- É, cuckqueen... Cuckqueen é o feminino de cuckold. É a mulher que sente prazer ou de alguma forma aprecia ver seu homem com outras mulheres. Que dizer, nem todo mundo quer ver, tem gente que só gosta de saber, até arrumado parceiro para o date. A maioria que eu conheço gosta de assistir.
- Eu? Eu gosto é de assistir. Sim, ele com outra, com outras. Não é só sexo, gosto de ver flertando, passadas de mão escondidas em restaurantes. Fico putíssima mas me dá tesão. É doutor, tesão. Quando a gente chega no motel, já estou encharcada. Claro, sempre em motel, eu lá vou botar gente estranha dentro da minha casa?
- Que? É, sempre garotas de programa. É mais tranquilo, é mais seguro. Desconhecidas nem sempre se cuidam, profissionais a gente pode esperar um mínimo de segurança, não passam doenças, estão bem higienizadas e cheirosas. Não, a pior coisa é sair com amigas e conhecidas. Muita encheção de saco, porque não me ligam mais, vamos sair conhecer um casal ótimo que conheci na casa de swing. Tem as carentes, se apaixonam, querem relação. Tem as traíras, que vão pelas costas da gente fazer propostas para o marido. Não doutor, é GP mesmo que não preciso dar na cara de ninguém.
- O senhor ri mas eu faço academia todo dia, corro, faço pilates e jiu-jitsu. Se o senhor apertar a minha bunda , olha, é mais durinha que qualquer garotinha de dezoito. Aqui é um metro e quarenta e sete de puro músculo e fogo.
- Ah sim, então, eu mesma, eu gosto de ver. Fico sentada em uma cadeira, às vezes na cama e assisto tudo, xingando. Claro, doutor, na tara tem disso também. Descasco os dois com ofensas e eles me respondem com humilhação. É corna para cá , puta para lá, broxa no meio.
- Olha, doutor, fico furiosa, poderia estrangular os dois MAS também fico transtornada de tesão. É o marido sabe, quando chegar em casa vai ter que dar conta de mim. Claro, doutor, fica gastando o que é meu na rua com piranha, não se atreva a deixar faltar leite em casa! Às vezes, não dá tempo nem de chegar em casa, é ali mesmo, na frente da garota. Tem umas que ficam horrorizadas. Teve uma que brincou que meu marido precisava tomar a antirrábica depois que eu acabei com ele. He, he.
- Ah, doutor, como nunca ouviu falar disso? Tem até santo padroeiro do cuckold. É Santo Arnoldo de Soissons. Arnoldo já é nome de corno. Não tem nenhum Arnoldo aqui, não, né? Se tiver, estou mais ferrada. Mas que é nome de corno, isso é.
Aham, tá certo. Voltando à história, hoje, tinha alguma coisa diferente. Meu fogo estava diferente. Chegamos no motel, ela era diferenciada. Bem altinha, mais alta que ele, até. O corpo atlético, cabelo curtinho, quase militar. Bem tomboy. Carregava uma maleta. Recheada com ferramentas do ofício, provavelmente. Nos preparamos. Tiramos a roupa. Ele, dobrando bonitinho a dele, parece que vai colocar na gaveta. Eu, já arrancou a minha e onde pousar, pousou.
- A garota ficou de regatinha e tanga. Juro por Deus, doutor, parecia a Sigourney Weaver no Alien. Aquilo me deixou desequilibrada. Perguntei, polidamente, se ela tinha algemas. Ela tinha. Entreolhei o interior da maleta dela. Parecia a maletinha dimensional do Gato Felix. Tinha de tudo lá dentro. Testei as algemas. Eram boas, militares, não aquela porcariada de sex shop. Gostei dessa menina!
- Fui carinhosamente conduzindo o marido para a cama. Deixei-o sentado, relaxado e... passei-lhe as algemas pela cabeceira tubular. Falei para ele, com petulância: Hoje você vai comer do que eu der. Me atranquei com a grandona. Aquela tanguinha de Sigourney Weaver, arranquei com os dentes. Fiz miséria com ela. Os diálogos eram uma baixaria. Por pena, não vou reproduzir aqui o que falamos, doutor. Melhor o senhor manter a inocência.
- O que posso dizer é que falamos tudo que costumamos falar e mais um pouco. Rolou até xingamento novo, não dicionarizado. Foi quando ela me pegou com o cintaralho. Que? É aquele cinto com um brinquedão acoxado que a gente usa para comer os outros. É, chama cintaralho. He, he. Então quando ela veio de cintaralho, aí acabou comigo, eu não conseguia parar de gozar, doutor, parecia que estava no cio. E eu gritava para o meu corninho: Tá vendo? É assim que se fode, corno!
- Isso, então, fiquei desabada na cama ronronando feito uma gatinha. Esfreguei a cabeça no marido acariciando. Foi quando eu ouvi um soluço. Fiquei alerta na hora, a adrenalina cortou o barato da endorfina e ocitocina. Me pus de pé não sei como, pronta para aplicar uma massagem cardíaca ou enfrentar os quarenta ladrões do Ali Babá.
- Mas ele só estava chorando doutor. CHORANDO! Aquilo me ferveu o sangue. Vi tudo vermelho, doutor. Dei na cara dele, dei mesmo. Dei com gosto, dei com vontade, dei pra doer. Ah, e estava gritando: Deixa de ser fresco Carlos Alberto! Vou te dar motivos pra chorar!
- É, foi sim. Ela ainda estava no quarto, ficou assustada. Deve ter achado que ela era a próxima a apanhar, né? Não me ressinto por ela ter chamado a polícia, eu teria feito o mesmo.
- O Carlos Alberto, o senhor viu que está bem, foi lesão corporal moderada. Existe isso? Só tomou uns pontos no supercílio e, quando o rosto desinchar, ele vai ter o nariz de pugilista. Vai ficar sexy, o senhor já viu? Fica com aquela cara amarrotada de bad boy. Ele mesmo falou para o senhor que está tudo bem, não falou? Não me faz passar a vergonha de dormir no xadrez, doutor.