Nessa mesma noite, quando Cortez já dormia ao seu lado, ela pegou o celular e entrou num grupo descrito como “Meninas Super Poderosas”. Mandou uma mensagem para um único contato que tinha adicionado dias antes:
“Está acontecendo do jeitinho que você explicou. Acho que meu marido está quase pronto. Nós vamos na festa do próximo sábado. Mas é só para observação, por enquanto. Acho melhor assim, porque quero ver como ele reage.”
A resposta veio rápida de um tal de Dom Black, que se dizia administrador do grupo:
“Perfeito. Vou reservar uma mesa especial para vocês, bem perto do palco. Se quiserem curtir mais reservadamente, tem um quarto privativo com visão pro salão principal, pago à parte. Seja bem-vinda ao meu mundo, Luma 😉”
Ela leu as mensagens e sorriu. Sentiu uma vibração diferente percorrer todo o seu corpo, acabando bem no meio de suas pernas. Depois, apagou as mensagens e se deitou ao lado do marido.
Ela sabia que uma porta estava se abrindo. Só não sabia aonde essa porta iria dar exatamente e quais os monstros que ela poderia revelar.
[CONTINUANDO]
Durante aquela semana, as brincadeiras na casa dos Cortez ganharam um peso diferente. Luma estava radiante, mais solta, mais viva. Mandava fotos provocantes, de surpresa sussurrava “corno” no ouvido dele enquanto ele cozinhava, e à noite narrava suas fantasias com detalhes cada vez mais vívidos. Cortez se deixava levar, gozava forte, mas depois, no escuro do quarto, ficava acordado se perguntando por que aquela palavra ainda fazia seu estômago revirar ao mesmo tempo que endurecia seu pau.
Na quarta-feira à noite, sentados no sofá, tiveram uma conversa que precisava acontecer. Luma segurou as mãos dele com carinho:
- Amor, vamos combinar tudo antes de sábado? Eu quero que a gente curta, mas não quero te machucar de forma alguma. Fala pra mim, o que você não quer que aconteça de jeito nenhum?
Cortez nem demorou a responder. Sentia um nó na garganta, mas que precisava ser desatado:
- Sexo nem pensar, é óbvio! De forma alguma... – Ele coçou o queixo e continuou: - Beijo na boca também não. Nada de tirar a roupa, nem toque por baixo. E nada de ficar sozinha com ninguém. Talvez, e eu estou dizendo talvez, eu deixe você dançar com outra pessoa, mas só isso.
- E se na dança essa outra pessoa me tocar em locais meio... indiscretos?
- Se forem toques por cima da roupa, e nada muito descarado... – Ele a encarou por um segundo: - Ah! E comigo fiscalizando, é claro, digo, assistindo. Assistindo...
Luma deu uma risada da forma acanhada como ele falou, com ele próprio se corrigindo. Ele sorriu também e continuou:
- E Luma, se algo não me agradar, ou algo não te agradar, a gente para na hora. Sem discussão, nem DR lá, ok?
Luma concordou de imediato. Aliás, ela achou todos os pedidos dele bastante prudentes. Beijou-o com ternura e prometeu. Mas Cortez notou o brilho nos olhos dela, um brilho de quem imaginava demais, talvez muito além do que estava prometendo.
O sábado chegou e com ele, calafrios. Mesmo assim Cortez sabia que teria que enfrentar esse medo. Não fosse naquele dia, seria em outro, e melhor que ela fosse com ele. Enquanto ela se produzia no quarto, ele entrou e a ficou observando: a lingerie preta, lindíssima e mínima, rendada e transparente; a meia calça preta sete oitavos; O vestido vermelho, justo, curto e decotado; os cabelos escovados; a maquiagem impecável:
- Estou bem, amor? – Ela perguntou quando calçava os sapatos de salto.
- Bem !? Bem é pouco. Você está linda! Não, não... Você está deslumbrante! – Ele respondeu já se aproximando e segurando a cintura dela: - Tem mesmo certeza de que quer ir lá? A gente podia jantar e depois pegar um motel temático. Deixo você escolher a suíte, que tal?
Luma riu com os elogios e sorriu de forma quase maternal ao medo que insistia em surgir nos olhos dele:
- Amor, estou me produzindo para você. Os outros apenas irão ver o que só você pode ter.
- Só eu mesmo?
- Você e talvez o Valdecir. – Ela gargalhou da cara que ele fez: - Mas só em outro dia e desde que a gente esteja de pleno acordo.
- Tá vendo. Você quer outro. Eu sabia...
- Para, amor. Não foi isso que eu disse. – Ela acariciou o rosto dele e jogou o seu charme: - Mas se você tem dúvidas, a gente esquece disso. Eu... entendo.
Cortez sentiu a tristeza na voz dela e algo mais que não soube identificar:
- Não. A gente vai. Mas precisamos comer algo antes, não concorda? Beber de barriga vazia é meio caminho para a desgraça.
Ela concordou, mas pediu que fosse em algum restaurante já na outra cidade. A viagem foi rápida. Conversaram sobre assuntos banais, nada relacionados àquela noite. Encontraram um bom restaurante italiano e ali comeram uma massa leve. Cortez não se cansava de admirar Luma, e ela a ele. Satisfeitos, decidiram que era hora.
Já passava das 23:00 quando chegaram ao Clube Imperium. Um manobrista se encarregou de estacionar os carros, enquanto os porteiros admiravam Luma de cima a baixo. Eles foram revistados na entrada e entraram. Ali dentro, luzes vermelhas e roxas pulsavam, corpos se esfregando sem pudor, o ar carregado de perfume, suor e desejo. Cortez sentiu um aperto no peito tão logo notou a atenção que despertaram. Os olhares sobre Luma eram descarados. Casais e homens desacompanhados a avaliavam como se já soubessem que ela era a novidade da noite. Ele apertou a mão dela com mais força, instintivamente.
Uma hostess de cabelos ruivos se aproximou deles, apresentando-se como Mary:
- Mary!? Eu também sou. Meu nome é Lucimara Maria. Mas pode me chamar de Luma.
As duas riram juntas como se conhecessem há tempos. Luma então apresentou Cortez, como seu marido e dono, dando uma piscadinha para Mary na sequência. Mary o encarou por um segundo a mais e o beijou na face:
- Um dono... Adoro um homem dominador.
Cortez estufou o peito, feliz por ter sido reconhecido e por ter despertado o interesse alheio. “Será que é isso que a Luma procura?”, pensou rapidamente.
Mary pediu que eles a acompanhassem e os levou até uma mesa previamente reservada, aos pés de um palco com um “pole dance” no centro. Sentaram-se. Enquanto Luma olhava ao redor com olhos brilhantes de curiosidade e tesão, Cortez sentia uma mistura sufocante de excitação e medo. “E se ela gostar mais do que imagina? E se ela perceber que outro homem consegue dar algo que eu não dou mais?”, pensou.
Pediram algo para beber. Mas o único que continha álcool era o dela, pois ele estava dirigindo e nunca colocaria a vida dela em risco. Foram dois drinques, muita conversa e comentários sobre o lugar e sobre as pessoas. Riam de tudo e de todos, discretamente, tentando tornar leve aquele momento tão recheado de tensão.
Luma convidou Cortez para dançar, mas ele não era o melhor dos dançarinos. Então, ela perguntou se ele se incomodaria dela dançar ali, ao lado da mesa. Ele permitiu, é claro.
Foi como se ela tivesse pendurado uma placa de “estou disponível”. Em menos de 5 minutos, 3 caras se aproximaram, um de cada vez, tentando a sorte de conseguir um pouco da atenção daquela bela mulher. Mas ela recusou a todos educadamente, dizendo que ela e o marido, a quem sempre fez questão de mostrar aos pretendentes, estavam ali apenas para conhecer. Quando um quarto pretendente já se aproximava, ela decidiu se sentar novamente ao lado de Cortez:
- Credo! Parece que não tem mulher aqui. – Ela reclamou, bebendo uma golada de seu drinque.
- Linda como você, realmente não. – Disse Cortez, beijando seu ombro.
Ela o encarou e espremeu os olhos:
- Aposto que você diz isso para todas... Confessa!
- Não. Para as outras, eu falo a verdade... – Disse Cortez, dando risada da expressão que ela fez.
Foi nesse momento que ele se aproximou... Alto, pele negra, corpo definido, voz grave e presença marcante. Apresentou-se como Ricardo e perguntou se podia repousar seu copo na mesa deles por um instante. Cortez permitiu e isso foi como dar carta branca para uma aproximação:
- Nunca vi vocês antes por aqui... – Disse Ricardo.
- É nossa primeira vez. – Disse Cortez.
Sem pedir, Ricardo se sentou à frente de Luma. Mas conversou com os dois, falando do local, dando dicas de cuidado, tudo enquanto seus olhos devoravam Luma. Num certo momento, vendo que Luma tamborilava na mesa, ele a convidou para dançar, pedindo a permissão de Cortez na sequência. Ele, por sua vez, sentiu o estômago revirar. Engoliu em seco, hesitou por dois longos segundos, olhou para Luma que parecia surpresa, mas interessada e… acabou assentindo.
Ricardo se levantou e esticou a mão para Luma que a segurou, levantando-se em seguida. Ela ainda olhou na direção de Cortez que, mesmo incomodado, sorriu.
Seu sorriso murchou assim que eles adentraram a pista de dança. Foi pior do que ele imaginava.
Ricardo puxou Luma pela cintura com firmeza. Cortez sentiu como se o pau dele tivesse se encaixado nela. Luma sorriu, mas não recusou a aproximação, então devia ser só uma impressão de Cortez, turvada pelo ciúme. Seus corpos passaram a se mover em sincronia, até demais para o gosto dele. Mas o pior foram as mãos... Quando as mãos grandes dele desceram devagar pelos quadris dela, apertando a carne macia por cima do vestido, Cortez sentiu como se um buraco se abrisse sob seus pés. Mas Luma não se incomodava; rebolava, dançava, se virava e encostava a bunda generosa no par. Ricardo sorriu satisfeito e a apertou ainda mais, puxando-a mais para perto, encaixando o pau no vão da bunda dela. Ela fechou os olhos e sorriu, claramente gostando da sensação. Então, ele sussurrou algo em seu ouvido e Luma mordeu o lábio inferior. Na sequência, ela olhou para Cortez, não com culpa, mas com curiosidade e um brilho de algo novo, talvez prazer pelo proibido.
Na mesa, Cortez apertava o copo com tanta força que os dedos doíam. “Filho da puta! Essa é a minha mulher. Dez anos ao meu lado e agora um sujeito qualquer acha que pode apertar o corpo dela assim!? E se ela gostar mais das mãos dele do que das minhas? E se ela perceber que o pau dele é maior que o meu? E se ele a convencer a dar para ele e a fizer gozar de um jeito que eu nunca consegui?”, pensava.
O ciúme queimava em seu peito. Não era só raiva, era um medo profundo e humilhante de ser substituído, de não ser mais suficiente. Ele nem notou que, ao mesmo tempo, seu pau latejava dolorosamente dentro da calça, numa contradição que Freud nenhum explicaria. Ou explicaria?...
Quando Luma voltou para a mesa, estava sozinha e ofegante, as bochechas coradas e o vestido ligeiramente fora do lugar. Cortez já estava de pé tomado pela emoção. Ela notou que o pau dele estufava a frente da calça. Primeiro, seus olhos se arregalaram com a surpresa; depois um sorriso se abriu em seus lábios. Ela o empurrou de volta ao banco e se sentou no colo dele, sentindo o pau duro:
- Nossa! Tá muito excitado, né corno? - Sussurrou em seu ouvido, roçando-se nele: - Porque eu estou pegando fogo.
Ele segurou a cintura dela com força, quase possessivo, mas a voz saiu baixa e rouca:
- Tô excitado pra caralho! Mas também estava morrendo de ciúmes. Vi o jeito que você rebolava nele e o jeito que ele apertava você. Parecia que você estava… gostando demais.
Luma segurou o rosto dele com as duas mãos, olhando bem no fundo dos olhos.
- Amor, é só dança… só toque por cima da roupa, como combinamos. E posso te confessar? Eu estava adorando! Ele tem umas mãozonas que vou te dizer...
Luma riu ao mostrar o tamanho das mãos do Ricardo e encarou Cortez que a observava, surpreso:
- Pensei agora... Se o pau dele for proporcional à mão... Nossa que lapa! – Disse e gargalhou.
- Há, há, há! – Retrucou Cortez, sarcasticamente, mas sem esconder um sorriso pela forma como ela se divertia: - Meu medo é esse: você gostar mais dele do que de mim? E se um dia você perceber que eu não consigo te dar aquela adrenalina toda? Eu fico pensando se não vou te perder pra alguém desse mundo.
Luma ficou séria por um instante. Depois beijou ele com força, quase para acalmá-lo:
- Você não vai me perder, seu bobo. Eu te amo! Isso aqui é para unir a gente, não para separar. Mas confesso… ver você assim, com ciúme, inseguro, mas ainda me deixando experimentar, e de pau duro… me deixa muito molhada.
Aquela confissão acertou Cortez em cheio. O medo continuava ali, latejando, mas o tesão falava mais alto:
- Onde será que ficam aqueles quartos da sacanagem que o Ricardo nos disse?
Luma não aguardou a resposta de Cortez e já o puxou para um corredor vigiado por um segurança. Como casal, logo lhes foi permitida a entrada. Andaram por becos escuros, iluminados apenas por uma luz de led e logo chegaram aos quartos.
Entraram em um maior, com uma cama imensa. Havia várias pessoas lá, algumas transando, outras assistindo, outras criando coragem. Certo só que o ambiente estava recheado de gemidos e que isso só aumentou o tesão dos dois.
Assim que encontraram um canto num sofá, Cortez a virou de costas e a forçou na posição de quatro. Então, levantou o vestido, puxando sua calcinha de lado e a penetrou com força brutal, quase desesperada, como se precisasse reconquistar um espaço dentro da mente dela:
- Você imaginou ele me fodendo, né? – Ela perguntou quando o rosto dele se aproximou do dela.
- Talvez. Mas você certamente se imaginou dando para ele, não foi? E comigo assistindo... Confessa! – Ele retrucou, enquanto metia fundo.
- Um pouquinho, corno… - Gemeu ela, rebolando: - Mas era só para te deixar louco, porque eu queria você depois, bem desse jeito, louco de tesão, mostrando quem é o meu dono de verdade.
Várias pessoas se aproximaram para assistir ao casal que entrou, pouco falou e começou a agir rápido. Um casal se colocou ao lado deles e uma mulher loira se aproximou de Cortez:
- Posso tocar a sua esposa?
Ele estranhou o pedido, mas não negou, afinal, naquele espaço a exceção parecia ser a regra e a regra a exceção. Assentiu com um movimento de cabeça e viu a loira se abaixar e tocar os seios de Luma que balançavam sem parar. Luma encarou a mulher, depois a Cortez e sorriu. Era o sinal que a estranha esperava, pois tirou um dos seios dela pelo decote e o mamou, como se fosse uma bezerra a busca de seu leite.
Cortez ensandeceu e meteu com mais força ainda, misturando raiva, medo e tesão. O ciúme alimentava cada estocada. Luma gozou tremendo, gemendo alto, enquanto esfregava uma perna na outra. Quando Cortez avisou que estava quase lá, ela se ajoelhou e abriu a boca, indicando o caminho. Ele gozou na boca dela, mas Luma não teve tempo sequer de engolir, pois a loira puxou o seu rosto e enfiou a língua dentro da boca dela, dividindo aquele momento até então só do casal.
Só então ela o olhou nos olhos, ambos arregalados pela ousadia da estranha. Esta apenas agradeceu a brincadeira e disse que se quisessem brincar mais, ela estaria no salão.
Cortez então se sentou no banco, puxando Luma para si. Outro casal gemia próximo, levando a atenção e os casais para lá. Luma deitou a cabeça no ombro dele, olhando na direção do movimento de pessoas. Cortez acariciava seus cabelos, mas seu olhar estava distante:
- Você tá bem? - Ela perguntou baixinho.
- Tô… mais ou menos. - Ele respirou fundo: - Foi bom, não nego, mas também foi estranho. E você, gostou da loira?
- Uma safada! Roubou parte do meu leitinho...
Eles riram e ficaram em silêncio pouco depois, apenas ouvindo o casal gemer. Então, Cortez resmungou:
- Fiquei o tempo todo pensando se um dia você vai preferir outro pra te foder no meu lugar...
Luma apertou ele mais forte contra si:
- Isso não vai acontecer. Mas eu gosto de saber que você sente isso. Me faz sentir desejada… e poderosa.
Cortez não respondeu. Preferiu ficar em silêncio. Ele sabia que aquela porta, agora entreaberta, seria quase impossível de ser fechada.
OS NOMES UTILIZADOS NESTE CONTO SÃO FICTÍCIOS E OS FATOS MENCIONADOS E EVENTUAIS SEMELHANÇAS COM A VIDA REAL SÃO MERA COINCIDÊNCIA.
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