JAGUAR (O Final!)

Um conto erótico de GossipBoy
Categoria: Homossexual
Contém 1972 palavras
Data: 04/09/2009 22:06:32

Espero que tenham gostado de mais um conto e que o final deste vos agrade. A moto utilizada no capítulo 8 é real e podem saber mais no meu blog.

Continuem a visitar: www.gossipboylgbt.blogspot.comJAGUAR

Capítulo 8

VIDA NORMAL

[CONTINUAÇÃO]

Luís repousava na cama, na escuridão, acordado, olhando o tecto.

A cabeça do seu homem perfeito estava pousada no seu peito. Luís sentia-o a respirar.

Enquanto os seus pensamentos divagavam na escuridão, Luís percebeu o quão impensável era aquela situação. Suspirou, tapando a cara com a mão.

– Eu acabei de fazer amor contigo… outra vez.

O seu homem perfeito soltou uma leve gargalhada que quase não se ouviu.

– Pensei que gostasses.

– Não é isso… Eu não sei nada sobre ti…

– Queres dizer, não sabes nada sobre o meu “trabalho”?~

Luís permaneceu em silêncio e o homem dos olhos de ouro percebeu que aquilo era um “sim”.

– Bem, eu também sei pouco sobre o meu trabalho. É uma espécie de agência clandestina, para fazer trabalhos sujos. O dinheiro é sempre transferido para o banco. Ninguém se vê. Nada se trata pessoalmente…

Ficaram em silêncio por um momento que pareceu demasiado comprido, até Luís arranjar coragem para dizer o que lhe queria dizer.

– Já pensaste que podias ter uma vida normal?

O seu homem perfeito levantou a cabeça do peito de Luís, olhando-o.

– Sim, pensei. Aliás, pensei que nós pudéssemos ter uma vida normal… ou quase.

O coração de Luís quase lhe saltou do peito.

– Como assim?

O seu “Jaguar” falou, hesitante.

– Eu pensei que… depois disto tudo com o Álvaro Fernandes, podíamos fugir… juntos. Se tu quiseres, claro…

Luís ergueu-se apressadamente, ficando sentado na cama, o que fez com que o seu homem perfeito também fosse obrigado a levantar-se. Eles ficaram a olhar-se nos olhos.

– Estás a brincar? Isso é o que eu mais quero!

No rosto do seu homem perfeito formou-se um sorriso.

– Tem calma. Primeiro, isto do Álvaro tem de acabar.

A cara de Luís contorceu-se numa expressão de estranheza.

– Eu não sei como é que tu consegues… matá-los… a sangue frio. Eu matei um homem há alguns meses, na altura em que conheci o Pedro… foi quase um acidente, mas não há um único dia em que não me lembro de o ver morto, caído à minha frente. Enquanto era detective, esse homem foi o único que eu matei.

– Mas o Álvaro não tem de morrer. Só tem de desistir das eleições – explicou o homem dos olhos dourados. – Estes ataques têm sido um aviso para ele. Por exemplo, hoje, haviam armas em três pontos diferentes, estavam temporizadas; dispararam automaticamente, sem fazer pontaria ao Álvaro. Apenas para avisar, para assustar. As outras quatro pessoas que matei eram pouco importantes. Mas matar o Álvaro seria apenas o último recurso. Ele ia ser mais popular morto do que vivo.

Luís mal conseguia conter a excitação dentro de si.

– Então, quando é que acaba isto do Álvaro?

– Amanhã à noite. Neste mesmo hotel. Ele vai dar uma conferência de imprensa. Se ele desistir, recebo o pagamento e está terminado. Se ele insistir, então terei de matá-lo e só depois poderemos partir.

O corpo de Luís foi varrido pela súbita compreensão dos factos.

– É por isso que estamos aqui.

– Exacto. Eu estive a preparar o local. Há um composto soporífero na conduta do ar condicionado. Com um pequeno detonador, posso pôr todo o hotel a dormir.

Luís ficou boquiaberto, a olhar o infinito, espantado com a genialidade e o profissionalismo.

– Além disso, a agência tem contactos na polícia, que me vão dar uma ajudinha na próxima noite. Não vai ser nada difícil, caso tenha mesmo de matar o Álvaro.

Ambos estremeceram ao ouvir o estrondo na porta. Eram três batidas na madeira da porta. Uma voz entrou no quarto, vinda do exterior.

– Serviço de quartos!

– Só um momento! – Gritou o seu homem perfeito. Depois, virando-se para Luís, falou num murmúrio apressado: – Veste-te! Depressa!

Luís limitou-se a fazer o que ele mandou, sabendo que ele acabaria por lhe dar uma explicação, mais tarde ou mais cedo.

Ambos se vestiam à pressa, quando ele esclareceu Luís.

– Serviço de quartos às três da madrugada? E eu disse que não queria ser incomodado por ninguém. A polícia consegue ser tão idiota.

Luís começava a entrar em pânico. Nem sabia por que se estava a vestir. Não haveria escape possível. Ou talvez houvesse… afinal, com aquele homem, já escapara com um carro dentro e de água e com outro pelos ares.

A madeira voltou a bater três vezes.

Quando acabou de se vestir, o seu homem perfeito aproximou-se da janela que dava passagem para a varanda. A varanda daquele quarto tinha vista para as traseiras do hotel e a janela estava tapada por cortinados acastanhados de um tecido lustroso e grosso.

Vendo-o a aproximar-se do cortinado, Luís não percebeu qual era a ideia.

– Vá, ajuda-me a arrancar as cortinas.

Fez o que ele lhe pediu. O barulho das cortinas a serem arrancadas foi demasiado audível.

A voz do exterior do quarto voltou a fazer-se ouvir.

– O que se passa aí?!

O cortinado castanho era segurado pelas quatro mãos. Uma delas, do seu homem perfeito, largou o tecido para abrir a janela.

Os dois homens saíram então para a varanda, contemplando a noite.

O seu homem perfeito sorriu para ele.

– A força de resistência de um metro quadrado de tecido reduz em quase 20% a velocidade de queda de um corpo.

Ouvir um estrondo ainda mais audível na porta, que estremeceu: ia ser arrombada.

Luís não teve tempo para questionar o seu “Jaguar”. Colocou os pés sobre a varanda.

O seu homem perfeito fez-lhe um sinal com a cabeça e saltaram.

A queda pareceu durar séculos. Porém, foi bem mais rápida do que estava à espera.

Luís desequilibrou-se assim que aterrou, caindo no chão. Viu o seu homem perfeito ficar impecavelmente em pé, como se praticasse salto de varanda todos os dias.

Por sorte, a rua estava deserta àquelas horas.

A mão do seu homem perfeito ajudou-o a levantar-se.

– Então, e agora? Fugimos a pé?

– Já devias saber que eu deixo sempre um meio de transporte perto do esconderijo. Para casos de emergência.

* * *

Luís não era particularmente fã de motos, mas tinha de admitir que o design daquela que estava agora à sua frente era, no mínimo, original.

A moto preta tinha a forma de um jaguar durante um salto, as patas dianteiras esticadas, a cabeça com um aspecto ameaçador.

O seu homem perfeito sentou-se no dorso daquele jaguar motorizado. Luís fez o mesmo, agarrando-se ao peito do seu “Jaguar” humano.

O motor rugiu e eles entraram por uma estrada secundária deserta, a alta velocidade.

Capítulo 9

ENCURRALADO

O Sol começava a erguer-se no céu quando Pedro ouviu o som estridente da campainha.

Deslocou-se até ao monitor onde viu que era Luís quem pedia permissão para entrar. O seu dedo pressionou o botão que abriu o portão do exterior.

Pedro sabia que a distância entre o portão exterior e a enorme casa branca lhe daria tempo para lançar o aviso. Pegou no telemóvel e digitou o número.

Espero até ouvir a voz do outro lado.

– Estou, detective Mónica? Daqui fala Pedro Lopes. O Luís acaba de me tocar à campainha.

* * *

Luís sentia o seu corpo encurralado no abraço forte que Pedro lhe deu quando entrou em casa.

– Vais-me explicar o que aconteceu? – Perguntou Pedro, largando-o e olhando-o de alto a baixo com curiosidade e preocupação.

Luís ficou mudo, sem saber porquê.

Tinha tomado a sua decisão: ficar com um homem perfeito, sobre quem não sabia nada, a não ser que era, de facto, perfeito. Isso implicaria a sua fuga, a possível morte de Álvaro Fernandes e o fim da sua relação com Pedro.

Luís estava seguro de que queria esse fim. Mas, ao olhar nos olhos celestiais azuis do homem que outrora amara, todas as palavras pareciam vazias, sem significado.

Talvez fosse razoável: sim, porque não era propriamente fácil explicar que se tinha apaixonado por um assassino sem nome, com quem tencionava fugir nessa noite, sem olhar para trás e para nunca mais voltar.

Voltou à realidade: Pedro continuava a olhá-lo, à espera de respostas.

– Pedro, eu… – As palavras precipitavam-se, tentando correr o mais depressa possível, antes que a voz (ou a coragem) falhasse de novo. – Eu e tu… – A expressão de Pedro espelhava a sua incompreensão. – Acabou, Pedro. Eu não quero mais isto.

A cara de Pedro ficou estática, imóvel. Nem um único músculo se mexeu durante cerca de cinco segundos, até os seus lábios se contorcerem num sorriso malicioso.

– Estou a ver. Queres voltar à acção de antigamente.

Luís não captou o significado daquelas palavras. Quando o fez, já era tarde demais: já se encontrava de cara com a parede, de costas para Pedro.

Atrás de si, Pedro beijava-lhe o pescoço. Sentiu os braços dele enrolarem o seu corpo, as mãos tocando no seu peito, descendo para os seus quadris, para depois entrarem pelas suas calças e agarrarem-lhe o sexo.

O corpo de Luís estava inerte, sem reagir às investidas de Pedro, que, por trás de si, esfregava o corpo dele no seu. Por fim, os seus braços tentaram soltar-se dos dele, mas Pedro investiu novamente, com mais força.

As mãos de Pedro começaram a desapertar-lhe o cinto das calças. Em poucos segundos, quando reparou, as suas calças estavam caídas no chão.

Sentiu novamente os lábios de Pedro a percorrerem-lhe toda a área do pescoço, enquanto as mãos dele agarravam o seu pénis, tentando masturbá-lo.

Porém, era difícil por não haver erecção. Luís estava a ter afluxos não de excitação, mas de raiva. E a raiva deixava a sua mente turva. Talvez por isso não se tenha dado conta da força com que os seus braços empurraram Pedro contra a parede oposta.

Com o seu corpo novamente livre, Luís voltou a vestir as calças e encarou Pedro. Os seus olhos azuis tinham uma estranha intensidade, emanando uma emoção que Luís não reconhecia. Por fim, cortou o silêncio pesado que se gerou.

– Acabou, Pedro.

A sua voz era grave e definitiva. Em contraste, nesse mesmo instante, um som agudo ouviu-se do exterior. Era um som repetitivo, bastante audível e até ensurdecedor. Alarmante.

Era a polícia.

– Não, bebé; não acabou ainda. – Pedro terminou a frase com um sorriso malicioso.

As duas paredes a que cada um se encostava estavam distanciadas de um metro. Por isso, estavam relativamente próximos quando Pedro esticou o braço para ele, trazendo na mão uma faca afiada e ameaçadora.

O brilho prateado da faca ofuscou os seus olhos, enquanto via aquele objecto dirigir-se para algures abaixo do seu queixo. Sentiu o metal frio encostado ao seu pescoço.

Os seus olhos tentaram ver exactamente onde a faca tinha pousado, mas estava fora do seu campo de visão; por isso, encarou Pedro com o olhar.

Reconheceu finalmente a emoção que brilhava no azul dos seus olhos: prazer obsessivo. Puro divertimento.

Era um gozo sanguinário. De repente, todos os acontecimentos trágicos, todas as mortes que envolviam a época em que se conheceram fizeram sentido.

A voz melíflua de Pedro soou maliciosa como dantes.

– Quando a polícia entrar e te vir morto com uma arma de fogo na mão, eu vou contar-lhes… como tu entraste aqui com um brilho estranho nos olhos e tentaste atacar-me, perseguindo-me por toda a casa. Eu, claro, fugi até à cozinha onde apanhei esta faca para me defender. E acabei por te matar em legítima defesa, aqui, neste preciso lugar. – E sorriu, fazendo Luís tremer de medo. – Eu pensei bem na história. Faço-o sempre que mato.

Luís só conseguiu pensar em proteger a sua vida, que estava, mais do que nunca, por um fioPara lerem o resto do conto (ainda faltam 3 capítulos) podem baixar GRÁTIS em:

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