Rodadas Proibidas - O Preço da Proteção

Um conto erótico de Darkness
Categoria: Heterossexual
Contém 12714 palavras
Data: 25/05/2026 13:09:43

Rodadas Proibidas - O Preço da Proteção

Capítulo 3

A manhã de domingo entrou pela casa com uma luz pálida e um silêncio que pesava nos ombros. Desci as escadas devagar, cada passo ecoando na madeira. Meu corpo ainda doía nos lugares certos — as coxas, a boceta, o maxilar. Cada pequeno desconforto era um lembrete do que tinha acontecido na sala na noite anterior.

Caio já estava na cozinha, servindo café. A postura relaxada de sempre, como se nada tivesse acontecido. O cheiro do café fresco se misturava ao perfume barato que ele sempre usava, e meu estômago revirou. De raiva. Só de raiva.

Peguei minha xícara sem olhar diretamente pra ele. O silêncio entre a gente era denso, carregado de tudo que não podia ser dito em voz alta. Eu mexia o café sem necessidade, os olhos fixos no líquido escuro. Qualquer coisa pra não levantar a cabeça.

— Dormi bem pra caralho — ele comentou de repente, a voz arrastada. — Noite intensa dá um sono pesado, né?

Meus dedos apertaram a xícara. Ele sabia exatamente o que estava fazendo — cada palavra tinha um duplo sentido que só eu entendia.

— Que bom pra você — respondi seca, sem levantar os olhos.

Se eu olhasse pra ele, ia ver aquele sorriso de canto. E eu não ia dar esse gosto.

Engoli o café rápido, queimando a garganta, e subi pra me trocar. A palestra obrigatória era daqui a pouco. O carro da Mariana ainda estava no mecânico, então o plano continuava o mesmo: Caio levaria a gente. A ideia de passar mais tempo trancada no mesmo carro que ele me dava vontade de cancelar tudo. Mas não cancelaria. Precisava da nota. E não ia dar a ele o prazer de me ver fugir.

Saímos em silêncio. O Gol prata na garagem, eu no banco do passageiro. Ele deu a partida e fomos buscar as meninas.

Letícia entrou primeiro, com a energia de sempre — cabelo preto liso brilhando, olhos maquiados, aquele sorriso fácil que fazia qualquer um se sentir especial. Mariana veio logo atrás, mais contida, as curvas generosas e o perfume doce que ela sempre usava. As duas agradeceram Caio efusivamente.

— Que boa vontade acordar cedo num domingo — Letícia elogiou, se acomodando no banco de trás.

— Não foi nada — ele respondeu, e eu ouvi o tom educado, quase caloroso. Diferente de tudo que ele já tinha usado comigo na vida.

O carro voltou a andar e a conversa fluiu. Reclamaram da palestra obrigatória, do desgosto de ter que ir num domingo. Eu participava, mas minha atenção estava dividida. Toda vez que a voz grave de Caio preenchia o carro, meu corpo reagia — uma pontada no ventre, um arrepio na nuca. Eu cruzava e descruzava as pernas, tentando aliviar o desconforto. A boceta ainda estava sensível, e cada movimento me lembrava do que ele tinha feito.

Letícia puxou Caio pra conversa, perguntando se dar carona pras três não ia estragar o domingo dele.

— Prefiro ajudar vocês do que ver gastando dinheiro com táxi.

A resposta era tão educada, tão certinha, que me dava ânsia. Eu conhecia aquele filho da puta. Sabia do que ele era capaz. Ver ele bancando o cavalheiro pras minhas amigas me deixava com uma raiva que eu mal conseguia disfarçar.

Era a primeira vez que elas conversavam de verdade com Caio por tanto tempo. Ele se mostrava atencioso, bem-humorado, respondendo com um interesse que parecia genuíno. Eu observava em silêncio, a mandíbula cada vez mais travada.

Letícia foi direto ao ponto:

— Você tá solteiro, Caio?

O assunto se abriu. Mariana contou que era a única das três que namorava, e Letícia cutucou sobre as idas e vindas do namoro dela.

— A Mariana insiste em manter porque foi o primeiro e único namorado que teve na vida.

— Valorizar um relacionamento antigo é raro hoje em dia — Caio comentou. — Acho bonito.

Mariana sorriu, agradecida. Eu continuei calada.

— E a Letícia — Mariana devolveu — é a mais atirada das três. Por isso tem dificuldade de segurar alguém.

Dei uma risada baixa, era verdade. Letícia então virou o foco pra mim:

— A Jade não tá com ninguém desde o Victor. Já dispensou uns caras interessantes da faculdade dizendo que tá focada nos estudos.

Senti o rosto esquentar. O desconforto era imenso, especialmente com Caio bem ao meu lado, ouvindo tudo. Ele não disse nada, mas eu sabia que estava prestando atenção. E sabia o que ele estava pensando.

— Tô priorizando as notas — me defendi, a voz mais seca do que eu queria. — Não quero distrações.

Foi então que vi, pelo canto do olho, aquele sorriso discreto e satisfeito no canto da boca dele. O sorriso que dizia "eu sei que você tá mentindo é porque tá sem ningué". Meu estômago revirou.

— Ele não vai me superar nas notas de jeito nenhum — disparei, sem pensar.

Mariana me criticou gentilmente pela compulsão de transformar tudo em competição. E então Caio, resolveu abrir a boca:

— Algumas pessoas precisam competir até quando não há adversário.

O tom era leve, inocente. Soou como uma observação boba pras meninas. Mas eu entendi perfeitamente a referência ao jogo. Às apostas. Às vezes em que ele me venceu e me fez pagar o preço.

Letícia insistiu:

— Mas você não tá interessado em ninguém?

— Tô focado em uns projetos pessoais. O término com a minha ex até ajudou a avançar neles.

Uma pausa. Depois ele continuou, a voz mais baixa, mais provocante, olhando pelo retrovisor direto pra Letícia:

— Mas não tô fechado pra me divertir sem compromisso.

O flerte foi suave, mas perceptível. As duas riram, entretidas e claramente interessadas. Meu sangue ferveu.

— Você sempre foi bom em se divertir sem compromisso, né? — soltei, a voz afiada. — Deve ser por isso que a Bianca terminou contigo.

Caio apenas riu, um som baixo e divertido.

— Pelo menos eu me divirto. Você nem isso.

Letícia e Mariana acharam que era só mais uma troca de farpas comum entre a gente. Mas eu sabia. Ele estava jogando na minha cara o que estamos fazendo.

A tensão crescia a cada quilômetro. Eu mexia no elástico do pulso, prendia e soltava o cabelo, incapaz de ficar parada. Ver minhas amigas se aproximando dele me deixava numa mistura de fúria e desconforto que eu mal conseguia esconder.

— Você tá estranhamente quieta hoje — Letícia comentou. — E nervosinha.

— Dormi mal — menti.

Caio soltou uma risada baixa, quase inaudível. E eu sabia exatamente o que ele estava pensando.

Chegamos ao local da palestra. Caio estacionou e avisou que ia esperar a gente terminar pra levar todo mundo de volta. Virei o rosto pra ele, desconfiada. Depois de tudo que rolou na noite anterior, aquela gentileza excessiva soava como armadilha.

— Sério que você vai esperar? — Letícia perguntou, os olhos brilhando. — Que fofo.

Fofo. Ela chamou ele de fofo. O mesmo cara que tinha me destruído na noite anterior. Fofo.

Na hora de descer, Letícia se inclinou sobre o banco pra se despedir. O beijo no rosto foi calculado — os lábios tocaram tão perto do canto da boca dele que quase encostaram. O suficiente pra ficar ambíguo. O suficiente pra acender um incêndio dentro de mim. Eu vi em câmera lenta. O ciúme queimou forte — possessivo, doentio, misturado com um nojo imenso de mim mesma por sentir qualquer coisa por ele.

Caio pediu pra mandarem mensagem quando a palestra acabasse. Letícia perguntou o número dele. Fiquei em silêncio — um silêncio que durou tempo demais, porque as duas me olharam.

— A Jade você não tem o número dele? — Mariana perguntou.

— A gente mora junto e nunca precisou — admiti, o desconforto visível.

As duas trocaram olhares. Acharam estranho. Caio ditou o número com um tom calmo, eu e a Letícia anotamos imediatamente. Mariana apenas agradeceu, sem salvar.

Descemos as três. Letícia foi a única que olhou pra trás e deu um tchau animado, balançando o celular como quem diz "já tenho seu número". Eu não olhei. Mas discretamente ergui o dedo do meio na direção do carro, as costas viradas pras meninas, o gesto escondido.

Mariana deu um tapa leve no ombro de Letícia e as duas trocaram um olhar cúmplice, rindo de algo que eu fingi não entender. Algo sobre como o enteado da Patrícia era gente boa. Gente boa.

Se elas soubessem.

Sentei na cadeira do auditório e fiquei olhando pra frente, sem ver nada. A imagem de Letícia quase beijando a boca dele. O número dela agora no celular dele. E aquele maldito sorriso de canto.

As duas horas da palestra foram um borrão. O crítico literário falava sobre narrativas contemporâneas, intertextualidade — qualquer coisa que eu não registrava. Minha cabeça estava longe, presa no carro, na risada baixa dele, no jeito que a Letícia tinha se inclinado e quase beijado a boca do Caio.

Eu imaginava os dois juntos. Caio levando ela pra algum motel barato, daqueles que ele conhecia bem. A mão dele subindo pela coxa dela, o vestido subindo junto. Letícia sorrindo do jeito que sorri quando está interessada — aquele sorriso que eu conhecia desde o ensino médio. Ele fodendo ela do mesmo jeito que tinha me fodido. Metendo fundo, puxando o cabelo, chamando de puta.

Apertei a caneta com força. Odiava aquela imagem. Odiava ainda mais que meu corpo reagisse a ela — um calor traiçoeiro entre as pernas, a boceta latejando só de imaginar.

— Você tá bem? — Mariana sussurrou ao meu lado.

— Tá com uma cara horrível — Letícia completou, rindo baixinho. — Parece que engoliu algo estragado.

— Tô ótima — respondi, a voz seca.

Mentira. Eu não estava ótima. Estava longe de estar bem. Estava imaginando minha melhor amiga sendo comida pelo mesmo homem que eu tinha deixado me foder contra a parede da minha própria sala.

Quando a palestra finalmente acabou, peguei o celular e digitei rápido: "Terminamos. Estamos saindo." Salvei o número dele como "Desgraçado" e guardei o aparelho. Não ia dar o vexame de admitir pras meninas que eu não tinha o número dele novamente.

Caio chegou no ponto marcado. O Gol prata encostou e ele estava lá, óculos escuros, braço apoiado na janela, postura relaxada de quem controla tudo. Entrei no banco do passageiro sem dizer uma palavra.

No caminho de volta, o assunto da palestra durou uns dez minutos. Depois Letícia, como sempre, mudou o rumo da conversa para algo mais interessante pra ela.

— E esses projetos que você mencionou mais cedo? — perguntou, inclinando o corpo para frente e apoiando os braços no encosto do banco de Caio. Perto demais. — Que tipo de negócios são?

Caio respondeu de forma vaga, mas confiante, falando sobre investimentos e que preferia não dar detalhes antes de concretizar. Letícia ouvia com atenção exagerada, rindo de coisas que nem eram tão engraçadas, fazendo perguntas que pareciam mais desculpas para manter a conversa viva.

Eu ficava em silêncio no banco da frente, as unhas cravadas na própria coxa. Cada risada dela era como uma facada. Cada vez que ela se inclinava mais para perto dele, eu imaginava a cena de novo — só que agora mais nítida. Letícia de joelhos, chupando ele com aquela boca que vivia sorrindo. Caio segurando o cabelo dela do mesmo jeito que segurou o meu. O olhar de superioridade no rosto dele enquanto ela engolia.

— Se der certo, vou comemorar bastante — ele disse. — Curtir o resultado.

— E você não vai querer dividir essa comemoração com alguém? — Letícia provocou, a voz mais baixa, quase melosa. — Alguém especial?

Caio soltou uma risadinha baixa.

— Depende de quem for a pessoa especial.

Eu não aguentei. Virei levemente o rosto e soltei, a voz afiada:

— Você sempre foi bom em comemorar sozinho, né? Deve ser por isso que as coisas não duram.

O silêncio que se seguiu foi curto, mas pesado. Caio apenas riu baixinho, como se eu tivesse contado uma piada. Letícia e Mariana acharam que era só mais uma farpa nossa de sempre. Mas eu sabia que ele tinha entendido o recado. E que estava se divertindo pra caralho com isso.

A primeira a ser deixada foi Mariana. Ela se despediu carinhosamente, agradeceu Caio mais uma vez e desceu. Agora éramos só nós três no carro.

Quando paramos em frente ao prédio de Letícia, meu estômago já estava embrulhado. Ela se inclinou sobre o banco novamente, esticando o corpo na direção de Caio. O beijo de despedida no rosto foi dado devagar, intencional. Os lábios dela tocaram o canto da boca dele. Tempo suficiente pra me fazer querer vomitar.

— Me manda mensagem depois — ela murmurou, a voz baixa e sugestiva.

Foi o estopim.

— Letícia, para de se atirar em cima dele assim, caralho!

As palavras saíram mais altas e agressivas do que eu pretendia. Letícia se virou para mim como se eu tivesse lhe dado um tapa.

— Qual é o seu problema, Jade? — rebateu ela, surpresa e visivelmente irritada. — Por que tá se importando tanto?

As palavras dela me acertaram em cheio. Senti o rosto queimar. Abri a boca para responder, mas nada saiu. Porque qualquer coisa que eu dissesse me entregaria. Porque eu não tinha uma resposta boa. Porque no fundo eu sabia que ela tinha razão.

Caio, do banco do motorista, começou a rir. Primeiro baixo, depois uma gargalhada genuína, satisfeita, como se estivesse assistindo ao melhor filme do ano. Ele se recostou no banco, um braço apoiado no volante, e me olhou com aqueles olhos cheios de puro deleite.

— Realmente… qual é o problema se eu e a Letícia quisermos nos conhecer melhor? — perguntou ele, a voz calma e provocadora.

Eu virei o rosto para ele, os olhos faiscando de ódio. Letícia deu um sorriso mais contido, se despediu dele com um "depois a gente se fala" e saiu do carro.

Assim que ela entrou no prédio e desapareceu de vista, o ar dentro do Gol ficou sufocante. O silêncio durou menos de cinco segundos. Eu explodi de vez.

— Qual é a porra do seu problema, Caio?! Desde cedo você tá sendo o maior babaca falso com as minhas amigas! Sorrindo, sendo atencioso, fazendo gracinha… Pra quê? Tá querendo se mostrar o cara legal?

Ele manteve uma mão no volante, olhar fixo na rua, mas aquele sorriso arrogante dominava todo o rosto. Dirigia relaxado, como se minha raiva fosse o melhor entretenimento possível.

— Princesinha… tá com ciúme? — provocou, a voz baixa e divertida. — Olha só pra você. Toda vermelha, tremendo. Nunca te vi assim. Tá doendo ver suas amigas babando em mim?

— Eu não tô com ciúme nenhum, seu filho da puta arrogante! — cuspi as palavras, cruzando os braços com tanta força que as unhas cravaram na pele. — Eu só não quero que você se meta com as minhas amigas! Especialmente a Letícia. Ela tá caidinha por você. E você ia conseguir comer as duas fácil, eu sei disso. Você é bom pra caralho nisso, desgraçado. Mas eu não vou permitir!

Ele parou no semáforo, virou o rosto lentamente para mim e sorriu. Um sorriso frio, satisfeito, cruel.

— Putinha… olha como você tá se enrolando toda. Negando o ciúme, mas já admitindo que eu consigo comer as duas. Sabe por quê? Porque você já provou. Já sentiu na pele o que eu sei fazer. E agora tá morrendo de medo que elas sintam também.

Ele se inclinou um pouco na minha direção, a voz ficando mais grave, mais venenosa:

— Quer que eu te conte como eu ia comer a Letícia? Ia começar devagar, abrindo aquelas pernas longas no banco de trás desse mesmo carro. Ia chupar ela até ela implorar. Depois ia virar ela de quatro e foder gostoso. Ia deixar ela tão bem comida que toda vez que te visse, ia lembrar de mim metendo fundo nela.

Meu peito subia e descia rápido. As mãos tremiam no colo.

— E a Mariana… — ele continuou, quase sonhador. — Ia chupar aquela boceta gordinha até ela tremer inteira, depois ia foder com força, fazendo aqueles peitos balançarem. Ia transformar ela numa putinha apaixonada, implorando pra eu comer de novo.

As palavras entravam como facas quentes. Eu queria gritar. Queria bater nele. Queria sumir.

— Você é um lixo, Caio… — murmurei, a voz falhando. — Um arrogante filho da puta. Eu te odeio de verdade.

Ele jogou a cabeça para trás e riu alto mais uma vez, um riso solto e satisfeito.

Quando estacionamos em frente de casa, eu estava tremendo. Abri a porta com violência, bati o portão do carro com toda a força e marchei em direção à entrada.

— Ei, sua maluca! — ele gritou pela janela, ainda rindo. — Cuidado com a porta do meu carro!

Parei na porta de casa, virei para ele com o rosto vermelho, olhos cheios de ódio puro e mostrei o dedo do meio bem alto. Ele apenas sorriu, convencido, balançando a cabeça como quem diz "eu sei que você tá mordida".

Entrei batendo a porta atrás de mim. Encostei na parede do corredor, o coração martelando, as pernas fracas. As imagens que ele plantou na minha cabeça não saíam.

Eu me odiava. Odiava ele. E odiava ainda mais o fato de que, no fundo, eu não conseguia parar de pensar nele.

[….]

O cheiro de comida caseira bateu na cara assim que abri a porta. Patrícia estava na cozinha, mexendo uma panela, e meu pai sentado à mesa com o tablet na mão. Os dois ergueram as sobrancelhas quando me viram entrar com Jade logo a frente.

— Vocês vieram no mesmo carro? — Patrícia perguntou, o tom carregado de surpresa.

Jade respondeu antes que eu pudesse abrir a boca, a voz controlada demais, quase ensaiada:

— O carro da Mariana quebrou e nós não tínhamos como ir pra palestra. Era obrigatória e valia nota. Caio ofereceu carona.

Ofereceu carona. Como se eu fosse o bom samaritano. Engoli o sorriso e mantive a cara neutra. Meu pai me deu um aceno discreto de aprovação. Patrícia abriu um sorriso genuíno, aliviada.

— Que bom que você ajudou, Caio. Mesmo com as brigas de vocês, fico feliz em ver isso. Obrigada mesmo.

— Não foi nada — respondi, dando de ombros.

Se ela soubesse o que realmente aconteceu nas últimas vinte e quatro horas. Se soubesse que a filha dela tinha passado a noite anterior de joelhos na sala. O sorriso doce da Patrícia desapareceria na hora.

Jade fugiu pro banheiro. Eu fiquei ajudando a pôr a mesa, ouvindo meu pai contar detalhes da viagem. Respondia no automático, mas minha cabeça estava no carro. Na explosão dela. No jeito como ela quase perdeu a cabeça quando Letícia deu aquele beijo quase na boca. No ciúme que escorria pelos poros e que ela negava com tanta veemência que só deixava tudo mais óbvio.

Durante o jantar, Jade sentou na minha frente. Nossos olhares se cruzavam de vez em quando por cima da mesa. Cada garfada dela parecia custar esforço. Eu, por outro lado, estava relaxado, falante até. Meu pai comentou que eu parecia de bom humor.

Patrícia concordou, sorrindo.

Jade me fuzilou com os olhos.

Quando Patrícia se levantou pra buscar mais água, me inclinei um pouco pra frente e falei baixo, só pra ela ouvir:

— Tá mais calminha agora, princesinha?

Ela apertou o garfo com tanta força que até deu medo. Não respondeu, mas o olhar que me lançou valia por mil xingamentos. Ódio puro. Misturado com algo que ela nunca admitiria.

— Vocês dois, chega — meu pai resmungou, sem levantar os olhos do prato. — Não aguento mais essas brigas.

— A gente não tá brigando — respondi, abrindo um sorriso inocente. — Só conversando.

Jade não disse nada. Engoliu a raiva junto com a comida e ficou em silêncio pelo resto do jantar. Cada garfada que ela dava era uma vitória pra mim.

Já passava das onze quando todos se recolheram. Roberto e Patrícia foram pro quarto do casal. Jade subiu na frente, e eu ouvi a porta do quarto dela se fechar. Fui pro meu, tirei a camiseta e me joguei na cama. O corpo estava cansado, mas a mente não desligava.

Peguei o celular e abri o Instagram. Letícia tinha me seguido. E, poucos minutos depois, Mariana também. As duas. Sorri no escuro. Letícia era previsível — sabia que ela faria isso. Mas a Mariana me surpreendeu. A santinha também estava curiosa.

Abri a DM da Letícia. Ela já tinha mandado uma mensagem, curta e direta: "Adorei te conhecer melhor hoje. Quem sabe a gente não faz algo qualquer dia?" Respondi com um "Claro. Só marcar." Ela visualizou em segundos e mandou um emoji de sorriso.

Deixei o celular no peito e fiquei olhando pro teto. Letícia era garantida. Linda, disponível, do jeito que eu gostava. Mariana seria mais trabalho, mas também estava no papo. Mas o que realmente me dava prazer não era a ideia de comer nenhuma das duas.

Era ver a Jade surtando.

Elas eram gostosas, sim. Comeria as duas se quisesse. Mas não era isso que me movia. O que me excitava era o jogo. Era ver a garota mais orgulhosa que eu conhecia perder o controle por minha causa. O ciúme possessivo, a raiva que ela não conseguia disfarçar, o desespero de me ver flertando com as amigas. Aquilo valia mais que qualquer foda. Porque com ela, o prazer não era só físico. Era psicológico.

Letícia mandou mais uma mensagem, e eu respondi no automático, mantendo a conversa viva. Ela era útil. Uma ferramenta. Um jeito de cutucar a Jade sem precisar encostar um dedo nela. E eu sabia agora que funcionava. A princesinha estava se corroendo por dentro, e eu nem precisava fazer esforço.

Mariana era diferente. Mais quieta, mais certinha. Mas tinha curiosidade — dava pra ver no jeito que ela me olhou hoje. Eu alimentava isso com conversas bobas, memes, provocações leves. Não porque queria comer ela. Mas porque sabia que, se a Jade descobrisse, o desespero dela seria ainda maior.

Era tudo um jogo. E eu estava ganhando.

Quando eu menos esperava a porta se abriu. Jade entrou, fechou atrás de si com um clique suave e ficou parada ali, no escuro, os braços cruzados, o peito subindo e descendo rápido.

— Novo desafio — ela sussurrou, direta e urgente. — Mesmas regras. Quem recusar primeiro perde. Eu começo.

Soltei o celular no peito e olhei pra ela com calma. Mesmo no escuro, dava pra ver que ela estava nervosa. As mãos tremiam levemente ao lado do corpo.

— E por que eu aceitaria?

— Porque eu não vou deixar você transar com as minhas amigas. Se eu ganhar, você fica longe da Letícia e da Mariana. Sem papo, sem encontro, sem nada.

Olhei pra ela. Depois peguei o celular e abri a conversa com Letícia. Virei a tela na direção dela, devagar, deixando ela ver o nome no topo. Os olhos de Jade foram direto pra tela, e eu vi o maxilar dela travar.

— Não — respondi, seco.

Ela ficou, surpresa.

— Como assim "não"?

— Não tô afim de apostar. — Apoiei a cabeça no travesseiro, olhando pra ela com um sorriso preguiçoso. — A Letícia já tá praticamente garantida. É só marcar o dia. Não preciso arriscar nada com você quando sei que é só dar corda pra ela vir atrás.

As palavras saíram calmas, calculadas. E eu vi o efeito imediato no rosto dela. A surpresa. Depois a raiva. E, por baixo de tudo, aquela ponta de humilhação que ela tentava esconder.

— Você não tem nada que eu queira, Jade — continuei, a voz baixa. — Nada que me interesse o suficiente pra arriscar. Você devia parar com essa mania de transformar tudo em competição. Cresce.

Ela abriu a boca, mas não saiu nada. Ficou ali parada, os olhos faiscando, o orgulho ferido estampado no rosto. A frustração era tão palpável que eu quase sentia o gosto.

— Agora sai do meu quarto. Tô ocupado.

Ela ficou imóvel. Depois virou as costas, saiu e fechou a porta com um pouco mais de força do que deveria. O suficiente pra fazer barulho, mas não o bastante pra acordar os velhos. Contida até na derrota.

Deixei o celular de lado e cruzei as mãos atrás da cabeça, sorrindo pro teto. Queria que ela viesse até mim. Queria ver até onde a Jade estava disposta a ir pra me impedir de chegar perto das amigas dela. Conhecia a Jade bem o suficiente pra saber que ela não ia aceitar a derrota passivamente. O orgulho dela não permitia. Mais cedo ou mais tarde, ela ia bater na minha porta. Ia oferecer algo realmente valioso. Ia tentar de novo.

E quando isso acontecesse, eu ia fazer ela pagar caro.

Virei de lado na cama, ajeitando o travesseiro. Do outro lado do corredor, eu sabia que ela estava acordada. Remoendo. Planejando. Tentando achar uma saída.

Ela não ia achar. Porque o jogo já estava ganho. Ela só não sabia ainda.

A semana seguinte foi um espetáculo silencioso. De segunda a sexta, peguei horas extras no laboratório e que eu aceitei sem reclamar porque a grana extra vinha bem a calhar. Mas o efeito colateral era que eu chegava em casa tarde, faltava na faculdade, já passando das nove, às vezes quase dez. Comia alguma coisa, tomava banho e desabava na cama. Jade e eu mal nos cruzávamos.

Ou melhor: eu evitava cruzar com ela, e ela fazia o mesmo. Mas a diferença é que eu estava ocupado de verdade, e ela estava se o lá fazendo o que.

As conversas com Letícia continuavam. Ela era insistente — mandava mensagem quase todo dia, perguntando do meu dia, reclamando que eu sumia, sugerindo planos. Eu respondia sem pressa, sempre educado, sempre com um gancho que mantinha ela interessada.

"Essa semana tá foda, hora extra até mais não poder."

"Assim que eu tiver uma folga, a gente vê."

"Você não vai desistir de mim tão fácil, né?"

Ela mordia a isca toda vez. Mandava emoji de risada, dizia que ia esperar, que eu era difícil mas que ela gostava de desafios. Letícia era o tipo de garota que queria o que não podia ter. Eu entendia isso. E usava a meu favor. Mas nunca tomei a iniciativa. Nunca marquei nada. Só deixava a porta entreaberta e observava ela fazer o resto.

Mariana foi uma surpresa. Não esperar interagir com ela tão cedo, mas enquanto trocava mensagens com a Letícia a Marina também mandava mensagem. Na quarta-feira, ela mandou uma mensagem curta e direta: "Oi, Caio. Letícia pediu pra te perguntar se você não vai sumir de vez, porque ela tá reclamando." Respondi com um "Tô sumido não, só ocupado. Mas fala pra ela que logo logo eu apareço." E depois emendei, sem dar tempo dela responder: "E você? Tá sumida porque?"

Ela demorou um pouco, mas respondeu. "Eu não, tô sempre por aqui. Só não sou de ficar perturbando os outros." A santinha tinha senso de humor. Respondi com um "Perturba não. Pode mandar mensagem quando quiser." Ela visualizou e não disse mais nada naquela noite. Mas na quinta mandou um "Bom dia" simples. E na sexta, um meme bobo. A porta estava entreaberta.

Não era desejo genuíno. Era curiosidade. Vontade de conquista. E, principalmente, era munição contra a Jade.

Jade, por sua vez, estava um caco. Eu percebia nos detalhes — as olheiras que ela tentava esconder com maquiagem, o jeito que ela me evitava na cozinha, o silêncio pesado quando a gente se cruzava no corredor. Ela não me provocava mais. Não me desafiava. Só me ignorava com uma intensidade que era, por si só, um pedido de socorro.

Ela queria que eu pensasse que tinha desistido. Mas eu conhecia a Jade melhor do que ela imaginava. O silêncio dela não era rendição. Era acúmulo. Ela estava remoendo cada palavra que eu disse no carro, cada provocação, cada detalhe. E, principalmente, estava remoendo o fato de que eu estava conversando com as amigas dela.

Na sexta de manhã, eu estava na cozinha mais cedo que o normal. Precisava resolver umas pendências no laboratório antes do fim de semana. Jade desceu logo depois, ainda de pijama, o cabelo preso de qualquer jeito. Ela me viu e parou na porta, hesitando.

— Dormiu bem? — perguntei, a voz arrastada, enquanto me servia de café.

— Por que você se importa?

— Não me importo. Só tô sendo educado.

Ela bufou e foi até a cafeteira. Serviu-se de costas pra mim, os ombros tensos.

— Você tá sumido essa semana — ela disse, a voz controlada demais pra ser um comentário casual.

— Hora extra. Meu supervisor me enfiou num projeto novo. Tô chegando tarde todo dia.

— Que bom que você tem algo útil pra fazer.

Sorri contra a xícara. Ela não conseguia evitar as farpas. Era mais forte que ela.

— E você? — perguntei, apoiando o quadril na bancada. — Tá se ocupando com o quê? Além de vigiar minhas conversas com a Letícia? — Joguei um verde, que ela caiu que nem patinho.

Ela girou o corpo, os olhos faiscando.

— Eu não tô vigiando porra nenhuma.

— Claro que não. — Dei de ombros. — Mas já que tocamos no assunto, ela tá bem ansiosa. Querendo sair. Acho que essa semana eu finalmente vou ter tempo.

O efeito foi imediato. Jade apertou a xícara com força, os nós dos dedos ficando brancos. Ela não disse nada, mas os olhos entregaram tudo. Raiva. Ciúme. Desespero. Eu vi cada emoção passar pelo rosto dela como ondas.

— Ela é minha amiga, Caio. Você não vai fazer isso.

— Fazer o quê? Sair com ela? Ela que tá me chamando. Eu não prometi nada. Só não recusei.

— Porque você é um filho da puta que gosta de brincar com as pessoas.

— Brincar? — Dei um gole no café, olhando pra ela por cima da xícara. — Eu só tô sendo educado. Se ela quer sair, eu saio. Se ela quer dar, eu como. Não tem brincadeira nenhuma. É simples assim.

Ela rangeu os dentes. O som foi audível na cozinha silenciosa.

— Você não vai comer a Letícia. E não vai chegar perto da Mariana também.

— Vai fazer o quê? Falar mal de mim? Falar que eu não presto?

Os olhos dela brilharam com algo que não era só raiva. Era desafio. A velha Jade estava ali, embaixo das olheiras e do cansaço.

— Talvez.

Dei uma risada curta e deixei a xícara na pia.

— Tô atrasado. A gente continua essa conversa depois, princesinha.

Saí da cozinha sentindo o olhar dela queimando nas minhas costas.

No sábado, o dia amanheceu carregado. Desde cedo, Jade estava inquieta. Eu desci pra cozinha por volta das dez e ela já estava lá — coisa rara —, andando de um lado pro outro, mexendo no celular, olhando pela janela. Os pais iam sair pra um almoço de família e só voltariam à noite. A casa ficaria vazia por horas. Ela sabia disso. E eu também.

Saí pro laboratório de manhã, resolvi umas pendências e voltei no meio da tarde. Quando entrei em casa, o silêncio era absoluto. Tomei um banho, comi alguma coisa e me joguei no sofá da sala. O celular vibrou com uma mensagem da Letícia.

"Sexta que vem você vai estar livre ou vai inventar mais hora extra?"

"Essa semana foi foda mesmo", respondi. "Mas acho que semana que vem melhora."

"Tomara. Porque eu não vou te esperar pra sempre, viu?"

Sorri. Ela ameaçava, mas não ia a lugar nenhum. Era só mais uma forma de pressionar. Respondi com um "Anota aí: sexta que vem. Se eu não aparecer, pode me xingar." Ela mandou um emoji de risada e confirmou.

Mariana mandou uma mensagem logo depois. Um meme bobo de gato. Respondi com um "Isso aí sou eu amanhã: dormindo até tarde." Ela riu e disse que também. Troquei mais algumas mensagens curtas com ela — nada demais.

Jade desceu as escadas por volta das seis. Passou pela sala sem me olhar, foi até a cozinha, bebeu um copo d'água e ficou parada na porta, me observando.

— Tá ocupado? — ela perguntou, a voz estranhamente neutra.

— Tô. — Levantei o celular, mostrando a tela. — Letícia mandou mensagem.

Ela não mordeu a isca. Só ficou me olhando e depois subiu de volta.

Os pais chegaram perto das oito. Jantamos juntos, conversa fiada sobre a semana. Jade mantinha a máscara, respondendo com monossílabos. Eu estava relaxado, falante até. Meu pai comentou que eu parecia mais animado que o normal. Patrícia concordou. Jade me fuzilou com os olhos por cima da mesa.

Depois do jantar, os pais se recolheram. Assistiram TV por um tempo e, lá pelas dez e meia, foram dormir. A casa ficou em silêncio.

Eu estava deitado na cama, camiseta jogada no chão, só de bermuda. O celular na mão, a tela iluminando o quarto escuro. Estava respondendo uma mensagem qualquer quando ouvi os passos no corredor. Leves, cuidadosos. A maçaneta girou devagar e Jade entrou no quarto, fechando a porta atrás de si. Ela estava de short e camiseta larga, o cabelo preso no elástico do pulso. Os olhos castanhos brilhavam na escuridão.

— Que porra você quer agora? — perguntei baixo, sem me mexer na cama.

Ela ficou parada perto da porta, os braços cruzados com força. O corpo tenso. Dava pra ver que ela tinha passado a semana inteira remoendo aquilo.

— Eu entendi por que você recusou o desafio — ela disse, a voz controlada, mas com uma urgência que vibrava por baixo. — A Letícia é garantida pra você. Não precisa arriscar nada comigo quando sabe que é só marcar o dia certo pra comer ela.

Soltei uma risada baixa e me sentei na beirada da cama, apoiando os cotovelos nos joelhos.

— Não comi ainda porque a semana foi uma merda. Hora extra até o cu fazer bico. Mas ela tá louquinha pra dar, isso é verdade.

Jade engoliu em seco. A mandíbula travou.

— Então é isso? Você vai comer a Letícia?

— Provavelmente. Ela quer, eu quero. Não tem por que não.

— E a Mariana?

— Que tem a Mariana?

Ela me olhou como se soubesse que eu estava escondendo algo. Mas não insistiu. A Mariana era uma carta que eu guardava pra depois.

— Eu não vim te propor uma aposta — Jade continuou, a voz mais firme agora. — Vim te propor um desafio de verdade, onde temos que transar até que um de nós não consiga continuar, se os dois não conseguir quem gozou mais vezes perde.

Ergui uma sobrancelha. A Jade continuou.

— Se você vencer, eu te dou uma Noite de Prazer Total. Uma noite inteira em que eu não posso dizer não pra nada. Você manda o que quiser, do jeito que quiser. Eu sou sua, completamente.

Aquilo me interessou. Uma noite inteira. Sem limites. Ela completamente à minha mercê. A imagem acendeu um calor no peito.

— Caralho, Jade... você tá realmente desesperada. Tá se oferecendo pra ser minha puta por uma noite inteira só pra eu não comer a Letícia?

— Se eu perder — ela corrigiu, os olhos faiscando. — E eu não vou perder.

— E se você ganhar?

— Você some da vida da Letícia e da Mariana. Pra sempre. Sem conversa, sem encontro, sem nada. Nunca mais chega perto delas.

Quase ri alto. Pra sempre. Ela queria me proibir de chegar perto das amigas dela por tempo indeterminado. Era o desespero falando mais alto.

— Você tá pedindo demais e oferecendo de menos — falei, recostando na cama. — Uma noite com você em troca de duas garotas garantidas? A Letícia é certa. A Mariana também, com um pouco mais de tempo. Você quer me tirar duas transas e me oferecer uma noite. Isso não é justo.

Ela rangeu os dentes.

— O que você quer, então?

— Além da Noite de Prazer Total, se eu vencer eu ainda vou poder pedir qualquer coisa. Qualquer coisa. E você vai fazer sem reclamar, sem discutir, sem drama.

Jade me olhou. Os olhos avaliando.

— Fechado — respondeu. — Mas eu não vou perder mesmo.

— Você tem tanta certeza assim?

— Tenho.

Sorri. A arrogância dela era quase cômica. Mas ela nunca aprendia. Era isso que tornava o jogo tão divertido.

— Tá. Mas eu ainda não acredito que você vai cumprir tudo isso. Você sempre foi cheia de pose, de orgulho, não gosta de se submeter a ninguém. Agora tá aqui, se oferecendo. Por quê? Só pra eu não comer suas amigas?

— Porque eu não vou deixar você encostar um dedo nelas — os olhos faiscando.

Soltei uma risada baixa e balancei a cabeça.

— Palavras. Só palavras. Você diz que vai cumprir, mas na hora H vai dar pra trás. Sempre foi assim.

Foi aí que ela se moveu. Foi até a porta, abriu uma fresta e olhou o corredor. O silêncio na casa era absoluto. Os pais ainda estavam no quarto, dava pra ouvir o murmúrio abafado da TV. Ela fechou a porta com cuidado, girou a chave com um clique suave e voltou na minha direção. Os olhos dela estavam diferentes agora. Determinados. Quase ferozes.

— Eu previa que você ia desconfiar — ela disse, a voz baixa. — Por isso vou te mostrar agora que tô falando sério.

Ela parou entre minhas pernas, tão perto que eu sentia o calor do corpo dela. E então, sem desviar o olhar, se ajoelhou. Ajoelhou no chão do meu quarto. Completamente vestida. A camiseta larga, o short de dormir. Os pais do outro lado do corredor. E ela ali, de joelhos, as mãos subindo pras minhas pernas.

— Isso aqui é a minha determinação em cumprir o combinado — ela disse, e a voz tremia, mas era de determinação realmente.

As mãos dela puxaram a bermuda e a cueca pra baixo. Meu pau saltou, ainda semi-duro, e ela segurou com a mão direita. Olhou pra cima, os olhos castanhos encontrando os meus. E desceu a boca.

O calor foi imediato. Ela chupava com intenção clara — lenta no começo, a língua girando na cabeça, os lábios apertados deslizando pelo comprimento. A mão trabalhava na base com pressão exata.

— Porra, Jade... — a voz saiu rouca. — Você tá chupando meu pau com os velhos do outro lado do corredor.

Ela não respondeu. Só me olhou de baixo, os olhos úmidos, e afundou mais. O ritmo acelerou. A boca fazia um som molhado que enchia o quarto, a mão acompanhando, a língua pressionando a parte de baixo. Ela chupava com uma fome que não era só pra me convencer. Era como se ela precisasse daquilo.

Eu apertava os dedos no cabelo dela, sentindo o prazer subir. Mas não era só o boquete. Era a cena. A garota mais orgulhosa da casa, de joelhos no meu quarto, me chupando com vontade. Os pais dormindo ali perto. O risco, a humilhação, a entrega total.

Ela continuou por um bom tempo. Eu deixei. Não ia interromper aquilo nem fodendo— estava bom demais, e cada segundo que ela passava ali era uma confirmação do quanto ela estava disposta a se rebaixar.

Finalmente ela parou, tirando o pau da boca com um som molhado. Uma linha de saliva conectava os lábios inchados dela à cabeça latejante. Ela respirou fundo, os olhos marejados, mas a expressão ainda firme.

— E agora? Você aceita o desafio ou não?

Eu ri baixo, a respiração ainda pesada.

— Agora sim você me convenceu.

Ela se levantou, limpando a boca com as costas da mão. Eu arrumei a bermuda, ainda sentindo o latejar do prazer.

— Amanhã — falei, a voz mais firme. — Assim que os velhos saírem, você se arruma.

Ela franziu a testa.

— Se arrumar? Pra quê?

— A gente vai sair. Meu pai e a Patrícia só vão almoçar fora, não vão ficar fora o dia todo. Não tem como fazer nada aqui em casa com eles voltando sei lá que horas. E já que agora a gente tem um desafio de verdade, vamos precisar de tempo. E de um lugar adequado.

Jade me olhou desconfiada. Ela não era ingênua — sabia que eu ia usar isso a meu favor. Mas também sabia que eu tinha razão. Fazer em casa era arriscado demais.

— Tá — ela respondeu, a voz seca. — Onde?

— Eu decido o local. Você só se arruma e me espera.

Ela ficou me olhando, avaliando talvez. Depois assentiu, uma vez, curta e seca.

— Esteja pronta — completei, recostando na cama. — E capricha na produção. Quando eu ganhar, quero que você esteja no seu melhor.

Ela mostrou o dedo do meio e foi até a porta. Destrancou, abriu uma fresta, verificou o corredor. Antes de sair, olhou pra trás uma última vez.

— Você vai perder, Caio. E eu vou adorar ver sua cara quando perceber que nunca mais vai encostar nas minhas amigas.

— Sonha, princesinha.

Ela saiu e fechou a porta. Eu fiquei sozinho no escuro, o sorriso ainda no rosto, o gosto da vitória antecipada na boca. Ela tinha acabado de me dar a garantia mais deliciosa possível. E amanhã eu ia ganhar o resto. Com juros.

[…]

Os pais saíram pouco depois das onze. O Roberto ainda deu aquelas recomendações de sempre — "não briguem", "comam alguma coisa", "tranquem a porta" — antes de entrar no carro com a minha mãe. Assim que o portão fechou, senti o estômago revirar.

Fiquei parada na sala, ouvindo o motor do carro se afastar. A casa ficou num silêncio absoluto, daqueles que pesam nos ombros. Eu sabia que ele ia vir. Era só questão de tempo.

Subi pro meu quarto e fiquei sentada na cama, esperando. As mãos suavam. O coração martelava no peito. Eu ainda estava de pijama — short e camiseta larga — e por um momento me senti ridícula. Ele ia me ver daquele jeito, desarrumada, vulnerável. Mas antes que eu pudesse me levantar pra me trocar, ouvi duas batidas leves na porta.

Caio entrou sem esperar resposta. Fechou a porta atrás de si e ficou me olhando.

— Veste tua melhor lingerie — ele disse, direto, sem rodeios. — Aquela que você guarda pra quando quer se sentir gostosa. E coloca uma roupa bonita por cima. A gente vai sair.

— Sair? Eu pensei que a gente ia fazer aqui...

— Eu decido o local, lembra? — ele cortou, o tom que não admitia discussão. — Não vou arriscar ser interrompido. Tem muita coisa em jogo. Se arruma direito. Te dou vinte minutos.

Ele saiu tão silenciosamente quanto entrou.

Fiquei parada, o coração acelerado. Parte de mim queria discutir, mas eu sabia que não adiantaria. Ele tinha razão sobre o risco — meus pais podiam voltar antes do previsto, e a ideia de ser pega no meio de qualquer coisa era aterrorizante. Mas sair de casa significava abrir mão do pouco controle que eu ainda tinha. Significava ir pra um território desconhecido.

Respirei fundo. Abri a gaveta de baixo da cômoda e peguei a lingerie que quase nunca usava — um conjunto preto de renda fina, sutiã meia-taça que levantava os seios, calcinha fio-dental minúscula. Comprei meses atrás, num impulso, e nunca tinha usado pra ninguém. Agora ia usar pra ele.

Vesti a lingerie e me olhei no espelho. A renda preta contrastava com a pele clara, e o sutiã deixava os seios empinados de um jeito que me fez corar sozinha. A calcinha era tão pequena que parecia mais um fio dental do que uma peça de roupa. Eu estava gostosa. Não tinha como negar. E odiava o fato de que estava me arrumando pra ele ver aquilo.

Escolhi uma blusa branca justa, que marcava bem os seios, e uma saia jeans que ficava um pouco acima do joelho — simples, mas que valorizava as coxas grossas. Soltei o cabelo, passei um pouco de maquiagem, perfume. Quando terminei, me olhei no espelho de novo e senti um misto de vergonha e excitação. Eu estava me arrumando pra ele. Pro Caio. Pro garoto que eu mais odiava no mundo.

Caio bateu na porta e entrou de novo.

— Tá pronta?

Ele parou no meio do quarto. Os olhos dele me percorreram de cima a baixo, lentamente — a blusa justa, a saia marcando a curva dos quadris, as pernas torneadas. Eu vi o choque no rosto dele antes que ele pudesse disfarçar. Ele ficou em silêncio e eu senti o olhar dele queimar cada centímetro da minha pele.

— Porra... — murmurou, quase pra si mesmo. — Você tá... foda.

Senti o rosto esquentar, mas mantive a expressão séria.

— Vamos logo com isso.

Ele balançou a cabeça, ainda me olhando.

— Vem. A gente vai de carro.

Descemos juntos. Tranquei a casa enquanto Caio ligava o Gol. Assim que entrei no carro, o silêncio ficou denso. Ele dirigia com uma mão no volante, a outra no câmbio, e eu sentia o olhar dele nas minhas pernas — a saia tinha subido um pouco quando sentei, e as coxas ficaram expostas. Eu cruzava e descruzava as pernas, nervosa, o coração batendo forte.

— Pra onde a gente vai? — perguntei, tentando manter a voz firme.

— Você vai ver.

O trajeto durou uns vinte e cinco minutos. Ele pegou a marginal e seguiu pra uma região que eu conhecia de nome, mas nunca tinha ido. Uma região de motéis. Meu estômago gelou. Não era mais em casa, no território conhecido. Era neutro. Público. Anônimo. Exatamente o que ele queria.

O Gol parou em frente a um motel. A fachada era discreta, sem ostentação, mas dava pra ver que era um lugar bacana. Caio desligou o carro e olhou pra mim.

— Última chance de amarelar.

Virei o rosto pra ele, os olhos faiscando de raiva e determinação.

— Eu não vou amarelar. Vamos acabar logo com isso.

Ele sorriu, satisfeito. Desceu do carro, deu a volta e abriu a porta pra mim — um gesto quase cavalheiresco que só servia pra me irritar ainda mais. Desci, sentindo o ar quente da tarde nas pernas. Caminhamos lado a lado até a recepção.

Caio pediu a suíte, pagou em dinheiro e pegou a chave. O funcionário nem olhou direito pra gente. Subimos de elevador em silêncio. Eu olhava pra porta, pro chão, pra qualquer coisa que não fosse ele. Mas sentia o cheiro dele — aquele perfume misturado com algo que era só dele — e meu corpo respondia antes que eu pudesse controlar.

Quando a porta do quarto se abriu, senti o cheiro de ambiente climatizado e o ar frio bater no rosto. Caio fechou a porta atrás de nós com um clique suave.

O quarto tinha uma king size no centro, espelho grande na parede lateral, banheira no canto, luz indireta vermelha suave. Tudo pensado pra uma coisa só. Ele trancou a porta e se virou pra mim, os olhos me avaliando como se eu fosse uma presa.

Eu percebi, naquele instante, que tinha acabado de entrar na toca do lobo. Mas não estava indefesa. Eu tinha um plano. E ia executar cada etapa dele. Porque eu não podia perder. Não dessa vez. Não com o que estava em jogo.

— Tira a roupa — ele disse, a voz calma, controlada. — Devagar. Quero apreciar a lingerie que você vestiu pra mim.

A voz dele era tranquila, quase preguiçosa, e isso me irritava mais do que se ele tivesse gritado. Eu era a única tremendo ali, com o coração disparado enquanto ele me olhava apoiado na parede, os braços cruzados, como se tivesse todo o tempo do mundo.

Por dentro, minha mente já estava fria. Eu tinha um plano.

Engoli o orgulho e obedeci. Levei as mãos à barra da blusa branca e puxei pra cima, sentindo o tecido deslizar pela pele. O ar frio bateu no abdômen, nos seios ainda cobertos pela renda preta. Deixei a blusa cair e continuei, descendo o zíper da saia jeans, que escorregou pelas coxas e se amontoou nos meus pés. Chutei pro lado.

Fiquei parada no meio do quarto, só de lingerie. O sutiã meia-taça empinava os seios, a calcinha fio-dental era quase invisível entre as coxas grossas. A luz vermelha deixava tudo mais intenso. Eu sabia que estava gostosa. Sabia que ele estava vendo. E uma parte de mim gostava disso. Mas a parte que importava agora era a estrategista.

Caio não disse nada por um tempo. Só olhou. Os olhos percorreram cada curva com uma fome que ele nem tentava disfarçar. Quando finalmente falou, a voz saiu mais rouca.

— Porra, Jade... Você tá absurdamente gostosa hoje. Quase dá pena de te destruir.

Quase.

Ele se aproximou, e eu senti o cheiro dele antes mesmo do toque. Segurou meu queixo com firmeza, ergueu meu rosto e me olhou nos olhos. O polegar passou pelo meu lábio inferior, devagar. Meu corpo respondeu sozinho — um arrepio na espinha, os mamilos endurecendo sob a renda.

— Você acha que já viu tudo que eu posso fazer — murmurou, a voz baixa. — Mas o que eu vou fazer com você hoje não se compara com nada do que a gente já fez. As duas vezes que você perdeu foram só o aquecimento. Hoje eu vou te foder.

Ele baixou a cabeça e encostou os lábios no meu pescoço. Não era um beijo — era uma ameaça. A boca quente descendo devagar, a respiração na minha pele, os dentes roçando de leve. Mordeu a curva do ombro, e eu soltei um gemido curto, as pernas fraquejando.

— Deita — ordenou, a voz baixa.

Ele me empurrou de leve na cama e eu caí de costas no colchão. Antes que pudesse me recompor, já estava entre minhas pernas. Abriu elas com as duas mãos e baixou a cabeça.

A boca dele encontrou a boceta por cima da calcinha. O calor da língua atravessou a renda fina. Ele puxou a calcinha pro lado, os dedos abrindo espaço, e a boca veio direto, sem barreiras.

— Ah, porra... — gemi, as costas arqueando.

Ele chupava com uma precisão — a língua firme no clitóris, dois dedos entrando e saindo ritmados. Eu agarrei o lençol, tentando me segurar, mas era inútil. Ele me conhecia agora.

Tentei segurar os gemidos, mas eles escapavam mesmo assim. Minhas coxas apertaram a cabeça dele, os quadris rebolando contra a boca. Ele ria baixo entre uma lambida e outra.

— Pensei que você fosse mais difícil — provocou, levantando a cabeça por um segundo, os lábios brilhando. — Tá gemendo igual puta e eu mal comecei.

— Vai se foder — consegui dizer, a voz fraca.

Ele riu e voltou a chupar, agora com mais intensidade. O prazer subiu em ondas, o corpo inteiro tremendo, e quando ele sugou forte e enfiou os dedos até o fundo, eu explodi.

O orgasmo veio violento. Costas arqueadas, um gemido rouco escapando da garganta, as pernas apertando a cabeça dele com força. Ele continuou chupando enquanto eu gozava, tirando cada gota, e quando finalmente se afastou, os lábios brilhando, eu ainda tremia. Meu corpo estava mole, mas minha mente continuava alerta.

— Puta que pariu! — ofeguei, vi um sorriso desafiador nos lábios dele. — Não se gaba tanto. Ainda tô aqui.

Ele limpou a boca com as costas da mão e me olhou com aquele sorriso de canto.

— Você gozou gostoso. Mas isso foi só a entrada. Levanta.

Me levantei da cama, ainda com as pernas trêmulas, e fui até ele. Segurei a barra da camiseta e puxei pra cima. Ele deixou, erguendo os braços, e eu joguei a camiseta no chão. Passei as unhas devagar pelo abdômen dele. Eu não queria dar prazer a ele. Mas eu preciso. Porque é assim que eu vou ganhar.

— Nas outras vezes eu só recebi — eu disse, a voz mais firme. — Deixei você mandar. Mas agora não. Agora eu também vou jogar.

Ele ergueu uma sobrancelha, surpreso, mas não me impediu quando minhas mãos foram pro cós da bermuda dele. Abri o botão, desci o zíper, puxei tudo pra baixo. O pau dele saltou, duro e grosso. Eu segurei, sentindo o calor pulsar. Meu corpo respondeu sozinho — um aperto no ventre. Eu odiava isso. Mas não importava. O que importava era vencer.

Ajoelhei na frente dele. Não como submissão — como estratégia. Abri a boca e desci sobre o pau, chupando com mais vontade do que tinha feito no quarto. A língua girava na cabeça, os lábios deslizavam pelo comprimento, a mão trabalhando nas bolas. Ele gemeu alto, os dedos entrelaçando no meu cabelo.

— Porra, Jade...

Continuei. Babava, sugava, descia fundo. Não era pra fazer ele gozar ali — eu sabia que no boquete demoraria. Era pra lubrificar. Pra deixar ele pronto. Pra deixar ele doido. Cada gota de tesão que eu arrancava dele era combustível queimado. Ele podia me fazer gemer, me fazer tremer. Mas no final, eu ia estar de pé e ele não.

Quando senti que já estava bom, subi na cama e puxei ele pelo braço. Me deitei de costas, abrindo as pernas.

— Agora mete.

Ele se posicionou e enfiou de uma vez, fundo, sem piedade. Soltei um gemido alto, as costas arqueando, as pernas se fechando em volta dele. O prazer era intenso, mas eu não deixei que me dominasse. Usei o prazer. Deixei ele vir, deixei meu corpo responder, porque quanto mais ele se empolgasse, mais rápido ia gozar.

— Assim... — gemi, puxando ele pra mais perto. — Forte. Fode pra valer. Arrebenta essa boceta.

Ele ficou maluco. Começou a socar com força, a cama balançando, o pau entrando e saindo num ritmo frenético. Eu gemia alto, as unhas cravadas no lençol, as pernas trançadas na cintura. Puxei ele ainda mais pra perto, prendendo ele contra mim.

— Isso... — falei alto pra ele ouvir — Goza. Goza dentro de mim. Me enche de porra. Goza tudo.

Ele gemeu alto, os quadris acelerando, e eu senti o pau pulsar forte enquanto gozava, o corpo inteiro tensionando, os dedos cravados nos meus quadris. Ficou assim por longos segundos, tremendo. Quando finalmente parou, a respiração estava pesada, o suor escorrendo pela testa.

Eu sorri por dentro, ainda ofegante, as pernas ainda ao redor dele. Primeira gozada dele. Meu plano estava funcionando.

Ele saiu de dentro de mim devagar, o corpo ainda tremendo do orgasmo, e se deixou cair ao meu lado na cama. A respiração estava pesada, o peito subindo e descendo rápido. Eu também estava ofegante, as pernas ainda moles, mas minha mente continuava alerta. A primeira gozada dele tinha sido fácil de arrancar. Agora eu precisava continuar. Manter o ritmo. Não deixar ele respirar.

— Você veio pra jogar hoje — ele murmurou, a voz ainda rouca.

— Eu sempre venho pra jogar. Você que nunca percebeu.

Ele virou o rosto pra mim, os olhos escuros brilhando na luz vermelha. A mão dele subiu devagar pela minha coxa, os dedos traçando círculos na pele ainda sensível. Meu corpo respondeu sozinho, um arrepio descendo pela espinha. Eu odiava que ele tivesse esse efeito sobre mim. Mas agora não importava. Deixa ele tocar, ainda mais se isso o excitar.

— Então vamos jogar de verdade.

Antes que eu pudesse responder, ele me puxou pela cintura e me virou de bruços na cama. As mãos dele agarraram meus quadris, me puxando pra cima, e eu fiquei de quatro — a posição que ele sabia que eu ama. Mas dessa vez eu não ia só receber. Eu ia usar o prazer que ele me dava como combustível pra continuar.

Ele penetrou sem avisar, fundo, e eu gemi alto contra o colchão. Ainda estava sensível do primeiro orgasmo, cada centímetro dele entrando parecia amplificado. As estocadas vieram fortes, ritmadas, e eu empinava mais, rebolava contra ele, buscando o ângulo que sabia que levaria ele ao limite de novo.

— Você acha que controla alguma coisa — ele disse, a voz entrecortada pelas estocadas. — Mas olha pra você. De quatro. Gemendo. Pedindo mais.

— Eu não pedi porra nenhuma — revidei, mas a voz saiu falhando.

— Seu corpo pede. Sua boceta pede.

E ele tinha razão. Meu corpo pedia. Respondia a cada estocada, a cada palavra suja que saía da boca dele. As pernas tremiam, a boceta contraía, os gemidos saíam mais altos. Mas isso não significava que eu estava perdendo. Significava que meu corpo estava fazendo o que precisava fazer.

Ele segurava meus quadris com força, os dedos cravando, e eu sentia o suor dele escorrendo. A respiração estava cada vez mais pesada. Os movimentos, antes precisos, começavam a ficar mais erráticos. Ele estava cansando. Eu sentia.

Continuei empinando, rebolando, apertando ele com os músculos internos. Ele gemia alto, os olhos provavelmente fechados, concentrado em não gozar rápido demais. Mas eu não ia dar esse luxo pra ele.

— Isso, Caio — eu disse, a voz embargada de prazer mas ainda firme. — Continua. Não para. Tá com medo de gozar de novo?

— Você não... vai me vencer... — ele grunhiu.

— Já tô vencendo.

Ele acelerou o ritmo, as estocadas ficando mais profundas, mais desesperadas. Eu sentia ele pulsar dentro de mim, e sabia que estava perto. A mão dele subiu pras minhas costas, os dedos pressionando a espinha, e ele meteu mais fundo ainda, arrancando um gemido alto da minha garganta.

— Goza — eu mandei, a voz firme. — Goza de novo. Me enche de porra mais uma vez.

Ele não resistiu. O corpo tensionou, os dedos cravando nos meus quadris novamente, e ele gozou com um grunhido rouco, o pau pulsando forte dentro de mim. Foram longos segundos, o corpo dele tremendo, a respiração pesada. Quando finalmente parou, eu ainda estava ali, de quatro, sentindo ele amolecer dentro de mim.

Me virei e olhei pra ele. O peito subia e descia rápido, o suor escorrendo pela testa, os olhos ainda meio vidrados. Mas eu não tinha gozado dessa vez. Ele sim.

— Você já gozou duas vezes — eu disse, a voz triunfante, um sorriso desafiador nos lábios. — Duas. E eu só uma. Você tá ofegante aí, suando, tremendo. Tá cansado, Caio? Porque eu ainda tô inteira. Acho que você não aguenta mais.

Ele me olhou, os olhos faiscando com uma mistura de raiva e incredulidade.

— Você não vai aguentar o que vem agora.

— É o que vamos ver.

Ele ficou me olhando por um longo momento, o peito ainda subindo e descendo, o suor brilhando na testa. Eu sorri, recuperando o fôlego. Ainda estava ofegante, mas minha mente estava clara. Ele tinha gozado duas vezes. Eu, uma. A resistência física pendia pro meu lado.

— Você tá suando, Caio — provoquei, a voz ainda entrecortada. — Tá ofegante, cansado. Eu ainda tô inteira. Você já gozou duas vezes e mal consegue falar.

— É o que você acha.

— É o que eu sei. Olha pra você. E olha pra mim. Eu tô pronta pra continuar. Você parece que vai desmaiar.

Ele riu. Uma risada baixa, diferente. Não era o riso debochado de sempre. Era algo mais calmo, mais confiante. E aquilo me deixou em alerta.

— Sabe o que eu tava pensando? — ele disse, os olhos presos nos meus. — Você tá incrível hoje. De verdade.

Não esperava aquilo.

— Ver você com essa lingerie foi de cair o queixo — ele continuou, a voz sem o veneno de sempre. — Você tá absurdamente gostosa. Mas não é só isso. É o jeito que você se entregou. A determinação. A vontade de vencer. Você me fez gozar duas vezes só pra tentar me cansar tenho certeza. Isso foi... foda. De verdade.

Senti o rosto esquentar. Ele não deveria estar me elogiando. Deveria estar puto, frustrado, tentando encontrar uma saída. Mas ele parecia sincero. E aquilo me desconcertou mais do que qualquer provocação.

— Por que você tá falando isso? — perguntei, a voz menos firme do que eu queria.

— Porque é verdade. E porque eu quero que você saiba que eu reconheço o esforço. — Ele fez uma pausa, os olhos brilhando. — Mas também quero que você saiba que foi um erro.

— Erro?

— Você me mostrou do que é capaz. Me mostrou que veio pra jogar. E agora eu não tenho mais motivo pra pegar leve. Até me dá pena de ver você se esforçar tanto pra perder de novo. Mas você pediu.

— Você tá blefando — eu disse, recuperando a postura. — Eu tô mais inteira que você. Você já gozou duas vezes. Eu só uma. Você não aguenta mais nada.

— Isso é o que você acha.

Ele se moveu antes que eu pudesse responder. Ele então veio e me colocou novamente de quatro, e se posicionou atrás de mim. Mas dessa vez não meteu de imediato. Ele juntou minhas pernas, uma contra a outra, bem fechadas. Depois colocou as pernas dele por fora, me prendendo. Eu estava imobilizada da cintura pra baixo, sem poder me mexer. A boceta ficou ainda mais apertada, comprimida pelas coxas.

— Agora você vai sentir — ele murmurou, a mão segurando firme na minha cintura. — Cada centímetro.

Ele encostou a cabeça do pau na entrada e empurrou. Devagar. Muito devagar. Eu senti cada detalhe — a largura, as veias, a textura quente da pele. O caminho que ele fazia dentro de mim era lento e profundo, e eu soltei um gemido arrastado, os olhos se fechando involuntariamente.

— Tá sentindo? — ele perguntou, a voz controlada.

— To... to sentindo o quê, seu... — tentei provocar, mas a voz falhou.

— Cada pedacinho. Você passou o dia me provocando, me fazendo gozar, achando que ia me vencer. Agora você vai sentir o que eu sei fazer.

Ele começou a se mover. Colocava e tirava num ritmo lento para médio, cada estocada precisa e profunda. Eu gemia sem parar, as mãos agarrando o lençol. Ele segurava minha cintura com força, e a cada entrada eu sentia a boceta mais sensível, mais inchada, mais entregue.

— Depois de tudo que a gente já fez hoje — ele continuou, a voz baixa e controlada —, sua boceta tá muito mais sensível. Você não percebeu, mas eu sim. Cada vez que eu meto, você aperta mais. Geme mais alto. Tá mais fácil de fazer você gozar agora do que nunca.

Ele acelerou o ritmo, as estocadas ficando mais intensas. Eu já não conseguia responder. Só gemia, os braços tremendo, o corpo inteiro formigando. O prazer subiu em ondas, e quando ele inclinou e meteu mais fundo, eu explodi. O orgasmo veio intenso, as pernas tremendo, um gemido alto escapando da garganta.

Mas ele não parou.

Antes que eu pudesse me recuperar, ele agarrou meus braços e os puxou para trás, cruzando meus pulsos nas minhas costas. Meu rosto caiu no colchão, a bunda empinada, a boceta completamente exposta e indefesa. Tentei me soltar, mas ele segurava firme, uma mão prendendo meus pulsos, a outra no meu quadril.

— Agora você não sai daqui — ele disse, a voz mais grave. — Agora você vai aprender de uma vez por todas, quem é melhor.

Ele voltou a meter, e o ângulo novo me fez ver estrelas. Sem os braços pra me apoiar, sem poder me mexer, eu estava completamente dominada. Cada estocada vinha forte, profunda, e eu só podia receber. A sensação de impotência, de estar à mercê dele, acendeu um prazer tão intenso que eu achei que fosse enlouquecer.

Ele socava sem parar, o ritmo implacável, e eu gemia contra o colchão. Minha mente foi se apagando, substituída apenas pela sensação do pau me enchendo, do corpo dele contra o meu. Eu estava suando, mole, atordoada. Não conseguia mais pensar. Só sentir.

— Você tá acabando comigo — eu admiti, a voz fraca, quase um sussurro.

— Eu sei.

Ele continuou metendo, e eu senti outro orgasmo se formar, mais forte que o anterior. Quando explodiu, eu gritei, o corpo inteiro se contorcendo, as pernas tremendo descontroladamente. Gemi alto, sem conseguir me segurar, a boceta pulsando em espasmos violentos.

Ele soltou meus braços. Meu corpo amoleceu imediatamente, os músculos sem força. Senti que ia desabar na cama, mas antes que eu caísse, ele segurou minha cintura com força, me mantendo empinada minha bunda, impedindo que eu tombasse.

— Não vai cair agora, princesinha — ele murmurou, a voz triunfante. — Agora você vai entender de uma vez por todas. Eu sou melhor do que qualquer merda que você já deu na vida. Melhor do que todos eles juntos. E hoje você vai me desejar pro resto da vida.

Eu não conseguia responder. Não conseguia nem pensar. Só sentia o corpo pulsando, a boceta ainda latejando, o suor escorrendo pela pele. Ele tinha razão. Ele sempre teve razão. E agora, destruída e mole naquela cama de motel, eu finalmente entendi o tamanho do meu erro. O plano tinha falhado. E ele não tinha mostrar tudo que sabia fazer.

Ele me manteve empinada, as mãos firmes na minha cintura, e eu não tinha forças nem pra questionar. Meu corpo estava mole, entregue, a boceta ainda pulsando do último orgasmo. Mas ele não tinha terminado. Conseguia sentir na respiração dele, no jeito que os dedos cavavam minha carne, na rigidez do pau que continuava duro dentro de mim.

— Você tá acabada — ele murmurou, a voz carregada de satisfação. — Mas eu ainda não terminei com você.

Ele recomeçou a meter. As estocadas vinham fortes, profundas, cada uma arrancando um som diferente da minha garganta. Eu já não tinha controle sobre nada. Os gemidos saíam soltos, sem filtro, respostas primitivas ao que ele fazia comigo. Minha mente tentava se agarrar em alguma coisa — o plano, a estratégia, o orgulho — mas tudo se dissolvia a cada investida.

— Ah... ah... porra... assim... não para...

— Não vou parar. Vou te foder até você não conseguir mais lembrar por que me desafiou.

Ele inclinou o corpo sobre o meu novamente, uma mão ainda na minha cintura, a outra subindo pelas minhas costas. O suor da pele dele se misturava com o meu, e o cheiro de sexo no quarto era intenso, primitivo, sufocante. Eu estava entrando num estado que nunca tinha experimentado antes — o prazer era tanto, tão constante, que a realidade parecia distante, abafada, como se tudo que existisse fosse o corpo dele contra o meu e o pau entrando e saindo sem piedade.

Como eu cheguei aqui? A pergunta surgiu do nada, um lampejo de lucidez no meio da névoa. Eu tinha entrado naquela suíte confiante, determinada, cheia de certezas. Tinha um plano. Ia fazer ele gozar até cair. E agora eu estava de quatro, mole, gemendo, sendo fodida sem conseguir reagir. A imagem da Letícia com ele, da Mariana com ele, da noite inteira que eu teria que me submeter aos desejos dele — tudo isso passou pela minha mente como um alerta desesperado. Mas meu corpo não respondia mais à minha vontade. Só respondia a ele.

— Você tá quietinha agora — ele provocou, a voz baixa no meu ouvido. — O que aconteceu com a garota que ia me vencer?

— Vai... se foder...

— Essa garota foi embora. Ficou só a putinha que geme quando eu meto fundo.

Eu queria responder, mas ele acelerou o ritmo e as palavras morreram na garganta. Só saiu um gemido longo, arrastado, que parecia vir de um lugar muito mais fundo do que eu conseguia controlar. O desespero crescia junto com o prazer — uma mistura tóxica que me deixava tonta. Eu precisava fazer alguma coisa. Precisava virar o jogo. Mas como? Meu corpo não me obedecia mais.

Foi então que eu senti as mãos dele mudarem de posição. Ele soltou minha cintura e segurou as bandas da minha bunda, abrindo, expondo tudo. O ar frio do quarto bateu no cuzinho, e eu estremeci inteira. O susto me tirou do transe — um alerta primitivo que acendeu no fundo da mente.

— O que você tá fazendo? — minha voz saiu fraca, mas havia um pânico genuíno ali.

Ele não respondeu. Em vez disso, senti algo quente e líquido atingir bem ali. A saliva dele escorreu devagar no meu cuzinho, e o polegar veio logo em seguida, espalhando em círculos lentos. A sensação era completamente nova — o toque no cuzinho enquanto o pau continuava socando na boceta. Meu corpo não sabia como processar aquilo. Era invasivo demais, íntimo demais. Ninguém nunca tinha me tocado ali. Nem os namorados, nem os ficantes, ninguém. Era a última fronteira, o último pedaço de mim que eu nunca tinha entregue. E agora ele estava ali, o polegar massageando, testando, ameaçando invadir.

— Caio... para... — pedi, a voz trêmula, o pânico genuíno.

— Para o quê? — Ele massageava com mais firmeza agora, o polegar desenhando círculos cada vez menores, cada vez mais próximos do centro. O pau não diminuía o ritmo, socando fundo, e a combinação das duas sensações era devastadora.

— Isso... aí não... por favor...

Ele riu. Uma risada baixa, calma. Não era um riso nervoso. Era um riso de quem estava no controle absoluto. De quem sabia que eu estava apavorada e que também estava adorando cada segundo.

— Relaxa, princesinha. Eu não vou comer seu cuzinho hoje.

A afirmação me deu um certo alívio, mas o alívio durou pouco. Porque ele não parou de massagear. O polegar continuava ali, firme, testando, pressionando. E a cada círculo, uma onda nova de prazer se misturava com o medo e a vergonha. Meu corpo estava traindo minha mente de um jeito tão absoluto que eu mal me reconhecia.

— Então por que você não para? — consegui perguntar, a voz embargada.

— Porque eu quero ver você gozar de novo. E você vai gozar. Com meu dedo no seu cuzinho.

— Não vou... eu não deixo...

Tentei tirar a mão dele, tentei colocar a minha na frente do meu cuzinho, mas foi algo inútil, porque ele tirou ela rapidamente.

— Vai sim. Sabe por quê? Porque você já perdeu, Jade. Olha pra você. Tá de quatro, mole, gemendo, completamente fodida. Já era. Pelo menos aproveita o final.

As palavras entraram como facas. Eu já tinha perdido? Não. Ainda não. Eu não podia desistir. Mas o que eu podia fazer? Meu corpo não respondia. Minhas pernas tremiam. Minha boceta latejava. E o polegar dele voltou a massegear, forçando, testando a entrada.

Ele pressionou com mais firmeza, e a ponta do dedo começou a forçar a entrada de verdade. A sensação era tão intensa que eu gemi alto, as pernas tremendo. Não era dor. Era algo diferente — uma pressão que se transformava em prazer, uma invasão que meu corpo recebia com um choque de excitação.

— Ah... Caio... ah... porra... assim não...

— Assim sim. Isso aqui nunca foi tocado, né, Jade?

— Não... ah... para...

— Nunca. Eu sou o primeiro. O primeiro a enfiar um dedo nesse cuzinho apertado.

Nesse momento exato momento a ponta do dedo entrou. Só a pontinha, mas o suficiente pra eu sentir cada milímetro daquela invasão. Minha mente gritou em pânico — ele tá dentro de mim, ele conseguiu, ninguém nunca tinha feito isso, eu guardei isso por tanto tempo e agora é ele, logo ele, o desgraçado que eu mais odeio no mundo, o primeiro a me tocar aqui, o primeiro a me invadir assim. O pensamento veio carregado de choque, de incredulidade, de uma humilhação tão profunda que queimava. Mas junto com tudo isso, uma onda de prazer tão violenta que eu perdi completamente o controle.

— Aaaaaah... CAIO... AAAAAAH... PORRA... QUE ISSO... AAAAAAH...

O orgasmo veio como uma explosão nuclear. Meu corpo inteiro se contraiu com uma força que eu não sabia que tinha. As pernas tremeram, os braços cederam, o rosto caiu no colchão. A boceta apertou o pau dele com tanta intensidade que eu senti cada veia, cada pulsação. O cuzinho apertava o dedo dele, e a sensação dupla — o pau me enchendo por dentro, o dedo me invadindo por trás — me levou a um lugar que eu nunca tinha ido antes. Gritei tão alto que minha garganta arranhou, um som primitivo que vinha do fundo da alma. O orgasmo durou muito mais do que os outros, ondas e ondas de prazer que pareciam não ter fim, cada uma puxando um gemido mais fraco que a anterior.

Quando finalmente acabou, eu estava destruída. Completamente. O corpo desabou no colchão, os braços sem força, as pernas abertas e dormentes. A boceta ainda pulsava, inchada, sensível. O suor escorria pela testa, pelas costas, pelas coxas. A mente era um borrão. Não tinha mais estratégia, não tinha mais competição, não tinha mais nada. Só o corpo exausto e o prazer ainda ecoando em ondas cada vez mais fracas.

Ele saiu de dentro de mim e se deitou ao meu lado, a respiração pesada mas controlada. Apoiou a cabeça na mão e ficou me olhando, aquele sorriso satisfeito nos lábios.

— Eu venci — ele anunciou, a voz calma. — Você não aguenta mais nada.

Eu queria responder. Queria xingar, provocar, mostrar que ainda tinha orgulho. Mas não saiu nada. Só um gemido fraco, os olhos se fechando. Ele tinha me levado ao limite e além. Tinha tocado uma parte de mim que ninguém nunca tocou.

— Levanta — ele disse, se erguendo da cama. — Vai tomar um banho. Depois eu vou.

Levou um bom tempo até eu conseguir me mexer. Me levantei devagar, as pernas bambas, o corpo doendo. Passei por ele sem olhar, sentindo o olhar dele nas minhas costas. No banheiro, fechei a porta e me encostei na pia por um momento, olhando meu reflexo no espelho. O cabelo bagunçado, os olhos ainda marejados, as marcas dos dedos dele nos meus quadris. Eu estava um caco. Mas por baixo do cansaço, algo ainda pulsava.

Abri o chuveiro e entrei na água quente. Deixei escorrer pelo corpo, pelos ombros, pelas costas. Peguei o sabonete e comecei a me lavar, os movimentos lentos, pesados. Quando minha mão desceu entre as pernas, senti a pele ainda quente e inchada. Passei os dedos devagar, limpando os resquícios do que tínhamos feito. E então eu senti.

Algo escorrendo de dentro de mim. Algo quente, espesso, que não era meu.

Parei. Meus dedos ficaram imóveis enquanto a compreensão vinha. Ele gozou. Dentro de mim. No meio de tudo aquilo, quando eu estava perdida no meu próprio prazer, gritando, ele também não resistiu. A prova estava ali, escorrendo pelas minhas coxas, misturando-se com a água do chuveiro.

Fechei os olhos e senti um arrepio que não tinha nada a ver com o cansaço. Ele também chegou ao limite. Também perdeu o controle. Por um momento, esteve tão vulnerável quanto eu. A ideia de que eu tinha conseguido arrancar aquilo dele novamente pela terceira vez — que ele não era tão invencível quanto fingia ser — acendeu algo dentro de mim. Uma pontada de excitação. Rápida, involuntária, mas inegável.

Terminei o banho tentando afastar o pensamento. Não consegui.

Quando saí, enrolada na toalha, o cabelo pingando, ele estava sentado na beirada da cama, mexendo no celular. Levantou os olhos, me olhou de cima a baixo, e se levantou.

— Agora eu vou.

Ele entrou no banheiro e nem fechou a porta. Eu fiquei sozinha no quarto, olhando a cama revirada, o cheiro de sexo ainda no ar, a lingerie preta jogada no chão. Me vesti em silêncio, as costas viradas pro banheiro. A blusa branca, a saia jeans. Prendi o cabelo molhado no elástico do pulso.

Enquanto ouvia a água do chuveiro cair, meus pensamentos começaram a girar. A Noite de Prazer Total. Uma noite inteira à mercê dele. O que ele faria? O que ele exigiria? Ele tinha poder sobre mim agora. Poder de verdade. E a ideia me apavorava. Mas ao mesmo tempo — e isso era o pior —, a ideia também me excitava. Meu corpo ainda lembrava do que ele tinha feito a minutos atrás. Do prazer que ele sabia dar. Do jeito que ele me tocava, me provocava, me destruía. Uma noite inteira daquilo. Sem limites. Sem poder dizer não. A possibilidade me deixava com as pernas fracas de um jeito que não era só medo.

E tinha outra coisa. Letícia. Mariana. Ele tinha vencido o desafio. Mas o acordo era claro: se eu vencesse, ele ficaria longe das minhas amigas. Só que eu perdi. E em nenhum momento o acordo dizia que eu não poderia impedir ele de outras formas.

Eu nunca prometi que ia deixar ele chegar perto delas. O acordo era que, se ganhasse, ele sumiria da vida delas. Mas nunca prometi que, se perdesse, eu não faria nada.

Isso não era trapaça. Ele que lesse as letras miúdas.

A porta do banheiro se abriu e ele saiu, uma toalha na cintura, o cabelo molhado. Passou por mim sem dizer nada, pegou a bermuda e vestiu. Depois a camiseta. Calçou o tênis, pegou a carteira, as chaves do carro. Só então se virou pra mim.

— Pronta?

Assenti, sem dizer nada. Ele caminhou até a porta, mas antes de abrir, parou. Virou o rosto na minha direção, os olhos escuros fixos nos meus.

— Sua dívida comigo tá cada vez maior, princesinha — ele disse, a voz baixa e satisfeita.

Ele fez uma pausa, os olhos brilhando.

— Logo você vai ter que começar a pagar. E é bom se preparar. Porque quando eu cobrar, vou cobrar tudo.

Abriu a porta e saiu. Eu fiquei parada olhando o pro corredor, sentindo o peso das palavras dele.

A dívida estava acumulando. E ele ia cobrar.

Ele podia ter vencido o desafio. Podia ter poder sobre mim. Mas se achava que ia chegar perto da Letícia ou da Mariana, estava muito enganado. O acordo nunca me impediu de protegê-las. E era exatamente o que eu ia continuar fazendo. Com unhas e dentes.

OS NOMES UTILIZADOS NESTE CONTO SÃO FICTÍCIOS, MAS OS FATOS MENCIONADOS E EVENTUAIS SEMELHANÇAS COM A VIDA REAL PODEM NAO SER MERA COINCIDÊNCIA.

FICA PROIBIDA A CÓPIA, REPRODUÇÃO E/OU EXIBIÇÃO FORA DO “CASA DOS CONTOS” SEM A EXPRESSA PERMISSÃO DO AUTOR, SOB AS PENAS DA LEI.

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Comentários

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Caralho e eu achava que meus textos eram grande hahahahahah muito bom!

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