NA CAMA DELES

Um conto erótico de Vicente Braga
Categoria: Heterossexual
Contém 2285 palavras
Data: 19/03/2026 00:10:53
Última revisão: 26/04/2026 22:05:19

Oito horas de estrada.

A cada retorno da Fernão Dias eu pensava em virar o carro e voltar. Débora ia se casar. Já era. Aquilo já tinha passado da conta fazia tempo. Foi no ano retrasado, na festa do padroeiro, que o trem começou a descarrilar.

A gente conversava na praça, esperando a procissão passar.

Quando os tambores começaram a ressoar, o povo se apertou atrás do cordão. Fui junto. Fiquei atrás dela. Nem pensei no tamanho do pecado. A mão foi na cintura, apertando de leve. Débora me olhou de lado, sorriu e arranhou o dorso da minha mão.

Segui olhando adiante, o cortejo avançando e, que Deus me perdoe, mas não tinha como prestar atenção em nada.

Ela ficou na ponta dos pés, tentando ver alguma coisa. Ou, na boa, só queria me deixar louco mesmo. Quando voltou, desceu esfregando no meu pau. Caralho. Naquela calça bailarina. Não saí dali, nem ela.

Só podia estar de brincadeira. Eu ali, duro, encostando, em plena luz do dia. Em pleno dia santo.

Os capuchinhos passavam quando Samantha, minha prima, apareceu. Me cutucou.

Débora virou, cumprimentou ela tranquila demais e disse:

— Gente… vou ali rapidinho falar com minha mãe. Já volto.

Saiu, me deixando sozinho, segurando o flagrante.

Ainda bem que a Samantha já tinha sacado. Vivia me zoando por isso.

— Juízo, menino.

— É… juízo nunca foi o meu forte.

— Ela se engraça demais pra você.

— Acho que é só o jeito dela. Trata quase todo mundo assim.

— Não é todo mundo, não. E você sabe disso.

Ela falou estreitando os olhos, me encarando.

— Tô de olho em vocês. Gosto muito do Juliano. Não é justo.

Ela tinha razão. Não era mesmo.

Débora tinha entrado na vida do Juliano uns sete anos antes.

A família se encantou com ela logo de cara. Não tinha como ser diferente. Gentil, atenciosa. Fazia um bolinho de queijo que derrubava até coração duro. Tio Zé que o diga.

Virou figurinha carimbada nas noites de truco, e foi aí que a gente se aproximou de verdade. Tratava todo mundo muito bem, mas comigo… os abraços sempre demoravam mais, a mão vinha no braço, no ombro e ficava. E aquele jeito de falar perto? Me matava. Quando vi, já tava viciado nela.

Lembro até hoje de um churrasco lá em casa. Tava linda. Shortinho jeans rasgado, blusinha de alcinha rosa. Nos pés, Havaianas brancas, com um pingente de florzinha vermelha na correia que ela mesma colocou. Naquele dia, rodei a cidade quase toda atrás do tal vinho que ela gostava. Achei logo no bar do Durval, paguei o olho da cara. Voltei com a garrafa na mão… e um negócio ruim no peito.

Mas eu não era o único. Eu via. Os olhares. As brincadeirinhas só pra chegar perto dela. Só que, de fato, eu era o que mais dava na cara. Tenho certeza de que até o Juliano percebia. Pela nossa amizade, deve ter preferido fingir de besta. Mas, às vezes, os olhos dele cruzavam os meus. Me pegavam ali, grudado nela. Foda.

Até então, eu não sabia se ela entendia o efeito que causava. Pode ser que sim. Ou talvez eu não passasse de um agrado pra vaidade dela. Vai saber. Também não vou pagar de santo. Eu a procurava. E que mulher não gosta de perceber isso? Pelo parceiro ou não.

É. Eu estava ferrado.

Mas foi no último Carnaval que o trem descarrilou de vez.

Saímos num bloquinho da cidade. Ela de saia curta multicolorida balançando a cada passo. Fitas no cabelo voando, regata branca decotada colada no corpo, guarda-chuva de frevo girando na mão.

Naquele dia eu tinha que sair antes do fim pra conseguir pegar o ônibus de volta pra São Paulo.

Na despedida, no meio da multidão, ela veio jogando os braços por cima dos meus ombros. Agarrei e a trouxe de uma vez. Nossas bocas quase se tocaram. A gente riu. As unhas dela subiram pela minha nuca, arranhando de leve.

— Ale… — mordeu o lábio, chegou no meu ouvido e sussurrou, com aquele hálito quente de cerveja — Eu te amo. Mas amo ele também. O que eu faço?

Puta que pariu.

Engasguei. Rimos.

As coxas roçando na minha calça. Eu duro. Senti ela tremer de leve. Ou era eu? Mordeu meu lábio inferior, brincando com fogo. Não resisti. Segurei o rosto dela e afundei a língua na boca dela. Débora correspondeu, mas logo me empurrou, se afastando devagar, os olhos ainda presos nos meus.

Ficamos ali, nos olhando, rindo.

O som do bloco continuava batendo, mas parecia longe.

Foi aí que o Juliano apareceu. Do nada. Puxou ela pela cintura, meio desengonçado, e os dois seguiram com o bloco. Por sorte, não viu nada.

Fiquei parado alguns segundos. Depois virei e fui embora, com as pernas meio moles, o estômago revirando.

No ônibus, a mão ia pros lábios sem eu perceber. Olhava pela janela e não via porra nenhuma. Aquilo não saía da cabeça. Quando vi, tava rindo sozinho. Como se tivesse quinze anos de novo.

Mas, como alegria de pobre dura pouco, o convite pro casamento chegou duas semanas depois. Quando soube da data, tentei me afastar. Juro que tentei.

Menos de um ano depois, lá estava eu. Encostado no canto da igreja, vendo a Débora entrar. Linda. Ficava gostosa até dentro de um vestido de noiva. O pai do lado. Aquela coisa toda.

Ela me viu. Segurou o olhar por um instante. Os olhos brilhando. Igual no bloquinho. Merda.

A festa foi boa. A cachaça do Seu Antunes ajudou a empurrar tudo goela abaixo, mas não adiantava muito. A imagem dela não saía. O vestido. O véu. A grinalda.

Quando voltaram da lua de mel, Juliano chamou a turma pra conhecer a casa nova. Eu ainda estava na cidade. Nunca resisti a chance de ver ela mais uma vez. Não seria agora.

Fui.

Estavam os de sempre.

Os salgados da tia Valdete sumindo das bandejas. O CD No Compasso do Criador, do Katinguelê, rodando sem parar. Aquela maldita melodia romântica zombando da minha cara.

A atenção do casal era disputada. Débora, empolgada, testando a máquina de café que ganharam, enchendo xícaras de cappuccino pras tias.

Sentei na mesa do truco. Larguei as cartas na segunda rodada. Fui pro quintal, joguei uma coxinha pro Simão.

— Cê tá gordo, hein, bichão!

O cachorro pegou, me olhou com cara de “olha quem tá falando” e deitou ali.

Fiquei parado, olhando o céu. Meio sem saber o que fazer.

— Apaixonado pelas estrelas?

Era a Débora, no batente da porta. Pés descalços. Cabelo preso. Blusinha. Short curto, o tecido colado na pele. Covardia.

— E tem como não ficar?

Ela chegou perto, juntando o cabelo num coque.

— Fiquei feliz que cê veio.

— Não perderia. Você sabe.

Silêncio.

— Acho que te devo desculpas.

— Carnaval… você já tinha tomado umas cervejinhas.

— Nem me fala. Passei muito mal naquele dia.

O assunto morreu por um instante.

— Estamos bem então? — abriu os braços. — Não quero que você se afaste de mim.

Demorei um segundo… mas assenti.

As mãos vieram no meu peito e subiram até os ombros. Fechei os braços nela, a mão aberta subindo pelas costas. Passei a barba no pescoço dela. O som que escapou daqueles lábios acabou com o pouco de juízo que me restava.

Não aguentei. Levei a mão à nuca, segurei e puxei. Nossos lábios se encaixaram. A língua entrou, encontrando a dela no mesmo impulso. Molhado. Quase desesperado. O gosto era doce, misturado com café.

Os dedos dela desceram, tímidos, me encontrando duro por baixo da calça. Abri o zíper, olhei pra porta, pra janela. Ninguém parecia dar falta da gente.

Débora olhou pra baixo por um segundo. Voltou pro meu rosto, sorrindo, mordendo o lábio inferior, enquanto a mão envolvia a cabeça inchada.

Os dedos tímidos de segundos atrás agora seguravam meu pau com vontade.

A mão subia e descia devagar, apertando na medida certa, espalhando o pré-gozo que já escorria.

— Caralho, Débora… assim… — murmurei entre um beijo e outro. A voz saiu rouca.

Ela acelerou. A mão deslizava com mais força, mais rápido, o polegar roçando a cabeça sensível a cada subida.

— Tá tão duro…

Porra. Aquilo quase me fez gozar.

Estava quase lá. O prazer subindo pela coluna, as bolas apertando, o pau inchando ainda mais.

Foi quando o latido do Simão rasgou o quintal.

— Porra! — grunhi, frustrado.

Débora se afastou. Entrou rápido na casa, sem olhar pra trás.

Fiquei ali, parado, feito troxa. E o Simão, deitado, parecia rir da minha cara.

Mais tarde, no quarto, não consegui pregar os olhos. Fiquei olhando pro teto, o cheiro dela ainda grudado em mim. Na pele, no lençol, na barba.

Virava de um lado pro outro, sem conseguir parar. Quando cochilava, acordava logo depois, o coração disparado.

Fui assim até amanhecer.

Tomava café quando uma moto parou na frente de casa. Olhei pela janela. A caneca quase caiu.

Juliano. Agora fudeu.

Fui até a frente com as pernas bambas.

— Que milagre, primo. Acordou cedo, hein? Já ia deixar isso com teu pai.

Como de costume, trazia o queijo da fazenda onde trabalhava. Isso seria a última coisa de que eu me lembraria.

— Pois é… preciso resolver umas coisas antes de ir.

Falamos de futebol, lembramos de presepadas do passado… até o nome dela surgir.

— Débora acordou meio indisposta. Nem foi trabalhar.

O estômago apertou.

Juliano ajustou o capacete.

— Mas ela falou que vai ficar brava se você não passar lá.

Alívio.

— Eu passo.

No começo da tarde, fui até a casa.

Débora abriu o portão antes do segundo toque.

— Ah, seu… por que demorou tanto?!

O portão mal fechou e a boca dela já estava na minha. As mãos puxaram minha camiseta, baixei o short dela junto com a calcinha. As roupas foram ficando pelo caminho, marcando um rastro até lá dentro.

Na sala, agarrei firme e levantei o corpo dela contra a parede. Entrei de uma vez. Ela soltou um gemido contra a minha boca, as unhas afundando no meu braço. A pele ardia. Fui mais fundo, o quadril batendo, fazendo o corpo dela subir e descer contra a parede a cada movimento.

No quintal, Simão latia sem parar. Dava pra ouvir as patas daquele salafrário raspando na porta da cozinha.

Fomos pro quarto. A cama deles.

Débora sentou na beira do colchão, ofegante, o cabelo bagunçado, os lábios inchados do beijo. Cheguei perto, segurei um pé e levei à boca. Sem pressa, a língua traçando o arco, contornando os dedos.

Desci devagar com a boca pelo tornozelo, panturrilha, pela parte interna da coxa. Quando cheguei nela, a ponta da língua massageou o grelinho inchado em círculos lentos e firmes. Um tremor forte subiu pelas pernas dela, as coxas se abrindo ainda mais.

Segurei com força, puxando pra perto, e afundei a língua ali.

Débora mordia o travesseiro, se contorcia, o gemido escapando abafado.

— Para… para, por favor… não quero gozar agora — gemeu, a voz tensa. — Quero o seu pau. Me fode seu safado. Vai.

A boceta dela estava tão molhada que escorria pelas coxas.

Levantei e a puxei pela cintura, colocando-a de quatro. Segurei meu pau e esfreguei a cabeça na entrada molhada antes de entrar. Fiquei um segundo lá dentro, pulsando. Depois comecei a me mover. Estocando forte.

Não conseguia desgrudar os olhos daquele cuzinho. Cacete… rosadinho. Passei o polegar ali, circulando, sentindo como piscava a cada vez que eu afundava. Débora gemeu mais alto e empinou ainda mais.

Continuei provocando, molhando o dedo e pressionando devagar contra o anel. Ela puxava o ar, empurrando levemente contra mim. Foi o sinal que eu precisava.

Cuspi, espalhei e troquei de entrada. Coloquei devagar, sentindo a resistência no começo, aquele aperto insano. Ela soltou um gemido longo, tremido.

— Devagar… — sussurrou.

Afundei mais, puxando o cabelo dela. Os gemidos viraram xingamentos, a voz rouca, perdendo o controle. Eu também. Fodia aquele cuzinho com vontade, sem controle. Só pele, respiração e a cama batendo na parede.

Até cairmos exaustos.

— Nossa… não dormi nada — ela confessou, ofegante.

— Juliano apareceu cedo lá em casa. Achei que tinha dado merda — passei a mão no rosto, olhando pro teto. — Ninguém pode nem sonhar.

Ela riu.

— Alguém sempre sonha.

Levantei o olhar.

— Ah, é?

— Já me perguntaram se eu já tinha ficado com cê.

— Só pode ser a Samantha.

Ela sorriu.

— A própria. Lembra daquele dia na festa de São Benedito?

— Claro. Você me deixou lá sozinho. Segurando o BO.

— Nossa… como ela me torrou a paciência depois. Dei uma de inocente.

Ficamos em silêncio por um instante.

Débora montou em mim.

— Olha… não sei o que é isso, o que a gente tem — disse, os dedos subindo pelo meu peito — mas eu gosto. Por mim eu casava com os dois.

Sorrimos um pro outro.

Queria ter dito que a amava. Qualquer coisa. Mas não saiu.

Ela se inclinou, me beijou e se ajeitou sobre mim, já querendo de novo. Eu estava pronto.

Segurou meu pau, guiou a cabeça entre os lábios inchados da boceta e desceu devagar. Começou a cavalgar sem tirar os olhos dos meus, sorrindo. Aquele sorriso safado e doce ao mesmo tempo.

Caralho. Linda demais.

Gozamos juntos.

Horas depois, estava de volta à estrada. As marcas das unhas de Débora ainda vivas na pele. Cada quilômetro mais longo que o outro.

Nos dias seguintes, tentei seguir em frente, mas a angústia só crescia. Débora sumiu. Nem aquelas provocações por SMS quando o time dela ganhava. O celular quieto. Hora após hora. Dia após dia. Não era o que eu esperava depois de tudo aquilo.

Quando a mensagem chegou, eu já desconfiava.

Li mais de uma vez.

Cada linha mais dura que a outra.

— Merda.

Vicente Braga

VicenteBragaCortez@Gmail.Com

Conheça o meu Blog quarto411.blogspot.com

Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 12 estrelas.
Incentive Vicente Braga a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.
Foto de perfil de Vicente BragaVicente BragaContos: 4Seguidores: 6Seguindo: 1Mensagem Conheça meu Blog quarto411.blogspot.com

Comentários