Não fiquei muito mais naquele jantar, estava passando mal, com náuseas, e resolvemos ir embora. No carro, um silêncio pesado tomava conta de tudo. O Diego mantinha os olhos fixos na pista, enquanto eu apenas olhava pela janela, perdida em pensamentos aleatórios. Olhava pela janela os prédios e outros carros enquanto seguíamos para casa, enquanto eu pensava em tudo que estava acontecendo. Até que ele resolveu quebrar o silêncio.
— Marina, você está quieta demais. Tem alguma coisa acontecendo?
— Nada, Diego. Em casa a gente conversa — respondi, seca.
— Tem certeza disso? — Ele voltou a perguntar. Concordei com a cabeça, e assim seguimos.
O silêncio voltou a tomar conta do carro até chegarmos em casa. Logo subimos para o apartamento. Permanecia quieta, olhando para um lado e outro, enquanto estávamos no elevador. Quando chegamos, ao abrir a porta, eu avancei para o sofá, enquanto Diego tirava o paletó, e comecei a tirar os brincos e as joias que tinha usado durante o jantar. Foi então que resolvi voltar ao assunto.
— Diego, eu posso confiar em você? — Perguntei. Ele apenas disse que sim, então eu fui direta:
— Eu quero que você me responda com sinceridade, Diego. Por acaso, a Débora, com quem eu peguei você conversando, é aquela sirigaita?
Ele ficou calado por alguns segundos, não sabia se estava tentando pensar em algo, ou se tinha realmente alguma coisa e tudo não passava de paranoia minha.
— Marina, ela trabalha com o Otávio, não comigo. Está bem? Eu falei com ela apenas uma vez, quando ela me ligou para falar de negócios com o Otávio — ele se defendeu.
— Entendi. Vou confiar em você — eu disse.
Porém, percebi que aquilo o deixou inquieto. De repente, foi ele quem rebateu a pergunta para mim.
— Agora me diz você, amor... de onde você conhece essa mulher? Por que você está chamando ela de sirigaita?
Fiquei em silêncio por um tempo, pesando as palavras, e então olhei bem nos olhos dele:
— Olha, antes de você, eu tive um namorado. Digamos que essa mulher começou a se aproximar, se fez de minha amiga, mas ao mesmo tempo estava lá flertando com ele, dando em cima dele.
O Diego continuava escutando atentamente, mas notei que alguma coisa parecia muito estranha com ele. Mesmo assim, continuei:
— Até que um belo dia, ele acabou terminando o nosso relacionamento, dizendo que estava apaixonado por outra pessoa e que gostaria de viver esse amor com ela. E eu aceitei... com muita dor no coração na época, mas aceitei. Achei decente da parte dele, pois se fosse outro, talvez estivesse me traindo. Mas o que mais doeu foi que ele acabou assumindo o namoro justamente com aquela vagabunda! Ela se fez de minha amiga esse tempo todo. Quando eu fui falar com ela sobre o término do meu namoro, a cínica fingiu de boa moça, até me abraçou. Depois, os dois se assumiram... Tudo isso para, dois anos depois, arruinar a vida do meu ex-namorado.
Diego continuou inquieto, mas atento a minha história. Logo, ele veio até mim, compreendendo a situação:
— Entendi... Você realmente tem razões para não gostar dela — disse o Diego, vindo até mim e me dando um abraço. — Mas você não precisa ter esse medo comigo. Eu jamais trocaria você por qualquer outra pessoa. Além do mais, como eu já falei, o meu lance com ela é estritamente profissional e ela nem trabalha comigo.
— Tudo bem, eu acredito em você — eu disse, cedendo ao abraço.
— Foi por causa disso, então, que você quis ir embora e tomou todo aquele cuidado para que ela não te visse? Para evitar qualquer coisa? — ele indagou.
— Sim — confirmei. — Agora, eu só não entendo como o Grupo Valente tem coragem de contratar uma vagabunda daquelas...
— Bom, você sabe que o lado pessoal não pode se misturar com o profissional. E, pelo que eu sei, ela é bastante competente por lá.
— Tá bom. — Respondi.
Eu preferi não dizer mais nada sobre o assunto. Apenas olhei para o meu marido, disse que estava cansada, e estava mesmo. O dia foi bastante cansativo.
— Irei tomar banho, amor. Depois, vamos dormir.
Fui para o banheiro e ligo o chuveiro, e por um instante, vejo a água cair, e tudo que eu queria era me enfiar embaixo dela e deixar tudo ser levado embora comigo. Eu enfim entro dentro da box. Estava debaixo do chuveiro, deixando a água quente cair sobre meus ombros e escorrer pelo corpo, relaxando os músculos depois de um dia longo. O vapor enchia o box, e eu tinha os olhos fechados, passando as mãos devagar pelo cabelo molhado, sentindo o sabonete deslizar pela pele.
De repente, a porta de vidro se abriu. Levei um susto e abri os olhos. Diego estava ali, já nu, com aquele olhar faminto que eu conhecia tão bem. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele entrou, fechou a box atrás de si e me puxou contra o corpo dele. A água quente nos molhava juntos agora.
— Diego… O que você está faz... — consegui sussurrar, mas ele não me deu tempo.
Sua boca tomou a minha com urgência, num beijo molhado, quente e profundo. Seus lábios eram firmes, sua língua invadiu a minha com desejo, enquanto suas mãos grandes deslizavam pelas minhas costas molhadas e apertavam minha bunda, me prensando contra ele. Senti seu pau já duro roçando contra minha barriga, latejando, quente, mesmo com a água caindo sobre nós.
— Ah, Diego... — Disse, com a voz rouca, embargada, ele me respondeu, com os lábios colados com os meus.
— Estou cheio de tesão da minha mulher. Minha gostosa.
Ele voltou a me beijar, logo em seguida. Gemi contra a boca dele, correspondendo ao beijo com a mesma fome. Minhas mãos subiram pelo peito molhado, sentindo os músculos tensos, e envolveram seu pescoço, puxando-o mais para mim. A água escorria entre nossos corpos, tornando tudo mais gostoso, sensual.
— Eu te quero agora — ele murmurou rouco contra meus lábios, descendo a boca para o meu pescoço, chupando e mordiscando enquanto uma mão subia e apertava meu seio, beliscando o bico já duro.
Eu arqueei o corpo contra ele, sentindo um calor subir entre as minhas pernas. Diego me virou de frente para a parede de azulejos, pressionando meu corpo ali. A água batia nas minhas costas enquanto ele beijava minha nuca e esfregava o pau duro entre as minhas nádegas, deslizando para cima e para baixo, me provocando.
— Por favor… — pedi, quase sem voz, empinando a bunda para ele.
Ele não esperou. Com uma mão firme na minha cintura, posicionou a cabeça grossa do pau na minha entrada e empurrou devagar, me abrindo centímetro por centímetro. Soltei um gemido longo quando ele me preencheu por completo, tão fundo, tão grosso. Diego gemeu no meu ouvido, mordendo o lóbulo enquanto começava a meter.
As estocadas eram firmes, ritmadas, fazendo meu corpo bater contra os azulejos molhados. Cada vez que ele entrava, eu sentia suas bolas encostarem em mim, e o som molhado da pele batendo, com os nossos gemidos, se misturava ao barulho da água. Eu rebolava contra ele, apertando-o por dentro, louca de tesão.
Diego passou o braço ao redor da minha cintura, descendo a mão até meu clitóris, esfregando em círculos rápidos enquanto metia mais forte. Minhas pernas tremiam.
— Isso, amor… assim… — gemi, virando o rosto para beijá-lo de lado, com nossas línguas se encontrando no meio do cair da água sobre nós.
Ele aumentou o ritmo, socando fundo, com seu corpo colado no meu, pele molhada contra pele molhada. O prazer subia rápido, quente, quase insuportável. Apertei as mãos contra a parede, empinando mais, sentindo ele me preencher inteira a cada estocada.
— Goza pra mim, Marina — ordenou rouco no meu ouvido, apertando meu clitóris com mais pressão.
Eu gozei forte, tremendo inteira, apertando o pau dele em espasmos enquanto gritava o nome dele. — Ohh Diego, porra! Ohhh Amooor... — Diego me segurou firme, meteu mais algumas vezes fundo e gozou logo depois, pulsando quente dentro de mim, enchendo-me com jatos longos e grossos enquanto gemia meu nome contra meu pescoço.
— Minha esposa gostosa, que delícia!
Ficamos assim por um tempo, com o caralho dele dentro de mim, e a água caindo sobre nossos corpos suados e satisfeitos. Diego me virou devagar, me beijou com carinho agora, mais lento, cheio de amor, enquanto me abraçava por baixo da água quente.
— Eu te amo — sussurrou contra meus lábios.
Sorri, ainda ofegante, e o beijei de volta, e naquele momento, esquecemos de tudo, dos problemas, dos questionamentos, dos segredos.
Durante a noite, enquanto estávamos dormindo, acabei sendo acordada por um grito do meu marido. Olhei para o lado e o Diego estava sentado na cama, com o corpo completamente suado e o rosto visivelmente abalado. Eu me arrastei até ele, levei uma das mãos até o seu peitoral e o virei para olhar em seus olhos. O olhar dele estava sombrio, como se tivesse acabado de sair de um pesadelo terrível.
— Amor, o que aconteceu? — perguntei.
— Nada, Marina, foi só um pesadelo... — disse o Diego, ofegante.
— Quer me contar o que aconteceu?
— Não, amor — ele respondeu logo em seguida. Ele se arrastou um pouco na cama, levou a mão até o meu cabelo e depois beijou a minha testa. — Não se preocupe, amor. Como eu disse, foi só um pesadelo. Deve ser o estresse. Logo vai passar.
— Então vem dormir de novo aqui, amor — eu disse, batendo no meu lado da cama, e ele veio.
Mas aquela não foi a única vez que o Diego teve esses pesadelos. Em várias outras noites, ele acabou tendo sonhos parecidos, e eu sempre acordava junto com ele, abraçando-o antes de voltarmos a dormir. Tirando isso, o nosso casamento estava indo bem, tudo parecia tranquilo.
Tivemos aquele almoço em que meu pai finalmente foi lá em casa. Ali, ele conheceu o genro. O Diego também o conheceu, e nós três tivemos um dia bem amistoso. Contamos piadas, falamos sobre a vida uns dos outros, mas não tocamos no assunto principal: o meu passado e o do Pedro. Eu optei por, por enquanto, deixar as coisas como estavam. Até porque o meu marido começou a ter alguns comportamentos estranhos... Às vezes, ele passou a beber de madrugada depois de acordar, e em outras ocasiões, chegava muito tarde em casa.
Nisso, se passaram seis meses. A minha barriga já estava aparecendo, e eu estava comemorando a marca de 100 mil exemplares vendidos do meu livro, que estava fazendo um sucesso enorme no meio da fantasia romântica. Mas o nosso casamento havia esfriado novamente. O Diego voltou a ficar mais ausente, muitas vezes avoado quando eu chamava a atenção dele. Tudo aconteceu naquela quarta-feira, 6 de maio.
— Amor, estou indo — disse o Diego, pegando as suas coisas para sair.
Eu estava sentada no sofá, com a mão na barriga, olhando para ela. Fiquei pensando nos últimos meses e em como o nosso casamento estava seguindo cheio de altos e baixos. Foi então que decidi que era hora de jogarmos limpo um com o outro. Que era hora de eu falar sobre as minhas origens, explicar por que não tinha falado nada até agora para ele, e pedir para ele parar de se esforçar sem necessidade.
— Hoje, quando você voltar, eu quero conversar algo sério com você — eu falei.
— O que seria? — o Diego perguntou.
— Precisamos falar sobre nós dois, e em especial sobre mim.
Notei que o Diego sentiu um calafrio naquele momento. Ele olhou para baixo por um breve instante e depois desviou o olhar, tentando evitar me encarar. Por fim, ele me olhou, se aproximou e levou uma das mãos até o meu rosto. Ele acariciou a minha pele lentamente, passando os dedos pela lateral do meu rosto, me observando com ternura, mas, ao mesmo tempo, com um sentimento que nem mesmo eu conseguia identificar.
— Eu... eu também quero te falar uma coisa que tem me atormentado. Mas é melhor quando eu voltar.
Eu me despedi dele e ele foi trabalhar. Boa parte do meu dia seguiu normal, comigo focada nos meus afazeres, até que acabei ouvindo o meu telefone tocar. Era um número desconhecido. Quando atendi, ouvi uma voz familiar.
— Alô, meu amor — disse a voz.
— Débora? — eu respondi, com a voz carregada de fúria e confusão. — O que você quer, sua vadia?
— Que surpresinha... eu nem imaginava que era você a esposinha do gostoso que tem uma pinta de nascença do lado esquerdo da perna, próxima à virilha.
Eu gelei naquele momento. Somente eu, que sou a esposa, poderia saber de um detalhe tão minucioso quanto aquele... Isso, claro, a não ser que outra mulher tivesse ido para a cama com o meu marido.
— Sua vadia, o que você quer?! — eu gritei.
— Que ironia do destino, né? — ela respondeu em tom de deboche. — Eu roubei o primeiro, e agora trepei com o segundo. Hahahaha...
— Sua... — rosnei do outro lado da linha, possessa de raiva, apertando o celular com toda a minha força. E ela ainda me provocou:
— Se você for rápida e der um pulinho aqui no Renascença, ainda consegue pegar nós dois juntos. Quero ver a minha velha amiga depois de tanto tempo.
Desliguei o telefone na cara dela e resolvi que eu mesma iria conferir o que estava acontecendo. Saí do prédio correndo e chamei um carro particular, pois estava transtornada demais para dirigir. Comecei a sentir algumas pontadas na barriga e uma leve tontura, mas continuei firme em direção ao Renascença, um motel famoso do centro da cidade. Eu queria ver aquilo com os meus próprios olhos.