Continuando
*Fim do plantão*
Lucas largou o jaleco no vestiário, a cabeça latejando. As palavras do Ricardo ecoavam como faca: _transamos... atrás das pedras... vício...Ele empurrou a porta e saiu pro corredor.
"Oi, Lucas. Nossa, que cara é essa?"
Era Alessandra, a chefe de enfermagem mais linda do hospital. Cabelo preso, perfume discreto, e aquele olhar que sempre deixava qualquer plantão mais leve. Mesmo com olheiras fundas, continuava impecável.
Lucas tentou forçar um sorriso e falhou.
"Não tô bem. E você ,não sabia que já tinha voltado de Búzios?"
"Voltei ontem. Meu plantão começa em meia hora. Vem, vamos comer alguma coisa na lanchonete. Você tá péssimo. Não vou deixar você sair assim."
Ele quis recusar. Mas as pernas pesavam. Seguiu ela.
*Na lanchonete do hospital, 8:00 troca de plantão*
Alessandra colocou dois cafés na mesa. Empurrou um pra ele.
"O que houve, Lucas? Se abre comigo. Te conheço há anos. Você não chora por plantão puxado."
Lucas segurou a xícara. A mão tremia. Ele não aguentou.
Baixou a cabeça e desabou. Chorou como não chorava desde moleque. Entre soluços, contou tudo. A ligação da Isabela. O ultimato pra Marina. A ligação do Ricardo. O escritório. A praia. As pedras. A estagiária.--Sua mulher tá caidinha por mim._
Alessandra ouviu sem interromper. Só quando ele terminou, ela respirou fundo.
"Olha, Lucas... por tudo que você me contou, eu não sei se é verdade. Mas tem uma coisa que não bate."
Lucas levantou os olhos vermelhos.
"Que coisa?"
"Lembra que eu te falei em Búzios? Que mulher na praia bonita à noite dá problema?"
"Sim, lembro. Mas não dei muita importância no dia."
"Então." Alessandra cruzou os braços, e até cruzando os braços ela ficava elegante. "Eu falei aquilo porque eu vi sua esposa sozinha. Naquela noite. Ela caminhou até a beira do mar, molhou os pés. Parecia triste, cabisbaixa. Depois ela voltou, sentou num barquinho que tava na areia. Ficou alguns minutos lá, olhando pro nada. Aí levantou e eu consegui ver ela entrando na pousada. Eu deduzi que vocês estavam hospedados lá. Aí uns 20 minutos depois você apareceu, a gente conversou, e o resto você já sabe."
Lucas congelou com a xícara no meio do caminho.
"Espera. Você tá dizendo que viu a Marina sozinha? A noite inteira?"
"Eu tô dizendo que não vi ela com ninguém, Lucas." Alessandra falou firme, os olhos verdes cravados nele. "Como esse cara pode dizer que transou com ela nas pedras se ela estava só? Eu fiquei no Quiosque com minha amiga o tempo todo e vi quando ela entrou. Não vi homem nenhum perto dela."
Lucas sentiu o chão sumir de novo. Só que dessa vez era diferente.
"Você tem certeza, Alessandra? Absoluta?"
"Absoluta." Ela segurou a mão dele por cima da mesa. A mão macia, unhas feitas. "Olha, Lucas... você sabe que eu sou a fim de você. Faz tempo. Torço pra que um dia tenha uma chance. Mas jamais vou conseguir você em cima de mentiras. Eu não vi a Marina com ninguém naquela noite. Você tem que apurar se esse Ricardo está sendo realmente verdadeiro ou se tentou te desestabilizar."
Lucas puxou a mão de volta, devagar.
"Por que você não me contou isso em Búzios?"
"Porque não era da minha conta. Porque você tava com sua esposa. Porque eu achei que era só uma mulher triste olhando o mar. Só depois que você me contou tudo agora que as peças fizem sentido.
Silêncio. O barulho da máquina de café parecia longe.
Lucas levantou.
"Obrigado, Alessandra. Pela conversa. Pelo conselho."
"Lucas..." Ela chamou. A voz mais baixa, quase um carinho. "E se for tudo mentira? E se o Ricardo inventou pra te quebrar? O que você vai fazer?"
Lucas parou na porta da lanchonete. Não olhou pra trás.
"Se for mentira... então eu vou quebrar ele. E se for verdade..." A voz falhou. "Aí eu não sei."
Ele saiu.
No estacionamento, sentou no carro e ficou olhando pro volante.
Alessandra viu a Marina sozinha. Ricardo disse que transou com ela nas pedras. Alguém tá mentindo. Mas quem?_
Isabela joga. Ricardo provoca. Marina chora. Alessandra... Alessandra é a chefe de enfermagem mais linda do hospital, e quer ele.
As peças não se encaixam. E quanto mais ele força, mais misterioso fica
Lucas ligou o carro.
Ligou pra Marina e disse que ia voltar um pouco tarde ia passar no shopping para comprar umas coisas.
Lucas - Pronto agora e ir pro Barrashopping e espera Isabela 12:00.
Ela é a próxima peça. E eu vou arrancar a verdade dela, nem que seja com o bisturi.
*Barra Shopping, 12:00 em ponto*
Lucas estava sentado na praça de alimentação do Barra Shopping. Olho no relógio, café intocado, estômago revirado. Cada minuto que passava era uma facada de ansiedade.
Foi quando ela chegou.
Isabela. Roupa de executiva, saia justa, blazer acinturado, salto fino ecoando no piso. Cabelo solto, batom vermelho. Linda. Sensual. Do tipo que fazia qualquer homem virar o pescoço.
Lucas engoliu seco.Se eu fosse solteiro, eu agarraria essa mulher deliciosa agora mesmo
Isabela sorriu, sacou tudo na hora, e sentou na frente dele cruzando as pernas devagar.
"Gostou do que viu, kkk?"
Lucas quase se engasgou com a própria saliva.
"Menos, Isabela. Não estou pra brincadeira."
"Que pena." Ela fez bico, os olhos maliciosos. "Eu vim cheia de vontade de brincar com você."
Lucas bateu a mão na mesa. Baixo, mas firme.
"Olha, vamos conversar. Vai me tirar algumas dúvidas ou não?"
"Calma, Gatão." Isabela apoiou o queixo na mão. "Mas pode ser que eu queira algo em troca."
"Para, Isabela." Lucas fechou a cara. "Eu quero resposta. Eu estou sofrendo, porra!"
Isabela perdeu o sorriso por um segundo. Olhou ele de cima a baixo, analisando.
"Calma, Lucas. Ok. Me pergunte."
Lucas respirou fundo.
"Isabela... Marina. Está rolando algo entre Ricardo e Marina?"
Isabela ficou séria. E pela primeira vez, sem jogo.
"Olha, Lucas. Eu sou assim, pra cima, jogo charme. Mas não gosto de mentir. Da parte dela eu não sei. De verdade. Mas o Ricardo... o Ricardo é alucinado na Marina. Eu conheço ele há anos. E ele quando quer algo não desiste até conseguir. Ele é doente por ela."
Lucas sentiu um soco no estômago.
"O que mais você quer saber, Doutor gostoso? Kkk." Ela voltou com o sorriso provocante.
"O que realmente aconteceu no dia da reunião do projeto? Naquele dia que vocês tiveram que ficar até mais tarde."
Isabela olhou pra ele, mordeu o lábio.
"Eu não sei, Lucas. Eu fui pra casa. Quem ficou lá foi Henrique, Ricardo e Marina. Apenas. Eu não vi nada."
"Que merda. Esse pesadelo não tem fim." Lucas passou a mão no rosto.
"Ai, só Gatão, você não vai me mostrar esse bisturi mesmo, né? Rs." Isabela riu, mas logo parou quando viu o rosto dele. "Olha, eu vou te ajudar."
"Sem jogos dessa vez, Isabela."
"Tá, Gatão. Sem jogos." Ela pegou o celular. "Olha, sua esposinha querida... que eu saiba, sempre manteve a postura profissional. Pelo menos que eu saiba. Mas se você quer saber o que houve naquela noite, eu vou pedir pra puxarem pela câmera tudo que aconteceu naquela noite e vou te mostrar."
Lucas levantou a cabeça de uma vez.
"Obrigado. Mas por que você está me ajudando?"
Isabela ficou em silêncio dois segundos. Depois deu de ombros, com um sorriso torto.
"Porque eu não aguento ver um doutorzinho tão gostoso apaixonado e sofrendo feito cachorro. Vai ver eu tenho coração, né?"
*15:30 - Casa*
Lucas abriu a porta. Silêncio. Marina não estava.
Jogou as chaves na mesa e sentou no sofá. A cabeça era um redemoinho.
_Ricardo disse que transou com ela. No escritório. Na praia.
Alessandra disse que viu a Marina sozinha na praia.
Isabela disse que não sabe da Marina, mas que o Ricardo é obcecado. E que vai puxar as câmeras._
Três versões. Três pessoas. E Marina no meio.
Ele pegou o celular. O contato dela aberto na tela.
_Devo questionar a Marina sobre a ligação do Ricardo? Falar na cara dela: 'Ele disse que você transou com ele. É verdade?'_
Se fosse mentira, ele ia destruir a pouca confiança que ainda tinha com ela.
Se fosse verdade... ela ia negar. Ia chorar. Ia jurar. E ele continuaria sem saber de nada.
_Ou o melhor é ficar calado até descobrir o que está acontecendo? Esperar as câmeras da Isabela. Esperar o Ricardo errar. Esperar a Marina se entregar sozinha._
Lucas largou o celular e olhou pro teto.
_Se eu falar agora, perco a vantagem. O Ricardo vai saber que eu tô cavando. A Marina vai se fechar. Isabela pode recuar._
Ele fechou os olhos.
_Vou jogar sujo também. Vou fingir que acredito nela. Vou ser o marido arrependido que deu a última chance. E por trás, vou puxar cada fio até esse castelo de mentira cair._
O barulho da chave na porta tirou ele do transe.
Marina entrou. Olhos inchados, pasta de trabalho na mão. Quando viu Lucas, parou.
"Oi." A voz dela saiu fraca. "Cheguei cedo. Fui no RH. Caso eu não seja promovida quarta feira . eu entrego tudo e saio da empresa".
Lucas levantou. Caminhou até ela. Segurou o rosto dela com as duas mãos.
O toque era gentil. Mas os olhos dele eram gelo.
"Que bom, Marina. A gente vai recomeçar. Do zero."
Marina fechou os olhos e chorou no peito dele. Aliviada.
"Obrigada por não desistir de mim, Lucas. Eu te amo. Eu só te amo."
Lucas abraçou ela de volta. Apertado. E por cima do ombro dela, encarou o nada.
_Eu também te amava, Marina. Antes de tudo isso. Antes do Ricardo. Antes das pedras. Antes da mentira._
Ele beijou o topo da cabeça dela.
"Vai tomar um banho. Descansa. Eu vou fazer um café pra nós."
Marina assentiu e subiu.
Assim que ouviu a porta do banheiro fechar, Lucas pegou o celular. Abriu a conversa com Isabela.
Digitou: _"Consegue as imagens pra hoje ainda? Preciso saber antes de dormir com ela hoje."
Apagou.
Digitou de novo: "Me avisa quando tiver as câmeras. Não fala com ninguém."
Enviou.
*3 minutos depois - Celular de Lucas vibra*
Lucas estava na cozinha, café quase pronto, quando o celular acendeu na bancada.
*Isabela:* _Lucas, desculpe._
*Isabela:* _Só deu pra ver o Henrique sentado de frente pro computador._
*Isabela:* _Marina entrando na sala. Uma hora depois veio o Ricardo._
*Isabela:* _Demorou 10 minutos e a Marina saiu. Chorando._
*Isabela:* _O Henrique tentou segurar ela, mas ela não quis papo._
*Isabela:* _Depois houve um pequeno bate boca entre Henrique e Ricardo._
*Isabela:* _Mas desculpe, as câmeras não têm som._
*Isabela:* _E dentro da sala de reuniões onde Ricardo e Marina estavam, por algum motivo essa parte está apagada._
*Isabela:* _Mas se rolou algo lá... só se o Ricardo tiver ejaculação precoce, kkkk. Ele ficou 10 minutos lá.
*Isabela:* _Bom, desculpe não poder te ajudar._
*Isabela:* _Mas talvez tenha uma maneira. Amanhã te conto, Gatão. E isso tem um preço, kkkk._
Isabela desligou o celular.
Lucas leu três vezes. Cada linha era um soco diferente.
_10 minutos. Marina saiu chorando. Henrique tentou segurar. Bate boca. Parte apagada._
A cabeça dele fervia. _10 minutos é tempo pra muita coisa. Ou pra nada. Ricardo podia ter tentado alguma coisa e ela fugiu chorando. Ou ela cedeu e se arrependeu na hora. Ou ele inventou tudo e os 10 minutos foram só se conversa até o beijo.
E o pior: _câmera apagada_. Conveniente demais.
O barulho do chuveiro desligando lá em cima trouxe ele de volta. Marina ia descer.
Lucas respirou fundo e apagou a tela. Trancou o celular no bolso.
_Calma. Joga o jogo. Ainda não é hora._
Marina desceu de roupão, cabelo molhado, cara lavada. Sem maquiagem, parecia mais nova. Mais vulnerável.
"Cheirinho de café." Ela tentou sorrir.
Lucas entregou a xícara pra ela.
"Toma. Você precisa."
Ela segurou a xícara com as duas mãos, olhando ele por cima da borda.
"Você tá diferente, Lucas. Mais... quieto."
"Estou processando." Ele encostou na bancada, braços cruzados. "Tudo isso. A gente."
Marina baixou os olhos.
"Eu sei que estraguei tudo. Mas eu vou sair de lá, eu juro. Quarta eu entrego minha carta. Nunca mais vejo o Ricardo na vida."
Lucas sentiu a garganta secar. Quase perguntou. Quase. Questionou ela soltado a bomba que Ricardo tinha contado
Mas se segurou. _Ainda não. Isabela disse que vai me ajudar.
"Eu sei." Lucas forçou um sorriso pequeno. "Vamos dar um passo de cada vez."
Marina largou a xícara e abraçou ele pela cintura, rosto no peito dele.
"Não me deixa, Lucas. Por favor. Eu não aguento te perder."
Lucas passou a mão no cabelo molhado dela. Por fora, carinho. Por dentro, navalha.
"Eu não vou te deixar. Não agora."
Lucas pensou "pelo menos não até eu saber a verdade"
O Jogo começou as cartas estão na mesa ,quem dará o próximo passo ,uma carta errada e tudo e perdido.
Ver o que o leitor irá teorizar dessa vez.
Pessoal e um por dia da trabalho fazer a história .