Me chamo Henrique César, sou engenheiro mecânico quase quarentão, casado com a Jaqueline e pai de dois filhos. Temos uma vida relativamente tranquila aqui em Resende, onde moramos, mas o que vou contar agora aconteceu há muito tempo, por volta dos meus 23, 24 anos de idade.
Naquela época, eu ainda morava com a minha mãe e meu irmão em Brás de Pina, bairro do subúrbio do Rio, e a vida era um tanto menos agitada do que é hoje. Minhas únicas preocupações eram terminar o técnico em mecânica, concluir o estágio que eu fazia numa casa de máquinas e passar pra uma universidade boa, nada além disso.
Acho que posso dizer que minha vida sempre se resumiu à mecânica, de uma certa forma. Era eu quem montava e consertava as bicicletas de geral, eu que ia lá no campinho da rua fazer manutenção das traves do gol e, quando não tinha nada pra fazer, ajudava o velho da padaria a consertar o maquinário, nada que fosse muito puxado pra parte elétrica. Não é à toa que meus amigos me apelidaram de Ferrugem e esse é um apelido que perdura até hoje.
Nos tempos vagos, minha função era tomar conta da casa e do Leonardo, porque nossa mãe trabalhava longe pra caralho, dormia praticamente todos os dias no trabalho e deixava a casa e ele na minha responsabilidade. Até depois que o Leó completou 18 e ficou mais soltinho, a coroa tava sempre mandando eu ficar de olho nele, e isso acabou criando um vínculo de fraternidade e de irmandade forte entre nós.
Forte mesmo. Principalmente quando meu irmão virou uma bomba de hormônios da puberdade dentro de casa. Ele tinha acabado de completar 18 anos, começou a dar uns perdidos na rua com os amigos, às vezes chegava em casa meio altinho de Catuaba e eu não era de reclamar tanto, mas estava a todo momento reparando no jeito, na roupa e nas falas do Leonardo.
Teve uma vez que eu tava na praça com a Jaqueline (sim, a gente já ficava naquele tempo), ela apertou meu braço e fez cara de curiosa.
- Ferrugem, aquele ali não é teu irmão?
- Léo? Aonde? – virei pra trás e não acreditei no que vi.
Leonardo estava no meio de um grupo de moças, todas vestidas de shortinho curto enfiado no cu, dançando funk no meio da praça, de mão no joelho e rabo pro alto, fazendo quadradinho. Parceiro, meu queixo foi no chão. Tive que olhar duas, três, quatro vezes pra entender o que tava acontecendo, e quando entendi continuei sem reação.
- É ele, não é? – Jaqueline me olhou, animada.
- Caralho... Ele mesmo. – eu não soube o que dizer.
- Que legal. Eu não sabia que seu irmão é g-
- Não fala nada. Não termina a frase. Ele não é. – fiquei meio nervoso.
Estávamos distantes um do outro e Leonardo não me viu na pracinha, mas eu percebi cada movimento dele, cada mexida de bunda, cada rebolada e tapinha que ele deu na nádega enquanto dançava com as funkeiras.
Nunca comentei desse flagra com ele e achei melhor guardar pra mim, o foda é que tu vê uma cena dessa e ela mora na tua cabeça pro resto da vida, não sai mais da tua mente. Comigo não foi diferente. Como é que volta pra casa e finge normalidade depois disso? Foi complicado.
- Até que enfim, Henrique. Tava preocupado, mano. – ele me abraçou quando cheguei em casa, horas mais tarde.
- Ah, eu... Demorei hoje no curso. E tu, fez o que de bom?
- Eu? Fiquei em casa. – Léo mentiu.
- Não saiu hoje? – fiz meu semblante mais sério.
- Não. Mãe mandou não sair, lembra?
- Tendi. – fingi que acreditei.
Eu queria ser esse irmão mais velho descontruído e super mente aberta, mas pegar o mais novo rebolando com as amigas na praça envenenou minha mente de uma forma que passei a ver Leonardo de outro jeito. Antes eu confiava e acreditava nele, mas foi só achar as primeiras mentirinhas que acabei virando o irmão desconfiado.
De uma hora pra outra, eu meio que comecei a suspeitar de tudo que ele dizia e fazia, pois já sabia que o danado gostava de fugir de casa pra dançar na praça sempre que eu não tava perto. Também percebi que ele demorava pra caralho no banho e logo me veio a certeza de que o filho da mãe tava endoidando na punheta no banheiro.
- Já terminou aí, Léo? Tá muito tempo no banho, moleque, olha esse chuveiro quente. – bati firme na porta.
- C-Calma, Henrique! T-Tô saindo! Nem pensa em abrir a porta!
- Tá gaguejando por quê? Já tive tua idade, punheteiro. Hehehe!
- Aff, sai daqui! Cê fala como se fosse muito mais velho que eu, porra!
- Não responde, eu sou mais velho. Bronheteiro! Termina logo a punheta e vê se lava o boxe, escutou? Já não basta tomar conta de tu, não vou limpar porra de ninguém. – reclamei e saí.
- Chato à beça, mete o pé. – ele chiou lá de dentro.
Após o funk na praça, veio o segundo baque: minhas roupas. Quando entrei no banheiro depois que meu irmão saiu, meus shorts do futebol estavam revirados dentro do cesto de roupa, alguns sujos de porra fresca que com certeza não saiu do meu saco. Bateu uma sensação estranha de nojo com curiosidade, minha cabeça pesou e me senti perdido, sem saber como proceder.
- “Não, né possível. Ele só tá curioso, só isso. Faz parte. Fez 18 agora, deve ser virjão, tá começando a sair aos poucos. Tá curioso, nada mais.” – um Henrique minúsculo e com asas de anjo surgiu no meu ombro direito.
- “Tá de sacanagem?! Esse moleque é viado, tá na cara!” – um Henrique com chifres sussurrou no pé da minha orelha esquerda.
Eu era um moreno que não tirava os pelos do corpo, tinha desenvoltura física e malhava sempre que podia, então era peludo, fortinho, dos braços definidos e peitoral aberto, nada muito grande. Bigodão, sorriso de covinha, jeito de bom moço e pinta de cafajeste, acho que eu era mais ou menos assim. Será que foi minha aparência que fez o Léo gozar nas minhas roupas do futebol?
A pulga não saiu de trás da minha orelha. Em vez de dar ouvidos ao lado angelical e entender que aquele comportamento era só uma fase do meu irmão, eu entrei na onda do diabinho e tive uma ideia arriscada: testar Leonardo. Sei lá, pensei em fazer qualquer coisa mínima que pudesse gerar uma resposta da parte dele, tá ligado?
Foi por causa dessa minha intenção que eu percebi que ele sempre me olhava quando eu coçava o saco, ou então quando eu andava de short sem cueca em casa. Acredite em mim, eu preferia nunca ter percebido as manjadas do Léo, porque depois que percebi, tudo virou uma bola de neve. As coisas foram acontecendo em sequência, tipo efeito cascata.
Eu tinha acabado de voltar suadaço do futebol, cheguei em casa, tirei a blusa e ele do nada me abraçou, colou o corpo no meu.
- Já voltou do futebol, Henrique? Tava com saudade. – o cínico se jogou em mim, me derrubou no sofá e sua coxa alisou meu volume devagar.
- Calma lá, Léo, tô suado. – fiz vista grossa.
- E daí? Sou teu irmão, não tenho nojo. – ele cheirou meu sovaco, a perna dele pressionou minha rola e eu me senti quente.
Meu corpo confundiu o contato, a curiosidade venceu o nojo e minha pica ameaçou ficar bamba por culpa do peso em cima dela, foi quando eu vi que precisava sair dali o quanto antes.
- Chega, moleque. Vou tomar meu banho. Lavou o boxe do jeito que eu mandei?
- Lavei, por quê? Agora é você que vai lá chamar na punheta, é? – o filho da puta se divertiu às minhas custas e manjou meu pau na cara dura.
- Se orienta, moleque! Sou teu irmão mais velho, tu tem que me respeitar! Pega teu rumo, anda.
- Bahahah! Tô brincando, mano.
- Tá brincalhão demais pro meu gosto, tu. Vou tomar banho.
- E eu vou na praça beber com os moleques, já é?
- Olha lá, Léo. Não vai voltar bêbado, tá escutando? – apontei o dedo na cara deslavada dele.
- É só uma, não demoro. Daqui a pouco tô em casa.
Esse foi um dos dias mais marcantes na nossa relação, o dia que fiz o primeiro grande teste pra avaliar a reação do meu irmão. Entrei pro banheiro, deixei a porta encostada, tirei a roupa e me enfiei debaixo do chuveiro, doido pra limpar a inhaca e a gordura do corpo pós futebol.
- “Ele não vai aparecer aqui. Disse que foi na praça encontrar os amigos, lembra? Você tá sendo muito duro com ele.” – o Henrique anjinho falou na minha orelha.
Tive aquela leve sensação de culpa, me senti bolado por testar meu irmão e achei melhor pensar em outra coisa, esquecer tudo aquilo. Virei de lado, ignorei a porta e ela se moveu. Eis que o par de olhos curiosos surgiu pela fresta, Leonardo meteu o olhão na minha vara e eu automaticamente fiquei galudo, foi inevitável.
- “Eu avisei. É viado e nem disfarça, tu que tá de bobeira. Pelo jeito que rebola, esse cu já levou tora. Heheheh!” – tive que calar a boca do Henrique diabinho no meu ombro esquerdo.
Mas foi tarde demais. Confirmar que o Léo tava curioso no meu corpo foi foda pra mim. A rola ficou de pé na hora, fechei a mão nela e me vi na uria de socar aquela bronha braba que só quem fica de pau duraço no chuveiro entende. Usei a outra mão pra segurar o saco, exibi tudo que meu irmão queria ver e ele paralisou na porta do banheiro, sem saber que eu o vi.
- SSSS! Tem como não, vou brotar lá na Jaqueline qualquer hora dessa... – não aguentei e esporrei grosso no vidro do boxe.
As setas brancas picharam o blindex, o banheiro encheu do meu cheiro e eu vi cada expressão de gula, de sede e de fome que se manifestou no rosto desacreditado do Leonardo. Até a língua pra fora da boca ele botou, o sem vergonha.
- Mmmm... Esvaziei legal, tô até leve... – suspirei.
Limpei o boxe, terminei o banho, comecei a me enxugar e o safado se mandou da porta do banheiro o mais rápido que pôde, com medo de eu nota-lo. Ele achou que passou batido, mas encontrei jatos de porra no chão do corredor e concluí que Léo realmente não era tão inocente quanto eu achei que fosse.
Um lado meu queria deixar as coisas como estavam e achava certo meu irmão viver a vida dele, a sexualidade dele. Só que teve outro lado meu que não sossegou, não teve paz até ver com os próprios olhos. O diabinho em mim precisava que alguma coisa acontecesse pra ter a confirmação da sexualidade do Leonardo, eu só não sabia o que fazer.
No meio dessa guerra entre o certo e o errado, o anjo e o diabo, quem eu escolhi pra me guiar? Carlos Eduardo, também conhecido como meu brother Cadu, vulgo Gringo. Eu e Caduzão era tipo unha e carne, a gente não desgrudava. Pra tu ter ideia da amizade, ele pegava a Jaqueline antes de eu e ela nos conhecermos, ou seja, até as mesmas minas a gente pegou. Papo de “Toma Lá, Dá Cá”, tá ligado?
Cadu tinha lá pros 22 anos, era um maluco loiro, branquinho e meio esnobe, com pose de playboy e jeito de quem foi criado solto no Complexo da Penha, largadão na favela. A gente era fechamento um do outro, jogava bola na rua quase toda semana e foi com esse amigo que resolvi abrir a situação do Léo.
- Se liga, Cadu, quero te contar um bagulho. Tá rolando uma parada doida lá em casa, sei nem como falar.
- Vish... Então tu percebeu, né? Tava na hora, Henrique. – ele coçou a cabeça e riu.
- Percebi o quê?
- Ah, corta essa. Geral já tá ligado, pô.
- Tu não pode tá falando da mesma coisa que eu, moleque. Duvido! – não botei fé no papo.
- Henrique, meu parelha, todo mundo viu o funk na praça. Comento contigo há semanas, tu que não quer enxergar. – Cadu falou e o diabinho no ombro dele me deu língua.
- Tu tá... Falando do... Leon-
- Teu irmão é viado. Eu tenho faro pra viado, tu tá ligado. Nunca erro.
Pior é que o arrombado era bom em acertar esses bagulhos. Ele sempre falou que o padrasto era gay e ninguém deu ouvidos, muito menos a mãe dele. Ela só acreditou quando o maridão pediu divórcio. Doideira, né?
- O foda é que eu só vou acreditar se ouvir da boca do Leonardo. – falei.
- Ih, tu quer confirmação? Então já é, deixa comigo. Eu sei do que ele gosta, vai ser fácil. Hehehe. – Cadu coçou a pica no short.
- O que tu tá pensando, Cadu?
- Relaxa. Vai lá na padaria comprar pão, deixa que eu me resolvo com teu irmão.
- Olha lá o que tu vai aprontar, cuzão.
- Já mandei relaxar, Henrique. Hehehe...
A gente tinha acabado de terminar o futebol na rua, Leonardo buscou água gelada, trouxe na calçada e eu dei um pulo na padaria pra comprar pão. Deixei meu irmão e Cadu a sós no portão, levei uns cinco minutos e paguei de curioso, tava aflito pra saber o que meu amigo ia aprontar.
Quando voltei, Cadu tinha acabado de mijar no poste em frente à minha casa, escondeu a pica no calção e riu pra mim. Léo entrou com o pão, eu e meu colega ficamos sozinhos e fui direto ao ponto.
- E aí, o que tu fez?
- Nada. Só mijei na frente dele pra ver se ia manjar.
- Ele manjou?
- Nada.
- Ué? Mas se ele é viado, não é pra manjar? – fiquei confuso.
- Depende. Cada um com seu cada um, Henrique. Eu continuo tendo certeza que ele é.
- Se é, por que não manjou?
- Porque ele precisa disfarçar. Leonardo não é assumido, ele é incubado. Deve ter medo da tua reação, da reação da coroa de vocês. Mas que ele é, não tenha dúvida.
- Sei não... – pensei bem. – Isso tá estranho. Melhor nós parar com essa porra.
- Não, calma. Agora que vai ficar bom, vamo ver onde vai dar. – Cadu bateu no meu ombro e terminou de beber água.
Poucos dias depois desse teste do mijão no poste, outra situação aconteceu entre Cadu e meu irmão. O Léo pifou meu computador jogando Counter Strike, chamei meu amigo pra ver se consertava e ele apareceu pra me acudir. Teve uma hora que eu saí do quarto e deixei os dois a sós, mas fiquei de orelha grudada na parede do banheiro pra escutar o papo deles.
- O que tu arrumou no computador, Léo? – Cadu perguntou.
- Já disse, tava jogando CS e o computador deu pau. – Leonardo respondeu.
- Deu pau e tu não mamou?
- Cadu, Cadu... Olha a graça, cara. Hahahah.
- Aposto que tu tava vendo pornô. Fala a verdade, mente pro teu parceiro não. Não quer contar pro Henrique, tudo bem, entendo, mas pra mim tu sabe que pode dar o papo reto. Pesquisou o quê, pornô gay?
- Só joguei CS, Cadu, nada mais.
- Nada mais, tem certeza? E se eu ligar o computador e encontrar vídeo de homem dando a bunda, faço o quê?
- Você só vai encontrar esse tipo de vídeo aí se o Henrique baixou, porque eu não baixo nada disso.
- Baixa não, tu só assiste.
- Nem assisto. Não tô entendendo qual é a tua, Cadu. Tá me estranhando? – meu irmão ficou bolado.
- Só quero que tu saia do armário, moleque. Tehehe. Já falei pra confiar em mim, tu não quer.
- Mas eu não tenho nada dentro do armário, Carlos Eduardo.
- Ah, para de lorota. Tu não é boiola, Léo? Vai negar, papo reto?
- Não sou gay, você que é chato e insistente.
- Então se eu coçar o saco e botar a mão na tua cara agora, tu vai sentir nojo?
- QUE NOJO, CUZÃO! SAI FORA! HAHAHA! – Léo caiu na risada.
Não sei qual era exatamente a intenção do Cadu e nem o que ele planejou fazer, só sei que saí do banheiro, entrei às pressas no quarto e peguei meu amigo prestes a fechar os dedos na cara do meu irmão.
- Qual foi? Que nojo o quê? – perguntei.
- Nada, Henrique. Hehehe! – Cadu desconversou e voltou a dar atenção ao conserto do computador.
Eu e ele ficamos a sós quando o Leonardo foi na cozinha, aí eu aproveitei e toquei no assunto.
- Viu? Ele disse que não é gay. Não deve ser mesmo.
- Aaah, qual foi? Vai cair nesse papo furado, Henrique? Sai fora, larga de ser otário. Ele tá fingindo, porra!
- Mas se ele não quer contar, tudo bem. Deixa ele. Tudo no seu tempo. Melhor nós desistir desse plano bobo de tirar ele do armário, Cadu.
- Não, desistir nada! Tu quer ouvir da boca dele, não quer? Vou fazer melhor, tu vai ver com teus próprios olhos! Heheheh!
- O que tu tá planejando, moleque? Viaja não, Léo é meu irmão.
- Sem frescura, Henrique. Tu vai ver. Me aguarde. – Cadu avisou.
Desde então, eu fiquei com aquele arrepio sinistro na base da espinha, um tanto quanto desconfiado e até meio apreensivo com o que poderia acontecer. Minha vontade, nessa altura do jogo, era deixar tudo como estava e fingir que Leonardo era apenas um moleque extrovertido e animado demais, mas inventei de cutucar Cadu com vara curta e ele virou uma onça faminta pra tirar o veadinho da toca.
Pouco tempo após o conserto do computador, rolou comemoração do aniversário de um parceiro nosso na Barra, eu e Caduzão marcamo de cair na gandaia e ele foi lá pra casa se arrumar, de mochila e tudo. Enquanto eu tava no banheiro tomando banho, escutei o murmurinho e pus o ouvido na parede pra ouvir o papo dos dois no quarto.
- Fala tu, tô gostosinho ou não tô? – Cadu perguntou ao Léo.
- Como que eu vou responder uma coisa dessa? – meu irmão se negou.
- Respondendo, ora porra. Se tu fosse uma mulherzinha e eu chegasse em tu na balada, diria sim pra mim?
- Que perguntas são essas, Cadu? Cê não desiste, né? Hahaha.
- Tô perguntando de boa, moleque. Diria sim ou não?
- Ah... Sei lá, depende do momento e do papo. Depende da balada também, e da pista de dança, do que tá tocando no momento. Tudo isso influencia.
- Para de enrolar, Leonardo. Diria sim ou não?
- Bom... Olhando assim... Eu diria... Talvez.
- Boa. Já não é um “não”. Heheheh. – meu amigo gargalhou.
Depois que saí do banho e Leonardo entrou no banheiro, Cadu veio me zoar.
- Num tô dizendo que é biba? Tu vai se surpreender com teu irmão.
- Deixa ele quieto, Cadu, já falei. Melhor. Se ele quer ficar no armário, deve ter os motivos dele. Eu já me arrependi de ter dado uma de fofoqueiro na vida do Léo, vamo deixar ele sosseg-
- Ssssh. Nada disso, esquece essa possibilidade. É hoje que nós enquadra teu mano, pode ficar certo.
- Aff, Cadu... – resmunguei.
Terminamos a arrumação, passei perfume, guardei a chave de casa e orientei meu irmão.
- Tranca a porta. E ó, nada de rua hoje. Escutou, Leonardo? Tô falando sério.
- Escutei, relaxa. Não vou sair, vou jogar.
- Escutou mesmo, seu Leonardo? – Cadu me imitou e apontou o dedo na cara do Léo.
- Cadu, Cadu... – Leonardo resmungou e riu de canto de boca, cínico como de costume.
A noitada foi boa, bebemo pra caralho na companhia dos amigos de uma vida. Tem dois momentos que eu nunca esqueço nessa madrugada: primeiro, quando Jaqueline me abraçou e sussurrou no meu ouvido em meio à música alta da boate.
- “Já reparou que o Cadu nunca superou que a gente fica?” – ela me botou pra pensar e reparar nos detalhes.
O segundo momento que nunca esqueço aconteceu quando eu e Cadu chegamo em casa. Eram papo de quatro e pouca da manhã em Brás de Pina, fui direto pro quarto dormir e ele fez a cama dele no sofá da sala. Minha cabeça tava acelerada depois do comentário da Jaqueline e eu não consegui pegar no sono, tive que levantar pra comer alguma coisa.
Quando chego no corredor e olho pra sala, adivinha o que eu vejo?
- Eu sabia! Sempre soube, teu mano não quis acreditar. Hehehe! Chupa, Léo! FFFF!
- Sua rola é linda, Cadu, puta merda! Sem falar que é grande, cabe certinha na minha boca.
- Cabe? Então chupa, quero ver. ISSO! SSSS!
Meus olhos pegaram fogo. Cadu tava sentado de perna aberta no sofá e meu irmão ajoelhado entre elas, boquiaberto. Leonardo chupou a cabeça da pica rosa do meu amigo e se deixou ser dominado em pleno tapete da sala, uma cena que vive na minha mente até hoje. Esse foi o maior flagra que já dei na vida, maior do que o Léo bisbilhotando minha punheta no banho.
- Tá vendo aí como tu é bicha sim? Teheheh! Boqueteiro! FFFF! – Cadu notou minha presença no corredor, fez sinal pra eu me esconder e não deixou Leonardo perceber que eu tava ali.
- O foda é que você fica me cercando e eu não gosto, Cadu.
- Gosta, gosta sim. Tu gosta é muito, filhão. – meu parelha quis mostrar que tinha razão, afundou a cara do meu irmão na piroca e aproveitou pra fazer careta pra mim, querendo me provocar de longe. – SSSS! Já que só tem tu, vai tu mesmo... Engole, enche a boca! Passa vontade não! Se tu quer piru, pode mamar o meu. Moleque guloso! Hmmm...
Caduzão ora dava atenção ao boquete, ora me olhava de rabo de olho e se achava o brabo por botar meu irmão pra mamar. Pedi pro filho da puta desistir do plano e deixar Leonardo em paz, mas ele ignorou, foi adiante e conseguiu o que tanto queria: ter razão em cima de mim. A frase que a Jaqueline disse no pé do meu ouvido lá na boate nunca fez tanto sentido, acho que Cadu quis dar troco.
Foi por isso que ele pôs a mão no crânio do Léo, forçou cintura e fez o coitado chorar de tanto engasgar na piroca.
- AARGH! Demorou, mas saiu do armário, né? Lerdão. Hehehe!
- Agora entendi sua insistência, você queria é ser mamado esse tempo todo. Hahaha. – pior é que o puto do Leonardo adorou ser feito de putinha.
- Ô, se queria. Hehehe! Gosta de picão?
- Demais! O seu, então, nem se fala.
- Então mama, vem. Isso! SSSS! Chupa a cabeça igual mamadeira. Delícia de boca!
O pilantra do Cadu fez de tudo pra me tirar do sério. Afogou o Léo, deixou ele sem fôlego de propósito, fuzilou a goela do moleque, esfregou o saco na cara dele e não parou de me olhar enquanto brincava.
- Engole tudo, quero ver.
- Assim? – Léo mandou pra dentro até o talo e chorou de nervoso.
- AAARGH! SSSS! Porra, mané, covardia! TOMAR NO CU, LEONARDO!
- Geme baixo, cara. Tá maluco? Se o Henrique acorda, ele mata a gente. Já pensou se... – meu irmão parou de falar, se assustou com alguma coisa e hesitou por alguns instantes.
O anjinho surgiu no meu ombro e deu a ordem.
- “Vai dormir! Finge que não viu nada disso, Henrique, esquece!”
Mas o diabinho veio logo na sequência, deu um tapa na minha cara e me obrigou a ver tudo.
- “Você sabe que quer ver. Você sabe o que quer fazer. Faz uma homenagem pra eles, vai? Descarrega o saco, esse novinho merece. Olha lá como ele dá aula de boquete! Imagina te engolindo!” – disse o chifrudo.
Voltei a me esconder na sombra do corredor e me fiz de bom moço, mas já era tarde demais: minha piroca já tava pra fora, melecada de babão entre meus dedos, minha mão alisando a cabeça instintivamente e só nesse momento eu percebi o que estava fazendo. Bati punheta vendo meu irmão pagar boquete pro meu amigo no sofá da sala depois da balada, esse foi meu pecado.
- CHUPA, MOLEQUE, ENGOLE MEU PAU! SSSS! – Cadu se empolgou, escondeu a vara INTEIRA na garganta do Léo e eu senti o gargarejo como se fosse minha pica na boca do meu irmão.
Me perdi na fantasia de ver Leonardo devorar meu cacete, dei um passo em falso e quase me expus na sala, de tão hipnotizado que fiquei naquela cena. Parecia filme pornô, nunca imaginei que meu irmão fosse capaz de sumir mais de um palmo de pica com a boca.
- VOU ENCHER TUA BOCA DE LEITE, MOLEQUE! SSSS! – Cadu pegou pesado, virou um monstro fudedor de goela e cresceu pra cima do Léo, mas o viado tirou de letra e esbanjou experiência na arte da garganta profunda.
Mesmo de longe, deu pra escutar o TCHOF, TCHOF, TCHOF babado do saco de um grudando e desgrudando do queixo do outro. O diabinho sussurrou atrocidades na minha orelha, o anjinho tentou desviar meu olhar daquilo tudo e só eu sei como sofri de continuar ali. Mas continuei. Lustrei o prepúcio na cabeça do caralho, meti cintura na mão, fingi que tava fudendo e me entreguei, cansei de resistir.
- Mmm! Quero leitinho, tô com sede. Esporra na boca, vou engolir. – Léo pediu.
- OOORGH! ENTÃO ABRE! – Cadu ordenou.
Meu irmão se atracou no caralho, engoliu até o talo de novo e eu vi o momento exato que os culhões do Cadu foram repuxados dentro do sacão. A descarga de leite foi espontânea, meu parelha gozou e eu enchi o chão do corredor de gala, os dois ao mesmo tempo. A única diferença é que eu infelizmente não leitei a boca do Leonardo, porque se tivesse coragem, com certeza teria pichado a cara daquele filho da puta de mingau.
- Hmmm... – tive que me controlar pra não rugir, cheguei a suar na punheta de voyeur que bati.
- SSSS! Na moral, Léo... – Cadu respirou fundo depois da gozada. – Meu corpo tá mole, moleque. Hehehe...
- E eu de bucho cheio. Cê gozou pra caralho. Hahaha! – meu irmão mostrou a língua esbranquiçada de gala.
- Do jeito que eu gosto, moleque. Me deixou leve, hehehe. – meu colega agradeceu.
Me mandei pro quarto, lá permaneci durante quase meia hora e tentei processar tudo que havia acabado de acontecer, mas foi informação demais e a todo momento minha piroca latejou em pé. O fogo só abaixou quando saí da cama, bisbilhotei na porta do quarto do Leonardo e vi o viado dormindo tranquilamente na cama dele, como se não tivesse amolado meio metro de espada na garganta minutos atrás.
- “Moleque viado do caralho... Teu negócio é pica, né?” – o diabinho sussurrou no meu ombro.
- “Mete o pé, Henrique, deixa ele dormir. Não provoca seu irmão.” – o anjinho até que tentou, mas o chifrudo o esmagou e o coitado desapareceu.
Era o que eu queria. Só eu, meu irmão e as consequências de tudo que eu vi acontecer entre ele e o Cadu na madruga.
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