O rancho ficava às margens do rio Tietê no interior de São Paulo, cercado por mata baixa, cheiro de terra úmida e o barulho constante dos grilos ao entardecer. Marcelo adorava aquele lugar. Todo ano organizava uma pescaria com os velhos amigos — cerveja gelada, conversa alta e histórias repetidas à beira d’água.
Eu nunca fazia questão de ir.
Mas naquele ano foi diferente.
Aos 43 anos, percebia perfeitamente o efeito que ainda causava. E havia algo perigosamente excitante em estar cercada pelos amigos do meu marido: homens maduros, cheios de olhares discretos e fantasias mal escondidas atrás das piadas inocentes.
Marcelo parecia não notar. Aos 49, relaxado e confortável no casamento, confiava em mim cegamente.
Chegamos ao rancho numa sexta-feira de calor abafado. Entre os presentes estavam César, divorciado e debochado; Paulo, mais quieto, mas incapaz de esconder os olhos sobre mim; e André, o mais próximo de Marcelo desde adolescência.
Logo na primeira tarde, enquanto os homens organizavam as tralhas de pesca, Apareci na varanda usando um short curto de tecido leve e uma regata sem sutiã. Não era vulgar. Era pior: parecia casual demais.
Percebi o silêncio repentino.
César foi o primeiro a desviar os olhos, rindo sem graça. Paulo quase deixou cair a caixa de anzóis. André fingiu continuar mexendo no motor do barco, embora estivesse vermelho.
Marcelo não percebeu nada.
— Amor, pega uma cerveja pra mim? — pediu ele.
Caminhei lentamente até o freezer externo. Sentia os olhares acompanhando cada passo. E aquilo fazia meu corpo inteiro vibrar por dentro.
Não era apenas vaidade.
Era poder.
À noite, depois do churrasco, os homens ficaram bebendo na varanda enquanto o rio refletia a luz fraca da lua. Saí do quarto usando uma camisola fina demais para ser inocente. O tecido claro marcava cada curva do corpo.
Eu sabia exatamente o que estava fazendo.
Me sentei entre Marcelo e André, cruzando as pernas devagar enquanto conversava como se nada estivesse acontecendo. O amigo do marido mal conseguia responder sem engasgar-se.
Em determinado momento, Marcelo se levantou para buscar mais bebida dentro da casa.
E o silêncio mudou de temperatura.
César olhou diretamente para mim.
— Você gosta de provocar, né?
Sustentei o olhar sem sorrir.
— Talvez vocês gostem de ser provocados.
Paulo abaixou os olhos imediatamente. André continuou imóvel, claramente tentando controlar a respiração.
A tensão ficou quase insuportável.
Quando Marcelo voltou, encontrou todos quietos demais.
— Que cara é essa? Parece até velório — brincou.
Peguei a cerveja da mão do meu marido. Meus dedos tocaram os dele, mas os olhos permaneceram presos em André por um segundo longo demais.
Mais tarde, já de madrugada, Marcelo dormiu pesado depois da bebida. Nosso quarto tinha uma janela lateral voltada para o quintal do rancho. Fiquei alguns minutos observando o reflexo da própria silhueta no vidro.
Então tive uma ideia.
Abri discretamente a cortina.
Do lado de fora, perto da churrasqueira apagada, André ainda estava sentado sozinho, mexendo no celular. Bastou erguer os olhos para me ver parada ali, iluminada apenas pela luz fraca do abajur.
Passei lentamente a mão pela perna, sentindo o arrepio crescer quando percebi André completamente imóvel, olhando sem conseguir disfarçar.
O risco me incendiava.
O amigo do marido hesitou, como se soubesse que deveria ir embora. Mas continuou ali.
Deslizei a alça da camisola pelo ombro devagar, deixando aparecer um dos meus seios, com as auréulas grandes e escuras, os bicos duros e pontudos, mantendo os olhos presos nos dele.
André passou a mão no rosto, nervoso, quase culpado.
E isso me excitou ainda mais, fazendo que a outra alça também caísse, deixando André saborear meus seios através da janela.
Marcelo dormia profundamente, sem imaginar que, a poucos metros dele, eu alimentava desejos proibidos diante do melhor amigo.
O exibicionismo deixava tudo mais intenso: a janela aberta, o perigo de ser descoberta, a mistura de culpa e prazer queimando sob a pele, meus seios nus.
Por alguns segundos, senti que controlava completamente aquela noite — os olhares, o desejo, o segredo. Minha buceta escorria em um tesão alucinado.
Fechei lentamente a cortina, deixando André sozinho do lado de fora com a respiração pesada e a imaginação em chamas, percebeu que o verdadeiro jogo havia apenas começado. Foi um final de semana de provocações, desejos e loucuras escondidas.
