão de lógica né, Bruno? Se ela acordou, logo ela vai sentir fome. É assim com todo mundo.

Ele se levantou e foi pegar a bolsa da Sophie que eu não fazia a mínima ideia de onde estava. Ele demorou um pouquinho, mas quando veio, ele já trouxe a mamadeira pronta. Pra onde quer que eu fosse, eu sempre levava o kit Sophie. Tinha de tudo na bolsa dela, eu não passava nenhum sufoco com a minha filha. Sou assim até hoje, sempre ando com frutas, água, um par de roupa extra, e várias outras coisinhas. Com criança a gente não pode dar mole. Pelo fato de eu ser assim, minha filha nunca foi uma criança chata que fica pedindo coisas para os pais comprarem. Hoje, ela mesma vai até a bolsa dela e pega o que ela quiser, quando ela está com fome, por exemplo. E, como nosso estilo de vida é bem diferente, procuramos sempre ter uma alimentação o mais saudável possível, ela não é acostumada a comer besteira na rua.

Eu dei a mamadeira dela e ela logo quis ir para o chão, o que eu não deixei, é claro.

- Gente, eu tô mortinho! Amor, vamos pra casa? – Eu perguntei todo dengoso

- Mas já? – Dudu falou

- Já? Já são 6h da manhã, Dudu.

- A gente bem que poderia parar naquela cafeteria e tomar café antes de ir pra casa.

- A gente acabou de comer, mano.

- Mas, não tomamos café.

- Mano, o café fica para outro momento, eu quero mesmo é descansar.

- Seu velho!

- Eu também quero descansar! – Bruno disse

- Dois velhos!

- Oooo novinho, vai pra casa e fica quietinho, tá?

- Alguém pediu opinião de macumbeira?

- Vai pra puta que pariu, Dudu!

- Vamos, Bruno?

- Vamos, sim!

- Pi, tu vens com a gente?

- Vou! Eu também estou super cansado.

- Eu vou com vocês também!

- Que foi, não ia tomar café?

- Vai te foder, Jujuba!

- Bom, então, beijo em todos! Nos vemos mais tarde!

Nós nos arrumamos, nos despedimos dos nossos amigos e da nossa família. Papa estava 100% alcoolizado e Maman tinha que cuidar dele, do Gui e da Anne, Bruno e eu nos oferecemos para ajudá-la, mas ela disse que dava conta. Assim, nós fomos para casa, a noite tinha acabado e nós precisávamos descansar um pouco. Agora, como iriamos dormir eu não sabia, afinal a Sophie tinha acabado de acordar.

Nós chegamos em casa e fomos direto para o nosso quarto. Eu deixei a Sophie com o Bruno e fui tomar um banho. Quando eu sai do banheiro, eu fiquei com a Sophie e foi a vez do Bruno tomar banho. Por último, nós demos um banho na Sophie e nos deitamos. A moleca queria ficar brincando, mas o sono estava tomando conta de mim e do Bruno. Eu cochilei um pouquinho, mas logo acordei com a Sophie batendo na minha barriga. Bruno já tinha dormido, pelo visto seria eu quem ficaria sem dormir.

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Comentários

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Aike saudades 💖😂Imagino como deve ser, entendemos sim Volte quando der e sem quase spoilers kk Abraços ><

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Morrendo de saudades dessa história. =/

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Olá!saudades, dessa vez demorou em. ta desculpado pq esta estudando . xiii lá vem bomba.Espero que ñ seja algo grave.

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Oi meu lindo, que bom que deu notícias. Imagino o quão atarefado vc deva estar. Mestrado não é mole não. Torcendo pra que volte logo. Vc me deixou um pouco triste com esse comentário que acabou sendo um spoiler. Tomara que não seja o q tô pensando... Te aguardando ansioso. Abração e se cuida.

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Oi, amores! Sei que sumi e nao dou notícias há dias... sei que provavelmente estão com raiva da minha pessoa, eu sei. Ok! Sou culpado! Mas não tem sido fácil esses dias, não sei se cheguei a comentar com vocês, mas estou fazendo meu mestrado e não estou com tempo para nada.... examente NADA. Vivo para esse tAl mestrado, mas é uma coisa boa. E também eu cheguei em um momento da história que está sendo bem difícil escrever, pois eu acaBo relembrando, sentido, o que eu ja havia enterrado. Então, eu peço um pouquinho mais de paciência. Quando vocês fizerem a leitura dos proximos capítulos, tenho certeza que entenderão.... em breve voltarei. Um beijo em todos.

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Amei. essa festa foi linda. Espero que estejam bem bjos

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Lindo, continuo preocupado com teu sumiço. Posta alguma coisa, somente para sabermos que estás (ou melhor) que estão bem. Um abraço carinhoso para todos,

Plutão

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Estou preocupado com este sumiço de 19 dias. Sei que final de bimestre, para professores, é um transtorno, mas dê apenas um olá, mandando notícias ou sinal de fumaça. Um abraço carinhoso a todos,

Plutão

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ola querido eu esto de volta kkk tava com saudades de vc. olha eu amo seu conto menino muito bom to amando cada dia mais a sua historia continua ta lindo bjs

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Amei! Haha uma super festa :)

Desculpa demorar para comentar acabei vindo para França ontem dai ficou corrido.

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To atrasado , mais mesmo assim kkk

Nota 10 ! Pi rebolandoo o cuscuuz 💖😱

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Estava com saudade de ler sua historia. Nós nos mudamos e fiquei sem internet. Fora aquela loucura de arrumar a casa nova. Para completar s Sophie começou essa semana na escolinha, do s primeira vez e a adaptação não está sendo das mais fáceis. Para completar ontem fiquei sabendo que uma moça que nora aqui perto e tem uma filha de 3 anos quer da a filha pois gosta de curtir a vida e não tem com quem deixar a menina. To quase adotando a filha dela.

Amei essa festa fiquei animada daqui com toda s empolgação do pessoal. Espero que a sua filha esteja bem.

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Nossa que festa hein?! Show adorei! E... FINALMENTE a jujuba desencalhou kkkkkk resta saber ser se ele vai realmente ficar com ele...

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Esse capítulo foi show! Adorei! E que festa foi esse hein? Até eu me animei aqui. kkkk Adorei o baile de carnaval de Guyane, as fantasias lembram os carnavais de Veneza. Perfeito Antoine! Bjs

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Lendo e rindo aqui 😂😂😂. Maravilhoso man' 👏👏👌

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