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A Lei da Mulher Fez Nascer um Amor Verdadeiro

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Um conto erótico de Hero
Categoria: Heterossexual
Contém 3455 palavras
Data: 12/07/2026 16:28:21

A Lei da Mulher Fez Nascer um Amor Verdadeiro

Conheci a Mônica numa festa de quebrada. Eu tava desde os dezoito anos ralando numa loja de material de construção, carregando saco de cimento nas costas e arrumando galpão. Minha vida era bater cartão e guardar cada tostão pra tentar ser alguém. Ela encostou cheia de conversa fiada de casamento, dizendo que queria família, que não aguentava mais a casa dos pais. Seis meses depois, a gente casou. Eu, otário, entregava todo o meu salário na mão dela, achando que estávamos juntando pra comprar nosso canto.

Só que, enquanto ela limpava minha conta, tava no corre por fora com outro cara, coisa que eu só fui descobrir bem depois. O alvo dela era um tal de Raul Mendes, um coroa de cinquenta e cinco anos que tinha sido professor dela. O coroa morava sozinho, tinha uma grana preta guardada de anos de trampo e ela ficava colando na casa dele de madrugada, fingindo que era sozinha e não tinha família, tudo pra arrancar o dinheiro do velho.

Em casa, ela mandou o migué pra mim dizendo que a mãe tava muito mal de saúde e precisava de uma nota preta pra um tratamento urgente. Fui direto pro banco, cavei um empréstimo no meu nome, raspei tudo o que juntei na vida e passei mais de vinte mil pra ela. Dias depois, descobri pelo processo que ela tinha usado a mesmíssima mentira da mãe doente com o professor, arrancando mais trinta mil dele de uma vez só.

Uma semana depois de embolsar essa nota de nós dois, ela acionou a polícia e armou uma cama de gato pro coroa. Fui avisado pelos homi e cheguei na delegacia com o sangue fervendo. Ela me abraçou chorando o maior teatro, dizendo que o velho perseguia ela há meses e que ia me apagar se ela não fizesse o que ele queria. Quando vi o coroa saindo algemado por estupro e coação, cresci o peito e gritei que ele era um monstro, que ia apodrecer no xilindró. Ele só me olhou com cara de paisagem, em choque.

Só que o golpe dela não parou por aí e logo sobrou pra mim. A cascavel colou na delegacia da mulher e pediu uma medida protetiva falsa, inventando que eu agredia e ameaçava ela em casa. Saí do trampo num fim de tarde e dei de cara com o oficial de justiça e uma viatura na porta. Fui despejado do meu próprio teto só com a roupa do corpo e os documentos, proibido por lei de chegar perto da minha própria casa.

Sem nenhum parente por perto e com o salário todo retido por causa do empréstimo que fiz pra ela, fiquei na lona. Passei sete dias jogado na rua, dormindo em cima de papelão perto da praça pra não congelar de noite. Comia o que os parceiros da loja de cimento me davam e lavava a cara na pia do banheiro do trampo. Naquelas noites no sereno, com a barriga roncando de fome e o ódio fervendo, comecei a juntar os pontos de toda essa desgraça.

Caiu a ficha de que ela nunca ficou triste pela mãe e tava gastando os tubos com roupa mesmo depois do sumiço da grana. No sexto dia de rua, usei o computador do trampo pra dar uma espiada no processo do coroa. Vi que as datas dos saques e o papo dela não batiam com nada. Ali, o ódio me deu visão de malandro: percebi que nós dois tínhamos caído na mesma teia, e que ela usou a lei da mulher pra trancar o velho, me jogar na sarjeta e sumir com os nossos bens.

No sétimo dia, mandei o medo se foder e colei na tranca onde o coroa tava preso. Na portaria, o guarda já barrou: disse que ali só entrava parente de sangue ou cônjuge cadastrado. Como o sistema não aceitava meu documento, rachei um papo com um defensor público e fiz a jogada mais loka da minha vida pra conseguir entrar. Colei no cartório com os dados do processo e meti uma união estável no papel com o Raul Mendes. Virei companheiro do cara perante a lei só pra poder pisar lá dentro.

Com o papel carimbado e a carteira de visitante na mão, voltei no sábado seguinte. Eu precisava encarar o cara que eu xinguei na delegacia pra entender qual era a real do golpe.

Parte 2 – O Presídio e a Aliança

Ele apareceu no portão e o coração bateu na boca. Eu achei de verdade que ele não ia aceitar minha visita, afinal, o bagulho só anda se o detento autorizar. Fiquei ali na humilhação da espera, mas, pra minha surpresa, o velho aceitou. Só que, antes de pisar lá dentro, o processo é embaçado. Os guardas me mandaram pra sala de revista. Tive que ficar peladão, tirar até a alma do corpo e agachar três vezes pros caras terem certeza de que eu não tava mocando nada no rabo. Bagulho humilhante que me deu um nó na garganta.

Quando passei do portão de ferro, o cenário me impressionou de um jeito ruim. O povo lá fora enche a boca pra dizer que preso come bem, mas que porra de mentira. Se aquilo que vi no bandeco é comida, eu prefiro lavagem de porco. O cheiro azedo era de vomitar. Fui andando com as pernas meio bambas até que cheguei na galeria dele. Na mesma hora, o pátio virou um alvoroço e os detentos gritaram na grade:

— Ei, professor! Visita no portão! Liga aí, visita pro professor! Daí, mestre, visita pro senhor, meu amigo! Parabéns...

Foi mó loucura. Um monte de detentos começou a gritar junto pelas frestas das celas, batendo nas grades e mandando o maior respeito pro coroa:

— Parabéns, professor!

— É isso aí, tu merece, mestre!

— E aí, professor, visita pra ti, que show!

Quando ele me avistou no portão do pátio, abriu um sorriso encantador, saca? Era um brilho de felicidade tão puro no rosto daquele velho, uma parada que eu nunca recebi da minha própria mulher em anos de teto. Aquilo quebrou minhas pernas. Cheguei perto e entreguei a sacola que montei com o suor do meu bolso: biscoito, café, linguiça, cigarro, umas cuecas novas, sabonete e uma nota de cinquenta reais pra ele se virar na cantina.

Em seguida, a gente subiu junto pras galerias. No dia de visita, o esquema lá dentro muda de figura: todas as celas ficam abertas, tudo limpinho e arrumadinho pros detentos receberem seus visitantes com o mínimo de dignidade ali dentro do cubículo. Só que o castigo pra quem tá sem ninguém é brabo. Quem não recebe visita é posto pra fora, não pode ficar moscando na galeria de jeito nenhum. Os caras são jogados pro pátio do presídio, que é totalmente aberto, sem cobertura nenhuma.

Se o sol tiver estalando de quente, eles vão ficar lá queimando. Se tiver caindo um toró ou um frio de rachar, eles que se virem no relento. Os caras ficam lá na rua, no pátio, das sete da manhã até as cinco da tarde, que é quando as visitas vão embora. Só depois, lá pelas seis da tarde, é que batem o cadeado e os detentos sem visita podem finalmente subir pras celas.

Nós nos ajeitamos ali na cela dele, ficando parados, um de frente pro outro, num silêncio pesado. Eu não sabia direito onde enfiar as mãos e ele só ficava olhando pra sacola de mantimentos, parecendo que não acreditava no que tava vendo.

Pra quebrar o gelo e sair daquele sufoco, tomei coragem e mandei:

— Então, professor... como é que tu tá nessa situação?

— É isso aí que tu tá vendo, Léo — falou suspirando fundo, mas com a voz firme. — Mas até que tô tranquilo. Todos os caras aqui na galeria são muito justos. O respeito aqui dentro é uma regra que não pode ser quadrada de jeito nenhum. Vou te dizer mais: esses detentos têm muito mais ética do que a própria justiça lá fora.

— E tu sabe de alguma coisa do teu processo? Conseguiram alguma movimentação? — perguntei olhando pro chão de cimento.

— Não tem nada marcado ainda. O sistema se arrasta.

— Mas porra, mestre, já faz três meses que tu tá mofando aqui dentro! — soltei indignado.

— É isso que uma pessoa honesta, justa e trabalhadora merece hoje em dia. É o que as mentiras, a trapaça, a injúria e essa porra de lei fazem. Uma lei sem lei.

Olhei bem nos olhos dele, respirei fundo e joguei a real que tava me sufocando desde a rua:

— Então, preciso te falar uma parada que só agora eu sei. Em primeiro lugar, me desculpa por aquele dia na delegacia em que tu foi emoldurado pelos homi. Eu tava cego de ódio, não sabia que era ela quem tinha armado toda essa cama de gato pra nós dois.

Ele me olhou de um jeito manso, confirmando com a cabeça.

— É Léo, né?

— Sim, Leonardo.

— Pois é, Léo... aqui dentro tá lotado de homem exatamente na mesma situação que a nossa. Tem cara aqui na galeria que já tá há seis anos trancado, sem dever nada pra ninguém, sendo inocente. Tudo armação de ex-mulher pra arrancar pensão e ficar com casa. Mas me diz uma coisa... eu ainda não tô entendendo direito o motivo de tu ter descido até aqui pra me ver.

Aí, abri o jogo de vez, destilando o veneno que passei na pele:

— Na verdade, eu também fui triturado por ela, professor. Aquela cascavel inventou um monte de mentira a meu respeito pra me tirar de cena. Sorte a minha que eu tinha um parceiro que é advogado e ele correu atrás pra me livrar de algumas denúncias mais pesadas antes que eu viesse parar aqui do teu lado. Mas a infeliz mentiu tanto pro delegado que o negócio feder pro meu lado no começo. Teve um dia que eu tomei um sacode violento dos brigadianos na rua. Os caras nem quiseram saber meu nome, não falaram nada, já chegaram me sentando o sarrafo e me batendo.

O velho balançou a cabeça, indignado com a truculência:

— Eu não consigo entender esses caras da Brigada Militar. São homens, experientes, vivem na rua e fazem uma covardia dessas com a gente. Logo, logo um deles roda e vai acabar caindo aqui dentro também pra ver como é bom. Ou melhor, Léo... se essa lei errada e cega continuar desse jeito, não vai mais ter vaga nas cadeias do Brasil. O que vai acontecer é que o país vai tomar um prejuízo monumental. Imagina se prendem todos os homens por causa de qualquer migué? O Brasil simplesmente para, a economia quebra. Se faltar luz por um mês na cidade, essas madames não sabem nem o que fazer e vão acabar vendendo até os próprios filhos pra ter o que alimentar.

Parte 3 – O Encontro Íntimo

Na semana seguinte, peguei a estrada pro presídio de novo. O movimento na portaria tava bem diferente, mais tenso e com uma fila menor. Aquele era o dia reservado pras visitas íntimas, onde o sistema só deixava entrar quem fosse esposa ou cônjuge cadastrado em cartório. Como eu tinha metido aquela certidão de união estável no papel só pra furar o bloqueio dos guardas, passei pelo balcão sem problemas, com o crachá carimbado como companheiro dele.

Lá dentro, a dinâmica das galerias mudava completamente nesse dia. As celas viravam uma espécie de quarto particular pra cada casal, e o respeito entre os detentos era total. Ninguém metia a mão na maçaneta ou ousava espiar se a porta tivesse encostada. A partir do momento em que o detento e a sua visita entravam e fechavam o trinco, aquele quadrado virava um espaço sagrado e inviolável, onde ninguém de fora podia interromper o momento íntimo.

Quando o guarda bateu o portão atrás de mim, nós dois entramos na cela dele e encostamos a madeira, isolando a gente da barulheira do corredor. Pela primeira vez em meses, estávamos totalmente sozinhos, sem agentes rondando ou outros detentos olhando de rabo de olho. O ambiente tava limpinho, com um lençol esticado na jega e um rádio de pilha tocando baixo num canto.

O calor dentro daquele cubículo tava infernal, abafado de um jeito que parecia que o ar não corria. Sem pensar muito, puxei a camiseta pela gola e joguei num canto, ficando só de bermuda. Ele fez o mesmo, tirando a camisa cinza do sistema e ficando apenas com um calção azul de atletismo, daqueles bem leves, e sem cueca por baixo por causa do mormaço. Sentamos lado a lado na beirada da jega, encostando as costas na parede de concreto que tava um pouco mais fria.

Pra refrescar o peito, puxei da sacola duas garrafas de refrigerante trincando de geladas que consegui descolar na cantina antes de subir. Entreguei uma na mão dele, e o barulho do gás saindo pareceu quebrar todo o resto de tensão que ainda existia entre nós. Demos um gole comprido em silêncio, deixando o doce gelar a garganta enquanto o suor escorria pelo peito de cada um.

Logo em seguida, ele esticou o braço até uma fresta no tijolo e puxou um baseado já bolado. Ali dentro da galeria, longe dos olhos dos guardas do pátio, o fumo rolava solto e ninguém embaçava por causa do cheiro. Riscou o fósforo, acendeu a ponta e deu uma tragada funda, segurando o ar com os olhos semicerrados antes de soltar a fumaça pro teto.

Me passou o beck e eu puxei também, sentindo a mente dar aquela relaxada instantânea depois do estresse da revista na portaria. Com a cabeça ficando leve por causa da erva e o refrigerante gelando o estômago, o clima pesado da cadeia pareceu sumir por uns instantes. Começamos a trocar uma ideia descompromissada, longe daquela paranoia pesada de processo, advogado e delegacia.

A resenha começou a engrenar e, do nada, a gente tava rindo de umas bobagens do dia a dia da loja de material de construção. Contei das trapalhadas dos peões carregando caminhão e ele rachou o bico, soltando uma gargalhada alta que ecoou no espaço pequeno da cela. Era foda ver aquele coroa, que sempre foi todo sério e intelectual nas aulas, chorando de rir comigo ali naquelas condições.

Ele também entrou na onda e começou a zoar o sotaque de um dos guardas mais carrascos do pavilhão, imitando o jeito que o cara gritava no confere da manhã. Nós dois engatamos uma sequência de piadas e brincadeiras que parecia que a gente se conhecia desde moleque, dividindo o baseado que ia e voltava entre os nossos dedos. Aquela descontração trouxe uma leveza que eu não sentia há muito tempo na rua.

No meio de uma dessas risadas, nossas falas foram diminuindo até que o quarto ficou num silêncio completo de novo. O efeito da maconha tava batendo forte, deixando os sentidos mais aguçados, e o calor parecia colar a pele da minha costela na dele, já que estávamos colados na jega. Olhei de canto de olho pro corpo dele, pros ombros largos e pro jeito que o calção de atletismo se moldava nas coxas dele sem nenhuma proteção por baixo.

Foi aí que um estalo esquisito bateu na minha mente, uma parada que eu nunca tinha experimentado na vida com homem nenhum. Olhando pra ele ali, tão perto, a carência de meses largado na rua e a solidão de ter sido traído começaram a se misturar com o efeito do fumo. Senti meu corpo esquentar de um jeito diferente, um calor que subiu direto pro peito e me deu um tesão louco, daqueles de deixar a boca seca.

Eu nunca tinha olhado pra outro cara com maldade, mas a energia daquele lugar — o quarto fechado, o cheiro do baseado e a cumplicidade que a gente criou no sofrimento — transformou tudo. O sorriso que ele tinha me dado no portão voltou na minha mente, e o fato dele estar ali, sem camisa, confiando a vida dele a mim, me fez ver o velho com outros olhos. Minha respiração ficou um pouco mais pesada, compassada com o barulho do rádio.

Ele percebeu o silêncio repentino e virou o rosto na minha direção, me encarando bem de perto. Seus olhos, ainda meio vermelhos por causa da erva, desceram pelo meu peito suado e demoraram um tempo ali antes de voltarem pro meu olhar. Não se afastou, nem mudou de posição na cama; continuou com o ombro colado no meu, mantendo a proximidade que o calor infernal tornava ainda mais intensa.

Eu tava com a garrafa de refrigerante colada na coxa pra resfriar a pele, mas o fogo interno tava difícil de segurar. Minha mão, que segurava a ponta do baseado, tremeu de leve quando fui passar pra ele de novo. Nossos dedos se tocaram na entrega e, em vez de puxar a mão de volta rápido como eu faria antigamente, deixei meus dedos encostados nos dele por alguns segundos a mais.

O ar parecia ter ficado mais espesso dentro da cela trancada. Olhei pro lábio dele, pro peito dele subindo e descendo devagar, e percebi que a barreira que existia na minha cabeça tinha caído por terra. Estávamos os dois ali, desarmados, esquecendo o mundo lá fora e deixando aquela química nova e inesperada tomar conta do espaço entre nós dois na parede de concreto.

Olhando pra toda aquela situação loka, ele quebrou o gelo com um sorriso malandro:

— Bah, Léo, agora tu é minha esposa, cara! Kkkk.

— Hahaha! Capaz! Não é tu que é a minha mulher? Kkkk.

— Cara, tu é muito louco de fazer um troço desses, só pra vir aqui! Kkkk.

— É claro, meu! Como é que eu iria deixar a minha mulher sozinha na tranca? Kkkk.

— Não, não, não! Pela regra do sistema, a esposa é quem vem aqui de fora, visitar! Kkkk.

— Porra, pior que tu tem razão! Kkkk.

Parte 4 – A Vingança e a Justiça

O tempo passou e a nossa aliança ficou fechada no dez a dez.

O advogado correu atrás do prejuízo e traçou um plano certeiro pra desmascarar ela na audiência de instrução, que rolou treze meses depois do enquadro. A cascavel colou no fórum de salto alto, posando de coitadinha pro juiz. Eu sentei na primeira fileira com o doutor, e o professor veio escoltado, mas de cabeça erguida.

O promotor começou o interrogatório e ela soltou o mesmo choro de sempre. Mas, na nossa vez, o advogado botou o terror: jogou na mesa o relatório da quebra de sigilo telefônico que a gente tinha cavado. O papel provava tintim por tintim que as mensagens de ameaça tinham saído do celular do conhecido dela, e que era ela mesma quem digitava tudo pra ferrar o velho.

Pra fechar o caixão da mentira, o doutor mostrou os extratos do banco. Os trinta mil do coroa e os vinte mil do meu empréstimo caíram direto na conta dela e foram usados pra comprar luxo. O juiz cresceu o olho pra cima dela, apertou as perguntas e a pilantra se embananou toda. Ali mesmo, desabou e confessou que tinha inventado os crimes e forjado tudo.

O magistrado mandou soltar o Raul na hora. E no mesmo ato, deu voz de prisão pra ela por denunciação caluniosa, estelionato e falsidade. Os policiais tiraram as algemas dele ali mesmo e grampearam os pulsos dela. A cascavel começou a berrar e chorar, sendo arrastada pro xilindró.

Saímos pelo portão do fórum e o velho finalmente respirou o ar da liberdade. Entreguei na mão dele as chaves da casa dele, que o advogado tinha conseguido reaver. Ela rodou bonito e foi levada pra ala feminina do mesmíssimo presídio onde ele tinha mofado por mais de um ano, com todos os bens bloqueados pra pagar o rombo que deixou no meu nome.

Parte 5 – O Desfecho

Dois anos depois dessa confusão toda, ela ganhou a rua pra cumprir o resto da pena em regime aberto por bom comportamento. Só que a vida dela mudou de vez: os pais se mandaram, a grana sumiu toda pra ressarcir o banco e, com a capivara suja de antecedentes, ficou na lona, vivendo de bico e favor pela região.

Era sábado estávamos fazendo compras de roupas novas, quando estávamos passando por aqueles restaurantes populares ela estava na fila, nós dois só demos uma olhada pra ela continuando sorrindo conversando, e fomos indo embora, ele parou me olhou sorriu falou:

- espera, vem aqui comigo, tirou duas notas de 100 reais, chegarmos na fila do restaurante, ele deu 100 pro cara que estava na sua frente e 100 pro que estava atrás dela disse pra eles irem comer alguma coisa melhor.

Ela nos olhou sem falar nada.

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