07. Dia seis (domingo) - Felipe
Eu estou completamente apaixonado. Depois de gozar no cuzinho de Marcelo, foi banho, comer, ver ele receber um telefonema de uma das filhas e dizer a ela que não ia mostrar ainda com quem, mas estava namorando e tinha acabado de fazer amor com uma pessoa, disse que Helena continua sendo a mulher de sua vida, nada nunca iria mudar isso, mas agora ele acabou de perder a virgindade e fez amor com o homem de sua vida, a menina disse que não acreditava depois de um gritinho e de um barulho, ela havia deixado o celular cair no chão, ela queria conhecer o tal homem maravilha.
Eu ria alto com o “homem maravilha”, ela gritou novamente, disse que o pai deveria ter falado que eles não estavam a sós. Jonas disse que se eu quisesse a gente podia surpreender a nossa enteada. Foi o que fizemos. Aparecemos nós dois sem camisa do lado de nosso preto, ele ficou surpreso, ela caiu de gargalhar disse que quase acreditou na conversa do pai, então fui “obrigado” a beijar meu namorado e logo em seguida, sem o deixar respirar, Jonas o beijou com um beijo tão lento e intenso quanto o meu.
Ela ficou chocada, mas não de uma forma ruim, mas mandou ele falar para sua irmã com cuidado, homofóbica. Ele pergunta o que ela achava de nossa história, ela diz que era estranho, ele teve o melhor casamento do mundo e estava mudando radicalmente para o outro lado já com as duas pessoas que mais o amam depois dela mesma, depois ela com cara de zangada diz que sabe nos localizar e caso eu ou Jonas o magoássemos iria acabar conosco, Jonas respirou fundo, empinando o peito com um sorriso que segurava os dentes pra dentro, estava orgulhoso de nós.
Depois dessa ligação eu queria comer os dois, estava louco de vontade de sentir os dois, mas eu também estava tomando coragem para abrir meu cu para a visita deles. Foi no banho, ambos sentiram não sei, ou eu fiz algum gesto, mas fomos, dessa vez a gente não fodeu de verdade, mas o pau de um esfregava na regada do outro, mordida, beijos, chupando a pele uns dos outros, Jonas abriu minha boca e colocou três dedos dentro, sustentando e me fazendo babar. Não aguentamos e lá fomos novamente, Marcelo contra a parede, Jonas comendo ele e dando pra mim, eu senti um prazer sem igual, gozei sem controlar o tom de voz, quase gritando, o melhor orgasmo de minha vida até ali. Banho. Descanso, o sono nos amarrando na cama, luz apagada, dezenas de pensamentos que circulavam de um lado para outro e depois não conseguiam me manter acordado, Marcelo abraçado a mim de um lado e Jonas do outro, dormi enquanto conversavam.
Acordei muito cedo, pela janela eu podia ver o nascer do sol, foi lindo, os dois ali dormindo nus com os paus moles sobre coxas e barriga, e eu encantado, buscava na minha galeria de vídeos as putarias que fiz com as mulheres e putas que tive, mas eu queria era cu de macho, suor forte, esperma na minha barba, ia sentir falta de tetas fartas e macias que era o que eu gostava, mas duas bolas dentro do saco peludo do meu preto, ou pelado do meu lindo… Acordei um e outro com um boquetinho qualquer, eu sabia que independente de qualquer coisa essa semana era definitiva em minha vida, eu não podia mais me descrever como bissexual, eu sei, eu sou gay.
Ambos acordaram com muito sono, eu falei que queria ser descabaçado de frente para o nascer do sol desse domingo, Jonas novamente cedeu a primazia para Marcelo, disse que era justo o primeiro a me foder fosse o cara que eu arranquei o lacre, Marcelo estava com uma cara grogue ainda mas o pau estava duríssimo, e ia ficando meio bruto pelo sono interrompido, me pegou pelo cabelo e me colocou de frente para a janela, Jonas colocou a camisinha em Celo e gel em mim, eu achei que ia doer, que eu ia pedir para tirar, fácil não era, mas era um alívio, ele foi deslizando para dentro de mim e eu ia ganhando certezas, eu quero muito essa mudança, eu me assumo, eu me aceito, eu me amava gay.
Eu disse isso quando ele encostou o quadril no meu, que não tinha mais como empurrar mais, que nada mais podia acontecer além do vai e vem, ele perguntou se era isso o que eu queria, era sim, disse que era a realização do sonho gay, e que a primeira leitada dentro de mim viria de meu outro macho. Ele tirou o pau de dentro de mim fazendo plop, me chamou de gordo, disse que se fosse pra fazer ele gozar na velocidade da luz era só falar esse tipo de coisa, Jonas meteu dentro de mim, paus completamente diferentes, o encaixe é outro, era diferente do que eu pensava, não era melhor ou pior, era muito bom do mesmo jeito e completamente diferente.
Ficaram alternando, me chamando de gordo como me chamavam na escola, sempre odiei, menos vindo deles, o lindo, o preto e o gordo; os dois disputando meu cu e me dizendo putarias, dizendo que iriam gozar na minha cara, Jonas me chamou de veado, eu ia passar por isso na rua, no trabalho, entre meus amigos, ele manda o veado beijar o macho dele, eu o beijo, eu estava louco pra dizer a frase mas eu não queria dizer no meio da foda. Gozaram sim na minha cara depois de o sol se mostrar completo, de eu pedir beijo e receber mordidas nos meus lábios, de eu ser agarrado pelos cabelos, ter dedos torcendo meus mamilos, de ser torturado e amar isso.
Gozaram juntos e depois levavam a porra até minha boca, me beijavam, era a segunda vez que provei a esporrada de outros caras, já não era estranho, ainda não gostava do cheiro, mas o gosto e a textura eram boas, pensei nas vezes que uma ex namorada me pediu para chupar ela depois de eu ter gozado e eu trovejava que eu era macho, não deixei de ser, mas era um macho burro que perdeu a oportunidade de fazer ela gozar enquanto eu bebia o melhor dela e de mim - burro.
Fui lavar o rosto e trouxe uma toalha úmida até a metade para limpar o caralho de ambos, dormimos até o despertador nos alarmar uma hora depois, havia muita coisa a ser feita, nos organizar para sair do hotel, Jonas trazer ummcarro de locadora, as nove malas nossas dentro do carro, almoçamos depois de nos encontrar na casa alugada, fazer nosso primeiro mercado juntos e finalmente parar para falar sobre dinheiro, rotina e nossos pactos sexuais e matrimoniais. Inicialmente a conversa era só sobre dinheiro, mas evoluiu…
Lucia me telefonou perguntou se eu estava com a pulseira dela ou havia dado a alguma puta, como já havia acontecido antes, fui conferir se estava comigo e procurei em minhas coisas, estava exatamente onde havia deixado, ela ficou muito feliz, perguntou se podia vir buscar com o sexo da reconciliação, eu disse que iria devolver, tinha uns livros meus na casa dela, tudo de trabalho, ela poderia trocar ummpelo outro, mas de qualquer modo eu estava indomlevar para ela, um amigo iria me dar uma carona. Ver o lado racista dela perguntando se o preto estava comigo na esbórnia… havia uma caixa com os livros e uns dez vinis que comprei pra gente curtir, naquele momento senti a falta dela. Falta do corpo, mas Jonas me abraçou por trás esfregou o pau na minha bunda e buscou meu caralho, o corpo dela se desfez de meu desejo, ficaram os peitos e uma coisa de ficar com… com ela sem pensar em sexo, Jonas pergunta se podia ser um domingo de descanso.
08. Dia oito (terça) - Jonas
Quando amanheceu na segunda, tomei uma decisão - cortar o cabelo. Ainda que o fio permanecesse grande, ainda que eu continuasse com a cara de um senhor de meia idade que fica velho.
Aqui é o lugar mais quente do mundo e eu não quero continuar a usar um pote de gel de segunda a sexta. Tomei a decisão quando Felipe teve o cabelo bagunçado por Marcelo antes de sair de casa para o trabalho, ele vai a pé, são vinte minutos de caminhada, eu estava sendo sincero quando disse a Fabiano, Leandro, Jean e Bruno que os amava, cada um.a seu tempo, os três primeiros riram e disseram que eu não fazia ideia do que estava falando, eu estava apaixonado, eles sabiam e eu não.
Os três primeiros nunca se aceitaram como namorados meus, eles eram meus mestres, meus donos, meus senhores. O primeiro fez de mim um masoquista, exigia que eu controlasse meu orgasmo, eu desmaiei quando ele me concedeu o direito de gozar, colocou um plug anal em mim quando eu fiz uma cobertura de semana de moda, precisava de disciplina, ele me moldou, e quando nossa paixão foi embora, ele foi dispensado por mim.
O segundo me fez ter prazer em sentir dor, me deu a consciência de impor meus limites, diferenciar dor de autodestruição, mostrou fotos de subs que teve que vieram deformados por donos anteriores, mamilos arrancados, falanges quebradas, cicatrizes na pele e rompimentos musculares, um horror que apenas um número muito estreito de sádicos gosta, mas aí já é gore, não é mais o sadomasoquismo que escolhi pra mim.
O terceiro me pediu em casamento, dizia que me amava, embora soubesse que eu não o amava, eu tinha tesão, tinha admiração, tinha submissão como nenhum outro com sua coleira, mas não era amor. Talvez tenha sido quando ele foi operar um cálculo renal e não voltou vivo. Enlouqueci.
Eu perdi a felicidade para sempre, o português e o brasileiro nunca fizeram coisas como o canadense fez, me levou para uma boate com máscara de vale-tudo, roupa de couro e coleira, autorizou que quem quisesse pudesse por dedos em minha bunda, até três. Me senti sujo, promíscuo, sem valor. Mas via meu dono receber ofertas generosas para me alugar por alguns dias, somas espetaculares, eu tinha trinta e poucos anos, ele cinquenta e tantos. Jean dizia não e autorizava me beijarem, as ofertas dobraram de valor, com uma delas meu corpo poderia ter dado a ele uma casa no subúrbio ou um apartamento chic, Jean dizia que sabia que eu faria por “amor” a ele e que ele merecia, mas amar era dizer não, e que ele se torturava vendo dedos estranhos em minha pele, só queria que eu tivesse números do quanto valia seu amor por mim.
Quando ele morreu, transferi aquele bloco de angústia, solidão e medo para um gostoso, meio inteligente e que misturava posse e domínio, misturava comando e perversidade. Era um tolo e eu lhe dei poder sobre mim.
Agora vejo que fui um idiota, e eu o fiz sofrer tanto ou mais que ele me fez sofrer, ele se perdia, a medida que eu ganhava autoconhecimento e controle emocional, ele enlouquecia e se perdia em um ego sensível e inchado.
Mas as fodas… porra, que trepadas!!!!
Bruno foi o primeiro a dar o cu pra mim enquanto me causava dor absurda (choques, cane…), exigia uma ereção duradoura e perfeita, eu cedia, desmaiava sem que ele me autorizasse a gozar, acordava com seis dedos no meu cu. E depois de um tempo meus limites foram desrespeitados.
Meu analista lá do início disse que ele era massoca como eu, e que meu gozo o frustrava, ele era mais jovem na profissão em que eu era estabelecido há décadas, passivo como eu mas tendo de performar de comedor. Mas eu sempre tive esse lado mais receptivo e feminino fora da cama, e mesmo passivo e masoquista durante a foda sempre tive uma postura muito masculina, mandão mesmo sob uma chuva de tapas. Ele era uma fada sem reconhecimento e eu só percebi depois.
Ainda assim viajou para Turquia com um soco inglês e sedativos. Ele navegava por lugares sombrios na Internet. Eu o coloquei no lugar certo pelo motivo errado, ele teve o fim que escolheu. Eu teria morrido em pouco tempo. Mas depois dele… Não sei mais lidar com relacionamentos. Estou pronto para deixar os dois de lado.
Só que Felipe vai me odiar por uns anos e Marcelo vai preferir assim, um casal… sei que vão me convidar para a cama deles.
Eu talvez ficasse caso notassem q u e quero tapa, cusparada na cara, um pulso alargando meu cu e uma mão dentro de meu rabo, quero quatro dedos em minha garganta até que eu vomite e minha cara seja esfregava naquela sujeira. Quero dupla penetração, ser chicoteado, daqueles com múltiplas cordas de couro, daqueles de montaria, daqueles que são uma corda com vários nós.
Eu queria Celo comendo meu cu enquanto Lipe me obrigasse a lamber seus pés e me chutasse. Queria ser obrigado a comer em um pote de ração sem a ajuda das mãos, a dormir num edredom no chão ao lado da cama, a dar banho neles e secar aqueles corpos. Mas eles me amam e juraram não me deixar sofrer. Por favor, por misericórdia, me deixem sofrer, me façam sofrer.
Mas uma coisa eles fazem bem, tem lá seus segredos, um mundo em que não me dão acesso. Eles também sabem que são gays, mas eu sou veado, me botam de quatro e fodem boca e bunda ao mesmo tempo, e fodem forte, me fazem de puta, mete deram uma tesoura e mandaram eu aparar os pelos do saco, da virilha e ao redor da pica e do cu. Lipe manda eu chupar o cu dele sempre que chega do trabalho, da rua, de qualquer lugar, depois bate com a rola na minha cara. Celo diz que gostava de assistir o noticiário com os dedos nos peitos ou na xoxota da esposa, agora é beliscando meu peito e mamilos, às vezes ele ensaia me bater, mas recua, no horário comercial gostava de colocar o dedo no meu cu depois de o cobrir de cuspe, rodar lá dentro e me fazer chupar seu dedo com gosto de meu cu.
Dois dias que foram tão bons dentro de casa… além das putarias do hotel, mas eu quero mais, eu preciso que eles tragam uma prostituta de rua e trepem com ela e me “obriguem” a lamber e engolir toda a gala que espalharam no corpo dela, que ela deboche de mim, depois que ela for embora me comam com carinho e silêncio.
Vou viajar, fazer uma Feira do livro em uma cidade do sul, vou me mostrar a esse público leitor e plantar rumores sobre minha futura estreia como escritor. Vou só ao aeroporto e acho que o problema que aconteceu na compra do apartamento não há de ser tão relevante. Fico pensando o que acontece entre os meninos e o que acontece entre eles e eu, acho que de alguma forma não faço parte, a insistência de Felipe para e vir era comovente, autêntica, bem intencionada e esperançosa, mas eu lembro que fui eu quem nos afastou, sempre houve um esforço de ambos em permanecermos juntos, eu sempre fui negligente, sempre fui indiferente, agora tenho uns vinte anos de defasagem.