Marcelo parou diante da bancada de mármore.
O olhar desceu até o resíduo branco, o espelho pequeno, o cartão torto. Andressa sentiu o estômago contrair, esperando a pergunta, a decepção, o julgamento. Em vez disso, ele soltou um ar quase risonho, curto, sem humor verdadeiro, mas sem condenação nenhuma.
— Relaxa, Andressa.
A voz dele saiu baixa, carregada de algo que ela não esperava.
— Não preciso te julgar. Eu conheço esse caminho.
Ela piscou, sem entender de imediato.
Marcelo passou o dedo pelo mármore, sem tocar no que restava, apenas traçando uma linha imaginária.
— Já usei. Faz tempo. Épocas de pressão absurda no trabalho, algumas festas que não deveriam ter acontecido, noites em que a cabeça não desligava de jeito nenhum. Não é algo que eu carregue com orgulho, mas também não é um fantasma que eu finjo nunca ter visto.
Andressa soltou o ar que nem sabia que estava prendendo. O peito aliviou de um jeito quase doloroso. A máscara da vida perfeita — a dela, a dele, a de todos — caía sem grito, sem bronca, sem moralismo barato. Só restava a cumplicidade crua de quem já tinha atravessado o mesmo território.
— Então… você não vai sair pela porta agora? — perguntou, a voz ainda rouca da euforia.
— Se eu fosse embora, seria por outro motivo. Não por isso.
Ele deu um passo em sua direção. O cheiro de cologne e pele limpa misturou-se ao ar da cozinha.
— Você me chamou. Eu vim. O resto… a gente decide juntos.
Andressa sorriu pela primeira vez desde que ele entrara. Um sorriso torto, livre do peso que carregara o dia inteiro.
— Então vem.
A frase saiu baixa, quase um sopro, mas carregava uma certeza que ela não sentia há anos. Sob a euforia que ainda corria nas veias — aquele fio elétrico fino e urgente que fazia o peito leve e a mente afiada — e com a certeza de que não havia barreira moral entre eles, Andressa se aproximou da bancada. Não precisou de muitas palavras. O silêncio da casa parecia conspirar a favor: o compressor da geladeira, o tic-tac distante do relógio, o vento leve no jardim. Tudo lá fora continuava existindo, mas aqui dentro o tempo havia encolhido até caber só nos dois.
Ela preparou o que precisava sobre o mármore com gestos precisos, quase rotineiros, como quem organiza documentos no escritório. Marcelo observou em silêncio. Não houve pergunta, não houve hesitação. Quando ela se afastou um pouco, ele se aproximou, aceitou sem drama, sem discurso. O gesto foi rápido, prático. Quando se ergueu, os olhos dele já brilhavam de um jeito diferente — mais vivos, mais urgentes, como se a mesma corrente elétrica tivesse passado para dentro dele.
Andressa o observou por um segundo a mais. Havia algo libertador naquela troca silenciosa. Não era só o desejo. Era a confirmação de que, por algumas horas, ninguém precisava fingir. Nem a esposa perfeita. Nem o marido modelo. Nem o amigo confiável. Apenas dois adultos que sabiam o peso de carregar uma vida impecável demais.
O vinho tinto ainda estava aberto sobre a mesa de centro, as taças de cristal esperando. Mas o ritmo do sangue não pedia mais aquela lentidão aveludada da noite anterior. Andressa caminhou até o bar, abriu a porta de madeira e tirou a garrafa de uísque. O líquido âmbar refletiu a luz baixa dos abajures. Deixou cair as pedras de gelo no copo; o som cristalino ecoou pela cozinha como um ponto final na conversa anterior e um começo de outra coisa.
— Isso combina mais com a gente agora — disse ela, entregando-lhe o copo.
Marcelo aceitou, bebeu um gole curto. O uísque queimou a garganta, acompanhou a aceleração, apagou o que ainda restava de cautela. Andressa bebeu também. O líquido desceu quente, misturou-se à euforia, e de repente o espaço entre os dois pareceu ainda menor.
Ficaram alguns segundos apenas se olhando. O mármore frio atrás dela, o cheiro do uísque no ar, o resíduo esquecido ao lado. Andressa sentiu o corpo responder antes da mente: o calor subindo pelo peito, a pele mais sensível, o desejo antigo e novo ao mesmo tempo. Não havia mais romantismo. Não havia mais o cuidado da véspera. Havia urgência. Havia a necessidade de apagar, mesmo que por algumas horas, os processos, a filha, o Leonardo, a Adriane, a imagem impecável que ela sustentava todos os dias.
Marcelo pousou o copo na bancada. Andressa fez o mesmo.
— A noite ainda está só começando — murmurou ela.
Marcelo não esperou por um convite verbal. Avançou. O beijo foi voraz, sem nenhuma das delicadezas da véspera. O gosto do uísque se misturou ao entorpecimento, e as mãos de Andressa se enterraram nos cabelos dele, puxando-o com força. A língua dele invadiu a dela com fome, chupando, mordendo o lábio inferior até doer de tão bom.
Interromperam o beijo apenas o necessário, ambos arfantes. Os olhos se encontraram, brilhando com uma intensidade quase maníaca.
Sem uma palavra, Andressa voltou à bancada. O som seco do cartão contra o mármore foi o único ruído na casa silenciosa. Preparou mais.
— Mais uma — sussurrou, sentindo o sangue latejar nas pontas dos dedos.
Ele inclinou-se. Quando se levantou, a última barreira havia caído. Puxou-a de novo, o beijo ainda mais fundo, mais agressivo. As mãos exploravam o corpo dela com possessividade. Os dedos deslizaram pela cintura, subiram pelas costelas e agarraram os seios por cima da seda, apertando com força. Os polegares torceram os mamilos até ela gemer dentro da boca dele.
— Porra, Andressa… esses peitos… — rosnou contra os lábios dela. — Eu sonhei tanto em apertar esses peitos enquanto te fodia.
O vestido de seda deslizou pelos ombros quase sem esforço, caindo como uma poça de sombra no piso. Ela ficou nua. Os seios pesados caíram livres, os mamilos escuros e duros, a intimidade já brilhando. Marcelo recuou só o suficiente para devorá-la com os olhos. Puxou a camisa pela cabeça. Andressa mesma abriu o cinto e o zíper. O pau saltou pesado e grosso, a cabeça roxa e brilhante, as veias latejando.
Ela não resistiu. Desceu de joelhos no piso frio da cozinha, os olhos fixos naquele comprimento. Segurou a base com as duas mãos, sentindo o calor e as veias pulsando. Passou a língua de baixo para cima, bem devagar, lambendo desde as bolas até a fenda, saboreando o gosto salgado misturado ao resíduo na boca.
— Isso… chupa esse pau, sua puta casada — ordenou Marcelo, a voz rouca, uma mão agarrando o cabelo dela. — Engole tudo.
Abriu a boca e engoliu a cabeça primeiro. O gosto explodiu. Desceu mais, lábios bem fechados, sentindo a grossura esticar o canto da boca. Continuou até o pelo púbico roçar o nariz e as bolas baterem no queixo. A garganta se abriu. Marcelo gemeu alto, os dedos apertando o couro cabeludo.
— Porra… que boca quente… está me engolindo inteiro, Andressa…
Começou a chupar de verdade. Movimentos longos e molhados, subindo quase até soltar a glande e descendo de novo até engasgar, babando. A saliva escorria pelo queixo, pingava nos seios. Uma mão masturbava a base, a outra massageava as bolas. O cheiro masculino invadia as narinas hipersensíveis. Cada veia ela sentia latejar contra a língua.
— Mais fundo… isso… usa essa garganta de esposa safada — ele rosnava, começando a foder a boca com leves estocadas. — Olha a babada que você está fazendo… sua puta…
Ela gemia ao redor do pau, a vibração fazendo-o tremer. Chupou com fúria, a garganta aberta, os olhos marejados, a saliva formando fios grossos. Marcelo puxou o cabelo com mais força e tirou o pau com um som molhado. A haste brilhava inteira, coberta de baba, a cabeça ainda mais roxa.
— Agora eu quero provar essa buceta — disse, a voz grossa.
Empurrou-a contra a bancada de mármore. Abriu as pernas com as mãos grandes e enterrou o rosto entre elas. A língua quente e larga passou de baixo para cima, abrindo os lábios, chupando o clitóris inchado com força. Andressa gritou, os quadris subindo sozinhos. Ele chupava com fome; a língua entrava, depois voltava ao clitóris, sugando, mordendo de leve, enquanto dois dedos entravam e curvavam, massageando com pressão firme.
— Que mel gostoso… sua buceta está pingando na minha cara — falava entre lambidas, a voz abafada. — Toda molhada de tesão… sua puta casada safada…
Ela puxava o cabelo dele, rebolando no rosto, já no limite. Ele aumentou a pressão, chupando o clitóris com força enquanto os dedos a comiam rápido. O orgasmo veio em segundos. Gritou, as coxas tremendo, esguichando na boca dele. Marcelo não parou. Continuou chupando e bebendo, prolongando cada espasmo até ela soltar um gemido quase de choro.
Só então ele subiu. O pau, ainda brilhando de saliva e pré-gozo, alinhou a cabeça grossa na entrada encharcada.
— Enfia — pediu Andressa, sem nenhum pudor. — Enfia esse pau grosso na minha buceta casada e me fode como se eu fosse sua puta.
Ele a empurrou contra o mármore frio. Uma mão agarrou o maxilar, forçando o olhar, enquanto a outra guiava a cabeça entre os lábios inferiores. Esfregou devagar, de cima a baixo, abrindo a fenda, encharcando a glande no mel quente. Ela rebolava, tentando engolir a cabeça.
— Pede direito — provocou, segurando só a ponta dentro, sem entrar.
— Me fode, Marcelo… enfia tudo… arromba essa buceta… porra, me dá esse pau!
Ele enterrou de um só golpe. Fundo. Brutal. O pau grosso abriu as paredes de uma vez, esticando até doer de tão bom, a cabeça batendo seco no fundo. Andressa gritou. Ele gemeu alto, a testa encostada na dela, o corpo inteiro tremendo com o aperto quente e molhado.
— Caralho… que buceta apertada e quente… está me ordenhando já…
Começou a foder. No início, as estocadas eram longas e profundas, quase saindo inteiro — ela sentia cada centímetro das veias raspando por dentro — antes de enterrar de novo até as bolas baterem. O mármore frio contrastava com o calor. O som molhado de pele contra pele enchia a cozinha. Envolveu as pernas na cintura dele e o puxou com força.
— Mais fundo… assim… fode essa esposa puta… — gemia sem parar. — Seu pau está me destruindo…
— Você adora, né? — rosnou, acelerando. — Adora levar pau de outro homem na cozinha da sua casa, com as fotos do seu marido olhando…
— Adoro… porra, adoro… me fode mais forte!
Ele obedeceu. O ritmo ficou violento. Cada estocada fazia os seios balançarem pesados, os mamilos roçando o peito suado dele. Uma mão desceu entre eles e encontrou o clitóris inchado, esfregando rápido e sujo enquanto a comia sem piedade. Ela já estava no limite.
— Goza nessa porra… quero sentir essa buceta me apertando — mandou.
O orgasmo explodiu. Visão branca. O corpo inteiro contraiu. A buceta se fechou em volta do pau dele em espasmos violentos, esguichando quente, molhando as bolas e a base. Gritou contra o ombro dele, as unhas rasgando as costas.
Marcelo não parou. Continuou fodendo através do gozo, com estocadas curtas e profundas, prolongando cada onda até ela tremer e soltar um gemido quase de choro.
— Ainda não terminei com você — falou, a voz grossa.
Virou-a com facilidade. Colocou-a de quatro contra a bancada, a bunda empinada, a buceta exposta, vermelha, latejando e pingando. Abriu as nádegas com as duas mãos, cuspiu direto na entrada e espalhou com o polegar.
— Olha essa buceta destruída… toda aberta pra mim…
Enfiou de novo de uma vez só, até o talo. Agora fodía com força bruta. Cada baque fazia os seios balançarem e a bancada ranger. As bolas batiam molhadas no clitóris. Ela empurrava a bunda para trás, engolindo tudo.
— Isso… assim… arromba essa puta… — gemia alto. — Fode mais fundo… quero sentir suas bolas me batendo…
— Sua puta casada safada… — rosnava a cada estocada. — Tá pegando o pau do amigo do seu marido até o fundo… e ainda pede mais…
Uma das mãos rodeou o corpo e agarrou o cabelo, puxando a cabeça para trás, enquanto a outra esfregava o clitóris com violência. O segundo orgasmo veio ainda mais forte. Gritou, o corpo arqueando, a buceta espremendo-o como um torno, jatos quentes escorrendo pelas coxas e encharcando o mármore.
— Vou gozar… — avisou, a voz quebrada. — Vou encher essa buceta casada de porra…
— Dentro… jorra tudo dentro… me enche… — pediu, ofegante.
Ele cravou os dedos nos quadris com força suficiente para deixar marca e enterrou até o fundo. Sentiu os primeiros jatos grossos e quentes baterem direto. Pulsava, despejando tudo, jato após jato, enchendo, transbordando. A porra escorreu imediatamente em filetes espessos e brancos pelas coxas internas, pingando no piso, enquanto ele ainda dava estocadas lentas e profundas, esvaziando-se até a última gota.
Ficaram assim por longos segundos, ofegantes, o suor escorrendo, o uísque esquecido, o silêncio da casa agora carregado de um peso diferente. Andressa sentia o corpo latejando, o peito ainda acelerado pela euforia e pelo orgasmo. Marcelo se retirou devagar. A realidade, lá fora, continuava esperando. Leonardo. Adriane. A filha. Os processos.
Mas naquela cozinha, naquela hora, nada disso existia.
Andressa ficou olhando o teto por um instante, a respiração ainda irregular. Pela primeira vez em muito tempo, não sentia a necessidade de se explicar, de se conter ou de voltar atrás. Ele tinha aceitado tudo — o que ela pediu, o que ela escondia, o jeito como queria ser tratada. E não apenas aceitado: tinha correspondido.
Uma certeza quieta e perigosa começou a se formar nela.
Talvez ela tivesse finalmente encontrado alguém com quem pudesse viver, sem máscaras, as coisas que sempre desejou e nunca teve coragem de pedir.Apenas o silêncio. E a cumplicidade que agora os unia.