Além do Horizonte

Um conto erótico de Lore <3
Categoria: Lésbicas
Contém 3698 palavras
Data: 19/04/2026 14:19:01
Assuntos: Lésbicas

Ativar o protocolo sogrinha trouxe pontos bons e ruins. Eu ficava morrendo de saudade da minha gatinha e o tempo inteiro querendo saber como ela estava. Mesmo indo dormir todas as noites com Júlia, não era a mesma coisa. Antes eu tinha livre acesso a informações sobre ela e o nosso bebê, e agora eu dependia das ligações para me inteirar. Por outro lado, eu conseguia ter maior domínio de Milena e Kaique em relação às aulas. Eles iam ficar com a mamãe apenas aos finais de semana. A minha presença em casa os acalmava mais e isso também me tranquilizava.

No primeiro dia em que Dona Jacira passou a ficar pela manhã com Júlia, cheguei em casa para baixo por conta da decisão. Eu não queria deixá-la e ela não queria que eu viesse para casa, então nos despedimos tristes. Assim que abri a porta, disposta a deitar na cama abraçada com a minha insatisfação, senti um cheirinho de amaciante muito bom invadir as minhas narinas.

A sala estava vazia, mas eu conseguia ouvir o falatório comum que acontece quando a família está reunida e fui seguindo. Isso me levou até o quintal, e lá estavam todos reunidos lavando as roupinhas do Dom.

— Lorenzo, assim a Lore vai levar multa — Loren tentava dizer ao nosso irmão.

— Ué, e a gente vai pendurar todas essas roupas onde? — Lorenzo questionou, enquanto suspendia mais uma fileira de varal.

Os bodies de recém-nascido, que antes pareciam tão pequeninhos, agora, ao olhar e imaginar o Ninho dentro deles, aparentavam estar gigantes.

— Oh, você chegou... Por que não me ligou para eu ir te buscar? — meu pai falou e me abraçou.

— Não precisou — respondi, sem conseguir disfarçar o desânimo.

Todos sabiam o que estava ocorrendo e meu pai, mesmo nitidamente incomodado, respeitou aquele momento de silêncio.

Sentamos afastados e eu fiquei observando aquela bagunça cheia de amor e cuidado. Eles são tão incríveis e seguiam ali sendo extremamente atenciosos aos mínimos detalhes. Na companhia do papito e contemplando aquela cena, eu acabei me distraindo e deixando alguns risos escaparem.

— De quem foi a ideia? — perguntei, rindo e rompendo enfim o silêncio.

— Sua mãe já estava falando há tempos. Aí hoje Sarah tomou a frente e quando eu percebi, já estava até instalando outra máquina de lavar — meu pai respondeu, também rindo.

— Vocês são demais... Sem vocês, seria impossível — deixei escapar o que já vinha sentindo com mais força naquela semana.

— Estamos juntos, Lore, você sabe, não é, filha? Estamos juntos e vai ficar tudo bem... — ele falou, com confiança.

Trocamos um olhar cúmplice e rimos.

— Não vai chorar... Olha o coração... — brinquei.

— Eu não choro... — meu pai brincou, desviando o olhar, e rimos.

— Quem vai visitá-la hoje? — questionei.

— Loren e Lana, e estão ansiosas — ele respondeu.

Como a família é grande e todos queriam vê-la, organizamos dessa maneira. Pela manhã minha sogra ficaria, pela tarde duas visitas e a partir da noite, eu.

— Ah! Você chegou! — Sarah exclamou de longe.

— Não se esconda, não... Venha lavar roupa também — meu irmão gritou, zoando.

— Deixe ela descansar! — minha mãe exclamou, enquanto todos se aproximavam.

— Ando me sentindo uma celebridade — cochichei para meu pai, que riu.

— E aí, como eles estão hoje? — meu sogro perguntou, com um sorriso no rosto.

— Estão bem... Deixei Juh tomando café e, se Dom continuar evoluindo dessa maneira, logo vai estar respirando sozinho — disse-lhe.

— Graças a Deus! — ele exclamou, com as mãos postas.

Acabei ficando ali com eles e, sem perceber, já estava com as mãos ocupadas também. Ajudei a separar as roupinhas, organizei por tamanho dando prioridade às menores, levei algumas para a máquina e depois fui para o varal com Lorenzo. Entre uma tarefa e outra, a gente se perdia em comentários descontraídos e pequenas discussões que acabavam nos fazendo rir. No fim, tudo foi sendo resolvido no improviso, como quase sempre funciona quando estamos juntos.

Quando terminamos, a casa já estava com outro ritmo. Minha mãe chamou todo mundo para almoçar e fomos entrando aos poucos, torcendo para que eu não levasse uma multa do condomínio.

~ Não levei! Uma blogueira de Salvador havia levado recentemente por "poluir o ambiente" pendurando roupas na área externa, então por isso virou motivo de preocupação... 🤣

No final da tarde, saí para buscar Milena e Kaique no colégio. Não avisei que iria, então eles não estavam me esperando. Quando cheguei, fui direto até o pátio. Eles estavam em uma rodinha com alguns colegas. Milena estava sentada em um banco, com Lalá entre as pernas, abraçando-a carinhosamente pela cintura, enquanto as duas conversavam com o restante das meninas. Kaique estava no chão, jogando com os amigos, completamente envolvido na brincadeira e gesticulando bastante.

— Bora, bebês — falei de propósito, ao me aproximar sem que eles percebessem.

— Mãe!!! — eles exclamaram.

No mesmo instante, Lalá pulou de onde estava e se sentou ao lado de Mih. Fingi ignorar, mas foi impossível não notar o medo no olhar dela.

— Não era para Iury estar aqui também? — perguntei, notando a ausência do meu cunhado.

— Ele saiu com Thais — Kaká me informou.

— Ué, como assim? — questionei.

— A gente vai ver a mamãe hoje? — Kaká me perguntou.

— Vamos? — Milena quis confirmar, e também percebi que ela estava envergonhada e tentando mudar o rumo do assunto.

— Eu vou à noite, vocês só na sexta-feira — falei, enquanto eles se aproximavam.

— Poxa... — Mih deixou escapar.

— Mas está pertinho já — disse e acenei para o restante dos amigos deles.

Lalá tentava desviar o olhar, mas não conseguia, e quando íamos saindo eu piscei para ela, que sorriu timidamente.

— Filha, você não acha que... Bom, e se a mãe dele chegasse ali? Daria problema, não? — perguntei ao entrarmos no carro.

— Elas não estavam fazendo nada demais, mãe — Kaique tentou.

— Eu sei, filho, mas elas estavam no colégio e, até onde eu sei, a mãe dela não sabe de nada, não é? — insisti.

— A gente não sabe o que fazer... Só aconteceu... Nós estamos tentando evitar, mas parece que não tem um lugar certo... Às vezes eu acho que... — Mih ia dizendo, mas não conseguiu prosseguir.

— No seu tempo, pode dizer... Abre o coração, amor... — disse-lhe, fazendo carinho em sua perna.

— Às vezes eu acho que esse tal lugar certo pra gente nem existe — ela falou de uma vez e limpou as lágrimas.

— Mih, não fica assim, por favor — Kaká disse, aparecendo em nosso meio.

— É melhor a gente mudar de assunto, porque tem a mamãe e tem Dom que, se a gente colocar em um panorama, são bem mais preocupantes — ela refletiu e recebeu um beijinho do irmão.

Meu coração estava apertado ouvindo tudo aquilo. Fiquei repetindo na mente a frase: "Às vezes eu acho que esse tal lugar certo pra gente nem existe." Milena soltou de uma maneira tão natural que foi visceral. Não me pareceu algo surgido do nada, e sim algo que ela havia refletido e chegado a uma conclusão. Algo que foi sentido e finalmente colocado para fora.

— Existe, sim — falei, tentando passar firmeza.

Ela levantou o olhar devagar.

— O que não existe é lugar fácil, porque ainda envolve outras pessoas, outras famílias... Outras formas de pensar — completei.

Milena respirou fundo, sem desviar de mim. Parecia muito interessada nas minhas palavras.

— O problema não está em vocês, Mih. Não é o que vocês estão sentindo. O problema, nesse momento, é quando alguém não consegue lidar com isso. E isso foge completamente do controle de vocês duas, não dá pra resolver no pátio da escola, nem se escondendo no banheiro, mas também não se pode fingir que não está acontecendo — continuei.

Ela abaixou o olhar de novo, mais quieta.

— Talvez não signifique que vocês não tenham lugar, e sim que, por enquanto, esse lugar não depende só de vocês — disse, suavizando o tom.

Fiz um carinho leve na perna dela.

— E aí entra uma parte chata, que é ter cuidado. Não por vergonha, nem por estar errado. Mas porque tem gente que ainda não sabe lidar e pode machucar vocês — completei.

— Tipo a mãe dela... — Kaique soltou, direto.

— Tipo a mãe dela — confirmei.

Milena ficou em silêncio por alguns segundos, absorvendo.

— Eu não vou pedir pra você negar o que sente, mas vou te pedir pra ser inteligente com isso. Para se proteger e proteger a sua gatinha também — disse-lhe, e ri.

Ela assentiu de leve, também sorrindo.

— Existe lugar — Mih falou baixinho.

— Existe! — Kaká exclamou lá do fundo.

— Mãe, agora repete tudo isso porque eu preciso falar para ela! — Milena me pediu, animada.

— Ah, vai procurar o que fazer, menina — zoei, enquanto ela aproximava o celular com o gravador de voz ativado.

— Um, dois, três e já — Milena contou.

— Lalá, minha fia tá apaixonada por você. Cuide bem do coraçãozinho dela porque é o que ela tem de mais precioso. Beijão! — falei, com o olhar fixado na minha menininha toda derretida.

— Você está namorandoooo — Kaká brincou.

— Não estou, ninguém pediu — ela respondeu, convencida.

Seguimos o caminho conversando sobre outras coisas e, em algum momento, o assunto acabou voltando para Iury. Comentei a ausência dele e Kaique, sem perceber, acabou deixando escapar que, nesses dias em que ele estava lá em casa, Thais vinha assinando autorização para eles saírem juntos. Aquilo me chamou atenção na hora. Fui puxando o assunto com naturalidade e ele foi falando mais do que devia, sem filtro algum. Acabei entendendo o contexto todo e, no fim, só balancei a cabeça, rindo. Adorei saber mais um capítulo da fofoca e fiquei ainda mais tranquila quando Milena comentou que meus sogros sabiam de tudo. Pelo menos eu não precisaria dar nenhuma explicação sobre ele não ter retornado com eles.

Chegamos ao shopping e, antes de descer, resolvi deixar claro mais uma vez.

— Vocês sabem que podem confiar na gente, não é? Independente da situação, tanto a mamãe quanto eu sempre vamos dar importância para o que vocês estão sentindo e para a fase que estão passando — afirmei, e os dois assentiram, com um sorrisinho gratificante no rosto.

Fomos comprar algumas roupas no tamanho prematuro e depois a tarde transcorreu normalmente. Eles fizeram as atividades enquanto eu resolvia o que precisava em casa e, quando vi, já era hora de organizar tudo e voltar para a minha gatinha. Depois do banho, já arrumada para sair, eu estava no quarto terminando de pegar minhas coisas quando Kaique entrou.

— Mãe... — ele me chamou, todo dengoso, enquanto tentava se enroscar em mim.

— Que nenenzinho cheiroso — falei, abraçando-o e enchendo o pescocinho dele de beijos até ver um sorriso.

— Quero pedir uma coisa — Kaique falou, relaxando o corpo e me olhando nos olhos.

— Eu sei que quer. Esse dengo todo não seria à toa — brinquei, apertando a bochecha dele.

— A senhora pode levar Mih? Eu sei que não é o dia, mas ela precisa — ele disse.

Aquilo me pegou de surpresa. Eu jurei que ele pediria para ir também.

— Ela falou mais alguma coisa? — quis saber.

— Não, mas eu sei que ela precisa de pelo menos um abraço da mamãe hoje — Kaique respondeu.

— Desconfio de que o senhor saiba mais do que eu sobre Mih e Lalá — falei, estreitando o olhar, e ele riu.

— Claro, eu estou por dentro de tudo — Kaká brincou, convencido.

Pelo que eu tinha percebido ao longo do dia, alguma coisa tinha acontecido. Talvez uma conversa mais direta entre elas, talvez um momento em que precisaram encarar o que estavam sentindo e o que vinha junto com isso. Não dava para saber ao certo. E, mesmo curiosa, eu não iria ultrapassar esse limite. Se Milena quisesse falar, ela falaria.

— Tá bom então... Diz para ela colocar um pijama e o uniforme em uma mochila — falei para ele.

— Obrigada, tá, mãe?! — Kaká agradeceu baixinho, apertando o abraço.

— Amanhã te levo, ok? Amo esse seu jeitinho delicado de perceber o que o outro precisa e se importar em tentar ajudar — disse-lhe, enquanto esmagava meu rapazinho.

— Ebaaa! Eu vou levar um doce pra mamãe porque ela me disse que não aguenta mais frutas e verduras — ele disse, animado.

— Não é possível isso, começou hoje... — comentei, e nós rimos.

No caminho, fui puxando conversa com Milena sobre a atitude de Kaique. Comentei como ele tinha percebido a necessidade dela sem que ninguém precisasse falar nada e como tinha sido sensível em me pedir aquilo. Mih concordou na hora e começou a encher o irmão de elogios, falando que ele sempre foi assim, atento, cuidadoso, e que dificilmente deixava passar quando alguém não estava bem.

— Você também é assim — falei, e Mih sorriu, envergonhada.

Em meio à conversa, ela comentou que alguns colegas brincavam dizendo que Kaique era filho dela com Lalá. Eu ri com aquilo e balancei a cabeça.

— Ele não está com ciúme, né? — perguntei.

— Não, nem um pouquinho, e Lalá gosta muito dele também — ela respondeu.

— Bem agora que eu precisava... — brinquei, e Mih riu.

— Eu achei que ele ia ficar, mas quando vi que eles ficaram amigos, relaxei — Mih falou, toda animada.

— Meu Deus... Cê tá apaixonadinha mesmo, né, amor?! — perguntei.

— Sim! — Milena exclamou baixinho, com os olhos brilhando.

Quando chegamos, fomos direto para o quarto. Dona Jacira estava na sala e nos recebeu, avisando que Júlia já tinha jantado e que tinha deixado uma sopa pronta para antes de dormir, reforçando que eu não deixasse ela me enrolar. Concordei com a cabeça, agradeci e nos despedimos. Ela se organizou e foi embora em seguida.

Fui até o quarto e parei na porta, colocando só a cabeça para dentro.

— Tá brava comigo? — perguntei, melancolicamente.

— Vem aqui... — Juh pediu, com um biquinho fofo nos lábios.

— Trouxe reforços! — exclamei.

— E eu trouxe chocolateeeee — Mih gritou ao entrar no quarto, correndo para abraçar a mamãe.

Me aproximei da cama e dei um beijinho em Juh antes de me ajeitar ao lado dela. Milena já estava completamente grudada, abraçando forte, sem pressa de soltar. Fiquei observando as duas por alguns segundos. Mih não tinha dito nada desde que entrou, mas também não precisava. Do jeito que ela se encaixou ali, dava para entender que aquele abraço estava fazendo o trabalho todo. Juh, sem saber de nada, só correspondeu. Passou a mão nas costas dela, apertou mais um pouco e ficou ali, acolhendo sem questionar.

— Bem que um passarinho me contou que esse abraço precisava acontecer hoje — falei, acariciando o cabelo de Milena.

Pelo olhar de Juh, dava para ver que ela não estava entendendo, mas mesmo assim ajustou o corpo e segurou Mih com mais firmeza.

— Que saudade — Júlia sussurrou.

— Não vejo a hora de tudo voltar ao normal — Milena completou.

Júlia comentou que tinha conseguido ficar com Dom praticamente o dia inteiro, mas reclamou da parte em que precisou comer mesmo sem vontade. Enquanto ela falava, Milena abriu a mochila e tirou uma barra de chocolate, já se aproximando da cama.

— Só três quadradinhos, mamãe, por causa da sopa — Milena disse.

— Eu só quero um, meu amor — Juh respondeu, rindo.

— Tudo isso pra tomar a sopa, que mulher dedicada — ironizei.

— Amor... Você não deveria ter feito isso... Minha mãe é muito... Rígida... — Júlia choramingou.

— Mas é porque você fala mole assim no meu ouvido e eu vou deixando passar. Só que chegou a um estado em que eu percebi que, além de não estar conseguindo reverter, eu precisava de reforços... — expliquei, roubando diversos selinhos.

Milena recebeu uma videochamada e era Lalá. Ela estava usando fone, mas a gente apenas acenou quando Mih virou a câmera em nossa direção. Ela pareceu surpresa, contudo acenou de volta. E nós duas nos levantamos para nos higienizar porque íamos ver Dom.

Fomos até ele e eu o peguei primeiro. Segurei com cuidado e, depois de alguns minutos, passei para Júlia. Ela se ajeitou e ficou observando-o com atenção, antes de comentar sobre a próxima etapa.

Disse que fariam a primeira tentativa de retirada do CPAP no sábado. Comemorei ali mesmo, mais aliviada com a evolução, e combinamos que, se desse certo, finalmente deixaríamos Milena e Kaique pegarem-no no colo.

Enquanto estávamos ali, aproveitei para contar tudo o que tinha acontecido desde a tarde, principalmente sobre Milena.

— O que a gente pode fazer, amor? Que aperto no coração... Ainda bem que você a trouxe — Juh disse.

— Não sei, gatinha... Ainda tem a missão de conversar com o pai dela, e eu não sei como será a reação — falei, suspirando fundo.

Dom apertou meu dedo e eu me agachei para dar um cheirinho no cabelo dele.

— Lindo de mamãe — sussurrei.

— Elas vão fazer inglês juntas e ainda não começou — Júlia comentou, reflexiva.

— Qual é a sua ideia? — perguntei e voltei para dar um selinho nela.

— Vou organizar uma confraternização — ela me respondeu, convencida.

— E a mãe de Lalá vai deixar ela ir lá em casa? — questionei.

— Pode ser no shopping, e aí elas vão ao cinema e têm um date digno — Júlia me respondeu, como se fosse óbvio.

— É, neném, sua mamãe é uma gênia — falei para o Ninho, e Juh sorriu.

— Lana me disse que vocês lavaram todas as roupinhas — Juh comentou.

— Foi. Quando cheguei em casa estava um cheiro tão gostoso de amaciante. Comprei umas roupinhas hoje no tamanho dele — complementei.

— Eu ia pedir para você fazer isso — ela disse, empolgada.

— Fiquei com saudade de passar o dia inteiro com vocês — comentei, cheirando o pescoço da minha gata.

— Eu também. Dom até cansou de me ouvir dizer isso hoje, não foi, mamãezinha? — Júlia falou, interagindo com nosso filhote.

— Pensei em assistirmos com Mih hoje um clássico... Imagine Eu & Você. O que acha? — perguntei.

— Acho ótimo. ÓTIMO! — Juh exclamou.

— Um romancezinho leve e com final feliz — falei.

— Ela vai amar — Júlia comentou.

— Mas temos que começar logo por conta do horário — comentei.

— Então vamos nos despedir mais cedo do neném hoje — Juh disse.

— Boa noite, meu amorzinho... Amanhã cedinho eu venho aqui te dar tchauzinho, viu? — falei para Dom.

— Dorme direitinho agora para ficar acordadinho comigo pela manhã — Júlia pediu, e eu ri.

Ele dormia a maior parte do tempo mesmo.

Fomos para o quarto e Milena estava na ligação, agora também com Kaique.

— Mih falou que os colegas brincam que Kaká é filho delas — comentei, rindo.

— Eu jurei que ele ia ficar com ciúme — Juh disse.

— Milena e eu também — falei, rindo.

Logo nossa filhota desligou e se juntou a nós. Coloquei o filme e ficamos as três juntinhas. Milena adorou a escolha, riu e se emocionou, principalmente com o desfecho. Ela achou que ia tudo por água abaixo e recebeu um final que aquece o coração.

— Amei muito esse filme — ela falou, quando os créditos começaram a subir.

— Deveria ter uma continuação delas vivendo a vidinha delas — Juh complementou, e eu concordei.

— Sabia que a senhorita iria gostar — disse, e me estiquei para beijar sua testa.

— Mih... Nós estávamos pensando sobre uma ideia — Juh falou.

— Que ideia? — Milena questionou, curiosa.

— Um date digno — Júlia respondeu, com um sorrisinho.

— Como assim? — nossa filha perguntou, já meio desconfiada.

— A gente pode organizar um passeio no shopping. Cinema, alguma coisa pra comer, em um ambiente público e tranquilo — continuei.

Ela ficou em silêncio por um segundo, processando.

— Tipo... um encontro mesmo? — Milena quis saber.

— Tipo um encontro mesmo — Juh confirmou.

— Se seus colegas do inglês concordarem — falei.

Milena abriu um sorrisinho tímido, daqueles que ela tenta esconder, mas não consegue.

— E se a mãe dela não deixar? — ela questionou.

— A gente pensa em tudo com cuidado depois — falei.

— Nada escondido de forma que machuque vocês, mas também nada precipitado que possa complicar uma das duas — Juh esclareceu, enquanto fazia carinho no rosto dela.

Milena assentiu devagar.

Fiquei alguns segundos olhando para as duas antes de completar: — A gente vai fazer de tudo pra que seja confortável, seguro e leve.

— Porque todo amor deve ser respeitado — Mih disse.

— Ai, meu Deus... Minha filha está amando — Juh comemorou, e Mih escondeu o rosto contra o corpo dela.

— Toda apaixonadinha — completei, rindo.

— Obrigada por tudo isso. Eu tenho muita sorte e sempre acreditei saber desse privilégio, porém agora tenho uma dimensão muito maior... Kaká, Dom e eu temos muita sorte porque temos uma família incrível — Milena falou, quase em um sussurro.

— Ai... Eu vou chorar... — Júlia anunciou, abanando os olhos com as mãos, o que nos fez rir.

— Te amamos e você sempre poderá contar com a gente — disse-lhe e soltei um beijinho.

Júlia deitou com Milena e ficou ali até ela dormir. Mih ainda tentou negociar várias vezes para dormirmos nós três juntas, insistindo, se enroscando e puxando assunto, mas acabou cedendo quando o sono veio. Daria para ficarmos juntas, mas ela se mexe muito durante a noite e nós levantaríamos de três em três horas para as ordenhas, o que certamente a acordaria.

Depois que Mih dormiu, voltamos para a rotina. Na última ordenha antes de deitar, minha gatinha comentou, desanimada, que a produção tinha caído bastante ao longo do dia. Falei para ela não se preocupar com isso e apaguei a luz, deixando apenas o abajur aceso, justamente para que ela não ficasse conferindo a quantidade o tempo inteiro.

Me sentei atrás dela na cama, a puxei com cuidado para ficar entre as minhas pernas e deixei a bomba fazendo o trabalho. Fiquei ali, próxima, fazendo massagem leve e distribuindo alguns beijos no pescoço. De vez em quando, ela virava o rosto, toda felizinha, só para me dar um beijinho, e no final conseguimos quarenta e cinco mililitros, que vinha sendo o normal.

— Tá vendo... Não precisa se preocupar... — sussurrei, arrastando os lábios dos seus ombros até o pescoço.

— Você poderia voltar a ficar aqui... — Juh sugeriu.

— A SOPA! — eu lembrei.

— Mas eu nem estou com fome ainda — Júlia falou, indignada.

E assim... Digamos que ela é muito boa na arte de me enrolar.

Juh me convenceu a deitar ao lado dela prometendo tomar a sopa na próxima extração de leite. O que não aconteceu porque, com o cansaço, nós começamos a fazer tudo no automático. Confesso que até acostumei com o som da bomba e peguei no sono algumas vezes enquanto esperava.

No dia seguinte, quando acordei, as duas já tinham tomado banho, e enquanto elas tomavam café, eu resolvi esquentar aquela sopinha para não levar uma bronca da minha sogra. E como eu não ia fazer desfeita para aqueles pãezinhos, me juntei às minhas meninas para o segundo round.

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Foto de perfil de Lore Lore Contos: 175Seguidores: 52Seguindo: 5Mensagem Bem-vindos(as) ao meu cantinho especial, onde compartilho minha história de amor real e intensa! ❤️‍🔥

Comentários

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Milena é bem esperta. Ela me lembra minha sobrinha, no sentido de não se conformar com determinadas coisas, e fazer questionamento mais profundos.

Crianças e adolescentes assim são ótimos , mas normalmente exigem mais dos pais ( e dos tios) justamente por serem inteligentes.

To lembrando aqui, acho q foi a Milena que encaminhava cartas ao Vaticano.

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Milena é muito atenta a tudo. Sempre teve o senso crítico aflorado e uma autonomia interessante de se observar.

É uma exigência satisfatória. Eu, pelo menos, curto bastante, porque não gosto da ideia de educar no automático e com respostas prontas. Vejo como uma construção conjunta, exige presença, paciência e, principalmente, coerência da nossa parte.

Lembrou bem. Ela mesma, este ano, recebeu um novo terço, mas segue enviando suas cartinhas 😂😂😂😂

Obrigada por seguir acompanhando, Ryu! ❤️😘

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