A cidade melancólica 4

Um conto erótico de Menina Morta
Categoria: Heterossexual
Contém 588 palavras
Data: 02/03/2010 13:51:49

“REVOLUÇÃO SILENCIOSA”

"Uma Cidade Melancólica, Onde ninguém nunca sorri"

O ódio pulsa em nossas veias, como acido sulfúrico corroendo cada uma de nossas emoções e deixando a inebriante fúria preencher nossos sentidos. Não somos desmotivados pelas futuras conseqüências, ou por aquele falso instinto de auto-preservação que nos faz pensar que iremos nos dar mal no fim. Nossas vidas são nossas ruínas. Não lembramos mais de nossos nomes, tais nomes não nos pertencem mais. Está perdido no jardim de fungos e bactérias que infestam a couraça que costumávamos chamar de pele. Nossas idéias são putrefatas memórias de um instinto de ódio submisso. É igual a assistir um filme de Hollywood, as coisas simplesmente se encaixam perfeitamente demais. Nosso caminho natural rumo ao oblívio é a estrada de lama que se torna cada vez mais difícil de retirar os pés.

Perdemos tudo que nos assemelhava à seres humanos. Nossos apartamentos são agora apenas a tortuosa lembrança de nossas vidas passadas. Pensamentos de aproximação furtiva dançam em nossas mentes de modo Inquieto & Incontrolável. Não sabemos explicar, mas sentimos muita fome. Demoramos a perceber o que era.

Nossa fome... Nossa sede...

Vossa carne... Vosso sangue...

A fome chega ao ponto de atingir o inevitável. Mais doce do que de anjo, costumamos dizer. Se soubéssemos antes o peculiar gosto do sangue e da carne humana, jamais teríamos conseguido conter tamanha doçura em nossas bocas ao invés da podre carniça de porcos. Já chega de nos alimentar dos animais que compõem a fauna urbana, e já chega de comer frutos da terra.

Nossas idéias, nossos modos de agir e coação são furtivos. Não podemos levantar suspeitas. O controle tem que ser dado de forma Sigilosa & Inesperada. Não podemos causar escândalos ou dar-lhes motivos para se unirem.

Apenas como um tesouro sagrado ao alcance de nossas mãos, ou aquele sentido divino que nos impede de dar mais um passo à beira do abismo. É o que sentimos ao tocar nossos lábios na doce carne humana. Um prazer indescritível que nem todas as drogas, mulheres e apostas do mundo multiplicadas por dez poderiam sequer chegar perto. A apropriação da alma humana é o ato mais alucinógeno do universo. O maior tesouro que um homem pode ter é um espírito sem limites.

Fazemos parte desta anomalia que nossos antepassados denominavam “Capitalismo”. Os tesouros acabaram as terras também, assim como os valores materiais. Sendo assim a única coisa que podemos possuir das outras pessoas são seus corpos, suas vidas, suas carnes e suas almas.

O anonimato tornou-se tão comum que agora somos todos iguais. Um de uma multidão, ou uma multidão de um. A historia continua a mesma e os pontos de vista se dividem cada vez mais através deste véu que esconde as barbáries por de trás desta cidade. A camuflagem atingiu o indispensável. Nós somos as sombras que vos persegue ao anoitecer e vos assombra sob a luz da lamparina à noite.

Não há mais lugares para revoluções, ou resistências armadas. Não há lugar para grandes feitos ou incríveis aventuras pela liberdade. O “Não-Pronunciado” e o senhor de todas as terras por aqui. E incontestavelmente ele toma tudo para si tentando saciar sua fome colossal. O Comitê dos Homens-Sábios escondem informações pensando que o “Não-Nomeado” terá piedade ou quem sabe um pingo de boa fé. Aqui Deus é apenas uma palavra. Aqui o mais próximo de Deus é a sensação de paz que a morte pode nos dar ao deixar nossos corpos putrefatos. Estamos todos fadados ao sono eterno, sem exceções. Nada por aqui é sagrado.

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Comentários

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Parece a visão de um futuro ainda mais sombrio, e não de todo improvável. O começo me lembrou um pouco Augusto dos Anjos. Gostei!

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