Naquela noite, Carla decidiu que não haveria reuniões, relatórios, ou a frieza calculada de Mirtes. Ela precisava do calor de sua família para absorver a magnitude de sua nova responsabilidade. O poder corporativo era um fardo; a família era seu alicerce.
Ela preparou um jantar simples, mas elegantemente servido, no penthouse, aproveitando a vista deslumbrante da Torre Eiffel que, pontualmente, começou a cintilar em seu show de luzes. Sandra e Tatiana estavam relaxadas. Sandra estava adaptando-se lentamente ao luxo, e Tatiana falava animadamente sobre os planos de visitar o Louvre e o Museu d'Orsay.
— Carla, você está mais tensa que o normal. - Sandra observou, com a percepção aguçada de mãe, servindo o vinho em taças de cristal. "
— Essa missão em Milão... foi pior do que você disse? Você está escondendo alguma coisa?
Carla sorriu, sentando-se à mesa. Ela estava vestida com um longo robe de seda cinza, trocando o poder do blazer pelo conforto do lar.
— Não, mãe. Foi exatamente como eu esperava. - Carla respondeu, pegando a taça. "
— Eu o destruí. Voss não é mais uma ameaça. A Mirana Corp está negociando o contrato da G-Net.
Carla esperou o momento em que as taças estavam cheias e a Torre Eiffel brilhava em seu esplendor máximo, transformando a varanda em um palco de luz.
— Eu tenho um brinde a fazer. - Ela anunciou, e seu tom era diferente; não era a voz de uma executiva, mas de alguém carregado de um peso e um orgulho que Tatiana notou imediatamente.
— À nossa nova vida em Paris. - Carla começou, mas fez uma pausa dramática, olhando de Sandra para Tatiana. Ela permitiu que a emoção, que era estritamente proibida no escritório, transbordasse.
— E à minha nova posição.
Ela respirou fundo, saboreando as palavras antes de proferi-las:
— Mirtes está indo para Milão para focar na expansão do sul. E ela me deixou no comando. Eu sou a nova Presidente da sede de Paris da Mirana Corp.
O silêncio caiu sobre a mesa por uma fração de segundo, seguido por uma explosão de choque e euforia.
Tatiana soltou um grito agudo de alegria e bateu na mesa.
— PRESIDENTE! Você é a chefe de tudo! Eu sabia! Eu sabia que você era a pessoa mais inteligente do mundo! - Ela pulou para abraçar Carla, quase derrubando a taça no processo.
— Presidente Carla! Isso merece champanhe de verdade! Vamos beber o mais caro!
Sandra, no entanto, demorou um pouco mais para processar a magnitude da ascensão. As lágrimas vieram, mas desta vez, eram lágrimas de alívio, de redenção e de orgulho absoluto. Ela se levantou e segurou o rosto da filha, as mãos macias em contraste com a maquiagem impecável.
— Presidente... Meu Deus, filha. - Sandra murmurou, a voz embargada.
— Você saiu de um cubículo no Brasil para ser Presidente de uma empresa em Paris... Você conseguiu! Você não apenas nos salvou, você se salvou!
— Eu não estaria aqui sem o apoio de vocês. - Carla disse, profundamente comovida pela reação da mãe.
— Este cargo, o dinheiro, tudo... é a prova de que valeu a pena lutar pela Carla. E agora, o escritório principal do império de Mirtes é nosso.
A celebração continuou noite adentro. Tatiana e Carla fizeram planos exagerados de reformas no "escritório da Presidente" (o novo hobby de Tatiana). Sandra, sentada na varanda, observava a filha, a imagem da Presidente da Mirana Corp, rindo e radiante de felicidade.
O luxo em que viviam não era mais a consequência de um contrato assustador, mas a recompensa tangível e merecida pela resiliência e a verdade de Carla.
