– Seu Cláudio...
– Hummm...
– Eu estou apaixonado pelo senhor.
E foi assim, num final de transa, nossos corpos ainda suados, rescendendo a sexo, sua rola semi dura descansando sobre minha coxa, lambuzada e ainda pingando sêmen; meu cu, voltado para cima, mexendo-se involuntariamente, borbulhando, parte da gala recebida descendo por entre as nádegas, embebendo-se no lençol, a maior parte acomodada dentro do rabo satisfeito; minha rola, também gozada, sob meu corpo, alagando minha barriga; foi assim que ouvi esta inusitada informação – voz gutural e dengosa.
Nazinho deitado, largadão, atravessado na cama, uma das pernas ainda sobre minha bunda, olhava sério para mim, ao completar:
– Eu queria namorar com o senhor...
– Hã?! – Somente agora eu conseguia raciocinar e aquilatar a extensão e as consequências daquela declaração, dita assim, ainda no calor da transa.
– Eu queria muito que o senhor fosse meu namorado – repetiu, ainda mais compenetrado, acariciando aleatoriamente meu mamilo.
Caralho! Tinha sido tão gostoso dar para Nazinho. Ele era tão competente, tão vigoroso, em sua juventude de vinte e poucos anos; beijava tão deliciosamente, chupava com primor, tinha uma rola que era o sonho de onze entre dez passivos, e um cuzinho sempre limpo e cheiroso, pronto para ser enrabado a qualquer momento.
Conhecemo-nos há um mês, mais ou menos, numa galeria de arte – tão sensível, ele! Foram tórridos encontros sexuais, juntando perfeitamente seu vigor e minha experiência, sua gostosura e minha habilidade. Entregávamo-nos cada vez com mais intensidade, e nosso fogo parecia inapagável, nossa fome de foda insaciável.
Mas, porra! Aquela proposta, apesar de compreensível, era como um tacho de água gelada onde até então era só chama. Tudo bem, eu estava curtindo maravilhas transar com Nazinho, oferecer-me a ele, arreganhar-me para sua pica rígida, senti-la me abrindo caminho, caverna adentro, estocando com suavidade, até eu receber os jatos líquidos de seu tesão no meu interior. Era tudo tão bom e perfeito que não cabia no amarrado daquela proposta feita à queima-roupa.
Preparei-me para a ponderação pré-recusa, com todo o cuidado e delicadeza que a situação exigia:
– Eu também estou muito a fim de você, Nazinho. Apaixonadésimo também. Ser comido por você ou comer você é gostoso além da conta. Mas, meu querido... Está tão bom assim! Não vamos complicar o que está dando tão certo. Para que isso aqui, tão belo e tão diáfano, virar namoro?
Ele não se alterou, não fez beicinho nem charminho. Manteve-se sereno:
– O que impede de o senhor ser meu namorado, seu Cláudio; e eu, o namorado do senhor?
– A primeira coisa, Nazinho, é revelada pelo seu tratamento para comigo. Você me chama de “senhor”, “seu Cláudio”... E isso é esquisito! Meio século dezoito, entende?, quando os casais se tratavam assim. Mas não é simplesmente a forma de falar, é o que ela representa, o que ela entrega: tenho três vezes a sua idade, meu lindo. Sei que agora você faz essa expressão contestatória (que eu acho linda, creia!), mas se você se despir do sentimento e ligar o botãozinho do racional, verá que um relacionamento assim é feito de cumplicidades, de contemporaneidades, de partilha do mesmo tempo. Mesmo sua cabeça sendo avançada para sua idade e eu me sentindo um adolescente num corpo de um idoso, mesmo assim o descompasso é enorme, e isso arruinaria aos poucos nossa relação e a detonaria em pouco tempo. O encontro meramente carnal não exige essa condição sine-qua-non de proximidade etária, porque o tesão e a criatividade preenchem perfeitamente as lacunas da diferença. Mas, em pouco, nem mesmo mais nossa foda será tão fantástica – quando você estiver no auge da virilidade, estarei vergado no sem força da brochura. E se tivermos uma relação que nos cobre estarmos juntos, disfarçaremos nosso descontentamento, nos aguentaremos até quando for possível, e nos romperemos com dor, lágrimas e tristezas. Além do mais, um namoro, mais aberto que pudesse ser, teria dificuldade de caber outras pessoas em nossas vidas, em nossas picas, em nossa cama – viraríamos clichês monogâmicos disfarçados de poligâmicos e sofreríamos com isso. Então me diga: pra quê...?
Nazinho me olhava tão fixamente, como bebendo com avidez minhas palavras, seus olhos marejados, aguando-se até escapar um filete pelo rosto, que por instantes senti medo de fraquejar e sucumbir. E ao mesmo tempo ele era tão bonito, tinha um rosto tão belo, olhos banhados tão atraentes, lábios tão macios...
Ficamos em silêncio por algum tempo, os dois. Aproximei-me, como atraído por estranha força, e depositei minha boca naqueles lábios carnudos e jovens. Ele a colheu, enfiando sua língua molhada de querer, enquanto eu sentia minha rola se armando e a dele já em pé. Nossos braços se buscaram, nossos corpos se enroscaram, o fogo se reacendeu fulminante, e em pouco a cama fez-se campo de batalha de dois seres sedentos um do outro e de prazer.
Sua rola rígida e levemente curva encaixou-se no meu orifício encharcado da recente gozada e o sêmen que ele ali deixara fez-se lubrificante viscoso e competente, a capturar aquele pau para dentro e a oferecer o apertado de minhas rugas anais à sua excitação. Ele acelerou os movimentos, como inconscientemente desejando me castigar pelo “não” incontestável que recebera há pouco, mas sabendo que assim também me fazia atingir picos de prazer, denunciados pela minha rola novamente em riste e babando.
Ele gemeu alto, misturando o gemido a um grito agoniado e bom de quem gozava intensamente, e novamente senti as golfadas quentes de seu leite jovem em minhas entranhas.
Após o gozo, e com a respiração ainda ofegando, beijou-me com ardor mais uma vez, e murmurou, entre nossos dentes:
– Mas eu ainda sou apaixonado por você, Clau... meu amor...
