Capítulo 6 — O destino
Existe uma tristeza silenciosa que só aparece quando percebemos que alguma coisa bonita está acabando.
Não acontece de repente.
Ela chega devagar.
Primeiro em um olhar para o relógio.
Depois em uma placa indicando a distância até a cidade.
Mais tarde na voz do motorista anunciando a aproximação do destino.
Foi exatamente assim.
Enquanto permanecíamos próximos um do outro, comecei a perceber que a viagem estava chegando ao fim.
Olhei discretamente o GPS no celular.
Faltava pouco.
Muito pouco.
Senti um aperto no peito que não esperava sentir.
Desejava apenas que demorasse mais alguns quilômetros para terminar.
Pela primeira vez, torci para que a estrada fosse mais longa.
Para que existisse um congestionamento.
Para que o ônibus atrasasse.
Qualquer coisa que nos desse mais alguns minutos.
Mas a estrada continuava seguindo seu curso.
O relógio também.
Ele virou o corpo de costas para mim por alguns instantes.
Observei suas costas iluminadas pela fraca luz azul do corredor.
Não pensei muito.
Apenas me aproximei.
Passei um braço ao redor da cintura dele em um gesto tímido, quase perguntando se ainda havia espaço para aquele carinho.
Senti sua mão tocar a minha.
Por um instante imaginei que ele fosse afastá-la.
Mas aconteceu exatamente o contrário.
Com delicadeza, ele conduziu minha mão.
Primeiro retirou-a da cintura.
Depois a colocou por dentro da própria camisa.
Minha palma repousou sobre a pele morna de sua barriga.
Em seguida, subiu lentamente até o peito.
Ali permaneceu.
Senti sua respiração.
O movimento tranquilo do tórax acompanhando cada inspiração.
O calor do corpo contrastando com o frio do ar-condicionado.
Fechei os olhos por alguns segundos.
Era um gesto tão simples.
E, ao mesmo tempo, tão cheio de significado.
Naquele instante, não existia nenhuma urgência.
Não existia nenhuma expectativa.
Apenas aquele silêncio compartilhado.
Ele virou o rosto lentamente.
Nossos olhos finalmente se encontraram de verdade.
Foi um daqueles olhares que parecem durar mais tempo do que realmente duram.
Não havia necessidade de sorrir.
Também não havia tristeza.
Havia apenas uma espécie de reconhecimento.
Como se ambos soubéssemos que aquela noite jamais voltaria.
Sem dizer uma palavra, ele aproximou o rosto do meu.
Os primeiros beijos foram rápidos.
Leves.
Depois vieram outros.
Pequenos selinhos dados com uma delicadeza que ainda hoje me atormenta quando lembro.
Nenhum deles parecia movido pela pressa.
Pareciam mais uma forma silenciosa de permanecer presente enquanto ainda havia tempo.
Enquanto isso, eu continuava olhando para ele.
Tentando guardar cada detalhe.
O desenho da barba.
O cabelo recém-cortado.
Os lábios.
O pequeno brinco preto.
A expressão tranquila.
Como se meu cérebro já soubesse que, dali a pouco, tudo aquilo seria apenas memória.
Foi então que meus olhos encontraram sua mão.
A aliança.
Ela refletiu discretamente a luz do corredor.
Fiquei olhando por alguns segundos.
Não senti raiva.
Nem julgamento.
Apenas uma estranha mistura de realidade e tristeza.
Aquilo me lembrava que, assim como eu, ele também carregava uma vida fora daquele ônibus.
Uma vida que eu desconhecia completamente.
Naquele instante, dezenas de perguntas passaram pela minha cabeça.
Qual era seu nome completo?
Para onde estava indo?
Quem o esperava?
Ele gostava de viajar?
Será que também gostava de motocicletas?
De videogames?
Será que trabalhava cedo no dia seguinte?
Será que também estava tentando entender o que havia acontecido entre nós?
Será que voltaria a pensar naquela noite algum dia?
As perguntas surgiam uma atrás da outra.
Mas nenhuma conseguiu atravessar minha garganta.
Bastava abrir a boca.
Era tão simples.
Eu poderia ter perguntado qualquer coisa.
Poderia ter dito meu nome.
Poderia ter pedir o dele.
Poderia ter contado alguma história da viagem.
Poderia até ter rido do quanto nós dois parecíamos incapazes de conversar.
Mas não consegui.
Hoje penso que o silêncio não existia por falta de vontade.
Existia porque eu tinha medo.
Medo de quebrar alguma coisa que parecia perfeita justamente por ainda não ter sido explicada.
Às vezes imaginamos que, quando uma história termina, ela acaba com um grande acontecimento.
Com uma despedida.
Com um abraço.
Com uma declaração.
Naquela noite não foi assim.
Ela terminou lentamente.
Quilômetro após quilômetro.
Cada placa indicando a aproximação da cidade parecia arrancar um pedaço daquele pequeno mundo que existia apenas entre duas poltronas.
E eu, pela primeira vez desde que havia embarcado naquele ônibus, queria desesperadamente que a viagem nunca chegasse ao destino.