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SOCIEDADE SECRETA DO TERCEIRO ANO TEMPORADA 2 CAP 3

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Um conto erótico de GABRIEL SILVA
Categoria: Heterossexual
Contém 6180 palavras
Data: 26/06/2026 22:36:11

O sol ainda não havia se erguido completamente quando o celular vibrou na mesa de cabeceira. O número era desconhecido, mas o código de área me fez sentir um frio na barriga . Atendi com a voz embargada pelo sono.

— Matheus?

— Mãe? — Sentei na cama, o coração acelerado. — O que foi? Está tudo bem?

O silêncio do outro lado durou alguns segundos. Quando ela falou, a voz saiu diferente — firme, quase fria, nada a ver com a mulher chorosa e assustada que eu deixara no apartamento dias atrás.

— Estou bem, filho. Melhor do que nunca. — Ela fez uma pausa, e ouvi o som de algo sendo arrastado, como se estivesse fechando uma porta. — Preciso que você me escute com atenção. Não pergunte nada. Apenas ouça.

Engoli seco, sentindo o sangue gelar.

— Estou ouvindo.

— Eu vou resolver tudo — disse ela, e havia uma determinação na voz que eu nunca ouvira antes. — O que aconteceu com seu pai... comigo... com você. Tudo. Mas você precisa confiar em mim agora. Não procure me encontrar. Não tente me ligar neste número novamente. Quando for seguro, eu apareço.

— Mãe, o que você está...

— Matheus! — A voz endureceu. — Você prometeu que confiaria em mim. Prometa de novo.

Fechei os olhos, sentindo o peso daquela conversa como uma âncora no peito.

— Eu prometo.

— Boa. — O tom suavizou. — Cuidado com o que você come. Cuidado com o que assina. E principalmente... cuidado com os que usam azul. — Outra pausa. — Te amo, filho. Mais do que você imagina.

A ligação caiu. Fiquei olhando para o celular por minutos, tentando decifrar as palavras. "Cuidado com os que usam azul"? O que significava aquilo? E o tom dela... aquela frieza calculada. Era como se outra pessoa estivesse falando por trás da voz da minha mãe.

Levantei, tomei um banho rápido e vesti o uniforme do Helsing — camisa azul-marinho engomada, gravata dourada, calça de alfaiataria. Olhando no espelho, eu parecia outro garoto. Não mais o Matheus da escola pública, perdido e assustado.

O Colégio Helsing já pulsava quando cheguei apé. O estacionamento estava lotado de carros importados — Porsches, BMWs, um McLaren prateado que pertencia a Daniel Karam, segundo os boatos que ouvira no corredor.

Pamela estava na porta da sala 12-B, encostada na parede, uniforme impecável, cabelo castanho preso em um rabo de cavalo que deixava o pescoço longo à mostra. Quando me viu, seus olhos se estreitaram por um segundo — não era hostilidade, era avaliação. Como se ela estivesse tentando decidir se eu era uma ameaça ou uma oportunidade.

— Finalmente — disse ela, afastando-se da parede. — Pensei que fosse se esconder hoje.

— Por que eu me esconderia?

— Porque hoje é prova surpresa de História. — Ela sorriu de canto, e havia algo predatório naquele sorriso. — E você não parece do tipo que estuda.

Entramos juntos. Pamela ocupou a cadeira à minha direita, — uma posição estratégica, percebi. Ela queria me observar sem ser óbvia. Neguin e Paulo entraram minutos depois, arrastando os pés, uniformes amassados, olheiras profundas de quem tentou estudar. Eles se sentaram na fileira atrás de nós, como combinado.

— Caralho, mano — sussurrou Neguin, inclinando-se para frente. — Essa escola é outro nível. Ontem à noite eu vi um cara sendo expulso porque o relógio dele era falso. Falso, irmão! Um Rolex falso só pode ser brincadeira!

— Calma — respondi, abrindo o caderno. — A gente precisa manter a cabeça baixa hoje.

A porta se abriu com estrondo.

O homem que entrou não parecia professor. Parecia um soldado aposentado — cerca de 1,90m, ombros largos, cabelo grisalho raspado rente, cicatriz fina no queixo. Usava terno cinza escuro, sem gravata, manga dobrada revelando antebraços musculosos cobertos de tatuagens que subiam até o pescoço. Seus olhos eram de um azul gelado, quase translúcidos.

— Sentem-se — ordenou ele, e a voz saiu como um trovão contido.

O silêncio foi instantâneo. Até os riquinhos das janelas pararam de conversar.

— Meu nome é professor Bruno Vasconcelos. Não sou parente da doutora Helena , antes que perguntem. — Ele caminhou até a mesa, jogou uma pasta de couro pesada sobre o tampo, e nos encarou. — Sou novo aqui. E vim porque o Helsing precisa de disciplina. A escola está mole. As crianças ricas acham que podem comprar notas. — Ele sorriu, e era um sorriso sem humor. — parecia que ele tambem era novo ali.

Ele tirou uma pilha de folhas da pasta e começou a distribuir.

— Prova surpresa. Cinquenta questões. Duas horas. Quem tirar menos de setenta por cento... — ele fez uma pausa, olhando diretamente para mim — ...ta ferrado. Ou pior.

As folhas passaram de mão em mão. Quando recebi a minha, senti o sangue gelar. Não era sobre a República Velha, nem sobre o período colonial. As questões eram estranhas:

"1. Em que ano os Nove Fundadores se separaram do Caminho Original?"

"2. Qual o verdadeiro nome da entidade que dorme sob o Pão de Açúcar?"

"3. Quem foi o último Guardião a tentar unificar os dois lados antes da Grande Ruptura?"

Era código. Era tudo código.

Olhei para o professor Bruno. Ele estava parado atrás da mesa, olhos fixos em mim. Quando nossos olhares se encontraram, ele fez um gesto quase imperceptível — dois dedos tocando o pulso esquerdo, onde se usaria um relógio. Depois, seus olhos deslizaram para Pamela, ao meu lado, e voltaram para mim.

Cuidado com os que usam azul.

A frase da minha mãe ecoou na minha cabeça. Olhei para Pamela. Ela usava um bracelete de couro azul-escuro no pulso esquerdo. Um detalhe que eu não notara antes.

A prova continuava com perguntas aparentemente sobre história do Brasil, mas entrelinhas... entrelinhas falava de algo antigo. De batalhas esquecidas. De uma guerra que durava milênios.

Pamela se inclinou para o lado, bloqueando a visão do professor.

— Você está pálido — sussurrou ela, tão baixo que só eu ouvi. — Não sabe nada, né?

— Não é sobre isso — respondi, tentando manter a voz firme.

— Então é sobre o quê? — Ela sorriu, e desta vez havia curiosidade real nos olhos. — As perguntas do professor Bruno são... diferentes. Meu pai diz que ele veio de uma escola no interior. Uma escola onde as crianças desapareciam.

Senti um arrepio.

— Desapareciam?

— É o que dizem. — Ela voltou a atenção para a prova, mas sua voz continuou baixa. — Dizem que ele ensina história real. Não aquela mentira dos livros didáticos.

Tentei focar na prova, mas minha mente estava longe. O gesto do professor. O bracelete azul de Pamela. As palavras da minha mãe.

Foi quando senti algo bater na minha panturrilha. Olhei para baixo. Neguin estava esticando o braço por baixo da carteira, entregando um papelzinho dobrado. Peguei discretamente, abri sob a mesa.

"Essa prova é armadilha. Não responda as questões 7, 14 e 23. São testes. - N"

Levantei os olhos. Neguin estava de cabeça baixa, fingindo escrever, mas seus olhos me encontraram no reflexo da janela. Ele balançou a cabeça quase imperceptivelmente.

Olhei para as questões indicadas. A 7 perguntava: "Qual o símbolo de quem trilha o Caminho da Esquerda?" A 14: "Quantos olhos tem a estátua que guarda a entrada do Santuário?" A 23: "Em que data o Núcleo foi fundado?"

Meu coração parou. O Núcleo. Ele escrevera "O Núcleo" explicitamente.

Levantei os olhos para o professor Bruno. Ele estava escrevendo algo no quadro, de costas para nós. Mas no reflexo do vidro escuro, eu podia ver que ele observava a sala por trás dos óculos escuros que usava — um truque antigo. Ele estava testando quem sabia. Quem reconhecia as perguntas.

Deixei as três questões em branco.

Quando o sinal tocou, Pamela foi a primeira a entregar. Ela olhou para minha folha, viu as questões em branco, e seus olhos se estreitaram. Mas não disse nada.

O professor Bruno recebeu as provas em silêncio. Quando pegou a minha, seus dedos seguraram o papel por um segundo a mais. Ele olhou para as questões em branco. Depois olhou para mim. Um quase sorriso surgiu no canto de sua boca.

— Interessante — murmurou, tão baixo que só eu ouvi. — Alguém que sabe quando não deve saber.

O intervalo foi um caos controlado. O saguão do Helsing era um teatro de egos — grupos se formavam e se desfazem em segundos, alunos negociando notas, favores, segredos. Eu estava encostado na parede, bebendo um suco de laranja que sabia a nada, quando Pamela apareceu ao meu lado.

— Você deixou três questões em branco — disse ela, sem rodeios.

— Não sabia a resposta.

— Mentira. — Ela se virou para mim, encostando o ombro na parede, cruzando os braços. — Você olhou para elas, hesitou, e decidiu não responder. Como se soubesse que eram... perigosas.

— Perigosas? — Tentei rir, mas saiu forçado. — São só questões de história.

— História? — Ela deu um passo mais perto, a voz baixando até ser um sussurro quente no meu ouvido. — A questão 23 perguntava sobre uma data de fundação que não existe em nenhum livro. 243 a.C. Eu sei porque meu pai tem um livro antigo em casa. Um livro que não deveria existir.

Meu sangue gelou. Ela sabia. Ou pelo menos desconfiava.

— Pamela...

— Não. — Ela recuou, os olhos endurecendo. — Não sei o que você está envolvido, Matheus. Mas sei que naquela noite no iate... você não era apenas um convidado. Você estava trabalhando. E agora você está aqui, deixando questões em branco como quem sabe demais.

Ela se virou para ir embora, mas eu segurei seu braço. A pele era quente, macia, mas o músculo se tensionou sob meus dedos.

— Pamela, escute. Se você sabe de alguma coisa... se seu pai tem livros que não deveriam existir... então você está em perigo. Maior perigo do que imagina.

Ela me encarou por longos segundos. Então, algo mudou em seu olhar. Não era mais suspeita. Era medo.

— Meu pai... — ela começou, mas foi interrompida por uma voz grossa.

— Ei, novato!

Daniel Karam caminhava em nossa direção, seguido por seus capangas — Enzo e Lourenço Moreira, os gêmeos de olhar vazio, e Rafael Dias, o ruivo filho do embaixador. Daniel usava um blazer azul-marinho sobre o uniforme, um detalhe que só ele podia se dar ao luxo de ter. Seus olhos verdes me avaliaram com desdém.

— Estava ouvindo os pombinhos brigando aqui — disse ele, parando a dois metros de distância. — Deixou questões em branco. Ou é burro... ou é esperto demais. Qual dos dois?

— Depende do dia — respondi, mantendo o tom neutro.

Daniel riu, mas o som não alcançou os olhos. Eles permaneciam frios, calculistas. E havia algo mais ali... algo que eu reconheci. O mesmo brilho que vi nos olhos de Ricardo quando falava da Seita. O mesmo brilho que o professor Bruno tinha quando olhava para as questões sobre o Núcleo.

— Cuidado, novato — disse Daniel, dando um passo mais perto. — O Helsing tem regras. E uma delas é: quem se destaca demais... some.

Ele bateu no meu ombro com força — não o suficiente para ser uma agressão aberta, mas suficiente para doer. Depois sorriu, um sorriso de tubarão, e se afastou com seus amigos.

Pamela esperou até eles desaparecerem no corredor.

— Ele nunca gostou de ninguém — Mas com você... é diferente. É pessoal.

— Você sabe por quê?

Ela hesitou. Depois, quase inaudível:

— Porque você provavelmente não vai aceitar a oferta.

— Que oferta?

— A de se juntar a eles. — Ela olhou para os lados, nervosa. — Daniel tem um... grupo. Dentro da escola. Eles se encontram às quartas-feiras, depois das aulas, na antiga quadra de tênis abandonada. Dizem que fazem rituais. Dizem que... — ela engoliu em seco — ...que invocam coisas.

Senti o estômago revirar. Rituais. Invocações. O Núcleo.

— Pamela, você já foi lá?

Ela negou com a cabeça, mas seus olhos diziam o contrário.

— Uma vez. Por curiosidade passei perto. — Ela estremeceu. — Nunca mais. Aquilo não era... não era brincadeira. Eles usam máscaras. Máscaras de animais. Daniel usa a máscara de lobo.

O sinal tocou. Educação Física. Pamela se afastou rapidamente, mas antes de ir, sussurrou:

— Cuidado na aula de hoje. Daniel está planejando algo.

A quadra de futsal do Helsing era um espetáculo de modernidade — piso de madeira importada, ar-condicionado, iluminação LED que eliminava sombras. A professora de Educação Física, Dona Catarina, era uma mulher de uns 35 anos, ex-atleta olímpica segundo os boatos, com um corpo escultural que fazia os garotos tropeçarem nas próprias palavras. Mas sua beleza era ofuscada por sua personalidade — ela era rígida, exigente, e não tolerava desculpas.

— Hoje temos jogo misto — anunciou ela, batendo na bola com a chuteira. — Terceiro ano A contra terceiro ano B. Futsal. Regras oficiais. Quem perder... — ela sorriu cruelmente — ...fica uma semana sem intervalo.

Os alunos gemeram. Eu olhei para o outro lado da quadra. A turma de Daniel já estava se aquecendo — eles eram altos, atléticos, movimentos sincronizados como um time profissional. Daniel estava no centro, driblando uma bola como se fosse parte de seu corpo.

— Time A — chamou a professora — Matheus, Neguin, Paulo, Pamela, Anderson, Jéssica e mais dois.

— Time B — Daniel, Enzo, Lourenço, Rafael, Kenji, e quatro outros atletas.

Pamela veio parar ao meu lado enquanto nos posicionamos.

— Daniel é o melhor jogador da escola — sussurrou ela. — Jogou nas categorias de base do Flamengo antes de se machucar. Ele não sabe perder.

— Então vamos ensinar — respondi, apertando as mãos.

O jogo começou violento.

Daniel não jogava. Ele dominava. Nos primeiros cinco minutos, ele marcou dois gols — um de bicicleta, outro de voleio que parecia impossível. Seus companheiros eram brutais, usando ombros e cotovelos disfarçados de disputa de bola. Kenji, o japonês, era rápido como uma sombra. Os gêmeos Moreira se comunicavam em silêncio, como se lessem a mente um do outro.

Nosso time era desorganizado. Anderson e Jéssica eram boam, mas nosso time tinha 2 meninas Pamela jogava com raiva, mas sozinha não conseguia carregar.

— Eles estão nos estudando — disse Neguin, durante uma parada técnica. — Não é só futebol. Eles estão testando onde a gente vai.

Ele estava certo. Cada vez que eu ia para o ataque, Daniel aparecia no meu caminho. Não para roubar a bola — para me empurrar, me bloquear, me intimidar. Seus olhos, quando nos cruzávamos, tinham um brilho estranho. Azul. Como os do professor Bruno.

— Muda a tática — falei para Neguin e Paulo. — Vocês dois ficam na defesa. Pamela e eu vamos pelo meio. Anderson e Jéssica pelas pontas.

— Eles vão nos massacrar — disse Paulo, suando.

— Confia — respondi.

O segundo tempo foi guerra.

Começamos a jogar sujo também — não com violência, mas com inteligência. Pamela descobriu que Enzo tinha um ponto cego na visão periférica esquerda. Neguin percebeu que Kenji desviava sempre que a bola vinha rasteira. E eu... eu descobri que Daniel tinha um padrão.

Ele sempre piscava duas vezes antes de chutar.

Foi assim que conseguimos empatar. Quando ele piscou, eu antecipei o movimento e roubei a bola. Passei para Pamela, que tocou para Anderson na ponta. Cruzamento rasteiro, Neguin subiu de cabeça. Gol.

A quadra explodiu. Nosso time gritava. O time de Daniel ficou em silêncio, chocado.

Daniel não gostou. Não gostou nada.

Nos minutos finais, o jogo ficou físico. Daniel me deu uma cotovelada no rosto quando o árbitro não via. Sangue escorreu do meu lábio. Ele sorriu, mostrando os dentes.

— Você não deveria ter vindo para cá, novato — sussurrou ele, enquanto nos preparávamos para uma cobrança de falta. — O Helsing não é lugar para lixo como você.

— Então por que você está tão assustado? — respondi, limpando o sangue.

Seus olhos se estreitaram. Não era raiva. Era pavor.

A falta foi nossa. Pamela cobrou. A bola bateu na trave, voltou, eu aproveitei o rebote e chutei de voleio. A bola entrou no ângulo. O goleiro nem se mexeu.

3 a 2. Vitória nossa.

Nosso time invadiu a quadra. Neguin me levantou nos ombros. Paulo gritava como louco. Pamela veio correndo, e por um segundo pensei que ela fosse me beijar, mas ela parou a centímetros do meu rosto, sorindo, os olhos brilhando.

— Você é louco — disse ela, ofegante. — Louco e bom.

Do outro lado, Daniel observava. Ele não gritava, não reclamava. Apenas ficou ali, imóvel, a bola aos seus pés. E então, enquanto todos celebravam, ele fez algo estranho.

Levantou a camisa para secar o suor. No peito, tatuado em tinta azul quase fluorescente, havia um símbolo — nove pontos formando um círculo, com um olho no centro.

Eu conhecia aquele símbolo. Estava nas questões 7, 14 e 23 da prova. Era o símbolo do Núcleo.

Nossos olhares se encontraram. Ele sorriu — não o sorriso de predador de antes, mas algo mais frio. Conhecimento. E então ele tocou o símbolo no peito, uma vez, dois dedos pressionando o olho tatuado, exatamente como o professor Bruno fizera com o pulso.

Uma saudação. Um aviso.

Pamela notou meu olhar. Ela se virou, viu Daniel, viu a tatuagem. Seu rosto empalideceu.

— Você viu? — sussurrou ela.

— Vi — respondi.

— Então agora você sabe. — Ela engoliu em seco. — Ele marca quem vence ele. É um aviso... ou uma maldição sei lá.

A professora Catarina apitou o fim. Daniel recolheu a camisa, o símbolo desaparecendo sob o tecido. Ele se aproximou de mim, estendeu a mão.

— Boa partida — disse ele, a voz doce como veneno. — Vamos jogar de novo em breve. Dizem que às quartas-feiras, depois das aulas, a quadra fica vazia. Só nós. Só o time.

Ele apertou minha mão com força, e por um segundo senti algo estranho — uma energia, uma vibração fria que subia pelo meu braço. Seus olhos, de perto, não eram verdes. Eram verdes-azulados, e as pupilas... as pupilas eram verticais, como as de um réptil.

Então ele soltou, se virou, e saiu da quadra com seus amigos.

Neguin veio ao meu lado, massageando o ombro.

— Caralho, mano. A gente ganhou! Por que você está com essa cara?

— Porque — respondi, olhando para a porta onde Daniel desaparecera — ...isso não acabou. Está só começando.

Pamela estava ao meu lado, quieta. Ela tocou discretamente o bracelete azul no pulso, e pela primeira vez percebi — havia um símbolo gravado nele. Não nove pontos. Sete.

— Matheus — ela disse, tão baixo que só eu ouvi. — Eu preciso te contar uma coisa sobre meu pai. Sobre o que ele realmente faz. Mas não aqui. Não agora.

— Quando?

— Hoje à noite. — Ela olhou para os lados, nervosa. — No estacionamento. Depois que todo mundo for embora. Venha sozinho.

Ela se afastou antes que eu pudesse responder.

Fiquei na quadra vazia, o som dos meus próprios batimentos cardíacos ecoando nos ouvidos. O Núcleo estava aqui. Dentro da escola. Daniel era um deles. E Pamela... Pamela sabia de algo.

Meu celular vibrou. Uma mensagem de número desconhecido:

"Parabéns pela vitória. O Lobo gosta de brincar com a presa antes de matar. Cuidado com o convite de quarta-feira. - Um amigo"

Olhei ao redor. A quadra estava vazia. Mas no canto, perto das chuveiras, vi uma sombra se mover. O professor Bruno. Ele me acenou com a cabeça, uma vez, e desapareceu pelas portas dos fundos.

O jogo tinha acabado.

Mas a caçada... a caçada estava apenas começando.

O ar do estacionamento do Helsing era denso, úmido, carregado do cheiro de asfalto quente e escapamento de carros importados. O sol já havia se posto há horas, e as luzes de segurança projetavam sombras alongadas entre as colunas de concreto. Eu estava encostado no Corolla Cross, braços cruzados, observando a porta de vidro que levava ao corredor principal.

Quando Pamela apareceu, ela não estava mais com o uniforme. Usava um vestido preto curto, justo, de malha fina, cabelo castanho solto caindo em ondas pelos ombros. Os saltos altos faziam barulho seco contra o chão enquanto ela caminhava em minha direção. Não havia mais o ar de menina rica insegura. Agora ela se movia como quem sabe exatamente o quanto vale.

— Você veio sozinho — disse ela, parando a um metro de distância, os olhos varrendo o estacionamento vazio.

— Como você pediu.

Ela assentiu, aproximando-se mais. O perfume dela — algo com notas de baunilha e algo mais amadeirado, perigoso — invadiu meu espaço.

— Meu pai não é só um empresário, Matheus. — Ela falou baixo, quase um sussurro, mas cada palavra saiu cortada, precisa. — Ele é um Guardião. Um dos trinta e três espalhados pelo Brasil.

Senti um frio na espinha. Trinta e três. O número ecoou na minha cabeça como um sino de igreja.

— Guardião de quê?

— Da Seita, óbvio. — Ela revirou os olhos, mas havia tensão real ali. — Não pense que é glamour. Eles são... burocratas de sangue. Mantenedores das regras. O pai de Daniel era um deles. Otávio Karam. Era um dos mais antigos, respeitado, poderoso.

Ela fez uma pausa, olhando para trás, certificando-se de que estávamos sozinhos.

— Mas depois daquela noite no iate... eu ouvi meu pai falando ao telefone. Augusto mesmo deu a ordem. Otávio foi desligado. — Ela mordeu o lábio. — Não foi traição. Ele não traiu a Seita. Mas... ele falhou em algo. Perdeu o controle de alguma situação. E Augusto não perdoa falhas.

Lembrei-me de Otávio Barreto no iate. O homem poderoso, dono de metade da cidade, agora... descartado? A frieza da máquina da Seita me assustou mais do que qualquer violência física.

— Por que você está me contando isso? — perguntei, encarando-a.

Pamela deu um passo mais perto, tão perto que senti o calor do corpo dela contra o meu. Seus olhos castanhos, quase dourados na luz fraca, me perfuraram.

— Porque você é diferente. — Ela colocou a mão no meu peito, dedos longos e manicureados pressionando sobre o emblema da Seita que eu escondia sob a camisa. — Porque você deixou questões em branco quando deveria saber. Porque você venceu Daniel quando ele nunca perde. E porque... — ela engoliu em seco, a voz falhando por um segundo — ...porque naquela noite, quando eu perdi... você foi gentil. Mesmo podendo ter sido brutal, você foi gentil.

O silêncio entre nós pesou toneladas. Eu não sabia o que dizer. Não esperava... isso. Essa vulnerabilidade vinda dela.

— Eu vou conseguir o livro — disse ela, recuperando a compostura, o tom mandão voltando. — O livro que meu pai guarda no cofre do escritório. Tem informações sobre os Guardiões, sobre o Núcleo, sobre tudo. Mas vocês vão ter que ler e devolver em menos de vinte e quatro horas. Se ele perceber que sumiu...

— Entendido — respondi. — Quando?

— Amanhã à noite. Ele vai a São Paulo em reunião. A empregada tem a chave extra. Eu sei onde esconde. — Ela recuou, ajustando a bolsa no ombro. — Não se atrase, Matheus. E não faça nada estúpido até lá.

Ela se virou para ir embora, mas eu segurei seu braço. A pele era macia, quente, pulsando.

— Pamela... obrigado.

Ela olhou por cima do ombro, um sorriso torto no canto da boca.

— Não agradeça ainda. — Seus olhos endureceram. — Se meu pai descobrir, ele mata os dois. E não será rápido.

Ela saiu andando, os saltos ecoando no silêncio do estacionamento, até desaparecer na curva que levava à saída dos fundos. Fiquei ali, imóvel, processando tudo. Trinta e três Guardiões. O pai de Daniel desligado. O livro.

E então, uma certeza gelada: eu estava sendo arrastado para algo muito maior do que imaginava.

Caminhei pelos corredores do Helsing como um fantasma. A escola à noite era outro lugar — as luzes de emergência criavam sombras azuladas nas paredes de mármore, os quadros de artistas renomados pareciam observar com olhos vazios, e o silêncio... o silêncio era denso, carregado de segredos.

Lembrei-me das palavras de Pamela sobre Daniel. As quartas-feiras. A quadra de tênis abandonada. Rituais. Máscaras de animais.

Fui até lá primeiro. O acesso era por um corredor lateral que poucos usavam, próximo ao laboratório de robótica. As luzes estavam queimadas nos últimos dez metros. Pisei com cuidado, o som dos meus sapatos de couro parecendo tiros na quietude.

A quadra estava vazia. Realmente abandonada — a rede estava caída, o chão de saibro rachado, o placar eletrônico apagado. Havia marcas no chão, sim, mas de tênis mesmo. Nada de rituais. Nada de velas.

Mas eu sabia que não era lá. Pamela dissera "quadra de tênis abandonada", mas o olhar dela... ela mentira. Ou omitira.

Voltei pelos corredores, agora sem destino, apenas deixando os instintos me guiarem. O Helsing era enorme — três prédios interligados por passarelas de vidro, subsolos que poucos conheciam, anexos escondidos atrás de portas que pareciam armários de manutenção.

Foi quando vi.

No final do corredor do ala leste, próximo às salas de música, uma figura se movia. Era um aluno — eu reconheci o blazer azul-marinho, mas por cima... por cima ele usava uma capa. Não era o uniforme. Era algo escuro, pesado, que chegava até os pés. O capuz estava levantado, escondendo o rosto.

Meu sangue gelou.

Ele caminhava rápido, mas não correndo. Passou por uma porta que eu jurava ser um depósito de material de limpeza — eu a tinha visto dezenas de vezes durante o dia, sempre trancada. Mas agora... agora ele a abriu com uma chave, entrou, e a porta se fechou atrás dele.

Esperei trinta segundos. Contei mentalmente, o coração batendo nos ouvidos. Então me aproximei.

A porta era de madeira escura, envernizada, com uma placa pequena que dizia "DEPÓSITO - ACESSO RESTRITO". Tentei a maçaneta. Trancada.

Mas ao lado, havia uma escotilha no chão. Um acesso de manutenção, semi-aberto, como se alguém tivesse passado por ali recentemente e não fechado direito. Puxei com cuidado. O metal rangiu, mas abriu.

Escuridão total.

Desci por uma escada de ferro estreita, rangente a cada passo. O ar mudou — ficou úmido, velho, cheirando a mofo e... incenso? Sim. Incenso e algo mais. Algo doce e pesado, como sangue velho.

A escada terminou em um corredor de concreto bruto, iluminado apenas por luzes de emergência espaçadas. Eu estava nos subsolos. Não nos porões comuns que eu conhecia — isso era mais profundo. Isso era antigo.

Segui o som.

Inicialmente, não havia nada além do zumbido dos geradores. Mas depois... vozes. Baixas, cantando algo em uníssono. Não era português. Não era latim. Era algo mais antigo, gutural, que fazia os pelos dos meus braços se eriçarem.

O corredor terminava em uma porta dupla de metal, enferrujada, com uma fresta no centro. Aproximei-me devagar, arrastando os pés, o suor escorrendo pelas costas apesar do frio.

Olhei pela fresta.

Era um auditório. Não os modernos e tecnológicos do andar de cima. Era antigo, circular, com arquibancadas de madeira escura subindo em anfiteatro. No centro, no palco de madeira, havia... um altar. Não cristão. Algo pagão. Pedra negra, com sulcos que pareciam canais para líquidos.

E havia gente.

Cinco figuras de capuz escuro, formando um círculo ao redor do altar. E no centro, sobre a pedra, uma jovem.

Ela devia ter uns dezoito anos, mestiça, pele dourada, cabelos cacheados escuros espalhados como leque sobre a pedra. Estava completamente nua. O corpo era jovem, firme — seios médios mas perfeitos, barriga lisa, pelvis larga, coxas grossas. Não era uma modelo magra. Era uma mulher real, curvilínea, sensual. Os olhos estavam fechados, mas ela não parecia dormir. Parecia... em transe.

E então, um deles removeu o capuz.

Daniel.

Seu rosto estava pintado. Linhas azuis fluorescentes, brilhando fracamente na luz das velas que cercavam o altar. Ele sorria — não o sorriso de predador que eu conhecia. Algo mais profundo. Mais velho.

— Irmãos — disse ele, a voz ecoando no espaço vazio. — A oferenda está pronta. A lua está no céu. O portal se abre.

Os outros quatro removeram os capuzes. Eu reconheci três: Enzo e Lourenço Moreira, os gêmeos, e Rafael Dias. O quinto era um garoto que eu não conhecia, asiático, provavelmente Kenji, mas agora eu tinha certeza — não eram apenas amigos ricos. Eram algo mais.

— O Núcleo aceita sangue e semente — continuou Daniel, começando a remover a capa. Por baixo, ele estava nu. O corpo era atlético, definido, mas... pequeno. O pau, mesmo ereto, não passava de quinze centímetros, fino, quase ridículo comparado ao que eu estava acostumado a ver nos rituais da Seita. — Aceita nossa devoção. Aceita nossa entrega.

Ele se aproximou da jovem no altar. Ela abriu os olhos — estavam vidrados, pretos, como se a pupila tivesse engolido o branco. Droga. Ela estava drogada.

— A irmã Maya oferece seu corpo — disse Daniel, passando as mãos pelos seios dela, apertando os bicos até ela gemer baixo. — Oferece sua carne para os Antigos. Para os Nove que dormem.

Ele se posicionou entre as pernas dela. Os outros quatro se aproximaram, formando um círculo mais fechado. Todos estavam nus agora. E todos eram... pequenos. Rafael era o maior, talvez dezesseis centímetros, grosso, mas nada comparado a Neguin ou Paulo, que eu sabia serem maiores. Os gêmeos eram idênticos até nisso — quatorze centímetros cada, curvos, estranhamente simétricos. Kenji era o menor, não passava de treze, fino como um dedo.

Daniel penetrou Maya devagar. Ela arqueou as costas, gemendo, mas não parecia dor. Parecia êxtase.

— O primeiro selo — grunhiu Daniel, começando a socar. — Que nossa semente abra o caminho!

Os outros quatro começaram a se masturbar, formando um círculo ao redor do casal central. As velas tremiam com o movimento do ar. O incenso queimava meus olhos.

Daniel metia com força, apesar do tamanho. Ele segurava os quadris de Maya, puxando-a contra si, tentando ir mais fundo, mas seu pau simplesmente não alcançava onde ele queria. Maya gemia, as pernas envolvendo a cintura dele, mas havia algo mecânico nos gemidos. Programado.

— Mais! — gritou Daniel. — Todos juntos!

Rafael se aproximou primeiro. Ele empurrou Daniel para o lado — não com raiva, mas como parte do ritual. Daniel saiu, e Rafael entrou. Maya gemiu mais alto. Rafael era mais grosso, preencheu mais, e ela reagiu de verdade dessa vez, as unhas cravando nos ombros dele.

— O segundo selo! — gritou um dos gêmeos, ainda batendo punheta.

Rafael metia com força, o corpo musculoso tensionando, suor escorrendo pelo peito. Ele durou pouco — gozou dentro dela em menos de dois minutos, jorrando com um grunhido animal, e recuou, o pau ainda pulsando, branco de porra.

Os gêmeos foram juntos. Não um de cada vez — juntos. Posicionaram-se de lados opostos, um na boca, outro na buceta. Maya abriu-se para eles, recebendo os dois. Eles metiam em sincronia, como se compartilhassem um cérebro. O som era obsceno — bocas molhadas, carne batendo, gemidos abafados.

Daniel observava, masturbando-se freneticamente, os olhos vidrados de fanatismo.

— O sangue e a semente! — ele cantava, uma ladainha. — O velho e o novo! O Núcleo eterno!

Kenji foi o último. Ele era pequeno, mas violento. Metia com raiva, como se quisesse punir Maya por algo. Ela chorou dessa vez, lágrimas reais escorrendo pelo rosto, mas não resistiu. Não podia.

Quando Kenji gozou, ele gritou algo em outra língua — não palavrões, mas palavras antigas, guturais. E então, algo estranho aconteceu.

As velas apagaram. Todas de uma vez.

O escuro foi total por um segundo. Quando as luzes de emergência voltaram, fracas, piscantes... Maya estava sentada no altar. Sozinha. Os cinco homens estavam ajoelhados ao redor dela, de cabeça baixa, como se estivessem em transe.

E havia algo na pele dela. Marcas. Runas ou símbolos, desenhados em algo escuro — tinta? Sangue? — brilhando fracamente.

Eu não esperava para descobrir.

Recuei devagar, passo a passo, segurando a respiração. Meu coração batia tão alto que achei que eles ouviriam. Mas não. Eles estavam em outro lugar. Em outro mundo.

Quando cheguei à escada, corri.

Subi pelos corredores como se o diabo estivesse no meu encalço. Não parei até chegar ao pátio central, onde as luzes normais me cegaram por um segundo. Ofegante, suado, encostei-me em uma coluna de mármore, tentando respirar.

— Matheus!

Neguin e Paulo surgiram das sombras perto da biblioteca. Eles pareciam tensos, mas inteiros.

— Caralho, mano, onde você estava? — Neguin chegou perto, cheirando o ar ao meu redor. — Você está fedendo a... incenso? E a... porra?

— Vocês estavam onde? — perguntei, ainda ofegante.

— Seguindo os capangas do Daniel — disse Paulo, a voz baixa. — Eles se encontraram na cantina depois das aulas. Ficaram duas horas lá, falando baixo. A gente conseguiu chegar perto. — Ele fez uma pausa, olhando para os lados. — Eles não são só amigos ricos, Matheus. Eles estão procurando algo. Alguém. Falaram em "o infiltrado". Em "o olho que não deveria estar aberto".

— Eles sabem de você? — perguntei, sentindo o estômago revirar.

— Não — Neguin balançou a cabeça. — Mas estão desconfiados. Muito desconfiados. Daniel perguntou especificamente sobre você. Sobre sua família. Sobre sua mãe.

Minha mãe. O frio voltou.

— Precisamos ir — falei, já andando. — Agora.

— Para onde?

— Para ver Edna e Isabela. Preciso ter certeza de que estão bem.

O apartamento de Edna ficava no anexo dos professores, um prédio de três andares separado do complexo principal. Subi as escadas de dois em dois, Neguin e Paulo me seguindo. Quando cheguei à porta 4E, bati com força.

Edna abriu. Ela estava... diferente.

Não usava mais o uniforme formal de professora. Estava de camisola branca, fina, curta, que mal cobria as coxas. Por baixo, via-se a renda preta de uma lingerie elegante. O cabelo castanho caía solto sobre os ombros, ainda molhado de um banho recente. Seus olhos, em vez do cansaço habitual, tinham um brilho... vivo.

— Matheus — disse ela, surpresa, mas não descontente. — O que você faz aqui? E tão tarde?

— Preciso ver vocês. Isabela está aqui?

— Está. Estamos estudando.

Edna abriu a porta. O apartamento estava diferente — havia livros espalhados por toda parte, não apenas de arte, mas de literatura clássica, filosofia, história. Velas aromáticas queimavam em cantos, criando uma atmosfera quente, íntima, perigosamente acolhedora.

Isabela estava sentada no sofá, também de camisola — a dela era azul-marinho, combinando ironicamente com o uniforme da escola. Ela tinha um caderno no colo, óculos de leitura na cabeça, e uma expressão de concentração que se dissolveu em surpresa ao me ver.

— Matheus? — Ela se levantou, a camisola subindo mais ainda, revelando as coxas grossas, a pele clara. — O que houve? Você está pálido.

— Nada — menti, tentando sorrir. — Só queria ver como vocês estavam. A nova escola... o nível de exigência...

— É brutal — Edna completou, fechando a porta atrás de Neguin e Paulo, que entraram hesitantes, olhando para o chão como se tivessem entrado em um santuário proibido. — Estamos tentando nos atualizar. Isabela precisa de reforço em literatura comparada, eu em teoria da arte contemporânea.

Isabela se aproximou de mim. O perfume dela — algo floral, barato, mas delicioso — misturou-se com o aroma das velas. Ela estava tão perto que podia ver os poros da pele, as olheiras que a maquiagem não cobria completamente, a boca entreaberta em preocupação.

— Você está tremendo — disse ela, tocando meu braço.

— Estou bem — menti de novo.

Mas eu não estava. O sangue ainda fervia com o que eu vira no subsolo. E agora, ali, naquela sala quente, com duas mulheres que eu amava de formas diferentes — uma que eu havia salvo e outra que eu havia falhado em salvar — vestidas apenas em camisolas finas, com o cheiro de pele limpa e desejo reprimido no ar...

Algo em mim quebrou.

Não foi consciente. Ou talvez tenha sido.

Eu estava atrás de Isabela, passando a mão em sua cintura, descendo para a bunda grande e macia, apertando através do tecido fino da camisola. Ela suspirou, não de surpresa, mas de... reconhecimento. Como se esperasse.

— Matheus... — ela sussurrou, mas não se afastou.

Edna estava ao meu lado. Virei-me para ela, minha outra mão subindo, tocando seus seios através da renda, sentindo os bicos endurecerem sob meus dedos. Ela arqueou as costas, um gemido baixo escapando.

— Vocês percebem... — comecei, a voz rouca, — ...que eu não sou um bom homem, né?

— A gente percebe — disse Edna, os olhos vidrados. — Mas é por isso que estamos aqui.

Isabela se virou em meus braços. Seus olhos encontraram os meus, e havia lágrimas neles, mas também fogo.

— Você me salvou daquela cela — disse ela, a voz tremendo. — Mesmo não conseguindo me salvar de tudo. Você voltou. Você sempre volta.

— Eu escolhi Edna — confessei, a culpa pesando. — Quando podia ter escolhido você.

— Eu sei — ela sorriu, triste. — E eu odiei você por isso. Mas agora... agora eu entendo. Você estava tentando nos salvar a todas. Da única forma que sabia.

Edna se aproximou por trás de mim. Seus seios pressionaram minhas costas, suas mãos envolveram minha cintura. Estava entre as duas, o calor delas me consumindo.

— Não precisa escolher hoje — sussurrou Edna no meu ouvido. — Hoje... só fique.

Mas eu não podia.

A imagem do ritual voltou. As velas. Os símbolos. O Núcleo.

— Eu não posso — disse, afastando-me, a voz falhando. — Não agora. Não até... não até saber que vocês estão realmente seguras.

Isabela me olhou, confusa, ferida.

— Você não confia em nós?

— Eu não confio em mim — respondi, já indo em direção à porta. — Desculpem.

Saí do apartamento como se fugisse de um incêndio. Neguin e Paulo me seguiram, confusos, deixando Edna e Isabela paradas no meio da sala, seminuas, sem entender.

No corredor, encostei na parede, a respiração ofegante.

— Mano... — Neguin começou.

— Não — cortei. — Não fala nada. Só... vamos embora.

Fui para o meu apartamento. Travei a porta. Deitei na cama, olhando para o teto, o corpo ainda tremendo com o desejo não saciado e o medo do que eu havia visto.

O Núcleo estava aqui. Dentro da escola. E Daniel... Daniel era o lobo deles.

E eu, Matheus, suposto nível 12 da Seita, suposto protetor das mulheres que amava, não passava de um rato perdido em um labirinto de cobras.

O sono veio pesado, carregado de sonhos de velas negras, runas brilhantes, e o som de risadas que não eram humanas ecoando nos corredores escuros do Helsing.

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Comentários

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Fico pensando senão seria interessante um dos outros personagens masculinos começarem a seduzir a Isabela, sem assédio ou algo muito forçado, só para gerar uma competição e atrito com o personagem principal.

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Caraca... nebuloso e estranho.. Muito curioso, não só pelos rituais, mas pela expulsão do cara grandão da Seita. Tá muito legal.

Fiquei com dó da Isabela, ta confusa, meio perdida. E ele só está dando mancada com ela. Edna é esperta, mais safa, sabe jogar o jogo. Quem diz amar todas, não ama ninguém.

Muito bacana essa interaçao dele com a Pamela. Se se unirem serão bem fortes. Pelo jeito ela está apaixonadinha por ele. Parece o mais genuíno, as outras duas aparentam ser carência e desejo.

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