Uma palestra chata pra caralho expulsou-me do auditório (odeio quem não se toca que os tempos são outros, os ouvintes são outros, e discursa como há quarenta anos). Como quis ser diferente da esmagadora maioria da plateia, mergulhada nas ondas da internet, cabeça enterrada no celular, saí pelo prédio vazio, deixando-me levar sem destino.
Do final do corredor, uma figura incógnita: roupas jovens, sem o menor aprumo; cabelos longos, sem corte definido e pintados de várias cores; brincos diferentes em cada orelha; metro e sessenta e cinco, mais ou menos; rosto indefinido, mas atraente – lábios carnudos, olhos verdes, discretas sardas… Também se movia com o mesmo sem disposição que eu, tanto que deu tempo para nos analisarmos detidamente, à medida que nos aproximávamos.
A uns cinco metros, o cumprimento:
– E aí… bom dia, senhor! – voz quente, aconchegante; parecia café passado na hora…
Misturei civilidade com galanteio:
– Bom dia, flor do dia! – o branco de sua pele contrastava com o verde forte da mata, atrás.
– Flor de cacto… – disse, parando diante de mim, rosto ainda indefinido.
– Espinho não fere quem o acaricia suavemente… – minha voz saiu também enigmática, como se falasse sozinho.
– A flor pode não querer carinho…
– Aí não ferirá, pois que se não puder ter toque suave, brusco não terá…
– Continuando a metaforizar assim, não seria surpresa a flor mudar de querer…
E fixando o olhar no meu crachá:
– Prazer, sou Nínive, como o senhor pode ver pela minha identificação…
Como não demonstrou qualquer movimento no sentido de cumprimento de apresentação, apenas sorri e respondi:
– E eu sou Cláudio, como também pode perceber, pela mesma fonte. Mas não precisa me tratar de senhor… – provoquei.
A resposta foi banal:
– Respeito…
Não me contive:
– Rá! Se você me visse como estou vestido, acho que repensaria esse motivo…
A curiosidade brilhou em seus olhos. Antes que a boca dissesse qualquer coisa, completei:
– Pena que as câmeras deste corredor também poderiam se chocar…
Não perdeu o “time”:
– Não tem banheiro por aqui?
Nada respondi. Dei meia volta, retornando por onde viera. Caminhamos lado a lado, primeiro em silêncio, depois fazendo comentários aleatórios – aleatórios mesmo: uma pequena borboleta marrom que se debatia no canto de uma porta, o galho verde da mangueira que se esgueirava pelo corredor, a neblina quase cortina de gotas lá fora.
Entrando no banheiro, parou após transpor a porta; andei um pouco mais, posicionando-me no centro, em frente aos espelhos, para valorizar a exposição, e soltei o botão da calça, que desceu, mostrando-lhe o vermelho forte de uma de minhas tangas mais escrotas, que apenas agasalhava o pau, o fio dando uma volta na cintura e enfiando-se no rego. Olhou com olhos indefinidos, e quando eu dava a voltinha para mostrar meu rabo, avançou e apalpou minha nádega, um dos dedos escorregando e tocando meu cu.
– Tem razão, com carinho não espinha…
Estávamos muito perto e não nos afastamos. Toquei a pontinha do seu queixo e o trouxe delicadamente até minha boca. Beijamo-nos, minha calça nos pés, meu pau ereto, sua rola manifestando-se também. Minha mão buscou o membro rígido e o acariciou, enquanto gemidos sensuais brotavam de sua boca, dentro da minha.
Agarrados, entramos na cabine para pessoas com deficiência – era mais ampla. Ao fechar a porta, eu já me abaixara e tomara a delícia de seu pau em minha boca, sugando-o e improvisando boquete de mil movimentos em toda sua extensão. Senti a babinha salgada. Quis aquele cacete em mim. Levantei-me, virei as costas; suas mãos, meio trêmulas, afastaram o fio do meu entre-nádegas e sua língua banhou-me, enfiando-se em mim, seus dedos finos também.
Debrucei-me sobre a pia, projetei meu rabo, escancarando meu buraquinho, e a rola foi se metendo, escorregando para dentro. Eu me remexia feito uma puta na rola de seu cafetão, e gemia obscenidades incompreensíveis; ouvia outras tantas… Até que senti seu pau explodir dentro de mim, acompanhado de um grunhido mais intenso. Minha pica babava no saquinho em que estava guardada, armando-o.
Ainda com a rola atolada no meu cu, flexionou-se sobre minhas costas e murmurou no meu ouvido:
– Tem razão: zero respeito! Amei!
