Na manhã seguinte, enquanto tomávamos café, eu reparei que Camila sorria para o celular.
— O que foi? — perguntei, tentando parecer casual.
— Nada — ela respondeu rápido demais, virando a tela para baixo.
Aquele gesto já foi o suficiente.
Depois que ela saiu para o trabalho, fui direto para o computador e abri o aplicativo de monitoramento.
Ryan tinha adicionado minha esposa no Instagram.
E ela aceitou a solicitação.
Isso por si só já era estranho. Camila nunca adicionava alunos ou gente da escola nas redes sociais.
Ela não tinha nenhuma foto no perfil, mas às vezes postava stories de viagens, da academia, da praia. Nada absurdo. Mesmo assim, do jeito que as coisas andam hoje em dia com IA, era melhor os alunos não terem acesso àquele tipo de conteúdo.
Entrei no chat dela, e ainda não tinha mensagens trocadas entre os dois.
Ainda assim, quando Camila chegou em casa naquela noite, resolvi conversar com ela sobre.
— Amor, uma coisa aleatória… — falei, fingindo que estava distraído olhando o celular. — Você adicionou aquele menino novo que você tá atendendo no Instagram?
— Ryan?
— É.
Ela suspirou.
— Ele que me adicionou.
— E você aceitou?
— Eu fiquei meio sem graça de não aceitar.
— Mas, você nunca aceita gente da escola.
— Eu sei, eu sei… — ela respondeu. — Mas se eu simplesmente ignorasse poderia parecer rejeição. E a gente tá fazendo tanto progresso nas sessões, sabe?
Eu assenti devagar.
Pelas regras dela, Camila nunca podia dizer não para ele.
Ryan já devia ter percebido isso…
e devia estar disposto a testar até onde aquilo ia.
Nos dias seguintes acompanhei quase em tempo real todas as interações entre os dois.
Sempre que minha esposa postava alguma coisa, eu já ia para o computador, porque sabia que o moleque ia comentar alguma coisa ou mandar alguma mensagenzinha.
Nada demais, nada que passasse dos limites.
Pelo menos até o dia em que Camila resolveu postar uma foto antiga.
Era de uma viagem nossa de alguns anos atrás. Uma cachoeira no interior. Camila estava de biquíni preto, cabelo molhado, rindo para a câmera.
Uma das minhas fotos favoritas dela.
E, aparentemente não era só minha. Ryan respondeu ao story poucos minutos depois.
Ryan:
😍😍😍🔥🔥🔥
professora que foto linda!
Camila:
obrigada, Ryan!
Ryan:
é antiga né?
Camila:
é de antes da minha filha nascer
como você sabe?
Ryan:
não posso falar professora…
vc vai ficar brava comigo!
kkkkkkkkk
Camila:
ah não!
da para perceber pq eu engordei depois da gravidez?
Ryan:
não é isso não…
Camila:
pode falar então, não vou ficar brava
Ryan:
é o peito professora… tá bem maior agora 😝
Camila:
🙈🙈🙈
é faz sentido… efeito da gravidez, né
Ryan:
sim… vc já era maravilhosa
agora ficou perfeita
kkkk
Camila:
kkkkk fofo
Era intimidade demais.
E o que mais me incomodava não era exatamente o que o garoto dizia.
Era o fato de que Camila não fazia absolutamente nada para cortar.
Para ele, aquilo devia parecer um sinal verde.
Na manhã seguinte apareceu uma mensagem nova.
Ryan tinha mandado uma foto. Ele na frente de um espelho, usando uma sunga preta.
O volume estava tão marcado que era impossível não reparar.
Tinha entendido porque Adriana chamava ele de pirocudo.
Não era um exagero.
Talvez fosse até um eufemismo.
Naquele momento fiquei puto.
A vontade era pegar o carro, ir até a favela onde aquele moleque morava e dar um susto nele.
Mas, talvez aquela foto fosse até útil.
Agora eu ia descobrir se a regra da Camila de nunca dizer “não” para ele ia continuar valendo.
Fiquei na frente do computador acompanhando a conversa em tempo real.
Camila:
que é isso, Ryan?
mandou errado?
Ryan:
bom dia pra vc tbm professora kkk
não mandei errado não
é só para mostrar que vou nadar hoje
Camila:
ahh tá, bom passeio! 😅
vai nadar onde?
Ryan:
tem um sesc aqui perto
vc gosta de piscina professora?
Camila:
amo!
mas, acredita que eu não vou nadar desde que a Lelê nasceu?
Ryan:
vem hoje comigo 😁
Camila:
menino… vai sair com o pessoal da sua idade
não com uma velha que nem eu
Ryan:
que velha o quê professora
eu gosto mais de conversar com vc do que com qualquer pessoa da minha idade
Camila:
aí… fofo 🥰
mas hoje não dá mesmo
aproveita aí
Ryan:
ahhh 😭
Camila:
kkkk
A conversa ficou parada por alguns minutos.
Tempo suficiente para ele bolar um plano e decidir até onde ele ia tentar esticar a corda.
Ryan:
professora… posso te pedir uma coisa?
Camila:
pode pedir
não é garantia que vou aceitar 😝
Ryan:
vc tem uma foto aí de biquíni? 😅
Camila:
para que você quer uma foto minha de biquíni???
Ryan:
ah… nada demais não
só tava imaginando como fica mesmo, aquela foto da cachoeira não dá para ver bem
fora que é injusto, né?
eu te mandei uma foto de sunga mais cedo
Camila:
kkkkk
mas eu não pedi foto nenhuma de sunga 😅
Ryan:
pô professora… achei que a gente fosse amigo
Camila:
eu devo estar velha mesmo
na minha época, os amigos não trocavam foto de biquíni 😆
Ryan:
não precisa mandar professora…
é que eu já vi vc de biquíni naquele story da cachoeira
aí fiquei curioso
A resposta dela demorou.
Os três pontinhos apareceram na tela algumas vezes e desapareceram de novo.
Quando finalmente surgiu uma nova mensagem, era uma foto de visualização única.
Do laptop eu não conseguia ver…
embora já soubesse o que era.
Ryan:
nossa… nem posso falar o que achei da foto 😅
Camila:
pq não?
Ryan:
vc vai ficar brava comigo
Camila:
kkkkk de novo com essa história?
não vou ficar brava
fala logo
Ryan:
professora… vc é demais
a mulher mais gostosa do mundo
Camila:
🫣🫣🫣
que exagero, Ryan
Ryan:
tô falando sério
Camila:
kkkkk
para com isso
vai lá aproveitar sua piscina
bjos!
A conversa terminou ali.
Fechei o notebook e fiquei alguns segundos parado no escritório, olhando para a parede, sentindo a raiva subir devagar.
Camila não tinha feito absolutamente nada para cortar o moleque.
Pior que isso… em alguns momentos parecia até que estava entrando na brincadeira.
Mandar uma foto de biquíni para um aluno.
Se eu questionasse, já sabia exatamente qual seria a resposta: que não tinha nada demais, que eu estava exagerando, que estava vendo problema onde não existia.
Mas, na minha cabeça, aquilo simplesmente não era normal.
Tinha o dia inteiro pela frente. Fui fazer as minhas coisas tentando esquecer o assunto, mas não consegui. Passei o resto do dia meio avoado, voltando naquela conversa de novo e de novo na minha cabeça.
Naquela noite, quando finalmente consegui dormir, minha mente continuou trabalhando sozinha.
Sonhei que chegava em casa e ouvia barulho vindo do quarto. As molas da cama rangendo num ritmo que eu conhecia bem demais.
Quando abri a porta, fiquei parado olhando.
Camila estava de quatro na cama.
E atrás dela… um garoto magrelo, preto, enrabando na minha esposa sem o menor pudor.
Acordei do pesadelo.
Meu pau até doía de tão duro.
Além de tudo tinha mais aquela dúvida na minha cabeça. Eu estava excitado com aquilo?
Talvez se não fosse comigo.
Um moleque favelado comendo uma mulher casada, bem mais velha que ele, até daria uma boa fantasia.
Só que não era uma mulher qualquer.
Era a minha esposa.
Eu amava a Camila. Não conseguia nem imaginar minha vida sem ela.
Foi ali, deitado no escuro, que uma ideia começou a se formar na minha cabeça. Uma ideia completamente errada, perigosa e irresponsável.
Podia acabar com o meu casamento.
Mas eu precisava saber o que estava acontecendo naquelas sessões.
Eu precisava ver com os meus próprios olhos.
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Tá curioso para os próximos capítulos?
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