Casa dos Contos Eróticos

Thithi et moi, amis à jamais! Capítulo 62

Um conto erótico de Antoine G
Categoria: Homossexual
Data: 17/04/2015 23:24:51
Nota 10.00

Quando eu acordei na manhã daquele domingo, eu quase não acreditei que o Bruno estava ali, do meu lado, dormindo comigo. Quase não acreditei que ele tinha chegado, que ele estava comigo novamente. A saudade estava tão grande que doía, de verdade. Eu sou do tipo de pessoa que sempre me apego rápido demais às pessoas, mas com o Bruno a coisa era diferente. Quando eu sentia saudade de alguém, eu não ficava do jeito que eu ficava quando eu estava longe dele. Ele era crucial na minha vida, e eu sabia que eu também era para a vida dele.

Eu fiquei observando meu amor por um bom tempo, só parei de velar o sono dele, por que eu decidi preparar um café e trazer na cama pra ele. Quando eu levantei da cama, eu vi que o quarto estava uma zona, tinha velas apagadas e derretidas por todos os lados.

Eu fui até a cozinha, e graças a Deus eu tinha feito supermercado há pouco tempo, então ainda tinha muitas coisas dentro da minha geladeira. Eu peguei iogurte, suco, chocolate quente, fiz sanduiches, tapiocas, salada de frutas com iogurte natural, tinha bolo de macaxeira que a dona Cacilda tinha deixado pronto, eu ainda fiz omeletes. Eu arrumei tudo em uma grande badeja e levei para o quarto, ao chegar lá, ele ainda estava dormindo.

- Amor! – Eu o chamei dando um beijo e fazendo carinho no peito dele. – Amor, acorda! Ei, eu te amo! – Eu disse no ouvido dele. – Acorda!

- Oi! – Ele disse

- Bom dia!

- Eu também te amo!

- Amor, tá acordado? – Eu o sacudi, mas ele ainda estava dormindo. – Amor! – Eu disse fazendo carinho no rostinho dele – Acorda!

- Oi! – Ele disse novamente

- Tá acordado?

- Que horas são? – Ele disse todo manhoso.

- 9h! Eu estava te chamando há um tempão!

- Desculpa, mas é que eu vim direto do aeroporto pra cá e o voo da Bolívia pra cá é horrível.

- Desculpa te acordar, então! É que eu queria tomar café contigo. – Eu disse apontando para a bandeja que estava em cima do criado-mudo.

- Ual! Isso tudo é pra gente?

- É, sim!

- Eu te amo, sabia? – Ele me puxou pra cima dele.

- Eu te amo também! Te amo demais! – Nos beijamos.

- Que saudade que eu estava de acordar assim: contigo ao meu lado. Eu quero acordar pra sempre assim!

- Vamos tomar café?

- Vamos! Tô morrendo de fome!

Nós comemos e comemos muito! Eu tinha feito café da manhã para um batalhão, mas meu namorado merecia isso e muito mais.

- E as coisas aqui? Como estão?

- Tudo na mesma! Muito trabalho, muito estudo...

- Mas tu tens saído com o Dudu?

- Às vezes sim, mas nem ele tá tendo muito tempo pra sair, eu tô pegando no pé de todo mundo lá na pesquisa, ele tá doidinho também.

- E a academia? Vocês vão todos os dias?

- Ah, lá a gente não falta, até por que se eu faltar lá, o Biel me mata no outro dia.

- Quem é Biel?

- Meu professor lá na academia.

- Atah! Tu estás mais lindo ainda, sabias? Tá mais gostoso!

- Para, Bruno!

- Tô falando sério, amor! Acho que eu vou começar a ir pra essa academia com vocês!

- Eu não sei como tu consegues ficar com esse corpo sem malhar?

- Quem te disse que eu não malho?

- Não sei onde tu malhas...

- Malhar, malhar eu não malho, mas lá no hospital tem uma ala de fisioterapia, e nessa ala, os médicos oferecem para a comunidade algumas aulas e pelo menos duas vezes na semana eu vou lá fazer uma aulinha, com um colega, e assim eu mantenho meu corpo.

- Um colega, é?

- É! O Alysson, ele é gente fina!

- E tu indo para a academia, tu vais parar de fazer essas aulinhas?

- Acho que sim!

- Então, nós vamos te matricular amanhã lá na academia!

- Por que a pressa?

- É que assim tu ficas longe desse Alysson, não gostei dessas “aulinhas”!

- Estás com ciúmes de mim? Adoro quando tu ficas assim! – Ele me deu outro beijo

- Claro! Meu namorado! MEU! Eu tenho ciúmes, ora!

- Ciumezinho de mim? – Ele disse se jogando em cima de mim e me abraçando, ainda bem que já tínhamos acabado com o nosso café.

- Claro que estou! Vai fazer essas aulinhas com o Alysson pra ti ver!

Enquanto nós nos beijávamos meu celular tocou várias vezes, eu só atendi por que o Bruno ficou incomodado com o barulho incansável que aquele aparelho fazia.

- É o Dudu! - Ele disse me entregando o telefone.

- Puta escrota do caralho, custa atender essa porra? Tô ligando há meses pra ti, filho de quenga! – O Dudu falava sem nem ao menos respirar.

- Eu estava muito ocupado! – Disse rindo

- Posso saber com o que?

- Com o meu namorado que chegou de surpresaaaaaaaaa...

- Mentira que aquele viado já chegou!

- Já, sim! Ele está aqui do meu lado.

- Então, a gente nem vai fazer a lista de tarefas, né?

- Tu ficarias chateado?

- Eu não! Tu juras que eu ficaria chateado por não trabalhar no domingo... Vai, meu filho, vai foder, vai!

- Te amo, mano!

- Eu sei! Quem não me ama?

- Vai te foder!

- Te amo também, maninho! Deixa eu desligar... boa lua de mel aí!

- Valeu! Até amanhã!

- Até!

- Não gosto dessa história de eu te amo! – Ele disse me abraçando.

- Deixa de ser bobo!

- Tu só podes falar “eu te amo” para cinco pessoas: tua mãe, teu pai, teu irmão, tua irmã e pra mim, é claro!

Nós tínhamos essas ceninhas de ciúmes de vez em quando, mas não era nada sério, não passavam de brincadeiras. Isso só fazia apimentar um pouquinho nossa relação.

- Muito convencido, né?

- Tu não me amas? – Ele disse fazendo o maior drama.

- Amo! Amo! Amo!

- Eu quero fazer uma coisa contigo hoje?

- E o que seria essa coisa?

- Nada! Eu não quero fazer nada! Eu quero passar o dia contigo aqui, na cama, só nos amando.

- Nada? Acho que esse programa pode ficar um pouquinho melhor... – Eu disse subindo nele.

Meu telefone tocou novamente.

- Quem é? – Ele me perguntou.

- Maman!

- Atende!

- Não sei se quero! Ela só me liga quando tem algum problema ou quando ela chega em Macapá e quer que eu vá lá pra casa dela.

- Mesmo assim, acho melhor tu atenderes senão tu já sabes como ela fica.

- Alo? – Eu disse atendendo o telefone.

- Chérie?

- Oui, Maman!

- Tu estás em casa? Tu estás sozinho aí?

- Estou! E não, eu estou com o Bruno!

- Ele já chegou?

- Chegou ontem de surpresa...

- Vocês não querem vir almoçar aqui em casa?

- Ah, maman, hoje a gente não tá afim de sair de casa.

- Tu poderias vir ver tua maman!

- Maman, o que foi? Sempre que a senhora quer que eu vá aí é por que tem algum problema.

- Na verdade, não...

- Antoine, tu peux venir ici avec moi, s’il te plaît ? Il faut qu’on se parle ! (Antoine, tu podes vira qui comigo, por favor ? A gente precisa conversar !)

- Anne ?

- Non, la grand-mère ! (Não, a vovó !)

- Je ne savais pas que tu étais à Macapá ! (Eu não sabia que tu estavas em Macapá !)

- Oui, j’suis là et c’est sur ça que je veux parler avec toi. (Sim, estou aqui e é sobre isso que eu quero falar contigo)

- Sur ça ? (Sobre isso ?)

- Viens chez nous, ici on se parle ! (Vem aqui em casa, aqui a gente se fala !)

- D’accord ! J’arrive ! (Ok! Tô indo!)

- Salut ! (Tchau!)

- Salut !

- Odeio quando vocês falam tudo em francês! Eu não entendo nada!

- A gente vai ter que ir almoçar lá em casa!

- Mas por que? Tu não falaste pra tua mãe que nós não iriamos?

- Pois é, mas a Anne quer falar algo comigo.

- Mas eles não ficavam na Guiana?

- Eles ficam lá, não sei o que ela está fazendo aqui.

- Então, vamos nos arrumar!

- Fazer o que, né? Nosso programinha vai ser adiado até a noite... – Eu disse fazendo bico.

Meus irmãos moravam em Cayene, pois eles estudavam lá e também por que Papa e Maman começaram a passar mais tempo lá do que aqui. Se Anne estava em Macapá é por que alguma coisa tinha acontecido. Nós nos arrumamos rapidinho e em 40min nós já estávamos estacionando na frente da casa dos meus pais.

- Chéri, tu vas bien?

- Oui, maman!

- Salut, Bruno!

- Maman, il ne parle pas français! (Maman, ele não fala francês)

- Mais, s’il sera ton mari, il faut apprendre ! Ici on parle tout en français ! Comment est-ce qu’il va parler avec tes grands-parents ? Et tes oncles, tes tantes et tes cousins ? (Mas, se ele será teu marido, é preciso aprender ! Aqui a gente fala tudo em francês! Como ele vai falar com teus avós? E teus tios, tuas tias, teus primos?)

- Il va apprendre, maman ! Mais, s’il te plaît, on peut parler en portugais ? (Ele vai aprender, maman ! Mas, por favor, a gente pode falar em português ?)

- Tudo bem ! Oi, Bruno !

- Oi, Ange !

- Entrem !

- Maman, o que a Anne quer falar comigo ?

- Ah, é que ela quer vir morar aqui, por que ela não está mais querendo ficar la em Guyane, ela diz que os amigos dela estão aqui, que a vida dela é aqui...

- E eu concordo com ela! Ela já está com quase 16 anos, maman, ela quer sair, quer se divertir.

- Mas lá ela também tem amigos.

- Mas os amigos de lá são os amigos que ela fez quando ela era criança.

- Os teus também e tu falas com eles até hoje. Ah, e por falar nos teus amigos, o Jean-Jacques disse que talvez mês que vem ele venha pra cá.

- Sério? Que legal! Faz tempo que eu não vejo aquele...

- Aquele o que, amor?

- Nada, não! Depois te falo! Maman, voltando ao assunto da Anne, eu acho que ela deveria vir morar aqui, sim! Não sei por que vocês estão pra lá, dá muito bem para controlar os negócios daqui.

- Chéri, minha família está quase toda lá, só não está toda por que tua tia está morando em Toulouse.

- Eu sei, maman! Mas acho que os meninos não estão se adaptando lá, a Anne por exemplo, passou o início da adolescência toda aqui, ao contrário de mim que passei a minha adolescência toda lá e mesmo assim, lá eu tinha o Thiago que era meu amigo, ela não tem ninguém. Com certeza, ela recebe um tratamento diferente lá.

- Não sei se ela deve vir pra cá! Quem cuidaria dela?

- Na verdade eu acho que a senhora tinha que vir pra cá também, pense nos meninos, maman. – Eu disse quando sentamos no sofá.

- Não, sei, não!

- Maman, por que a senhora não faz o seguinte: a senhora mora aqui e vai pelo menos uma vez no mês lá? Assim a senhora cuidaria dos meninos e ia visitar nossa família.

- Vou conversar com ton père.

- Mas enquanto isso não acontece, o que vai acontecer com a Anne?

- Ela vai voltar para Guyane comigo, caso eu resolva vir pra cá ela vem junto, caso contrário, ela vai terminar os estudos lá, e só quando ela for fazer a faculdade ela vem pra cá, que nem tu fizeste.

- Mas eu ainda estudei a metade do ensino médio aqui. A senhora poderia fazer a mesma coisa com a Anne.

- Vamos ver... Bom, agora vamos almoçar!

- Salut! – Anne veio me abraçar.

- Salut, ma petite!

- Salut, Bruno!

- Anne, il ne parle pas français!

- Ah, é que esse vai e vem pra Guyane confunde minha cabeça ! Oi, Bruno! – Ela disse dando dois beijinhos nele.

- Oi, Anne!

- Amei a novidade! Sabia que tu estavas caidinho pelo meu irmão! Eu via como tu cuidavas dele lá no hospital!

- Na verdade, lá eu ainda não estava interessado nele, não. Eu só fazia meu trabalho.

- Então, tu tratas todos os pacientes como tu tratavas o Antoine?

- Sim e não! – Ele disse sorrindo – Eu cuido dos meus pacientes com toda a dedicação que eu cuidava do teu irmão, mas com o Antoine, pensando bem, sempre teve um cuidado especial.

- Tá vendo! Eu sabia!

- Não, mas realmente eu não me interessava por ele, se me interessava não era de forma consciente.

- Consciente ou não, tu te interessavas sim! Bom, mas, Antoine, maman já falou contigo?

- Já, sim!

- E aí?

- Ela vai pensar no assunto, mas enquanto isso tu continuas em Guyane.

- Ah, não, pra lá eu não volto!

- Mas por que tu não queres voltar pra lá?

- Eu posso conversar contigo?

- Claro, Anne!

- Vamos lá para o meu quarto.

Maman ficou nos olhando, mas nada falou.

- Amor, vou lá com a Anne e já volto, tá?

- Tudo bem!

- Mano, eu não quero morar mais lá. – Ela disse quando sentamos na cama dela.

- Mas por que Anne? O que está acontecendo?

- Ah, lá o pessoal fica caçoando de mim. Diz que eu sou um “mélange” (mistura), que eu não sou francesa que eu sou meio a meio.

- E tu ligas pra isso?

- Pra isso até que eu não ligo muito, não, o problema maior são os meninos...

- Como assim, Anne? – Eu já comecei a ficar nervoso e com raiva

- É por que tu sabes como eles são por causa das brasileiras, né?

- Sim! – Eu já estava com muita raiva, pois já sabia o que ela iria falar.

- Pois é, ai eles ficam me dando cantada incansavelmente, uma vez um grupinho me encurralou próximo ao banheiro e um chegou a passar a mão na minha bunda, eu dei um soco nele e fui parar na direção.

- Maman sabe disso?

- Não, eu não contei pra ela.

- E por que não?

- Tu achas que ela acreditaria? Não sei se tu percebeste, mas ela não tá nem aí pra gente, ela só quer saber de ficar de vez em Guyane, ela não quer saber se A GENTE quer morar lá. Eu poderia vir morar contigo? – ela me olhou chorando.

- Claro que sim! Mas antes nós vamos conversar com Maman. – Eu disse a abraçando.

- Por mim tanto faz, tu podes falar com ela, mas eu não quero falar nada. Eu estou chateada demais pra conversar com ela, ela não leva em consideração nossa opinião. Guillaume também não quer ficar lá, ele quer vir morar aqui também.

- Vou falar com Maman, eu não acredito que ela esteja tão cega assim!

- Mas tu deixas mesmo eu morar contigo?

- Claro que sim, Anne! Agora eu é que não quero que tu voltes pra lá! Vamos, eu vou lá embaixo conversar com ela.

- Eu prefiro não ir, quando for para almoçar pede para a Jojo (a fiel secretária de Maman) me avisar.

- Tudo bem!

Eu a abracei e saí do quarto.

- Precisamos conversar, Maman!

- O que foi que vocês conversaram lá em cima?

- É sobre isso que nós precisamos conversar!

- Querem que eu saia? – Perguntou o Bruno.

- Não, amor, pode ficar! Maman, é o seguinte, a Anne me contou que ela vem sofrendo alguns abusos lá na escola em Guyane. A senhora sabia que ela foi parar na direção por dar um soco em um menino?

- Sabia, ela ficou duas semanas de castigo.

- Pois é, mas a senhora sabia que ela só estava se defendendo?

- Não! Se defendendo? Como assim? Me falaram que a briga foi por que ele pegou algo dela.

- Ele pegou, mas foi na bunda dela, foi por isso que ela deu um soco nele. Ela só estava se defendendo!

- Mas isso não é possível, chéri!

- É sim! Ela só quer vir embora para Macapá por que ela não aguenta mais aquela escola. E ela está muito chateada com a senhora, ela me disse que a senhora não quer mais saber deles e que não se importa com a opinião deles sobre morar em Guyane. Ela me disse que Guillaume também não quer morar lá! Como a senhora não percebeu tudo isso, Maman?

- Chéri, eu só queria ficar próximo a minha família...

- Mas o que mais importa para a senhora: o bem estar dos seus filhos que estão entrando na adolescência ou ficar próximo a sua família? O que é mais importante pra senhora, maman? Os filhos ou seus irmãos?

- Meus filhos é claro, Antoine! – Ela falou com uma voz que deixava bem claro que ela estava começando a ficar com raiva do tom que eu estava utilizando com ela.

- Se são seus filhos, faça alguma coisa a respeito do bem estar deles! A Anne pediu para morar comigo, o que vamos fazer?

- Não, ela não vai morar contigo! Perder um filho já não me agradou, dois já é demais!

- Maman, a Anne já está grande, ela sabe o que quer. E ela com certeza não quer morar em Guyane.

- Ela não vem morar contigo, Antoine! Não era nem pra ti ter saído de casa!

- A minha saída de casa não é o assunto que está sendo discutido, maman! Papa sabe o que está acontecendo?

- Não!

- Então, eu vou contar pra ele!

- TU NE PEUX PAS FAIRE ÇA, ANTOINE ! (TU NÃO PODES FAZER ISSO, ANTOINE !)

- MAMAN, JE NE VAIS PAS LAISSER ANNE RENTRER EN GUYANE ! (MAMAN, EU NÃO VOU DEIXAR ANNE VOLTAR PARA GUYANE)

- ANTOINE, TU ES MON FILS, IL FAUT QUE TU ME RESPECTES ! (ANTOINE, TU ÉS MEU FILHO, É PRECISO QUE TU ME RESPEITES !)

- Je sais, maman ! Mais Anne ne peut pas rentrer en Guyane, si tu ne vois pas ça, je ne peux faire rien, mais je ne vais pas te laisser emmener Anne. (Eu sei, maman ! Mas a Anne não pode voltar para Guyane, si a senhora não vê isso, eu não posso fazer nada, mas eu não vou deixar a senhora levar Anne)

- Chéri, tu ne peux faire rien, vous êtes mes enfants. Je suis votre mère ! C’est moi qui va décider si Anne rentre ou non en Guyane ! Je vais parler avec elle ! (Querido, tu não podes fazer nada, vocês são meus filhos . Eu sou a mãe de vocês! Sou eu quem vai decidir se Anne volta ou não para Guyane! Eu vou falar com ela!)

- Elle ne veut pas parler avec toi ! (Ela não quer falar com a senhora !)

- Comment ? (COmo ?)

- Oui, elle ne veut pas parler avec toi ! Elle croit que tu as oublié tes enfants, et je suis d’accord avec elle. C’est ça, tu as oublié nous tous ! (Sim, ela não quer falar com a senhora ! Ela acredita que a senhora esqueceu dos seus filhos e estou de acordo com ela. É isso, a senhora esqueceu de todos nós!)

- Comment tu peux parler ça, Antoine ? Je ne vais jamais oublier mes enfants ! (Como tu podes falar isso, Antoine ? Eu não vou jamais esquecer meus filhos !)

- Si tu n’as pas oublié, pourquoi est-ce que tu ne sais pas tout ce que se passe avec Anne ou même Guillaume, parce que je suis sûr qu’il ne va pas très bien aussi en Guyane ! (Se a senhora não esqueceu, por que a senhora não sabe tudo o que se passa com Anne ou mesmo com Guillaume, por que eu estou certo que ele não está tão bem lá em Guyane também)

- Je vais parler avec Anne, et après je viens parler avec toi ! Tu es seulement mon fils, Antoine, n’oublie pas ça ! (Eu vou falar com a Anne e depois eu venho falar contigo. Tu es somente meu filho, Antoine, não esquece isso!)

- Je n’ai jamais oublié, maman ! Mais je pense que tu avais besoin d’écouter tout ce que je t’ai dit ! (Eu nunca esqueci, maman ! Mas eu acho que a senhora precisava escutar tudo o que eu falei !)

- Isso foi uma briga ? – Bruno me perguntou assim que maman se ausentou.

- Digamos que sim...

- Ela não quer que a Anne venha pra cá?

- Não, não sei o que se passa na cabeça dela, será que ela não vê como a Anne está? A pobrezinha está apavorada, não quer voltar pra Guyane de jeito nenhum.

- E agora?

- Eu acho que a Anne vem morar comigo!

- Então, a gente tem que desocupar aquele quartinho da bagunça na tua casa.

- Eu te amo, sabias? Eu ainda nem sei se ela vem e tu já estás procurando a solução para o meu problema.

- Eu te amo, amor! Se a tua irmã está precisando de ajuda, nós iremos ajuda-la. Nem que seja preciso a gente sequestra-la lá da Guiana. – Ele disse sorrindo.

- Bobo! – Eu disse jogando uma almofada nele.

- Será que esse almoço vai demorar? Tô com fome!

- Espera aí, eu vou lá com a Jojo ver se já está tudo pronto.

Eu fui até a cozinha.

- Oi, Jojo, minha gostosa! – Eu disse dando um beijo no rosto da senhorinha.

Jojo era pequenina e tinha, na época, uns 50 anos, ela trabalhava na minha casa desde que eu me entendia por gente.

- Oi, meu filho! Nossa, como tu estás bonitão!

- Obrigado! Eu vim aqui saber se a comida ainda vai demorar?

- Não, meu filho, eu já ia lá chamar todo mundo, tu poderias fazer isso por mim?

- Claro que sim!

- E aí? – Bruno me perguntou quando voltei pra sala.

- Já está pronto! Deixa só eu chamar maman e Anne.

Eu fui até o quarto da minha irmã e ouvi um pedacinho da conversa delas.

- Maman, entenda de uma vez por todas: EU NÃO QUERO VOLTAR PARA AQUELE INFERNO!

- Minha filha, tu tens que ficar onde teus pais estão...

- Maman, se meus pais ligassem para mim eu até ficaria com eles, mas o problema é que nem a senhora e nem o Papa querem saber dos filhos, Guillaume e eu ficamos largados naquela casa sem ninguém. Se for pra ficar largada lá, eu prefiro ficar aqui que pelo menos eu tenho o Antoine.

- Eu não entendo... eu não consigo entender vocês... – Maman disse quase chorando.

- Exatamente, a senhora não entende! Será que é tão difícil de perceber que nós não queremos morar lá? – Anne estava sendo muito firme com maman.

Eu sempre pensei que meus irmãos gostavam de Guyane, mas pelo visto eles só ficavam lá por que nossos pais os obrigavam.

- Mas por que?

- Maman, eu quero ficar aqui, meus amigos estão aqui, meu irmão está aqui. Lá eu só tenho a senhora e o Papa, e vocês não param nunca em casa. Guillaume e eu passamos mais tempo sozinhos do que com vocês.

- Eu não sabia que vocês estavam se sentindo assim.

- Mas estamos, e se a senhora tirasse pelo menos uma hora do seu dia cheio de compromissos, a senhora teria percebido.

Se maman não estivesse abalada com o que Anne tinha dito, com certeza minha irmã teria levado um bom tapa por estar falando com nossa mãe naquele tom. Até eu já teria levado um bom tapa... Mas quem estava errada nessa história era maman, então, ela precisava ouvir o que nós tínhamos para falar.

- Excusez-moi, ma petite!

- Eu quero vir para Macapá, maman! – Minha irmã ignorou completamente o pedido de desculpas de maman – Eu não quero mais ficar lá.

- Tudo bem, nós vamos voltar para Macapá. Todos nós!

- Sério? – Anne disse já formando um sorriso no rosto.

- Sim! Se vocês estão se sentindo tão mal assim, nós vamos voltar. Eu não sabia que Guillaume também estava com problemas na escola.

- Mas está!

- Como eu não percebi isso, mon Dieu?

- Maman, nós vamos voltar quando?

- Não sei ainda, chérie! Nós precisamos procurar uma escola aqui pra vocês e temos que cuidar da transferência da escola de lá para a daqui, então isso pode demorar um pouquinho.

- Mas nós vamos voltar mesmo?

- Vamos!

- Je t’aime, maman! – Anne abraçou nossa mãe.

- Je t’aime plus, ma petite!

- Já vi que já está tudo certo ! – Eu disse entrando no quarto.

- Sim! Nós vamos voltar, Antoine! – Minha irmã pulou da cama e veio me abraçar.

- Que bom, maninha! Maman, tudo bem?

- Tudo, chéri! – Ela disse que sim, mas eu podia perceber que ela não estava tão bem assim.

- Anne, vai lá com o Bruno e acompanha ele até a mesa, nós já vamos descer, eu só preciso fazer uma perguntinha pra maman.

- Tá bom! – Ela estava transbordando de felicidade.

- Maman, eu sei que não está nada bem! – Eu disse a abraçando assim que a Anne desceu as escadas.

- Chéri, como eu não percebi que mes enfants estavam sofrendo?

- Maman, não fique se martirizando com isso. Já passou, a senhora já conversou com a gente, está tudo certo!

- Eu também já te fiz sofrer?

- Não, maman! A senhora sempre foi a melhor mãe do mundo, e eu não estou falando isso só para lhe agradar, é a verdade! A senhora sempre me apoiou, sempre esteve ao meu lado. Eu entendo que a senhora queria ficar com sua família, mas o problema que o período que nós ficamos aqui em Macapá, os meninos se desenvolveram e se acostumaram com a cidade, eles criaram raízes aqui, então, foi só por isso que eles sofreram com a mudança pra lá.

- Mas, Antoine, nós já estamos definitivamente há alguns meses pra lá, como que só agora que eles resolveram falar.

- Eles com certeza viram que a senhora estava feliz lá e resolveram aguentar um pouco, mas todo mundo tem seu limite, maman, e esse foi o deles. Não sofra com isso, às vezes os pais também precisam de um puxão de orelha assim como os filhos.

- Se eu sou a melhor mãe do mundo, vocês são os melhores filhos! Obrigado por falar comigo, chéri, e desculpa ter gritado contigo.

- Tudo bem, maman! Já passou! – Eu a abracei novamente e ela desabou no choro.

Nós ficamos um tempinho abraçados até ela se acalmar.

- Vamos descer? Eles estão nos esperando para almoçar!

- Vamos!

Quando nós chegamos na sala de jantar, Bruno e Anne estavam numa gargalhada só. O Bruno estava pendurando uma colher no nariz e imitando uma velhinha. Eles estavam se divertindo.

- Podemos comer? – Eu perguntei ficando atrás do Bruno.

Ele levou um susto tão grande que a colher caiu do nariz dele e bateu no pra fazendo um barulho bem alto.

- Amor, mais um susto desse e tu ficas viúvo antes do tempo.

- Deus me livre! Bate na madeira três vezes!

Nós nos sentamos e comemos, nós conversamos bastante, mas maman ainda estava meio que para baixo, eu só não sabia se era pelo fato dela não ter percebido nada do que estava se passando com os meninos, se era pelo fato dela ficar longe da família dela ou se eram as duas coisas.

Comentários

Comente!

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18/04/2015 18:27:09
"Comentando diariamente" Escreví errado!E Postando diariamente!
18/04/2015 18:24:53
Olá Chéri Papa,Tudo bem?Espero que sim.Eu ainda não disse mais estou MUITO FELIZ por você está comentando diariamente!.COMENTÁRIO DO CAP:Nuss estou chocado!Oque se passa com tua mãe?Como ela ainda pode pedir para ficar em Guiana?Eu até entendo que a família está lá e tals...Mais ela também tem que pensar no bem dos filhos dela!Mais o bom disso tudo é que ela já aceitou,OMG o Bruno é muito engraçado!"Amor,Mais um susto desse e tu ficas viúvo antes da hora" 😂😂😂😂,É isso.Beijos "Chérizinho"
18/04/2015 16:41:41
Ah cara recebeu meu email? Sempre me esqueço de perguntar!
18/04/2015 15:31:38
Coitada da sua irmã, ela deveria ter dito antes. E gostei de vê vc protegendo seus irmãos, sou assim tbm hehehe. Ohh Jeff, o sentimento é recíproco e olha q vc e team Thiago né! Kkkk olha mano esse ano vai, pois fiz td q tinha pra fazer kkkk. Antonie seu conto esta formando laço de amizades pelo Brasil! Abração
18/04/2015 11:08:26
Mas esse mundo é machista mesmo, a menina vai se defender de um abuso e ainda foi castigada... Muito legal você super preocupado e protetor!! =D Aiiii Ale, seu lindão, também gosto de você man, nem te conheço mas te imaginei fazendo as simpatias KKKKKKKKKKKK Ta vendo ai Tio Antoine, sua historia criando pequenas parcerias pelo Brasil :) Beijooos
18/04/2015 08:16:57
Oi Antoine, primeiro muito bom matar a saudade de quem se ama né? Você escreve e podemos sentir tudo. Eu achei muito bacana o jeito como você defendeu e cuidou da sua irmã e fez sua mãe enchergar que estava errada e o Bruno te apoiando, já pensando em desocupar o quarto, muito legal essa cumplicidade. Meu lindo que você tenha um ótimo final de semana!!
18/04/2015 05:20:07
Que situaçao que Anne passou! Ei, e o Beto? Vai reaparecer?
18/04/2015 02:47:22
Amei...
18/04/2015 01:06:10
Ta postando todos os dias de novo???