Resolvi que não iria para faculdade novamente, então desativei os alarmes e avisei para Clara.
Naquela noite tive um sonho que estava ficando recorrente. Eu estava no mesmo campo de flores dos outros sonhos, então já sabia o caminho. Minha curiosidade era grande, muitas perguntas sobre aquele sonho.
Eu sempre estava consciente durante o sonho, sempre sabia que era sonho, mas não conseguia controlar minhas palavras. Todo sonho alguém casava e nesse sonho um dos noivos era eu.
Eu estava curioso pra saber quem era a noiva ou o noivo, então tentei andar mais rápido, mas nesse sonho eu não controlava meus movimentos também. Então fui andando lentamente.
A cada passo eu reconhecia alguns convidados, parentes meus, Rafaela, colegas da época do direito e agora colegas do curso de Geografia. O noivo eu só vi por último: era Salomão.
Meu coração acelerou muito. Comecei a sentir vontade de chorar, mas eu não controlava minhas ações nesse conto. Salomão estava lindo, com um sorriso enorme no rosto.
De repente ouço os gritos de meu pai:
"Não casa! Não casa, filho! Ele não presta."
Salomão simplesmente saca uma arma, atira na perna de meu pai e fala:
"É só pra conter ele"
Eu fiquei em pânico, mas não consegui fazer nada porque no sonho eu não tinha controle. O casamento seguiu normalmente, ninguém fez nada e meu pai ficou sangrando e chorando na frente de todos. Até que comecei a ouvir Clara me chamando e acordei.
Os chamados de Clara não eram no sonho, eram na vida real. Clara me chamava e me balançava.
- Acorda, Davi. Você precisa acordar. - A voz dela era de desespero.
- O que foi Clarita, aconteceu algo com meu pai? - Eu ainda estava impressionado com o sonho.
- Não, seu Jorge está bem. Eu não sei como te contar, mas acho melhor eu te contar do que você pegar o celular e se deparar com a notícia. - Clara falava, buscando palavras para me contar algo aparentemente horrível.
- Fala logo.
- Não tem como te contar de outra forma. Alguém atacou um professor da sua faculdade e aquele seu amigo que roubou o relógio aqui, o Paulo.
- Meu Deus! Quem será o professor? Como é o nome dele? - Perguntei aflito.
- Cada hora falam uma coisa, mas parece que é um professor de História chamado Rodrigo.
- Rodolfo?
- Isso. Rodolfo de Lima. - Ela falou olhando para o celular.
- Aí meu Deus! Atacou como? Onde?
- No banheiro lá da sua faculdade. Cada um diz uma coisa. Mas o certo é que o professor morreu e Paulo está em estado grave no hospital.
- Nossa! Eles deviam estar transando. A gente já fez isso em um banheiro de lá da faculdade. Então foi crime de homofobia?? - Falei tentando entender a situação.
- Davi, o principal suspeito é Thiago. Seus colegas falaram pra polícia e para reportagem que Thiago e Paulo saíram da sala juntos e cheios de segredos, mas Thiago voltou sozinho e nervoso.
- Caralho, Clara. Se foi Thiago que fez isso. Então a culpa é minha. Eu que mandei Paulo tentar seduzir Thiago, mas eu não tinha como imaginar que Thiago seria tão psicopata. - Eu falei desesperado.
- Você não tem culpa. Eu convivi com Thiago várias vezes nessa casa. Ele intenso, mas não vejo Thiago fazendo isso. O problema dele é querer grudar na pessoa amada, mas ele não é agressivo. Sempre que você dava um fora nele, ele procurava outro cara pra se divertir nas festas daqui.
- E já tem até reportagem?
- Davi, já são 16:00 horas. Você dormiu demais. Isso aconteceu pela manhã.
- Eu preciso visitar Paulo Henrique. - Falei me levantando.
- Não adianta. Parece que ele entrou em uma cirurgia ou vai entrar, algo assim. Porque ele teve fratura exposta na cabeça.
- Jesus! Não foi Thiago. Não foi Thiago que fez isso. Quem fez isso precisa ter muita raiva acumulada e muita força. Thiago não tem essa força toda, nem é movido pelo odio. Eu preciso falar com Thiago.
- Não acho que a polícia te deixe passar.
- Nessas horas é bom ser advogado!
- Até hoje eu não sei como você passou na prova da OAB, todo mundo fala que é tão difícil.
- Nem eu sei, mas o que importa é que eu passei e isso me dá privilégios em casos como esse.
- Eita porra! Tu falando assim nem parece o Davi fútil que conheço.
- Mas realmente não entendo das leis. Vou com um advogado de painho.
Liguei para meu pai, expliquei a situação, ele não queria me deixar ir, muito menos pagar advogado pra Thiago. Meu pai não esqueceu que Thiago queria jogar a culpa da morte do DJ Marcos em mim. Mas eu nunca levei isso para o coração.
Depois de muita negociação, meu pai permitiu que eu fosse falar com Thiago, mas quem assumiria o papel de advogado seria outro, eu seria apenas um auxiliar.
Passar pelo delegado foi outro sacrifício. Afinal o delegado me conhecia e sabia que eu não exercia a profissão e deveria estar lá com outra finalidade. Sem contar que na outra investigação Thiago tinha tentado me colocar como suspeito.
O delegado permitiu minha entrada se ele fosse junto e ouvisse a conversa. Eu concordei, desde que ele se mantivesse calado e a conversa não entrasse na investigação.
- Davi, o que você faz aqui? - Thiago perguntou quando me viu.
- Eu precisava te ver. Saber como você estava. - Falei.
- Isso tudo é culpa sua. Eu sou suspeito por culpa sua... As fodas no banheiro são organização sua... Se duvidar, esse assassino também é culpa sua. Já parou pra pensar que você é ponto em comum com os dois casos? - O advogado contratado por meu pai abriu a boca, mas eu não deixei ele falar.
- Eu sei. Eu vim aqui justamente pra entender essa porra toda. É muita coincidência. A gente precisa pensar. A pessoa que está fazendo isso é bem próxima da gente. E eu não acredito que seja você.
- É claro que não fui eu. Eu não sou capaz nem de matar Bolsonaro, quanto mais pessoas que não me fizeram nada.
- Vamos tentar entender essa história toda! Recapitular com calma. Vamos voltar pra Marcos. Mais alguém sabia que vocês iam sair?
- Isso não ajuda. Eu postei no Whatsapp, muita gente viu.
- Mas precisa ser alguém que também sabia que você estava indo para o banheiro. Alguém lá da sala.
- A maioria da sala me segue.
- Alguém que seja homofóbico.
- Não sei, Davi. Não acho que isso seja motivado por homofobia. Continuo achando que tem ligação com você.
- Por que comigo? Se eu fosse a motivação, o assassino teria matado você, afinal você fica comigo faz anos. Marcos, Paulo e o professor não representam nada além de fodas.
- Aos seus olhos. Talvez essa seja justamente a questão. Você me rejeitou várias vezes, sempre coloca limites na nossa relação, já com o DJ foram duas fodas na mesma semana e fodas que você deixou ele fazer o que quiser contigo que eu vi. Com Paulo, pelas minhas contas, foram duas vezes no banheiro da faculdade e uma vez na sua casa, também sem impor limites.
- Caralho! Eu te acho um lunático, perdido no próprio mundo interior, mas essa sua teoria faz sentido. Só não sei quem. Porque aí você volta a ser suspeito. A única pessoa que eu conheço que faria uma loucura é você. Você é o único que diz gostar de mim e que tem ciúmes até da minha namorada.
- É verdade! Mas não fui eu. Eu sou paciente, Davi. Uma hora você vai ver que é melhor estar comigo. E não adianta pagar pessoas pra me seduzir. Paulo quase conseguiu, mas eu vi a troca de mensagens entre vocês. Até foto da nossa transa ele te mandou pra confirmar o serviço.
- Você é bem esperto! Vamos continuar tentando pensar em quem poderia saber que você estava nos dois locais. Mesmo que eu seja o motivo. Essa pessoa precisaria saber sobre onde você estaria com Marcos e onde você e Paulo estariam hoje. Alguém da sala seguiu vocês?
- Não, não vimos ninguém e tomamos cuidado. Apesar de que o professor Rodolfo chegou ao banheiro minutos depois da gente! E sabe de uma coisa: talvez eu fosse o alvo nos dois casos. Porque você tem razão quando diz que eu estou ficando com você faz anos. Eu sou seu caso mais antigo e mais duradouro. Talvez a pessoa tenha ciúmes de mim.
- Mas quem poderia ter ciúmes de você?
Naquele momento eu realmente não sabia.
A conversa durou muito mais tempo, mas a gente não conseguia chegar a um nome. O delegado queria me interrogar, mas consegui deixar pra outro dia. O advogado conseguiu soltar Thiago, mas ainda não tinha outro suspeito, apenas ele, então Thiago seguia como suspeito número 1.
Assim que comentei com Clara sobre as conversas com Thiago, ela falou:
- Davi, isso tem cara de Salomão!
- Para, Clara. Eu sei que vocês não gostam dele, mas ele nem quer nada comigo, vai matar alguém por minha causa?
- Davi, presta atenção. Salomão é um homem confuso, que não quer aceitar a própria sexualidade. A gente bem sabe que a maioria dos homofóbicos são gays enrustidos. Ele é forte o suficiente pra matar duas pessoas dando golpes nelas. No sábado que Marcos foi morto, Salomão não estava em casa e está bem nervoso. Tu mesmo já me falou que Salomão sabe onde é esse banheiro escondido que vocês usam pra transar na faculdade... Quer mais provas?
- Não, Clara, não. Essas mortes, se for por ciúmes de mim, é coisa de quem quer ficar comigo e ele não quer.
- Deixa de ser infantil! Voce sabe que ele quer, é o que ele mais quer e não pode. E talvez exatamente por isso ele tenha matado essas pessoas. Porque essas pessoas podem ficar contigo em público e te dá tudo o que ele quer te dá.
Clara estava certa. Mas eu precisava de um tempo pra digerir aquilo. Eu comecei a me sentir culpado pelas duas mortes e pelo estado de saúde de Paulo Henrique.
Finalmente lembrei das informações que o investigador tinha conseguido sobre Salomão e decidi ler. Vi nas conversar que o investigador continuava me mandando informações, da forma que eu pedido. Fui lendo com calma e descobrindo as coisas. Segundo o investigador:
Salomão viu o pai matar a mãe, motivado por ciúmes, quando ele tinha 5. O pai foi preso e Salomão foi criado por um tio da parte paterna.
Poucos anos depois, esse mesmo tio de Salomão também matou a esposa, mas esse tio acabou se matando antes de ser preso e Salomão viu tudo.
Salomão foi morar com outro tio, irmão da mãe dele dessa vez. Onde ficou morando durante a adolescência.
Aos 18 anos ele foi morar sozinho. Casou aos 19 com a primeira esposa. E quando ele tinha 20 anos, a esposa morreu queimada em um incêndio criminoso muito estranho, mas a polícia não conseguiu provas pra incriminar Salomão ou qualquer outra pessoa.
Quando ele tinha 23 anos um amigo dele morreu a facadas. Salomão chegou a ser indiciado como autor do crime, pois tinha provas dele jurando o amigo de morte e marcando o encontro com esse amigo no mesmo local e horário que o corpo foi encontrado. Salomão também não tinha hálibe.
Mas no final do processo ele foi inocentado por uma série de erros na condução das investigações. Ele também conseguiu provar que o celular tinha sido roubado e ele fez um B.O. no mesmo dia do roubo. Esse B.O. foi fundamental para colocar em dúvida sobre quem teria marcado o encontro com o amigo dele.
Em 2020, Salomão impediu o tio que criou ele de espancar a esposa que estava grávida. Essa esposa do tio seria Ana, com quem Salomão se casou no ano seguinte e assumiu os três filhos dela como sendo dele.
O pai de Salomão não ficou muito tempo preso, pois o advogado conseguiu provar que ele não estava em casa na hora da morte da mãe de Salomao. Porém, ele está preso atualmente, 2023, por ter matado outra mulher pouco tempo depois que saiu da cadeia.
Ana já tinha se separado de Salomão no ano passado, ou seja: em 2022. Mas nem chegaram a oficializar a separação e voltaram em menos de três meses. O investigador não conseguiu saber o motivo da separação.
Tinham várias outras informações irrelevantes como o atraso nos estudos dele. O fato dele não parar em emprego por ser esquentado e não gostar de receber ordens. O fato dele ter virado evangélico a pouco mais de um ano. Ele já ter sofrido três acidentes de carro e ter perdido a habilitação.
Eu comecei falando "segundo o investigador" porque muitas dessas informações não estão totalmente corretas, mas eu só soube disso no outro dia.
Enfim, diante de tudo aquilo, eu precisei voltar para delegacia e contar que Salomão e eu estávamos ficando e que ele observava todas as minhas fodas recentes com outras pessoas, sem participar, inclusive no banheiro da faculdade. Relatei toda indecisão dele e que no sábado que Marcos foi assassinado, Salomão falou que estava indo visitar o pai, mas o pai dele está preso em outro estado.
Falei também sobre tudo o que o detetive descobriu.
Salomão foi levado para depor, passou a noite e a madrugada depondo, mas foi liberado pela manhã por falta de provas. Basicamente, ele disse que tudo o que eu relatei era mentira e que ele nunca tinha ficado com um homem na vida dele, era a palavra de Salomão contra a minha.
Assim que Salomão foi liberado, o advogado me ligou e informou sobre a situação da falta de provas. O que mais eu tinha eram provas em vídeos. Talvez os vídeos não servissem em um tribunal, mas para o delegado serviriam.
Fui nos arquivos das filmagens da minha casa, procurar pela gravação do nosso primeiro beijo na piscina, pra mim isso já mostrava que eu estava falando a verdade, afinal, aquele beijo foi iniciado por ele e durou muito, muito tempo.
Mas o que eu encontrei foi bem melhor:
Encontrei um vídeo de Salomão entrando na minha casa, indo direto para área da piscina, retirando um taco cheio de sangue de dentro da capa de violão que ele carregava e escondendo o taco na área da piscina que fica o motor e a bomba do chafariz. Ele segurava o taco com as mãos, então o DNA dele estaria lá.
Provavelmente aquela era a arma do crime contra o professor Rodolfo e contra Paulo Henrique.
Imediatamente, mandei aquele vídeo para o advogado, mas o advogado não visualizou. Mandei para Clara, só por precaução. Dessa vez Salomão iria pagar pelo crime dele.
Alguns segundos depois Salomão entra pela minha porta, com uma expressão no rosto que misturava raiva e ironia. Ele parecia bêbado ou drogado, não sei dizer, mas não estava no seu estado natural.
- Então você mandou me investigar?
- Eu precisava saber por quem eu estava me apaixonando.
- Gostou do que descobriu? - Ele perguntou com um tom carregado de ironia.
- Fiquei confuso com algumas coisas. - Fui sincero.
- Com o que?
- Primeiro achei que os filhos eram seus, depois achei que você era crente a mais tempo e também fiquei confuso como tu foi visitar teu pai na semana passada se teu pai está preso lá no sul do país? - Enquanto eu falava, ele reagia com risinhos, como se tudo fosse engraçado.
- Eu detesto mulher! Manter esse casamento com Ana foi o pior sacrifício da minha vida. Minha ex mulher nunca me viu de pau duro e por isso teve que morrer, pra não falar nada pra ninguém.
- Mas eu te vi fodendo Ana aqui em casa! - Soltei sem querer e percebi meu erro. - Eu coloquei uma câmera escondida no quarto de vocês e vi você comendo ela.
- Nossa! Isso aí é crime, rs. Com Ana eu consigo ficar de pau duro, mas nem sempre consigo gozar com ela. É muito tormento pra mim. Ahhhh e eu também nunca fui crente, detesto a hipocrisia dos religiosos.
- E quanto a seu pai?
Eu precisava enrolar por mais tempo, pra ver se o advogado informava a polícia sobre o esconderijo do taco.
- Meu pai não é da sua conta, ele é um homem bom. Poxa, Davi. Eu poderia me acostumar a viver nessa casa e a te foder todos os dias até a pele do meu pau se desfazer... Isso enquanto eu fortalecia meu plano. Mas você se meteu onde não foi chamado e estragou tudo. Agora vai morrer! - Ele falou e veio pra cima de mim.
- Como assim morrer? Só porque falei para o delegado as coisas que descobri sobre você?
- Isso foi trairagem! Mas você já estava marcado pra morrer desde o início. Você só adiantou as coisas.
- Marcado pra morrer?!!! O que eu te fiz????
- Você nada. Seu pai acabou com a vida do meu pai.
- Salomão, seja o que for, ainda tem jeito. Não precisa me matar.
- Precisa sim! Seu pai precisa sofrer. - Ele fez uma pausa, mas voltou a falar antes que eu pudesse abrir a boca. - Eu só lamento que durou tão pouco tempo! O escritor dos nossos destinos poderia ter nos dado mais tempo juntos, mais fodas incríveis, mais gemidos de prazer... Foi tão complicado te seduzir. Levei anos te estudando e não te usei nem por um mês!
- Como assim me estudando? A gente se conheceu na faculdade e EU fiz de tudo pra você ficar comigo.
- Você me irrita muito. Vai ser um prazer te matar.
Ele foi abrir a mochila e nesse momento eu consegui mandar uma mensagem pra Clara informar para polícia que Salomão estava na minha casa. Mandei algo do tipo: "Salomão aqui em casa, polícia! Manda vídeo.".
- Mas pra que me matar? E estudou o que? Eu não tenho direito de saber?
Ele apontou uma arma pra mim e falou:
- Deu tanto trabalho que vou te contar tudo antes de te matar. Pra começar, seu pai acusou meu pai te ter matado a sua mãe, mas não foi ele. Seu pai juntou um monte de provas falsas e meu pai pegou pena máxima.
- Tem certeza que seu pai não matou?
- Meu pai não é assassino. Ele nunca matou ninguém na vida. - Salomão se exaltou muito nessa hora.
- Mas ele não matou sua mãe? - Perguntei com medo da resposta.
- Eu matei minha mãe e meu pai assumiu a culpa porque eu era muito pequeno. Depois eu matei minha tia e acabei matando meu tio também, mas consegui forjar um suicídio por parte de meu tio, um santo homem que teve a reputação manchada. Também matei minha primeira esposa, morreu tostada, a pobre. Essas três primeiras pelo mesmo motivo: três imprestáveis, não sabiam servir. ... Matei dois ex-namorados que a polícia nem desconfia. Matei o DJ Marcos, como você deve saber. E mais recente matei o professor tarado e seu coleguinha vai morrer também, as pauladas na cabeça dele foram bem dadas. Meu pai nunca matou uma mosca. Gostou de saber que está apaixonado por um assassino? - Ele falava com orgulho sobre o que fez.
- Eu não sabia disso quando me interessei por você.
- É claro que não sabia. Você precisava achar que eu era um bom moço. Davi, sabia que a gente já fodeu várias vezes antes?
- Impossível, eu me lembraria de você, do seu cheiro, do seu toque, até do tom da sua voz...
- Ha ha ha! Tadinho! A gente só se falava por mensagem, pessoalmente você nem olhava pra minha cara, era só sexo e acabou. Eu nunca consegui te seduzir a ponto de você me chamar pra um segundo encontro, você me bloqueava. Eu tinha que criar um novo perfil e começar do zero.
- Não! Impossível! Eu me sinto diferente com você, eu saberia se já tivesse transado contigo antes.
- Você se apaixonou pela ideia desse novo Salomão e não por mim. Você gostou do desafio de me conquistar. Mas eu tenho fotos nossas juntos em motel. Tirei escondido.
Ele pegou o celular e ficou um tempo procurando as fotos.
- Mas, Salomão, por que não me matar logo? Não era só fazer meu pai sofrer?
- Mas seu pai precisa saber o motivo do sofrimento. Ele precisava me amar, mas o velho é sagaz. - Ele falou procurando a foto.
- Aí está outra coisa que não entendo: meu pai mandou te investigar, ele não saberia quem é seu pai? Uma história dessa a gente não esquece e meu pai tem boa memória.
- Seu pai é igual você! Vocês são egoístas, só olham para o próprio umbigo. Seu pai não gravaria o nome do meu, nunca. ACHEI! - Salomão gritou informando que achou a tal foto nossa no motel.
Realmente era eu em um motel que eu costumava frequentar. A foto deveria ter mais de dois anos, pois eu estava magrinho ainda, foi antes da mudança do meu corpo com todos os procedimentos e os efeitos da academia.
Salomão também estava diferente, bem diferente. Era ele, dava pra ver. Mas ele não era careca, nem malhado, nem usava barba. Eu não reconheceria mesmo, ainda mais depois de dois anos.
- Estou surpreso. - Confessei.
- Foi tão difícil saber sobre todos os seus gostos. Mas sabe o que eu percebi? Você não tem um estilo único de homem, você já ficou desde gordinhos até fisioculturistas, mas você gosta do desafio da conquista e de macho com pegada firme, mesmo se o macho for passivo, você gosta de ser dominado. - Ele fez uma pausa, apontou a arma pra mim e continuou, com o tom mais irônico. - Eu detesto crente, não gosto de mulher, sou muito mais falante, adoro beber e fumar. Foi tão difícil ser o contrário de tudo o que sou. Sabe de uma coisa engraçada? Quando você me pegou fumando, eu achei que tinha acabado o personagem ali. Imagina, um crente tão conservador e fumante, rs. Mas você ignorou só com a historinha de meu pecado. PATÉTICO!!! DAVI, VOCÊ É PATÉTICO QUANDO SE APAIXONA!!! - Ele gritou e apontou a arma pra mim. Me tremi todo, mas continuei firme, de pé.
- Muitos crentes fumam porque não conseguem parar.
- Já chega! Acho que você já sabe de tudo agora. Já pode morrer. Últimas palavras para seu pai?
Ele falou, apontou a arma pra mim com uma mão e começou a filmar com a outra. Naquele momento eu achava que ele sabia de toda verdade, mas Salomão não sabia e ainda levaria alguns meses pra ele saber de tudo.
Eu não sabia se Clara já tinha falado com a polícia e se estavam a caminho. Então precisei enrolar. O que melhor pra enrolar uma pessoa do que sexo? Um sexo só pra ganhar tempo.
- Salomão, já que eu vou morrer, posso te pedir para ao menos me matar depois da gente foder igual dois loucos? Um sexo de adeus.
- Eu não sou burro! Você quer fugir ou tentar roubar minha arma. O primeiro cara que eu matei tentou roubar minha arma e me matar durante um boquete muito do mal feito, mas ele se deu mal no final.
- Não! Eu realmente quero morrer depois de gozar. Se você me pesquisou, você sabe que não quero morrer assim. Quero gozar primeiro. Eu tenho algemas, cordas e você é maior que eu. Por favor, não me deixa morrer sem gozar antes.
- Nossa! Eu nunca pensei que veria você se humilhando assim. Pode ser bom te comer antes de matar. Vou poder ser eu mesmo nessa última foda. Mas sem gracinhas. Primeiro, me dá seu celular.
Eu entreguei meu celular pra Salomão com medo dele olhar as mensagens, mas ele só pegou meu celular, me conduziu até o armário da putaria, pegou as cordas, chicotes, velas e algemas e foi até a área da piscina. Ele jogou meu celular na piscina e falou:
- A gente vai foder aqui. E aqui eu vou te matar. Vai ser poético. Nosso primeiro beijo foi aqui, nossa última foda vai ser aqui e sua morte vai ser aqui. Seu sangue vai escorrer em volta da piscina, pena que tem essa proteção e o sangue não vai entrar. ... Ou eu posso te matar em cima da borda, aí seu sangue vai escorrer lentamente pra água da piscina. - Ele falava igual um psicopata.
- Para de falar essas coisas. Quero morrer sentindo tesão. Vamos fumar primeiro.
Eu estava tentando ganhar tempo sem nem saber se a polícia tinha sido informada.
- Você manda, patrão. Mas depois eu vou algemar, te amarrar e te foder como a puta que você é.
- Agora sim! Isso me excita. A gente pode dar uns beijos também. Adoro beijar sua boca e sentir sua barba roçando em mim.
- Cala a boca!
Salomão me deu um tapa na cara, não foi um tapa forte, foi excitante, mas eu nem tive tempo de reagir ao tapa. Pois ele me puxou para um beijo tão intenso que me deixou sem fôlego.
Ficamos nos beijando por alguns minutos. Eu preciso confessar que, mesmo sabendo que ele é um assassino e que estava prestes a me matar, eu ainda tinha muito tesão nele.
Ele deixou a arma de lado por alguns segundos e acendeu o cigarro, mas não tive tempo nem de pensar e ele já pegou a arma novamente e mandou eu tirar minha roupa, tirar a roupa dele e chupar o pau dele.
- Chupa direito e sem gracinhas! Lembra que eu posso te matar a qualquer momento se desconfiar de algo.
- Não se preocupe, eu tô louco pra fazer o melhor boquete da minha vida!
E foi o que eu fiz. Chupei como se minha vida dependesse dele ficar bem satisfeito com aquele boquete. Engoli tudo, engasguei, chupei só a cabeça, chupei as bolas... Meu trabalho foi tão bom que não demorou e Salomão gozou na minha boca.
Engoli tudo e deixei o pau dele limpinho.
Ele algemou minhas mãos e me mandou ficar de quatro na espreguiçadeira. Depois ele amarrou meus pés bem afastados um do outro. A posição era um pouco incomoda, mas vale a pena.
Salomão começou a me chicotear e meu cu piscava cada vez que ele levantava a mão pra me bater. Não era só pelo estalar do chicote nas minhas costas, era pelo gemido grave dele a cada pancada, era por poder ver só de lado, aquele homem gostoso pelado atrás de mim. Todo o conjunto da obra era muito excitante.
Quando ele cansou de me bater, acendeu a vela e começou a derramar a cera quente em mim. A porra da cera atingia a minha pele e ardia pra caralho, mas também era bom pra caralho.
Salomão estava se deliciando com meus gemidos, o pau dele já estava duro e pulsando. Meu pescoço doía porque eu tinha que ficar olhando pra trás pra não perder nada do que ele fazia em mim.
O próximo passo dele foi me dá um dos melhores beijos grego da minha vida! Parecia que Salomão ia me invadir com boca, com a barba e com a língua. Ele também mordia minha bunda com bastante força.
Eu estava subindo pelas paredes de tanto tesão. Não via a hora de Salomão meter em mim.
- Me come! Mete em mim! Por favor! Eu preciso sentir teu pau bem fundo dentro de mim. - Falei, suplicando.
- Tu é uma puta mesmo! Quer rola é? Quer que eu te coma forte? Então pede, implora por minha rola.
- Me come, Salomão! Mete em mim! Me preenche com esse teu caralho grosso! Castiga meu cu! Me faz delirar de prazer na sua rola!
- É pra já! Mas não reclama, vou meter forte e te comer como um touro.
- É tudo o que eu mais quero.
Salomão mirou na entrada do meu cu, mas não meteu. Ele ficou brincando na porta, fingindo que ia meter. Até que ele deu um soco forte nas minhas costas que me deixou sem ar e meteu seu pau em mim com tudo, de uma vez só. Entrou me rasgando, sem pedir licença. Ele fez como prometeu.
Começou a entrar e sair do meu cu muito rápido e com muita pressão. Eu estava quase gozando de tanto tesão com as metidas profundas dele.
Não sei dizer quanto tempo ele levou me comendo naquela posição, mas foi um bom tempo. As vezes ele cansava e mandava eu rebolar com o pau dele todo enfiado em mim e era igualmente prazeroso poder rebolar na rola de um macho desse.
Depois de um tempo, ele tirou o pau de dentro de mim, desamarrou minhas pernas e mandou eu deitar na espreguiçadeira, porque ele queria gozar me comendo de frango assado enquanto me beijando.
Fiquei de frango assado e ele deitou em cima de mim e veio me beijar. Enquanto ele ainda me beijava, senti o pau de Salomão me invadir novamente. E não demorou pra eu sentir o entra e sai do pau dele ainda em meio aos beijos.
Gemi alto de prazer e gozei muito, senti um prazer que eu nunca tinha sentido antes. Um prazer, uma felicidade enorme, uma exaustão boa, uma sensação de saciedade sexual, como só ele me fazia sentir.
Meu cu começou a morder o pau dele, que logo gozou pela segunda vez, mas dessa vez derramou seu leitinho dentro de meu cu.
Salomão urrou alto de prazer e desabou em cima de mim, respirando fundo.
Depois de alguns segundos ele falou:
- Foi delicioso, você é muito gostoso, Davi. O melhor passivo que já comi. Gosto de você. Pena que você precisa morrer. - Ele falou isso no meu ouvido.
- Quem disse que preciso? Teu pai? Não podemos ser Romeu e Julieta?
- Eles morrem no final, seu idiota. Aqui só você precisa morrer. - Ele falou e se levantou de cima de mim.
Eu ainda estava algemado, mas minhas pernas estavam livres. Eu não sabia exatamente quanto tempo a polícia iria demorar, então precisava agir.
Salomão tinha acabado de levantar, ainda não tinha pego a arma, então dei um golpe nele com minhas pernas. Ele caiu e eu levantei rápido e dei alguns chutes nele. Ele me empurrou e levantou novamente. Eu dei outro chute nele, dessa vez atingi a cabeça de Salomão, que caiu no chão.
Eu já tinha treinado capoeira, sabia o básico, também tinha feito outras artes marciais.
Fui checar se ele ainda estava vivo e estava. Mas estava desacordado. Aproveitei e liguei para polícia do celular de Salomão.
Eles estava aguardando um mandado pra poder prender Salomão. Mas eu informei minha situação e eles poderiam prender Salomão por tentar me matar.
Salomão acabou acordando antes da polícia chegar. Ele estava com muita raiva. Eu não vi ele levantando, então ele conseguiu pegar a arma e apontar pra mim novamente.
- Eu sabia! Você é igual seu pai, nenhum dos dois presta. Agora você vai morrer bem aos poucos. - Ele falou.
Salomão atirou no meu pé. Doeu pra caralho. Foi a pior dor que já senti na minha vida.
- Esse tiro foi só o primeiro, vou gastar cada bala em você.
Mas antes dele atirar em mim novamente, a polícia finalmente apareceu e prendeu Salomão. Eles também pegaram o taco que ele usou para matar o professor Rodolfo.
Por um segundo achei que eu iria realmente morrer++++++++++++++++++++++++
O próximo capítulo é o último. Lembrando que a história começou a ser contada em 2023. Alguém tem uma opinião sobre como termina?