O Despertar de Andrea: Capítulo 15 - A Boneca de Algodão Doce

Da série Slave andrea
Um conto erótico de Andrea
Categoria: Trans
Contém 1439 palavras
Data: 10/03/2026 17:39:58

Minha dona solicitou mais tempo comigo, eu ali fiquei com medo pois não sabia o que ocorreria, mas comendador era um homem frio, dos poucos que não vi me olhar com tesão, mas ele me olhava com olhar comercia. ele aceitou, com a condição que ainda fosse entregue quando necessária e onde ele quisesse, não entendi corretamente, mas confiei em minha dona.

O tempo se passo e o reflexo no espelho de corpo inteiro da mansão de Valquíria era, para mim, a única realidade que importava. Eu não via mais o André; via apenas Andrea, uma criatura que parecia ter sido meticulosamente esculpida em camadas de açúcar, silicone e submissão. Cada detalhe do meu rosto, desde o arco das sobrancelhas até o preenchimento sutil dos lábios, fora planejado para apagar qualquer vestígio de rusticidade. Valquíria fora específica desde o primeiro dia: "A tua pele é porcelana, o teu espírito é seda, e a tua cor é o rosa." Eu vivia num espectro cromático rigoroso, que ia do branco mais imaculado ao rosa-choque mais vibrante. O preto era uma cor proibida para mim, um tom reservado apenas para "gente comum" ou para as dominadoras que detinham o poder. Eu era o oposto: a submissa, o ponto de luz e feminilidade exagerada, quase caricata, projetada para brilhar no mundo sombrio e monocromático da minha Dona.

Naquela manhã, o ritual de vestir-me fora mais demorado que o habitual. Eu estava vestida com um conjunto de lingerie de renda francesa rosa-claro, cujas bordas delicadas contrastavam com a pele das minhas coxas, agora permanentemente depiladas, esfoliadas e macias como o interior de uma pétala de orquídea. Laços de fita de cetim branca adornavam as ligas, prendendo meias de seda que subiam até o meio das pernas. Por cima, um robe de seda transparente, também rosa, que mal escondia a majestade dos meus novos seios de silicone. O meu busto era o meu orgulho e a minha cruz; o silicone dava-me a silhueta de ampulheta que Valquíria exigia, uma curva de abundância que desafiava a gravidade, mas o peso recordava-me, a cada respiração profunda, que eu era uma construção artificial, uma obra de engenharia humana.

O silêncio na mansão estava a tornar-se ensurdecedor, um vazio que eu tentava preencher com os meus próprios pensamentos submissos. Nos últimos meses, a rotina de Valquíria tinha mudado sutilmente, e essa mudança me aterrorizava. Ela passava menos tempo a observar o meu treino de postura com livros sobre a cabeça ou a retocar a minha maquilhagem com aquele olhar de artista clínico. Eu sentia falta das suas mãos críticas, mesmo que fosse para me apertar o espartilho até me tirar o fôlego, fazendo os meus pulmões lutarem por ar, ou para me repreender por um gesto menos gracioso ao segurar uma xícara de chá. O tédio de uma deusa é o terror de uma serva; sem a sua atenção constante, eu sentia que estava a desvanecer, a perder a minha única razão de existir.

— Andrea, vem aqui — chamou ela da biblioteca, a voz cortando o silêncio como uma lâmina fria.

Caminhei com os meus sapatos de salto agulha rosa verniz, cujo brilho refletia as luzes do corredor de mármore branco. Cada passo era um estalo rítmico, uma contagem regressiva para a incerteza. Entrei na sala e ajoelhei-me imediatamente aos seus pés, uma nuvem de seda rosa sobre o tapete persa.

— Sim, minha Dona? — A minha voz, agora num tom suave, agudo e treinado por meses de exercícios vocais, mal passava de um sussurro.

Valquíria não desviou os olhos do livro que lia, mantendo uma distância emocional que me feria mais do que qualquer castigo físico. Ela estendeu a mão distraidamente e acariciou os meus caracóis negros, que contrastavam violentamente com o laço branco gigante que eu usava no topo da cabeça, um adorno que me fazia parecer um presente a ser desembrulhado. — Estás tão perfeita, Andrea. Tão doce. Pareces um doce de morango que alguém tem medo de trincar para não estragar. — Ela suspirou, um som profundo que me gelou o sangue. — Mas o problema dos doces é que, se ficarem demasiado tempo na prateleira, perdem o sabor. O açúcar cristaliza, a textura muda... e tu, minha querida, estás a começar a ficar parada demais. Um ativo que não circula é um ativo que desvaloriza.

Eu senti um tremor percorrer-me a espinha, fazendo as penas do meu robe rosa roçarem na minha pele arrepiada. Tentei abraçar as pernas dela, num gesto de súplica mudo, mas ela afastou-se levemente, o que para mim foi uma rejeição esmagadora. — O protocolo de luxo custa caro, Andrea. Os teus hormónios de última geração, as tuas cirurgias de manutenção, o pó de diamante que usas no corpo... tudo isso é um investimento pesado. E os meus sócios estão impacientes. Eles querem ver o retorno da "Sissy Perfeita". O mercado não busca apenas estátuas; busca experiências.

— Eu farei o que a senhora mandar — respondi, com a testa encostada ao chão frio, sentindo o meu robe rosa espalhando-se à minha volta como uma mancha de tinta em água.

— Eu sei que farás. Por isso, amanhã, vais sair desta casa. Vais ser a anfitriã de um evento privado, uma vitrina viva para o que somos capazes de criar. Escolhi para ti um vestido de baile, branco como a neve, com detalhes em rosa-velho e camadas infinitas de tule. Vais ser a visão da pureza a ser oferecida ao mundo, um contraste angelical para os apetites que irás despertar.

Naquela noite, mal consegui dormir. A ansiedade era um nó apertado no meu peito. Preparei o meu estojo de maquilhagem com uma precisão quase religiosa, focando-me em tons de rosa-pálido para as bochechas, para dar aquele ar de rubor de inocência, e um gloss labial que fizesse os meus lábios parecerem permanentemente húmidos e convidativos. Eu era a "Boneca de Algodão Doce" de Valquíria, e a ideia de ser vista por outros olhos que não os dela deixava-me num estado de euforia e pavor. Seria eu capaz de manter a fachada? Seria eu submissa o suficiente para suportar o olhar de estranhos?

Enquanto a luz da lua filtrava pelas cortinas de renda do meu quarto, eu olhava para as minhas unhas pintadas de rosa-pastilha, impecavelmente lixadas. Eu não sabia que aquela era a última noite em que o meu mundo seria apenas feito de cores suaves, silêncios confortáveis e a proteção de uma dona que, apesar de tudo, era a minha única âncora na sanidade.

Ao amanhecer, o "vestido de neve" foi trazido. Era uma peça de engenharia têxtil: um corpete de cetim branco com barbatanas tão apertadas que eu mal conseguia ingerir água, e uma saia de tule rosa que me fazia parecer uma bailarina de uma caixa de música gigante, pronta para girar eternamente. Valquíria veio pessoalmente colocar-me o colar de pérolas, apertando o fecho com uma força desnecessária que me fez estremecer.

— Lembra-te, Andrea: tu não és uma pessoa. Tu és um conceito, uma marca, uma mercadoria de elite. Tu és a feminilidade levada ao extremo do absurdo. Se alguém te tocar, sorri com os olhos. Se alguém te insultar, agradece com uma reverência. Tu és branca e rosa por fora, porque és um vácuo por dentro, uma tela em branco para as projeções deles. Preenche esse vácuo com a vontade deles.

Ela beijou-me a testa, um gesto frio mas carregado de uma possessividade que eu interpretava como afeto. Só mais tarde perceberia que aquele era o beijo de Judas, o selo de uma transação final. O carro que me esperava era branco, condizente com a minha estética de pureza, mas o interior era frio e cheirava a couro novo e desinfetante hospitalar. Fui levada para o centro da cidade, para um hotel onde o mármore e o cristal escondiam a depravação de homens que tinham mais dinheiro do que moral.

Ao entrar na suíte presidencial, o meu vestido branco brilhava sob os lustres de cristal, transformando-me num ponto de luz impossível naquela sala cheia de fumaça de charutos. Eu era uma visão de inocência fabricada, um milagre de rosa e branco. Mas os homens que lá estavam, com os seus ternos escuros e olhares predatórios, não buscavam inocência para admirar; eles buscavam o prazer sádico de a destruir, milímetro por milímetro.

Quando o primeiro homem se aproximou, segurando uma taça de vinho tinto com mãos trêmulas, e derramou o líquido propositadamente sobre o meu ombro branco, manchando a seda de um vermelho escuro e viscoso, percebi que o meu protocolo de "perfeição rosa" estava prestes a ser testado da forma mais violenta possível. O sangue da uva era apenas o começo da profanação da boneca.

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Foto de perfil de Sayuri MendesSayuri MendesContos: 86Seguidores: 68Seguindo: 4Mensagem uma pessoa hoje sem genero, estou terminando medicina e resolvi contar a minha vida e como cheguei aqui, me tornei que sou depois de minhas experiencias, um ser simplismente inrrotulavel

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