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Desonra

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Um conto erótico de
Categoria: Gay
Contém 935 palavras
Data: 25/06/2026 13:19:49
Assuntos: Fantasia, Gay

Capítulo 1

A carruagem se move perigosamente rápido pela estrada sinuosa. Olho para o céu tentando esquecer o imenso precipício à minha esquerda. Uma curva em falso e esse veículo cai de encontro ao chão.

Uma majestosa lua banha o vale com sua luz prateada, facilitando a visibilidade. Não irá demorar muito agora. Desço os olhos para as minhas mãos presas por algemas de ferro, meus pulsos não param de doer.

Durante três longos dias fui escoltado como prisioneiro. Passamos por pradarias, florestas densas e regiões rochosas cheias de lobos e ladrões. Em nenhum momento meu pai falou comigo. Ele está agora na frente liderando seus homens, sempre austero e frio como sempre. Seus homens não são diferentes, eles se escondem por capuzes pretos e não falam mais do que o necessário. Em nenhum momento os ouvi cantando, contando histórias ou fazendo uma simples piada. Mas o que se poderia esperar? Todos conhecem a história do mal que habita na montanha. Subir ao topo desse colosso rochoso é a mesma coisa que se aproximar do inferno. Conheço bem as lendas. A maioria das pessoas tenta evitar falar disso, como se fosse um grande tabu.

Escuto um uivo ao longe, a floresta abaixo é repleta de lobos. Fugir desse lugar é quase impossível. Se a fome e o frio não me matarem as bestas selvagens farão isso. Daqui, a morte é a única saída. Nada mais justo para alguém como eu. Meu pai nunca me perdoará pelo que fiz. Sou uma desonra para toda a minha família, mas no fundo sei que fiz a coisa certa e um dia ganharei meu perdão, seja nesta ou em outra vida.

Tento me segurar em alguma coisa, o condutor deve ter feito uma curva acentuada. Olho de volta para a janela e vejo um grande castelo à frente. Sinto um pequeno calafrio, só pode ser o nosso destino final. Não parece um lugar habitado, não há luz em lugar algum e as paredes do edifício estão visivelmente danificadas. De qualquer forma sinto o clima pesar e meu coração encher de receio. Fechou meus olhos e digo para mim mesmo que será uma morte rápida. Afinal, que outro destino espera os que chegam aqui?

Os cavalos relincham e a carruagem para. Um soldado abre a porta e me puxa com força para fora, como se eu resistisse. Estou cercado por rostos escondidos por capuzes. O que será que eles pensam sobre toda essa situação? Será que algum deles tem pena de mim?

O soldado me põe frente a frente com meu pai. Não vejo um olhar paterno em seu rosto. Nunca vi, na verdade. Seus olhos não me dizem nada, mas em sua boca consigo enxergar uma pequena expressão de nojo. Confesso que toda essa frieza faz meus olhos lacrimejarem e o desesperando que antes tinha superado volta com mais força.

— Por favor, pai. Eu sou seu filho!

Ele olha nos meus olhos.

— Você não é mais meu filho. Perdeu esse direito quando fez a sua escolha — disse ele, irredutível.

De todas todas as feridas que meu pai já me deu, aquela foi a mais profunda. Sinto minhas pernas fraquejarem quando o soldado me puxa novamente pelo braço. Ouço um estrondo que mais parece um trovão se não for pelas dobradiças enferrujadas. Estamos de frente para as muralhas do castelo e o portão se abre, sozinho.

— Por favor, pai! — imploro, mas ele dá as costas para mim.

Sou arremessado de cara pro chão para as dependências do castelo, e lá fico.

O portão se fecha novamente e o único som que ouço é o dos cascos dos cavalos se distanciando. Pelo menos agora posso chorar sozinho, é menos vergonhoso. Estou tão cansado e faminto… Tudo que quero neste momento é ficar aqui contra o chão e esperar que o frio da noite me mate.

Mal termino de dizer isso e ouço um novo barulho, parece ser o som de passos se aproximando. Levando a cabeça e enxergo alguém se aproximando. É um rapaz, parece ter a minha idade, ele se aproxima calmante de mim de forma serena.

— Quem é você?

— Não tenha medo, não vou machucá-lo se é o que está pensando.

E de fato era o que eu estava pensando. De fato, sua aparência não era assustadora. Seu cabelo e olhos castanhos são escuros como a noite e a luz da lua combina com sua pele pálida. Todas essas características lhe dão uma curiosa aura de mistério, mas o ambiente coopera um pouco, é como se ele fosse uma entidade ausente daquela desolação.

— Eu me chamo Conrad e sou servo de Lorde Brian. Vim recebê-lo.

— O que está acontecendo aqui? Esse lugar parece estar abandonado.

— De fato, mas temos poucos servos aqui e o mestre não liga muito para certos luxos…

— Ele é tudo que dizem? — perguntei, com a voz trêmula.

— Sim — disse, de forma direta.

— O que ele vai fazer comigo?

Conrad me encarando por um bom tempo, como se procurasse uma resposta certa.

— Não se preocupe por enquanto. Você não vai morrer. Não entre em pânico e faça tudo o que ele disser.

Esse conselho não me acalmou. Afinal, eu nem conheço ele, como vou saber se não está me enganando?

— E como vou poder confiar em você? Eu nem ao mesmo te conheço…

— Você não tem escolha — respondeu, estendendo a mão para mim.

Sem alternativas aceito sua ajuda. Ao tocar em sua mão sinto uma enorme força contraindo meus dedos, o que me faz sentir vergonha de estar naquele estado vulnerável. Acho que ele percebeu e do bolso tira um lenço.

— Pegue, e limpe seu rosto.

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