Heron se levantou, pegou as meias da chuteira e ficou olhando para elas. Aquelas meias brancas, já encardidas, permaneciam ali, imóveis. Pareciam chamá-lo, despertando uma necessidade que o consumia por dentro.
— Isso... agora coloque-as na boca. Mastigue bem. Sinta o suor do seu mestre!
Heron levou as meias à boca. Sentiu a textura, o gosto e o cheiro impregnado no tecido. Era um prazer intenso, quase um transe. Havia acabado de cheirar os pés do homem que tanto admirava e, agora, mantinha as meias dele entre os dentes. Para ele, aquilo era uma honra. Aos poucos, uma vontade de submissão começava a crescer dentro de si.
Era como se tudo aquilo o chamasse para algo maior, uma força irresistível que o envolvia, e Heron apenas se deixava conduzir por ela. O cheiro dos pés de Diego era marcante em cada detalhe: forte, intenso, viciante. Dominava completamente seus pensamentos. Pensar em tudo aquilo fez Heron delirar. Ele ergueu os olhos para o teto.
"Será que essa é a minha função?", pensou.
De repente, sentiu um calor percorrer o corpo. Sua bermuda começou a marcar a excitação. Estava gozando com tudo aquilo. Era mais forte do que ele: a emoção, o desejo, a força e a virilidade que atribuía a Diego tomavam conta de sua mente.
— HAHAHAHAHA! Nossa, a bichinha gozou por causa dos meus pés? Que viado submisso! Agora você está na palma da minha mão, cadelinha. Vou fazer de você um escravo em todos os sentidos por causa desse prazerzinho ridículo.
Heron tremia. As pernas mal conseguiam sustentá-lo.
— Anda, viado! Agradeça ao seu mestre!
— OBRIGADO, MESTRE DIEGO! PELO SEU CHEIRO, PELOS SEUS PÉS PERFEITOS! SOU COMPLETAMENTE DEVOTO A VOCÊ!
As palavras saíram abafadas pelas meias em sua boca, mas Diego ainda conseguiu compreendê-las.
— Isso! Assim que eu gosto. Agora faça a sua tarefa, rápido. Quero dormir, seu trouxa!
Heron se recolheu e, em poucos instantes, começou a elaborar o trabalho. Fez anotações, organizou ideias, escreveu discursos e textos, tudo da maneira mais cuidadosa e rápida possível. De tempos em tempos, voltava a mastigar as meias suadas de Diego.
Enquanto isso, Diego cruzou as pernas e apoiou os pés sobre a cabeça de Heron. Curiosamente, aquilo parecia lhe dar ainda mais motivação para continuar trabalhando.
Depois de mais uma hora, o trabalho estava concluído. Heron moveu a cabeça discretamente, sinalizando que havia terminado.
— O quê, viadinho?
Heron ficou nervoso. Seu mestre estava falando com ele. Sua boca estava cansada e seca, e sua mandíbula doía por permanecer aberta durante tanto tempo.
— Fala, bichinha! Anda!
Diego chutou de leve a cabeça de Heron para o lado, retirando os pés que haviam repousado sobre ela durante todo aquele tempo. Ainda meio atordoado, Heron se esforçou para falar, mas sua voz parecia não sair.
— Eu... ter... mi... nei...
disse baixinho, com a fala completamente abafada pelas meias.
— Tira a porra dessas meias da boca, viadinho! Hahahahaha! Muito trouxa mesmo. Deve ter sugado todo o chulé a essa altura.
Heron retirou as meias da boca. Um fio grosso de baba escorreu delas, acompanhado de um cheiro estranho.
— Eca! Pô, viado, na minha frente não! Guarda essa meia babada pra lá. Vai enfiar ela na mochila assim mesmo e trazer ela limpinha pra mim. Quero nem saber!
Heron assentiu com a cabeça. Olhou para as meias ensopadas e deu uma leve ânsia de vômito.
Diego levantou a mão e deu um tapa forte em seu rosto.
— Sem gorfar com a meia do seu mestre! Entendido?
Heron apenas assentiu novamente.
Diego se levantou.
— É muito besta esse viado. Não aprende.
Então deu outro tapa forte em seu rosto.
— "Sim" o quê, porra?
— Sim, mestre Diego.
— Toma outro tapa para deixar de ser besta! Slap. Hahahahaha! Agora quero que chupe essas meias para tirar toda essa baba delas. Não quero essa baba nojenta de viado misturada com o sabão quando você for lavá-las.
Heron ficou olhando para as meias por alguns instantes, pensativo.
— Que foi, viadinho? Quer deixar de me servir, é isso? Quer que eu suma da sua vida? Quer que seu mestre te abandone?
— Não, mestre Diego.
— Então faz o que eu mando, pô. Agora!
— Sim, mestre Diego.
— Hahahaha! Assim que eu gosto.
Heron começou a chupar as meias com uma expressão de nojo. Esforçava-se ao máximo a cada movimento, sentindo a gosma escorrer pela garganta junto com aquele cheiro desagradável. O enjoo era evidente.
Diego fez uma expressão de desaprovação e ergueu o punho, como se fosse golpeá-lo.
Heron imediatamente se recompôs. Passou a executar a tarefa com mais empenho, mantendo o olhar fixo em Diego, que agora parecia dominá-lo por completo. Diego ria sem parar, chegando a se contorcer de tanto rir, embora demonstrasse certo cansaço ao mesmo tempo.
Heron terminou rapidamente. Quando olhou para as meias, elas estavam apenas úmidas.
— Agradece pelo suor do seu mestre, viado patético!
— Obrigado pelo seu suor, mestre Diego. Suas meias são tudo para mim. Será um prazer lavá-las.
— Hahahahaha! Isso aí, viadinho. Agora vaza daqui que eu quero dormir. Não esquece dos meus tênis e de aparecer aqui no sábado para o seu compromisso.
Heron guardou os tênis e as meias na mochila às pressas. Quando estava saindo, Diego lhe deu um pontapé na bunda.
— Até sábado, trouxa! Esteja preparado!
Heron saiu constrangido. Já havia pegado o contato de Diego e, por ordem dele, o salvara no celular como "Mestre". As mensagens começaram a chegar imediatamente. Diego detalhava como queria os tênis ainda mais limpos, dava instruções sobre a entrega de trabalhos da faculdade, perguntava quanto Heron ganhava, como era sua rotina e queria saber praticamente tudo sobre sua vida.
Heron ainda não compreendia completamente o que estava acontecendo, mas, aos poucos, percebia que aquilo era um verdadeiro contrato de dominação. Diego queria ter posse de todos os aspectos de sua vida, exercer controle sobre cada detalhe de sua rotina e moldá-lo inteiramente à sua vontade.
E, para a própria surpresa, Heron sentia-se disposto a aceitar aquilo. Parecia finalmente encontrar algo que desse movimento, direção e sentido à sua existência. Aos poucos, suas amizades, as disciplinas da faculdade e o estágio começaram a ficar distantes, como se fossem perdendo importância e se tornando cada vez mais nebulosos.
Nas mãos de Diego, vivia uma existência dupla. Em determinados momentos precisava ser uma pessoa comum, autêntica, convivendo normalmente com os colegas. Em outros, era apenas um servo. Era difícil sustentar essa divisão, mas, ao mesmo tempo, havia algo profundamente excitante nela.
Os dias foram passando. Ver Diego na sala de aula era estranho. Diante dos outros colegas, ele apenas lançava um sorriso sarcástico para Heron e agia como se nada estivesse acontecendo. De vez em quando, sentava-se atrás dele e esticava os pés sob sua cadeira, um gesto discreto, porém suficiente para lembrá-lo de quem mandava.
As mensagens continuavam chegando.
"Estou temperando umas meias novas para você."
"Tenho uma surpresa para você no sábado."
Aquilo deixava Heron intrigado.
— Está tudo bem? Você anda mais quieto ultimamente.
Disse Cíntia enquanto caminhavam pelos corredores da faculdade.
— Sim... estou de boa. E você?
— Hummm... não está me convencendo, hein? Tem alguma coisa aí.
— Que nada, Cíntia. Estou tranquilo. É só a correria do dia a dia.
— Mas hoje, na aula, você estava estranho. Ficava tremendo, olhando para os lados... Nunca te vi assim.
Heron hesitou por um instante antes de responder.
— Ah... estou tomando um remédio diferente para depressão. Acho que ele está me fazendo meio mal, sabe?
— Sei bem como é. Esses remédios mexem muito com a gente, né?
Heron sentiu um alívio imediato ao perceber que ela acreditara na explicação.
— Nossa... mexem muito mesmo...
E assim eles engataram uma conversa que durou horas.
De repente, Heron viu uma mensagem de seu mestre no celular:
— "Hoje é sexta, viadinho. Se prepara, porque amanhã você vai comer na minha mão... ou melhor, no meu pé! Hahahaha!"
Heron estremeceu por inteiro e voltou para casa. Durante a semana, havia cumprido todas as tarefas combinadas: trabalhado, estudado, limpado os tênis e lavado as meias de seu mestre. Tudo estava em ordem, exatamente como o combinado.
Volta e meia, durante aqueles dias, masturbava-se pensando em Diego. Aquilo o deixava completamente tomado pela excitação. Para ele, tudo parecia intensamente empolgante.
Quando o sábado chegou, Diego ordenou que Heron aparecesse em seu apartamento usando roupas velhas. Também deveria levar um fardo de cerveja, o material da faculdade, uma muda de roupa e algumas compras de mercado, como bananas, pão e maçãs.
Heron se organizou conforme as instruções e logo estava diante da porta do apartamento, pronto para servir. Sentia-se nervoso e apreensivo, sem saber exatamente o que o esperava. A semana havia sido intensa. Ambos tinham ido bem no trabalho que realizaram "juntos".
A porta se abriu.
Diego o encarou com desdém.
— E aí, cadelinha? Hahahaha... Entra!
Vestia um uniforme de futebol já bastante surrado. As chuteiras estavam cobertas de lama e de uma substância escura. Um cheiro forte de suor, desodorante vencido e chulé se espalhava pelo ambiente.
— Seguinte, cadelinha. Você vai passar o fim de semana comigo e depois vai voltar para a faculdade comigo, entendido?
— Sim, mestre Diego.
— Hahaha! Assim que eu gosto. Você vai me servir o fim de semana inteiro. Quero que limpe o apartamento, lave minhas roupas suadas, a louça, faça comida... E ainda vou decidir o que fazer com os meus pés. Não lavei eles a semana inteira e estão me matando. Acho que a sua língua seria um ótimo serviço para eles.
Heron se excitou imediatamente.
— Não quero ficar olhando esse pau murcho e feio querendo endurecer. Esconde isso.
Diego deu três tapas no rosto de Heron.
— Pra deixar de ser trouxa.
— Sim, mestre Diego.
Heron virou-se rapidamente e ajeitou-se por baixo da cueca. Em seguida, como um empregado dedicado, levou as compras para a cozinha, guardou tudo nos armários e começou os afazeres domésticos sem que Diego precisasse ordenar. Aquilo agradou Diego, que gostava da ideia de ter uma empregadinha particular. Ainda assim, para ele, aquilo estava longe de ser suficiente.
— Então, cadelinha... Parte do seu salário agora vai ser meu. Quanto você recebe mesmo?
— Dois mil.
— Vamos começar com quinhentos. Passa pra cá. Esse fim de semana não vai sair de graça.
Heron voltou a ficar apreensivo, mas obedeceu.
— Não... Antes eu quero que você me entregue esse dinheiro em mãos. Acha que vai ser tudo de mão beijada? Vai lá pegar a meia que eu usei ontem e traz aqui.
Heron olhou para ele, estranhando o pedido.
— Anda, viadinho! Pega a porra da meia!
Ele foi até o cesto de roupas e encontrou um par de meias pretas, ainda úmidas de suor. Pegou-as e voltou.
Diego segurou as meias diante dele.
— Tá vendo essa relíquia? Vou enrolar isso na tua cara e colocar uma máscara por cima. Você vai ficar sentindo o cheiro delas enquanto vai até o banco sacar os meus quinhentos. Entendeu?
Heron engoliu em seco, apreensivo, mas aceitou. Afinal, já havia decidido entregar-se completamente à submissão.
Ele entregou o par de meias a Diego, que as enrolou em seu rosto e empurrou a parte dos dedos contra sua boca, obrigando-o a mantê-las ali. Em seguida, pegou uma máscara antiga da época da pandemia, colocou sobre as meias para mantê-las presas e apontou para a porta.
— Agora vai no banco.
Sem dizer uma palavra, Heron obedeceu.