A cama de lençóis brancos estava amarrotada como uma alma em pecado mortal.
— Deite ali — ordenou Joana, apontando com o queixo para o lugar úmido, o lugar onde se permitira gozar havia poucos minutos. O lugar onde Camilo a fizera mulher de verdade.
Ele obedeceu. Que outro caminho lhe restava? Sentiu a umidade morna através do tecido fino. Seria o gozo? O suor? Ou aquela mistura profana, a mais pura essência da traição, do corpo da esposa com o corpo do outro. Ele sabia, no fundo do seu nada, que era tudo junto — a gosma, o suor, a saliva, o ódio amoroso que Joana dedicava a ele, seu marido de cartório e humilhação.
— Paradinho — ela ordenou, e a voz tinha o tédio de quem repete uma tarefa doméstica. Lavar louça. Passar roupa. Punhetar o corno do marido.
Enfadonhamente, como quem realiza um trabalho, ela desceu as calças dele até os joelhos. Depois a cueca, só um pouco — só o suficiente para exibir o membro flácido, pequeno, derrotado antes da batalha.
— Mole — ela desdenhou. E com os dedos em pinça — ah, que desprezo naquela pinça! — começou a tocá-lo, como quem tateia uma fruta podre no mercado.
E então o veneno doce:
— O do Camilo sim é um troço de verdade. Grosso. Pesado.
Ela sorriu. Sorriu com desdém quando sentiu a ereção começando, traindo o miserável.
— Ah, então gostas que eu fale do pau dele, corno-frouxo.
Ele gemeu. Se contorceu. Há tempos aquele era seu único momento de prazer — e que prazer miserável, que prazer de cão acorrentado. Ela o proibira até mesmo do ofício solitário. Disse que era nojo, que era feio, que era coisa de homem sem vergonha. Mas a verdade — a verdade rodrigueana, fedorenta, definitiva — era que ela queria vê-lo implorar. Queria o poder de dar ou tirar o úmido espasmo que ainda o fazia homem.
Ela continuou a masturbação como se fosse um exame médico. Os dedos mal tocavam a pele. Na face, uma expressão de desprazer — não o desprazer de quem sente nojo, mas o desprazer de quem cumpre uma obrigação chata. Que tédio, meu Deus, que tédio ser amada por este homem incapaz.
— Para — ela ordenou quando ele vergonhosamente tentou um beijo. Recuou o rosto como se ele fosse leproso. — Isso é tudo que terás de mim.
E ele ejaculou. Espasmo curto, pobre, quase triste. Joana soltou o membro no mesmo instante, como quem larga uma barata morta. Evitou contaminar-se com a gosma — ah, a gosma indigna de alguém tão pouco capaz! — e já se levantava do leito, nua e gloriosa e cruel.
— Vá se limpar na pia da rua. Rápido.
Ele se ergueu, as calças nos joelhos, o sêmen escorrendo pela coxa.
— O Camilo tá no banho — acrescentou ela, acendendo um cigarro com dedos que ainda não tremiam. — E não te quer aqui quando voltar.
E ele saiu. Saiu com as calças na mão, para a pia do quintal, para a água fria, para a vida fria que lhe restava. Atrás de si, o lençol amarrotado guardava o calor de dois corpos que nunca seriam o seu.
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