Casa dos Contos Eróticos

Politicamente Incorreto - Capítulo 11

Um conto erótico de Mr. Characters
Categoria: Homossexual
Data: 22/03/2013 22:00:09
Nota 10.00

Na manhã seguinte, acordei na cama deitado em seu peito, enquanto ele me vigiava.

_Você dorme como uma criança. E fica ainda mais lindo!_ Sorriu, e disse às palavras que guardo no meu coração até hoje. _ Eu te amo!_

Capítulo 11

Estar ali. Deitado, pensando em nada que pudesse ser traduzido em palavras. Algo que somente se é possível sentir. E ouvir. Ouvir um “eu te amo”.

Minha primeira reação, ao ouvi-lo, foi beijar sua boca. Porém nem para mim isso estava sendo o suficiente. Já era hora de mais.

Era estranho, no mínimo estranho. Meu corpo petrificou, meus batimentos aceleraram. A confirmação de que algo não estava em ordem comigo, veio pelo seu rosto, e logo em seguida, seu espanto:

_O que foi? Está tudo bem?_

_Sim._ Disse quase sem voz._

¬_Ei, seus batimentos cardíacos estão muito acelerados!_ Constatou colocando a mão no meu peito.

Sentei na cama, mas aquela sensação era cada vez pior. Faltava ar.

_Lipe, Lipe! Tudo bem! Fala comigo, por favor!_ Pediu sentado ao meu lado.

_Eu..._ Não conseguia. Minhas mãos formigavam, meu corpo petrificado e dormente ao mesmo tempo.

_Ok, ok. Respira, vai ficar tudo bem, respira!_

Olhei para ele.

_Eu... Eu te amo também._ Consegui finalmente dizer. Algum ar apareceu, mas meu coração ainda queria sair pela boca.

_O que?_

_Ah, por favor, me dá um minuto, certo? Ai, meu Deus! Eu te amo!_ Conseguia já respirar com mais facilidade.

_Ei, você não precisa..._ Ele foi colocar sua mão em mim. Foi como um choque.

_Não toca em mim!_ Gritei, como se uma descarga elétrica tivesse invadido meu corpo.

_Ok!_ Ele disse assustado. _Quer um pouco d’água?_

_Desculpa, desculpa. Água, ok, água!_ Concordei.

Ele pegou um copo no criado-mudo e me alcançou. Já podia sentir meu corpo novamente. Não me faltava mais ar, e tinha voltado a ser responsável pelos meus movimentos.

_Eu te amo._ Disse pausadamente.

_Não Lipe, não precisa. Pare de falar isso._ Ele disse tentando acalmar a situação.

_Não consigo!_ Olhei para ele. _Você não está entendendo, não é? Nunca disse isso a ninguém. Acho que entrei em pânico._ Confessei.

Ele processou a informação.

_Nunca disse isso a ninguém antes?_ Perguntou surpreso.

_Não._

_Nunca disse aos seus pais?_ Questionou.

_Nã..._ Neguei.

_Nem seu irmão?_

_Urgh!_ Neguei com a cabeça.

_Meu Deus, você ainda é pior que eu._ Constatou. _Antes de você, eu disse uma vez para o meu cachorro._

Respirei.

_Certo. Isso me faz sentir melhor._ Suspirei. _Acho que você já pode me abraçar agora._

Ficamos abraçados durante todo o dia.

.

A manhã da segunda-feira ganhava ares de tragédia. Era hora da despedida. Não tinha mais trabalho ali. E, além disso, minha cidade e meu trabalho estavam me chamando. Hora de ir.

Sai do hotel e o motorista estava na porta. O mesmo olhar. Levou-me direto ao gabinete. Quando entrei, ele reinava absoluto em sua mesa. Mais uma das mil faces suas que eu não conhecia. A do executivo, aquele que resolvia problemas. Claro, ele era o prefeito. Mas e o nosso problema?

_Com licença, Senhor Prefeito._ Disse na entrada do gabinete.

_Bernardo, para você._ E me chamou com o dedo.

Entrei. Ele então se levantou, fechou a porta, e me deu um beijo, que eu já não sabia mais como viver sem.

_Minhas malas estão no carro._ Disse de cabeça baixa.

_Na verdade, eu nunca acreditei em relacionamentos a distância, e nunca tive um também. Portanto, você não vai se livrar de mim tão facilmente._ Ele me abraçou e sorriu.

Eu também não acreditava. Mas diante dele, tudo parecia certo e seguro. Ao menos por enquanto.

_Quando disse que estava gostando disso que estávamos vivendo, ou ainda, quando disse que te amava, tudo foi verdade. Quero você na minha vida._ Ele disse olhando em meus olhos.

_E vamos arranjar uma forma de dar certo._ Completei. _Sabe que será difícil nos encontrarmos?_

Ele segurou minha mão.

_Você vem quando puder, eu fujo quando for preciso. Nosso amor não vai diminuir._

Não me conhecia mais naquele momento. Trocando juras de amor ao ir embora. Costumava mandar as pessoas embora da minha vida. Quase sempre não pessoalmente. Quando não funcionava desse jeito, eu virava as costas, e fugia. Agora simplesmente ia embora. De certa forma, estava tranquilo. Afinal parte de mim ainda ficaria ali.

.

Nos mais de seis meses que se passaram, tudo correu como deveria, ou seja, de forma imprevisível. Falávamos quase todos os dias. O sexo, não chegava a ser um problema. Sua voz bastava para acabar com qualquer saudade sua, que eu pudesse sentir. E quando não era suficiente, nós conseguíamos um jeito para nos vermos. Vic assumia minha carga de trabalho e eu voava, ainda que somente por um dia ou horas para vê-lo. Ele arranjava congressos, possíveis parceiros e tudo que sua cidade pudesse perceber de interesse na minha. Mas o interesse mesmo era na minha cama.

.

A primeira vez que visitou minha casa não poderia ter sido mais inusitada. Cheguei em casa numa sexta-feira, dia mais estressante de todos. Ele estava lá, em pé, esguio como sempre. Analisava um mural de fotos que deixava na parede. Meu cansaço foi embora quando o percebi.

_Tenho contatos para abrir até a mais complexas das portas._ Falou.

_Já percebi!_ Nos beijamos.

_Estava com muita saudade._ Ele me disse e sorriu.

_Também._

_Gostei das fotos._ Disse sorrindo. _Quem é este?_ Quase podia esperar que ele fizesse essa pergunta.

_Um amigo brasileiro que conheci na minha viagem para Nova Iorque. Aliás, um dos poucos lugares em que me senti livre._

Ele sorriu de novo.

_Vocês transaram?_

_Ah, por favor, isso foi há muitos anos atrás._ Respondi.

_Sabia._ Ele disse fazendo o gesto de quem acerta algo.

_Ei, meu ciumento, quem sabe ao invés de falar nele, eu posso te apresentar meu quarto?!_ Disse já o beijando.

_Acho que preferiria ficar só abraçadinho, conversando e curtindo você._ Ele disse sorrindo.

Neste momento passei a mão por seu corpo, em cima do terno.

_Como assim?_ Me fiz de desentendido.

_Quer saber, esquece! Vamos conhecer seu quarto._ Ele disse já me beijando e me agarrando.

Alguns minutos depois, ele estava ao meu lado na minha cama.

_Isso nunca aconteceu comigo antes._ Ele disse sem graça.

_Sério? Estou sabendo._

_Estou dizendo. Nunca aconteceu._ Parecia cômico aquilo tudo.

_Não, não se preocupe. Sou eu que sempre trago azar._ Falei desistindo da noite.

_Oh, isso ajuda muito. Quer saber? Por que não falamos mais sobre os caras que você já transou e que também falharam?_

_Shiiii... Fica calmo._ Pedi a ele. _Não se preocupe com isso._

_Eu estou preocupado com isso!_ Não parecia. Era cômico. Ri.

_Ah, Jesus! Por favor, pode me mostrar um pouquinho de compaixão?_

Eu só conseguia rir.

_Você é tão competitivo. Bastou ver a foto de outro, e você não levantou._

_Que besteira! Não estou nem aí para isso._ Ele se fez de desentendido.

_Isso é quase pré-histórico, os homens se preocupam com o seu desempenho, mas tem um membro que não funciona, se estiverem preocupados._

_Ok, você parece um especialista, então!_ Ele disse debochado.

_Se eu sou especialista, recomendo ficarmos somente abraçadinhos._ Disse sorrindo.

Ficamos e na manhã seguinte tive uma das melhores transas da minha vida.

.

Em outro dia, estávamos completando oito meses juntos. Nada demais, mas eu iria fazer uma surpresa.

_Surpresas não são boas. Nunca._ Disse Vic, no escritório. Estraga prazeres, como sempre.

_Isso é besteira. Surpresas são ótimas. Além do mais já comprei a passagem._ Disse cético.

_Só não diga..._

_Que não avisei. Ok! Você era menos previsível, Vic._

_E você mais racional._

_Tchau, bom fim de semana._ Acenei.

Quando cheguei pedi diretamente um táxi para o gabinete, sabia que naquele horário o expediente já teria acabado, mas ele ainda estaria lá. Normalmente era o último a sair. Tudo parecia tão tranquilo e em nada lembrava o ritmo imposto aquele ambiente no horário de trabalho. Encontrei a porta do seu gabinete entreaberta, caminhei. Entretanto ao observar o que se passava ali, parei. Não era possível continuar.

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Pessoal, voltei!

Quero agradecer quem retornou para ler a história e quem começou a acompanhar agora. Critiquem, opinem e deixem sugestões.

Semana que vem o relacionamento dos dois vai balançar!

Próximo capítulo:

Comentários

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24/03/2013 13:14:22
Namoro a distância pode não dar certo, sempre tem aquele que não vive sem sexo. Acho que não será traição, você deve nos supreender, já está óbvio que é traição. Ótimo como sempre!
23/03/2013 21:08:30
Gostei. Bem interessante!
23/03/2013 17:38:31
Traição? Se for, não acredito!
23/03/2013 13:51:32
Cara, descobri o seu conto agora e estou curtindo muito. Parabéns pela escrita impecável e por essa história maravilhosa. Mas dia 28 tá mto longe. Não podia postar um pouco antes não?
23/03/2013 12:22:23
ameiiiiii. pena q pelo visto vc foi traido....e o pior é q vc se entregou nessa relaçao, mas relacionamentos a distancia nummka funcionam por isso! pq no fundo vc jamais estara presente!!!!
23/03/2013 11:56:02
Que fofos, meu Deus!
23/03/2013 08:56:17
Muito bom, mais não demora não, please rsss
22/03/2013 23:01:38
Amo seu conto. Sua demora me inspira cada vez mais. Muito bom! Fiquei ansioso para saber o que vai acontecer. Beijão no coração!
22/03/2013 22:43:01
Caso eu nao tenha comentado,eu sempre acompanhei esse conto n10 e o faço ideia do que ele viu
22/03/2013 22:26:51
muito bom
22/03/2013 22:04:47
Adorei leia o meu também!