Bya havia acordado cedo, recolhido as roupas limpas do varal e passado uma por uma com o ferro quente. Não tinha conseguido dormir direito, mas estava orgulhosa por ter feito tudo sem ser percebida. Às 8h27, mandou a mensagem:
“E aí tudo certo pra hoje? Sextou com roupas limpas kkkk”
A resposta só veio às 9h19.
“Perdi a hora, tô saindo agora pra academia. Se quiser, me espera lá perto do carro por volta do meio-dia.”
Bya estranhou. Ele sempre marcava com ela às 11h30 e aparecia perto de meio-dia. Então por que dizer pra chegar antes? Sabia que ele se atrasava, sempre. Irritada, ainda cansada e de mau humor, digitou:
“Como assim meio-dia na academia? Achei que a gente ia se ver no posto... Que você queria me ver, me levar pra passear... Não entendi. Era só pra pegar a roupa limpa então?”
Pensou em tudo que passou, carregando as sacolas no ônibus, a humilhação com os tios. Sentiu raiva.
“Se for só isso, ele que venha buscar se quiser”, pensou.
Minutos depois, chegou o áudio:
“Desculpa mandar áudio, linda, tô dirigindo... Faz assim então: me espera no posto às 11h30, tá? Hoje tá corrido, tô saindo pra Votuporanga daqui a pouco, mas vou arrumar um tempinho pra gente ficar junto e matar a saudade da sua boca vermelha linda.”
Ela respondeu só com um emoji de boca. Mas, diferente das outras vezes, não se apressou.
“Ele fala 11h30 e só chega meio-dia. Nem vem com essa.”
Tomou banho com calma, se vestiu devagar. Queria usar um short da prima, mas os tios estavam em casa. Saiu de casa só depois das 11h.
Às 11h35, chegou a primeira mensagem dele:
“Oi linda, cadê você??”
11h43:
“Tá de brincadeira né.”
11h55:
“Terminei minha cerveja aqui, tô indo embora Maria Beatriz.”
Ela chegou praticamente ao meio-dia. E viu o Fiat Bravo preto parado no posto. Diogo, em pé ao lado do carro, com uma lata de cerveja na mão e outra no capô, conversava com o frentista de sempre.
Ela se apressou, aliviada por ainda encontrá-lo. O frentista comentou:
“Se quiser mais bala, eu tenho aqui.”
Ela não entendeu muito bem.
Diogo a viu se aproximando:
“Você fez de propósito, né? Quis me deixar esperando.”
“Oi? Como assim? Não entendi...”
“Coloca logo essa porcaria no banco de trás.”
Bya engoliu seco.
“O que foi? Tá tudo bem com você? A gente não marcou aqui às 11h30?”
“Você sabe que eu tô atrasado hoje, não sabe?”
Ela vasculhou a bolsa, pegou o celular e viu as mensagens.
“Desculpa, lindo... Eu tava no ônibus, em pé com as sacolas. Não deu pra ver.”
Ele sabia que era verdade, mas não deixou a discussão morrer:
“Mas marcamos 11h30. Da próxima vez, eu vou embora. Só fiquei porque era minha roupa.”
Ela ficou sem reação, só conseguiu dizer:
“Você quer que eu vá embora então?”
“Pode ir. Mas antes... vem aqui me dar um beijo.”
Ela se aproximou e, ao abraçá-lo, chorou. Não sabia bem por quê.
“Desculpa... Não vai mais acontecer...”
Ele limpou as lágrimas dela com os dedos e a puxou mais forte, afagando seus cabelos.
No peito quente e úmido de Diogo, o cheiro forte do suor era reconfortante. Ela se sentia protegida ali. Se afastou, ficou na ponta dos pés e o beijou com suavidade.
Ele pegou sua mão, a conduziu até a porta do carona e a fez entrar. Jogou as duas latas fora, deu a volta e assumiu o volante.
Fez uma manobra diferente e ela perguntou:
“Pra onde a gente tá indo?”
“Relaxa... É hora do almoço, os frentistas estão de folga. Meu colega liberou a área da troca de óleo pra gente.”
“Você não se importa de não passear hoje, né? Com a correria e o seu atraso...”
“Não, lindo. Tudo bem...”
“Valeu pelas roupas, de verdade. Salvou meu fim de semana.”
“Imagina. Foi nada...”
Mas na cabeça dela passava tudo: o esforço, as mentiras, a briga com os tios.
“Você tem noção do quanto você é linda, Bya com Y?”
Enquanto falava, a beijava no rosto, no queixo, na boca.
“Tem pensado em mim? Tem?”
As mãos dele entraram por baixo da blusa. Ela suspirou. Ele brincava com seus seios enquanto a beijava com mais fome.
Quando tentou abrir o botão do shorts dela, soltou uma risada:
“Com esse botão e zíper aqui você me complica, princesa...”
Riram juntos, mas ele não desistiu.
Ao enfiar a mão por baixo da calcinha e sentir a região íntima dela, fez um comentário seco:
“Nossa... você é selvagem mesmo, hein Bya...”
O tom não era de admiração. Era um incômodo.
Ela sentiu o corpo enrijecer. Estava vulnerável. Aquilo a atingiu. Era a primeira vez que ele a tocava assim e ela já se sentia julgada.
O ambiente era quente, abafado. O lugar não era seguro. Alguém poderia aparecer. Mas ele não parava. Segurava seu rosto com uma mão e a bolinava com a outra.
“Hoje você nem vai precisar chupar bala depois, viu Bya...”
Ela fechou os olhos, tentando não pensar em nada. A cabeça girava. Vozes se misturavam — os tios, o açougueiro, Diogo.
Sentia o braço úmido dele encostado na sua barriga. Os pelos dele grudados em seu suor. O dedo na boca.
Uma panela de pressão.
“Não... não faz assim não... Afasta pra mim, afasta, Bya... Deixa eu acabar isso aqui pra você. Vai... deixa eu acabar... Vai, garota... deixa...”
Ela gemeu e explodiu nos dedos dele. Suas unhas cravaram nas costas dele. O coração parecia que ia sair pela boca.
O silêncio dentro do carro contrastava com o som abafado do mundo lá fora. Os vidros embaçados. O calor denso. E no meio da garagem vazia da troca de óleo, apenas os dois — presos entre a tensão e o suor.
Bya ainda respirava com dificuldade. O corpo trêmulo. As lágrimas recém-secas deixavam um rastro salgado no rosto. Ela não sabia se chorava por cansaço, por vergonha, ou por finalmente ter sido tocada com tamanha intensidade. Diogo a observava calado. Os olhos escuros, atentos. A boca úmida de desejo e de domínio.
— Você precisava disso — murmurou, encostando o rosto no dela. — É por isso que eu apareci na sua vida. Eu sei o que você precisa, Bya com Y... você só tem que parar de lutar contra. Me deixa cuidar de você do jeito certo.
Os dedos dele deslizavam novamente pela coxa, lentamente, como se cada toque fosse programado. Ela fechou os olhos, tentando afastar o tumulto de vozes e pensamentos. Mas o corpo já não obedecia. A calcinha estava úmida, os pelos grudando na pele suada. Cada movimento de Diogo era uma rendição.
— Relaxa… abre a perna pra mim — ele sussurrou, com o nariz roçando o cabelo dela. — Você não precisa pensar agora. Só sente. Deixa que eu resolvo o resto. Só você e eu aqui.
Ela tentou resistir. Tinha vergonha. Do lugar, do cheiro, da entrega. Mas o corpo a traía. A tensão da noite mal dormida, o peso da mochila, os gritos da tia, tudo desabava naquele toque.
— Assim… — ele guiou sua perna devagar, abrindo-a com a própria mão. — Isso. Eu adoro quando você para de fingir que é forte. Você não precisa ser forte comigo. Só precisa ser minha.
Ela gemeu baixo. As pálpebras pesadas. O corpo se arqueava sem controle. E quando ele pressionou com precisão aquele ponto que parecia adormecido há anos, o gemido escapou sem filtro. Era frágil. Quase infantil. E devastador.
— Isso… vem pra mim — sussurrava ele, sem parar o movimento dos dedos. — Faz de novo gostoso pra mim. Deixa eu sentir. Mostra pra mim quem você é de verdade.
Ela tentou falar algo, mas a respiração embolava as palavras. O pensamento se partia ao meio: um lado ainda racional, tentando se conter; o outro… rendido.
Quando o orgasmo veio, não foi um grito. Foi um soluço. Um tremor mudo. Um desabamento por dentro. Os olhos cerrados, o queixo encostado no ombro dele. E um som abafado escapando da garganta, como se estivesse chorando de novo — mas era outra coisa. Era alívio.
Ele a observava em silêncio, como quem confirma uma previsão.
— Viu? — murmurou com um beijo no pescoço. — Só comigo você consegue assim.
Ela se encolheu, puxando a calcinha de volta. O rosto vermelho. O olhar perdido.
— Já tá bom por hoje, Diogo… — disse com um fio de voz. — Desculpa… me senti mal agora… não devia…
Ele não respondeu de imediato. Apenas a observava. Como um caçador que já sabe que a caça não vai fugir.
— Ficou mal por quê? — ele perguntou, calmo. — Porque foi rápido? Porque você goza fácil comigo?
Ela desviou o olhar. A blusa ainda fora do lugar. Sentia o peito exposto. Mas não era só o físico — era a alma em carne viva.
— Foi errado... aqui... na garagem… — ela disse, baixo.
Ele inclinou-se sobre ela. A respiração dele invadia seu ouvido.
— Errado? — ele sorriu. — Errado é você mentir pra si mesma. Eu adoro que você não se controla. Isso é o mais lindo em você.
Ele passou a mão novamente entre as pernas dela, agora com mais firmeza. Ela tentou segurá-lo, mas ele não recuou. Pelo contrário.
— Não foi bom da primeira vez? — sussurrou, lambendo o lóbulo da orelha. — Então faz de novo… abre pra mim. Deixa eu ver de perto o quanto você me quer.
Ela tentou dizer “não”, mas era um não frágil. Sem raiz. Um “não” que já sabia o fim.
— Eu não queria... de novo... agora... — ela disse, trêmula.
— Você não queria pensar. E acabou gozando. — Ele mordeu o pescoço dela de leve. — Sabe por quê? Porque aqui com você, Bya, é corpo e verdade. E a sua verdade é essa: você adora se entregar pra mim.
Ela fechou os olhos de novo. E, lentamente, sem saber por que, deixou a perna escorregar mais uma vez. Diogo sorriu.
— Boa garota…
Ela ainda respirava com dificuldade, tentando entender o que acabara de acontecer. Mas quando sentiu a mão dele deslizar de novo pela parte interna da coxa, reagiu.
— Diogo… não — disse, com um toque de vergonha na voz. — Já foi. De verdade...
— Foi… mas não foi direito — ele retrucou, sem tirar a mão. — Você tava tensa, distraída. Eu senti.
Ela fez menção de fechar as pernas, mas ele segurou com leve firmeza, sem violência — só o suficiente para que ela soubesse que não era hora de encerrar.
— Fica quietinha... só deixa eu cuidar disso como tem que ser. Confia, Bya com Y... só confia.
Ela suspirou, resignada. Parte por não saber dizer não a ele. Parte por não querer mesmo. Diogo parecia saber como convencê-la sem forçar nada — apenas presença, calor, tom.
A mão voltou a tocar devagar, e dessa vez ela estava mais consciente. Os músculos estavam relaxados, a respiração mais baixa, a mente menos ocupada. Cada movimento dele era como uma onda morna atravessando o ventre.
— Isso... tá vendo? Agora sim... agora é você de verdade — ele dizia, sem parar, como se a voz dele a conduzisse.
Ela não respondeu. Só sentiu. O toque ritmado, a palma firme segurando sua coxa. Os olhos meio fechados.
De repente, um calor diferente. Umidade demais. Mais do que o normal. Ela nem teve tempo de processar — um leve esguicho, involuntário, escapou entre as pernas.
Diogo parou por um instante, surpreso. Olhou pra ela, depois pra própria mão.
— Caralho, Bya... você... — ele soltou uma risada contida, quase incrédula. — Você gozou de verdade agora.
Ela arregalou os olhos, sem entender direito.
— O quê?
Ele não respondeu. Só deu dois tapinhas leves e curtos na coxa dela, com uma mistura de provocação e carinho.
— Relaxa... é coisa boa. É seu corpo falando. Você não sabe o quanto isso me deixa louco.
Ela continuava tremendo, os olhos baixos, as mãos pressionadas no assento. Sentia as pernas latejando, um calor que não passava. O coração disparado.
Diogo a puxou de leve pelos ombros e encostou sua cabeça no peito dele. A respiração dele também estava pesada, mas o controle era todo dele. Sempre foi.
— Foi isso que você veio buscar hoje. Nem sabia, né? Mas eu sabia. E só vai melhorar...
Ela não disse nada. Estava num transe estranho, entre o prazer e o cansaço. Entre o susto e a entrega.
— Não tem vergonha, tá? Isso é seu. Você merece sentir isso. Merece ser assim... intensa.
Ela fechou os olhos, engoliu seco. O corpo ainda respondia em espasmos suaves. Um pós-gozo diferente. Mais profundo. Ela não tinha nome pra aquilo.
Mas Diogo tinha.
— Isso se chama se soltar. E comigo, você vai aprender direitinho. — Ele beijou o topo da cabeça dela. — Só não tenta voltar a ser aquela garota que segura tudo, tá? Ela não precisa mais existir.
Ela continuava muda, mas uma lágrima escorreu devagar pelo canto do olho. Ele não viu. E, se visse, talvez nem dissesse nada.
Porque pra ele, o importante era isso: ela já estava rendida. Mole. Entregue. E agora… não havia mais volta.
Ela ainda estava com o corpo mole do segundo orgasmo, os joelhos frouxos e a cabeça encostada no banco. Mal percebia quando Diogo passou a mão pela perna do shorts, puxando o próprio pau pra fora pela lateral, como quem já sabia que era sua vez. Tirou a camiseta e a jogou sobre o banco de trás, suado novamente, talvez pelo esforço em deixá-la daquele jeito.
— Agora é a minha vez, linda... — sussurrou, como se fosse um roteiro inevitável.
Ela olhou sem mover o rosto. Queria se aninhar, dormir, desaparecer dentro de si. Mas ele esperava algo. E ela sabia o que era. O olhar dele cobrava.
Fez o que ele queria. Baixou devagar e começou a chupá-lo. O gosto metálico misturado ao suor fez o estômago dela revirar. Fechava os olhos, parava às vezes, fingia engasgos. Mas Diogo pressionava com a mão leve em sua nuca, incentivando, dizendo:
— Vai, Bya... não enrola, gata... cuida disso pra mim... vai...
Ela mal sentia prazer. Era uma repetição forçada. Quase uma dívida. Mas antes que pudesse terminar, uma voz do lado de fora quebrou o silêncio abafado da garagem:
— Diogo! Fica esperto aí, mano. O pessoal tá voltando já, hein — avisou Alexandre, do outro lado do posto.
Bya se afastou rapidamente, limpando a boca com o antebraço. O coração batia acelerado de vergonha. Mas Diogo, irritado com a interrupção, olhou pra ela com o rosto tenso:
— Termina logo... me deixa limpo pra pegar estrada. Vai... você consegue. Sabe fazer gostoso. Não enrola.
Ela engoliu seco, respirou fundo e voltou. Dessa vez mais decidida — não por desejo, mas para acabar logo. O ritmo era firme. Ele gemeu, segurando firme o banco.
— Isso... isso... porra, Bya... fica assim... não para...
Ela sentia o gosto, o calor, o constrangimento. Mas foi até o fim. Quando ele gozou, ela recuou rápido, limpando com a camiseta dele, e se virou pro lado. Pegou a bala no console e colocou na boca, tentando dissipar o gosto amargo e forte que parecia colado na língua.
Diogo vestiu o shorts de novo e saiu do carro com a camiseta jogada sobre o ombro. Estava lindo, suado, viril. Foi até o banheiro do posto com passos calmos, mas levou algo enrolado na mão — um pacote de cueca limpa, provavelmente das que ela havia lavado.
Ela o observava com os olhos pesados, ainda em transe. Quando ele voltou, já estava vestido com uma camiseta cinza clara e jogou uma sacola sobre o colo dela.
— Vê se lava isso junto com as outras, tá? É a da academia de hoje. Valeu mesmo, princesa. Vou pegar estrada agora, mas tô indo de roupa limpa, ó — disse, mostrando a gola da camiseta e piscando pra ela.
Comprou um energético. Ofereceu:
— Quer um gole?
Ela recusou com a cabeça. Estava enjoada.
Ele foi ao banheiro uma última vez. Enquanto isso, Alexandre, o frentista, se aproximou da janela do carro.
— E aí, tudo certo? Postinho bem movimentado hoje, né? — disse com um sorriso enviesado.
Ela corou.
— É...
— Se quiser, deixo umas balas extra aqui. Vai que né... ajuda. — E piscou, saindo logo em seguida.
Ela queria desaparecer. Mas Diogo voltou, agora com o cabelo molhado.
— Bora, gata. Brigado pelo presente. Se prepara que da próxima vez vai ser melhor ainda. Tô te moldando... do jeitinho que eu gosto.
Ligou o carro e manobrou de volta pro pátio. Um dos frentistas assobiou. Diogo apenas riu:
— Eles sabem quando é boa... dá pra ver no rosto.
Bya, muda, olhava pela janela. As pernas ainda tremiam. Não sabia se de medo, cansaço ou prazer.
O céu dela era o inferno dele. E ela não sabia mais em qual dos dois tinha pousado.