Foda no Mato

Da série O Galpão
Um conto erótico de Mateus
Categoria: Gay
Contém 2629 palavras
Data: 29/05/2026 22:28:48
Última revisão: 29/05/2026 23:03:59
Assuntos: Anal, beijo grego, Gay, mato, Oral

Os faróis ficaram acesos atrás da gente por tempo demais. Foi isso que me fez entender que alguma coisa tinha mudado. Até então, Leandro e eu existíamos numa espécie de bolha abafada de desejo adolescente e irresponsabilidade hormonal. Um depósito quente, um escritório vazio, um carro escondido na chuva.

Mas aqueles faróis… Aqueles faróis tinham nome, bairro, família, sobrenome. Tinham consequências. Leandro ficou imóvel por um segundo, depois outro, o corpo inteiro endurecendo ao meu lado. A mudança foi tão brusca que chegou a me assustar. O mesmo rapaz que, minutos antes, me beijava com calma insolente agora parecia um animal ouvindo tiro ao longe.

— Quem é? — perguntei baixo.

Leandro não respondeu, os olhos fixos no retrovisor, a mandíbula travada. Lá fora, a chuva já era fina, quase uma garoa, e os faróis atravessavam o vidro embaçado do Gol, iluminando partículas suspensas no ar. O silêncio dentro do carro ficou sufocante. Então o carro de trás buzinou uma vez, curta, como reconhecimento. Leandro xingou baixo.

— Merda.

— Você conhece?

Ele passou a mão no rosto rapidamente, nervoso, de verdade.

— Acho que é o filho do dono da lotérica.

Meu coração afundou sem motivo lógico. Porque talvez não fosse nada, talvez o cara nem tivesse visto direito, talvez estivesse bêbado, talvez só tivesse parado ali para fumar. Mas o talvez era exatamente o problema.

Leandro já não parecia o mesmo, abriu um pouco o vidro do carro para dissipar o embaçado com movimentos rápidos demais. Pegou a chave, ligou o motor. Pragmático, frio, distante. Como se estivesse apagando vestígios de incêndio. E aquilo me irritou instantaneamente, mais do que deveria.

— Relaxa — falei, tentando soar casual — Ele não viu nada.

Leandro soltou uma risada seca, sem humor nenhum.

— Você não entende como funciona aqui.

A frase veio cortante. Eu fiquei quieto, porque entendia um pouco, sim. Cidade pequena era um organismo vivo. Respirava fofoca, se alimentava de reputação, construía masculinidades frágeis com cimento e medo.

Mesmo assim, alguma coisa na reação dele me atingiu num lugar ruim. Talvez porque, pela primeira vez, eu tivesse sentido vergonha atravessando o desejo. Leandro colocou o carro em movimento sem olhar para mim. O outro veículo acabou seguindo pela avenida principal. Não houve perseguição, não houve flagrante, não houve escândalo. Mas o estrago já tinha acontecido.

— Você tá bravo comigo? — ele perguntou alguns minutos depois.

As ruas estavam quase vazias. A cidade brilhava molhada sob os postes amarelos. Um cachorro atravessou correndo a avenida com a dignidade deprimente de quem também odiava chuva. Cruzei os braços.

— Não.

— Tá sim.

— Você queria o quê? Que eu aplaudisse?

Leandro soltou o ar pelo nariz.

— Eu só não tô a fim de virar assunto em mesa de bar.

— E eu tô?

Ele finalmente olhou pra mim, rápido, cansado.

— Você não entende.

— Então explica.

Silêncio. O limpador de para-brisa ia e voltava num ritmo quase hipnótico. Leandro apertou o volante.

— Aqui, homem pode fazer qualquer merda. Trair mulher. Arrumar filho fora. Cair bêbado na rua. Mas isso…

Ele não terminou. Nem precisava. Isso. A palavra ficou entre nós como um objeto deixado sobre o banco do carro. Pesado, visível, proibido.

— Você acha que eu nunca pensei nisso? — perguntei mais baixo agora.

Leandro deu de ombros.

— Você pensa demais em tudo.

— E você foge de tudo.

Aquilo acertou. Vi imediatamente. A mão dele apertou o volante com mais força.

— Você acha que é simples?

— Não acho nada simples.

— Então para de agir como se eu tivesse escolha.

A raiva dele tinha menos agressividade do que desespero. E isso me desmontou um pouco. Porque, pela primeira vez, comecei a enxergar o tamanho do medo que existia por baixo daquela confiança debochada. Leandro não tinha medo de desejar. Tinha medo do mundo.

Ele estacionou duas ruas antes da minha casa. Ficamos em silêncio por alguns segundos. A chuva tinha parado de vez agora. O vidro ainda guardava marcas de água escorrida refletindo a luz dos postes. Lá fora, a cidade parecia suspensa numa quietude melancólica da noite interiorana.

— Você vai sumir agora? — perguntei.

Leandro apoiou a cabeça no banco. Riu baixo, cansado.

— Você é dramático pra caralho.

— Responde.

Ele virou o rosto lentamente na minha direção. Os olhos ainda escuros, ainda lindos, ainda perigosos.

— Não quero sumir.

A sinceridade veio tão simples que me desarmou completamente.

— Então por que parece que você tá tentando fugir?

Leandro ficou quieto. Longo demais. Depois passou a mão pela barba curta malfeita.

— Porque quando eu tô com você…

Pausa. Outra. Ele procurava palavras como quem tenta desmontar uma bomba.

— …eu esqueço das coisas.

Meu peito apertou imediatamente.

— Que coisas?

Ele sorriu sem alegria.

— Das regras.

Aquela frase ficou reverberando dentro de mim. Porque eu entendia, entendia mais do que gostaria. Nós dois éramos jovens demais para carregar o peso daquilo com maturidade. E talvez estivéssemos tentando transformar desejo em território seguro sem perceber que o desejo nunca foi seguro para a gente.

Fiquei olhando para ele. O cabelo bagunçado da chuva, os dedos batendo nervosamente no volante, o cheiro dele ainda impregnado no carro. Tão bonito, tão perdido, e tão homem de um jeito que me confundia inteiro.

— Você é um idiota — falei baixo.

Leandro sorriu de canto. Finalmente o sorriso dele outra vez.

— Você gosta.

— Infelizmente.

Ele riu. Daquela vez, de verdade. E então aconteceu uma coisa pequena, mas íntima. Leandro puxou minha mão devagar e beijou meus dedos rapidamente, quase escondido, como se até o carinho precisasse existir clandestinamente.

Meu corpo inteiro amoleceu. Porque havia alguma coisa absurdamente triste naquele gesto. Bonito, mas triste. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, um farol virou a esquina ao longe. Leandro soltou minha mão imediatamente, rápido demais, automático demais. E naquele instante eu entendi uma coisa perigosa: talvez eu estivesse começando a me envolver emocionalmente com alguém que jamais conseguiria viver isso à luz do dia.

__________

Depois daquela noite no carro, nós dois fingimos normalidade com um empenho quase profissional. E isso talvez tenha sido o mais ridículo de tudo. Na segunda-feira seguinte, Leandro me deu bom-dia como se nunca tivesse me beijado com as mãos tremendo dentro do seu carro debaixo de chuva. Eu respondi com a mesma cara neutra de quem nunca tinha decorado o gosto da boca dele. O problema era: nossos corpos não sabiam atuar.

— Ô aprendiz, imprime aquele orçamento pra mim.

Leandro apareceu na porta do escritório depois do almoço, mastigando chiclete. Normal, completamente normal. Mas então os dedos dele deslizaram discretamente pela minha lombar enquanto pegava os papéis. Um toque mínimo, quase invisível. O suficiente para meu cérebro esquecer imediatamente qualquer informação financeira dos últimos dez minutos.

— Tá com febre? — perguntou Paulo, do outro lado da sala.

— Não.

— Tá vermelho igual semáforo.

Leandro abaixou a cabeça para esconder o sorriso. Ódio. Absoluto. O pior é que começamos a desenvolver intimidade. E intimidade era muito mais perigosa do que sexo. Sexo podia ser impulso, erro, hormônio. Mas intimidade… Intimidade criava espaço emocional.

Às vezes ele aparecia no escritório só para se sentar perto de mim sem motivo nenhum. Outras vezes me levava refrigerante gelado quando o calor do galpão deixava tudo insuportável. Uma quinta-feira, eu o encontrei sozinho tentando consertar o rádio velho da oficina.

— Você tá batendo nele desde cedo — falei.

— E ele continua merecendo.

— Você sabe que agressão doméstica contra eletrodoméstico também é crime, né?

Leandro soltou uma gargalhada alta. Daquelas sinceras, bonitas.

— Você fala muita merda.

— E você gosta.

— Infelizmente.

Aquela palavra outra vez: infelizmente. Como se gostar de mim fosse uma inconveniência logística na vida dele. E talvez fosse.

Começamos a nos encontrar escondidos. Sempre improvisado, sempre apertados contra o risco. No carro, no depósito vazio depois do expediente, numa estrada de terra perto da pedreira. Uma vez atrás do clube desativado da cidade, enquanto acontecia um campeonato de futsal do outro lado do muro.

Era absurdo, imaturo, perigoso. E talvez exatamente por isso tão viciante. Porque cada encontro parecia carregado daquela possibilidade silenciosa de destruição. Um farol, uma porta abrindo, uma voz conhecida, uma mão errada no ombro. E, no entanto, continuávamos. Como pessoas acendendo fósforo dentro de vazamento de gás só para ver até onde a chama alcança.

Certa vez escapamos pelos fundos do depósito. O estacionamento da empresa, iluminado por postes amarelados, foi ficando para trás, reduzido a um ponto distante na periferia da visão. Eu caminhava um pouco à frente, pisando com cuidado no solo irregular repleto de raízes expostas e pedras soltas, enquanto o som dos grilos preenchia o silêncio do final de tarde.

O ar estava mais pesado aqui, carregado pelo cheiro de terra molhada e de vegetação em decomposição, um perfume selvagem que contrastava com o ar-condicionado filtrado do escritório. Leandro seguia logo atrás, o peso de suas botas arrastando levemente na folhagem seca, a atenção dividida entre o caminho e a minha silhueta. Eu me movia com uma antecipação visível nos ombros.

Nós sabíamos que qualquer passo em falso poderia significar uma lesão, mas o risco físico era secundário diante da adrenalina que pulsava nas nossas veias; a possibilidade de sermos descobertos ali, no meio do nada, transformava a simples caminhada em um prelúdio eletrizante.

Quando a vegetação se tornou mais densa, bloqueando a pouca luz que vinha da claridade minguada, nós paramos. O isolamento era absoluto. Não havia o som de carros, nem de vozes, apenas a natureza respirando ao nosso redor.

Encostei as costas em um tronco de árvore grosso e rugoso, a casca raspando levemente a camisa que eu ainda vestia. Leandro se aproximou, invadindo meu espaço pessoal sem cerimônia, o calor do corpo dele irradiando mesmo através do tecido do uniforme.

As mãos de Leandro encontraram a minha cintura, dedos apertando firme, puxando meus quadris para frente em um movimento brusco que eliminou qualquer distância restante. Meu coração batia forte contra o meu peito, um tambor surdo que parecia ecoar na floresta silenciosa.

O primeiro beijo foi faminto, desesperado, uma colisão de lábios e dentes que refletia o dia de tensão reprimida. Leandro segurou meu rosto com as duas mãos, os polegares roçando minha mandíbula, enquanto a língua dele invadia a minha boca, explorando, saboreando.

Começamos um sarro delicioso, sujo e úmido, onde a saliva se misturava e a respiração se tornava cada vez mais ofegante. Eu correspondia com igual fervor, minhas mãos subindo para se emaranhar no cabelo curto e escuro de Leandro, puxando a cabeça dele para baixo, aprofundando nosso contato.

O mundo lá fora não existia; não havia galpão, não havia chefe, apenas a fricção das línguas e o gosto metálico da excitação crescente. O cheiro do perfume barato de Leandro se misturava ao suor dele, criando um aroma inebriante que fazia a minha cabeça girar.

As mãos de Leandro desceram, descartando qualquer formalidade e abrindo o meu cinto com um clique metálico que pareceu alto demais na quietude da mata. O zíper desceu num zumbido rápido, e a calça escorregou pelos meus quadris, ficando presa nos meus joelhos.

A mão de Leandro envolveu a minha pica já dura através do tecido da cueca, apertando a base e sentindo o pulso do meu membro contra a palma da sua mão. Soltei um gemido abafado contra a boca dele, meus quadris impulsionando involuntariamente para frente, buscando mais fricção. O ar quase noturno, frio e úmido, batia na pele exposta das minhas pernas, criando um contraste afiado com o calor da mão que me manipulava.

Sem aviso, girei o corpo, pressionando Leandro contra a árvore e descendo de joelhos no chão de terra e folhas. A gravidade e a textura áspera do chão eram irrelevantes. Minhas mãos tremiam levemente enquanto eu desabotoava a calça jeans de Leandro, libertando o membro que já pulsava, duro e pesado.

O cheiro era intenso, masculino e puro. Não perdi tempo; inclinei a cabeça e levei a glande à boca, minha língua fazendo um círculo lento ao redor da cabecinha antes de engolir o mastro. Leandro entrelaçou os dedos no meu cabelo, guiando o ritmo, a cabeça jogada para trás, os olhos fechados, focado inteiramente na sensação do calor úmido e do vácuo criado pela minha boca. O som de sucção era explícito, úmido e rítmico, intercalado pelos grunhidos profundos de Leandro.

A urgência aumentou. Leandro me puxou para cima pelo cabelo, me beijando novamente, provando o seu próprio gosto na minha boca. A posição mudou. Me virei, apoiando as mãos no tronco da árvore e oferecendo as minhas nádegas, a postura de submissão clara no arco das minhas costas.

Leandro se agachou atrás de mim. Com as mãos, ele separou as minhas nádegas firmes, expondo meu anelzinho que se contraía de antecipação. O primeiro contato foi a língua de Leandro, quente e molhada, lambendo a pele sensível em torno do meu orifício.

O beijo grego foi lento e torturante; Leandro trabalhava a minha entradinha com insistência, lubrificando e relaxando a musculatura com a saliva, enquanto eu gemia baixo, minhas unhas cravando na casca da árvore, meu corpo tremendo com cada passada de língua.

Leandro se levantou, cuspiu na mão e espalhou a saliva em sua própria piroca, já brilhando de pré-gozo. Ele alinhou a ponta da pica com o meu cuzinho, empurrando lentamente. A resistência inicial cedeu, e a cabeça do pau rompeu o meu anel, deslizando para dentro de mim, o calor apertado e úmido.

Prendi a respiração, meu peito pressionado contra o tronco, sentindo o estiramento queimante e prazeroso se espalhar pelo meu corpo. Leandro não esperou; ele segurou meus quadris com força e começou a me foder, entrando e saindo com golpes firmes e profundos. O som de pele batendo na pele, plac, plac, plac, ecoava na mata, acompanhado pelo ranger da árvore sob o impacto dos nossos corpos.

O ritmo acelerou. Leandro se enfiava até a base do cacete, roçando a minha próstata com cada estocada, me fazendo ver estrelas atrás das pálpebras fechadas. O medo de sermos pegos adicionava uma camada de intensidade insuportável; cada som que quebrava o silêncio parecia uma ameaça e um afrodisíaco simultaneamente.

O suor escorria pelas nossas costas (a fera de duas costas), colando nossas roupas. Comecei a me masturbar, minha mão correndo freneticamente ao longo de minha própria pica em sincronia com as investidas de Leandro. O prazer subia como uma maré, incontrolável, começando na base da minha coluna e irradiando para as extremidades.

Leandro se inclinou sobre as minhas costas, mordendo o meu ombro, o hálito quente no meu pescoço. "Vai gozar, caralho," sussurrou Leandro, a voz rouca e carregada de esforço. Isso foi o suficiente. Senti meus testículos se contraírem, e o orgasmo explodiu através de mim.

Esguichei contra o tronco da árvore e no chão, meu corpo se contorcendo, meu cuzinho se apertando violentamente em torno da vara de Leandro. A contração empurrou Leandro para o limite; com um último golpe profundo e um gemido gutural, ele gozou dentro de mim, liberando jatos quentes e espessos, me leitando por dentro.

Ficamos imóveis por um momento, colados um ao outro, nossos peitos subindo e descendo violentamente, tentando recuperar o fôlego enquanto o suor esfriava na pele. O som da natureza retornou ao primeiro plano, os grilos recomeçando seu canto como se nada tivesse acontecido.

Leandro se recolheu devagar, o membro escorregando para fora de mim, e um fio de porra escorreu pela minha coxa. Nos arrumamos em silêncio, nossas mãos trêmulas ajeitando as roupas, o cheiro de sexo e mato impregnando o ar ao nosso redor. O olhar que nos cruzamos foi de cúmplice absoluto, a adrenalina ainda correndo forte, a promessa não dita de que aquilo não seria a última vez que arriscaríamos tudo por aquele prazer.

__________

"Eu queria ver no escuro do mundo onde está tudo o que você quer

Pra me transformar no que te agrada, no que me faça ver

Quais são as cores e as coisas pra te prender?"

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