Quando João arrancou com o carro, e eu entrei em um estado de transe, a adrenalina baixou, e eu vi tudo ficar preto, não sei quanto tempo apaguei e acordei com Evandro e Carol no quarto.
– Você esta bem Ana ?
– Estou sim, foi só a pressão que baixou
– Quer que a gente te leve ao hospital?
– Não precisa, sério, eu vou melhorar
Senti uma tontura e voltei a chorar, e sabia que não podia culpar ninguém além de mim mesma.
– Ele não vai voltar né ?
– Não vai, por hora não - respondeu Evandro
– O que foi que eu fiz ?
– Um conselho? Dê tempo ao tempo, se for para ele voltar, ele vai voltar
– Porque com vocês deram certo e com a gente não ?
– Essa vida não é para todo mundo, e se a Carol me pedir para parar, eu paro por ela, muitos casais nesse mundo não se dão conta de que a prioridade é o parceiro, se ele ou ela tá mal, tem algo errado. Você deu atenção demais a pessoa errada minha querida.
– As coisas foram se encaixando, deixar ele de fora, trazer Danilo para a nossa casa, trazer outro homem e nada disso foi combinado e eu não percebi ele indo embora.
Voltei a chorar e Danilo entrou enquanto Evandro saiu com Carol.
– Está tudo bem Aninha, você pode ir lá pro meu barraco, é pequeno, mas é aconchegante.
– Você jura que posso ?
– Claro gatinha é igual coração de mãe e depois a gente procura um lugar melhor.
Os dias foram dolorosos, eu me sentia culpada por tudo, mas precisava seguir, fiquei com uma boa quantia de dinheiro, me despedi da casa onde um dia fui feliz, e me mudei para casa do Danilo. Era pequena mas para um casal tava ótimo. E com o dinheiro que eu tinha fui pesquisar um lugar melhor para morar com o Danilo.
Contei para meu pai sobre a separação, e menti dizendo que o João me traiu. Meu pai nunca iria entender o que eu fiz. E não precisava de mais problemas, o que foi um erro já que ele foi tirar satisfação com o João e me ligou xingando de tudo quanto é nome. Desliguei na cara dele, não precisava dele para nada, enquanto eu tivesse o Danilo eu não precisava de ninguém para nada.
O início com o Danilo foi ótimo, ele me comia e a gente só namorava, mas Danilo é um comedor, vive essa vida e logo passou a sair sem dar satisfação, eu não me importava. Não queria cobrar nada dele. Mas ele cobrava de mim.
– Gatinha, eu tô um pouco apertado de grana, tem como comprar umas coisas aí pra casa ?
– Sim, vamos lá comprar, eu também quero renovar meu armário.
E durantes dias gastamos dinheiro renovamos o guarda roupa e dei entrada em um carro para ele. Vivíamos em festas e transando em becos. Numa delas eu fiquei com um cara no bar. Danilo apertou meu braço e me puxou para irmos embora, chegamos em casa e ele me jogou no chão.
– Ajoelha vagabunda
– O que foi?
Um tapa na cara, mais forte que o normal, mas me deu tesão.
– Mandei ajoelhar
Fiquei ajoelhada olhando para ele
– Você tá achando que eu vou ser corno manso igual teu ex ? Aqui quem come sou eu, você vai dar só para quem eu mandar, está entendido ?
– Sim - disse fazendo cara de safada
Ele me deu tapa na cara
– Me chupa
Abocanhei o pau dele, enquanto ele batia na minha cara
– Sabe porque tá apanhando ?
– Hum hum - disse de boca cheia
– Fala para mim porque tá apanhando na cara
– Porque sou uma vagabunda
– E o que vagabundas merecem?
– Apanhar na cara
O tapa foi tão forte que cai de lado e ele me puxou pelo cabelo
– Me chupa piranha
Ele socou na minha boca até gozar
– Muito bem, agora vem deitar comigo
Dormimos de conchinha e toda raiva e humilhação passou, no outro dia ele fez café e me tratou como uma princesa, comida, carinho e muito amor, eu achava isso até vir a segunda pontada.
– Escuta bem, hoje eu vou trazer uma puta para casa e você será nossa empregada, escutou bem ?
– Sim
– Vai nos servir pelada, tá certo? Sempre que for visita especial, vai servir pelada
Eu não dizia muita coisa porque aquela versão dele me dava medo, eram duas versões, um bruto e quase cruel, e um carinhoso que me amava. A noite ele chegou com uma negra de cabelo encaracolado, e marquinha de praia.
– Entra minha preta, que a casa é nossa
Ela entrou olhando tudo e me viu pelada de pé
– Essa é a que me falou? - falou olhando de cima pra baixo
– Ela mesma, tá aqui para nos servir
– Empregada branquinha eu nunca vi antes, vem aqui e tira meu salto sua vagabunda.
Eu fui andar até ela
– De quatro igual uma cadela - Falou Danilo
Agachei e fui até eles, e tirei os saltos e sapatos e eles sentaram rindo
– trás cerveja para a gente
Peguei e levei para eles que começaram a beber, e se pegar no sofá enquanto eu olhava tudo
– Vem cá cadela - Danilo chamou
– Tira a roupa dessa gostosa
Retirei o shortinho e o top dela e os shorts do Danilo, deixei os dois nus
– Cheira a buceta dela, sem passar a língua, só cheirar
Fiquei cheirando a buceta tava lisinha e cheirosa, enquanto ela punhetava ele
– Chupa ela e deixa molhadinha para mim
Ela ficou de quatro enquanto eu chupava buceta ela mamava o pau dele. Confesso que até aqui eu tava cheia de tesão.
– Cadela, vem aqui
Cheguei perto e ele colocou uma coleira com o nome dele, e me mandou ficar de joelhos no canto
Ele comeu a preta de tudo quanto foi jeito, até gozar ela toda na barriga até a cara.
– Vem limpar cadela, com a língua
Fiz meu papel e lambi tudo enquanto minha buceta pingava
– Fica aí de quatro - ordenou Danilo
Eles descansaram os pés em mim, estava com uma dor alucinante, costas e joelhos até ela ir embora, e eu pagar o serviço.
– Como foi uma cadela prestativa, pode dormir do sofá.
Eu não dormi de tanta dor, de manhã eu parecia um zumbi com os joelhos marcados, ele apareceu com flores e disse que me amava, que era tudo um fetiche que ele queria realizar, e eu até que estava gostando do pós, eu sentia um pouco do que vivi com o João.
Certa vez ele trouxe o primeiro amigo para me comer.
– Vai Lucas, André, Thiago, Leandro, Luiz …
perdi a conta de quantos amigos me comeram com ele dando ordens. Pisa na cabeça dela, soca a costela, bate na bunda, da tapa na cara…
Um dia eu recusei…
Senti o primeiro soco na ponta do queixo, gosto de sangue na boca e apaguei.
– Olha o que você me fez fazer, nunca mais recuse nada, entendeu?
Balancei a cabeça com medo, ele passou a me forçar, doia sempre e o prazer no sexo sumiu, e as vezes eu que tentei lutar contra aquilo, ele passou a me bater onde podia tampar, costas, pernas e cabeça, pensei no João, será que ele me perdoaria? Me salvaria? Fui atrás dele no trabalho, eu ainda tinha uma última cartada, sabia que era cruel, mas eu não tinha mais ninguém.
Na recepção eu ouvi sobre a namorada, não senti tristeza, mas raiva e tentei descontar nele, percebi então que eu não tinha mais nada e nem ninguém. Danilo soube que eu tinha ido ver ele, tinha algum rastreador no celular.
– Está achando que eu sou algum otario?
Foi só o que eu ouvi depois dele me chutar nas pernas e eu cair, foram muitos chutes e eu protegia a barriga, estava grávida, e só pensava naquelas crianças que eram vítimas das minhas escolhas. Mas queria salvar pelo menos eles, porque eu não tinha mais salvação, eu me entreguei aquela situação, tinha desistido de viver, eu tentei, juro que tentei ser feliz, mas eu abandonei a minha felicidade.
Ele pegou minha cabeça e bateu repetidas vezes no chão e perdi a consciência, e agradeci a Deus por isso, assim não sentiria dor.
Ele pararia…
Mas ele não parou, senti ele me estuprar forçando entrada do meu cu, era uma dor alucinante, mas eu não me mexia, não conseguia, meu corpo se movia para frente e para trás e não saia nem um gemido, meu corpo não era meu, minha vida não era minha, não restava nada.
Ele me virou e me estuprou de frente tampando a minha boca, eu perdia a consciência e voltava, podia ver o prazer nos olhos dele, era sádico, ele terminou e saiu de cima de mim falando alguma coisa que não ouvi. Eu podia sentir o sangue misturado com fezes e urina vazar pelo meu corpo.
Deitei naquele chão frio sem saber por quanto tempo, até ouvir uma voz conhecida, achei que tinha morrido mas podia sentir meus ossos quebrados, o cheiro de fezes e urina, meu corpo todo doía.
Mas ele veio, João veio me salvar…
Apaguei...
Eu podia morrer porque sabia que ele veio me salvar...
Ele veio nos salvar.
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