Minha mãe é a vadia do condomínio, capítulo 4

Um conto erótico de O Libertino
Categoria: Heterossexual
Contém 1910 palavras
Data: 14/03/2026 01:46:58

O clima no nosso apartamento naquela tarde era de uma estranha e perfumada civilidade. Minha mãe havia convidado três amigas — a Silvana, a Márcia e a Cláudia — para um café da tarde. Eu estava trancado no quarto, mas a porta não era páreo para a empolgação das quatro. Elas estavam na sala, o som das colheres tilintando nas xícaras de porcelana servindo apenas de trilha sonora para uma das conversas mais depravadas que já ouvi. Minha mãe, claro, era a estrela.

— Mas Regina, oito vizinhos em seis meses? — ouvi a voz da Cláudia, carregada de uma mistura de choque e inveja. — Como você dá conta?

— Eu trabalho com oportunidade e resistência — a voz da minha mãe ecoou, firme e orgulhosa. — Começou com o Dr. Arnaldo, mas a coisa escalou. O Seu Ricardo, o síndico, é um animal. Ele me pegou de um jeito na semana passada que eu achei que ia ter que trocar o estofado do sofá. Ele adora o meu rabo, sabe? Diz que a "Vadia do Condomínio" tem o cu mais acolhedor do bloco D.

As amigas soltaram exclamações de deleite. Silvana riu alto.

— E o porteiro, Regina? É verdade que você deu para o Cleiton?

— Ah, o Cleiton... — minha mãe suspirou, e eu podia imaginar o sorriso malicioso no rosto dela. — Foi ali no corredor, contra a parede. Ele tem uma pegada de quem quer tirar o couro. Me abriu inteira, me chupou até eu quase desmaiar e depois me usou com uma força que quase derrubou o interfone. Eu adoro a cara que os homens fazem quando percebem que eu não quero romance, eu quero ser moída.

Ela continuou a narrativa, detalhando cada um dos oito. Falou do Seu Jorge e da sua obsessão por gozar na boca dela, descreveu a língua persistente do Seu Emerson e a fúria do pai do Maurício. Era um relatório completo, com muita falta de pudor.

Foi então que a Cláudia baixou o tom, mas não o suficiente para eu não ouvir:

— E o seu filho, Regina? Como o garoto fica com esse movimento todo?

— O filho? Ah, ele não liga — ela respondeu com uma naturalidade cortante, como se falasse sobre o clima. — Ele reclama um pouco, mas já se acostumou. No fundo, ele não liga para essas coisas.

Aquelas palavras me atingiram com mais força do que qualquer gemido que já atravessou as paredes. Ali, sentado na beira da cama, eu entendi: o problema não era que eu não ligava. O problema era que ela não ligava para o fato de eu ligar. Minha indignação, meu choque, meu constrangimento... tudo isso era irrelevante para ela. Para Regina, a "Vadia do Condomínio", as aventuras dela eram o sol, e eu era apenas um planeta frio e distante, girando ao redor de uma mãe que preferia o calor de oito vizinhos ao meu julgamento moral. Eu era apenas uma peça da mobília no palco onde ela encenava sua libertação.

O tilintar das colheres de prata contra a porcelana fina parecia pontuar a confissão de Regina. Ela se recostou na poltrona, as pernas cruzadas de um jeito que enlouquecia qualquer um.

— O casamento, minhas queridas, é um ponto final. É aquele capítulo que você lê e relê até as páginas ficarem amareladas e sem cheiro. Com o meu ex-marido, o sexo era um protocolo, quase um dever cívico, como votar ou pagar o IPTU. Era luz apagada, papai e mamãe, e um "boa noite, querida" que soava como um atestado de óbito.

Silvana e Márcia ouviam com uma devoção quase religiosa. Cláudia, a mais contida, apertava a alça da xícara como se fosse um salva-vidas.

— Eu me sentia uma peça de museu — continuou Regina, os olhos brilhando com uma malícia solar. — Uma estátua de mármore na sala de jantar: bonita, funcional, mas fria. Agora? Agora eu sou reticências... três pontinhos que nunca sabem onde a frase vai terminar. Eu acordo e não sei se serei a "Regina do 303" ou a "cadela do condomínio". E essa incerteza, minhas amigas, é o que faz o sangue correr nas veias.

Ela se inclinou para frente, baixando o tom de voz para um segredo compartilhado.

— Quando o Seu Ricardo me joga de quatro naquele sofá e me abre com aquela fúria de quem quer me rasgar, eu não sou mais a mãe de alguém ou a ex-esposa de fulano. Eu sou apenas carne, desejo e eletricidade. Eu me sinto viva quando sinto o cu ardendo depois de uma sessão bruta, ou quando sinto o gosto da porra de um vizinho na garganta. Antes, eu era um ponto final. Hoje, eu sou um parágrafo que não para de crescer, cheio de exclamações e gemidos que o prédio inteiro faz questão de ouvir.

Do meu quarto, eu ouvia o silêncio admirado das amigas, seguido por suspiros de quem desejava a mesma coragem — ou a mesma falta de vergonha.

— Vocês entendem? — Regina concluiu, e eu podia imaginar o sorriso triunfante dela. — A vida não é para ser guardada num álbum de fotografias. É para ser usada, gasta, e deixada assim... aberta, como o Ricardo me deixou ontem.

Ali, ouvindo a apologia à libertinagem, percebi que para ela, o meu constrangimento era apenas uma nota de rodapé sem importância em uma obra que ela estava escrevendo com os fluidos de metade do condomínio.

Na sala, o coro de aprovação das amigas era quase litúrgico. "Você é uma inspiração, Regina", dizia Silvana, entre um gole de café e um suspiro de inveja. "Quem dera eu tivesse a coragem de transformar meu prédio num bufê liberado." As risadas eram altas, preenchidas por relatos de fetiches e pela exaltação daquele novo corpo da minha mãe, que agora parecia pertencer mais ao condomínio do que a si mesma.

Enquanto isso, no exílio do meu quarto, o silêncio era interrompido apenas pelo eco das palavras dela: "Ele não liga".

Eu estava deitado, encarando o teto, e aquela frase começou a sofrer uma mutação na minha cabeça. A raiva, que antes era um bloco sólido, começou a derreter, revelando algo muito mais incômodo por baixo. Pela primeira vez, parei de vê-la apenas como "mãe" — essa entidade assexuada que deveria cheirar a bolinho de chuva e usar avental. Comecei a vê-la como a mulher de 42 anos que o espelho da academia não cansava de elogiar. Ela estava gostosa. Era um fato anatômico, cruel e incontestável. Aquelas coxas firmes, o quadril largo que parecia desenhado para o impacto, e aquela expressão de quem descobriu o segredo da imortalidade através do orgasmo. Ela tinha o direito, não tinha? Depois de anos de um casamento que era um deserto de toque, ela decidiu se tornar um oásis — ou uma represa rompida.

Foi então que a ficha caiu, com o peso de um piano de cauda. Minha incomodação, meu asco, meus gritos de "isso é humilhante"... nada disso era apenas "moralidade". No fundo, no fundo daquela fossa de sentimentos confusos, o que eu sentia era ciúmes. Um ciúme doentio e egoísta de saber que aquele espetáculo de carne e desejo estava sendo distribuído para cada vizinho que soubesse pedir "por favor" ou que tivesse a pegada bruta que ela tanto narrava.

Eu tinha ciúmes de ela não ser mais "minha" mãe, mas sim a "Vadia do Condomínio". Eu tinha ciúmes de como os homens usavam a abusavam da minha mãe, e ela ainda gostava. Eu odiava o fato de que o mundo inteiro agora conhecia os detalhes daquela intimidade que, na minha cabeça de filho, deveria ser um segredo guardado a sete chaves.

— Ela é uma mulher... — murmurei para o teto, sentindo um nó na garganta. — E ela é uma mulher que o mundo inteiro quer comer.

A realização foi um soco no estômago. Eu não estava protegendo a honra dela; eu estava tentando proteger a minha posse sobre uma imagem que não existia mais. Regina tinha se tornado pública, e eu era o único espectador que ainda não tinha comprado o ingresso para o show, preferindo ficar na bilheteria reclamando do preço da entrada.

Depois de um tempo sozinho com meus pensamentos, ouvi o som da porta se fechando após a saída das amigas de minha mãe. O vácuo de silêncio era quebrado apenas pelo tilintar das xícaras que Regina começava a recolher. Saí do quarto devagar. Ela estava na cozinha, lavando a louça do café. Aproximei-me da pia e peguei o detergente. Ela me olhou de soslaio, surpresa com a iniciativa, mas não disse nada. Começamos a lavar a louça em um ritmo sincronizado, o som da água correndo preenchendo o espaço entre nós.

— Elas são barulhentas, eu sei — disse ela, quebrando o gelo com uma voz suave, desprovida da agressividade provocadora de mais cedo.

— Elas não são o problema, mãe — respondi, concentrado em uma mancha de batom na borda de uma xícara. — O problema, ou melhor, a questão... sou eu. Eu passei esse tempo todo tentando te encaixar num molde que você claramente quebrou e jogou no lixo.

Ela parou de secar um pires e me encarou. Seus olhos estavam atentos, sem o deboche habitual.

— Eu entendi o que você disse para elas — continuei. — Sobre o "ponto final". Sobre querer ser reticências. Eu entendi que você passou quarenta anos sendo o que esperavam de você. E que agora, ver você sendo... bem, sendo a mulher que o prédio inteiro comenta, me dói porque eu sinto que perdi aquela mãe "segura". Mas eu percebi que o meu incômodo é, na verdade, um ciúme ridículo. Eu queria que você fosse invisível para o mundo, só para continuar sendo a minha mãe perfeita.

Regina largou o pano de prato e se encostou na bancada, suspirando.

— Filho, eu entendo o seu lado também. Deve ser um inferno ouvir o porteiro ou o pai do seu melhor amigo falando da minha bunda na portaria. Eu sei que eu exagero, que eu provoco, que eu escancaro a minha vida — e o meu corpo — de um jeito que beira a crueldade com você. Eu faço isso porque, pela primeira vez na vida, eu sinto que eu mando em algo. Eu mando no desejo desses homens. Eu mando na minha própria pele.

Ela deu um passo em minha direção, a expressão amolecida.

— Eu não quero que você sofra. Mas eu não consigo mais voltar para aquela caixa escura onde eu vivia. Se o preço de eu me sentir viva, de me sentir essa "vadia" que eles tanto desejam, é o falatório... eu estou disposta a pagar. Mas eu não quero que o preço seja perder o seu respeito.

— Você não perdeu o meu respeito, mãe — eu disse, e senti um peso saindo do meu peito. — Você só me deixou confuso. Mas eu aceito. Se ser a "Vadia do Condomínio" é o que te faz brilhar desse jeito, quem sou eu para apagar a luz? Só... tenta não mostrar os detalhes do seu rabo pra todo mundo na minha frente, tá?

Ela soltou uma risada alta, genuína, e me puxou para um abraço. Foi um abraço carinhoso, de mãe e filho, um porto seguro no meio daquele oceano de luxúria e fofocas. Senti o cheiro dela e, por um momento, ela era apenas a minha mãe novamente.

— Prometo tentar ser mais discreta — ela sussurrou, apertando-me com afeto.

Eu sorri, negando com a cabeça, e voltei para o meu quarto. A paz estava feita, o entendimento era real, mas uma certeza permanecia inabalável: a dona Regina continuava sendo, com muito orgulho, a vadia do condomínio.

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Comentários

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Diz que não queria perder o respeito quem o filho tinha dela, mas as ações dela mostram totalmente o inverso.

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Não demora muito e ele logo tá enrabando a vadia do condomínio também (sua mãe)!

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