Eu ainda não sabia exatamente o que fazer com o vídeo.
Às vezes imaginava usar aquilo contra a Ester. Obrigá-la a fazer tudo que eu quisesse, virar minha escrava, como naqueles episódios de desenho animado em que alguém descobre um segredo e passa a mandar no outro.
Só não tinha coragem de tentar algo assim.
Na prática, o único uso que eu tinha encontrado para o vídeo era bem mais simples.
Eu assistia. Várias vezes.
Aquilo me excitava mais do que qualquer coisa que eu já tinha sentido.
Aquilo virou uma droga.
E, como toda droga, estava cada vez mais difícil parar.
Um dia, durante o culto, a Ester levantou as mãos para o céu, como todo mundo fazia durante a música.
Eu senti minha cabeça de baixo acompanhando o movimento e levantar também.
Fiquei até com medo de alguém perceber e corri para o banheiro.
Coloquei o vídeo no celular e fiz o que tinha que fazer.
Tudo foi tão intenso que nem consegui me segurar quando o clímax veio.
Soltei um grunhido alto demais.
Puta merda. Eu fiz muito barulho.
Fiquei um tempo ali parado, me recompondo.
Lavei as mãos.
Abri a porta.
Mas, alguém estava bloqueando minha saída…
Natanael.
Com o seu cabelo preto cheio de gel, arrumado demais para alguém da nossa idade, e o sorriso escroto de sempre.
Entre todas as pessoas que poderiam ter me flagrado naquele momento, ele com certeza era a pior delas.
Mesmo dentro da igreja, cercado por gente que passava a vida tentando garantir seu lugar no paraíso, eu sofria o pacote básico do bullying.
Piadinhas.
Humilhação.
Intimidação.
E Natanael era quem mais se divertia com isso.
Ele era filho do pastor, o que fazia ele acreditar que tinha algum tipo de autoridade sobre todo mundo ali.
Era menor e mais magro que eu.
Se fossemos brigar de verdade, provavelmente eu conseguiria derrubar ele em poucos segundos.
Mas nunca chegava perto de virar uma briga. Porque simplesmente nunca reagia.
Eu era a sua vítima perfeita.
E assim, pelas coisas que eu estava fazendo ali, tinha uma boa chance de eu já estar condenado pela eternidade.
Mas Natanael…
Com certeza, veio direto do inferno.
— Isso é bom demais… — ele disse, fazendo uma pausa teatral para provocar. — Eu preciso saber o que foi que você viu pra ficar assim. Aposto que é alguma esquisitice.
Ele estendeu a mão em direção ao meu celular.
Instintivamente, puxei o aparelho contra o peito.
— Não.
Natanael franziu a testa, genuinamente surpreso por eu ter reagido.
Por um segundo, ficamos nos encarando.
— Ah, qual é, Matheus…
Ele tentou pegar o celular de novo. Eu me virei um pouco, protegendo com o corpo.
— Falei que não.
No começo parecia só uma brincadeira estúpida. Natanael esticando a mão, eu desviando.
Mas a força que ele avançava em mim não tinha nada de brincadeira.
Ele estava fazendo de tudo para tirar o celular de mim.
— Deixa eu ver isso aí.
— Não, cara!
Ele agarrou meu pulso. Tentei puxar de volta, mas ele torceu minha mão e arrancou o celular dos meus dedos.
— Ei! — avancei.
Natanael me empurrou para fora, entrou no banheiro e porta.
— Natanael! — bati na porta com força. — Devolve essa merda!
Silêncio.
— NATANAEL!
Comecei a esmurrar a porta.
— Abre essa porra!
Do outro lado, silêncio de novo.
Bati na porta até cansar.
Até a mão começar a doer.
Até perceber que não adiantava.
O estrago já estava feito.
Quando finalmente a porta abriu, Natanael saiu com o celular na mão.
Ele não estava rindo mais.
Me encarou por alguns segundos, avaliando.
— Mais alguém sabe disso?
Engoli seco.
— Não.
Ele deu dois tapinhas no meu rosto.
Não forte.
Só o suficiente para deixar claro quem mandava ali.
— Ótimo.
Natanael colocou o celular de volta na minha mão.
— Então vamos manter assim.
Ele deu as costas e foi embora.
Fiquei parado por alguns segundos, tentando entender o que tinha acabado de acontecer.
Desbloqueei o celular com as mãos tremendo e abri a galeria.
O vídeo ainda estava lá.
Mas isso não significava nada.
Não tinha como saber se ele não mandou para si mesmo.
Voltei para o culto com o coração batendo na garganta.
— Tá tudo bem? — Ester perguntou baixinho quando apareci.
Aquilo até me pegou de surpresa.
Ela parecia realmente preocupada comigo.
O pânico devia estar escancarado na minha cara.
— Sim, só fui no banheiro — respondi.
— Nossa, você demorou.
Não consegui nem responder.
Estava preso demais nos meus próprios pensamentos.
Pensando em todas as possibilidades.
Em tudo que Natanael podia fazer com aquele vídeo.
Talvez ele contasse para todo mundo o que eu estava fazendo no banheiro da igreja.
Talvez espalhasse o que minha irmã estava fazendo no estacionamento.
O estranho é que Natanael nunca tinha sido um dos garotos que orbitavam a Ester.
Enquanto metade dos meninos da igreja tentava de tudo para ter um pouco da atenção da minha irmã, ele parecia simplesmente não se importar.
Era bem mais interessado em fazer bullying comigo.
Bom…
Pelo menos até aquele momento.
A última música do culto começou.
Olhei para os lados.
Natanael estava sentado na outra fileira.
Ele não estava cantando.
Quando nossos olhos se encontraram, ele apontou discretamente para o bolso onde estava meu celular.
E sorriu.
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