Castelo de areia. Temporada 1 Cap. 1.4 novidades gostosas e dúvidas cruéis.

Um conto erótico de Manfi
Categoria: Heterossexual
Contém 4618 palavras
Data: 16/04/2026 04:04:37

Cap. 1.4 novidades gostosas e dúvidas cruéis.

(Tauane)

Percebi pelo horário.

Não foi algo que eu planejei reparar, nem fiquei esperando mensagem ou qualquer coisa assim. Mas quando olhei o celular e vi que já tinha passado da meia-noite, ficou claro.

Ele chegou tarde. Mais tarde do que deveria, mais tarde do que gostaria…

E, por algum motivo, aquilo ficou na minha cabeça mais do que deveria.

Virei na cama, tentando ignorar. Não era nada — ou pelo menos não deveria ser. Não tinha por que ser. Mas, ainda assim, incomodava de um jeito estranho, insistente.

No dia seguinte, tudo parecia normal.

Ou quase.

As “aulas” continuavam, a gente ainda se encontrava, ainda conversava, ainda ficava próximo… mas não era exatamente igual.

Eu percebia nos detalhes, no jeito como ele estava mais solto em alguns momentos, principalmente perto da Tati, e mais atento quando estava comigo.

Mais presente.

Mas diferente.

E, mesmo sem entender direito o porquê, aquilo começou a me incomodar.

Um incômodo novo.

Desnecessário.

Mas impossível de ignorar.

Ciúme.

A palavra veio sozinha, quase automática.

E eu não gostei disso.

Tentei não pensar muito, seguir no ritmo de sempre, como se nada tivesse mudado. Mas não funcionou completamente. Então, quando as meninas me chamaram pra uma festa naquela semana, eu aceitei sem pensar duas vezes.

Talvez eu só quisesse mudar o foco.

Ou provar alguma coisa que eu ainda não sabia nomear.

A festa estava cheia…cheia de pessoas desconhecidas, e que no fundo foram lá, talvez, com um mesmo objetivo..

Era fácil se perder ali, fácil deixar as coisas simplesmente acontecerem sem pensar muito.

E, dessa vez, eu deixei acontecer…

Foi lá que conheci o Hugo. Ele era amigo do namorado de uma amiga. Era mais velho, por volta dos 30 anos.

Não tinha nada de especial, mas também não precisava. Era direto, confiante, do tipo que não hesita. Chegou conversando com naturalidade, encostando sem pedir espaço, como se já soubesse até onde podia ir.

E, pela primeira vez em alguns dias… eu não pensei no Carlos.

A gente se beijou ali mesmo, no meio da festa, sem muita conversa, sem muito espaço entre um movimento e outro. O beijo veio rápido, mais intenso do que eu esperava, sem aquela construção lenta com a qual eu tinha me acostumado. Ele não perguntava com o olhar, não esperava reação — simplesmente avançava.

E eu acompanhei, sem hesitar, sem analisar.

Como se estivesse tentando provar alguma coisa pra mim mesma.

Era a primeira vez desde os meus 14 anos que eu beijava alguém sem a presença do Antônio… ou então alguém conhecido dele, que já tinha sido “liberado”. Alguém de fora da nossa vida social comum.

Por mais que fosse algo “normal”, algo que deveria ser banal… naquele momento era novo. Um marco. Algo que talvez precisasse acontecer para que eu me “libertasse”.

E, por isso…

eu facilitei.

Vendo agora (2025), tudo fica mais claro.

Quando Hugo sugeriu ir embora, eu aceitei.

Simples assim.

A “libertação” precisava ser completa para valer.

O apartamento era perto, e o silêncio depois da festa parecia maior do que deveria. A porta se fechou atrás da gente e, por um instante, tudo ficou mais claro, mais direto, sem distrações.

Ele se aproximou sem falar nada, puxando pela cintura, colando o corpo no meu com facilidade. O beijo voltou mais forte, mais urgente, sem espaço para pausa.

As mãos dele não demoraram, percorrendo meu corpo com segurança, enquanto o meu reagia quase no mesmo ritmo, acompanhando sem resistência.

Dessa vez, não tinha plateia.

Não tinha barulho.

Era só o que estava acontecendo ali.

A proximidade cresceu rápido. O toque deixou de ser leve, ficou mais firme, mais direto, mais difícil de ignorar. Meu corpo respondia antes de qualquer pensamento, como se seguisse um impulso que não precisava de explicação.

Ele segurou meu cabelo com uma leve força, puxando minha cabeça para trás e me fazendo olhar em seus olhos.

— Tem certeza? Você é tão jovem… não quero que se arrependa.

Uma mordida no lábio inferior. Uma mão pressionando uma das polpas da minha bunda, mais forte do que eu estava acostumada.

Um silêncio.

Um olhar de predador para sua presa encurralada.

E a umidade da minha calcinha falava muito mais do que qualquer palavra que pudesse sair da minha boca.

Uma pausa rápida, mas significativa.

Nada pensado.

Só necessário.

E, depois de alguns segundos…

eu apenas deixei.

— Sou jovem… bem jovem… mas você não vai encontrar nada igual.

Falei tentando retomar algum controle.

E a resposta dele deixou tudo claro.

Uma risada — não de deboche, mas de desafio.

Seus lábios passaram por todo o meu rosto, sem pressa, enquanto suas mãos exploravam meu corpo.

— Me diz se é difícil…

Tentei empurrá-lo de leve, rindo.

Ele me pressionou ainda mais.

Suas mãos já tinham feito seu trabalho… em pouco tempo eu estava sem vestido, apenas de calcinha e sutiã.

Sua boca mordiscava e chupava meu pescoço.

Uma das minhas mãos já cumpria seu papel, manuseando seu pau duro sem descanso.

A outra, agarrada à sua cintura.

Tentei trazer aquilo para o meu controle, como fazia com meus “meninos” da escola.

Mas não era a mesma coisa.

Quando seus dedos invadiram minha vagina sem aviso, e sua habilidade ficou evidente, percebi o que era estar, pela primeira vez, com um homem.

Um homem de verdade.

Que sabia tomar o que queria — não por ego, mas porque sabia dar prazer a uma mulher.

Depois de algum tempo, eu já não tinha resistência.

Ele, com facilidade, agarrou minha bunda, me levantou e me levou até a cama.

Me deitou com calma, como se colocasse algo pesado, mas frágil.

Sem dizer nada, abriu minhas pernas.

E fez algo que nunca tinham feito comigo.

Algo que mudou tudo.

A sensação da língua no lugar certo, junto com a pressão exata dos dedos, atingindo um ponto que muitos não conhecem — ou fingem não conhecer — foi devastadora.

O grito que saiu da minha boca foi real.

Assim como a sensação.

Intensa.

Viva.

Única.

Algo que poucas vivem… mas que deveria ser quase obrigatório para qualquer mulher experimentar ao menos uma vez.

Depois disso…

o resto já não importava.

Meu corpo foi tomado, e eu não pensei em controlar nada.

Na verdade, nem sabia por que deveria tentar.

Apenas me entreguei.

Ao homem.

Não ao menino.

Que acabou com o último vestígio de inocência que ainda existia em mim.

Essa noite me fez mulher.

E isso…

me mudou.

Mesmo sem eu entender nada disso naquela época.

Depois, já com tudo terminado, sorri como não sorria desde que perdi meu pai.

Afastei o rosto por um instante, tentando reorganizar o que estava acontecendo, mas o corpo ainda estava ali… ainda respondendo… ainda preso naquele ritmo que não combinava com o que vinha junto.

Contraditório.

Confuso.

Real.

Quando a adrenalina baixou, o silêncio voltou diferente.

Mais pesado.

Mas também mais consciente.

E, pela primeira vez naquela noite, eu pensei…

no Carlos.

Não exatamente nele.

Mas na ideia de que talvez eu pudesse continuar sem que ele fosse necessário.

Hugo percebeu meu distanciamento. Tentou puxar assunto, mas a conversa não avançou.

Saí de lá mais cedo do que ele esperava.

Sem explicar.

Sem precisar.

No caminho de volta, com o celular na mão e a tela acesa sem nenhuma mensagem nova…

eu finalmente entendi.

Carlos tinha seguido em frente.

E eu…

também teria que seguir.

…………………..

(Carlos)

O tempo passou mais rápido do que eu percebi.

Quando me dei conta, já fazia quase um mês.

Um mês desde a festa, desde aquela conversa com a Tauane, desde o primeiro beijo com a Luana… e, de alguma forma, tudo tinha se reorganizado sem que eu precisasse decidir muito.

Eu e a Luana passávamos praticamente todo o tempo juntos.

Na escola, no intervalo, depois da aula… até nos fins de semana, quando dava. Virou natural. Não tinha esforço, não tinha dúvida na maior parte do tempo.

Só acontecia…

E era bom.

Fácil.

Mas não avançava. Não daquele jeito que tanto sonhava.

A gente se beijava, ficava próximo, o corpo já respondia diferente, mais rápido, mais intenso… mas sempre parava ali. No limite.

No começo, eu não questionei.

Depois, comecei a perceber.

E, quando percebi de verdade, ela já tinha uma resposta.

— Eu nunca… — ela começou, em um tom mais baixo do que o normal — nunca fiz nada além disso.

Eu fiquei em silêncio.

— Eu sou virgem.

A palavra veio sem rodeio.

Sem drama.

Mas com peso.

Ela desviou o olhar por um segundo.

— Eu só… quero ir devagar.

Assenti na hora.

— Tá tudo bem.

E estava. Ou pelo menos parecia estar.

Porque, de alguma forma, aquilo também fazia sentido com tudo que eu sentia. Não tinha pressa. Não tinha necessidade de provar nada.

Mas, mesmo assim…ficou ali.

Guardado.

Foi na lanchonete da escola que as coisas começaram a sair um pouco do lugar.

Eu estava comendo com o Flávio, como quase sempre, quando ele chegou diferente. Não falou nada de imediato, só sentou, olhando em volta como se estivesse tentando lembrar alguma coisa.

— Ouvi um negócio estranho hoje — disse depois de alguns segundos.

Levantei o olhar.

— Que tipo de coisa?

Ele deu de ombros.

— O pessoal do segundo ano… de outra sala. Tavam conversando meio baixo, mas deu pra pegar umas partes.

Esperei.

— Falaram de alguém que ganhou uma viagem no fim do ano.

Franzi a testa.

— E?

Ele hesitou.

— Pra se aproximar de alguém.

Fiquei em silêncio.

— Tipo… meio planejado — completou.

Aquilo ficou no ar.

— E você sabe quem era?

— Não — respondeu na hora — não falaram nome.

Ou falaram e eu não peguei.

Ele me olhou por um segundo.

— Mas parecia… importante.

Desviei o olhar.

Não respondi.

Mas a ideia já tinha vindo.

Rápida demais.

Fácil demais.

Luana.

A associação foi automática e eu odiei isso.

Porque não tinha motivo.

Não tinha prova.

Não tinha nada.

Não falei nada com ela.

Nem naquele dia. Nem nos seguintes.

Continuei agindo normal, como se aquilo não tivesse entrado na minha cabeça. E, na maior parte do tempo, funcionava.

Mas não completamente.

Porque, em alguns momentos, voltava.

No jeito dela. Na proximidade.

Na forma como tudo parecia… certo demais.

E isso começou a me incomodar de um jeito silencioso.

Foi por isso que eu procurei a Tati.

Não foi impulsivo eu pensei antes.

Mas, no fim, fui.

Encontrei ela na casa dela, sentada na sala, mexendo no celular como sempre. Levantou o olhar quando me viu.

— Você tá com uma cara estranha — comentou.

Ignorei.

— Posso te perguntar uma coisa

Ela largou o celular de lado.

— Pode.

Sentei na cadeira em frente, apoiando os braços nos joelhos.

— Você já ouviu alguma coisa… sobre a Luana?

Ela franziu a testa.

— Como assim?

Demorei um pouco.

— Tipo… alguém se aproximando de alguém por interesse.

A reação veio rápido demais.

— Não.

Direta.

Quase automática.

Mas não firme.

Ela desviou o olhar logo depois.

Algo pequeno, mas suficiente.

— Por quê? — perguntou, tentando voltar ao controle.

Encarei ela e aguardei um pouco para falar.

Voz baixa, hesitante.

— Ouvi um comentário.

Ela respirou fundo, mais devagar agora.

— Carlos… — começou — você tá viajando.

Mas não parecia só isso.

A forma como ela cruzou os braços, o jeito como evitou olhar direto, o tempo que demorou entre uma resposta e outra…

Nada daquilo combinava com a Tati.

— Você tem certeza?

Perguntei.

Sem acusar, mas sem aliviar.

Ela assentiu.

— Tenho.

Mas dessa vez demorou.

E foi aí que eu entendi.

Não era uma resposta.

Era uma tentativa.

Fiquei em silêncio por alguns segundos.

Não pressionei.

Não insisti.

Mas também não acreditei completamente.

Levantei devagar.

— Tá.

Ela me observou, como se quisesse falar mais alguma coisa.

Mas não falou.

E eu também não.

Quando saí de lá, o pensamento já estava formado.

Não completo. Não claro.

Mas presente.

E, pela primeira vez desde que tudo começou com a Luana…eu não tinha mais certeza se estava vendo as coisas como elas realmente eram.

Ou como eu queria que fossem.

………

(Tauane)

O Hugo não sumiu como eu esperava. E eu também mostrei interesse.

O que começou na festa não ficou lá. A gente continuou se falando nos dias seguintes, primeiro de forma leve, quase casual, como se aquilo não tivesse importância… até deixar de ser.

Quando percebi, já estava respondendo rápido demais, aceitando encontrar com ele sem pensar muito. Era fácil, direto, sem espaço pra dúvida — ou pelo menos parecia.

A gente se encontrou de novo poucos dias depois, dessa vez sem festa, sem distração. E isso mudou tudo.

O beijo já começou mais intenso, mais decidido, como se o tempo entre um encontro e outro só tivesse aumentado a vontade. As mãos dele não hesitavam, percorriam meu corpo com segurança, enquanto o meu respondia quase no mesmo ritmo, sem aquela pausa que existia antes.

Mas dessa vez… tinha outra coisa.

Não era só físico.

Era a forma como ele me olhava entre um beijo e outro. Como se estivesse tentando me entender… ou me atravessar.

E isso me fez desacelerar por um segundo.

Não o corpo. A cabeça.

Afastei o rosto só o suficiente pra olhar pra ele. De perto. Sem filtro. E ele não desviou.

Ninguém desvia quando sabe o que quer.

Minha mão subiu devagar pelo peito dele, não com pressa… mas com intenção. Sentindo o movimento da respiração, o leve endurecer do corpo conforme eu me aproximava mais.

Eu sabia o que estava fazendo.

E ele também.

A diferença é que eu gostava de controlar o ritmo.

Aproximei de novo, mas não beijei de imediato. Deixei o espaço mínimo entre nossos rostos, sentindo o ar quente da respiração dele misturar com a minha.

Esperei.

E foi nesse segundo que senti.

A mudança.

Sutil… mas impossível de ignorar.

Um ajuste no corpo. Um silêncio diferente. Um tipo de tensão que não vinha da dúvida… mas da expectativa.

Sorri de leve.

Quase imperceptível.

E só então encostei meus lábios nos dele de novo.

Mais lento dessa vez.

Mais consciente.

Sem pressa de chegar a lugar nenhum… porque eu sabia exatamente onde aquilo ia dar.

Minha mão desceu pelas costas dele, parando por um instante na lateral do corpo, como se eu estivesse escolhendo o próximo movimento — e, de certa forma, eu estava.

Senti quando ele se aproximou mais.

Menos controle.

Mais impulso.

E isso me fez apertar de leve os dedos contra a pele dele.

Não forte.

Só o suficiente pra ele perceber.

Só o suficiente pra marcar presença.

O beijo mudou. Perdeu a cautela.

Ganhou peso.

E, por um instante, eu deixei.

Deixei ele conduzir.

Só pra sentir. Só pra ter certeza.

Mas não por muito tempo.

Deslizei o rosto, interrompendo o beijo no momento exato em que ele começava a se aprofundar demais.

Respiração próxima.

Corpos colados.

E aquela pausa…que dizia muito mais do que qualquer continuidade.

Passei o polegar pelo lábio inferior dele, devagar, acompanhando o contorno como se estivesse estudando… quando, na verdade, eu já sabia exatamente o efeito daquilo.

— Calma…

Sussurrei.

Não como um pedido.

Como um comando suave.

Senti o corpo dele responder.

Não recuando, mas se ajustando.

Se rendendo ao ritmo que eu escolhia.

E foi aí que eu percebi.

Não era só atração.

Não era só vontade.

Era algo mais perigoso.

Porque, quanto mais eu conduzia…mas ele deixava.

Porém, de forma inesperada o jogo mudou.

Ele não esperou.

Ou melhor… esperou o suficiente pra ter certeza de que eu estava entregue naquele ritmo que ele tinha aprendido rápido demais.

A mão dele desceu pelo meu braço, firme, sem pressa, até entrelaçar nos meus dedos. Não foi um gesto brusco. Foi conduzido. Como se eu já estivesse indo antes mesmo de perceber.

E eu fui.

Ele me puxou, me guiando até o sofá atrás da gente. O movimento foi natural demais pra parecer ensaiado, mas preciso demais pra ser acaso.

Senti o toque nas minhas costas quando ele me fez sentar primeiro. Depois veio ele, mais próximo, ocupando espaço, diminuindo qualquer distância que ainda existia.

E aquilo…não era novidade.

Mas era diferente.

Porque dessa vez ele não avançou direto.

Ele parou.

O olhar demorou um pouco mais em mim. Como se estivesse escolhendo por onde começar.

E eu senti.

O corpo respondeu antes da minha cabeça conseguir acompanhar.

Quando as mãos dele voltaram, vieram mais lentas. Mais conscientes. Explorando, não tomando. E isso mudou tudo.

Minha respiração já não era a mesma.

Nem o controle.

Uma de suas mãos segurou meus cabelos, fazendo um rabo de cavalo. Já a outra…começou a subir pela minha coxa, por debaixo do vestido.

Apertava a parte externa da coxa, e aos poucos foi subindo a mão até chegar no meio das minhas pernas.

Seus olhos não deixavam de olhar nos meios. A mão em minha cabeça me puxava para seu rosto, minha boca contra seus lábios.

Beijos intensos, controle absoluto…

Não percebi o momento que fiquei sem calcinha. Ele a tirou rapidamente, enquanto me beijava, mordia meu pescoço.

Então parou…me encarou mais uma vez.

Tentei recomeçar o beijo, mas ele não permitiu…

Acenando negativamente com a cabeça.

A confusão me atingiu por um momento…mas aí…

Ele desceu o rosto devagar, sem quebrar o contato, sem pressa de chegar. O caminho importava mais do que o destino, e ele sabia disso.

Sabia muito bem.

Fechei os olhos por um instante quando senti o primeiro toque mais próximo, mais preciso… e foi ali que percebi.

Intercalava perfeitamente sua mão, seus dedos…sua boca.

Hora beijando e sugando…hora atingindo os lábios e o ponto mais sensível com sua língua.

Ele não estava com pressa.

Ele estava me estudando.

Cada reação. Cada respiração.

E, quando ele encontrou o ritmo certo…parou.

Quando comecei a sentir que o meu momento estava chegando….

Ele parou…

Na hora exata.

Abri os olhos na mesma hora, incomodada, frustrada — e ele viu.

O canto da boca dele subiu em um sorriso quase imperceptível.

E isso me atingiu mais do que qualquer toque.

— Sério isso? — minha voz saiu mais baixa do que eu queria.

Ele não respondeu.

Apenas sorriu e me encarou por um momento.

Então voltou…Devagar.

Como se estivesse começando de novo.

E, de novo, quando meu corpo respondeu… quando eu senti que estava perto de perder o controle…

ele parou.

Dessa vez eu soltei o ar com mais força.

— Para com isso…

Ele riu. De uma forma mais…simplesmente riu

Baixo. Controlado.

E aí sim olhou direto pra mim.

— Pede.

A palavra veio simples.

Direta.

Sustentei o olhar por um segundo, tentando decidir se aquilo era jogo… ou se eu ainda tinha algum controle ali.

Não tinha.

— Continua…

Falei. Quase entre dentes.

Ele inclinou a cabeça de leve.

— Do jeito certo.

Aquilo me irritou.

Mas não o suficiente pra parar.

Nunca era.

Fechei os olhos por um instante, respirando fundo, sentindo meu próprio corpo me trair de novo.

— Continua… por favor.

Dessa vez ele não parou.

Mas também não facilitou.

O ritmo voltou mais intenso, mais preciso… e cada pausa, cada variação, parecia calculada pra me manter exatamente naquele limite desconfortável entre controle e entrega.

E eu fui cedendo.

Pouco a pouco.

Sem perceber exatamente quando parei de tentar resistir.

Minhas mãos encontraram o corpo dele sem pedir permissão, segurando, puxando, como se aquilo fosse acelerar alguma coisa.

Mas não acelerava. Ele não deixava.

Quando finalmente me puxou de volta pra cima, eu ainda estava tentando recuperar o fôlego, tentando organizar alguma coisa que já não fazia mais sentido.

O olhar dele estava diferente.

Menos leve.

Mais decidido.

E, dessa vez, ele não esperou.

O beijo voltou mais intenso, mais profundo, sem espaço pra dúvida. Meu corpo respondeu no mesmo instante, acompanhando sem questionar, sem pensar.

Quando percebi, já não tinha mais espaço entre nós.

Nenhum.

Eu deixei…

Deixei ele assumir.

Deixei ele decidir o ritmo, a proximidade, o momento.

E isso…isso mexeu comigo de um jeito que eu não estava preparada.

Não era só sensação.

Era a forma.

A segurança.

A certeza.

Quando tudo finalmente se encaixou, o mundo ao redor simplesmente deixou de importar. Não tinha mais espaço pra pensamento, pra comparação, pra dúvida.

Só aquilo...

Presente.

Intenso.

Sem pausa.

O ritmo cresceu, firme, constante, e eu senti meu corpo responder de um jeito que já não tinha mais como esconder.

Dessa vez, não teve interrupção.

Não teve jogo.

Não teve controle.

Só continuidade.

E quando finalmente chegou…o orgasmo dele também veio junto.

Sem distância.

Sem diferença.

Como se, por um instante, tudo tivesse encontrado o mesmo ponto.

Fiquei ali, ainda próxima, respirando no mesmo ritmo que ele, sem pressa de me afastar.

Sem vontade.

E, pela primeira vez desde que tudo tinha começado…eu não pensei em mais ninguém.

Nem no Carlos.

Nem em consequência.

Só na sensação.

E no quanto…aquilo tinha sido perfeito demais pra ser simples.

Quando o Hugo falou da viagem, foi no mesmo tom leve de sempre.

— A gente podia fazer alguma coisa nas férias…

— Tipo o quê?

— Sei lá… sair daqui uns dias. Praia, talvez.

A ideia ficou suspensa no ar.

Não exatamente pela viagem.

Mas pelo tempo.

Foi no dia seguinte que a Verônica tocou no assunto.

— Tô pensando em alugar uma casa em Maresias nas férias. Não para mim…mas para vocês. Eu vou acampar com uns amigos.

Levantei o olhar.

— Sério?

Ela assentiu, tranquila.

— Uns dias só. Pra vocês descansarem.

— Quem vai?

Ela sorriu de leve.

— Cada uma de vocês escolhe quem quer levar.

Aquilo me pegou de surpresa.

— Cada uma?

— Uhum.

Simples.

Mas não era simples.

Fui atrás da Tati no quarto.

Ela estava sentada na cama, mexendo no notebook, completamente tranquila, como se não tivesse acabado de ganhar o controle de uma situação que podia mudar muita coisa.

Encostei na porta.

— Já decidiu?

Ela nem levantou o olhar.

— Já.

Entrei um pouco mais.

— Quem?

Agora ela olhou.

— Eu vou levar Luana e o Carlos.

Fiquei em silêncio por um instante.

— Achei que fazia sentido. - Ela completou.

Soltei o ar, meio rindo, meio confusa.

Fazia sentido?

Ou complicava tudo?

— E você? Já decidiu?

Perguntei.

A Tati deu um meio sorriso.

— Já decidi também.

— Quem?

— Hugo.

Ela não respondeu…apenas assentiu.

Permanecemos em silêncio por um tempo, até que resolvi a deixar em paz.

Fiquei surpresa com sua decisão. Mas realmente ela estava cada vez mais próxima de Luana e Carlos.

Sua escolha fazia sentido…

A decisão foi comunicada no jantar do dia seguinte.

Eu estava na mesa com a Tati quando a Verônica puxou o assunto com naturalidade.

— Já resolvemos a viagem de julho.

O Carlos levantou o olhar.

— Viagem?

— Maresias — a Tati respondeu — alguns dias.

A Verônica completou:

— Cada uma escolheu quem levar.

Ele olhou entre nós.

— E…?

A Tati foi direta:

— Eu escolhi você e a Luana.

Permanecemos em silêncio por um tempo.

Respeitamos seu silêncio, seu momento.

Ele processou.

Olhou pra mim por um instante, rápido, como se ainda estivesse tentando entender o que aquilo significava.

— E a Tauane?

— Vai com o Hugo — respondeu a Tati.

Aquilo pareceu fechar alguma coisa.

Ou abrir…

Não dava pra saber.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos.

— Eu… posso pensar?

Mamãe sorriu…

— Claro.

Mas eu percebi.

A hesitação. A dúvida.

E, de algum jeito, aquilo me atingiu mais do que deveria.

Porque, pela primeira vez, a resposta dele não era óbvia.

E talvez…a minha também não fosse mais.

…….

(Carlos)

Decidi conversar com Luana. Mas não de forma direta.

A pergunta veio sem planejamento. Mas com um objetivo.

A gente estava sentado no sofá, conversando sobre coisas pequenas, sem muita importância, quando eu soltei, quase no meio de outra frase:

— E… no fim do ano? Você já sabe o que vai fazer nas férias?

Parecia uma pergunta qualquer.

E talvez fosse. Mas a reação não foi.

Foi rápida demais…Sutil demais .

Quase nada.

Mas eu vi.

O jeito que ela demorou meio segundo a mais pra responder. O olhar que desviou antes de voltar. A respiração que mudou, mesmo que pouco.

— Ainda não sei… — ela respondeu, tentando manter o tom leve — por quê?

Dei de ombros.

— Nada… só curiosidade.

Ela assentiu.

Mas não voltou completamente para o que estava antes.

E aquilo ficou martelando minha mente. De novo.

Tentei não puxar mais.

Não perguntar.

Não confrontar.

Porque, no fundo, eu ainda queria que não fosse nada.

O beijo começou como sempre.

Sem pressa. Familiar.

Mas com alguma coisa diferente por baixo, como se tivesse mais intenção, mais presença. A proximidade veio fácil, o corpo dela encostando no meu com mais naturalidade do que antes.

E, dessa vez, não parou onde costumava parar.

A mão dela desceu primeiro.

Devagar…Sem hesitação.

Parou na altura da minha cintura, como se estivesse testando o espaço, antes de continuar. Eu senti o toque através do tecido, mais firme do que eu esperava, mais direto.

Respirei fundo. Mas não me afastei.

Não queria.

Quando ela abriu o botão da minha calça, o gesto foi simples.

Natural demais.

Como se já tivesse feito aquilo antes.

E talvez tivesse…

O pensamento veio rápido.

Inconveniente.

Mas não foi embora.

A mão dela deslizou por dentro, encontrando sem dificuldade o que procurava. O toque foi preciso, firme, sem aquela insegurança que eu imaginava que existiria.

E aquilo…aquilo me pegou.

Não só pelo que eu sentia.

Mas pelo jeito…Pela facilidade…

Pela forma como ela se movia sem precisar pensar.

Meu corpo reagiu na hora, mais forte do que qualquer tentativa de manter controle. Eu senti cada movimento com intensidade demais, como se tudo estivesse concentrado ali.

E, ao mesmo tempo…minha cabeça não acompanhava.

Porque, quanto mais eu sentia…mais eu pensava.

Na conversa.

Na reação.

No que ela disse.

No que talvez não fosse verdade.

E isso só aumentava tudo.

A confusão.

A intensidade.

A dúvida.

Não demorou. Eu não consegui segurar.

O corpo respondeu antes de qualquer tentativa de controle, e, por um instante, tudo ficou concentrado naquela sensação, rápida, intensa… impossível de evitar.

Quando acabou, o silêncio voltou diferente.

Mais pesado.

Mais consciente.

Eu ainda estava ali.

Mas já não era o mesmo momento.

Ela se afastou só o suficiente pra me olhar.

E eu não soube exatamente o que dizer.

Porque, pela primeira vez, o que eu tinha sentido não veio sozinho.

Veio acompanhado. De dúvida…uma dúvida cruel.

E essa dúvida após um dos momentos mais gostosos da minha vida.

No dia seguinte, a proposta da viagem veio como se fosse só mais uma coisa.

Mas não era.

Eu já estava pensando nisso.

Já estava preso nisso.

— Eu… posso pensar?

Foi o que saiu.

E foi verdadeiro.

Porque não era sobre a viagem.

Era sobre tudo.

Algo não encaixava.

E eu não sabia dizer exatamente o quê.

Não era uma coisa só. Era um conjunto.

Pequenos detalhes.

Reações.

Sensações.

Coisas que, sozinhas, não significavam nada.

Mas juntas…começavam a significar demais.

Deitei naquela noite sem conseguir desligar.

A cabeça voltando nos mesmos pontos, repetindo as mesmas cenas, tentando encontrar alguma lógica onde tudo parecia incompleto.

O que eu ouvi.

O que eu vi.

O que eu senti.

Nada fechava.

E isso era o pior.

Porque, quando não fecha…a gente preenche.

Virei de um lado pro outro, tentando ignorar, tentando cansar o corpo o suficiente pra mente parar.

Não funcionou.

Cada detalhe voltava com mais força.

O jeito dela.

A reação.

O toque.

Fácil demais. Certo demais.

E o pensamento veio completo.

Claro.

Incômodo.

Difícil de desfazer.

E se não fosse real?

Não o que eu senti.

Mas o que tinha por trás.

Fechei os olhos, forçando o sono.

Mas a sensação não foi embora.

Só ficou mais baixa.

Mais silenciosa.

Mais perigosa.

E, antes de apagar de vez, uma ideia ficou.

Não como dúvida.

Mas como possibilidade.

E, talvez…eu não estivesse descobrindo alguma coisa.

Talvez…eu estivesse sendo levado até ela.

Continua…

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Comentários

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Vou ser sincero, não tô gostando dessa série. Tu come a a ler não dá 5min o capítulo acaba 🥲.

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Tu gosta de cap longos?

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Sim, mas o conto tá muito foda e a ansiedade bate antes de ler a última frase

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Mas isso faz parte, po. Eu controlo minha ansiedade formulando teorias e pensando nelas. Eu adoro faz isso. Você tem teorias?

Pra te ajudar, segue uma pergunta: qual papel do Miguel nisso tudo, na sua opinião?

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No primeiro cap, toda a descrição da Tau sobre o envolvimento dele da a entender que ele é um dos motivos de uma possível separação do casal

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Não é spoiler, apenas interpretação...

Parece que a tau tem raiva do Miguel...será que pelo o que aconteceu ou vai acontecer???

Cara eu gostava de escreve textos longos, detalhistas e etc..mas não tinha público.

Histórias mais diretas parece ser melhor recebidas...e se não puder pensar então..

Basta por comedor pauzudo...mulher "liberada" ou traidora, corno manso punheteiro...

Ou então histórias com mães, professora...

O próximo capítulo será dividido em três...mas faço uma promessa...se tiver o mesmo número de likes do primeiro capítulo...e tiver interação mínima de dez pessoas, diferentes, eu posto todos na terça.

Vc e o Carlos não contam...

Mais de 600 lêem...e 5 comentam...ou não estão gostando ou não valorizam...

Abraço...

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O texto dela parece que confirmar que é pelo que vai acontecer, né? Ela disse que o anal com ele não foi lá essas coisas, mas que depois ele aprendeu. Ou seja, Miguel fez algo que deixou ela puta de raiva a ponto de chamá-lo de desgraçado. Porém, o ponto é: o que ele fez também tem a ver com Carlos OU são situações distintas?

O que me parece é que Miguel ainda vai comer nossa Tau algumas vezes.

Será que vai rolar amor de vida e amor de vida?

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Sobre a publicação, na minha opinião, sugiro manter as publicações como está, às terças e às quinta. Foca na história, independente da quantidade de caracteres ou estilo de leitura. O "crescente" dela está num ótimo nível e me deixando ansioso. Tenho certeza que o resto virá como consequência.

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Fiquei desconfiado da Luana. Voltei até o cap anterior para sanar umas dúvidas. Tati disse que "Luana não é dessas coisas que você ouviu". Ué! Luana disse pro Carlos que era virgem. Mas depois Luana bateu uma punhetinha pro Carlos com... experiência. Carlos é um cara atento e ficou claro sua inquietação. É a mesma minha.

A Tau me pareceu menos "maquiavélica manipuladora da coisa toda" para alguém mais emocional que apenas queria ir em frente. Ela quem plantou a coisa toda a pedido da mãe para ganhar a viagem e agora parece que perdeu as rédeas da situação.

Acho que é isso: Luana plantou uma ideia em troca de receber uma viagem, arrumou gente para concretizar o plano e agora parece que perdeu o controle, provavelmente devido aos ciúmes que passou a sentir.

Ps: Vou precisar reler algumas partes. Muita coisa ficou nas entrelinhas de forma sutil.

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Ou será um mal entendido?? Lembre-se que a tau que falou sobre viagem com os meninos no vestiário...

Já que não tenho uma ida p fazer essas perguntas tenho que eu mesmo fazer...kkkk

Obrigado pelos comentários...ansioso pelo seu TB!!! Muito ansioso...kkkk

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Quando falei que ela perdeu o controle, quis dizer o controle da narrativa mesmo. E estava lembrando justamente dos meninos, que escutaram ela falando da viagem.

Carlos, aparentemente, está descobrindo isso em doses homeopáticas, o que torna tudo pior para ele, que vai criando e sedimentando ideias e "fatos" antes mesmo de ter a visão toda do ocorrido.

Tau parece pensar que já fez o que tinha que fazer já que Luana namora o Carlos. E pior, provavelmente se assustou ao sentir ciúmes dele. Acho que isso fez ela "seguir em frente", agora com Hugo. E acho que tudo estava encerrado. O problema pode acontecer quando Carlos descobrir tudo ou...

Miguel chatangeá-la para não contar ao Carlos e aí, ele passar a enrabá-la sem parar para que Carlos não conheça esse lado "podre" da nossa Tau.

Quando falo "podre" é no sentido de que seria uma lástima para Tau que Carlos soubesse que ela fez o que fez para que ele interagisse mais e não sofresse bullying. Ainda mais porque ela está começando a gostar dele...

Acho que é isso. Não sei se me fiz entender.

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