Sesta

Um conto erótico de Clara Nin
Categoria: Heterossexual
Contém 612 palavras
Data: 17/10/2014 14:13:31
Assuntos: Heterossexual

Sesta

Antes que se esvaísse de vez o intervalo do almoço, Clara decidiu deitar-se para um cochilo, permitindo-se desfrutar de um raro momento de sesta em sua vida agitada. O descanso veio chegando de mansinho, trazendo uma sonolência leve, mas daquelas que se instalam junto com uma espécie de prontidão para evitar que se passe da hora. Foi então que se pôs a sonhar; um sonho meio misturado a certo estado de consciência que possibilitava alguma direção quanto àquilo que estava prestes a ser sonhado.

Clara sonhava, dessa forma, que estava diante de um homem bonito, com um olhar forte que a fitava sensualmente. Seus lábios eram macios; ela o sabia porque, no comando do sonho, inclinou-se para beijá-lo. O olhar que trocavam parecia com raios de desejo disparados um contra o outro, denunciando a forte interação entre os dois. Tal interação também se evidenciava, inequívoca, na ereção surgida, intumescida, entre as pernas do rapaz.

Havia um jogo entre os dois que obviamente não precisou ser explicado, diante das condições oníricas em que se encontravam. Clara dançava enquanto ele estava sentado numa cadeira em sua frente, ambos completamente vestidos.

O objetivo daquele jogo era simples: consistia em adivinhar um desejo que o outro havia imaginado, à medida que, de acordo com as regras, as peças de roupa que vestiam iam sendo tiradas, uma a uma. O primeiro desejo que ele pensou foi um beijo de língua quente e molhado, e era isso que ela tinha de adivinhar. Clara, sabendo que haveria um gradativo aumento na temperatura dos desejos, quase acertou de primeira: uma mordida no pé da orelha, disse-lhe, aproximando-se de seu corpo e mordiscando-lhe o lóbulo esquerdo. Como ela havia errado, ele escolheu uma peça de roupa para que ela tirasse: o vestido.

Por baixo do vestido vermelho de algodão, havia apenas uma pequena calcinha branca, em contraste com um leve bronzeado de começo de primavera. O rapaz fez menção de trazê-la para perto de si, mas ela o censurou com o olhar. Afinal, estava no comando; tanto no sonho como fora dele. Nada ali sairia de seu controle. Voltou à sua dança, levando os dedos para dentro da calcinha branca, enquanto pensava em seu desejo. Puxou-o de leve pelo braço, para sentar-se no lugar dele, que ajoelhou em sua frente. Quando estava pronta, fez sinal com um sutil movimento do rosto, como quem diz: sua vez.

Um cheiro na nuca. Uma língua nos seios. Um sopro barriga abaixo. Um apalpar de nádegas. Um dedilhar em sua vulva. Cinco chances mal sucedidas: os sapatos, as meias, a calça, a camisa e a cueca. Cada tentativa era acompanhada pela deliciosa atitude equivocada, de modo que, para bem do erro ou do acerto, o jogo já estava ganho. O desejo de Clara, a dona do sonho, não era tão difícil de adivinhar, e é claro que o sujeito o sabia de antemão, informado que estava tanto quanto ela. Queria mesmo, queria muito, queria realmente que ele a penetrasse: quero você dentro de mim! Arrancando-lhe a calcinha, ele a obedeceu com toda a sua força e rigidez.

Do lado de fora do sonho, Clara sentia tudo aquilo também. A esta altura, estava com as pernas abertas, e os dedos trabalhavam freneticamente no interior de seus grandes lábios. Todos os pêlos arrepiados. Todos os seus pedaços explodiam excitados. A cena, vista por alguém que estivesse acordado, era capaz de provocar os mesmos desejos atiçados naquela sonolência dirigida. Uma onda de calor lhe tomava o corpo e crescia cada vez mais e mais; ardendo mais, mais, mais... foi quando já não pôde, e acordou. Exausta. Uma malemolência que de todo lhe impedia de retornar da sesta.

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