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1 - O homem do escritório

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Um conto erótico de Diego
Categoria: Gay
Contém 1189 palavras
Data: 14/07/2026 17:45:05

Eu me chamo Diego quando isso aconteceu eu tinha 30 e trabalhava em um escritório de contabilidade há seis anos. Vou contar como conheci Henrique e como tudo terminou. Eu era um rapaz comum, branco, 1,65 m de altura, corpo normal, peludo e usava barba.

Entrei aos 24 como assistente administrativo, que é uma forma educada de dizer que faço o que precisar ser feito. Arquivo documento, organizo pasta, atendo telefone, imprimo relatório, levo correspondência. E faço café. Muito café. Todo dia, váriàs vezes ao dia. Aprendi que o café que você faz para as pessoas diz muito sobre o lugar que você ocupa num ambiente. Quando você faz café, você está prestando um serviço que ninguém vai agradecer de verdade, porque ninguém agradece o café. Ele só aparece, como aparece a luz quando você aperta o interruptor.

Não tenho faculdade. Tentei uma vez, parei no segundo semestre de administração porque não dava conta financeiramente. Nunca voltei. Isso não me incomoda tanto. O que me incomoda é saber que todo mundo no escritório sabe disso, e que isso me coloca num lugar que não muda, não importa o quanto eu me esforce. Posso saber fazer tudo lá dentro, e sei, mas continuo sendo o que faz café.

O escritório fica num prédio comercial no centro, em um andar alto. São 23 funcionários, entre contadores, analistas e a recepção. O dono é o Maurício, cinquenta e poucos anos, homem tranquilo, daquele tipo que trata bem mas mantém distância. Nunca fui próximo dele. Nunca precisei ser.

Henrique eu conheci numa manhã de terça-feira de março, lembro bem desse dia.

Eu sei a data aproximada porque naquele dia eu tinha chegado mais cedo para resolver uma bagunça de arquivo que tinha ficado do dia anterior. Estava sozinho no escritório ainda, ou quase sozinho, quando ouvi a porta de entrada abrir com uma força que não era a força normal de quem entra num escritório.

Levantei os olhos do que estava fazendo.

Henrique tem 2,05 m. Eu sei que as pessoas falam em altura quando descrevem alguém, mas no caso dele não é um detalhe, é a primeira coisa que você processa, antes do rosto, antes de qualquer outra coisa. Ele ocupa o espaço de um jeito que parece intencional, como se o espaço ao redor dele fosse menor do que o de qualquer outro lugar. Loiro, olhos claros, barba fechada e bem feita. Corpo de quem academia não é hobby, é rotina há muitos anos. Braços enormes e muito musculosos, que preenchem a manga da camisa e ela parece que vai arrebentar. Voz que, quando ele falou, foi só um "bom dia" jogado pro ar, parecia vir de um lugar mais fundo do que a garganta de qualquer pessoa que eu tinha ouvido até então.

Ele era irmão do Maurício. Isso eu não sabia ainda. Soube depois, quando a recepcionista me explicou com aquele jeito de quem já conhece a história. Henrique não trabalhava no escritório, tinha seus próprios negócios sozinho, mas era sócio, tinha participação no negócio com o Maurício. Aparecia de vez em quando, quando queria, sem avisar, e quando aparecia ocupava a sala do Maurício como se fosse dele também.

Naquele dia ele parou no balcão da recepção, que ainda estava vazia, olhou em volta e me viu. Me olhou de um jeito que eu não soube dizer na hora. Não era o olhar de quem avalia e descarta, era mais demorado do que isso. Durou dois, três segundos antes dele perguntar se o Maurício já tinha chegado.

Eu disse que não, que ele costumava chegar por volta das nove.

Ele concordou com a cabeça, olhou para a cafeteira na bancada ao lado de onde eu estava, e disse, sem perguntar exatamente: "Tem café?"

Eu disse que sim, que acabei de fazer.

Ele disse "me serve" e foi sentar numa das cadeiras da área de espera, cruzou as pernas, tirou o celular do bolso.

Peguei um copo, servi, levei até ele. Ele pegou sem tirar os olhos do celular. Não agradeceu. Bebeu um pouco e continuou no celular.

Voltei para o meu lugar.

Não sei o que eu senti naquele momento. Não me senti humilhado nem fiquei com raiva. A verdade é que eu fiquei com vontade de que ele pedisse outra coisa. Qualquer coisa. Que precisasse de mim de algum jeito de novo, mesmo que fosse só mais café.

Ele ficou por lá umas duas horas, entrou na sala com o Maurício quando ele chegou, saiu antes do meio-dia sem olhar pra mim.

Na semana seguinte ele apareceu de novo.

Dessa vez, quando eu levei o café, ele levantou os olhos do celular e me olhou por um segundo. Perguntou meu nome.

Eu disse Diego.

Ele repetiu, "Diego", com um tom neutro, como quem está guardando uma informação que pode ou não ser útil depois. Voltou pro celular.

Eu voltei pro meu lugar.

Durante umas três semanas foi isso. Ele aparecia, eu levava café, ele às vezes falava alguma coisa curta, na maioria dàs vezes não falava nada. Aprendi o jeito que ele gostava do café, mais forte, sem açúcar, sem que ele precisasse pedir duàs vezes.

Em um dos dias em que Henrique estava no escritório, fui como de costume, levar o café para ele, ele estava na mesa de Maurício fazendo alguma coisa importante no computador.

Ele tomou um pouco, olhou pra mim e disse:

- Você presta atenção. Gosto disso em você. O café está exatamente como eu gosto.

Nesse momento me senti a pessoa mais especial do mundo. Eu tinha aprendido como ele gostava do café e ele me elogiou por isso. Trabalhei o resto do dia feliz.

Percebi nos dias seguintes que Henrique passava a me olhar de forma diferente. Com mais carinho e atenção do que costumava olhar. Ele nunca agradecia pelo café, nem por nada, aliás. Mas percebi que ele passou a gostar de mim quando, um dia durante o expediente, ele chegou por volta das 11 h da manhã, foi até mim e me entregou um chocolate.

- Pra você.

Ele disse me entregando o chocolate e indo fazer o que sempre faz. Depois disso Henrique não saiu mais da minha cabeça e meu dia sempre ficava melhor quando ele aparecia, mesmo sem dizer uma palavra.

Foi na quarta semana que ele me parou no corredor quando eu estava voltando da copiadora, com um bloco de folhas na mão, e perguntou diretamente se eu queria jantar com ele na sexta.

Não foi com rodeio, não foi com aquela coisa de "o que você acha de", não foi pergunta com saída. Foi direto, no jeito que, eu ia aprender, era o único jeito que ele fazia as coisas.

Eu disse que sim.

Ele assentiu como se a resposta já fosse esperada, voltou a andar pelo corredor.

Fiquei parado por uns dois segundos, bloco na mão, sem entender exatamente o que tinha acabado de acontecer.

Mas sei que naquele momento senti alguma coisa, empolgação mas ao mesmo tempo uma mistura de não acreditar e de querer muito acreditar. De me perguntar por que alguém como ele teria olhado pra alguém como eu.

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