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Um conto erótico de Haedrig
Categoria: Heterossexual
Contém 7866 palavras
Data: 30/07/2026 07:13:10

Brooklyn mal conseguia ficar parada. Andava de um lado para o outro da sala com o celular apertado nas mãos, as lágrimas ainda escorrendo pelo rosto enquanto tentava falar tudo ao mesmo tempo.

— Eu consegui... eu consegui falar com ela... — dizia entre uma respiração e outra. — Era a Meg... era ela mesmo... era a voz dela...

— Ei, calma. Respira primeiro — Kendra se aproximou dela e segurou os ombros.

Brooklyn tentou obedecer, mas a ansiedade parecia maior. Ela enxugou rapidamente o rosto com as costas da mão e soltou uma risada nervosa.

— Desculpa... eu só... eu achei que nunca mais... — a voz falhou novamente.

Kendra a abraçou por alguns segundos, esperando que ela se acalmasse. Permaneci em silêncio, dando tempo para que conseguisse organizar os próprios pensamentos. Kendra e ela se sentaram no sofá.

— Melhor? — Kendra a encarou por alguns segundos.

Brooklyn confirmou com a cabeça.

— Então conta exatamente o que aconteceu — também me sentei ao lado delas.

— A ligação durou pouco, o sinal estava péssimo — Brooklyn fez uma pausa. — Mas era a Meg, tenho certeza absoluta.

O sorriso que surgiu em seu rosto era impossível de esconder.

— O que ela disse?

— Ela contou que não está sozinha — continuou. — Depois que nós nos separamos... ela encontrou outra pessoa, essa pessoa ajudou ela.

— Ela falou quem é essa pessoa? — troquei um rápido olhar com Kendra antes de voltar minha atenção para Brooklyn.

— A ligação cortava demais — Brooklyn balançou a cabeça, ainda estava ofegante. — Eu tinha um monte de perguntas, mas sempre que ela começava a explicar alguma coisa, o áudio falhava.

Suspirei discretamente. Era frustrante, mas pelo menos sabíamos o mais importante. Meg, a amiga que Brooklyn estava sempre a procura, estava viva.

— Antes da ligação cair de vez, ela tentou me dizer onde estava — ela fechou os olhos por um instante, como se revivesse aquele momento. — Estância Sol Poente.

O nome pareceu familiar. Tentei puxar a memória. Estância Sol Poente, não me era estranho, acho que já tinha passado por lá anos atrás. Lembrava de existir uma propriedade naquela região. Depois de alguns segundos, finalmente associei o lugar.

— Acho que fica uns quinze quilômetros daqui.

— Você sabe onde é? — Brooklyn abriu um sorriso de orelha a orelha e segurou meus dois braços. — Então vamos agora.

Era visível que mal conseguia conter a ansiedade. As mãos tremiam levemente e os olhos brilhavam com uma mistura de felicidade e preocupação.

— Calma — falei, me levantando. — Eu também quero ir, mas não sabemos quem está lá. Não sabemos como está o lugar, quantas pessoas existem naquela propriedade ou se ainda é seguro chegar lá simplesmente entrando de carro.

Brooklyn respirou fundo, tentando controlar a própria empolgação. Ela olhou para o chão e concordou com a cabeça.

— É uma viagem curta, mas não dá para sair daqui completamente despreparados — olhei para Kendra. — Conseguimos nos organizar em poucos minutos?

— Eu separo o necessário — Kendra se levantou também.

— Vamos hoje, não faz muito sentido esperar — voltei a olhar para Brooklyn. — Mas me promete que vai agir com cautela, ok?

— Prometo — ela respondeu na hora e limpou as lágrimas remanescentes.

Não demoramos muito para nos organizar. Enquanto Brooklyn tentava recuperar o fôlego depois da ligação, eu conferi rapidamente o que seria necessário para uma viagem curta e Kendra ajeitou a maioria das coisas. Antes de sair, completei o tanque do carro com a gasolina que ainda mantínhamos armazenada. Nunca era uma boa ideia desperdiçar combustível, mas também não fazia sentido correr o risco de ficar parado no meio da estrada.

Enquanto terminava de fechar o porta-malas, Kendra se aproximou.

— Eu vou ficar.

— Tem certeza? Esse reencontro vai ser histórico.

— É, eu queria ver — ela sorriu. — Mas alguém precisa cuidar da casa. Também vou avisar a Lana e a Sofia, é melhor elas saberem o que aconteceu antes que vocês voltem com alguma surpresa.

Sorri de leve e concordei. Brooklyn já estava sentada no banco do passageiro, Kendra passou os braços pela minha nuca e me beijou. Retribui o beijo, embora ela ainda portasse aquele sorriso no rosto, senti uma leve ponta de preocupação em seus olhos.

— Acho melhor você voltar — ela sorriu de novo.

Assenti com a cabeça, entrei no carro e dei partida. Assim que saímos da propriedade, Brooklyn começou a balançar a perna sem perceber, olhando constantemente pela janela.

Não conversamos muito, a viagem seguiu quase em silêncio. A estrada de terra permanecia praticamente vazia. Aqui e ali apareciam carros abandonados, cercas derrubadas e pequenas propriedades que claramente haviam sido deixadas para trás durante o caos. Em alguns pontos, o mato já começava a tomar conta do asfalto. Depois de alguns minutos, começamos a chegar perto do nosso destino.

Brooklyn imediatamente endireitou a postura no banco. Reduzi a velocidade enquanto observava os arredores. A casa apareceu pouco depois de uma curva, era bem menor do que a nossa. Antes mesmo de descer do carro, meus olhos foram naturalmente até a pequena plantação.

As poucas fileiras existentes apresentavam um crescimento irregular. Algumas plantas estavam amareladas, outras completamente secas. Em certos pontos havia apenas terra exposta, como se as mudas nem tivessem conseguido se desenvolver. O solo tinha uma coloração diferente, e boa parte da área permanecia nas sombras

Nos aproximamos e estacionei o carro a alguns metros da casa, longe o bastante para não parecer uma aproximação agressiva. Desliguei o motor, Brooklyn nem esperou que eu dissesse qualquer coisa. Assim que o carro parou completamente, ela abriu a porta.

— Brooklyn... espera.

Ela já havia colocado um pé para fora. Respirei fundo, peguei o rifle e desci logo atrás dela.

— Cautela, lembra?

Ela apenas assentiu, mas era evidente a ansiedade no rosto. Começamos a caminhar devagar. Mantive o rifle apontado para o chão, em posição baixa.

Estávamos a poucos metros da varanda quando a porta finalmente se abriu. Duas mulheres apareceram, a primeira chamou minha atenção imediatamente. Era mais jovem, usava roupas escuras e gastas, várias tatuagens cobriam seus braços e parte do pescoço. O cabelo, preso de maneira improvisada, contrastava com os olhos já marejados. Ela olhava apenas para Brooklyn, nem parecia notar minha presença. Aquela só podia ser Meg.

Atrás dela surgiu outra mulher. Devia ter pouco menos de quarenta anos. Mantinha uma postura firme, quase militar. Segurava uma escopeta junto ao corpo, sem apontá-la para nós.

Enquanto Meg olhava apenas para Brooklyn, a mulher mais velha observava cada movimento meu. Seu olhar alternava entre minhas mãos, o rifle e a distância que nos separava. Eu estava agindo exatamente como ela.

Brooklyn e Meg permaneceram imóveis. As duas se encaravam como se estivessem tentando confirmar que aquilo era real, que nenhuma das duas era fruto do cansaço, da saudade ou da imaginação. As lágrimas começaram a escorrer pelo rosto de Meg. Brooklyn levou uma das mãos até a boca, tentando conter o choro.

As duas correram ao mesmo tempo. O abraço aconteceu com tanta força que quase fez as duas perderem o equilíbrio. Elas riam, choravam, falavam uma sobre a outra, incapazes de esperar a vez.

— Meu Deus... eu achei que você tinha morrido!

— Eu procurei você por semanas!

— Você está viva...

— Você também!

Nenhuma das duas conseguia terminar uma frase antes de começar outra. Brooklyn segurava o rosto da amiga entre as mãos, como se precisasse confirmar várias vezes que ela realmente estava ali. Meg fazia exatamente a mesma coisa. Depois de tantos meses, as duas amigas finalmente haviam conseguido se reencontrar.

Permaneci atrás, continuei segurando o rifle, mas mantive apontada para o chão. Não havia motivo para transformar aquele reencontro em uma ameaça.

Ao mesmo tempo, também não seria ingênuo. Brooklyn foi a primeira a perceber que o restante de nós continuava imóvel.

— Foi ela? — Brooklyn enxugou rapidamente as lágrimas e olhou para Meg.

— Foi. Se eu ainda estou viva, é por causa dela — Meg sorriu e assentiu.

A mulher mais velha apenas fez um pequeno aceno com a cabeça, sem desviar os olhos de mim. Aquilo bastou. Quase no mesmo instante, nós dois relaxamos a postura, abaixei o rifle e ela fez o mesmo com a escopeta. Só então diminuímos a distância entre nós, Meg ainda sorria sem conseguir esconder a emoção.

— Então você é a Meg — disse enquanto terminava de me aproximar. — Brooklyn falava de você pelo menos cinco vezes no dia.

Estendi a mão para cumprimentá-la.

— É um prazer finalmente conhecer você.

— O prazer é meu — ela apertou minha mão com firmeza.

— Então você é a Brooklyn — a mulher mais velha se aproximou também. — Finalmente estou conhecendo a pessoa de quem ouvi falar durante todos esses meses.

— E eu finalmente estou conhecendo quem salvou a vida da minha melhor amiga — Brooklyn sorriu com os olhos ainda vermelhos.

— Vocês devem estar cansados. Acho melhor continuarmos essa conversa lá dentro — a mulher fez um gesto em direção a casa.

Aceitamos o convite. Assim que entrei, comecei a reparar algumas coisas, a casa era pequena e simples, móveis antigos ou improvisados. Algumas prateleiras haviam sido montadas com tábuas reaproveitadas. Havia ferramentas espalhadas em um canto, baldes recolhendo pequenas goteiras e sinais claros de reparos.

Os mantimentos também chamavam atenção. Poucas caixas, muito menos comida do que eu esperava encontrar. Não era difícil perceber que elas sobreviviam no limite. Depois que a porta foi fechada, deixamos as armas encostadas próximas à entrada. A mulher mais velha observou cada um de nós por alguns instantes antes de abrir um pequeno sorriso.

— Eu ia oferecer alguma coisa para vocês beberem, mas acho que vou ficar devendo essa, nossos suprimentos estão acabando. A gente precisa economizar tudo o que ainda resta.

Troquei um rápido olhar com Brooklyn, bastou observar a expressão dela para entender que havia chegado à mesma conclusão que eu.

— As últimas semanas têm sido complicadas. Encontrar comida já estava difícil... agora água também começou a virar um problema — Meg falou, percebendo o nosso silêncio.

Ela tentou dizer aquilo com naturalidade, mas era impossível esconder o cansaço em sua voz.

— Não tem problema — olhei para as duas enquanto falava.

Brooklyn e Meg voltaram a conversar como se tentassem recuperar meses inteiros em poucos minutos. As duas falavam praticamente ao mesmo tempo.

Era quase impossível acompanhar a conversa. Uma interrompia a outra constantemente, respondia uma pergunta antes mesmo da próxima terminar e logo fazia outra em seguida. Aproveitando que as duas estavam distraídas, voltei minha atenção para a mulher mais velha.

— Acho que ainda não tivemos a oportunidade de nos apresentar direito.

— Alexis — ela sorriu discretamente, estendendo a mão.

Estendi a mão.

— Prazer, eu... — antes que eu conseguisse terminar a frase, uma gargalhada alta ecoou pela casa.

Brooklyn e Meg começaram a rir ao mesmo tempo. Olhei para as duas completamente confuso. Meg tentou falar algo, mas voltou a rir. Brooklyn precisou enxugar uma lágrima antes de conseguir falar.

Nenhuma das duas conseguiu falar no fim.

— Posso te perguntar uma coisa? — olhei para Alexis.

Ela assentiu.

— Aquela plantação ainda tem alguma chance de se recuperar?

— Para ser sincera, acho que não — ela deu uma risada constrangida. — Estou tentando aprender, mas a sensação é de que estou sempre fazendo alguma coisa errada.

— Talvez o problema nem seja você, o terreno não é dos melhores, muita inclinação e faz muita sombra aqui — parei por um instante antes de continuar. — Mesmo alguém com experiência teria dificuldade.

— Pelo menos não é incompetência minha — ela olhou rapidamente pela janela, na direção da plantação. — Mas se esse fosse o único problema, nossa situação estaria muito melhor.

— Como assim?

— Essa casa está caindo aos pedaços, todo dia é um reparo diferente. E, para piorar, a bomba do poço quebrou há algumas semanas.

Quando olhei para o lado, Meg e Brooklyn prestavam atenção na nossa conversa. Meg confirmou com a cabeça.

— Desde então estamos vivendo da água que conseguimos armazenar — Alexis continuou. — Estamos tentando economizar ao máximo.

Troquei um olhar com Brooklyn, deve ter pensado o mesmo que eu, elas não conseguiriam permanecer ali por muito mais tempo com esse tanto de problemas. Mais cedo ou mais tarde, aquele lugar deixaria de ser habitável.

Eu pensei na hora em convidá-las para viver conosco, mas...

Meg era amiga de Brooklyn havia muitos anos. Eu não tinha motivo para desconfiar dela. Alexis, por outro lado, ainda era uma completa desconhecida.

— E vocês? Como conseguiram sobreviver esse tempo todo? — Meg quebrou o silêncio.

Estava tentando evitar o assunto, mas era inevitável que alguma hora iria chegar. Comecei a explicar como cheguei ali com a Kendra. Contei que passamos semanas organizando tudo, sobre a plantação. Contei sobre Lana e Sofia. Em seguida, olhei para Brooklyn.

— Algum tempo depois, encontrei essa maluca vivendo como uma ambulante.

Brooklyn fez uma careta.

— Convidei ela para ficar com a gente... e, desde então, nunca mais foi embora.

Ela sorriu discretamente. Preferimos omitir alguns detalhes daquela história, principalmente o roubo da comida e a parte da perseguição.

Falei da plantação, que finalmente começava a produzir o suficiente para alimentar todo mundo, do lago que praticamente garantia peixe sempre que possível e, principalmente, do poço.

— Água nunca foi um problema para nós — comentei. — Enquanto a bomba continuar funcionando, conseguimos abastecer a casa inteira.

Meg e Alexis pareciam genuinamente surpresas.

— Vocês podem vir com a gente — Brooklyn continuou. — Você também, Alexis, foi você quem cuidou da Meg esse tempo todo, não posso simplesmente te deixar para trás.

Meg abaixou a cabeça por um instante. Alexis permaneceu em silêncio.

— Nossa casa tem espaço. Sempre damos um jeito quando alguém precisa de ajuda — Brooklyn continuou.

Vi Alexis desviar o olhar por alguns segundos, pensando na proposta. Foi nesse momento que resolvi intervir.

— Tem uma pessoa que provavelmente não vai gostar nem um pouco dessa ideia — olhei para Brooklyn.

— Lana — o sorriso dela diminuiu.

— Ela é contra receber pessoas? — Meg olhou para nós dois, sem entender nada.

— Ela é extremamente cuidadosa — suspirei. — Principalmente com quem ela não conhece.

— Essa foi uma forma muito educada de dizer que ela desconfia de tudo e todos — Brooklyn interveio.

— Talvez — acabei rindo também. — Se a Lana resolver implicar, eu dou um jeito. Mas preciso ser honesto. A decisão não depende só de nós dois, todos precisam concordar.

Alexis permaneceu pensativa por alguns segundos, depois respirou fundo.

— Eu agradeço o convite — ela olhou para Meg antes de continuar. — Mas não posso aceitar.

— Por quê? — franzi a testa.

— Passei meses aprendendo que confiar na pessoa errada pode custar a vida — ela apoiou as mãos sobre os joelhos. — Já vi gente matar por um saco de comida. Já vi grupos inteiros acabarem porque alguém resolveu acreditar na pessoa errada.

— Abandonar este lugar para viver com pessoas que eu nunca vi seria um risco enorme — Alexis finalizou.

— Eu vou — Meg olhou diretamente para Brooklyn.

— Tem certeza? — Alexis olhou para Meg.

— Tenho — Meg correspondeu o olhar com um sorriso. — Se a Brooklyn está lá, eu confio nela. E queria muito que você fosse também.

— Ela tem razão — Brooklyn interveio. — Não precisa decidir agora. Mas, pelo menos, pense na possibilidade.

Alexis permaneceu em silêncio. Pela expressão dela, era evidente que estava pensando seriamente na proposta.

— Vocês não precisam decidir isso agora — interrompi o silêncio. — Façamos o seguinte, fiquem alguns dias com a gente. Conheçam todo mundo, vejam como vivemos. Se, depois disso, vocês acharem que não é o lugar certo... podem voltar para cá.

— Sem problema? — Alexis estreitou os olhos por um momento.

— Sem problema — respondi prontamente.

— Eu vou saber coisas demais de vocês.

— Se eu não estivesse disposto a correr esse risco, nem teria feito o convite.

Ela permaneceu alguns segundos refletindo, no fim, assentiu lentamente.

— Aceito conhecer — Alexis levantou a mão, fez questão de enfatizar a última palavra. — Ainda não estou dizendo que vou ficar.

— Já é um começo. — respondi.

Pelo menos convenci ela a conhecer. As duas começaram a separar apenas o essencial para a viagem. Não demorou muito, na verdade, não havia muita coisa para levar. Enquanto Meg terminava de organizar sua mochila, Alexis permaneceu parada na porta da casa. Ficou olhando para o interior por vários segundos. Brooklyn e Meg já caminhavam em direção ao carro quando me aproximei dela.

— Difícil ir embora?

Ela demorou alguns segundos para responder.

— Mais do que eu imaginava — olhou novamente para a casa, seu olhar percorreu as paredes de madeira, o telhado remendado e a pequena varanda. — Eu sei de todos os problemas daqui. Sei que esse lugar provavelmente não vai me manter viva por muito mais tempo.

Respirou fundo.

— Mas foi aqui que eu consegui sobreviver quando o resto do mundo acabou.

Assenti em silêncio. Alexis respirou fundo uma última vez, ajustou a mochila nos ombros e caminhou até o carro. Brooklyn e Meg já ocupavam os bancos da frente e de trás, conversando sem parar. Assim que dei partida, as duas retomaram a conversa. Elas riam, lembravam de acontecimentos da faculdade e tentavam encaixar meses de acontecimentos.

Enquanto isso, Alexis fazia exatamente o oposto, permanecia quase todo o tempo em silêncio, olhava constantemente pela janela. Dirigi em silêncio durante boa parte do caminho. Comecei a imaginar qual seria a reação de Kendra quando chegássemos. Na verdade, ela nem era um problema. Era acolhedora, como um pilar emocional dentre todos ali.

Curiosamente, Sofia quase nem passou pela minha cabeça, ela costumava não ligar para nada. Lana, por outro lado, seria o maior dos problemas, já conseguia imaginar a expressão dela no instante em que aparecêssemos com aquelas duas.

Assim que estacionei o carro em frente à casa, Kendra apareceu na varanda com um sorriso aliviado no mesmo instante em que nos viu.

— Então você é a Meg... — Kendra disse, terminando de se aproximar.

Meg assentiu. As duas trocaram um sorriso. Foi então que seus olhos encontraram a última integrante do pequeno grupo. Alexis permanecia alguns passos atrás, observando tudo ao redor antes mesmo de olhar para qualquer um de nós.

— Ah... então essa é a outra pessoa — a surpresa no rosto de Kendra foi inevitável.

Brooklyn percebeu a dúvida imediatamente.

— É uma longa história — respondeu. — A Meg não sobreviveu sozinha. A Alexis cuidou dela esse tempo todo.

Kendra alternou o olhar entre as duas, absorvendo a informação. Antes que pudesse perguntar qualquer outra coisa, ouvi passos rápidos vindos da lateral da casa. Olhei naquela direção e reconheci a velha jaqueta escura antes mesmo de enxergar o rosto. Lana.

Provavelmente quando Kendra havia ligado para avisar sobre nossa saída, resolveu vir para cá. Ela caminhou até parar alguns metros à nossa frente. Primeiro olhou para Meg e depois para Alexis. Por fim, seus olhos encontraram os meus. A expressão fechada, os braços cruzados e o maxilar contraído deixavam claro o que estava pensando.

Se pudesse me matar apenas com o olhar, provavelmente eu já estaria caído no chão. Por sorte, ela parecia determinada a não criar uma cena na frente das recém-chegadas. Kendra percebeu isso no mesmo instante.

— Sejam bem-vindas — sem demonstrar qualquer incômodo, Kendra abriu um sorriso acolhedor e tomou a frente da situação. — Devem estar cansadas da viagem.

— Um pouco — respondeu Meg.

— Imagino. Vocês estão com fome? Com sede? Precisam de alguma coisa?

— Acho que de tudo um pouco. — Meg respondeu, rindo pela primeira vez desde que chegamos.

— Água já seria mais do que suficiente — Alexis finalmente falou, mas mais contida.

— Água não vai faltar — respondeu Kendra com tranquilidade.

Alexis apenas fez um pequeno aceno de agradecimento. De um lado, Kendra fazia todo o possível para que Meg e Alexis se sentissem bem-vindas. Do outro, Lana parecia uma tempestade prestes a desabar, contendo cada gota de chuva apenas por força de vontade.

Brooklyn também percebeu. Ela claramente cogitou se aproximar, mas sabia que aquele não era o momento. Meg, por outro lado, parecia encantada com tudo ao redor. Observava a casa, a varanda, a plantação ao fundo e o lago ao longe.

Alexis também analisava tudo, mas de outra maneira, com mais cautela. Kendra fingiu não notar nenhuma dessas diferenças. Sorriu novamente e abriu espaço em direção à porta da casa.

— Venham, entrem. Eu apresento o resto para vocês depois. Acho que um pouco de descanso vai fazer bem.

Brooklyn acompanhou a amiga sem pensar duas vezes. Alexis lançou um último olhar discreto para Lana antes de seguir as outras. Poucos segundos depois, as quatro desapareceram para dentro da casa.

Esperei até ouvir a porta da casa se fechar atrás delas. Ainda era fuzilado pelo olhar pesado de Lana. Ela permaneceu alguns segundos me encarando, como se estivesse organizando tudo o que queria dizer.

— Você continua fazendo merda atrás de merda — Lana finalmente falou, cerrando os dentes, a voz carregada de irritação.

— Nós fomos só buscar a Meg.

— Quem é aquela outra? — ela deu um passo na minha direção.

— Eu não sei muita coisa sobre ela. Só sei que estava junto da Meg.

— E isso foi suficiente para você decidir trazer uma desconhecida para cá? — Lana soltou uma risada curta, completamente sem humor.

— Eu sei que foi arriscado...

— Mas mesmo assim fez — ela me interrompeu na hora.

Não adiantava tentar negar. Ela tinha razão naquele ponto.

— Brooklyn tomou a iniciativa de convidá-las — expliquei. — Naquela situação. elas não vão conseguir sobreviver por muito tempo.

— Esse é exatamente o seu problema — ela deu mais um passo, ficando mais próxima de mim. — Você sempre se comove com a situação dos outros, perde a razão tão fácil.

— O que queria que eu fizesse? Deixasse ela sozinha? Naquele lugar ela não vai durar muito.

— E quem disse que isso é problema nosso?

— Não podia deixar ela para trás, só isso.

Lana mordeu forte o lábio inferior, olhou para os lados e depois voltou a me encarar.

— Foi a mesma coisa com a Brooklyn, eu aceitei ela porque uma médica podia ser útil, e você sabe a minha opinião sobre trazer a Meg para cá, eu nunca te escondi isso — ela passou a sussurrar. — Mas trazer uma completa desconhecida, isso é burrice, viu a arma nas costas dela?

— Nem toda decisão pode ser tomada pensando apenas no pior cenário.

— Pode sim — Lana respondeu imediatamente. — Foi exatamente pensando no pior cenário que nós sobrevivemos até agora.

— E também porque ajudamos pessoas quando podíamos.

— Pessoas que conhecíamos.

— Brooklyn também era uma desconhecida quando apareceu.

Ela ficou em silêncio, então deu uma risada abafada.

— Eu deveria ter puxado o gatilho e ter matado Brooklyn naquele dia, teria sido mais seguro — o sorriso dela desapareceu. — Não acha?

Encarei Lana por alguns segundos. O pior era não conseguir dizer se aquilo era apenas provocação ou se ela realmente acreditava naquilo.

— Você ouviu o que acabou de falar? — elevei um pouco o tom de voz.

— Ouvi.

— E acredita nisso mesmo?

— Acredito.

— Não sabe nem mentir para si mesma.

— O que voc...

— Se acreditasse nisso mesmo, você nem teria dado uma chance a ela naquele dia — continuei falando, interrompendo ela no mesmo segundo.

Lana me encarou com mais ódio, mas a resposta veio logo depois.

— A Meg pode ficar, mas eu vou dar um jeito nessa outra mulher — Lana sorriu.

— Dar um jeito? — um frio percorreu a espinha. — O que quer dizer com dar um jeito?

O sorriso dela aumentou, Lana se virou e encarou a casa. Foi nesse momento em que vi a arma na cintura, a jaqueta se abriu um pouco no movimento.

É, entendi o que ela quis dizer.

A jaqueta voltou a esconder a arma quando ouvimos passos vindo da varanda, nós dois olhamos quase ao mesmo tempo. Alexis caminhava em nossa direção sozinha. Parou a alguns metros de distância, mantendo certa distância.

— Você é a Lana? — Alexis perguntou, claramente desconfortável.

Lana fez um breve movimento afirmativo com a cabeça.

— Eu ouvi parte da conversa. Não era minha intenção escutar.

Olhei de relance para Lana, continuava com a mesma expressão fechada.

— Eu entendo a sua desconfiança, se eu estivesse no seu lugar... provavelmente estaria pensando exatamente a mesma coisa. Já vi pessoas matarem umas as outras por muito menos do que uma casa e comida. Também aprendi que confiar na pessoa errada pode acabar com um grupo inteiro — ela fez uma pequena pausa. — Então eu não pretendo me impor. Nem colocar vocês em uma situação desconfortável.

Lana permaneceu em silêncio.

— Eu não pretendo ficar. A Meg quer. E eu jamais pediria para ela abrir mão de uma oportunidade como essa. Eu só acompanhei ela para ter certeza de que estaria segura aqui.

Atrás da janela da sala, Meg, Kendra e Brooklyn nos observavam com evidente preocupação.

— O problema não é esse — a voz de Lana saiu baixa, com um pequeno sorriso. — Agora você sabe onde moramos. Sabe quantos somos. Sabe que temos água. Comida. E uma propriedade que vale a pena.

Alexis não respondeu.

— Você sabe o suficiente para foder com a gente — Lana inclinou o pescoço para o lado, ainda encarando Alexis.

Enquanto dizia aquilo, vi um movimento quase imperceptível. A mão direita de Lana deslizou lentamente para trás do corpo. Na direção da cintura, a arma permanecia escondida sob a jaqueta, mas eu sabia exatamente onde ela estava, e sua mão foi direto para lá.

Ah, Lana...

Porque não pode levar as coisas numa boa?

Dei um passo à frente como se apenas quisesse participar melhor da conversa. No mesmo movimento, segurei com firmeza suficiente para interromper o caminho de sua mão até a cintura, mas sem chamar atenção de ninguém. Lana lançou um rápido olhar para mim.

— É isso mesmo que você quer? — continuei olhando para Alexis.

Alexis permaneceu em silêncio por alguns segundos antes de responder, então olhou para trás, para Meg. Aproveitei e peguei discretamente a arma na cintura de Lana e dei um passo curto para trás, escondendo na minha cintura o mais rápido possível.

— Acho que sim — ela respirou fundo e se virou. — Ela está certa em desconfiar.

Olhei para Lana, que permaneceu completamente imóvel. Ótimo, acho que ninguém percebeu nada.

— Eu não conheço vocês. Vocês também não me conhecem — Alexis continuou, deu um pequeno sorriso cansado. — Eu não pretendo criar um problemar.

As palavras fizeram Brooklyn abrir a porta da casa.

— A Meg pode decidir o que acha melhor para a vida dela — Alexis olhou para as três, seu tom permanecia tranquilo. — Se ela quiser ficar, eu vou ficar feliz por ela.

Meg balançou a cabeça negativamente, mas não conseguiu falar nada.

— Não vou obrigar ninguém a confiar em mim — Alexis voltou a olhar para Lana. — Já vi grupos de sobreviventes acabarem por causa da desconfiança, mas também já vi grupos acabarem porque ignoraram os próprios instintos. Eu não quero assistir isso acontecer outra vez.

Então seus olhos encontraram Brooklyn.

— Obrigada por acolherem a Meg, recebi muito mais do que esperava hoje.

Meg caminhou apressada até ela, provavelmente para tentar convencê-la a ficar. Elas começaram a conversar, não prestei muita atenção. Do meu lado, ainda tinha que lidar com a ruiva rosnando de raiva, quase avançando na minha jugular.

Quando percebi, Alexis apenas assentiu uma última vez e começou a caminhar em direção ao portão. Observei sua figura se afastando alguns metros. Instintivamente, comecei a ir atrás dela

— Alexis!

Ela parou e virou apenas o suficiente para me olhar por cima do ombro. Caminhei até alcançá-la.

— Posso levar você de volta.

— Obrigada — ela sorriu de leve, um sorriso cansado. — Mas vou ter que recusar.

Antes que eu pudesse insistir, ela se virou e continuou caminhando. Virou o rosto uma última vez com um sorriso e então, se foi. Fiquei observando até que sua figura começou a diminuir na estrada de terra. Ninguém dizia uma palavra. Brooklyn permanecia parada na varanda, Meg acompanhava Alexis com os olhos marejados.

Eu permaneci imóvel assim como Lana, que continuava sem demonstrar qualquer arrependimento. Foi Kendra quem decidiu quebrar o silêncio. Ela caminhou até Meg e pousou delicadamente a mão sobre seu ombro.

— Acho que um banho quente e uma boa noite de sono vão fazer bem — ela lançou um rápido olhar para Brooklyn. — O resto... a gente resolve depois.

Brooklyn aproximou-se da amiga e passou um braço ao redor de seus ombros. Sem dizer mais nada, as três entraram na casa. A porta se fechou lentamente. Do lado de fora, restaram apenas Lana e eu.

Lana permaneceu alguns passos atrás de mim, observando a estrada por onde Alexis havia desaparecido. Respirei fundo antes de quebrar o silêncio.

— Você realmente acredita que fizemos a coisa certa?

Ela demorou alguns segundos para responder.

— Eu sempre faço o que acredito ser necessário para proteger todo mundo.

— Mesmo quando alguém vai embora para morrer?

— Você não sabe se ela vai morrer.

— E você não sabe se ela representava algum perigo.

— Foi uma decisão burra deixar ela ir.

— O que você queria que eu fizesse? Mantivesse em cativeiro?

Lana me encarou, estreitou os olhos e então começou a rir.

— Sim. Era exatamente isso o que eu estava pensando — a risada se intensificou. — Assim ela não poderia entregar nossa localização para ninguém. Seria mais seguro.

— Talvez a gente tenha acabado de condenar uma mulher que nunca faria mal para ninguém — passei a mão pelo rosto, tentando acreditar no que tinha acabado e ouvir.

— Talvez — Lana deu de ombros.

— Isso não te incomoda?

— Não — respondeu, sem alterar a voz. — Você espera que eu veja o melhor nas pessoas — ela continuou.

— E você espera sempre o pior.

— Não espero que você concorde comigo — ela ajustou a jaqueta sobre os ombros. — Preciso ir, pode devolver minha arma?

Olhei para ela por alguns segundos, peguei a arma na cintura, mas não entreguei.

— Você não vai atrás dela, vai?

— Não, não vou — ela riu.

— E como eu posso ter certeza disso?

— Não posso te garantir, mas se algum dia precisar de ajuda para lidar com ela, não conta comigo, entendeu?

Assenti, era justo. Joguei a arma para ela que pegou no ar. Lana deu dois passos em direção a estrada e então parou.

— E se eu ver ela na minha frente de novo, não vou cometer o mesmo erro, acabo com ela.

Fiquei encarando Lana por alguns segundos. Realmente, ela não estava brincando.

— E não fica com essa cara triste, pelo menos tem mais uma buceta para você foder — ela falou, com um sorriso no rosto. — Ou vai ter a coragem de me falar que estava apenas agindo como um bom samaritano?

Sorri de canto, apesar da tensão. Ela nunca perdia a oportunidade. Lana retomou os passos e desapareceu pela estrada.

O que eu ia fazer agora?

Deixar a Alexis seguir a vida sozinha?

Ela não ia durar muito tempo naquele lugar. A comida acabaria cedo ou tarde. A água já estava comprometida. Se quisesse sobreviver por muito mais tempo, ela precisaria voltar para cá. O problema era convencer a única pessoa capaz de impedir isso.

Só de imaginar outra discussão com ela, uma dor de cabeça começou a aparecer.

Mas o que Lana falou continuava martelando na minha cabeça. Talvez porque existisse um fundo de verdade. Eu realmente queria salvar a Alexis. Não tinha dúvidas disso. Mas também não iria mentir para mim mesmo. A ideia de ter a Meg vivendo conosco despertava minha curiosidade desde o momento em que Brooklyn falou dela. E, quando conheci a Alexis, a primeira coisa que notei não foi apenas sua postura cautelosa. O decote chamava atenção.

Soltei um longo suspiro antes de finalmente entrar na casa. Assim que atravessei a porta, encontrei Kendra, Brooklyn e Meg conversando na sala. O clima era bem diferente do que havia do lado de fora. Brooklyn parecia feliz por finalmente ter reencontrado a amiga, enquanto Kendra fazia o possível para deixá-la à vontade.

Cumprimentei as três com um aceno discreto. Minha cabeça, porém, continuava em outro lugar.

Alexis. Trazer ela para cá significava convencer Lana.

E como convencer Lana de alguma coisa?

Conversar não tinha funcionado.

Discutir muito menos.

Ameaçá-la era a mesma coisa que implorar para ela arrancar minha cabeça na força bruta.

Como eu poderia virar aquele jogo?

Subi para o quarto ainda tentando encontrar alguma resposta. Tirei a roupa, tomei um banho demorado e deixei a água escorrer pelo corpo.

Talvez eu estivesse insistindo demais. Talvez a Lana tivesse razão.

As curvas da Meg eram atraentes, mal via a hora de colocar as mãos naquele corpo tatuado. E Alexis então? Ela não é nada mal. Preciso trazer ela logo para cá, só assim vou conseguir enfiar a cara no meio daqueles peitos. Quero trazer Alexis para cá e ter mais uma buceta para foder.

A frase de Lana ecoou na minha cabeça; “não fica com essa cara triste, pelo menos tem mais uma buceta para você foder”

Não... Não, não é por isso. Quero trazer Alexis para cá para ela não ficar sozinha nesse fim de mundo. Ela merece uma chance.

Deitei na cama e fiquei encarando o teto.

Meg era bonita, como será que ficaria o rosto dela com meu pau completamente atolado em sua garganta?

Alexis, quero ela sentando no meu pau e assistir seus peitos balançando no meu rosto. Um sorriso escapou sem que eu percebesse.

— Não... não é isso.

Merda, porque esses pensamentos indecentes ficam voltando a todo instante? Virei um animal que só pensa em sexo?

Fechei os olhos por alguns segundos. Respirei fundo e me levantei da cama, só então percebi que já estava escuro.

Desci para a cozinha em busca de água e só então me lembrei de que Meg estava na casa. Ela estava sentada à mesa, conversando distraidamente com Brooklyn.

— Espero não estar dando muito trabalho — Meg sorriu de maneira tímida quando me viu.

— Trabalho nenhum. Hoje foi um dia longo para todo mundo.

Ela esfregou os próprios olhos. As olheiras denunciavam o cansaço acumulado de semanas, talvez meses.

— Acho que eu vou dormir um pouco — ela disse, se levantando da mesa.

Meg sorriu, desejou boa noite e subiu as escadas lentamente. Observei até ela desaparecer no corredor do andar de cima. Ou melhor, observei suas coxas torneadas e seus quadris volumosos balançando de um lado para o outro. E se eu a acompanhasse e fodesse sua buceta até ela gozar no meu pau, com certeza ela teria uma noite de sono muito melhor.

Balancei a cabeça. Minha mente continuava com esses pensamentos. Não era hora para isso. Eu precisava descobrir como lidar com Lana, precisava convencê-la e permitir que isso acontecesse.

Uma leve cutucada na minha costela me tirou dos pensamentos. Virei o rosto e encontrei Brooklyn me observando com um sorriso discreto.

— Tá tudo bem?

— Sim.

— Tem certeza? Parece que estava preocupado com algo — ela inclinou um pouco a cabeça, como se tentasse descobrir se eu estava dizendo a verdade.

— Só estou pensando em como resolver a situação com a Lana — sorri de canto.

— Ela ficou muito brava, não foi?

— Mas eu vou dar um jeito.

— Eu sei que vai.

Antes que eu percebesse, Brooklyn se aproximou e passou os braços ao redor do meu pescoço. O gesto me pegou de surpresa.

— Quero te agradecer por hoje — disse baixinho. — Você podia ter simplesmente dito que era perigoso... podia ter desistido no caminho... mas foi comigo.

Ela respirou fundo.

— Isso significou muito para mim.

Abri a boca para responder, mas ela não esperou. Apenas diminuiu a distância entre nós e depositou um breve beijo nos meus lábios. Quando se afastou, manteve a testa encostada na minha por um instante, sorrindo.

— Acho que hoje a casa ficou pequena demais, os dois quartos já estão ocupados — ela me beijou mais uma vez. — E, depois de tudo o que aconteceu, acho melhor deixar a Meg descansar. Ela precisa de uma noite tranquila.

Assenti.

— Qualquer barulho ou confusão pode assustá-la logo na primeira noite — Brooklyn voltou a me beijar.

— Então não podemos fazer barulho — minhas mãos foram até sua bunda, apertando com certa força.

— É, não podemos.

Seus lábios encontraram novamente os meus, um beijo molhado e faminto. Nossas línguas serpentearam nas nossas bocas. Ela parecia estar mais excitada que o normal, percebi por causa das mordidas no meu lábio inferior e nos braços apertando minha nuca com força. Sem quebrar o beijo, a mão dela desceu, os dedos encontraram o elástico da bermuda e num segundo, a bermuda estava na altura dos joelhos. Ela abaixou a cabeça e sorriu quando viu meu pau já duro, latejando no ar. Brooklyn se ajoelhou lentamente, os olhos fixos nos meus enquanto abria a boca.

Engoliu tudo de uma só vez. A sensação da garganta dela se abrindo para receber meu pau inteiro me tirou o fôlego. Brooklyn não brincou em serviço, dava para ver em seus olhos que estava sedenta. Começou a chupar com uma voracidade que parecia ter guardado por dias. A cabeça dela se movia para frente e para trás, a língua serpenteando ao redor da cabeça cada vez que recuava. Cada vez que engolia meu pau, sentia a saliva escorrendo pelo tronco, pelas bolas que rapidamente eram recolhidas pela língua ágil, molhando involuntariamente o canto da boca, um pouco para o queixo e finalmente, algumas gotas molharam o chão.

Eu entrelacei os dedos no cabelo castanho dela, guiando o ritmo. Brooklyn olhava para mim de baixo para cima, os olhos cheios de um desejo que parecia me fuzilar. Cada movimento da boca dela era mais intenso que o anterior, como se estivesse tentando me devorar inteiro. O som da chupada era molhado, obsceno, ecoando na cozinha silenciosa. Agarrei seu cabelo com mais força, fazendo ela ficar parada, só então comecei a mexer meus quadris. Dando um gostinho de como eu a foderia daqui alguns instantes.

A língua dela esticou, cada vez que enfiava tudo, sentia a língua macia nas bolas. Aquela sensação me obrigou a foder sua boca mais forte, mas logo interrompi. Ela engasgou, tossiu um pouco. Toda aquela conversa sobre não fazer barulho voltou à memória. Nossos olhos se encontraram.

— Sem barulho, lembra? — ela sussurrou, rindo baixo.

— Foi mal, me empolguei.

Ela voltou a tomar as rédeas da situação, voltou a me chupar com aquela voracidade silenciosa. Não demorou muito tempo para sentir minhas pernas começarem a tremer. Não podia gozar, ainda não. Puxei Brooklyn para cima, a boca dela saindo do meu pau com um estalo molhado e sujo. Sem dizer palavra, a virei e a empurrei de leve contra a pia de mármore frio. O corpo dela estremeceu ao contato com a pedra gelada. As mãos se apoiaram na borda, arqueando as costas, oferecendo sua bunda perfeita para mim.

Abaixei o short folgado dela num segundo, deslizou até cair nos tornozelos. A calcinha preta rendada foi logo em seguida, já extremamente molhada. Posicionei meu pau na entrada da buceta dela, tão melada, tão convidativa. O choque do calor da sua entrada na cabeça do meu pau me fez estremecer. Entrei devagar, sentindo cada centímetro do calor dela se abrindo para mim. Brooklyn soltou um gemido abafado, ao mesmo tempo mordendo a boca para que os próximos não saíssem mais alto.

— Sem barulho, lembra? — sussurrei no ouvido dela, embora meu corpo gritasse para ir mais fundo.

Ela começou a se mover contra mim, rebolando lentamente. Cada movimento era lento, uma tortura deliciosa, admito que era completamente diferente do tipo de sexo que costumávamos ter, mas ainda assim, era muito bom. O cheiro do sexo dela subia, cada estímulo me levava ao limite e sentia que a qualquer momento iria perder o controle. Agarrei seus quadris, queria meter o mais fundo que conseguisse, mas me contive, maldita tortura era aquela.

Passei a meter rápido, tentando evitar o contato do meu corpo com o dela, o que era extremamente difícil para mim. Mesmo assim, um barulho ou outro escapava.

— Vai devagar... merda... — Brooklyn sussurrou cerrando os dentes, tentando conter os próprios gemidos.

— Não consigo me controlar com você — puxei ela para mais perto, depositando um beijo em seu pescoço.

— No outro dia... — Brooklyn inclinou a cabeça para trás num gemido prolongado e baixo. — No outro dia, eu percebi seu hiperfoco no meu cu.

— Outro dia? — continuei me movendo, agora um pouco mais devagar, prestando atenção no que ela falava. — Aquele dia em que fodi você e Kendra ao mesmo tempo?

— Uhum, esse dia — ela respondeu, empurrando a bunda contra mim, fazendo meu pau chegar no fundo de sua buceta. — Você não tirava os olhos e nem a boca de lá.

Brooklyn se empurrou um pouco mais contra mim, rebolando no meu pau como uma puta no cio.

— E hoje, como você foi um bom garoto, vou deixar tirar minha virgindade anal — ela continuou, a respiração ofegante.

Antes que eu pudesse reagir, ela se afastou, meu pau escorregando da buceta molhada. Brooklyn levou uma das mãos para trás e pegou minha pica pela base. Guiou até a entrada do anel, senti o beijo das pregas se contraindo assim que a cabeça do meu pau encostou ali. Tentei empurrar devagar, mas escorregou, meu pau deslizou pela entrada da buceta, pelo clitóris até a cabeça parar nos pelos da frente. Aquela sensação áspera na glande sensível me fez grunhir baixo. Fui um pouco para trás, meu pau encostou novamente no cu apertado dela com a mão de Brooklyn ainda na base da minha rola.

— Enfia — o sussurro dela saiu manhoso. — Devagar, por favor.

Pressionei lentamente. A resistência inicial foi intensa, o músculo apertado lutando contra a entrada. Brooklyn respirou fundo, relaxando o corpo. A cabeça do meu pau finalmente passou, entrando no calor apertado do cu dela. As pernas dela tremeram, o gemido que se seguiu foi choroso e prolongado na mistura de dor e prazer, só não foi alto porque ela tapou a própria boca.

— Devagar — ela pediu, agora as duas mãos agarrando a pia com força.

Fui obedecendo, entrando centímetro por centímetro, foi uma luta até minhas bolas tocarem sua buceta. Fiquei ali por um tempo, aquela sensação do cu dela apertado mastigando minha pica era demais, poderia passar o resto da minha vida fodendo o rabo dela. Minhas mãos subiram pelo seu corpo até encontrar seus peitos por baixo da roupa, os apertei, beliscando os bicos duros e puxando de leve. Então comecei a me movimentar. Tirei um pouco e enfiei.

Tirei um pouco mais e enfiei novamente. Comecei a meter devagar, conforme ela mandou, aumentando o ritmo e a força a cada estocada. Brooklyn não reclamou, se concentrava na tora em seu cu que a arrombava por inteira. Num momento de descuido, um estalo do meu corpo se chocando com o dela ecoou pela cozinha. Paramos, Brooklyn virou a cabeça, me encarando com os olhos arregalados.

Depois do susto, ela sorriu. E eu voltei a meter do mesmo jeito de antes, evitando o barulho, mas ao mesmo tempo, pensamentos indecentes vieram a minha cabeça. A agarrei pelos braços, fazendo nossos corpos ficarem colados e enfiei todo meu pau em seu rabo. Girei ela, deixando as escadas no nosso ponto de vista.

— Imagina se a Meg desce e vê a putinha da amiga sendo enrabada desse jeito? — voltei a sussurrar no ouvido dela.

Brooklyn não respondeu, apenas me olhou por cima do ombro com os olhos semiabertos, o rosto adornado com aquele sorriso safado enquanto tinha seu cu arrombado.

— Você tá acabando comigo — ela se recompôs, rebolando um pouco.

Cada movimento era uma explosão de sensação. O cu dela era mais apertado que qualquer coisa que eu já tinha sentido, aquele buraco apertando meu pau me fazia delirar. Foi quando ouvi o som. Passos nas escadas.

— Puta merda — sussurrei, puxando Brooklyn para trás.

Ela gemeu quando meu pau quase saiu do cu dela, mas logo enfiei tudo de novo quando a puxei para mais perto. Sem pensar, arrastei ela para a despensa ao lado. O espaço era apertado, cheio de prateleiras com comida. A escuridão era quase total. Quando lembrei de fechar a porta, era tarde demais, Meg apareceu na cozinha, olhou ao redor como se tivesse escutado algum barulho.

Enquanto isso, Brooklyn passou a rebolar no meu pau. Tomei o cuidado de tapar sua boca bem tapado, para que não passasse qualquer som. Ela era uma putinha no cio, como podia rebolar o rabo com um pau inteiro atolado no seu cu enquanto a amiga estava logo a sua frente?

Meg abriu a geladeira e pegou uma garrafa de água. Encheu um copo e logo tomou. Ela deixou o copo na pia e ficou alguns segundos olhando para a janela.

Merda, aquela situação era foda pra caralho. Senti meu pau ficar mais duro, assim como senti o cu de Brooklyn ficar mais apertado. Voltei a meter, com mais voracidade, tomando o maior cuidado para não ser descoberto.

Ah, acho que nem tanto. Só tomava cuidado mesmo para não fazer nenhum barulho que chamasse a atenção de Meg. Mesmo assim, continuei metendo, as vezes mais devagar, as vezes acelerava a velocidade. Cada movimento não tão calculado para não fazer barulho. O corpo dela tremia contra o meu. Brooklyn rebolava suavemente, o cu apertado massageando meu pau. Eu coloquei minha mão sobre a boca dela, sentindo os gemidos abafados vibrarem contra minha palma. O risco de sermos pegos só tornava tudo mais intenso.

Meg deu dois passos para trás para se virar, foi quando ela pisou em algo que chamou a sua atenção para o chão. Era o short folgado de Brooklyn, em algum momento deve ter caído ali. Meg pegou a peça, analisou. Logo deu de ombros e deixou em cima da cadeira.

De repente, um gemido escapou mais alto que o pretendido. Brooklyn ficou imóvel enquanto Meg parou e olhou ao redor novamente. Senti tanto o coração dela quanto o meu batendo forte, meu pau ainda enterrado no cu dela. Esperamos, sem respirar. Depois de alguns segundos que pareceram uma eternidade, ouvimos os passos se afastando, subindo as escadas novamente. Brooklyn soltou o ar que estava segurando, o corpo relaxando contra o meu.

— Continua — ela pediu novamente, desta vez com mais urgência. — Vai, não para.

Eu não precisei de mais incentivo. Comecei a mover mais rápido, o ritmo se tornando mais selvagem no aperto da despensa. Cada metida era mais fundo que o anterior. Sinceramente? Foda-se se formos pegos, nem ela e nem eu estávamos mais preocupados com isso. Brooklyn se entregou completamente, rebolando contra mim.

Sentia meu orgasmo chegando, toda aquela situação foi demais. O cu dela apertava meu pau, mastigava minha rola com força, como se soubesse exatamente quando e como contrair para me levar ao limite. Brooklyn começou a gemer sem parar, sem se preocupar com o barulho.

— Goza dentro — ela pediu, a voz rouca e cheia de desejo. — Enche meu cuzinho com a sua porra.

Essas palavras foram meu ponto de ruptura. Com uma última estocada profunda, explodi. Meu orgasmo me fez estremecer, os jatos foram o mais fundo possível em seu rabo, foi um choque percorrendo meu corpo enquanto gozava no cu apertado dela. Brooklyn gemeu alto, sentindo o calor do meu esperma enchendo-a.

Ficamos assim por vários minutos, meu pau pulsando dentro dela, nossos corpos colados na escuridão da despensa, o suor escorrendo, nós dois ofegantes e o cheiro de sexo anal preenchendo o quarto pequeno. Quando finalmente me afastei, Brooklyn rapidamente ergueu a calcinha, impedindo que o esperma saísse de seu rabo e sujasse o chão. Ela rapidamente se virou e me beijou, um beijo lento e satisfeito.

— Isso foi melhor do que eu imaginei — ela sussurrou contra meus lábios.

Antes que eu pudesse responder, ela saiu de forma ligeira, ouvi os passos subindo a escada e a porta do banheiro se fechando. Eu sorri, limpei o suor da testa e fui para o quarto.

Me deitei na cama e logo adormeci. Aquela foi a melhor noite de sono que tive desde que cheguei àquele lugar.

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